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Carga policial em protesto de extrema-direita em Madrid após acidente

28 October 2026 at 22:57

Mais de mil pessoas concentraram-se hoje em frente à sede do Ministério dos Transportes, em Madrid, num protesto convocado por grupos de extrema-direita para exigir responsabilidades após o acidente ferroviário, registando-se confrontos entre a polícia e os manifestantes.

 

O momento de maior tensão ocorreu quando alguns participantes avançaram contra o cordão policial, levando os agentes da polícia de choque a intervir e a utilizar gás lacrimogéneo.

A manifestação foi dispersada pela Polícia Nacional depois de alguns manifestantes terem protagonizado episódios de violência, lançando sinalizadores e outros objetos, o que resultou em novas intervenções policiais para conter o grupo.

Durante o ato, convocado pelo partido de extrema-direita Falange e por outros grupos do mesmo espetro, como o Revuelta, os manifestantes entoaram palavras de ordem de cariz fascista e proferiram críticas contra o governo, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, o PSOE e o ministro dos Transportes, Óscar Puente.

Os protestos voltaram-se, sobretudo, contra a gestão de Puente, à frente da pasta responsável pelas infraestruturas ferroviárias e pelos transportes públicos.

Sob a sua gestão, ocorreram dois acidentes ferroviários mortais em menos de um ano, em Adamuz (Córdoba), que fez 46 mortos e 152 feridos, e em Urda (Toledo), ambos no mesmo troço ferroviário.

Nesta zona, reuniram-se também pessoas vindas da manifestação convocada pelo sindicato Solidaridad, ligado ao partido Vox (extrema-direita), que começou na praça de Cibeles e terminou na sede do Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana.

Durante as quase duas horas de duração da mobilização, os participantes entoaram ainda gritos contra as pessoas acampadas na Puerta del Sol, contra o Partido Popular e a sua ala jovem, bem como contra imigrantes e jornalistas.

A grande maioria dos presentes transportava bandeiras de Espanha e da ala jovem da Falange. Estavam também várias bandeiras da era franquista.

À mesma hora, milhares de pessoas participaram hoje num minuto de silêncio em frente a câmaras municipais por toda a Espanha.

Os atos terminaram com aplausos em memória das vítimas, com especial comoção em Urda, local da tragédia, em Adamuz e Santiago de Compostela, palcos de acidentes anteriores, e em Sevilha, destino dos comboios que sofreram o acidente.

A iniciativa partiu da Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP).

O acidente de hoje envolveu dois comboios, um da Renfe e outro da Iryo, e ocorreu pouco antes das 09:00 locais (08:00 em Lisboa) perto da estação de Urda, na província de Toledo, na linha Madrid-Sevilha.

Pelo menos 64 pessoas morreram. Mais de 540 pessoas viajavam nos dois comboios de alta velocidade envolvidos na colisão e as autoridades admitiram que o número de vítimas mortais pode aumentar.

Juíza proíbe acesso à zona em Urda para preservar provas

Juíza proíbe acesso à zona em Urda para preservar provas

A juíza instrutora do processo de investigação do acidente ferroviário em Urda (Toledo), no qual morreram pelo menos 68 pessoas, proibiu o acesso à zona e a remoção de elementos para preservar as provas.

Lusa | 21:52 - 28/10/2026

Giménez e a vinda para o FC Porto: "Sinto-me em casa"

28 October 2026 at 22:55

Golo da vitória: "A vitória foi muito importante. Jogaram os jogadores que não têm tido tanto minutos e a equipa respondeu muito bem. Estamos muito felizes."

 

Jogo perigoso: "O FC Porto é um clube muito grande. Não são só 11 jogadores, somos 23. Jogue quem jogar, sabemos que vai dar o seu melhor. Queremos ganhar a Taça da Liga."

90 minutos mais de um ano depois: "Foi muito lindo. A temporada passada foi muito complicada, sobretudo pelas lesões que sofri, mas agora sinto-me muito bem."

