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Sua profissão define quem você é? O que Bruna Marquezine nos faz pensar
Bruna Marquezine começou a trabalhar ainda criança e construiu uma trajetória marcada pela presença constante na televisão e no cinema. Agora, a atriz compartilha uma mudança na forma como enxerga a própria profissão: o trabalho deixou de ocupar o centro de sua identidade para dividir espaço com outras dimensões da vida. Bruna Marquezine e Shawn Mendes despertam curiosidade: o que define um relacionamento saudável? Shawn Mendes entrega desejo em meio ao romance com Bruna Marquezine: 'Construir uma vida' Durante participação no podcast "É Nóia Minha?", apresentado por Camila Fremder, Bruna falou sobre a importância de reconhecer quem é fora do ambiente profissional. A atriz estreou na televisão aos 5 anos e ganhou projeção nas novelas aos 7, como Salete, em "Mulheres Apaixonadas". Ao longo dos anos, a carreira passou a fazer parte de sua rotina desde muito cedo. "Pela primeira vez na vida, agora o trabalho ocupa o lugar do trabalho. Minha vida e quem eu sou sem o trabalho me interessam tanto quanto", afirmou. A reflexão também se relaciona a um comportamento comum fora do universo das celebridades: a tendência de associar a autoestima ao desempenho profissional. Em uma cultura que valoriza a produtividade e as conquistas, reconhecer o próprio valor para além dos resultados pode se tornar um desafio. Como separar sua identidade da carreira? Bruna Marquezine inspira reflexão Reprodução Instagram Para a psicóloga Daisy Cangussú, fundadora da Wapiya Gestão de Pessoas e Diversidade e da Wapiya Saúde Mental e Bem-Estar, a carreira pode contribuir para a construção da identidade, mas merece atenção quando passa a ser a principal referência para avaliar o próprio valor. "O trabalho tem um papel fundamental na construção da identidade, porque oferece reconhecimento, pertencimento e propósito. Entretanto, quando a pessoa passa a acreditar que seu valor depende exclusivamente daquilo que produz ou conquista, cria uma relação de dependência emocional com a carreira. Nesses casos, descansar pode gerar culpa, ficar sem trabalhar provoca ansiedade e qualquer dificuldade profissional passa a ser interpretada como um fracasso pessoal", explica. Quando a carreira se torna uma medida de valor pessoal Dedicação profissional e realização não são, por si só, sinais de uma relação problemática com o trabalho. A questão está na dificuldade de estabelecer limites, na busca constante por aprovação e na sensação de que nenhuma conquista é suficiente. Mesmo depois de alcançar objetivos importantes, algumas pessoas sentem necessidade de seguir produzindo para preservar a percepção de sucesso. Essa dinâmica pode ser particularmente desafiadora para quem começou a trabalhar cedo ou atua em ambientes competitivos. Quando o reconhecimento externo se torna a principal fonte de autoestima, períodos de descanso, mudanças de rumo e fases de menor produtividade podem despertar insegurança. "Existe uma diferença importante entre amar o que se faz e depender emocionalmente do trabalho para se sentir alguém. Uma pessoa pode ser extremamente dedicada à carreira e, ao mesmo tempo, preservar seus relacionamentos, interesses e momentos de descanso. O sinal de alerta aparece quando ela não consegue se desconectar, sente culpa por não estar produzindo ou acredita que perde sua importância quando não está sendo reconhecida profissionalmente", afirma a psicóloga. O impacto de viver em função da produtividade Quando as demandas profissionais ocupam quase todo o espaço da rotina, relacionamentos, atividades de lazer e momentos de descanso podem ficar em segundo plano. Aos poucos, experiências que antes proporcionavam prazer passam a ser vistas como obstáculos à produtividade. Esse processo nem sempre é percebido de imediato, já que a disponibilidade constante e as agendas cheias costumam ser associadas a comprometimento e ambição. A dificuldade surge quando a dedicação compromete outras áreas da vida e a pessoa deixa de encontrar satisfação fora das responsabilidades profissionais. "Durante muito tempo, aprendemos a admirar pessoas que estão sempre ocupadas, disponíveis e produzindo. Mas uma agenda cheia não é necessariamente sinônimo de realização. Quando o indivíduo não consegue reconhecer seu valor fora do ambiente profissional, ele se torna mais vulnerável à frustração, ao esgotamento e à sensação de vazio. A saúde mental também depende da possibilidade de existir sem precisar apresentar resultados o tempo inteiro", destaca Daisy. Como construir uma relação mais equilibrada com o trabalho Enxergar a carreira como uma parte da vida, e não como sua definição completa, não significa abrir mão de objetivos ou reduzir a ambição. A mudança envolve reconhecer outros aspectos que também compõem a identidade, como os vínculos afetivos, os interesses pessoais, as experiências de lazer e o tempo dedicado a si mesmo. A psicóloga sugere que cada pessoa observe o espaço que essas dimensões ocupam na rotina e reflita sobre o que lhe proporciona satisfação além das metas profissionais. "É importante que cada pessoa se pergunte quem é quando não está exercendo sua função profissional. Quais atividades proporcionam prazer? Quais relações são importantes? O que desperta interesse fora das metas e responsabilidades? Recuperar essas respostas ajuda a construir uma identidade mais ampla e uma relação mais equilibrada com o trabalho. O verdadeiro sucesso não deveria exigir que alguém abrisse mão de si mesmo para continuar sendo reconhecido", conclui Daisy.
Hackers da Coreia do Norte são suspeitos de roubo de US$ 6 bi na Binance
Hackers roubaram mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas nesta quinta-feira (29), estabelecendo um novo recorde para o maior assalto do tipo já registrado. Diversos investigadores apontaram a Coreia do Norte como possível responsável pelo ataque.
Até a noite de quinta-feira nos Estados Unidos, um grupo de empresas de criptomoedas havia conseguido congelar cerca de US$ 3 bilhões dos valores roubados, em uma corrida frenética contra os hackers para localizar e controlar o dinheiro digital.
Os invasores conseguiram acessar carteiras digitais mantidas na Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo.
A Binance afirmou na noite de quinta-feira que sua investigação preliminar indica que o ataque ocorreu por meio do notebook de um engenheiro, “o que permitiu que um invasor obtivesse acesso a um contêiner de serviço e enviasse transações de saque não autorizadas”.
A empresa afirmou que “cobrirá todas as perdas” com recursos próprios e de um fundo emergencial de ativos, acrescentando que “os fundos dos usuários estão seguros”. A corretora também informou que “suspendeu temporariamente depósitos e saques enquanto as verificações de segurança são concluídas; revogou a autorização do endereço afetado; [e] acionou autoridades policiais e parceiros de inteligência em blockchain para rastrear e recuperar os fundos”.
Analistas ficaram surpresos com o volume de dinheiro envolvido.
“É o maior ataque hacker da história”, afirmou à Reuters Aravind Srinivasan, chefe da área de operações sistemáticas de balcão (OTC) da GSR, uma das principais empresas de formação de mercado de criptomoedas.
A empresa de rastreamento de criptomoedas TRM Labs atribuiu o roubo a uma unidade de elite de hackers norte-coreanos, “com base em informações robustas obtidas dentro e fora da blockchain”.
A Pangolin Intelligence, outra empresa de rastreamento de blockchain sediada em Singapura, também afirmou acreditar que uma unidade de hackers da Coreia do Norte esteja por trás do ataque.
“A análise da atividade na blockchain relacionada a esse ataque, combinada com informações coletadas de incidentes anteriores conhecidos [envolvendo a unidade cibernética norte-coreana]”, levou à atribuição, afirmou um analista da Pangolin Intelligence, que não quis ser identificado por motivos de privacidade.
“Acho que o jogo de gato e rato mal começou”, disse o analista à CNN, acrescentando que a Coreia do Norte provavelmente está preparada para recorrer a uma rede de organizações de lavagem de dinheiro para tentar converter os valores roubados em dinheiro.
A Chainalysis, outra empresa de rastreamento de criptomoedas, afirmou estar monitorando os fundos roubados, que “estão se movimentando por diversas blockchains”, incluindo Bitcoin e Ethereum. Um porta-voz da empresa disse à CNN que havia “alto grau de confiança” de que a Coreia do Norte estava por trás do ataque.
A CNN procurou a missão da Coreia do Norte na ONU para comentar o caso. Pyongyang já negou anteriormente acusações de ataques hacker.
A CNN também solicitou comentários ao FBI e ao Serviço Secreto dos Estados Unidos, que também investiga crimes cibernéticos. Em investigações anteriores sobre grandes roubos de criptomoedas, o FBI contou com uma equipe de analistas de prontidão que trabalhava para congelar parte dos valores.
Caso a responsabilidade da Coreia do Norte seja comprovada, isso não surpreenderia autoridades policiais americanas nem especialistas do setor privado. Hackers norte-coreanos foram responsabilizados pelo recorde anterior de roubo de criptomoedas, quando supostamente furtaram US$ 1,5 bilhão da Bybit, outra grande corretora do setor. Na ocasião, os invasores roubaram, em questão de minutos, um valor equivalente a uma parcela significativa do PIB (Produto Interno Bruto) anual estimado da Coreia do Norte.
As formidáveis equipes de hackers da Coreia do Norte são uma importante fonte de receita para o regime, que possui armas nucleares e enfrenta duras sanções internacionais, segundo autoridades atuais e antigas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Hackers ligados a Pyongyang roubaram bilhões de dólares de bancos e empresas de criptomoedas nos últimos anos, de acordo com relatórios das Nações Unidas e de empresas privadas.
Uma investigação da CNN publicada em 2023 destacou como o serviço de inteligência sul-coreano trabalhou com especialistas privados em rastreamento de criptomoedas para apreender cerca de US$ 1 milhão em ativos digitais roubados por norte-coreanos de uma vítima.
Diferentemente das plataformas de negociação de ações, as corretoras de criptomoedas costumam manter os ativos digitais em nome de seus usuários, o que as torna mais vulneráveis a ataques hacker e roubos, especialmente diante da falta de supervisão regulatória em um setor relativamente novo.
A Binance foi cofundada em 2017 pelo canadense Changpeng Zhao e se tornou a maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo em menos de um ano após seu lançamento.
