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Centro Ciência Viva de Tavira celebra Halloween com experiências científicas e cozinha molecular

27 October 2026 at 18:52

Uma noite de Halloween dedicada à ciência e à descoberta vai decorrer no Centro Ciência Viva de Tavira, no próximo sábado, 31 de outubro, entre as 18:00 e as 22:00. A iniciativa inclui experiências científicas, atividades de cozinha molecular e uma exposição preparada especialmente para a ocasião, num programa destinado a famílias e visitantes de todas as idades.

O evento pretende associar o ambiente misterioso característico do Halloween à exploração de fenómenos científicos, proporcionando aos participantes a oportunidade de aprender através da experimentação e da observação.

Ao longo da noite, os visitantes poderão explorar a exposição do Centro Ciência Viva de Tavira e participar em diferentes atividades, desafios e experiências, num ambiente especialmente preparado para a celebração.

Cozinha molecular transforma alimentos em experiências científicas

Um dos principais destaques da programação será a atividade “Cozinha Molecular: Laboratório dos Cientistas Loucos”, que propõe uma abordagem à ciência através da preparação e transformação de alimentos.

Durante a experiência, os participantes terão a oportunidade de conhecer técnicas de cozinha molecular e explorar fenómenos científicos associados aos ingredientes utilizados, descobrindo como a ciência pode estar presente na gastronomia.

A atividade incluirá experiências e propostas gastronómicas inspiradas no Halloween, procurando despertar a curiosidade dos participantes através da observação e da experimentação.

De acordo com a organização, as sessões de cozinha molecular decorrerão em três horários específicos, sendo necessária inscrição prévia para garantir a participação.

Exposição e restantes atividades com acesso livre

Além das sessões de cozinha molecular, o Centro Ciência Viva de Tavira disponibilizará outras atividades científicas e uma exposição especialmente preparada para a noite de Halloween.

O acesso à exposição e às restantes atividades será livre, permitindo que os visitantes descubram diferentes experiências ao longo do período de funcionamento do evento.

A programação procura aproximar a ciência do público através de uma abordagem participativa, em que os visitantes são convidados a observar, experimentar e explorar fenómenos científicos num ambiente descontraído.

A iniciativa decorre no sábado, 31 de outubro, entre as 18:00 e as 22:00, no Centro Ciência Viva de Tavira.

A participação nas sessões de “Cozinha Molecular: Laboratório dos Cientistas Loucos” exige inscrição prévia, enquanto as restantes atividades e a exposição poderão ser visitadas livremente durante a celebração.

Leia também: Operação da GNR em Moncarapacho leva à constituição de oito arguidos por tráfico de droga

Fábio Paim e a eterna dúvida: entre os erros do passado e a presunção de inocência | Por André Leman

27 October 2026 at 18:36

Fábio Paim é, provavelmente, um dos maiores exemplos de talento desperdiçado no futebol português. Um jovem que chegou a ser considerado uma das maiores promessas da sua geração, mas cuja vida acabou marcada por polémicas, excessos, decisões erradas e problemas com a Justiça.

O seu percurso está longe de ser exemplar. As oportunidades desperdiçadas, os episódios ligados ao mundo da droga, as polémicas pessoais e os sucessivos escândalos contribuíram para construir uma imagem pública profundamente negativa.

Mas será que um passado marcado por erros transforma automaticamente um homem em culpado de tudo aquilo de que é acusado?

A recente acusação de violação que envolve Fábio Paim voltou a colocar o seu nome no centro da polémica. E, como tantas vezes acontece em Portugal, parece que uma parte da sociedade já proferiu a sentença, muito antes de o tribunal o fazer.

Sou amigo pessoal de Fábio Paim. Conheço a pessoa, conheço parte do seu percurso, conheço os seus defeitos e também as suas qualidades. Mas conheço igualmente a lei. E, acima de qualquer amizade, está o respeito pelo Estado de Direito.

Não escrevo estas palavras para defender o indefensável, nem para desvalorizar uma acusação tão grave como a de violação. Escrevo porque acredito que a presunção de inocência não é um privilégio reservado aos cidadãos com um passado irrepreensível. É um direito constitucional de todos.

O artigo 32.º, n.º 2, da Constituição da República Portuguesa estabelece que todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação.

E esse princípio aplica-se a Fábio Paim, como se aplica a qualquer outro cidadão.

É evidente que os erros acumulados ao longo da sua vida contribuíram para uma espécie de metamorfose da sua imagem pública. O menino-prodígio transformou-se no futebolista problemático, depois no homem dos escândalos e, finalmente, numa figura sobre a qual muitos parecem estar preparados para acreditar no pior.

Mas uma condenação por tráfico de droga não é prova de um crime de violação. Uma vida de excessos não é uma sentença judicial. E uma má reputação nunca poderá substituir os factos.

Também não devemos esquecer quem apresenta uma denúncia. Uma acusação desta natureza exige investigação rigorosa, respeito por todas as pessoas envolvidas e uma Justiça capaz de apurar a verdade sem pressões mediáticas.

Não devemos julgar apenas por julgar. Não devemos condenar apenas porque é mais fácil condenar. E também não devemos absolver apenas porque conhecemos ou gostamos de alguém.

Não conheço todos os factos deste processo. Não tive acesso à totalidade da prova e não pretendo substituir-me aos tribunais. Ser amigo de Fábio Paim não me dá o direito de proclamar a sua inocência, da mesma forma que o seu passado não dá a ninguém o direito de antecipar a sua culpabilidade.

Aquilo que sei é que a verdade, tal como o azeite, tende sempre a vir ao de cima. E é precisamente por acreditar nisso que considero fundamental aguardar serenamente pelo trabalho da Justiça.

Se for considerado culpado, deverá responder pelos seus atos. Se não for provada a sua culpabilidade, deverá ser respeitada a decisão do tribunal. Sem julgamentos de conveniência, sem tribunais populares e sem condenações antecipadas.

Porque a verdadeira grandeza de uma sociedade não se mede pela facilidade com que condena aqueles de quem desconfia, mas pela coragem com que respeita os direitos daqueles de quem seria mais fácil desistir.

Talvez este processo não venha apenas colocar Fábio Paim perante um tribunal. Talvez venha também colocar a sociedade portuguesa perante um espelho. Um espelho onde veremos a nossa facilidade em condenar, a nossa atração pelo escândalo e a nossa dificuldade em separar factos de perceções.

E, no fim, resta-nos uma pergunta que deveria incomodar-nos a todos:

Queremos verdadeiramente saber se Fábio Paim é culpado, ou estamos apenas à espera que um tribunal confirme aquilo que já decidimos acreditar?

Não condenamos ninguém. Não absolvemos ninguém. Apenas recusamos que o preconceito ocupe o lugar da prova e que a opinião pública se sente na cadeira do juiz.

Até lá, que falem os factos.

Que fale a prova.

Que fale a Justiça.

E que o silêncio da nossa prudência seja sempre mais forte do que o ruído dos nossos preconceitos.

Leia também: Numeiro, o Grande Gatsby português | Por André Leman

Conceição Cabrita volta ao Tribunal de Faro em julgamento por suspeitas de corrupção

27 October 2026 at 18:20

O julgamento da ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, Conceição Cabrita, prosseguiu esta terça-feira, 27 de outubro, no Tribunal de Faro, com quatro dos 12 arguidos a optarem por prestar declarações num processo que envolve suspeitas de corrupção, abuso de poderes, prevaricação e falsificação de documentos.

Durante a segunda sessão, o antigo funcionário municipal João Faustino rejeitou qualquer envolvimento em negócios ilícitos, afirmando que nunca participou “em qualquer situação ou acordo matreiro” de que pudesse retirar benefícios pessoais ou que prejudicasse financeiramente a autarquia algarvia.

O ex-funcionário, que se reformou depois de ter sido detido no âmbito da investigação, responde pela alegada participação num crime de corrupção passiva de titular de cargo político, relacionado com a venda de um terreno municipal situado em Monte Gordo.

De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), o negócio previa a alienação do terreno à sociedade Saint Germain para a construção de um empreendimento imobiliário, mediante um alegado acordo destinado a favorecer os compradores no preço de venda, no licenciamento e nos encargos urbanísticos, em troca de 300 mil euros.

Ex-autarca admite recebimento de 10 mil euros mensais e apresenta justificação

Além do negócio da venda do terreno, está a ser julgado o alegado favorecimento de empresas de Paulo Calvinho na adjudicação de serviços municipais, em contrapartida de entregas de dinheiro a Conceição Cabrita que, segundo a acusação, ascendiam a pelo menos 200 mil euros em 2020.

A antiga autarca admitiu na segunda-feira em tribunal que recebia mensalmente do empresário 10 mil euros em dinheiro, em envelopes ou sacos de plástico, mas alegou que a verba servia para ajudar as pessoas carenciadas após a suspensão dos apoios sociais devido aos problemas financeiros da autarquia.

Além da ex-autarca, eleita pelo PSD em 2017, e do ex-funcionário da autarquia, foram ainda ouvidos pelo coletivo de juízes o engenheiro civil Mário Castro e o advogado João Moraes Vaz, sendo que os restantes optaram por ficar em silêncio.

Conceição Cabrita acusada de seis crimes na Operação Triângulo

Em 2023, o Ministério Público (MP) acusou 11 pessoas singulares e uma pessoa coletiva de vários crimes, entre os quais corrupção passiva e ativa de titular de cargo político, abuso de poderes, prevaricação e falsificação de documentos.

A ex-presidente da autarquia está acusada de dois crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, um crime de abuso de poderes e dois de prevaricação, além de um crime de falsificação de documentos.

Entre os arguidos da Operação Triângulo estão empresários dos setores da construção e do imobiliário, um funcionário do município algarvio e um antigo deputado socialista, António Gameiro.

Investigação envolveu buscas, escutas e vigilância policial

A investigação incidiu sobre a atividade da ex-autarca entre 2019 e 2021. Segundo o MP, Conceição Cabrita terá atuado no exercício e em abuso das suas funções públicas, intervindo em matérias da competência da autarquia para obter vantagens em benefício próprio e de terceiros.

A investigação incluiu buscas e apreensões no Algarve, em Lisboa, Leiria e Santarém, análise e apreensão de material informático, inquirição de dezenas de testemunhas, escutas de comunicações e ações de vigilância com recolha de imagens.

Conceição Cabrita foi detida em abril de 2021 e renunciou ao cargo na sequência da operação policial.

Leia também: Operação da GNR em Moncarapacho leva à constituição de oito arguidos por tráfico de droga

Vamos mudar as leis ou mudar o poder? | Por Bruno Miguel Alves

27 October 2026 at 17:50

Portugal prepara uma das mais importantes reformas da administração local das últimas décadas: o Código do poder Local, mas há uma questão que não podemos evitar: vamos dar mais autonomia às autarquias ou apenas organizar melhor a burocracia que já existe?

E, apesar de tanta legislação, continuamos a assistir a uma realidade contraditória: nem sempre é claro quem tem a responsabilidade, quem dispõe dos recursos e quem deve responder perante os cidadãos.