Promessa de golo em jogo corrido: "Sim, claro que sim, os avançados vivem dos golos. A confiança, jogo a jogo, treino após treino, tem vindo a crescer. Receberam-me muito bem no FC Porto e sinto-me em casa."

Leia Também: FC Porto bate Académico por unha negra e carimba presença na final four

Pouca castanha, seca e com "bichado" marca campanha em Bragança

28 October 2026 at 22:47

A campanha da castanha está a ser um "desastre" para vários agricultores do concelho de Bragança, que apontaram hoje à Lusa quebras significativas, fruto pequeno, seco e "bichado", devido às temperaturas e à falta de água.

 

Na aldeia de Salsas, Pedro Zoio não está contente com o que vê. "Estamos a começar, mas está um desastre. Não existem castanhas nos castanheiros, os ouriços ficaram pequenos, as castanhas, as poucas que há, não cresceram", descreveu.

A campanha já começou, mas o agricultor apanhou até hoje apenas "30 quilos" do fruto, porque embora os castanheiros tenham "muitos ouriços", estão "sem castanhas".

"Estão agora a começar a cair as poucas que há. (…) Eu dou a volta aos castanheiros e não vejo castanhas nem em cima, nem em baixo", afirmou.

A chuva que caiu no mês de agosto e em setembro fazia prever, segundo disse, um bom ano de castanha, mas não se veio a confirmar, prevendo uma quebra de "60 a 70%".

"Não prevejo um bom ano de castanha, nem de longe, nem de perto. O ano passado já foi mau, este ano ainda vai ser pior, ou seja, de ano para ano, cada vez é pior", vincou.

Para João Condado, produtor de castanha na aldeia de Vilarinho, a campanha deste ano "pior seria impensável", estimando que possa ter uma quebra de produção de 40%.

O fruto, afirmou, está "bastante seco", devido às temperaturas elevadas e à falta de chuva, e há castanha, nomeadamente das variedades precoces, que está "bichada" ou com "fungo".

"Há pouca e o calibre é pequeno, devido às condições atmosféricas. No verão pouco choveu e então as temperaturas foram elevadas e fez com que a castanha não desenvolvesse", lamentou.

A situação também não é melhor para Marcelino Rodrigues. O agricultor de Meixedo ainda não começou a apanha da castanha, mas salientou que a campanha está "muito mal".

"Ainda não apanhei nada, mas diz que são pequenas, estão furadas, que têm tudo, há poucas, segundo ouço", disse.

Segundo explicou à Lusa Abel Pereira, presidente da Arborea - Associação Agro-florestal e Ambiental da Terra Fria Transmontana, o calor está a tardar a queda dos ouriços e um "período quente prolongado" foi favorável ao aparecimento de "bichado".

A juntar à falta de qualidade, apontada pelos produtores, também o preço está "aquém de anos anteriores", estando entre 1,2 e 1,5 euros o quilo, podendo, nalguns casos, chegar a 1,8 euros.

Segundo o engenheiro Abel Pereira, num ano bom, o preço da castanha de maior calibre já deveria custar mais de dois euros.

Bragança e Vinhais, no distrito de Bragança, são os maiores produtores de castanha do país.

Numa boa campanha, no concelho de Bragança são produzidas 20 mil toneladas e no concelho de Vinhais entre 15 a 20 mil toneladas.

Produtores de Valpaços apontam para quebra de produção de castanha

Produtores de Valpaços apontam para quebra de produção de castanha

Produtores de Valpaços apontam para uma quebra de produção de castanha devido ao calor e à seca, embora garantam uma boa qualidade do fruto. A apanha começou mais cedo, como aconteceu com outras colheitas em 2026.

