❌

Normal view

O que vão Fernando Alexandre, os outros governantes e os reguladores ensinar aos alunos?

30 October 2026 at 09:01
Ministério da Educação

O palco hoje não é o Parlamento, mas o anfiteatro. São 9h00 do dia 30 de Outubro. À sua frente, Fernando Alexandre tem perto de duas centenas e meia de estudantes do Ensino Secundário, na Escola Secundária Dr. José Macedo Fragateiro, em Ovar.

Diante de olhos espevitados pela curiosidade, o homem que gere os destinos da Educação, Ciência e Inovação do país reencontra-se com a sua vocação mais pura: professor. Vai dar uma aula de Literacia Financeira, com o foco no tema da Poupança.

De acordo com as metas de aprendizagem estipuladas para o Secundário, os alunos que Fernando Alexandre tem diante de si deverão ser capazes de comparar diferentes produtos financeiros e o risco que lhes está associado. É com base nesta meta que se preparou.

Cláudia Sarrico, secretária de Estado do Ensino Superior, também estudou a lição. Não menos exigente. Os alunos do 3º Ciclo devem reconhecer que a aplicação de poupanças em instrumentos financeiros diversificados pode diminuir o risco associado ao investimento e manifestar comportamentos de proteção em relação a situações de fraude financeira e digital (abordada parcialmente). E a professora universitária emprestada ao Governo tem à sua frente cerca de 100 alunos do 3. Ciclo do Ensino Básico da  Escola Secundária Miguel Torga, em Queluz.

A iniciativa “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro” foi criada em 2025 pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, em parceria com o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões (ASF). Hoje volta a mobilizar centenas de estudantes e docentes do ensino superior das áreas de Economia, Gestão, Finanças e Contabilidade, governantes e representantes das entidades de supervisão financeira.

As aulas são em todos os ciclo de estudo e todos eles têm naturalmente metas de aprendizagem. No 1º Ciclo trata-se de compreender a importância da poupança e os seus objetivos; reconhecer a importância da tomada de decisão e a necessidade de fazer escolhas que impliquem ganhos ou perdas (abordada parcialmente) e distinguir necessidades de desejos e rendimentos de despesas (abordada parcialmente).

No 2º Ciclo, as metas apontam ao seguinte: Compreender formas de aplicação e de remuneração da poupança e reconhecer a importância do planeamento, a médio e a longo prazo, da poupança e dos investimentos. (abordada parcialmente).

Foi com base nas metas estabelecidas que os governantes e os administradores do Banco de Portugal, CMVM e ASF prepararam as aulas que dão neste momento ou logo à tarde.  

José Maria Brandão de Brito, secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, está esta manhã na Escola Secundária da Cidadela, em Cascais, e Cláudia Reis, dos Assuntos Fiscais, na Escola Secundária de Montemor o Novo.

Álvaro Santos Pereira, que durante anos ensinou as disciplinas de Desenvolvimento Económico e Política Económica na Simon Fraser University em Vancouver, no Canadá, regressa à profissão e aos bancos da escola, viajando, de tarde, do Banco de Portugal até à Escola Secundária Diogo de Gouveia, em Beja.

Na Escola Secundária Rainha D. Leonor, em Lisboa, o professor de Literacia Financeira chama-se Rui Baleiras e é vice-presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) e o presidente, Gabriel Bernardino vai à Escola Básica e Secundária do Cadaval.

Também o presidente e a vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) vestem a pele de professor por um dia. Luís Laginha de Sousa na Escola Secundária da Baixa da Banheira, na Moita, e Inês Drumond na Escola EB 2,3 de Alcanede, em Santarém.

Elevar os níveis de literacia financeira dos alunos é uma prioridade dos atuais inquilinos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, que tornou esta dimensão obrigatória em todos os anos de escolaridade da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

O trabalho iniciado no Dia Mundial da Poupança de 2025 continuou pelo ano letivo, sendo alargado a outras áreas da Literacia Financeira e Empreendedorismo.