É neste contexto que surge a iniciativa do Governo de criar um Código do Poder Local, reunindo num único diploma a legislação atualmente dispersa sobre a administração autárquica. A constituição, no passado dia 23 de outubro, de um Grupo de Trabalho presidido por Maria José Castanheira Neves, com representantes das CCDR, da ANMP, da ANAFRE e de outras entidades, representa o início de um processo que merece uma discussão pública séria.

O grupo terá oito meses para preparar um anteprojeto, com um relatório intercalar previsto ao fim de três meses. Mas não podemos confundir a criação de um Código com uma verdadeira reforma do poder local.

Se o resultado for apenas juntar dezenas de leis num único documento, teremos uma legislação mais organizada, mas não necessariamente um poder local mais forte. E Portugal precisa de muito mais do que isso.

O problema não é apenas a quantidade de leis. É a forma como o poder está distribuído.

A Constituição da República Portuguesa reconhece a autonomia das autarquias locais. No entanto, entre o princípio constitucional e a realidade administrativa existe uma distância que importa reduzir. Ao longo dos anos, foram sendo aprovados diplomas sobre competências, transferência de atribuições, financiamento, organização dos órgãos autárquicos e estatuto dos eleitos locais.

O resultado é um sistema juridicamente complexo, com diferentes níveis de responsabilidade e mecanismos de articulação nem sempre suficientemente claros.

É frequente existirem competências próprias, competências transferidas, competências delegadas e acordos de execução que tornam difícil perceber onde começa e termina a responsabilidade de cada entidade.

Esta realidade é particularmente sensível na relação entre municípios e freguesias. As freguesias são autarquias locais constitucionalmente reconhecidas, com órgãos democraticamente eleitos e legitimidade própria. Não são departamentos municipais, nem devem ser tratadas como estruturas administrativas subordinadas aos municípios.

A cooperação institucional é indispensável, mas não pode confundir-se com dependência política, administrativa ou financeira.

O novo Código deve responder a uma questão essencial: queremos freguesias com verdadeira autonomia de decisão ou apenas entidades de proximidade encarregadas de executar tarefas definidas por outros?

A revisão do quadro jurídico do poder local não pode ser desligada da revisão da Lei das Finanças Locais, que o Governo também pretende concretizar.

Não existe autonomia efetiva quando uma autarquia tem responsabilidades permanentes, mas não dispõe de recursos previsíveis e adequados para as cumprir. O financiamento deve corresponder às competências exercidas, à dimensão dos serviços prestados e às características dos territórios.

Uma fórmula excessivamente dependente da população residente não consegue representar integralmente realidades tão diferentes como os territórios de baixa densidade, as áreas metropolitanas ou as regiões sujeitas a elevada sazonalidade turística.

No Algarve, por exemplo, a pressão sobre os serviços e infraestruturas públicas aumenta significativamente durante determinados períodos do ano, sem que essa realidade seja necessariamente refletida de forma proporcional no financiamento das autarquias e freguesias.

O Código e a legislação financeira que o acompanhe devem abrir caminho a critérios mais objetivos, transparentes e ajustados à utilização efetiva dos serviços públicos.

Também importa clarificar os mecanismos de financiamento associados à transferência e delegação de competências, evitando que a sua execução fique excessivamente dependente de negociações pontuais.

A simplificação legislativa é necessária. Mas importa perceber em que direção será feita. Um Código do Poder Local deve permitir que qualquer autarca, trabalhador ou cidadão compreenda, com maior facilidade, como funciona a administração local, quais são as competências de cada órgão e quais os mecanismos de decisão e fiscalização.

Deve eliminar ambiguidades, reduzir redundâncias e harmonizar procedimentos. Mas também deve respeitar a diversidade e a autonomia das autarquias.

Não podemos aproveitar a simplificação para criar novas formas de tutela administrativa ou reduzir a liberdade de organização e gestão local.

Pelo contrário, deveríamos discutir uma maior proporcionalidade das exigências administrativas, mecanismos de cooperação técnica, interoperabilidade digital e instrumentos de gestão adaptados às diferentes dimensões das autarquias.

Cinquenta anos depois, que poder local queremos?

Em dezembro de 2026 assinalam-se cinquenta anos das primeiras eleições autárquicas democráticas em Portugal. Durante este período, o poder local foi determinante para transformar o país, aproximar a democracia dos cidadãos e promover o desenvolvimento territorial. Mas a realidade de hoje já não é a de 1976.

As autarquias enfrentam desafios de habitação, alterações climáticas, envelhecimento populacional, mobilidade, transformação digital e novas exigências sociais. Precisam, por isso, de um enquadramento jurídico preparado para o futuro, e não de uma simples compilação das soluções do passado.

A participação da ANAFRE, da ANMP, das CCDR e das restantes entidades no processo de elaboração do Código deve assegurar uma reflexão que vá além da harmonização técnica dos diplomas. É fundamental ouvir os eleitos locais, os trabalhadores das autarquias, os especialistas e as próprias comunidades.

E aproveitar esta oportunidade para discutir, sem preconceitos, aquilo que realmente deve mudar: a distribuição de competências, a sustentabilidade financeira, a autonomia de gestão e o equilíbrio institucional entre os diferentes níveis do poder local.

O Governo deu o primeiro passo ao constituir o Grupo de Trabalho. O verdadeiro desafio será transformar esse trabalho técnico numa reforma com consequências práticas. A reforma será avaliada não pelo número de diplomas reunidos, mas pela autonomia efetiva, pela clareza das responsabilidades e pela capacidade de resposta que proporcionar às autarquias. O poder local não precisa só de um novo Código. Precisa de mais capacidade para decidir, mais meios para executar e mais responsabilidade perante os cidadãos.

Se não for para isso, arriscamo-nos a mudar as leis sem mudar verdadeiramente o poder.

Sobre o autor do artigo: Bruno Miguel Alves é presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, no mandato 2025–2029, e membro suplente do Conselho Diretivo da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE). Licenciado em Gestão pela Universidade do Algarve e pós-graduado em Inovação e Empreendedorismo pela Nova School of Business and Economics, desenvolve atividade profissional nas áreas da Gestão, Marketing e Comunicação. Integra a rede europeia «Construir a Europa com os Eleitos Locais», promovida pela União Europeia. A sua intervenção institucional centra-se na valorização e modernização do poder local, na inovação, na transformação digital da administração pública e no desenvolvimento sustentável e coesão territorial.

Leia também: 40 visões da Europa: Europa – oportunidade, desenvolvimento e futuro | Por Bruno Miguel Alves

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Sofia Fonseca faz história ao assumir liderança mundial do turismo cultural

27 October 2026 at 17:30

Pela primeira vez desde a criação do Comité Internacional de Turismo Cultural (ICTC) do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), em 1969, uma portuguesa foi eleita para a sua presidência. A distinção coube a Sofia Fonseca, arqueóloga, investigadora e doutoranda da Universidade do Algarve, eleita a 20 de outubro, durante a reunião anual do organismo, realizada em Kuching, na Malásia.

A eleição coloca a investigadora do Centro Interdisciplinar em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) à frente de uma estrutura internacional dedicada à relação entre o turismo, a conservação do património e o desenvolvimento sustentável das comunidades.

O reconhecimento surge numa altura em que a Universidade do Algarve prepara o arranque do UAlgTec Heritage (UTH), um novo Centro de Excelência europeu dedicado às tecnologias do património, previsto para janeiro de 2027 e com um financiamento global de 31,5 milhões de euros.

Mais de 25 anos de experiência em arqueologia e património

Sofia Fonseca integra o ICTC desde 2019, tendo participado na equipa responsável pela revisão da Carta Internacional para o Turismo do Património Cultural, adotada em 2022.

Em 2023, foi eleita para o Bureau do comité e, desde dezembro de 2024 até à recente eleição, exerceu as funções de secretária-geral.

Licenciada em Arqueologia pela Universidade de Coimbra e mestre em Egiptologia pela Universitat Autònoma de Barcelona, a investigadora conta com mais de 25 anos de experiência internacional nas áreas da arqueologia, do património e do turismo sustentável.

Ao longo do seu percurso, dirigiu os trabalhos de campo da primeira missão arqueológica portuguesa no Egito e trabalhou em sítios classificados como Património Mundial pela UNESCO, no Egito e na Mauritânia.

É também fundadora da consultora Teiduma e responsável pelo lançamento, no Algarve, do projeto NO ALgarbage, dedicado à redução do desperdício no setor do turismo.

A nova presidente do ICTC pretende dar especial atenção à participação das comunidades locais nas decisões relacionadas com a conservação e a valorização do património.

“Assumo esta presidência com um enorme sentido de responsabilidade e com o orgulho de ser a primeira portuguesa a liderar este Comité. Acredito profundamente no potencial do turismo cultural como força positiva para a conservação do património, para o desenvolvimento sustentável e para o bem-estar das comunidades. Mas, para isso, é fundamental que as comunidades não sejam apenas beneficiárias, mas verdadeiras protagonistas das decisões sobre o seu património e o seu futuro. Nos próximos anos, uma das minhas prioridades será contribuir para transformar os princípios da Carta Internacional de 2022 em ações concretas, reforçando a colaboração entre especialistas, instituições e comunidades à escala internacional.”, afirma Sofia Fonseca.

Comité internacional aconselha organizações como a UNESCO

O ICOMOS é uma das três organizações consultivas do Comité do Património Mundial da UNESCO, juntamente com a IUCN e o ICCROM, desempenhando funções relacionadas com a avaliação, conservação e proteção do património cultural.

O Comité Internacional de Turismo Cultural reúne especialistas de diferentes países e presta aconselhamento a organizações como a UNESCO, a ONU Turismo e a IUCN.

Entre as suas responsabilidades encontra-se a elaboração de cartas internacionais sobre turismo cultural, destinadas a orientar a relação entre a atividade turística, a preservação patrimonial e o desenvolvimento das comunidades.

A Carta Internacional para o Turismo do Património Cultural, adotada em 2022, defende um modelo turístico que respeite o património e coloque as populações locais no centro dos processos de decisão.

Sofia Fonseca pretende contribuir para a aplicação prática destes princípios, promovendo uma maior articulação entre especialistas, instituições e comunidades à escala internacional.

Universidade do Algarve prepara investimento de 31,5 milhões de euros no património

A eleição da investigadora coincide com a preparação do UAlgTec Heritage, um Centro de Excelência europeu dedicado às tecnologias do património, cuja atividade deverá começar em janeiro de 2027.

O projeto dispõe de um financiamento total de 31,5 milhões de euros, proveniente da Comissão Europeia, através do programa Horizonte Europa, do Governo português e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

O UTH reúne a Universidade do Algarve, a Universidade de Kiel, na Alemanha, a ERA Arqueologia e a Zartis, tendo como base científica o ICArEHB.

O centro pretende desenvolver e aplicar inteligência artificial, tecnologias imersivas e investigação arqueológica à valorização do património, à inovação, à criação de emprego e ao desenvolvimento de novas experiências turísticas.

Entre as soluções previstas encontram-se experiências de realidade virtual e aumentada, gémeos digitais e ferramentas de interpretação do património acessíveis e disponíveis em diferentes línguas.