Lusa | 12:02 - 22/10/2026

Influenciador com 264 mil seguidores é preso por suspeita de envolvimento em ataque criminoso

28 October 2026 at 22:46
O influenciador digital Kawan Paim Magalhães, de 22 anos, conhecido nas redes sociais como KGrau, foi preso temporariamente nesta quarta-feira, 28, em Feira de Santana. Com mais de 264 mil seguidores, ele é investigado por suspeita de participação em um ataque a tiros que deixou dois homens feridos no centro da cidade, em agosto deste ano.A prisão aconteceu durante a Operação Zero Grau, deflagrada pela Polícia Civil para avançar nas investigações sobre a dupla tentativa de homicídio. Além da ordem de prisão contra o influenciador, os agentes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão.Um segundo homem também acabou preso em flagrante, após os policiais encontrarem munições e um acessório de arma de fogo em situação irregular.Durante as diligências, foram recolhidos aparelhos celulares, veículos que podem ter ligação com o crime, peças de roupas semelhantes às utilizadas pelos autores do ataque e um carregador com munições compatíveis com o calibre empregado nos disparos. Leia Também: TRÁFICO ALÉM DAS FRONTEIRAS Operação mira R$ 3 milhões ligados ao tráfico e prende 10 pessoas em três estados POLÍCIA Influenciador Renato Cariani pode pegar até 51 anos de prisão; entenda POLÍCIA Corpo é encontrado amordaçado na Pituba em Salvador Suspeita de vingançaUma possível vingança está entre as linhas de investigação da Polícia Civil. A hipótese surgiu a partir da análise de imagens de câmeras de segurança e de depoimentos colhidos ao longo da apuração.Segundo os investigadores, o atentado pode estar relacionado à morte do pai de um dos suspeitos, que teria envolvimento com o tráfico de drogas. A motivação, no entanto, ainda não foi confirmada.A 1ª Delegacia Territorial (DT) de Feira de Santana conduz o inquérito e trabalha para esclarecer a participação de cada investigado, além de identificar outros possíveis envolvidos.Relembre o ataqueO crime aconteceu no dia 6 de agosto, por volta das 10h50, nas imediações da Praça da Matriz, uma das áreas mais movimentadas do centro de Feira de Santana.Na ocasião, dois homens chegaram ao local em uma motocicleta e efetuaram disparos de arma de fogo. Um vendedor de perfumes, de 24 anos, foi atingido no abdome, nas costas e no braço esquerdo.Devido à gravidade dos ferimentos, a vítima foi encaminhada ao Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), onde precisou passar por cirurgia e permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).Um segundo homem, de 20 anos, que passava pela região no momento do ataque, também foi atingido, mas de raspão. Ele recebeu atendimento de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Entrevista a Francis Fukuyama: “Eu enganei-me em relação a Donald Trump”

28 October 2026 at 22:43

Foi há 37 anos que Francis Fukuyama anunciou o “fim da História”. Com o regresso do autoritarismo à Europa, a ascensão dos oligarcas e o desgaste das democracias liberais, em geral, ainda encontra razões para ter esperança. A propósito da publicação das suas memórias, o filósofo e politólogo nipo-americano admite ao Expresso que se enganou sobre Donald Trump, que considera o pior Presidente da História dos Estados Unidos da América

Entrevista a Francis Fukuyama: “Eu enganei-me em relação a Donald Trump”

28 October 2026 at 22:43

Foi há 37 anos que Francis Fukuyama anunciou o “fim da História”. Com o regresso do autoritarismo à Europa, a ascensão dos oligarcas e o desgaste das democracias liberais, em geral, ainda encontra razões para ter esperança. A propósito da publicação das suas memórias, o filósofo e politólogo nipo-americano admite ao Expresso que se enganou sobre Donald Trump, que considera o pior Presidente da História dos Estados Unidos da América

Conselho fiscal do Vitória aprova venda de 17% da SAD à V Sports

28 October 2026 at 22:41

O conselho fiscal do Vitória de Guimarães emitiu um parecer favorável, publicado hoje no site oficial do emblema da I Liga portuguesa de futebol, à venda de 17% do capital social da SAD à empresa V Sports.

