Ministra anuncia nova vaga de PPP na saúde
O Governo vai lançar “mais uma vaga” de parcerias público-privadas (PPP) na saúde, anunciou esta sexta-feira a ministra Ana Paula Martins, adiantando que pretende tornar esses processos mais rápidos no âmbito da reforma do Estado.
“Nós nunca escondemos que queremos lançar mais uma vaga de PPP”, afirmou a ministra da Saúde, na audição conjunta das comissões parlamentares de Saúde e de Orçamento, Finanças e Administração Pública, no âmbito da discussão na especialidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027.
Em resposta à Iniciativa Liberal, Ana Paula Martins salientou que as PPP têm uma “legislação extraordinariamente complexa”, alegando que podem decorrer entre cinco e sete anos até que seja possível concluir o concurso e iniciar a obra.
No âmbito da reforma do Estado, “temos um processo para podermos ser mais velozes a lançar as PPP, que serão em número limitado e em unidades locais de saúde (ULS) em que haverá maior disponibilidade do Estado e dos parceiros para fazer esse acordo”, adiantou a governante, sem especificar quais as ULS em concreto.
Ana Paula Martins avançou ainda aos deputados que a portaria que vai definir os honorários a pagar aos chamados médicos tarefeiros está prestes a ser publicada, depois de ter garantido recentemente que isso aconteceria ainda em outubro.
“Tem mesmo de ser publicada muito brevemente, porque os contratos de prestação de serviços, na sua maioria, são anuais” e terminam no final do ano, referiu a ministra da Saúde, considerando que os hospitais têm de saber em janeiro qual o valor por hora a pagar aos médicos tarefeiros.
O decreto-lei de junho que regulou o regime de contratação desses profissionais de saúde determina que esses valores têm de ser estabelecidos, por portaria, pelos membros do Governo responsáveis pelas áreas das Finanças, da Administração Pública e da Saúde, prevendo várias modalidades, como por hora de trabalho, por tarefa médica e por escala de urgência, entre outras.
As ULS recorrem aos prestadores de serviços médicos para colmatar a falta de especialistas nos seus quadros, sendo a maioria contratada para assegurar escalas nos serviços de urgência.
Durante a audição, a deputada do PCP Paula Santos lamentou os “números martelados” da proposta do Governo, alegando que isso tinha o objetivo de esconder a falta de investimento no SNS e a transferência de recursos para os privados, acusação que Ana Paula Martins rejeitou.
“Nós não martelamos números e não é verdade que escondemos desinvestimento nenhum”, afirmou a ministra.
A proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 foi aprovada, na generalidade, na quarta-feira, na Assembleia da República, e a votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.
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