O projeto contempla igualmente o desenvolvimento de modelos de turismo de base comunitária, procurando responder às necessidades dos territórios, reduzir a sazonalidade e contribuir para que uma maior parte dos benefícios económicos permaneça nas comunidades locais.

Este trabalho será desenvolvido em colaboração com autoridades de turismo e património, municípios, parques arqueológicos, museus, empresas criativas e associações do setor hoteleiro.

Uma parte das atividades ficará concentrada no laboratório de Património Digital e Imersivo, um dos quatro laboratórios que integrarão o novo centro.

Para Sofia Fonseca, os objetivos do UAlgTec Heritage estão alinhados com a visão que pretende promover enquanto presidente do Comité Internacional de Turismo Cultural.

“É particularmente gratificante saber que, no Algarve, o UTH irá desenvolver trabalho alinhado com esta visão, aproximando a investigação, a inovação tecnológica e o turismo das necessidades reais dos territórios”, afirma.

Diretor do ICArEHB destaca projeção internacional da investigação algarvia

João Cascalheira, diretor do ICArEHB e coordenador do UAlgTec Heritage, considera que a eleição representa um reconhecimento do percurso científico e profissional de Sofia Fonseca, bem como uma oportunidade para reforçar a ligação da Universidade do Algarve às redes internacionais dedicadas à valorização do património.

“A eleição da Sofia é o reconhecimento internacional de um percurso notável e uma excelente notícia para a UAlg. O Algarve vive do turismo e tem um património extraordinário, mas os dois nem sempre se encontram da melhor forma. Com o UTH, queremos criar tecnologias e modelos que permitam valorizar esse património, melhorar a experiência de quem nos visita, reduzir a sazonalidade e garantir que uma parte maior dos benefícios fica no território. Ter uma investigadora do nosso centro a liderar este debate a nível internacional dá-nos também uma ligação privilegiada às melhores práticas e redes mundiais”, sublinha João Cascalheira.

O ICArEHB é um centro de investigação da Universidade do Algarve dedicado ao estudo da evolução do comportamento humano, com uma forte componente de investigação arqueológica e de aplicação do conhecimento científico ao património.

A eleição de Sofia Fonseca e o arranque previsto do UAlgTec Heritage representam dois desenvolvimentos para a Universidade do Algarve nas áreas da investigação arqueológica, da inovação tecnológica e do turismo cultural, reforçando a ligação entre o conhecimento científico produzido na região e as redes internacionais de conservação e valorização do património.

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Praia da Terra Estreita ganha máquina elétrica de limpeza após vencer concurso ambiental

27 October 2026 at 16:59

Uma nova máquina elétrica de limpeza de praias vai reforçar a manutenção sustentável do areal da Terra Estreita, na freguesia de Santa Luzia, em Tavira, depois de a empresa ABEV – Evolução, Lda., responsável pela concessão do apoio balnear, ter vencido o concurso Areia Viva 2026. O equipamento permite recolher diferentes tipos de resíduos, com baixas emissões e reduzida poluição sonora.

A iniciativa, promovida conjuntamente pelo Programa Bandeira Azul e pela empresa Boomlift, pretende incentivar a adoção de práticas ambientalmente responsáveis na manutenção dos areais, promovendo a gestão adequada dos resíduos e os princípios da economia circular.

O Município de Tavira felicitou a empresa concessionária pela distinção, destacando a importância da iniciativa para a preservação ambiental da praia e para a melhoria das condições de utilização do espaço balnear.

Concurso distingue soluções sustentáveis para a limpeza das praias

O concurso Areia Viva 2026 foi dirigido a promotores e concessionários de praias galardoadas com Bandeira Azul, desafiando os participantes a demonstrar de que forma uma máquina elétrica de limpeza poderia contribuir para melhorar a manutenção dos respetivos areais.

As candidaturas tiveram como objetivo apresentar propostas que conjugassem a eficácia dos equipamentos com a redução do impacto ambiental das operações de limpeza.

A ABEV – Evolução, Lda., concessionária do apoio balnear da praia da Terra Estreita, foi a vencedora da edição deste ano, recebendo como prémio uma máquina elétrica de limpeza de praias, modelo Baby Tapiro 100 Elétrica.

O equipamento distingue-se pelas baixas emissões e pela reduzida poluição sonora, características que permitem realizar operações de manutenção dos areais com menor impacto ambiental.

Equipamento elétrico permite recolher plástico, vidro e outros resíduos

A máquina atribuída à empresa concessionária permite recolher detritos de diferentes dimensões, desde pequenos resíduos até materiais de maior volume, como pedras, paus e fragmentos de vidro e plástico.

A utilização deste equipamento pretende contribuir para a segurança dos banhistas, através da remoção de objetos potencialmente perigosos, e para a preservação da vida marinha, reduzindo a presença de resíduos no ambiente costeiro.

Segundo a informação divulgada pelo Município de Tavira, o desempenho ambiental da máquina poderá ser reforçado caso o carregamento elétrico seja efetuado através de painéis fotovoltaicos.

Esta possibilidade permitiria associar a utilização do equipamento à produção de energia solar, contribuindo para reduzir o impacto ambiental das operações de limpeza.

Com a distinção atribuída no concurso Areia Viva 2026, a praia da Terra Estreita passa a contar com um equipamento destinado a promover uma manutenção mais sustentável do areal, conciliando a limpeza do espaço balnear com a proteção ambiental.

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Presidente da Câmara de Albufeira entronizado na Confraria do Frango da Guia

27 October 2026 at 16:30

A cerimónia do VI Capítulo da Confraria dos Amigos da Guia e do Frango da Freguesia, realizada no sábado, 24 de outubro, no Polidesportivo da Guia, ficou marcada pela entronização do presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina. O encontro reuniu representantes de 47 confrarias de várias regiões do país, num programa dedicado à valorização das tradições gastronómicas e à homenagem de personalidades ligadas à comunidade.

A cerimónia integrou o programa do VI Capítulo da Confraria dos Frangos da Guia, que incluiu a admissão de novos confrades efetivos e de honra, o reconhecimento de entidades locais e um desfile pelas ruas da freguesia.

No dia seguinte, 25 de outubro, Rui Cristina participou também, na qualidade de Confrade de Honra, no IX Capítulo da Confraria do Bacchus de Albufeira, realizado em Ferreiras.

Autarca destaca importância do frango da Guia para a identidade local

A entronização de Rui Cristina constituiu um dos momentos centrais do encontro realizado na Guia, que reuniu representantes de 47 confrarias.

Durante a cerimónia, o presidente da autarquia destacou a importância da confraria na preservação e divulgação de uma das especialidades gastronómicas mais conhecidas do concelho.

“Ser entronizado nesta confraria é uma honra que recebo com muito orgulho, porque na Guia o frango da Guia é mais do que uma especialidade gastronómica. É a nossa história, a nossa identidade e, sobretudo, as nossas gentes”, afirmou Rui Cristina.

Na sua intervenção, o autarca prestou igualmente homenagem a José Monteiro, que escolheu Albufeira para viver e trabalhar, e a Joaquim Vieira, ligado à criação da confraria e à divulgação do frango da Guia.

Rui Cristina salientou o contributo de ambos para a comunidade, dirigindo também palavras de reconhecimento às respetivas famílias.

“Uma terra que não sabe agradecer a quem tanto fez por ela começa a esquecer a sua história”, sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Albufeira.

A memória de José Monteiro esteve presente ao longo da cerimónia, tendo sido igualmente evocada por Paulo Freitas na abertura da sessão.

O programa incluiu ainda a distinção do Guia Futebol Clube como Confrade de Mérito e a entronização de novos membros efetivos e de honra.

As celebrações contemplaram também um desfile pelas ruas da Guia, com um cortejo que seguiu em direção à igreja e regressou ao Polidesportivo, acompanhado por moradores que assistiram à passagem dos trajes e símbolos das confrarias.

Confraria do Bacchus reúne 33 confrarias em Ferreiras

As iniciativas de valorização das tradições locais prosseguiram no domingo, 25 de outubro, com a realização do IX Capítulo da Confraria do Bacchus de Albufeira, na Igreja Matriz de Ferreiras.

O encontro reuniu 96 confrades da instituição e representantes de 33 confrarias, ficando marcado pela entronização de 29 novos membros.

Rui Cristina participou na cerimónia enquanto Confrade de Honra, acompanhado por outros representantes autárquicos.

O programa incluiu uma homenagem a confrades falecidos, assinalada pela transmissão das vestes de José Carlos Rolo e de Alfredo Gomes Machado aos respetivos filhos, Marlene Rolo e Nuno Machado, ambos atualmente confrades.

O gesto simbolizou a continuidade da ligação das duas famílias à instituição e a preservação da memória dos antigos membros.

Após a cerimónia religiosa, os participantes desfilaram pelas ruas de Ferreiras, num cortejo acompanhado por moradores e famílias.

O encontro contou ainda com representantes da Comissão Vitivinícola do Algarve e da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal, além de membros do executivo municipal e presidentes de juntas de freguesia.

Durante o almoço, Rui Cristina reconheceu o trabalho desenvolvido por Carlos Oliveira na presidência da Confraria do Bacchus de Albufeira, entregando-lhe uma lembrança em nome da Câmara Municipal.

O autarca manifestou também a intenção de acompanhar a atividade da instituição e o seu contributo para a valorização da cultura vitivinícola e das tradições locais.

As duas cerimónias reuniram confrarias de diferentes regiões do país, associando a preservação das tradições gastronómicas e culturais de Albufeira ao reconhecimento de personalidades e instituições ligadas à comunidade.

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Odiana apresenta novas rotas turísticas do Guadiana em encontro entre Portugal e Espanha

27 October 2026 at 15:20

Durante um encontro transfronteiriço realizado entre 19 e 21 de outubro, em Miranda do Douro, foram apresentadas novas rotas náutico-culturais do rio Guadiana, desenvolvidas pela Odiana – Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana. A iniciativa integrou o encerramento do projeto Rede Ibérica de Cruzeiros Fluviais Transfronteiriços (RED CIFT), após dois anos e meio de trabalho dedicado à valorização turística e cultural dos rios que ligam Portugal e Espanha.

O encontro reuniu entidades parceiras dos dois países para apresentar os resultados alcançados em cinco destinos fluviais, associados aos rios Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana, e analisar novas oportunidades de cooperação entre os territórios ribeirinhos.

A participação da Odiana permitiu dar particular destaque ao Baixo Guadiana, valorizando o património natural, cultural e paisagístico deste território algarvio e o potencial do rio enquanto elemento de ligação entre as duas margens da fronteira.

Novas rotas procuram valorizar o património do Baixo Guadiana

Um dos principais momentos do encontro decorreu no dia 20 de outubro, durante a Jornada de Conclusões do projeto RED CIFT, realizada no Auditório de Miranda do Douro.

Nesta sessão, foram apresentados os resultados do trabalho desenvolvido nos cinco destinos fluviais abrangidos pelo projeto, com especial atenção às oportunidades de valorização turística e cultural dos territórios portugueses e espanhóis.

Em representação da Odiana, a diretora executiva, Catarina Cavaco, apresentou o destino Guadiana, dando a conhecer as rotas náutico-culturais desenvolvidas ao longo dos dois anos e meio de execução da iniciativa.