No entanto, Zhao deixou o cargo em 2023, após se declarar culpado de violar leis contra a lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. Ele foi condenado a quatro meses de prisão federal e recebeu um perdão do presidente Donald Trump em outubro do ano passado.
Zhao, que não administra mais a plataforma, mas continua sendo seu maior acionista, afirmou na rede social X que o incidente aparentemente foi um ataque hacker e que espera que a corretora cubra integralmente os fundos dos usuários.
Os preços do Bitcoin e do Ether, as criptomoedas mais negociadas, despencaram após a notícia da invasão à Binance, mas recuperaram parte das perdas e operavam em queda de cerca de 2% a 3% na tarde de sexta-feira (30), no horário de Hong Kong.
Cinco regiões de corais no Brasil estão em estado crítico e correm risco de colapso
Uma pesquisa apontou que cinco das oito ecorregiões de recifes de coral do Brasil estão em risco crítico de colapso. Outros três ponto não têm dados suficientes para uma classificação geral de risco.
O levantamento vê ondas de calor marinhas como a principal ameaça aos recifes do país. De acordo com a avaliação, projeções climáticas indicam aumento do estresse térmico severo, branqueamento e da mortalidade de espécies de corais para as próximas décadas, com eventos já registrados anteriormente, em 2019 e 2020 e 2024.
Além disso, também foram identificadas alterações na cobertura dos corais e na composição das comunidades marinhas, a proporção entre algas e corais e a biomassa de peixes herbívoros e predadores estão entre os principais motivos para essas alterações.
Nos últimos 50 anos, as ecoregiões de Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha apresentavam uma situação crítica, enquanto Abrolhos, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul eram classificadas como EN (Em Perigo) de extinção e passaram para CR (Criticamente em Perigo).
A analista de Conservação do WWFBrasil, Ana Lídia Gaspar, afirma que “Os resultados mostram que três dessas ecorregiões já estavam em risco crítico pelo que aconteceu nos últimos 50 anos, e que as projeções colocam outras duas no mesmo patamar. Onde faltam dados, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco. A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação.”
O levantamento da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) mostra que, além das mudanças climáticas, os recifes de corais são afetados pela pesca excessiva, pelo desenvolvimento costeiro, a pressão turística e com o lançamento de nutrientes e sedimentos que comprometem a qualidade da água.
A UICN também relata que as atividades de exploração de petróleo e gás, a mineração e a navegação são outros fatores que apresentam risco de contaminação dos ambientes marinhos.
O levantamento
A Lista Vermelha de Ecossistemas da UICN juntou mudanças observadas nos últimos 50 anos para analisar o estresse térmico que os recifes brasileiros podem sofrer nas próximas cinco décadas, avaliando o risco de colapso dos ecossistemas a partir de critérios como redução da distribuição, restrição geográfica, degradação das condições ambientais e alterações nos componentes biológicos.
*Sob supervisão de Thiago Félix
Mergulhador brasileiro está descobrindo novas espécies nas profundezas do oceano
Lula reúne aliados e mapeia novo governo em primeira semana pós-eleições
Na primeira semana após sua vitória nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conciliou um período de descanso, para recuperação de uma intensa corrida eleitoral, e agendas privadas junto a aliados visando o início da reformulação do governo para seu quarto mandato.
Lula dedicou parte considerável da segunda-feira (26) a conversar por telefone com líderes internacionais, que o parabenizaram por sua reeleição.
Também neste dia, o presidente se reuniu com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), no Palácio da Alvorada. Nessa data, assegurou aos parlamentares que o governo apoiará a reeleição de ambos no comando das Casas do Parlamento.
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Parte das discussões na primeira semana após as eleições miraram estratégias para lidar com um Congresso Nacional de maioria conservadora a fim de garantir algum nível de governabilidade ao quarto mandato de Lula.
Já na terça-feira (27), o presidente teve seu único compromisso público na semana. O mandatário participou de celebração ao seu aniversário de 81 anos na residência oficial da Presidência. Na ocasião, cumprimentou apoiadores e criticou a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos.
Nos bastidores, ao longo deste semana, o presidente também teve as primeiras discussões sobre uma reformulação na Esplanada dos Ministérios. A tendência é de que as primeiras definições aconteçam somente na segunda quinzena de novembro.
Na quinta-feira (29), por exemplo, se reuniu com o deputado federal André Janones (Rede-MG). O parlamentar é considerado por Lula um dos principais responsáveis por sua virada e – com ou sem cargo – estará à frente da reformulação da comunicação do governo federal.
O petista tem a missão de agregar à Esplanada integrantes de sua campanha que tiveram protagonismo na virada no segundo turno, mas também reservar espaços para parte dos aliados que perderam eleições e que permaneceram no governo e não disputaram o pleito a seu pedido.
Até o início da próxima semana, Lula deve tirar dias para descanso, segundo aliados. Depois, a expectativa é que o mandatário retome discussões sobre a montagem do governo e também volte a fazer viagens internacionais. A primeira prevista será para Antália, na Turquia, para a COP31, entre os dias 11 e 12 de novembro.
- O Globo
- Depois do apoio, a cobrança: classe artística pede mudanças e aprimoramento nas políticas do MinC
Depois do apoio, a cobrança: classe artística pede mudanças e aprimoramento nas políticas do MinC
Base histórica de Luiz Inácio Lula da Silva desde sua primeira candidatura presidencial, em 1989, o setor cultural novamente embarcou de modo massivo na campanha que garantiu sua reeleição, encerrada no último domingo. Comparecendo às manifestações nas ruas, postando selfies e vídeos nas redes sociais ou se empenhando no corpo a corpo do vira votos que marcou o segundo turno, a classe artística foi uma das mais atuantes na conquista do eleitor para o postulante petista. Em 30 de outubro: No aniversário de Paulo Gustavo e dia do humor, Multishow e Globoplay exibem minidoc inédito sobre o ator 'Vanguarda em construção': Publicado em inglês em 2013, livro sobre arte construtiva no Brasil e sua influência ganha edição em português Este apoio, contudo, não foi feito de forma acrítica. A despeito do reconhecimento da reconstrução do Ministério da Cultura após o desmonte da pasta no governo Bolsonaro (2019-2022), quando foi rebaixado à condição de secretaria, críticas se acumularam nos últimos meses a alguns pontos da gestão de Margareth Menezes, empossada desde janeiro de 2023. Mesmo com a ministra prestigiada por Lula durante a campanha de reeleição, fontes ouvidas pelo GLOBO já aventam novos nomes para a pasta a partir de 2027, a exemplo do cantor Chico César, da presidente da Funarte e deputada federal eleita pelo PT da Bahia Maria Marighella, do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), do ex-ministro Juca Ferreira e do ator Wagner Moura. Respondendo por e-mail ao GLOBO, a ministra disse estar “à disposição do presidente” sobre uma possível continuidade no cargo.Em 30 de outubro: Lançado no mês de setembro, o manifesto “A Cultura está com Lula e pede mudanças” reúne, atualmente, mais de 700 signatários, que celebram a reconstrução da pasta, mas reivindicam que, no próximo mandato, o MinC “se torne protagonista, sendo mais que um gestor de editais e leis de incentivo” e que “os recursos orçamentários da Cultura sejam aplicados com estratégia, objetivos e metas”, entre outros pontos. Na lista de assinaturas, estão nomes como o cantor Arnaldo Antunes; os atores Caio Blat, Irene Ravache, Gloria Pires e Patrícia Pillar; os escritores Eucanaã Ferraz, Xico Sá e Fernando Morais (biógrafo de Lula); os cineastas Luiz Fernando Carvalho, Lúcia Murat e Anna Muylaert; e artistas visuais como Rosana Paulino, Nuno Ramos e Rivane Neuenschwander. — Recebo o manifesto como compromisso, não como crítica. E concordo com a direção. Fomento é meio, não é fim. O primeiro ciclo teve que reconstruir um ministério que não existia e fazer o recurso chegar com capilaridade, e chegou. O próximo tem quatro tarefas. Metas públicas e verificáveis, a economia criativa dentro do projeto econômico do país, soberania digital com regulação das plataformas, e instituições fortalecidas — comenta a ministra. Mesmo em momentos de apoio mais explícito à reeleição do petista, como no ato “Cultura com Lula”, realizado na Fundição Progresso, no Centro do Rio, em 23 de setembro, reunindo no palco nomes como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury, Marieta Severo, Xamã, Russo Passapusso (do BaianaSystem) e Leandro Vieira (carnavalesco da escola de samba Imperatriz Leopoldinense), entre outros, integrantes do Movuca (Movimento Urgente de Trabalhadores da Cultura) levavam faixas na plateia e bradavam por compromissos como o piso de 2% do orçamento da União destinado para a Cultura (atualmente, a pasta recebe menos de 0,3% das despesas totais do Governo Federal). Lula e Janja (à direita) no ato “Cultura com Lula”, realizado na Fundição Progresso, junto à candidata ao Senado Benedita da Silva e nomes como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Paulinho Moska, Chico César, Malu Mader, Tony Bellotto, Humberto Carrão, entre outros Alexandre Cassiano O piso para a Cultura é tratado na PEC 421/2014, que está apensada à PEC 150/2003 (outra proposta mais antiga sobre o mesmo tema) e aguarda votação na Câmara dos Deputados. Outras demandas do Movuca — coletivo criado em 2013 no movimento “Reage Artista” e batizado com o nome atual no início de 2024 — passam pelo o aprimoramento do Sistema Nacional de Cultura; a descentralização das leis de incentivo, como a Rouanet; a desburocratização de editais e a criação de políticas de fomento que não sejam exclusivamente baseadas neles; e mais abertura do ministério às necessidades da cadeia produtiva da Cultura. — O coletivo se engajou na campanha, tanto nas redes quanto em ações nas ruas. Mas a gente reconhece que não foi ouvido ali, quando bradamos pelos 2% para a Cultura (no evento da Fundição Progresso). O orçamento hoje fica em torno de R$ 3 bilhões anuais por conta da Lei Aldir Blanc, fora os recursos da Lei Rouanet. Mas a Aldir Blanc deveria ser um acréscimo, e vemos que os estados e municípios acabam substituindo seus investimentos por esses recursos — diz a arte-educadora Fátima Verônica, integrante do Movuca. — Os 2% para a Cultura poderiam garantir R$ 130 bilhões anuais para o setor. Isso mudaria a realidade dos trabalhadores, na maioria precarizados. O atual formato faz com que os artistas passem mais tempo trabalhando em editais do que na parte criativa, ou dependam de outras atividades para se sustentar. 