 

"O conselho fiscal emite parecer favorável à alienação à V Sports de ações representativas de 17% do capital social da Vitória Sport Clube – Futebol, SAD (…), desde que sejam integralmente asseguradas as salvaguardas identificadas no presente parecer, designadamente a proteção do património do clube e a manutenção da sua participação maioritária no capital social da SAD", lê-se.

A votação da transmissão de 17% do capital da SAD, tendo em vista o restabelecimento da participação de 46% da empresa que detém o Aston Villa, da Premier League inglesa, previamente aprovada pelos sócios vitorianos em 03 de março de 2023, está marcada para sexta-feira, na assembleia geral extraordinária que vai decorrer no Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, a partir das 20:00.

O órgão presidido por Rui Castro Dias salienta que a operação recupera um modelo já aprovado pelos sócios em 2023, quando 966 entre os cerca de 1.400 presentes na AG extraordinária votaram favoravelmente à venda de 46% das ações, antes de a participação da V Sports ser reduzida para 29% no final de junho de 2023, por imposição da UEFA, para se cumprir as regras de multipropriedade de clubes.

O conselho fiscal argumenta também que os 3,8 milhões de euros (ME) que a empresa pretende aplicar na operação – devolução de dois milhões prometidos em 2023 e 1,8 ME adicionais – enquadram-se num "referencial proporcional próximo do previsto no acordo inicial de 2023", que contemplou o pagamento de 5,5 ME e o donativo de dois ME para infraestruturas.

Para o órgão, a manutenção desse "referencial de preço", numa altura em que a situação financeira e patrimonial da SAD é pior do que a de há três anos, face aos 85 ME de passivo e aos capitais próprios negativos de quase 37 ME exibidos no relatório e contas de 2025/26, é "um elemento favorável à apreciação económica da proposta na perspetiva do clube".

A manutenção da participação maioritária do clube na SAD, que irá diminuir de 67,84% para 50,84% caso os sócios aprovem a venda na sexta-feira, e "o compromisso de um plano de reestruturação da dívida" são outros elementos favoráveis à aprovação do acordo, acrescenta o conselho fiscal.

Na perspetiva desse órgão, a concretização da operação com a empresa detida pelo bilionário egípcio Nassef Sawiris (34%), pelo bilionário norte-americano Wes Edens (34%) e pelo fundo de investimento norte-americano Atairos (32%) pode garantir uma "maior previsibilidade de tesouraria" e permitir à SAD "negociar com menor pressão" no próximo mercado de transferências, em janeiro de 2027.

Os sócios do Vitória de Guimarães vão ainda votar a autorização para se introduzirem alterações no pacto social da SAD.

Leia Também: Vitória SC vence Feirense em jogo particular

Flávio aposta em Trump, mas pode acabar isolado e visto como “fujão”, avalia especialista