O trabalho apresentado procurou evidenciar as características naturais e culturais do Baixo Guadiana, bem como as possibilidades de criar novas experiências turísticas associadas ao rio e às comunidades ribeirinhas.

As rotas desenvolvidas pretendem proporcionar diferentes formas de descobrir o território, estabelecendo uma ligação entre as atividades náuticas, o património, a cultura e as paisagens do Guadiana.

De acordo com a Odiana, o rio constitui um recurso estratégico para a valorização turística da região, permitindo aproximar as duas margens e reforçar as relações entre os territórios de Portugal e Espanha.

Encontro reuniu parceiros de cinco destinos fluviais ibéricos

A iniciativa foi organizada pela Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro (AIMRD), em colaboração com a Câmara Municipal de Miranda do Douro.

Durante os três dias, as entidades participantes partilharam experiências e resultados relacionados com o desenvolvimento do turismo fluvial, procurando reforçar a cooperação transfronteiriça e a valorização dos recursos naturais e culturais dos rios ibéricos.

O programa terminou no dia 21 de outubro, com uma visita técnica à Estação Biológica Internacional, em Miranda do Douro.

A atividade incluiu um cruzeiro fluvial por águas internacionais, permitindo aos representantes das entidades parceiras conhecer diretamente a realidade de um dos territórios abrangidos pelo projeto.

A visita proporcionou também uma oportunidade de contacto com experiências associadas à utilização turística dos rios que estabelecem ligações entre Portugal e Espanha.

Projeto transfronteiriço conta com financiamento europeu

A RED CIFT – Rede Ibérica de Cruzeiros Fluviais Transfronteiriços tem como beneficiário principal o Clúster Marítimo-Marinho da Andaluzia (CMMA) e reúne oito entidades parceiras portuguesas e espanholas.

As organizações envolvidas desenvolvem atividade nas áreas do turismo, das atividades náuticas e do desenvolvimento territorial, procurando criar novas oportunidades de valorização dos recursos fluviais.

O projeto é cofinanciado em 75% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027.

Ao longo dos dois anos e meio de execução, a iniciativa permitiu desenvolver trabalho conjunto em torno dos rios Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana, procurando associar a valorização turística à preservação e divulgação do património natural e cultural.

Com a apresentação das rotas náutico-culturais do Guadiana, a Odiana deu a conhecer os resultados alcançados no território do Baixo Guadiana, contribuindo para a divulgação de novas possibilidades de descoberta do rio e para o reforço da cooperação turística entre Portugal e Espanha.

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A lei e o bom senso | Por Luís Ganhão

27 October 2026 at 14:43

Ainda a propósito da intervenção policial que anteriormente aqui abordámos, sobre manifestantes que, através da instalação de tendas em espaços públicos, procuravam denunciar problemas e reivindicar soluções no domínio da habitação, talvez importe ir além da polémica em torno da constitucionalidade ou não da lei invocada para justificar essa intervenção.

Mesmo admitindo que a atuação encontrava respaldo legal, não deveria o bom senso ter também uma palavra a dizer?

Afinal, nenhuma lei se aplica por si própria. A sua aplicação exige sempre interpretação, ponderação das circunstâncias concretas e uma avaliação da razoabilidade das consequências que dela resultam.

E porquê?

Porque o legislador, ao elaborar uma lei, procura estabelecer regras gerais destinadas a uma multiplicidade de situações. Por muito cuidadosa que seja a redação de um diploma, é impossível antecipar todas as circunstâncias concretas em que ele poderá vir a ser aplicado. A realidade tem sempre mais imaginação do que a própria lei.

É precisamente por isso que a interpretação desempenha um papel essencial. Não basta determinar se uma situação cabe formalmente no âmbito da norma. Importa igualmente perceber se a sua aplicação corresponde à finalidade que o legislador pretendeu alcançar e se respeita princípios fundamentais como a proporcionalidade e a razoabilidade.

Por outras palavras, não basta perguntar se determinada atuação é legal. Importa também perguntar se, perante as circunstâncias concretas, ela era necessária e se não existiriam alternativas menos restritivas.

Regressemos, então, às tendas.

Poder-se-á argumentar, com razão, que a instalação prolongada de estruturas num espaço público não é comparável, em todos os aspetos, a uma manifestação tradicional ou a um desfile reivindicativo que apenas condiciona temporariamente a circulação. As situações são efetivamente diferentes e seria um erro ignorar essa diferença.

Mas será essa diferença suficiente para dispensar a análise das circunstâncias concretas?

Não será precisamente por as situações serem diversas que importa avaliá-las caso a caso, em vez de aplicar automaticamente uma regra geral sem atender à dimensão da ocupação, à sua duração, aos seus efeitos efetivos e à natureza da reivindicação apresentada?

Não se trata, evidentemente, de defender que qualquer grupo de cidadãos possa ocupar indefinidamente os espaços públicos à margem de quaisquer regras. O espaço público pertence a todos e a sua utilização deve compatibilizar direitos igualmente legítimos. Também os manifestantes têm deveres para com a comunidade e o exercício da liberdade de expressão não pode ignorar os direitos dos restantes cidadãos.

Mas reconhecer estes limites não impede uma outra pergunta: perante uma iniciativa reivindicativa de reduzida dimensão, destinada a chamar a atenção para um problema social grave, seria inevitável optar pela solução mais restritiva? Ou poderia ter sido encontrada uma resposta que conciliasse o respeito pela lei com o exercício do direito de manifestação?

A questão ganha especial relevância quando está em causa a habitação, um tema que afeta diretamente milhares de pessoas e que ocupa, há muito, um lugar central nas preocupações da sociedade portuguesa.

Há, porém, uma outra interrogação que continua a merecer reflexão.

Ao longo dos anos, como já o havíamos referido, ocorreram outras situações em que tendas ou estruturas temporárias permaneceram instaladas em espaços públicos sem que daí resultasse uma intervenção policial destinada à sua remoção imediata.

Naturalmente, tudo depende de saber se estamos perante casos verdadeiramente comparáveis. Se existiam diferenças relevantes quanto à duração, dimensão, localização ou impacto dessas ocupações, então um tratamento distinto poderá encontrar justificação legítima.

Mas se tais diferenças não existiam, ou não eram suficientemente significativas, torna-se inevitável questionar a coerência da aplicação da lei.

Porque a igualdade não exige apenas que todos respeitem as mesmas regras. Exige igualmente que situações semelhantes recebam tratamento semelhante, salvo quando existam razões objetivas que justifiquem o contrário.

Talvez, nalguns desses casos, as circunstâncias tenham aconselhado uma interpretação mais flexível das normas aplicáveis, permitindo acomodar simultaneamente a ordem pública, a utilização do espaço comum e o exercício da liberdade de manifestação.

Se assim foi, não será legítimo perguntar por que razão uma solução semelhante não poderia ter sido ponderada perante uma iniciativa destinada a chamar a atenção para um problema tão sério como o da habitação?

A lei é indispensável numa sociedade democrática. Mas a sua aplicação não deve transformar-se num exercício mecânico. Entre a arbitrariedade e o automatismo existe um espaço que pertence à ponderação, à proporcionalidade e ao bom senso.

Não porque estes possam substituir a lei, mas porque ajudam a encontrar, em cada caso concreto, a forma mais justa e equilibrada de a aplicar.

No fundo, é essa a verdadeira questão.

Não se a intervenção era legal. Nem sequer se podia ser legalmente realizada.

Mas se era realmente necessária. Se representava a melhor solução disponível. E se, ao proteger a autoridade da lei, não poderia também ter sido preservado, com igual cuidado, o direito dos cidadãos de tornar visível uma causa que consideravam justa.

Porque, numa democracia madura, a força da lei mede-se não apenas pela sua capacidade de se impor, mas também pela sabedoria com que escolhe quando e como fazê-lo.

Leia também: A lei, os protestos e os dois pesos e duas medidas | Por Luís Ganhão

Gelataria de Olhão celebra o Halloween com sabores de outono e oferta especial

27 October 2026 at 14:10

Com a chegada do Halloween, a cidade de Olhão ganha novos sabores de outono através de uma edição especial preparada pela São Gelados, que apresenta três propostas: sorvete de marmelo, sorvete de abóbora com amêndoa do Algarve e canela, e gelado de sésamo preto. A iniciativa inclui ainda uma promoção para 31 de outubro, com a oferta de uma bola adicional de gelado aos clientes que visitem o estabelecimento mascarados e comprem um gelado de duas bolas.

A seleção reúne duas novidades, o sorvete de marmelo e o sorvete de abóbora com amêndoa do Algarve e canela, além do regresso do gelado de sésamo preto, uma das propostas já conhecidas dos clientes da gelataria.

Com esta iniciativa, a São Gelados procura explorar novas combinações de sabores, privilegiando os produtos sazonais e a utilização de ingredientes locais sempre que possível.

Marmelo e abóbora com amêndoa do Algarve entre as novidades

Uma das propostas desenvolvidas para esta edição é o sorvete de marmelo, preparado com fruta local, numa abordagem diferente a um ingrediente tradicionalmente associado à produção de marmelada.

Nesta versão, o marmelo é utilizado na preparação de um sorvete, procurando preservar o sabor característico da fruta e apresentar uma alternativa às formas mais habituais de consumo.

Outra novidade é o sorvete de abóbora com amêndoa do Algarve e canela, que combina um ingrediente típico da estação com um dos produtos tradicionais da região.

A seleção fica completa com o gelado de sésamo preto, que regressa à São Gelados para integrar a edição de Halloween.

Ao contrário das duas propostas de sorvete, este gelado tem uma base de leite e distingue-se pela coloração naturalmente escura, conferida pelo sésamo preto.

Segundo a gelataria, a escolha dos três sabores resulta da intenção de explorar os ingredientes da época através de diferentes combinações, mantendo a atenção à origem e à qualidade das matérias-primas.

“O Halloween deu-nos a oportunidade de criar uma pequena coleção de sabores que fala da estação e daquilo que nos rodeia. Gostamos de trabalhar ingredientes que têm uma história e de os apresentar de uma forma que desperte curiosidade”, explica Nelson da Costa, geladeiro e fundador da São Gelados.

Clientes mascarados recebem uma bola de gelado de oferta

Para assinalar o Halloween, a gelataria de Olhão preparou também uma promoção destinada aos visitantes que se apresentem mascarados no sábado, 31 de outubro.

Nesse dia, cada cliente que visite o estabelecimento com um disfarce e compre um gelado de duas bolas receberá uma terceira bola gratuitamente.

A oferta é válida exclusivamente no dia 31 de outubro, estando limitada a uma bola adicional por pessoa mascarada, mediante a compra de um gelado de duas bolas.

A edição especial de sabores estará disponível durante o período de Halloween, até esgotar, permitindo aos clientes experimentar as três propostas preparadas para esta celebração.

Gelataria aposta em ingredientes sazonais e produção local

Situada em Olhão, a São Gelados dedica-se à produção artesanal de gelados sem glúten, privilegiando a qualidade das matérias-primas, a sazonalidade dos produtos e, sempre que possível, a utilização de ingredientes de origem local.