'Propostas viáveis' Sobre os 2% do orçamento para a Cultura, num momento em que o governo é pressionado por medidas de responsabilidade fiscal, uma das tônicas da campanha, o secretário executivo do MinC, Márcio Tavares, reconhece a “legitimidade dessa reivindicação”, mas diz que, “dentro do governo, temos a responsabilidade de construir caminhos que considerem também as outras necessidades de um país do tamanho do Brasil”. — O ministério dialoga com os movimentos e com o Congresso, mas nossa função como governo é transformar demandas em políticas públicas e propostas viáveis. Essa negociação exige articulação, construção de maioria e responsabilidade com o orçamento — ressalta Tavares. Um dos segmentos que fizeram cobranças públicas à pasta foi o do audiovisual, sobretudo pela expectativa frustrada de que a gestão regulamentaria a cobrança da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) pela exibição de filmes nacionais pelas plataformas de streaming, para ampliar os recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), destinado ao desenvolvimento de toda a cadeia produtiva. O Projeto de Lei 8.889/2017, que trata do tema, foi aprovado pela Câmara em novembro de 2025, e ainda aguarda tramitação no Senad— O MinC teve quatro anos para articular a regulamentação do streaming, medida reivindicada e apontada pelo setor como a mais urgente e prioritária desde o dia 1º de janeiro de 2023, e não o fez. Logo, ou foi falta de urgência ou de capacidade — diz o distribuidor de cinema Bruno Wainer, fundador da Downtown Filmes e da plataforma de streaming Aquarius, focada em bem-estar e sustentabilidade, e um dos signatários do manifesto. — Outro ponto fundamental é a previsibilidade de recursos e dos prazos das diversas chamadas do FSA. Planejamento é fundamental para a reconquista do público. Na área dedicada à Cultura de seu plano de governo, Lula se comprometeu a trabalhar pela aprovação da regulamentação do streaming atendendo “aos interesses nacionais” e com o fortalecimento da “proteção aos direitos autorais e à propriedade intelectual”. — Não considero justo atribuir ao MinC uma morosidade nessa discussão. Desde o primeiro dia da nossa gestão, o audiovisual tem sido uma prioridade, com diálogo permanente e atenção às demandas do setor. Entendo a cobrança e compartilho da urgência de regulamentar as plataformas de streaming, ampliar os recursos do FSA e fortalecer a produção brasileira — responde Margareth Menezes. — O ministério atuou na articulação política, no diálogo com o Congresso e na defesa das propostas que construímos ouvindo o setor. A mobilização do ministério não se traduziu, no Legislativo, no avanço que defendíamos, no tempo e nos termos que considerávamos necessários. A cobrança é legítima, mas precisa considerar tanto o que o MinC fez quanto as decisões que dependem do Congresso. 'Muito a avançar' Fazendo um balanço de seus quatro anos à frente da pasta, a ministra destacou pontos como a execução da Lei Paulo Gustavo; o recorde histórico de propostas recebidas na Lei Rouanet em 2025, chegando a quase 23 mil, com uma captação de R$ 3,41 bilhões; a ampliação da rede de Pontos e Pontões de Cultura reconhecidos, de 4.329 a mais de 17.800, em 2023; e o Plano Anual de Investimentos e o planejamento do FSA, de cerca de R$ 1,4 bilhão previstos em 2026. — Esta gestão não apenas reconstruiu o Ministério da Cultura, como também promoveu avanços históricos. Reconhecemos as reivindicações dos artistas, produtores, gestores e trabalhadores da Cultura e sabemos que ainda há muito a avançar. A escuta é parte fundamental do nosso trabalho, porque entendemos que as políticas públicas precisam ser permanentemente aperfeiçoadas a partir das necessidades de quem faz cultura em cada território — conclui a ministra.
- O Globo
- Tarcísio e a presidência, Michelle e o comando do PL Mulher: fuga de Flávio abre vácuo e já reorganiza a direita
Tarcísio e a presidência, Michelle e o comando do PL Mulher: fuga de Flávio abre vácuo e já reorganiza a direita
Isolado pelos próprios aliados após fugir para os Estados Unidos e contestar o resultado das urnas em uma carta de teor golpista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) frustrou os planos de quem apostava no seu nome como o líder da direita no período pós-eleitoral. A postura gerou críticas internas e acelerou as movimentações de quadros do mesmo campo político em busca de maior protagonismo. Ontem, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou que pode ser um postulante em 2030, caso termine o segundo mandato no Palácio dos Bandeirantes com uma boa gestão. Enquanto isso, a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) negocia seu retorno ao comando do PL Mulher, cuja saída ocorreu após uma briga pública com Flávio. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
- O Globo
- Novo Enamed: ‘OAB da Medicina’ aproxima Brasil de critérios internacionais para conferir registro profissional
Novo Enamed: ‘OAB da Medicina’ aproxima Brasil de critérios internacionais para conferir registro profissional
Conhecido como a “OAB da Medicina”, o novo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) deve alinhar o Brasil a países que exigem avaliações nacionais para que médicos exerçam a profissão. A medida provisória que estabelece o exame como requisito para o registro foi aprovada pelo Congresso e deve ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o próximo dia 11. Como vai ocorrer aqui, Estados Unidos e Alemanha adotam provas em três etapas; países como Reino Unido, Canadá, Holanda e Chile também têm sistemas próprios de avaliação. Entidades e especialistas consideram a mudança um avanço, mas divergem sobre a adequação do formato e desdobramentos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
- O Globo
- Flávio em fuga: um quarto dos eleitos pelo PL endossa carta golpista, e 86% não reconhecem publicamente vitória de Lula
Flávio em fuga: um quarto dos eleitos pelo PL endossa carta golpista, e 86% não reconhecem publicamente vitória de Lula
Levantamento do GLOBO com os 155 políticos eleitos pelo PL no Congresso e ao governo nos estados — 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores — mostra que 133, o equivalente a 86%, não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial em suas manifestações sobre o resultado. Ou seja, apenas 14% reconheceram a vitória do petista. Do universo total, 37 políticos, ou cerca de 24% do total, endossaram ou compartilharam a carta com teor golpista divulgada por Flávio Bolsonaro após a derrota por uma diferença de 4,4 milhões de votos. A adesão de parte dos eleitos ao documento contrasta com a tentativa da cúpula do PL de conter o desgaste provocado pela reação do ex-candidato à derrota. Após deixar o Brasil e descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes, Flávio divulgou uma carta na qual alegou fraude eleitoral e chegou a se declarar o "verdadeiro presidente eleito". Posteriormente, retirou essa afirmação do texto e passou a se apresentar como “líder do Brasil”, mas manteve os questionamentos ao resultado das urnas. O episódio provocou desconforto entre dirigentes partidários, que temem novas declarações do senador nos Estados Unidos. O GLOBO analisou publicações nas redes sociais, entre vídeos e mensagens dos políticos eleitos pelo PL após o segundo turno. O levantamento considera a ausência de manifestações públicas, rejeição e questionamento ao resultado das urnas e o reconhecimento da vitória de Lula. A porcentagem de 86% dos que não reconheceram publicamente a vitória de Lula, portanto, não significa que esse contingente concorde com o questionamento das urnas. Parte dos eleitos se limitou a lamentar a derrota, enquanto outros levantaram suspeitas de fraude ou defenderam a anulação da votação. Entre os que endossaram a carta de Flávio estão o senador Magno Malta (ES) e os deputados Gustavo Gayer (GO), Zé Medeiros (MT), Jorge Seif (SC) e Nikolas Ferreira (MG). A adesão de integrantes próximos ao ex-candidato evidencia as dificuldades da direção partidária para afastar a legenda do discurso de contestação eleitoral. Uma das manifestações mais enfáticas foi a da deputada Magda Mofatto (GO), que compartilhou o documento e incentivou sua divulgação no Brasil e no exterior. "Essa carta estará nos livros de história e é um relato sincero e puro do momento que vivemos em nosso país", escreveu. O deputado Lucas O Federal da Direita (ES) também defendeu a anulação do segundo turno e acusou, sem apresentar provas, a ocorrência de irregularidades. "Essa eleição não foi ganha, foi tomada! Iremos pedir a anulação desse segundo turno. O povo brasileiro não merece ser roubado mais uma vez na cara dura", afirmou. Gustavo Gayer sustentou que o resultado seria matematicamente impossível e divulgou um vídeo no qual leu a carta de Flávio. Magno Malta também levantou acusações de fraude e questionou a vitória de Lula. Nenhum dos dois apresentou evidências que sustentassem as suspeitas. Os questionamentos não ficaram restritos aos parlamentares que compartilharam o documento. Em um vídeo, o deputado Domingos Sávio (MG) colocou em dúvida a vitória do petista. "Será que ganharam mesmo?", questionou. Carlos Jordy (RJ) classificou a eleição como “muito duvidosa”, enquanto Sanderson (RS) defendeu uma nova votação após criticar a atuação do STF. Já Capitão Contar (MS) descreveu o pleito como o mais controverso do país, “entupido de aberrações jurídicas”. Parte das críticas se concentrou na decisão que prorrogou o horário de votação no segundo turno, um dos argumentos utilizados pela campanha de Flávio para tentar questionar judicialmente o resultado. A medida foi explorada por aliados do senador como justificativa para pedir a anulação da eleição, embora não haja comprovação de fraude. A diferença final entre Lula e Flávio foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Flávio questionou a prorrogação de duas horas para o fechamento das urnas — de 17h até 19h —, mas só 35 mil votos, número inexpressivo, foram computados neste período. Reconhecimento da derrota Na direção oposta, um grupo minoritário de eleitos pelo PL reconheceu publicamente a vitória de Lula. Entre eles estão o senador Marcio Bittar (AC), os deputados André Fernandes (CE) e Major Vitor Hugo (GO), além de Rosangela Moro (PR). Ex-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, Major Vitor Hugo afirmou que a diferença de votos e o reconhecimento do resultado pelas instituições tornavam improvável uma reversão. "Nós somos 60 milhões de brasileiros que votaram no Flávio, somos uma grande bancada no Congresso. O TSE e vários chefes de Estado já reconheceram a eleição, não importa o que você ou eu achamos. Foram mais de quatro milhões de votos de diferença e é muito difícil haver uma reversão deste resultado", declarou. André Fernandes também descartou alimentar questionamentos sobre as urnas, embora tenha atribuído a derrota à campanha adversária. "O resultado foi esse. Eu não vou aqui falar sobre urna, golpe, não vou falar sobre isso. Porque eu sei que muita gente votou sim no Lula porque acreditou em mentiras, em promessas vazias que não serão cumpridas. Muita gente acreditou em muitas fake news contra Flávio, campanha de terror nas ruas. E o sistema venceu. Nos resta bater a poeira do corpo e continuar", afirmou. Outros parlamentares trataram a vitória do petista como um fato consumado, mas mantiveram críticas ao novo mandato. A deputada Daniela Reinehr (SC), por exemplo, associou o resultado à reação negativa do mercado financeiro. "Dólar em disparada, Bolsa em forte queda e insegurança para quem trabalha e produz. A reação do mercado após a vitória de Lula preocupa e exige responsabilidade", escreveu. Silêncio e divergências Entre os 133 eleitos que não reconheceram expressamente a vitória de Lula, há posicionamentos distintos. O grupo inclui desde políticos que não publicaram qualquer manifestação sobre o resultado até aqueles que contestaram a eleição. Outros manifestaram solidariedade a Flávio ou criticaram decisões judiciais sem necessariamente aderir às acusações de fraude. A deputada Carol de Toni (SC), por exemplo, destacou a votação recebida pelo senador e questionou sua situação judicial após a saída do país. "Flávio Bolsonaro recebeu 59,8 milhões de votos, 48,21% dos votos válidos. Quase metade dos brasileiros que foram às urnas escolheu seu nome para a Presidência da República", escreveu. Na mesma publicação, a parlamentar afirmou que Flávio poderia ser preso caso retornasse ao Brasil. Já Nikolas Ferreira, apesar de ter comentado sobre a carta, reconheceu a dificuldade de reverter o resultado eleitoral. "Conhecendo o nosso país, a chance de anular é praticamente nula, então temos que seguir", afirmou. As diferentes reações expõem o impasse do PL após a eleição. Nos bastidores, dirigentes avaliam que a insistência do senador em alegações de fraude sem provas pode ampliar o desgaste da legenda, sobretudo diante da expectativa de novas manifestações públicas nos Estados Unidos. A preocupação é que Flávio volte a questionar a legitimidade do presidente reeleito e dificulte a tentativa do partido de concentrar sua atuação na oposição ao governo.