28 October 2026 at 22:40
A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se apresentar como presidente eleito do Brasil, mesmo após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode não produzir o efeito internacional esperado pelo senador. A avaliação é do professor de Relações Internacionais Neuton Silva Neto, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutorando em Ciências Militares.Em carta divulgada nesta quarta-feira, 28, após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos com a família, Flávio contestou o resultado eleitoral, alegou fraude sem apresentar provas e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. Na primeira versão do documento, o senador se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Minutos depois, a frase foi retirada do texto republicado nas redes sociais.Para Neuton, a iniciativa não tem efeito jurídico sobre o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira. O professor também avalia que a repercussão internacional tende a ser limitada, diante do reconhecimento da vitória de Lula por mais de 100 países, conforme a análise apresentada pelo entrevistado."Ele não possui poder, é uma autodeclaração sem validade jurídica. O Brasil, dentro de sua autonomia e soberania, proclamou Lula presidente reeleito do Brasil, e isso é válido. Ele não possui autonomia ou garantia de exercício de função com essa autodeclaração. Nesse caso, é diferente de Guaidó por ter um reconhecimento maior da comunidade internacional. Mas, quando foi esvaziado, Maduro retomou o posto sem grandes problemas."Professor aponta diferenças em relação à VenezuelaA carta de Flávio faz referência a Juan Guaidó, opositor venezuelano que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, após contestar a reeleição de Nicolás Maduro. Na ocasião, Guaidó recebeu reconhecimento dos Estados Unidos durante o primeiro governo de Donald Trump e de dezenas de outros países, mas não conseguiu assumir o controle do Estado venezuelano.Na avaliação de Neuton Silva Neto, o cenário brasileiro apresenta diferenças importantes em relação à experiência venezuelana, sobretudo no que diz respeito ao reconhecimento internacional. O professor considera que a iniciativa do senador não deve resultar, necessariamente, na criação de uma estrutura política com legitimidade externa equivalente à que Guaidó chegou a reivindicar."Então, eu acho que, assim... questão internacional, o reconhecimento de Lula permanece e vai sendo muito estabilizado. Basicamente vai parecer mesmo que, ao invés de ele criar uma celeuma internacional, como foi o caso na época do Guaidó, ele vai ser mais um exilado, ele vai se autoproclamar um exilado, mas, para a comunidade internacional, pode parecer apenas como, sei lá, um fujão. Os próximos passos serão decisivos. Com a midterm, a gente vai poder ter algum retorno mais próprio."O professor também chama atenção para a ausência de respaldo institucional à declaração de Flávio. O resultado oficial do segundo turno atribuiu a Lula 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos de Flávio, que obteve 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.Apoio de Trump pode abrir crise diplomáticaUm dos pontos considerados relevantes pelo professor é a possibilidade de Donald Trump reconhecer Flávio como presidente eleito, apesar do resultado oficial brasileiro. O presidente norte-americano confirmou que autorizou a entrada do senador e de sua família nos Estados Unidos, mas afirmou que não pretendia se envolver na controvérsia em torno da carta.Neuton avalia que um eventual reconhecimento político por parte de Washington poderia prejudicar as relações entre os dois países, criando dificuldades para a representação diplomática e para as negociações bilaterais."Caso Trump opte por esse caminho de reconhecer o Flávio, abre uma rusga diplomática com o Brasil, podendo gerar crise de representatividade diplomática e travar algumas negociações. No caso Guaidó, por exemplo, as representações diplomáticas eram indicadas pelo Guaidó, e não pelo Maduro. Contudo, enxergo que há um grande isolamento no momento, que pode não garantir que essa estratégia tenha sucesso. Imaginemos o seguinte cenário: Trump perde a maioria nas midterms, Netanyahu perde a eleição em Israel. A Argentina não tem condições econômicas de romper relações com o Brasil." Leia Também: POLÍTICA Flávio Bolsonaro pode governar o Brasil dos EUA após se declarar presidente eleito? CARTA GOLPISTA Trump evita comentar carta de Flávio e questiona eleição no Brasil "LÍDER" Flávio Bolsonaro desiste de se autoproclamar presidente e muda carta O docente considera que o cenário político interno dos Estados Unidos também precisa ser levado em conta. Segundo ele, a disputa pelas eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro, pode influenciar as decisões de Trump e limitar sua disposição para assumir um novo conflito