O estabelecimento disponibiliza também opções sem lactose e veganas, procurando responder a diferentes preferências e necessidades alimentares.

A coleção de Halloween integra esta abordagem, através da utilização de ingredientes como o marmelo e a amêndoa do Algarve, associados a combinações menos habituais na produção de gelados.

As três propostas estarão disponíveis por tempo limitado, enquanto a promoção destinada aos clientes mascarados decorrerá apenas no sábado, 31 de outubro, na gelataria São Gelados, em Olhão.

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Granfondo Portimão regressa com 1.500 ciclistas de 30 nacionalidades e atividades para crianças

27 October 2026 at 12:50

A terceira edição do Granfondo Portimão vai realizar-se nos dias 7 e 8 de novembro, com a participação prevista de 1.500 ciclistas de 30 nacionalidades e cerca de 1.700 acompanhantes. A iniciativa inclui três percursos por quatro concelhos algarvios, uma atividade gratuita para crianças dos três aos 12 anos e uma caminhada destinada à população em geral.

Organizado pela Cabreira Solutions, em parceria com o Município de Portimão, o evento foi apresentado na segunda-feira, 26 de outubro, no edifício da Antiga Lota, numa sessão em que foram divulgados os percursos, as atividades e as principais novidades da edição de 2026.

Fotos DR

A competição principal realiza-se no domingo, 8 de novembro, a partir das 09:00, com partida e chegada na Zona Ribeirinha de Portimão, junto ao Clube Naval.

Três percursos atravessam Portimão, Silves, Monchique e Lagos

A prova contará com três distâncias, adaptadas a diferentes níveis de preparação física, permitindo aos participantes escolher o desafio mais adequado à sua experiência.

O Minifondo terá um percurso de 71,3 quilómetros, enquanto o Mediofondo contará com 98,8 quilómetros. Já o Granfondo, a distância mais longa, terá 134,4 quilómetros.

Os trajetos atravessam estradas dos concelhos de Portimão, Silves, Monchique e Lagos, proporcionando aos participantes a possibilidade de conhecer diferentes paisagens e elementos do património natural do Algarve.

A organização pretende também contribuir para a dinamização da atividade turística e económica da região fora da época alta, associando a realização da competição à promoção do território.

Granfondinho oferece atividade gratuita para crianças dos três aos 12 anos

Uma das novidades em destaque na edição deste ano é o Granfondinho, uma iniciativa destinada aos participantes mais novos, que decorrerá no sábado, 7 de novembro, às 15:00, na Zona Ribeirinha de Portimão, junto ao Clube Naval.

Crédito: Manuel Felgueiras

A atividade dirige-se a crianças dos três aos 12 anos e pretende proporcionar uma experiência de contacto com o ciclismo, privilegiando a aprendizagem, a diversão e o convívio.

Sem caráter predominantemente competitivo, o Granfondinho procura incentivar a participação, o espírito de equipa e a superação pessoal, estando prevista a entrega de prémios a todas as crianças participantes.

A participação é gratuita, mas exige inscrição prévia através da plataforma STOP and GO.

As crianças deverão levar bicicleta e capacete. Para os participantes até aos cinco anos, a organização prevê disponibilizar bicicletas de equilíbrio para empréstimo.

A iniciativa integra a aposta do Município de Portimão na promoção da atividade física desde a infância e no incentivo à prática desportiva entre as novas gerações.

Caminhada permite participação de famílias e acompanhantes

Além da competição de ciclismo e das atividades infantis, o Granfondo Portimão inclui uma caminhada aberta aos acompanhantes dos atletas e à população em geral.

A iniciativa realiza-se no domingo, 8 de novembro, a partir das 09:10, procurando alargar a participação no evento a pessoas de diferentes idades e níveis de preparação física.

A caminhada está limitada a 100 participantes, com um custo de inscrição de oito euros.

O valor inclui seguro de acidentes pessoais e uma Meal Box composta por água, uma peça de fruta e massa.

A organização esclarece que a t-shirt oficial do evento está incluída apenas nas inscrições validadas até 11 de outubro de 2026.

As inscrições são efetuadas através da plataforma STOP and GO.

Sustentabilidade ambiental e segurança entre as prioridades

A organização da terceira edição do Granfondo Portimão prevê a implementação de medidas destinadas a reduzir a utilização de plástico e a sensibilizar os participantes para a preservação ambiental.

Entre as iniciativas previstas encontra-se a “Pegada Positiva”, que contempla a limpeza dos percursos antes e depois da passagem dos ciclistas.

O programa inclui também o “Ecossorteio”, uma ação destinada a incentivar a recolha e deposição adequada dos resíduos produzidos durante a competição.

No que respeita à segurança, está prevista uma operação logística que envolverá 140 elementos de apoio à organização, 80 elementos das forças de segurança e 12 bombeiros.

O dispositivo contará ainda com cinco ambulâncias e equipas médicas e de enfermagem, destinadas a acompanhar os participantes durante o evento.

Com a realização desta terceira edição, o Granfondo Portimão procura reforçar a presença do concelho no calendário dos eventos desportivos, promovendo simultaneamente o ciclismo, os hábitos de vida saudáveis e a valorização do território algarvio.

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CCDR Algarve apresenta soluções inovadoras com materiais tradicionais da região

27 October 2026 at 12:30

A utilização de materiais tradicionais do Algarve para desenvolver novos produtos destinados à arquitetura, ao design e à construção sustentável esteve em destaque na apresentação dos resultados do projeto Matéria Adentro, realizada a 22 de outubro, no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, em Faro. A iniciativa reuniu mais de 50 participantes e deu a conhecer propostas que procuram valorizar recursos naturais e saberes tradicionais da região.

Sob o tema “Matéria Adentro: Novos caminhos para os materiais do território”, a sessão apresentou os resultados de várias residências criativas, que envolveram artesãos, designers, arquitetos, investigadores e unidades produtivas na procura de novas aplicações para a cana, a casca de ostra, o barro e a taipa.

O encontro permitiu também discutir os desafios que se colocam à transformação destas experiências em produtos comercializáveis, nomeadamente ao nível da certificação, da integração no mercado e da utilização de recursos locais em projetos de construção sustentável.

Cana e casca de ostra estudadas para novas soluções de construção

Entre os resultados apresentados estiveram experiências que exploram a utilização da casca de ostra em diferentes misturas de materiais, incluindo taipa, cal e barro.

O trabalho foi apresentado por Graça Palma, da Proactivetur, que deu a conhecer as possibilidades de valorização deste recurso através da sua incorporação em novos produtos.

Na área da cana, Susana Carmo e Cláudia Martins apresentaram três propostas destinadas ao isolamento térmico, desenvolvidas através de um processo que incluiu investigação, experimentação, avaliação e aperfeiçoamento.

Estas soluções procuram explorar as características dos recursos disponíveis no território algarvio, associando a utilização de materiais tradicionais a novas aplicações técnicas.

As propostas resultaram de um processo de colaboração entre diferentes profissionais, procurando aproximar o conhecimento artesanal das necessidades atuais da arquitetura, do design e da construção.

Barro e taipa ganham novas aplicações no mobiliário urbano e na arquitetura

O projeto explorou igualmente novas possibilidades de utilização do barro, através de uma colaboração com os Telheiros de Santa Catarina.

Os resultados desta residência criativa foram apresentados por Fraukje Eline Vooijs e Alexandra Gonçalves, que destacaram o conhecimento associado à produção artesanal de barro e a sua aplicação em novos produtos.

Entre as propostas desenvolvidas encontram-se ladrilhos vidrados e não vidrados, elementos de telha e tijolo que permitem criar soluções modulares para a separação de espaços, bem como azulejos inspirados na esteva e na paisagem serrana.

Na área da taipa, Pedro Pereira apresentou um banco modular instalado no Jardim da Alameda, em Faro, demonstrando uma possível aplicação desta técnica tradicional de construção ao mobiliário urbano.

A experiência procura explorar novas utilizações da terra crua em espaços públicos, associando métodos construtivos tradicionais a soluções contemporâneas.

Certificação e comercialização são desafios para os novos produtos

A passagem das propostas experimentais para o mercado foi um dos principais temas debatidos durante a sessão.

A mesa-redonda “Caminhos Práticos para os Materiais do Território” reuniu Ana Lúcia Cruz, do CRIA da Universidade do Algarve, Paula Cayolla Trindade, da ESPAP, Teresa Correia, vice-presidente da CCDR Algarve para a área do Ambiente, e Fraukje Eline Vooijs, da Perto Arquitetura.

Durante o debate foram analisadas as dificuldades relacionadas com a certificação e a comercialização dos produtos, bem como as possibilidades de integração dos materiais locais nos procedimentos de contratação pública.

Os participantes discutiram ainda a necessidade de desenvolver cadeias de valor capazes de transformar resíduos em matérias-primas, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.

Ana Lúcia Cruz reconheceu o potencial das propostas apresentadas, mas salientou a necessidade de concretizar novas etapas antes da sua entrada no mercado.

Por sua vez, Fraukje Eline Vooijs destacou as possibilidades de desenvolvimento das quatro áreas de investigação, dando particular atenção às soluções criadas em colaboração com os telheiros, que já suscitaram interesse de potenciais clientes.

Projeto procura valorizar recursos e saberes tradicionais do Algarve

A sessão contou, na abertura, com intervenções do presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, da diretora da Unidade de Planeamento e Desenvolvimento Regional da CCDR Algarve, Lurdes Serpa Carvalho, do presidente do NERA, Vítor Neto, e de João Costa, em representação do Município de Faro.

O enquadramento do projeto e das residências criativas foi apresentado por Graça Palma, da Proactivetur, que explicou os objetivos, a metodologia de trabalho e as dificuldades encontradas durante o desenvolvimento das propostas.

O Matéria Adentro integra o “Programa de Desenvolvimento de Novos Produtos baseados em Materiais Endógenos Inspirados na Dieta Mediterrânica”, desenvolvido no âmbito do INOVA ALGARVE 3.0 – Promoção da Qualificação e Inovação na Região do Algarve.

A iniciativa é dinamizada pela Proactivetur e cofinanciada pelo Programa Regional Algarve 2030, tendo como principal objetivo estimular a criação de produtos a partir de recursos locais, promovendo a sua valorização económica e cultural.

Inspirado nos valores da Dieta Mediterrânica, o projeto procura estabelecer uma ligação entre o conhecimento tradicional, a inovação e os princípios da economia circular, contribuindo para a diversificação da economia regional e para a continuidade das atividades artesanais.

As residências criativas foram desenvolvidas a partir da identificação de recursos e agentes locais, envolvendo empresas, artesãos, designers, arquitetos e investigadores na experimentação de diferentes soluções.

Os resultados apresentados em Faro constituem uma base para o desenvolvimento futuro dos produtos, embora permaneçam desafios relacionados com a sua certificação, comercialização e adoção pelo mercado.

A continuidade da colaboração entre produtores, profissionais criativos, investigadores e entidades de apoio é apontada como essencial para transformar as propostas em soluções com aplicação prática, valorizando os recursos naturais e o património artesanal do Algarve.