- O Globo
- Entrevista: ex-líder do governo Bolsonaro evita falar sobre futuro de Flávio e diz que Tarcísio é 'líder inconteste’
Entrevista: ex-líder do governo Bolsonaro evita falar sobre futuro de Flávio e diz que Tarcísio é 'líder inconteste’
O senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado e ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, destacou o papel dos governadores na reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao GLOBO, apontou Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo, como uma das principais lideranças do campo político e evitou garantir que Flávio conseguirá comandar a oposição dos Estados Unidos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
- O Globo
- Margareth Menezes: 'Esta gestão não apenas reconstruiu o MinC, como também promoveu avanços históricos'
Margareth Menezes: 'Esta gestão não apenas reconstruiu o MinC, como também promoveu avanços históricos'
Engajada na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a classe artística começa com expectativas para o mandato que se inicia em 2027, mas, ao mesmo tempo, expressa desejo de mudanças no Ministério da Cultura (MinC) e aprimoramento nas políticas públicas da pasta. Em entrevista por e-mail, a ministra Margareth Menezes e o secretário executivo da pasta, Márcio Tavares, respondem ao GLOBO questionamentos de artistas e trabalhadores do setor. Em 30 de outubro: No aniversário de Paulo Gustavo e dia do humor, Multishow e Globoplay exibem minidoc inédito sobre o ator 'Vanguarda em construção': Publicado em inglês em 2013, livro sobre arte construtiva no Brasil e sua influência ganha edição em português A classe artística se mobilizou pela reeleição do Presidente Lula e a manutenção do Ministério da Cultura, mas não foi um apoio acrítico. No manifesto 'A cultura está com Lula e pede mudanças', lançado em setembro, mais de 700 signatários celebram a reconstrução do MinC, mas reivindicam que, no próximo mandato, 'se torne protagonista, sendo mais que um gestor de editais e leis de incentivo' e que 'que os recursos orçamentários da cultura sejam aplicados com estratégia, objetivos e metas'. Na avaliação da senhora, o que pode ser aprimorado no mandato que começa em janeiro de 2027? Margareth Menezes: Primeiro, quero agradecer a todo o setor cultural brasileiro que se mobilizou e compreendeu o momento crucial que estávamos vivendo e a necessidade de derrotar a ameaça do autoritarismo, da violência e da perda de direitos. Nossa grande preocupação era impedir a volta de um projeto que já extinguiu o Ministério da Cultura, desmontou políticas públicas, cortou recursos e perseguiu agentes culturais. Agradeço aos artistas de todos os segmentos, aos Pontos de Cultura, aos mestres e mestras, aos produtores e aos profissionais das áreas técnicas. Agradeço também aos jovens, aos idosos, aos grandes artistas que subiram nos trios elétricos pelo país e a quem se mobilizou em sua própria cidade. Essa mobilização atendeu ao chamado do presidente Lula e mostrou, mais uma vez, a força da cultura nos momentos decisivos da democracia. Sobre o manifesto e reivindicações do setor, sabemos que ainda há muito a fazer. Recebo o manifesto como compromisso, não como crítica. E concordo com a direção. Fomento é meio, não é fim. O primeiro ciclo teve que reconstruir um ministério que não existia e fazer o recurso chegar com capilaridade, e chegou. O próximo tem quatro tarefas. Metas públicas e verificáveis, a economia criativa dentro do projeto econômico do país, soberania digital com regulação das plataformas, e instituições fortalecidas. Reconstruir foi o primeiro tempo. Enraizar é o segundo. Reconstruir não é concluir. Temos orgulho do caminho percorrido, mas sabemos que os avanços desta gestão precisam ser consolidados e ampliados. O próximo passo é fortalecer o financiamento permanente da cultura, garantir condições dignas de trabalho aos profissionais do setor, proteger a liberdade artística e ampliar o acesso aos bens e serviços culturais em todos os territórios. Nossa gestão foi orientada estrategicamente pela nacionalização dos investimentos, porque entendemos que a produção cultural brasileira não tem um único centro. E a nacionalização era o que faltava para ativar o sentimento de autoestima e sinalização de mudanças na condução das políticas do ministério. Em todo o país há audiovisual, festivais, música, dança, cinema, mestres e mestras da cultura. Trabalhamos para que os investimentos e as políticas públicas alcançassem essa diversidade, com recursos chegando a todos os estados e a quase 100% dos municípios. Essa diretriz orientou iniciativas como a Lei Paulo Gustavo, a Política Nacional Aldir Blanc, a Lei Rouanet, a Política Nacional de Cultura Viva, os Arranjos Regionais do Audiovisual e os investimentos em infraestrutura cultural, com os CEUs da Cultura, os CEUs das Artes e os MovCEUs, além das ações voltadas ao patrimônio cultural e aos museus. Tudo isso foi construído dialogando com o setor e com a retomada da participação social. Realizamos a Conferência Nacional de Cultura, dez anos depois da edição anterior, retomamos a Teia Nacional dos Pontos de Cultura após 12 anos e reestruturamos instâncias como o Conselho Nacional de Política Cultural e o Conselho Superior do Cinema. Também avançamos em instrumentos estruturantes para o futuro: o novo Plano Nacional de Cultura, aprovado pela Câmara dos Deputados e em análise no Senado, o Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual, aprovado por unanimidade pelo Conselho Superior do Cinema, e a Política Nacional das Artes. O desafio agora é consolidar e aprofundar esse legado, fortalecendo a capacidade do Estado de formular, implementar e avaliar políticas culturais a partir de dados e evidências. Nesta gestão, retomamos o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), avançamos na produção de estudos e avaliações, como a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas sobre a Lei Rouanet, e sancionamos, em 2024, a lei que instituiu o Sistema Nacional de Cultura. Também fortalecemos a articulação federativa, com a adesão de todos os estados e de quase todos os municípios à Lei Paulo Gustavo e à Política Nacional Aldir Blanc, ampliando a capacidade de execução das políticas e fazendo os recursos chegarem aos territórios. Ao mesmo tempo, afirmamos a cultura como dimensão estratégica do desenvolvimento nacional, inclusive com o fortalecimento da economia criativa e a criação de uma secretaria específica para essa agenda. O próximo passo é aprofundar essa integração entre planejamento, informação, participação social e cooperação federativa, para aprimorar com mais escuta e participação continuamente as políticas públicas, ampliar seus resultados e assegurar que a cultura seja reconhecida como direito e como parte central do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Como a senhora avalia os últimos quatro anos do MinC, a partir dos esforços para sua reconstrução após o desmonte da gestão anterior? Algumas conquistas recentes atenderam demandas do setor, como a proibição das bets (tema da reunião do presidente com a classe artística em 1º de setembro) e o Marco Regulatório do Fomento à Cultura no Brasil, instituído pela Lei nº 14.903, de 27 de junho de 2024. O processo de reconstrução da pasta limitou, de alguma forma, o tempo para conquistar mais avanços? Margareth Menezes: Minha avaliação é que esta gestão não apenas reconstruiu o Ministério da Cultura, como também promoveu avanços históricos. Encontramos políticas interrompidas, uma estrutura enfraquecida e demandas acumuladas havia anos. Foi necessário recuperar a capacidade de atuação do ministério, valorizar os servidores, restabelecer a confiança do setor e reconstruir a cooperação com estados e municípios. Mesmo diante desse desafio, avançamos na retomada de políticas, na criação de novos instrumentos e na consolidação de bases para que a cultura seja tratada como política de Estado. Estamos conduzindo esse processo com planejamento, diálogo e compromisso com a diversidade cultural de um país da dimensão do Brasil. Nosso projeto de gestão tem propósito, direção e objetivos, e vai muito além da realização de editais: envolve fortalecer a institucionalidade, aprimorar a governança e garantir que as políticas culturais cheguem efetivamente à população. Uma das primeiras grandes entregas foi colocar a Lei Paulo Gustavo em execução, viabilizando R$ 3,862 bilhões para ações culturais em todo o país. Na sequência, avançamos com a Política Nacional Aldir Blanc, que estabeleceu um modelo de financiamento continuado e fortaleceu a cooperação federativa. Essas políticas ampliaram a capacidade de estados e municípios de investir na produção cultural e fizeram os recursos chegarem aos territórios. Também utilizamos esses instrumentos para induzir políticas de inclusão, com mecanismos de ações afirmativas e medidas destinadas a ampliar a participação de povos indígenas, comunidades quilombolas, pessoas negras e outros segmentos historicamente excluídos do financiamento cultural. Nosso compromisso é fazer com que os recursos públicos alcancem toda a diversidade do povo brasileiro. Na Lei Rouanet, promovemos uma mudança de escala e de estratégia, recuperando a credibilidade do mecanismo, ampliando a confiança de patrocinadores e produtores culturais e levando os investimentos a territórios historicamente menos contemplados. Em 2025, o número de propostas recebidas chegou a quase 23 mil, recorde histórico, e a captação alcançou R$ 3,41 bilhões. Além de aprimorar a transparência e os processos, criamos linhas especiais, como Rouanet Norte, Nordeste, Centro-Oeste, no Interior e nas Favelas, e retomamos a CNIC itinerante, aproximando a política dos agentes culturais em todo o país. A pesquisa da Fundação Getulio Vargas comprovou a dimensão desse impacto: em 2024, os projetos apoiados movimentaram R$ 25,7 bilhões na economia e geraram ou mantiveram 228 mil postos de trabalho. Mais do que ampliar recursos, esta gestão fortaleceu