Cogumelo nuclear 8 vezes maior que o Everest: a explosão soviética cuja onda deu 3 voltas na Terra e foi 1.570 vezes mais forte que Hiroshima em 1961
Em 30 de outubro de 1961, a União Soviética realizou o teste nuclear da Tsar Bomba – designada oficialmente como AN602. O dispositivo de 27 toneladas foi lançado de uma altitude de 10,5 quilômetros por um bombardeiro Tu-95V sobre a Baía de Mityushikha, no arquipélago de Nova Zembla.
A detonação ocorreu a 4,2 quilômetros acima do solo para reduzir a contaminação por radiação na superfície.
Impacto e escala da explosão
Com potência estimada entre 50 e 57 megatons, a energia liberada superou em cerca de 1.570 vezes a soma das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. A nuvem em forma de cogumelo resultante atingiu 67 quilômetros de altitude — alcançando a mesosfera e equivalendo a quase oito vezes a altura do Monte Everest —, com um diâmetro de topo de 95 quilômetros.
A onda de pressão atmosférica e a onda sísmica geradas pela detonação circundaram o planeta Terra por três vezes. O clarão da luz pôde ser observado a mais de mil quilômetros de distância, enquanto os danos materiais, como vidros quebrados, foram registrados a até 900 quilômetros do ponto central do teste.
Decisão técnica e redução de potência
O projeto original desenvolvido sob supervisão do físico Andrei Sakharov e do líder soviético Nikita Khrushchev previa uma capacidade de 100 megatons. No entanto, os engenheiros substituíram o revestimento interno de urânio-238 por chumbo.
A alteração reduziu o poder explosivo pela metade para limitar a precipitação radioativa na atmosfera e garantir tempo suficiente de fuga para a tripulação da aeronave.
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Desfecho e legado geopolítico
Devido ao peso e às dimensões do artefato, a Tsar Bomba não se tornou uma arma de uso militar prático.
O teste confirmou os cálculos teóricos da física termonuclear multiestágio e impulsionou a assinatura do Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares, firmado em 1963.