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Operação da GNR em Moncarapacho leva à constituição de oito arguidos por tráfico de droga

27 October 2026 at 11:55

Oito homens, com idades entre os 17 e os 49 anos, foram constituídos arguidos pela GNR, na quinta-feira, 22 de outubro, em Moncarapacho, no concelho de Olhão, por suspeitas de auxílio ao tráfico internacional de droga e falsificação de documento. A operação resultou ainda na apreensão de uma viatura de matrícula espanhola e de vários equipamentos alegadamente associados à atividade ilícita.

A intervenção policial foi desencadeada após um alerta para a presença de vários indivíduos junto de uma viatura que transportava um bote insuflável. Em declarações à Agência Lusa, a tenente Marina Prazeres, comandante do Subdestacamento de Controlo Costeiro de Vila Real de Santo António, explicou que a informação recebida levou os militares a deslocarem-se ao local.

Durante a operação, os elementos da Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras (UCCF) identificaram inicialmente sete homens, tendo localizado um oitavo indivíduo escondido numa zona de mato, segundo esclareceu a responsável à Lusa.

Viatura procurada pelas autoridades espanholas entre o material apreendido

No decurso da ação, os militares apreenderam uma viatura ligeira de mercadorias com matrícula espanhola, dois recipientes portáteis com cerca de 25 litros de combustível cada, um bote insuflável desmontado, um motor de embarcação, um depósito de combustível e cinco telemóveis.

De acordo com o comunicado da GNR, a viatura utilizada pelos suspeitos encontrava-se sinalizada para apreensão pelas autoridades espanholas.

Os oito homens foram constituídos arguidos pela suspeita da prática dos crimes de auxílio ao tráfico internacional de droga e falsificação de documento.

GNR mantém vigilância para combater tráfico de droga por via marítima

A GNR sublinha que continua a desenvolver operações de vigilância e prevenção ao longo da costa portuguesa, com especial atenção às atividades relacionadas com a criminalidade transfronteiriça.

Estas ações têm como objetivo combater o tráfico internacional de estupefacientes e outras atividades ilícitas praticadas por via marítima.

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Hotéis do Algarve conquistam 11 prémios internacionais nos World Luxury Awards 2026

27 October 2026 at 11:40

O Algarve destacou-se na edição de 2026 dos World Luxury Awards, com a conquista de 11 prémios internacionais atribuídos a hotéis e espaços de bem-estar geridos pela Highgate Portugal, nas áreas da hotelaria de luxo, turismo de negócios, alojamento familiar, spa e wellness. No total, a empresa somou 19 distinções, mais duas do que na edição anterior.

Entre as unidades algarvias premiadas encontram-se o Algarve Marriott Salgados Golf Resort & Spa, o Marriott Residences Salgados Resort, Algarve, e o The Westin Salgados Beach Resort, Algarve, cada um com três distinções. O Wellness Hub Algarve recebeu os restantes dois prémios atribuídos aos espaços da região.

As distinções abrangem diferentes categorias e geografias, com reconhecimentos a nível nacional, europeu e do Sul da Europa, refletindo a diversidade da oferta turística das unidades geridas pela Highgate Portugal.

Resorts de Salgados conquistam nove prémios internacionais

O Algarve Marriott Salgados Golf Resort & Spa foi distinguido em três categorias relacionadas com o turismo de negócios e a organização de eventos.

A unidade recebeu os prémios de melhor hotel de luxo para conferências e eventos em Portugal, melhor hotel de luxo para MICE em Portugal e melhor hotel de luxo com centro de conferências no Sul da Europa.

Também com três distinções, o Marriott Residences Salgados Resort, Algarve, foi reconhecido nas categorias de melhores apartamentos contemporâneos de luxo com serviços na Europa, melhores residências de luxo na Europa e melhor resort familiar de luxo no Sul da Europa.

Por sua vez, o The Westin Salgados Beach Resort, Algarve, conquistou igualmente três prémios, desta vez relacionados com o bem-estar e a hotelaria de praia.

O empreendimento foi distinguido como melhor resort de wellness de luxo na Europa, melhor retiro de bem-estar de luxo em Portugal e melhor hotel de praia de luxo no Sul da Europa.

Os nove prémios atribuídos às três unidades de Salgados evidenciam o reconhecimento internacional de diferentes segmentos da oferta hoteleira, desde o turismo de negócios e os eventos até às experiências familiares, de praia e de bem-estar.

Wellness Hub Algarve distinguido em Portugal e no Sul da Europa

O reconhecimento internacional estendeu-se ao Wellness Hub Algarve, que recebeu dois prémios nos World Luxury Awards 2026.

O espaço foi distinguido como melhor resort de spa de luxo em Portugal e melhor centro de wellness de luxo no Sul da Europa.

Estas distinções reconhecem a oferta dedicada ao bem-estar, numa área que tem vindo a ganhar relevância no portefólio da Highgate Portugal.

Para Bruno Silvério, Head of Marketing da Highgate Portugal, os resultados alcançados refletem a estratégia de diversificação da oferta da empresa e o investimento em diferentes segmentos da hotelaria.

“Estas 19 distinções refletem a diversidade e a ambição do portefólio da Highgate Portugal, assim como a importância de desenvolver propostas diferenciadoras, capazes de responder às expectativas de diferentes públicos e mercados, com destaque a nossa marca Wellness Hub que em apenas um ano já reconhecida pelos nossos hóspedes e parceiros. É sem dúvida um reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver para afirmar Portugal como um destino de referência na hotelaria cinco estrelas, bem-estar e golfe”, afirma o responsável.

Lisboa, Sesimbra e Porto também recebem distinções

Além das unidades algarvias, os World Luxury Awards 2026 distinguiram outros espaços geridos pela Highgate Portugal em diferentes regiões do país.

Em Lisboa, o Palácio do Governador – Lisbon Hotel & Spa recebeu o prémio de melhor hotel boutique de design de luxo no Sul da Europa.

Já o Sesimbra Oceanfront Hotel foi reconhecido como melhor hotel de luxo em frente ao mar no Sul da Europa.

No norte do país, o Hilton Porto Gaia conquistou três distinções, nas categorias de melhor hotel de negócios de luxo, melhor hotel de luxo para conferências e eventos e melhor hotel MICE de luxo, todas referentes ao Sul da Europa.

Também integrado no Hilton Porto Gaia, o Cusco Bar recebeu três prémios internacionais, distinguindo-se nas categorias de melhor bar de luxo em restaurante na Europa, melhores vistas panorâmicas no Sul da Europa e melhor cozinha de fusão na Europa.

No conjunto, estas unidades somaram oito distinções, que, juntamente com os 11 prémios atribuídos aos espaços algarvios, perfazem os 19 reconhecimentos conquistados pela Highgate Portugal nesta edição.

World Luxury Awards distinguem diferentes áreas da hotelaria

Os World Luxury Awards distinguem hotéis, restaurantes e outros operadores do setor da hospitalidade em categorias relacionadas com a qualidade dos serviços, as experiências proporcionadas e a diversidade da oferta.

Os prémios são atribuídos em diferentes geografias, permitindo reconhecer unidades e conceitos turísticos tanto a nível nacional como internacional.

Na edição de 2026, a Highgate Portugal foi distinguida em áreas que incluem hotelaria de luxo, turismo de negócios, conferências e eventos, alojamento familiar, gastronomia, spa e bem-estar.

Com 11 das 19 distinções atribuídas às suas unidades no Algarve, a região assume particular destaque no conjunto de resultados alcançados pela empresa nos World Luxury Awards deste ano.

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Vila Real de Santo António recebe lançamento de livro sobre as fronteiras ibéricas e a Batalha do Guadiana

27 October 2026 at 11:20

A Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, recebe na próxima sexta-feira, 30 de outubro, às 18:00, a apresentação do livro “Fronteiras ibéricas em diálogo: discursos plurais sobre história, cooperação e globalização”, uma obra publicada pela Universidade de Sevilha que reúne estudos sobre diferentes dimensões das fronteiras ibéricas, incluindo um capítulo dedicado à Grande Batalha do Guadiana, ocorrida em 1801.

Com coordenação científica dos professores Pedro Albuquerque e Patrícia Monteiro, a publicação apresenta um conjunto de trabalhos que analisam a fronteira a partir de diferentes áreas do conhecimento, nomeadamente Filosofia, Geografia, História, Antropologia e História da Arte.

O Algarve está representado na obra através do contributo do historiador Fernando Pessanha, autor do capítulo “Considerações sobre o sistema defensivo de Vila Real de Santo António na Grande Batalha do Guadiana, de 1801”.

Historiador algarvio aborda episódio pouco conhecido da Guerra das Laranjas

A sessão de apresentação será conduzida pelo arqueólogo da Universidade de Sevilha Pedro de Albuquerque, responsável por uma abordagem geral ao conteúdo do livro, e pelo historiador Fernando Pessanha, da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.

Durante a iniciativa, Fernando Pessanha irá aprofundar a temática da Grande Batalha do Guadiana, ocorrida em 1801, no contexto da Guerra das Laranjas, um episódio da história luso-espanhola que o texto de divulgação da obra apresenta como praticamente inédito.

A escolha de Vila Real de Santo António para acolher o lançamento assume também um significado simbólico, tendo em conta a localização fronteiriça do concelho e a sua ligação histórica às relações entre Portugal e Espanha.

A publicação procura, assim, promover uma reflexão multidisciplinar sobre os territórios de fronteira, abordando questões relacionadas com a história, a cooperação e a globalização.

O lançamento está marcado para as 18:00 de sexta-feira, 30 de outubro, na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, e tem entrada livre.

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Atleta de Lagoa conquista duas medalhas no Campeonato do Mundo de Canoagem na Argentina

27 October 2026 at 11:00

A canoísta Liudmyla Babak, do Kayak Clube Castores do Arade, conquistou duas medalhas no Campeonato do Mundo de Maratona de Canoagem, disputado em Gualeguaychú, na Argentina, ao alcançar o segundo lugar na prova de curta distância e a terceira posição na competição de longa distância.

Com estes resultados, a atleta sagrou-se vice-campeã do mundo na prova de curta distância, acrescentando ainda uma medalha de bronze ao seu desempenho numa das principais competições internacionais da modalidade.

A dupla conquista mereceu uma manifestação pública de reconhecimento por parte do Município de Lagoa, que felicitou a canoísta e o Kayak Clube Castores do Arade pelos resultados alcançados.

Liudmyla Babak sobe duas vezes ao pódio mundial

A participação de Liudmyla Babak no Campeonato do Mundo de Maratona de Canoagem ficou marcada pela conquista de dois lugares de pódio em provas com diferentes distâncias.

Na competição de curta distância, a representante do Kayak Clube Castores do Arade terminou na segunda posição, garantindo a medalha de prata e o título de vice-campeã mundial.

Já na prova de longa distância, a atleta alcançou o terceiro lugar da classificação, conquistando a medalha de bronze e somando mais um resultado de destaque na competição disputada na Argentina.

As duas classificações representam um reconhecimento internacional do desempenho da canoísta e do trabalho desenvolvido no âmbito do clube algarvio.