a Lei Rouanet como instrumento de desenvolvimento econômico, democratização do acesso ao financiamento e valorização da diversidade cultural brasileira. Os investimentos cresceram em todas as regiões do país, demonstrando que é possível ampliar o alcance das políticas culturais e enfrentar desigualdades históricas de acesso aos recursos. Também ampliamos de forma expressiva o alcance da Política Nacional de Cultura Viva. A rede passou de 4.329 Pontos e Pontões de Cultura reconhecidos, em 2023, para mais de 17.800, presentes em cerca de 2.300 municípios. Com investimentos superiores a R$ 1 bilhão, via Política Nacional Aldir Blanc, e a garantia de um piso anual de aproximadamente R$ 420 milhões, fortalecemos uma política que reconhece e apoia a cultura de base comunitária, os saberes tradicionais e as iniciativas culturais das periferias e de territórios historicamente menos contemplados. Outro marco foi a assinatura, pelo presidente Lula, do Decreto que instituiu a Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares. A medida representa o reconhecimento de uma demanda histórica dos fazedores e fazedoras de cultura e estabelece diretrizes para a proteção, a valorização e a transmissão desses conhecimentos às próximas gerações. Outro avanço decisivo foi criar condições institucionais para a continuidade das políticas culturais. A sanção da lei que instituiu o Sistema Nacional de Cultura, em 2024, fortaleceu a cooperação federativa. O Marco Regulatório do Fomento à Cultura trouxe instrumentos mais adequados à realidade do setor, simplificando procedimentos e ampliando a segurança jurídica para gestores públicos e agentes culturais. Estamos percorrendo os estados para discutir sua implementação, em diálogo com os gestores e agentes culturais. Fortalecemos também a interlocução com os fóruns de secretários estaduais e municipais de Cultura, inclusive de pequenos municípios, e criamos a Comissão Intergestores Tripartite, ampliando os espaços de pactuação entre União, estados e municípios. Paralelamente, estamos enfrentando passivos administrativos acumulados, modernizando estruturas e aprimorando os mecanismos internos de gestão. Esse trabalho também avança na Agência Nacional do Cinema (Ancine), com a requalificação do tratamento de processos e passivos, e integra um esforço mais amplo de fortalecimento da capacidade institucional do Ministério e de suas entidades vinculadas. No audiovisual, retomamos a capacidade de investimento e avançamos na construção de maior previsibilidade para o setor. O Plano Anual de Investimentos e o planejamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) organizaram a destinação dos recursos e as linhas de financiamento. Para 2026, o Plano de Ação do FSA prevê cerca de R$ 1,4 bilhão, entre recursos para investimentos e operações de crédito. Também retomamos e ampliamos os Arranjos Regionais, que articulam recursos federais e contrapartidas de estados e municípios para fortalecer as cadeias produtivas locais e ampliar a presença dos investimentos em todo o Brasil. Avançamos também na regulação e na circulação das obras brasileiras. A retomada da Cota de Tela, restabelecida por lei em 2024, e seu aperfeiçoamento regulatório buscam ampliar a presença do cinema nacional nas salas de exibição. Outro marco foi o lançamento da Tela Brasil, a primeira plataforma pública e gratuita de streaming dedicada ao audiovisual brasileiro. A agenda dos jogos eletrônicos também avançou com a regulamentação do Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, em outubro de 2026. A medida abre caminhos para o fomento, a formação profissional, a proteção da propriedade intelectual e a promoção dos jogos brasileiros, reconhecendo a importância desse segmento para a cultura, a inovação e a economia criativa. A cultura também ganhou força como dimensão estratégica do desenvolvimento econômico e social. Fortalecemos a agenda da economia criativa e ampliamos oportunidades de formação profissional por meio de iniciativas como a Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult), que tem mais de 400 mil matrículas e 81.591 certificados emitidos. Também estamos construindo, em articulação com 11 ministérios, um decreto voltado à economia criativa e às indústrias culturais. Essa agenda reconhece tanto a potência da criação artística e cultural quanto a importância das cadeias produtivas, dos empreendimentos criativos e das oportunidades de geração de trabalho e renda. Na infraestrutura cultural, concluímos todas as obras dos CEUs das Artes que estavam paralisadas, alcançando 301 equipamentos entregues no país. Teremos 229 novos CEUs da Cultura, financiados pelo Novo PAC e com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Ampliamos, ainda, o alcance das políticas culturais com 50 MovCEUs em circulação, levando atividades culturais, formação, audiovisual e acesso à leitura a comunidades distantes dos grandes centros. Tudo isso é resultado de uma gestão que recuperou o diálogo com o setor cultural e que mantém seus canais abertos à participação social, às contribuições e às críticas. Reconhecemos as reivindicações dos artistas, produtores, gestores e trabalhadores da cultura e sabemos que ainda há muito a avançar. A escuta é parte fundamental do nosso trabalho, porque entendemos que as políticas públicas precisam ser permanentemente aperfeiçoadas a partir das necessidades de quem faz cultura em cada território. Portanto, o período de reconstrução não impediu avanços. Ao contrário, a recuperação da capacidade institucional do Ministério permitiu retomar políticas, ampliar investimentos e construir instrumentos permanentes. Em eventos públicos, como o ato 'Cultura com Lula' na Fundição Progresso, o presidente deu a entender que a senhora continuará à frente da pasta no novo mandato. O convite já foi formalizado pelo presidente ou já houve alguma conversa com ele nesse sentido, após as eleições? Margareth Menezes: Tenho muito orgulho de liderar a reconstrução do Ministério da Cultura, ao lado de uma equipe qualificada e comprometida. Avançamos muito em relação ao cenário que encontramos, mas sabemos que ainda há muito a fazer. O Brasil é um país imenso, e nossas políticas precisam reconhecer tanto a potência da sua diversidade cultural quanto as diferentes realidades dos territórios. Por isso, estamos fortalecendo o diálogo com quem faz cultura em todo o país. Essa escuta é fundamental para aperfeiçoar as políticas, ampliar seu alcance e atender às necessidades do setor cultural e artístico. É com esse compromisso que buscamos fortalecer a cultura como direito e como força de desenvolvimento do Brasil. Estou à disposição do presidente. Márcio Tavares Após o orçamento recorde de R$ 5,67 bilhões em 2023, a pasta passou por uma redução orçamentária em 2024 (R$ 3,31 bilhões), uma variação positiva em 2025 (R$ 3,97 bilhões), e uma nova redução em 2026 (R$ 3,3 bilhões). Há uma previsão na LOA de 2027 de destinação de R$ 4,02 bilhões para o MinC, abaixo do recorde de 2023, mas superior ao dos últimos anos. Como esse patamar será negociado com o Congresso até dezembro? Há alguma expectativa de que possa haver acréscimo ao valor estipulado inicialmente? Márcio Tavares: A expectativa de ampliar os recursos sempre existe, e trabalhamos para isso. Vamos seguir dialogando com o Congresso para que o orçamento reconheça a potência da cultura brasileira e sua capacidade de gerar emprego, renda e desenvolvimento. Também é importante olhar esses números no contexto da reconstrução do ministério e das políticas culturais. O orçamento de 2023 teve um caráter excepcional, com recursos para a execução da Lei Paulo Gustavo, represados da gestão anterior. A comparação entre os anos precisa considerar essa particularidade. Estamos promovendo um investimento histórico, com recursos chegando aos municípios e a comunidades que antes não tinham acesso às políticas culturais. É essa presença da cultura na vida das pessoas que queremos consolidar e ampliar. O presidente Lula tem a convicção de que a cultura é um dos maiores ativos do Brasil. Investir em cultura faz a economia girar, cria oportunidades de trabalho, movimenta o comércio e o turismo e fortalece a nossa identidade. É com essa compreensão que vamos defender mais recursos para o setor. O secretário executivo do MinC Márcio Tavares Divulgação Um dos segmentos que mais tem feito críticas à pasta é o audiovisual. Havia uma grande expectativa em relação à regulamentação das plataformas de streaming e a incidência da Condecine sobre esses serviços, para ampliar os recursos do FSA. O PL 8.889/2017, que trata do tema, foi aprovado pela Câmara e aguarda análise e votação no Senado. Qual a resposta às críticas do setor a uma suposta morosidade com que o tema teria sido tratado pela pasta? O que foi feito para agilizar o trâmite? Márcio Tavares: Não considero justo atribuir ao Ministério da Cultura uma morosidade nessa discussão. Desde o primeiro dia da nossa gestão, o audiovisual tem sido uma prioridade, com diálogo permanente e atenção às demandas do setor. Entendo a cobrança e compartilho da urgência de regulamentar as plataformas de streaming, ampliar os recursos do FSA e fortalecer a produção brasileira. O ministério atuou na articulação política, no diálogo com o Congresso e na defesa das propostas que construímos ouvindo o setor. Buscamos também o apoio do presidente Lula para dar força a essa agenda. Houve empenho do governo para fazer a regulamentação avançar. Mas precisamos distinguir as responsabilidades. A aprovação de uma lei depende do Congresso Nacional, de sua pauta e da construção de uma maioria entre os parlamentares. A mobilização do Ministério não se traduziu, no Legislativo, no avanço que defendíamos, no tempo e nos termos que considerávamos necessários. Seguimos trabalhando por essa regulamentação. A cobrança é legítima, mas precisa considerar tanto o que o ministério fez quanto as decisões que dependem do Congresso. O Movimento 2% Cultura, que luta por um piso de 2% do que for arrecadado