❌

Normal view

Eleição em Israel: o que acontece após Netanyahu não conseguir maioria

30 October 2026 at 07:40

A coalizão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não conseguiu conquistar a maioria das cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense, nas eleições gerais do país.

O bloco formado por partidos de direita e ultraortodoxos obteve 53 dos 120 assentos, oito a menos que os 61 necessários para governar.

Apesar de ter liderado a disputa individualmente, o Likud, partido de Netanyahu, conquistou 27 cadeiras e não conseguiu reunir apoio parlamentar suficiente para garantir a continuidade do governo.

Os resultados finais foram divulgados pela Comissão Central de Eleições de Israel.

O Yashar, do ex-chefe militar Gadi Eisenkot, principal adversário do premiê, ficou em segundo lugar, com 21 assentos. O Juntos, do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, conquistou 12 cadeiras, enquanto a Lista Conjunta, formada por partidos árabes, ficou com 11.

Os Democratas e o Ra’am terão oito representantes cada. Yisrael Beiteinu, Otzma Yehudit e Judaísmo Unido da Torá conquistaram sete cadeiras cada. Já Shas e Sionismo Religioso ficaram com seis assentos cada.

Ao todo, 11 listas de candidatos superaram a cláusula de barreira, de 3,25% dos votos, e terão representantes no Parlamento. O comparecimento às urnas foi de 77,9%, segundo a Comissão Central de Eleições.

Os próximos passos para a formação do governo

As eleições terminaram sem que nenhum dos principais blocos conquistasse a maioria necessária para governar. Com isso, o resultado abre uma nova etapa de negociações políticas, nas quais partidos menores poderão desempenhar um papel decisivo.

Após a certificação dos resultados, o processo de formação do governo passa para o presidente de Israel, Isaac Herzog.

Herzog deve realizar uma rodada de consultas em Jerusalém, durante a qual cada partido eleito poderá recomendar um nome para o cargo de primeiro-ministro.

Com base nas recomendações, o presidente encarregará um dos candidatos de tentar formar um governo. A escolha não precisa recair necessariamente sobre o líder do partido que conquistou mais cadeiras, mas sobre aquele que, na avaliação do presidente, apresentar melhores condições de reunir apoio parlamentar suficiente.

O candidato designado terá 28 dias para negociar a formação de uma coalizão. O prazo poderá ser prorrogado por mais 14 dias.

Durante esse período, as legendas negociarão a distribuição de cargos ministeriais, prioridades orçamentárias e compromissos políticos para a composição do novo governo.

Caso o primeiro candidato não consiga formar uma coalizão, Herzog poderá encarregar outro parlamentar da tarefa. A segunda tentativa também terá um prazo de quatro semanas.

Se as negociações fracassarem novamente, o Parlamento terá um período para apresentar outro nome. Caso não consiga, Israel poderá ser convocado a realizar novas eleições.

Governo de união

Diante do impasse, uma das possibilidades seria a formação de um governo de união nacional, reunindo os dois maiores partidos, o Likud e o Yashar.

Herzog poderá tentar aproximar Netanyahu e Eisenkot para viabilizar um acordo entre as duas forças políticas. No entanto, a possibilidade enfrenta obstáculos.

Eisenkot já descartou integrar um governo liderado pelo atual primeiro-ministro. Além disso, Netanyahu tem um histórico de rompimentos de acordos políticos com antigos parceiros de governo, o que pode dificultar a construção de um entendimento.

Sem uma maioria definida, as negociações entre os partidos serão determinantes para estabelecer quem comandará o próximo governo israelense.

(Com informações de Tal Shalev, da CNN e Maayan Lubell, da Reuters)

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

 

Israel: oposición busca alianzas tras elecciones en que ningún partido logró mayoría 

30 October 2026 at 03:04
El bloque Benjamín Netanyahu alcanzó 53 escaños frente a los 48 de la oposición y los 19 de las fuerzas árabes. Sin que ningún sector logre la mayoría absoluta de 61 escaños en la Knéset, se abren complejas negociaciones para destrabar la gobernabilidad en Israel.

No Clear Winner in Israel Election, Final Results Show

Prime Minister Benjamin Netanyahu’s party and its allies won 53 seats in Parliament, falling short of the outright majority needed to form a government. The main opposition bloc, led by Gadi Eisenkot, won 48.

© Alexi J. Rosenfeld/Getty Images

Eleição de Israel: Veja resultado final e como Parlamento será dividido

29 October 2026 at 22:53

O Comitê Central de Eleições de Israel divulgou nesta quinta-feira (29) o resultado final da votação para o Parlamento do país. Ele ainda será certificado em 4 de novembro e está sujeito a “pequenas alterações”, segundo as autoridades.

O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, continua sendo a maior legenda no Parlamento, tendo conquistado 27 cadeiras. O Yashar, de Gadi Eisenkot, principal rival do primeiro-ministro, ficará com 21.

O bloco do premiê conquistou um total de 53 cadeiras, mas ficou aquém de assegurar a maioria, que seria de 61 cadeiras — o Knesset tem, ao todo, 120 lugares.