Município de Lagoa felicita atleta e Kayak Clube Castores do Arade

Na sequência dos resultados alcançados, a Câmara Municipal de Lagoa manifestou publicamente o seu reconhecimento pelo desempenho de Liudmyla Babak, considerando as duas medalhas motivo de orgulho para o concelho.

A autarquia destacou o talento, a dedicação e o trabalho desenvolvido pela atleta e pelo Kayak Clube Castores do Arade, sublinhando o contributo destas conquistas para a projeção do desporto local a nível internacional.

O município fez ainda questão de reconhecer o papel dos treinadores, dirigentes e restantes elementos que acompanham e apoiam o percurso desportivo da canoísta.

Para a Câmara Municipal de Lagoa, os resultados alcançados no Campeonato do Mundo de Maratona de Canoagem demonstram a importância do trabalho realizado pelos atletas e pelas estruturas desportivas do concelho.

Com uma medalha de prata e outra de bronze conquistadas na Argentina, Liudmyla Babak acrescenta dois resultados internacionais ao seu percurso competitivo, levando o nome do Kayak Clube Castores do Arade e do concelho de Lagoa ao pódio mundial da modalidade.

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Portimão prepara 363.ª edição da Feira de São Martinho com diversões, gastronomia e preços especiais

27 October 2026 at 10:00

O Parque de Feiras e Exposições de Portimão volta a receber, entre 6 e 15 de novembro, a Feira de São Martinho, que celebra a sua 363.ª edição com diversões para diferentes idades, gastronomia tradicional, comércio e uma mostra automóvel. O programa inclui ainda dois dias temáticos, com preços especiais nos espaços aderentes, destinados aos jovens e às famílias.

Com origens que remontam a 1662, o certame é considerado um dos acontecimentos mais tradicionais da cidade, mantendo ao longo dos séculos a ligação ao comércio, à gastronomia e ao convívio popular.

A edição deste ano volta a reunir atrações que fazem parte da história da feira, desde os carrosséis e carrinhos de choque até às bancas de produtos tradicionais, procurando atrair visitantes de diferentes gerações.

Farturas, castanhas assadas e carrosséis regressam ao Parque de Feiras

A gastronomia volta a ocupar um lugar de destaque na Feira de São Martinho, com bares e tasquinhas onde os visitantes poderão encontrar farturas, pão com chouriço, castanhas assadas, frutos secos, batatas-doces e polvo assado, entre outros petiscos.

Para os mais novos, não faltarão opções como algodão-doce, gomas e pipocas, numa oferta que acompanha as diversões instaladas no recinto.

O comércio tradicional também estará representado, com bancas dedicadas à venda de artigos para o lar, incluindo alguidares, atoalhados e utensílios de cozinha, além de vestuário e calçado.

Na zona central do Parque de Feiras e Exposições, os visitantes encontrarão os habituais equipamentos de diversão, com destaque para os carrinhos de choque e os carrosséis adaptados a diferentes faixas etárias.

Dia da Juventude e Dia da Família terão preços especiais

À semelhança de anos anteriores, a organização volta a promover duas datas temáticas, durante as quais os espaços aderentes disponibilizarão preços especiais.

O primeiro momento está marcado para 11 de novembro, Dia da Juventude, com condições destinadas às crianças e aos jovens.

Já o último dia da feira, 15 de novembro, será dedicado às famílias, que poderão beneficiar das condições especiais previstas pelos operadores aderentes.

Mostra automóvel apresenta veículos novos e usados no Portimão Arena

A programação inclui também uma exposição de marcas automóveis, com veículos novos e usados, instalada no Portimão Arena.

A mostra poderá ser visitada em diferentes horários ao longo do certame: dias 6 e 7 de novembro, das 16:00 às 24:00; 8 a 12 de novembro, das 16:00 às 23:00; 13 e 14 de novembro, das 16:00 às 24:00 e 15 de novembro, das 16:00 às 22:00.

A exposição complementa a oferta comercial e recreativa da Feira de São Martinho, proporcionando aos visitantes a possibilidade de conhecer diferentes marcas e modelos de automóveis.

Feira de São Martinho terá horários alargados até à 01:00

A 363.ª edição da Feira de São Martinho funcionará com horários distintos ao longo dos dez dias de realização.

No dia de abertura, 6 de novembro, o recinto estará aberto entre as 16:00 e a 01:00. No dia seguinte, 7 de novembro, poderá ser visitado das 10:00 à 01:00.

Entre 8 e 12 de novembro, a feira funcionará das 10:00 às 24:00, enquanto nos dias 13 e 14 voltará a prolongar-se até à 01:00, abrindo às 10:00.

No último dia, 15 de novembro, o certame estará aberto entre as 10:00 e as 24:00.

Acessos ao recinto e transportes públicos

Durante o período de funcionamento da feira, a entrada sul do Parque de Feiras e Exposições, através da ligação à zona ribeirinha de Portimão, junto à ponte ferroviária, estará acessível aos visitantes.

Nesta zona existem também diversos espaços de estacionamento para quem se deslocar de automóvel.

A entrada norte continuará a permitir o acesso ao recinto a partir do Largo Gil Eanes e da zona das Cardosas.

Os visitantes poderão igualmente utilizar os transportes urbanos Vai e Vem, que dispõem de paragens nas Cardosas, no Parque de Feiras e Exposições e no Largo do Dique.

Os horários e restantes informações sobre a rede de transportes podem ser consultados aqui.

Montagem da feira condiciona passagem de peões e ciclistas

A realização do evento implicará alterações temporárias à circulação de peões e ciclistas no Parque de Feiras e Exposições, particularmente na ligação pedonal e ciclável à zona ribeirinha da cidade.

Devido aos trabalhos de montagem das estruturas, a passagem habitual ficará interditada entre 28 de outubro e 6 de novembro.

Após o encerramento do certame, a circulação voltará a estar condicionada entre 16 e 19 de novembro, período destinado à desmontagem dos equipamentos.

Durante os dias da feira, os condicionamentos de circulação acompanharão os horários de funcionamento do recinto.

No dia 6 de novembro, aplicar-se-ão entre as 16:00 e a 01:00. Nos dias 7, 13 e 14, decorrerão das 10:00 à 01:00, enquanto de 8 a 12 de novembro e no dia 15 estarão em vigor das 10:00 às 24:00.

Mercado mensal e Feira das Velharias sofrem alterações

A realização da Feira de São Martinho terá também consequências no calendário habitual dos mercados de Portimão.

O mercado mensal não se realizará em novembro, regressando apenas no dia 7 de dezembro.

Também a tradicional Feira das Velharias ficará suspensa durante o mês de novembro, estando previsto o seu regresso nos dias 6 e 20 de dezembro.

Com dez dias de programação, a Feira de São Martinho regressa ao Parque de Feiras e Exposições de Portimão, mantendo uma tradição com mais de três séculos e meio de história, marcada pelo comércio popular, pela gastronomia e pelas diversões.

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Jovem patinador de Albufeira conquista terceiro lugar na Taça da Europa de Patinagem Artística

27 October 2026 at 09:10

O atleta Luan Andrade, do Clube de Patinagem de Albufeira, conquistou a medalha de bronze na Taça da Europa de Patinagem Artística, na especialidade de Solo Dance, disputada no dia 23 de outubro, em Stade, na Alemanha. O patinador algarvio terminou a competição na terceira posição, entre dez participantes, naquela que foi a sua estreia nesta prova e especialidade.

Depois de ter participado no Campeonato da Europa, na especialidade de Patinagem Livre, Luan Andrade voltou a competir a nível internacional, desta vez em Solo Dance, alcançando um lugar no pódio logo na primeira participação.

O Clube de Patinagem de Albufeira destaca o desempenho do atleta e atribui o resultado ao trabalho desenvolvido em conjunto com a equipa técnica, constituída pelos treinadores Daniel Fonseca e Miguel Mangas.

Estreia internacional em Solo Dance termina com lugar no pódio

A participação na Taça da Europa representou um novo desafio no percurso desportivo de Luan Andrade, que já tinha experiência internacional na especialidade de Patinagem Livre.

Em Stade, o patinador do clube algarvio conseguiu alcançar o terceiro lugar entre os dez atletas participantes, garantindo uma medalha de bronze na sua estreia em Solo Dance nesta competição.

Para o Clube de Patinagem de Albufeira, a classificação alcançada constitui um reconhecimento do empenho do atleta e do acompanhamento técnico desenvolvido por Daniel Fonseca e Miguel Mangas.

A prestação na Alemanha acrescenta, assim, mais um resultado internacional ao percurso desportivo de Luan Andrade, desta vez numa especialidade diferente daquela em que tinha participado anteriormente no Campeonato da Europa.

Clube de Patinagem de Albufeira destaca percurso desde 2017

Fundado em 2017, o Clube de Patinagem de Albufeira tem vindo a participar em competições de diferentes níveis, alcançando resultados regionais, nacionais e internacionais.

Na avaliação da coletividade, o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos tem contribuído para a afirmação da patinagem artística no Algarve, através da preparação de atletas e da participação em provas competitivas.

A medalha de bronze conquistada por Luan Andrade na Taça da Europa, na Alemanha, representa mais um resultado de destaque para o clube, que considera esta classificação um reflexo do trabalho realizado pelo patinador e pela respetiva equipa técnica.

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Uns armam barraca, outros armam tendas (ou da arte nacional de distinguir entre o cidadão incómodo e o adepto estimável) | Por José Figueiredo Santos

27 October 2026 at 08:46

Tenho andado esquisito, a puxar pela cabeça que nem um perdido. É uma ocupação fatigante, esta de pensar num país onde o espaço público, sendo teoricamente de todos, parece adquirir proprietários diferentes conforme a natureza dos gritos que nele se soltam.

Com efeito, dizem-nos que não é aceitável ocupar a rua, perturbar o trânsito, dificultar a circulação dos cidadãos e instalar tendas em praças públicas. A cidade, coitada, tem de funcionar. Os automóveis precisam de circular, os autocarros de passar, os comerciantes de vender, os moradores de dormir e a autoridade de conservar aquela aparência de ordem que tanto tranquiliza quem manda.

Tudo isto me parece razoável. O mistério começa quando se observa que a razoabilidade, entre nós, possui uma admirável elasticidade.

Porque, se um grupo de cidadãos, apoquentados com o preço das casas e com a impossibilidade, cada vez mais filosófica do que material, de encontrar um teto, decide instalar-se numa praça para lembrar ao país que há gente sem casa e casas sem gente, logo se descobre que a cidade está a ser violentada. Surgem os regulamentos, os pareceres, as preocupações sanitárias, os incómodos para a circulação e a indispensável pergunta acerca da legitimidade daquela presença. A tenda adquire então uma natureza quase subversiva: constitui-se como um objeto de campismo com perigosas inclinações político-partidárias.

O cidadão que ali se deita não está propriamente a descansar. Está a desafiar a ordem.