em impostos para a cultura pela União, tema da PEC 421/2014, se manifestou durante a campanha, inclusive no ato 'Cultura com Lula' na Fundição Progresso, em 23 de setembro. O MinC vai encampar essa demanda da classe no próximo mandato? De que forma o governo poderia negociar o piso para a Cultura com o Congresso, num contexto de pressão orçamentária que deve marcar a próxima legislatura? Márcio Tavares: Quem é da cultura sabe que um piso de 2% seria uma conquista extraordinária para o país. Reconhecemos a legitimidade dessa reivindicação e compartilhamos o desejo de ampliar o financiamento do setor. Mas, dentro do governo, temos a responsabilidade de construir caminhos que considerem também as outras necessidades de um país do tamanho do Brasil. O ministério dialoga com os movimentos e com o Congresso, mas nossa função como governo é transformar demandas em políticas públicas e propostas viáveis. Essa negociação exige articulação, construção de maioria e responsabilidade com o orçamento. O presidente Lula olha para a cultura como quem olha para o futuro. Ele compreende sua força econômica, turística, educativa e sua importância para a identidade, a soberania e a projeção internacional do Brasil. Há uma convicção compartilhada de que o investimento precisa crescer. A questão é como construir as condições para esse avanço. E precisamos lembrar de onde partimos. Não houve continuidade das políticas culturais ao longo de todo esse período. Depois da interrupção do governo da presidenta Dilma, vieram anos de desmonte, agravados pela desvalorização da cultura e pela hostilidade aos artistas no governo Bolsonaro. Recriar o ministério não foi estalar os dedos. Foi reconstruir equipes, recuperar a capacidade de gestão, restabelecer o diálogo e colocar as políticas de pé. Essa reconstrução exigiu muito trabalho e abriu caminho para novos avanços. Queremos percorrer esse caminho junto com o setor, ampliando os recursos e fazendo com que eles se transformem em mais acesso, mais criação e mais oportunidades. Nossa prioridade é ter cultura pulsando nas escolas, nas periferias, nas cidades pequenas, nas aldeias, nos quilombos, no sertão, em cada bairro e em cada canto do Brasil.
E agora, Brasil?
Ninguém diz melhor do que Roberto Carlos sobre esses dias de risos e lágrimas que vivemos: são tantas emoções... Tantos sentimentos misturados, ódio, amor, nobreza, baixeza, orgulho, vergonha, coragem, covardia, esperança, descrença de ser brasileiro nesse momento da nossa História. Muitas vezes, desde a ditadura, amaldiçoei a sina de ser brasileiro, mas algumas vezes, como agora, é um privilégio viver esse momento de grandiosa vitória popular, movida pelos melhores sentimentos. Depois de passarmos pela beira do abismo de uma derrota que parecia inevitável, veio a surpresa que valoriza e engrandece a vitória inesperada. Não fomos só testemunhas, mas protagonistas desse movimento que emocionou o mundo e orgulhou o Brasil. Muita emoção e orgulho de fazer parte dos 70+ que, enfrentando todas as dificuldades, foram decisivos para a virada vitoriosa, nós não votamos para nós, mas para nossos filhos e netos. Ao mesmo tempo foram os mais jovens e rebeldes que puseram o bloco na rua, iniciando e multiplicando manifestações monumentais em todo o Brasil, que também foram decisivas. A vitória de Lula foi uma derrota do etarismo e do preconceito contra os velhos. O humor também foi muito importante, os melhores humoristas, Fábio Porchat, Marcelo Adnet, Rafael Saraiva e outros, todos os humoristas contra o bolsonarismo, ou não seriam humoristas. Claro, não há humoristas de direita. Não há humor fascista. Nem humor bolsonarista, a não ser os involuntários. Eles contribuíram muito, pelo riso, pelo ridículo, pelo grotesco, para desmascarar e desmoralizar os adversários e alegrar as tropas. Não foram só os humoristas profissionais que contribuíram, também brilharam os anônimos que criaram milhares de memes que ridicularizaram o bolsonarismo com piadas e deboches que faziam milhões gargalharem nas redes sociais, entre eles milhões de eleitores indecisos. O humor é arma mortal, machuca mais que um soco: nada resiste ao ridículo público. O New York Times publicou os nossos dez melhores memes e exaltou o humor brasileiro. É verdade, um talento nosso, sem ele não seríamos brasileiros. Ao mesmo tempo, é cada vez mais clara a separação entre uma direita legítima e democrática de um bolsonarismo selvagem que não respeita a Constituição: queria mudá-la, mas foi atropelado pela vontade popular. Para a direita, a fuga de Flávio é vergonhosa, mostra sua incapacidade de liderar, mas para os bolsonaristas é heroica. Não é provável que a direita brasileira se sujeite ao comando de Flávio em Miami. Novas lideranças de direita, conservadoras mas não bolsonaristas, estão surgindo e vão ser importantes nos debates democráticos no Congresso, isolando o bolsonarismo, que cada vez parece mais uma seita do que um movimento político. Muita gente votou em Lula a contragosto, para evitar o pesadelo de uma vitória bolsonarista. Com Jair preso, Eduardo e Flávio fugitivos, restam Carlos e Michelle no Senado e o garboso Jair Renan na Câmara. Parece pouco para a seita sobreviver.
Rafa Sieg, de 'Guerreiros do Sol', fará nova novela de Ricardo Linhares
Rafa Sieg, o Tatarana de “Guerreiros do Sol”, participará de "Vida dupla", novela de Ricardo Linhares no Globoplay. Ainda falta assinar o contrato. 'Elas que lutem': Próxima novela das 19h terá cidade cenográfica reproduzindo bairro popular de São Paulo e exibirá cenas da Amazônia 'A nobreza do amor': Elisio Lopes Jr fala dos desfechos dos vilões, avalia acertos, comenta críticas e diz que novela terá um final que permite continuação Giullia Buscaccio e Filipe Bragança farão os protagonistas. Ela interpretará uma moça que busca vingança contra o assassino de sua mãe, dono de um escritório de advocacia. Já o ator ficará com o papel de um jovem advogado, filho do criminoso. Os dois acabarão se apaixonando. Longe das novelas da TV Globo há anos, Bianca Byington também foi chamada para o elenco. Luiza Rosa, a Kellen de "Três Graças", é outra atriz que foi convidada. TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp A direção é de Noa Bressane. Serão 40 capítulos no total. O enredo, ambientado no Rio de Janeiro, vai misturar comédia romântica, drama e ação. As gravações terão início em dezembro. Depois da exibição no streaming, a trama chegará à TV Globo. Galerias Relacionadas Initial plugin text
Halloween no Rio: festas à fantasia, rock e terror embalam o feriadão
Tradição americana, o Halloween já virou desculpa oficial para os cariocas tirarem fantasias do armário e saírem à caça de pistas animadas. Celebrado em 31 de outubro (sábado), o nosso Dia das Bruxas ganha festas pela cidade que apostam em concursos, música e sustos. 'Pânico', 'Drácula', 'Obsessão': UCI Day Terror terá ingressos a R$ 12 no fim de semana do Halloween Doces de Halloween: onde encomendar brigadeiros fantasiados, bolos e outras gostosuras no Rio No Horto, o Elena promove, até domingo (1º), a festa “Rituais — Uma noite de mistérios e magia”, com cenários místicos, leitura de tarô e projeções na fachada. A ambientação, com bruxas, velas, amuletos e outros elementos arrepiantes, se espalha pelos diferentes espaços da casa, acompanhada de drinques temáticos, música ao vivo e o tradicional karaokê no banheiro, e se estende ao Eleninha (Rua Pacheco Leão 758, a partir das 19h). Halloween no Elena: ambientação assustadora, projeções e drinques temáticos G2 Films/Bernardo Egito Na sexta-feira (30) também já tem prévia no Dolores Club, que resgata o clima dos antigos clubes de jazz no Dolores Jazz Halloween. A noite começa às 19h, com baile à fantasia, show do septeto LoveTimeJazz, dança burlesca com Fairy Adams e consultas de tarô (Rua do Lavradio 10, Centro. R$ 60). Para quem prefere guitarras e riffs, o Bar Bukowski terá karaokê, duas pistas de rock, maquiadores profissionais, show da banda Vio Halley, dose dupla de destilados e personagens de terror circulando, além de concurso de fantasias com prêmios em “vale-porre” de até R$ 2 mil (Rua Álvaro Ramos 270, Botafogo. A partir das 20h. R$ 39,90, até 22h). Também na sexta, o Vista Bar, rooftop do Maguje, no Jockey, estreia festa com ambientação temática, personagens e tenda mística. Na trilha dos DJs Tata Toscano e Rafael Nazareth, brasilidades, disco music, e hits dos anos 1990 até hoje. Fantasia é bem-vinda, mas não obrigatória (das 21h às 3h; a partir de R$ 60). Em Ipanema, o Empório 37 estende a celebração por três noites, de sexta a domingo (1º), com DJs, decoração e concurso de fantasias com prêmios em consumo (Rua Maria Quitéria 37. A partir das 20h; entrada grátis). LoveTimeJazz: banda leva jazz e blues dos anos 1920 a 1940 à noite de Halloween no Dolores Club Divulgação No próprio sábado (31), a festa flashback Rebobina comemora oito anos no Rio Scenarium, com trilha sonora que atravessa seis décadas, de disco e soul a pop, rock e funk. A decoração também brinca com a nostalgia, misturando referências como vinis, fitas cassete e VHS ao Halloween (Rua do Lavradio 10. Às 20h; a partir de R$ 40). Para quem prefere trocar bruxas e vampiros pelo folclore nacional, a Rastro de Cobra propõe um Halloween à brasileira no Passeio Público, no Centro. A festa à fantasia convoca sacis e outros personagens populares para uma pista que vai de Gal Costa e Gilberto Gil a BaianaSystem (das 20h às 4h. Grátis até as 22h; depois, R$ 15). Já a Playground aposta em combinação de música, brincadeiras e sustos no Estação Claro Rio, em Botafogo. A festa terá sets dos DJs Ingrid D’Marcelle, Rodrigo Cortez, Rayssah e Vinny Benincasa, concurso de fantasias com prêmio de R$ 1.000, jogos alcoólicos e games. Uma sala de cinema com filmes de terror completa a programação, em formato open bar. Os ingressos estão esgotados, mas no dia a bilheteria abre conforme a saída de pessoas da festa (sáb, das 23h30 às 6h. R$ 169, pista; R$ 219, área VIP, sujeitas à disponibilidade).