Segundo o MECI, além dos conteúdos dedicados à poupança, foram preparados e validados recursos sobre Orçamento Familiar e Fiscalidade, em parceria com a Autoridade Tributária e sobre Sistemas e Produtos Financeiros assim como Ser Empreendedor, em parceria com a associação Junior Achievement.

PS pede explicações ao governador do BdP sobre nova sede e acusa-o de opacidade

29 October 2026 at 18:05

O PS pediu, esta quinta-feira, explicações ao governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, sobre as alterações ao contrato da nova sede, considerando que está solução “é pior, opaca, sem informação e não rigorosa”.

O Banco de Portugal (BdP) informou, esta quinta-feira, que alterou o contrato-promessa da compra da nova sede em Entrecampos, Lisboa, para ficar apenas com um edifício, em vez de dois, apontando uma redução do investimento em 35 milhões de euros, para 225 milhões.

“Passámos da transparência [de Mário Centeno] para a opacidade. O que o governador do Banco de Portugal apresentou hoje é um comunicado em que nós não conhecemos os projetos, as negociações, se houve auditoria àqueles projetos, para perceber se os projetos estavam todos adequados e salvaguardavam o interesse do Banco de Portugal, o interesse público”, criticou, em declarações aos jornalistas, o deputado do PS, Carlos Pereira.

Na perspetiva do socialista, esta solução “é pior” e, “mais grave do que isso, é opaca, não tem informação, não é transparente, não é rigorosa sequer”.

“E isso preocupa-nos significativamente. E quero também dizer que é muito importante perceber o que pensa o Conselho de Administração sobre esta matéria”, disse ainda.

Carlos Pereira referiu que o Conselho de Administração é o mesmo e, quando o antigo governador Mário Centeno apresentou a sua solução, “havia um consenso” entre os administradores.

“Ora, estamos a falar de uma solução completamente diferente, que custa mais por metro quadrado, que não reúne todos os serviços do mesmo espaço e é preciso perceber o que pensa, de facto, o Conselho de Administração”, defendeu.

Considerando que Álvaro Santos Pereira “terá que explicar tudo isto nos próximos tempos”, o deputado do PS disse que o partido admite vir a pedir uma audição parlamentar caso estas explicações não surjam até ao final do processo orçamental, período durante o qual outros trabalhos no Parlamento estão suspensos.

“O Governador do Banco de Portugal foi muito célebre a fazer acusações ao anterior Governador e está há 3 meses para responder à Assembleia da República a um pedido que foi feito pelo Grupo Parlamentar do PS a 11 de julho”, criticou, exigindo que toda essa documentação seja enviada.

Para Carlos Pereira, o comunicado de hoje “é quase uma manhosice” porque “conclui que aquela obra fica 35 milhões de euros mais barata”, o que diz ser “outra mentira”.

“Tínhamos uma sede com 27 mil metros quadrados e agora uma sede com menos cinco mil metros quadrados. Estamos a comprar por metro quadrado um valor bastante superior. Se fizermos uma comparação ao preço que Mário Centeno queria comprar a sede anterior com a dimensão que Álvaro Santos Pereira quer comprar esta, estamos a falar de mais cinco milhões de euros”, comparou.

O deputado do PS começou a conferência de imprensa com uma provocação, remetendo para um episódio do tempo em que Álvaro Santos Pereira era ministro da Economia: “O Banco de Portugal não é propriamente uma loja de pastéis de nata”.

Segundo o comunicado, a alteração ao contrato foi assinada esta semana entre o BdP e a Fidelidade, promotora da construção das futuras instalações, através de um aditamento ao contrato-promessa de compra e venda celebrado em 2025.

Com a mudança, o valor da compra do edifício baixa de 191,99 milhões de euros para 165,09 milhões e o montante global do investimento estimado, que inclui o mobiliário e capacitação técnica para o espaço entrar em funcionamento, será de 225 milhões de euros, menos 35 milhões do que o projetado na versão inicial (260 milhões de euros).

O contrato promessa inicial previa a compra de dois edifícios separados, unidos por um túnel (os chamados edifícios A3 e A2).

A alteração ao contrato prevê uma troca de edifícios, para uma única torre do mesmo empreendimento (o edifício A1), estando previsto um auditório localizado separadamente, no edifício A3.

❌