Mas experimentemos outra experiência, que não exige grandes laboratórios nem verbas públicas. Ponha-se um estádio ao fundo da avenida, vista-se uma multidão com as cores de um clube e espere-se pelo apito final. Se a vitória acontecer, a cidade pode preparar-se para uma transformação urbanística de emergência. As ruas fecham-se, o trânsito desaparece em desvios sucessivos, os transportes públicos alteram os seus percursos e as praças, até há pouco destinadas à circulação e ao descanso, convertem-se em extensões sentimentais do relvado.

Há buzinas, saltos, cânticos, garrafas, abraços e, por vezes, uma exuberância física que faria corar de vergonha qualquer reunião de condomínio. A polícia organiza corredores, estabelece perímetros, acompanha os cortejos e protege os protagonistas de uma emoção que, embora respeitável, nem sempre se distingue pela delicadeza dos seus modos.

E a cidade, que antes não podia suportar uma tenda, descobre subitamente as virtudes da tolerância.

O trânsito interrompido já não é uma agressão ao direito de circular: é uma medida de segurança. A praça ocupada já não é uma apropriação abusiva do espaço comum: é o cenário natural da alegria coletiva. A multidão que impede a passagem deixa de ser um problema de ordenamento e passa a ser um fenómeno sociológico, digno de um estudo profundo, uma ilimitada compreensão e, se a ocasião o justificar, transmissão televisiva.

Temos, portanto, duas multidões, duas ocupações do espaço público e dois vocabulários administrativos díspares.

Numa, o cidadão protesta porque não consegue pagar uma renda de casa. Noutra, o adepto festeja porque a sua equipa conseguiu marcar mais um golo do que a adversária. O primeiro recorda uma dificuldade social; o segundo celebra uma vitória desportiva. Ambos ocupam a rua. Ambos podem dificultar a vida de terceiros. Ambos merecem que se ponderem os direitos em presença, a segurança, a circulação e a proporcionalidade das medidas adotadas.

Todavia, entre a tenda do primeiro e o cachecol do segundo parece abrir-se um abismo que está longe de ser geográfico. É cultural, político e, sobretudo, administrativo.

A autoridade, que possui uma sensibilidade quase clínica para os nefastos inconvenientes do protesto, manifesta uma surpreendente capacidade de adaptação perante os inconvenientes do festejo. Não se trata de uma conspiração, nem é preciso imaginar reuniões secretas em gabinetes sombrios. A vida pública é frequentemente governada por mecanismos mais simples e mais eficazes: aquilo que a sociedade considera normal tende a receber compreensão; aquilo que a incomoda ou questiona tende a receber rígida fiscalização.

E, claro está, o futebol, entre nós, beneficia de uma antiga intimidade com a normalidade. Tem hinos, bandeiras, heróis, mártires, rituais e uma linguagem de pertença que atravessa classes sociais e partidos políticos. É uma religião sem obrigação de crença divina, embora gloriosa, mas com calendário, sacerdotes televisivos e uma quantidade apreciável de pecados cometidos em nome da paixão.

A política, pelo contrário, é uma visita menos aprazível. Traz reivindicações, perguntas, números, exigências e, sobretudo, a inconveniência de recordar aos governantes que o mandato não é uma escritura de propriedade sobre o país. O manifestante não quer apenas celebrar alguma coisa; quer, frequentemente, que alguma coisa mude. E a mudança, como se sabe, é uma hóspede que chega sem pedir licença e ainda tem o desplante de perguntar pelo jantar.

Não admira, pois, que o adepto desperte simpatia onde o manifestante desperta suspeita. O primeiro oferece à cidade um espetáculo de emoção reconhecível. O segundo oferece-lhe uma conta por pagar.

Há, naturalmente, diferenças que não devem ser apagadas. Uma manifestação política pode ser organizada, comunicada e pacífica; uma celebração desportiva pode ser espontânea, ordeira e perfeitamente legítima. Também pode acontecer o inverso. Há claques que se comportam com civismo e protestos em que se verificam atos de violência. O problema não está em exigir regras, mas em saber se as regras são aplicadas com o mesmo rigor, independentemente da cor da camisola, da bandeira ou da causa.

Porque, se os danos no mobiliário urbano justificam a intervenção num caso, devem justificá-la no outro. Se o corte de uma avenida é admissível por razões de segurança numa celebração desportiva, importa explicar por que razão a interrupção temporária de uma via, numa manifestação pacífica, há de ser tratada como uma afronta intolerável. E, se a proteção dos direitos dos residentes e dos comerciantes é um dever do Estado, não pode esse dever ser convocado apenas quando os ocupantes da rua dizem coisas desagradáveis para quem governa.

É aqui que a questão se torna menos desportiva e mais política.

Vivemos num tempo em que a deslocação do discurso público para a direita se faz sentir não apenas nos programas partidários, mas também na linguagem com que se descrevem os conflitos sociais. A ordem torna-se um argumento absoluto; o protesto, uma suspeita; a reivindicação, uma exigência excessiva. A discussão sobre a habitação corre então o risco de deixar de ser uma discussão sobre rendimentos, preços, políticas públicas e direitos para se transformar numa argumentação sobre o incómodo causado por quem denuncia o problema.

É uma operação retórica de grande alcance económico: em vez de se perguntar por que motivo há pessoas que não conseguem habitar a cidade, pergunta-se por que motivo essas pessoas insistem em aparecer na cidade.

A miséria, desde que discreta, não perturba o trânsito. A pobreza, desde que não monte tenda, não exige policiamento. E a injustiça social, desde que se conserve longe das câmaras, pode até ser considerada uma forma aceitável de paisagem urbana.

Já o futebol tem a vantagem de oferecer ao país uma catarse semanal. Os cidadãos podem gritar, ocupar as praças e perder a compostura por tempo incerto, desde que, no final, regressem a casa com a sensação de que alguma coisa importante aconteceu. A política tem o defeito de não terminar aos noventa minutos. Às vezes, continua à segunda-feira, diante de um ministério, de uma câmara municipal ou de uma porta que ninguém parece disposto a abrir.

Eis a diferença fundamental: o festejo permite que a ordem se interrompa sem que a ordem seja posta em causa; o protesto interrompe a ordem precisamente para questionar a quem serve essa ordem.

Talvez por isso o Estado consiga olhar com benevolência para milhares de pessoas que bloqueiam uma avenida em nome de um campeonato e com inquietação para algumas dezenas que ocupam uma praça em nome de um direito. Não porque a primeira multidão seja mais civilizada, mas porque a sua presença não exige, em princípio, uma resposta política. A vitória de um clube não obriga o Governo a rever uma lei, nem o presidente da câmara a explicar a falta de habitação acessível. Uma tenda, pelo contrário, é um objeto pequeno, mas contém um enorme poder simbólico.

E as indagações, como se sabe, são muito mais difíceis de remover do que as tendas.

No fim, talvez seja necessário rever a nossa conceção do espaço público. A rua não é propriedade dos automobilistas, assim como a praça não pertence em exclusivo aos adeptos, aos comerciantes, aos manifestantes ou às autoridades. É o lugar onde a sociedade se encontra, se exprime, se contradiz e, por vezes, se torna incómoda. O Estado existe, entre outras razões, para arbitrar essa convivência, não para decidir que emoções merecem uma escolta policial e que indignações merecem um auto de ocorrência.

Não se exige que o Estado goste de todas as manifestações. Exige-se apenas que não confunda o seu gosto com a lei, nem a sua conveniência com o interesse público.

Porque, se o princípio é que ninguém pode apropriar-se abusivamente da rua, a regra deve valer para todos. E, se há circunstâncias em que a ocupação temporária do espaço público é legítima, essa legitimidade não pode depender da quantidade de golos marcados, da popularidade da camisola ou do desconforto político causado pelas palavras de ordem.

De resto, a pergunta que me tem consumido estas horas de meditação é bastante simples: por que razão há de ser mais tolerável uma multidão que exige a consagração de uma vitória do que uma multidão que exige condições para viver?

Talvez a resposta esteja no velho princípio de que cada povo tem as suas prioridades. Ou talvez esteja na circunstância, bem mais prosaica, de que o futebol proporciona excelentes fotografias de multidões felizes, enquanto a crise da habitação produz imagens que ninguém deseja colocar no postal ilustrado da nação.

E assim continuamos, com a nossa notável capacidade de administrar os incómodos: para uns, barreiras, desvios e tolerância festiva; para outros, regulamentos, notificações e uma explicação muito séria sobre a necessidade de manter a circulação desimpedida.

Uns armam barraca. Outros armam tendas.

E o Estado, que devia garantir a todos o direito de passar, de ficar e de se fazer ouvir, reserva a sua maior habilidade para decidir quem pode ocupar a rua sem perturbar a ordem — e quem, apenas por ali estar, já se tornou uma perturbação.

É uma arte antiga, esta de confundir a paz pública com o silêncio dos descontentes. E, como quase todas as artes nacionais, pratica-se com grande solenidade, abundante papelada e a convicção reconfortante de que, enquanto houver alguém a protestar na praça, o problema estará, pelo menos, no sítio certo.

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Mundial de Vela traz 450 jovens atletas a Vilamoura em dezembro

27 October 2026 at 08:28

Vilamoura vai receber, entre 11 e 19 de dezembro, cerca de 450 atletas provenientes de 72 países para disputar o Campeonato do Mundo de Juventude de Vela, uma competição internacional considerada uma “rampa de lançamento” para jovens velejadores que ambicionam chegar aos Jogos Olímpicos.

A apresentação oficial da prova decorreu esta segunda-feira, durante uma conferência de imprensa em que Nuno Reis, diretor executivo do Vilamoura Sailing, entidade responsável pela organização, destacou a importância de a localidade algarvia acolher o campeonato pela “segunda vez consecutiva”.

Em declarações à Agência Lusa, Nuno Reis explicou que a competição será disputada em seis classes – 29er, ILCA 6, Nacra 15, 420, IQFoil e Formula Kite -, reunindo jovens promessas da vela mundial numa edição que estabelece um novo recorde de países participantes.

Vilamoura bate recorde de países participantes no Mundial de Vela

“O evento do ano passado já tinha batido o recorde de participantes, com 69 países, e este ano elevámos para 72. É difícil crescer neste contexto porque não há muito mais países a andar à vela, mas a verdade é que conseguimos”, disse.

Em Vilamoura, estarão representados jovens velejadores de Portugal, Espanha, França, Itália, mas também de países mais distantes como o Siri Lanka, Porto Rico, as Bahamas ou Trindade e Tobago.

“No caso de Marrocos, por exemplo, convidámos, no ano passado, um atleta e, este ano, já vêm três. Tem havido um crescimento e acreditamos que isso atesta a nossa qualidade”, considerou Nuno Reis.

Desde que foi criado em 2016, o Vilamoura Sailing, “atualmente o maior centro de vela ligeira do mundo”, já recebeu vários atletas olímpicos, como Odile van Aanholt, neerlandesa que conquistou o ouro, em Paris2024, na classe 49erFX.

“Tornámo-nos a referência na vela olímpica e pré-olímpica. Estes Mundiais juniores são importantes também para o processo de renovação de atletas que passam a conhecer o espaço”, concluiu Nuno Reis.

O Campeonato do Mundo de Juventude de Vela estima-se que tenha que um impacto económico na região de cerca de 3,5 milhões de euros, gerando perto de 12 mil dormidas.

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