- O Globo
- Governo busca partidos do Centrão para discutir espaço de partidos no quarto mandato de Lula
Governo busca partidos do Centrão para discutir espaço de partidos no quarto mandato de Lula
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou interlocutores para buscar uma aproximação com partidos do Centrão com o objetivo de discutir a governabilidade em seu quarto mandato e o espaço dessas siglas na Esplanada. Aliados do petista dizem, no entanto, que o Palácio do Planalto pretende exigir uma nova postura dessas legendas e cobrará fidelidade integral, o que não aconteceu neste terceiro mandato. Na formação de seu atual ministério, Lula distribuiu pastas para partidos que se declararam independentes ao longo dos anos e não necessariamente votavam com o governo no Congresso. Além disso, no segundo turno, legendas com assento na Esplanada aderiram à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente nas eleições. Essa postura foi alvo de queixas do Planalto e levou à exoneração de indicados políticos de lideranças desses partidos na máquina federal, como aliados do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). De acordo com duas pessoas que acompanham esse diálogo com o Centrão, a ideia é cobrar “fidelidade total” desses partidos como premissa para ter espaço no primeiro escalão do petista. Um deles afirma que é melhor uma base menor no Congresso, mas coesa e leal, do que uma composição que não esteja alinhada com os interesses do Planalto. Outro diz que só terá ministério quem votar 100% com o governo. Essa avaliação foi compartilhada por dirigentes petistas em reunião da executiva do partido nesta quinta-feira. Governistas reconhecem, no entanto, a dificuldade de impor um apoio unânime dessas siglas, já que muitas delas têm representantes da oposição a Lula. Segundo relatos, estão marcadas para os próximos dias conversas com representantes de PSD, Republicanos, MDB, Podemos e Progressistas. Também está no radar buscar o diálogo com PSDB, Avante e União Brasil. Em entrevista ao GLOBO, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que as conversas vão se dar com os comandos das legendas, e não com as alas dessas siglas. — Nós vamos conversar com os partidos. Os partidos que queiram estar conosco têm que ter lealdade a esse projeto liderado pelo presidente Lula. O Planalto também aposta na relação de proximidade estabelecida com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para buscar arregimentar uma base de apoio às propostas de interesse do próximo governo. A busca por uma base de apoio ganha forças no próximo ano, diante de um crescimento expressivo do PL no Congresso, além de aliados do bolsonarismo que estão em outros partidos. A sigla de Flávio Bolsonaro terá as maiores bancadas nas duas Casas, com 121 deputados e 28 senadores. A federação do PT (com PV e PC do B) e os demais partidos de esquerda (PSOL, Rede, PSB e PDT) juntos têm 124 deputados e 15 senadores. Apesar desse cenário desfavorável no Congresso, aliados de Lula dizem apostar na pressão popular e na mobilização da juventude, que tomou as ruas no segundo turno, além da atuação nas redes sociais — sobretudo por meio do canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado por André Janones (Rede-MG) e que reúne mais de 10 milhões de integrantes— para fazer esse enfrentamento no Parlamento. Lideranças petistas também defendem que Lula abra espaço nos ministérios que possuem gabinete no Palácio do Planalto a partidos aliados, como forma de sinalizar um governo mais amplo que reflita os apoios recebidos no segundo turno da disputa contra Flávio Bolsonaro. No atual mandato, essas pastas ficaram restritas ao PT e ao PSOL.
- O Globo
- Entrevista: 'Fuga enfraquece a família, mas bolsonarismo como força não vai se desfazer', diz antropóloga Isabela Kalil
Entrevista: 'Fuga enfraquece a família, mas bolsonarismo como força não vai se desfazer', diz antropóloga Isabela Kalil
Coordenadora do Observatório da Extrema Direita, a antropóloga Isabela Kalil avalia que a postura de Flávio Bolsonaro (PL) depois da derrota na eleição presidencial, que inclui a fuga do país e afirmações golpistas sobre o resultado, enfraquece o poder da família dentro do bolsonarismo. Não significa, pontua ela, que a força do movimento como um todo desaparecerá, e sim que quadros da direita que agora tentam se diferenciar desse tipo de atitude têm uma “janela de oportunidade” para enfim se desvencilhar da dependência. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Peixe raro de cabeça transparente é filmado em 4K pela primeira vez
Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, conseguiu registrar em resolução 4K um dos peixes mais incomuns das profundezas do oceano: o Macropinna microstoma, conhecido como peixe-de-cabeça-transparente ou peixe-olhos-de-barril. O animal foi encontrado a cerca de 600 metros de profundidade, a aproximadamente 90 quilômetros da costa da Califórnia, no oceano Pacífico. A gravação permite observar detalhes de sua anatomia, especialmente a estrutura transparente que protege seus olhos tubulares. Estação Vostok: Como é a base de pesquisa russa que chegou à menor temperatura registrada no mundo e é análoga à futura estação lunar Conheça Amina Helmi: Cientista argentina ganhou ‘Nobel da Astrofísica’ por descobrir segredos da Via Láctea O encontro aconteceu durante uma expedição científica a bordo do navio de pesquisa David Packard. Os pesquisadores utilizavam um veículo operado remotamente, conhecido como ROV, para explorar o ambiente marinho e estudar organismos gelatinosos, como águas-vivas e sifonóforos. Quando o equipamento retornava à superfície, a especialista em pesquisa Shannon Johnson identificou o peixe nas imagens transmitidas pela câmera e pediu que a equipe interrompesse a subida para observar o animal. Os cientistas passaram aproximadamente 20 minutos acompanhando o exemplar em seu habitat natural. Para registrar suas características, utilizaram uma câmera de alta definição 4K e testaram diferentes condições de iluminação. Também conseguiram produzir imagens tridimensionais com uma câmera de realidade virtual acoplada ao veículo submarino. Veja o resultado: Espécie é raramente encontrada O M. microstoma é considerado um peixe raro de águas profundas. Em quase quatro décadas de exploração do oceano, o MBARI realizou aproximadamente 7 mil mergulhos com veículos operados remotamente e registrou mais de 41 mil horas de vídeos submarinos. Ainda assim, a instituição documentou apenas 11 encontros com a espécie. O último avistamento havia ocorrido em 2021. O registro mais recente também foi o primeiro feito em resolução 4K pela equipe e o primeiro a partir do novo navio de pesquisa do instituto. Os pesquisadores não capturaram o animal, que permaneceu em seu ambiente natural. Por que o peixe tem a cabeça transparente? A característica mais peculiar do animal é uma espécie de cúpula transparente e gelatinosa que cobre a parte superior da cabeça. Por meio dela, é possível observar seus olhos tubulares, que apresentam coloração esverdeada. Diferentemente do que acontece com a maioria dos peixes, os olhos do M. microstoma conseguem girar dentro dessa estrutura transparente. A adaptação permite que o animal acompanhe possíveis presas enquanto nada em águas profundas. O peixe costuma permanecer relativamente imóvel, com os olhos direcionados para cima, à procura de silhuetas de pequenos organismos. Quando identifica uma presa, consegue movimentar os olhos para acompanhar seu deslocamento. A estrutura gelatinosa também protege os órgãos da visão durante a alimentação. A espécie vive na chamada zona crepuscular do oceano, faixa que se estende aproximadamente entre 200 e 1 mil metros de profundidade. Nesse ambiente, a luz solar chega de forma muito limitada, e os animais desenvolveram adaptações específicas para localizar alimento e sobreviver. Para o cientista Steven Haddock, do MBARI, o encontro representa uma oportunidade rara de observar as adaptações dos animais que habitam essas regiões. — Ver um peixe-de-cabeça-transparente é uma experiência extraordinária. Integrantes de diferentes setores do navio se reuniram na sala de controle, fascinados por esse animal impressionante — afirmou. Segundo Haddock, o estudo dessas espécies também ajuda a compreender como os organismos desenvolveram sistemas visuais sofisticados para sobreviver em ambientes com pouca luminosidade.