diplomático."Então, assim, a gente vai esperar, vai ter que esperar um pouco, porque o governo Trump, ele está agora passando por uma celeuma interna bastante elevada. Está com a questão lá das eleições de meio-termo, vai ser agora em novembro. Há uma projeção de que ele vai perder a maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Então, ele está se movimentando bastante, inclusive com os estados que sempre votaram com ele, vamos dizer assim, indo para estados democratas, perdendo a cadeira para os candidatos democratas."Carta agradece a Trump e MileiNo documento, Flávio agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, pela acolhida e pelo apoio durante sua saída do Brasil. O senador também afirma que pretende continuar atuando politicamente a partir do território norte-americano.Na análise do professor, a referência aos dois presidentes explicita a importância que Flávio atribui ao apoio dos governos argentino e norte-americano para sua estratégia política no exterior."Ele deixa bem explícito que quem ajudou ele na fuga foi o Milei e o Trump, o governo Trump, o governo Milei, tanto que, desde a primeira suspeita, foi que ele tivesse fugido pela Argentina, passado pelo Equador, usado uma rota para evitar o território brasileiro, tendo em vista que o avião poderia ter sido interceptado, poderia ter sido mandado a ser pousado aqui no território brasileiro, aí, no caso, ele poderia ser pior para ele, mas o fator principal é que não vai gerar muita celeuma, mais de 100 países já haviam reconhecido a eleição, parabenizado a eleição do presidente Lula, o próprio Tribunal Superior Eleitoral também já havia reconhecido a eleição do presidente Lula, dizendo que não houve nada de fraude ou indícios de fraude, né? O Flávio Bolsonaro está se apoiando na questão do adiamento do encerramento da eleição, coisa que a própria campanha dele também solicitou."O professor também destaca que a contestação do resultado se apoia na prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi um dos argumentos utilizados por Flávio para questionar a eleição, embora a campanha do próprio senador também tenha solicitado a extensão do horário em parte do país.Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicaram que os votos computados após as 17h representaram uma parcela muito pequena da diferença final entre os candidatos. O tribunal também reafirmou a regularidade do processo eleitoral.Reconhecimento internacional de LulaNa avaliação de Neuton, a quantidade de países que reconheceram a vitória de Lula é um fator que dificulta uma eventual tentativa de Flávio de obter legitimidade internacional como presidente eleito."Mas a base do governo Lula já contabilizou, vamos dizer assim, um reconhecimento de parabenização de mais de 100 países, de 193 países do mundo. Aí você bota assim, quem não reconheceu é o próprio, por exemplo, Israel, Estados Unidos e Argentina. Israel está passando por uma eleição agora também, que Netanyahu deve perder o posto de primeiro-ministro, então vai gerar outro tipo de celeuma interna. Então, assim, a questão é, ele se autoproclamar está dando uma ideia mais de que ele não aceitou o resultado, é um péssimo perdedor."O docente pondera que a recepção de Flávio nos Estados Unidos e o posicionamento de Trump não significam, automaticamente, o reconhecimento da reivindicação feita na carta. Para ele, a manutenção do resultado brasileiro como referência nas relações internacionais reduz a possibilidade de o senador obter representatividade institucional no exterior."Para a comunidade internacional, provavelmente não vai mudar em quase nada, porque ele vai acabar não conseguindo mandar muita coisa ou ter a representatividade de um presidente eleito. Para os Estados Unidos, que é onde ele está, ele vai criar uma pequena contenda, porque o presidente Trump está dizendo que pode ter indício de fraude, ele pode reconhecer o Bolsonaro, mas, no final das contas, ele sabe que, se ele perdesse a midterm, ele vai sofrer uma pressão interna muito forte, e aí é o tipo de briga que ele não vai querer comprar nesse exato momento, não com o Brasil, mas sim querer projetar o próximo governo."Estratégia depende dos próximos movimentosA carta também se insere em um contexto de tensão entre Flávio e instituições brasileiras. O senador questiona a atuação do Judiciário e afirma ter sido alvo de perseguição política. Além disso, deixou o país após uma determinação judicial relacionada à entrega de seus passaportes, que foram posteriormente cancelados pela Polícia Federal.O professor considera que os próximos passos da articulação política de Flávio e as decisões dos governos estrangeiros serão determinantes para avaliar os efeitos da iniciativa."A meu ver, a tendência é Flávio ficar isolado, continuar o trabalho de Eduardo junto à Casa Branca e torcer para que Trump consiga fazer sucessor."

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