- O Globo
- Mais de cem países e 11 blocos felicitaram Lula por vitória; do G20, só EUA e Argentina não se manifestaram
Mais de cem países e 11 blocos felicitaram Lula por vitória; do G20, só EUA e Argentina não se manifestaram
Até o momento, ao menos 107 países se manifestaram oficialmente e parabenizaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória na eleição do último domingo. Entre os países do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, apenas dois não deram declarações expressas reconhecendo o resultado do pleito: Argentina e Estados Unidos. Do visto humanitário ao risco de deportação: Entenda a situação jurídica de Flávio Bolsonaro após a fuga para os EUA Deu no New York Times: Jato que levou Flávio para os EUA teria sido conseguido por funcionário da Casa Branca Os dados constam em um painel elaborado por um diplomata cedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citado como referência pelo Itamaraty em resposta enviada ao GLOBO. Até a noite desta quinta-feira, o sistema não havia incluído ainda a manifestação de outro integrante do G20, a Indonésia. O presidente Prabowo Subianto parabenizou o petista pelas redes sociais. Blocos econômicos e organizações internacionais também parabenizaram o petista. Na lista estão a União Europeia, a União Africana, a Organização Mundial da Saúde (OMS), as Nações Unidas (ONU) e outros. Entre os países vizinhos, todos com a exceção da Argentina reconheceram a vitória de Lula. Canadá, México, Reino Unido, França, Espanha, China, Índia, Rússia, Austrália também parabenizaram a reeleição. Nesta quinta-feira, Lula respondeu a uma mensagem no X, antigo Twitter, do ex-presidente argentino Mauricio Macri, que o havia parabenizado pela vitória. O petista agradeceu e alfinetou o atual mandatário, Javier Milei: "Compartilho plenamente o desejo de uma região que trabalhe unida pelo desenvolvimento e pela prosperidade de nossos povos. E lembro com saudades dos tempos em que diferenças circunstanciais entre nossos países se discutiam e se solucionavam de maneira civilizada e republicana", escreveu Lula. Milei ainda não se manifestou sobre o resultado das eleições. Também nesta quinta, o argentino parabenizou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pelo resultado do partido Likud nas eleições. Na terça-feira, ao ser questionado durante uma coletiva, o porta-voz da Casa Rosada se limitou a dizer que o governo havia tomado conhecimento do resultado. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deu ainda uma declaração expressa reconhecendo o resultado das eleições brasileiras e fez críticas ao pleito, sugerindo, sem provas, que poderia se tratar de uma fraude eleitoral. Ele, no entanto, também afirmou não ter tomado partido na disputa a pedido de Lula e acrescentou que ainda iria parabenizar o petista. — Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu — declarou Trump, que, ao longo da semana, disse também que a eleição foi "muito estranha". — Parecia outra eleição fraudada, francamente (...) Gosto do Lula, me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha. Tanto a Argentina quanto os Estados Unidos fizeram parte da rota de fuga de Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e foi de avião até a Flórida após a derrota para Lula nas urnas. A saída do país aconteceu na última quarta-feira após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que o senador entregasse o passaporte. A Polícia Federal (PF) suspeita que o governo argentino possa ter ajudado Flávio. Já segundo o jornal americano The New York Times, o jato que transportou Flávio foi providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca. O governo americano concedeu um visto humanitário ao senador. Ano de crises diplomáticas Em comum, tanto a Argentina quanto os Estados Unidos são governados por presidentes de direita que protagonizaram conflitos diplomáticos sem precedentes com o Brasil ao longo do último ano. No início da campanha eleitoral, Javier Milei declarou publicamente apoio ao adversário de Lula e fez ofensas tanto ao petista quanto ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Em resposta, o Brasil rebaixou o nível das relações bilaterais com o país vizinho e retirou o embaixador de Buenos Aires. Já o americano Donald Trump deu início a um tarifaço contra produtos brasileiros às vésperas do julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trump também adotou medidas contrárias a interesses do governo brasileiro ao declarar facções criminosas como organizações terroristas. A decisão foi interpretada pelo Itamaraty como um risco à soberania nacional. Os atritos também envolveram a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida ocorreu em meio à demora do Brasil em aceitar o nome indicado pelo americano para assumir a representanção diplomática dos EUA em Brasília. Em maio, Flávio Bolsonaro foi recebido por Trump na Casa Branca.
- O Globo
- ChatGPT, alerta jurídico, pressão de aliados, ordem dos EUA: recuo de Flávio em carta golpista tem versões conflitantes
ChatGPT, alerta jurídico, pressão de aliados, ordem dos EUA: recuo de Flávio em carta golpista tem versões conflitantes
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuou da autoproclamação como presidente eleito do Brasil após receber alertas jurídicos sobre o risco de ser processado e ser aconselhado por integrantes da cúpula do PL a retirar a expressão de uma carta de teor golpista divulgada na quarta-feira, já nos Estados Unidos, para onde viajou depois da derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outras versões que circulam sobre o episódio citam que a decisão ocorreu por um erro associado à inteligência artificial ou por exigência americana. 'Achamos engraçado': Aliado de Flávio Bolsonaro nos EUA justifica 'erros' em carta golpista por uso do ChatGPT Em depoimento: Vorcaro se diz disposto a 'falar tudo' e nega fraude no BRB Segundo relatos feitos ao GLOBO, a primeira versão do documento provocou preocupação entre pessoas que integraram sua campanha e dirigentes partidários. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que não gostou da carta e que ninguém concorda com o seu conteúdo. O descontentamento ficou público ainda na quarta-feira, quando o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, atribuiu a expressão “presidente eleito” a um “erro de confecção”. Na quinta-feira, foi a vez de Valdemar criticar a carta. — Lógico que ninguém concorda com isso. Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema — disse o dirigente após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na entrevista, Valdemar também se contradisse: primeiro disse que Flávio havia se despedido do pai e, depois, negou que Bolsonaro soubesse do plano de fuga. Consequências judiciais Pessoas ligadas à defesa de Flávio relataram que, inicialmente, ao tomar conhecimento do teor da carta, avaliaram que a autoproclamação não refletia a posição do senador. Integrantes da direção do PL até tiveram dúvidas sobre a autoria do documento e só confirmaram que Flávio realmente endossava o seu conteúdo quando o próprio senador publicou a mensagem nas redes sociais. Na sequência, interlocutores o procuraram, recomendando que o trecho fosse retirado e esclarecido, diante da possibilidade de a declaração resultar em um processo. A orientação transmitida ao senador foi a de que ele poderia se apresentar como uma liderança política no exterior; não como o vencedor da eleição presidencial. Os dirigentes da legenda o alertaram ainda para o desgaste político que a carta poderia provocar e o aconselharam a retirar a expressão “presidente eleito”. A avaliação era de que a autoproclamação poderia agravar a situação do senador, que deixou o Brasil após ter seu passaporte cancelado, e dificultar a reorganização da oposição depois da derrota eleitoral. Houve um pedido para que Flávio também evitasse declarações que pudessem ampliar os questionamentos à legitimidade do resultado das urnas. Outro ponto levantado nas conversas foi o impacto que a declaração poderia ter sobre a atuação das bancadas do PL no Congresso. Parlamentares avaliaram que não teriam condições de acompanhar Flávio no questionamento à legitimidade da eleição, uma vez que já se preparavam para exercer a oposição ao governo Lula. Caso o senador insistisse em se apresentar como presidente eleito, deputados e senadores teriam de se distanciar publicamente de sua posição, o que poderia aprofundar seu isolamento. Chat GPT Aliado de Flávio, Paulo Figueiredo atribui erros na carta com teor golpista em que o senador se autoproclamou presidente à inteligência artificial. Segundo ele, assim que as primeiras versões do texto foram finalizadas, o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, pediu ao ChatGPT que inserisse o brasão do Brasil. A ferramenta, no entanto, teria escolhido o símbolo antigo, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com a letra z, utilizado da Proclamação da República (1889) até 1968, quando foi substituído durante a ditadura militar. “Nós achamos muito engraçado”, disse Figueiredo sobre o brasão. “O segundo erro foi que, ao gerar o documento, a IA acabou incluindo uma versão anterior do texto, em que o Flávio se apresentava como o verdadeiro ‘presidente eleito’. Como vocês devem imaginar, uma carta que expressa uma realidade tão complexa passa por várias versões, com a contribuição intelectual de mais de uma pessoa”, explicou. A carta foi divulgada inicialmente por Figueiredo, que também mora nos Estados Unidos, para onde o senador fugiu. Ao enviar o novo documento, o bolsonarista escreveu: “Versão com brasão correto". Em uma terceira versão, Flávio se apresenta como “líder do Brasil”. Exigência dos EUA Reportagem do UOL informou que emissários do Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, aliado ideológico dos Bolsonaro e político da Flórida, entraram em campo para mudar a maneira como Flávio se apresentava inicialmente na carta golpista. Determinaram a retirada do termo “presidente eleito”, o que poderia melindrar ainda mais as relações de Washington com Brasília, e a entrada de “líder do Brasil”. O recuo, avaliam as fontes ouvidas pelo GLOBO, reforça a percepção da diferença entre a proteção a um aliado da região e uma eventual denúncia de fato sobre a legitimidade do Lula 4.0, o que acarretaria não só um rompimento institucional inédito entre as duas maiores democracias das Américas mas o potencial prejuízo para o setor produtivo americano.
Poluição causada por incêndios matou 3.560 pessoas na Indonésia em setembro, diz estudo
A poluição do ar, provocada pela fumaça de meses de incêndios florestais por toda a Indonésia, causou aproximadamente 3.560 mortes nesse extenso arquipélago do Sudeste Asiático apenas no mês de setembro, segundo um estudo científico. No mesmo mês, cerca de 57,8 milhões de pessoas respiraram um ar cuja qualidade variava entre insalubre e perigosa, de acordo com um relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA), um centro de estudos sediado em Helsinque. Vídeo: Indonésia cria ônibus de oxigênio para atender população afetada por fumaça de incêndios florestais Monitoramento por satélite: Incêndios na Indonésia já queimaram 1,9 milhão de hectares em 2026 "A piora na qualidade do ar, devido aos incêndios florestais e em áreas de vegetação na Indonésia, elevou o número estimado de mortes para 3.560 em setembro de 2026 — o dobro da estimativa registrada em agosto", informou o CREA em um comunicado. O estudo estimou o número de óbitos decorrentes da exposição, a curto prazo, à poluição por partículas em suspensão no ar com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros (PM2,5) — ou seja, mortes que ocorrem poucos dias após a exposição. Galerias Relacionadas A maior parte dessas ocorrências concentrou-se na porção da ilha de Bornéu que pertence à Indonésia, bem como nas ilhas de Java e Sumatra e na região leste do país. Os pesquisadores também analisaram a poluição não relacionada aos incêndios — proveniente de emissões urbanas e industriais — e constataram que ela causou outras 1.750 mortes em setembro, totalizando 5.310 óbitos em um país com uma população de cerca de 278 milhões de habitantes.