Por sua vez, a oposição também falhou na tentativa de conquistar maioria: o bloco assegurou 48 assentos.

Os partidos árabes, agrupados na Lista Conjunta e no Ra’am, conseguiram um resultado expressivo, com 19 cadeiras. Assim, podem ser importantes para as alianças de formação de novo governo.

Veja como ficará a distribuição do Parlamento de Israel:

  • Likud: 27 cadeiras
  • Yashar!: 21 cadeiras
  • B’Yachad: 12 cadeiras
  • Lista Conjunta: 11 cadeiras
  • Os Democratas: 8 cadeiras
  • Ra’am: 8 cadeiras
  • Yisrael Beiteinu: 7 cadeiras
  • Otzma Yehudit: 7 cadeiras
  • Yahadut HaTorah: 7 cadeiras
  • Shas: 6 cadeiras
  • Religious Zionism: 6 cadeiras

Ao todo, 5.716.665 votos foram contabilizados. Destes, 5.690.778 foram considerados válidos, enquanto 25.887 votos foram invalidados.

O comparecimento de eleitores às urnas foi o mais alto em décadas, com 77,9%.

Veja o número de votos por partido

  • Likud, partido de Netanyahu, lidera com 1.167.458 votos válidos (20,52%)

  • Yashar, partido de Gadi Eisenkot, com 913.502 votos (16,05%)

  • Juntos, partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, com 531.414 votos (9,34%)

  • Lista Conjunta, aliança de partidos árabes, com 500.147 votos (8,79%)

  • Os Democratas, partido liderado por Yair Golan, com 366.352 votos (6,44%)

  • Yisrael Beytenu, de Avigdor Lieberman, com 337.413 votos (5,93%)
  • Ra’am (Lista Árabe Unida), com 337.253 votos (5,93%)
  • Otzma Yehudit, partido de Itamar Ben-Gvir, com 326.624 votos (5,74%)

  • Judaísmo Unido da Torá, com 312.604 votos (5,49%)

  • Shas, partido religioso sefardita, com 299.506 votos (5,26%)

  • Sionismo Religioso, de Bezalel Smotrich, e Zehut, de Moshe Feiglin, com 290.451 votos (5,10%)

O que acontece agora?

Depois que os resultados forem certificados, o processo eleitoral passa para o presidente de Israel, Isaac Herzog.

Em uma série de reuniões em Jerusalém, Herzog iniciará uma rodada de consultas durante a qual cada partido eleito recomendará seu candidato ao cargo de primeiro-ministro.

Com base nessas recomendações, o presidente encarregará um dos candidatos com a tarefa de tentar formar um governo.

Depois de receber a incumbência, o candidato iniciará semanas de negociações políticas sobre cargos ministeriais, prioridades orçamentárias e compromissos de governo.

Essa pessoa designada pelo presidente terá um prazo de 28 dias — provavelmente prorrogável por mais 14 dias — para formar um governo.

Se não conseguir, o presidente israelense passará a incumbência a outro candidato, que terá mais quatro semanas.

Se essa segunda tentativa também fracassar, o Parlamento terá um curto prazo para apresentar outro candidato. Caso isso não aconteça, o país irá automaticamente a novas eleições.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

Eleições em Israel: Bloco de Netanyahu não conquista maioria no Parlamento

29 October 2026 at 22:46

A coalizão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não conseguiu obter maioria no Knesset, o Parlamento de Israel, nas eleições gerais do país.

O bloco formado por partidos de direita e ultraortodoxos obteve 53 cadeiras, abaixo das 61 necessárias para formar a maioria.

Os resultados finais foram divulgados pela Comissão Central de Eleições de Israel, após a conclusão da contagem dos votos e a revisão dos dados.

Leia Mais:

Já Likud, partido do primeiro-ministro, liderou a disputa, conquistando 27 das 120 cadeiras do Knesset.

O partido foi o mais votado, seguido pelo Yashar, do ex-chefe militar e principal rival de Netanyahu, Gadi Eisenkot, que garantiu 21 assentos. O Juntos, do ex-premiê, Naftali Bennett, por sua vez, conquistou 12 cadeiras, enquanto a Lista Conjunta, da aliança de partidos árabes, ficou com 11.

Os Democratas e o Ra’am terão oito representantes cada. Já o Yisrael Beytenu, o Otzma Yehudit e o Judaísmo Unido da Torá conquistaram sete cadeiras cada. O Shas e o Sionismo Religioso ficaram com seis assentos cada.

Ao todo, 11 listas de candidatos conseguiram superar a cláusula de barreira (de 3,25% dos votos) e terão representantes no Parlamento israelense. As demais candidaturas não atingiram o percentual mínimo exigido para conquistar cadeiras.

Segundo a Comissão Central de Eleições, o comparecimento às urnas foi de 77,9%. Foram contabilizados 5.716.665 votos, dos quais 5.690.778 foram considerados válidos e 25.887, inválidos.

Veja o número de votos por partido

  • Likud, partido de Netanyahu, lidera com 1.167.458 votos válidos (20,52%)

  • Yashar, partido de Gadi Eisenkot, com 913.502 votos (16,05%)

  • Juntos, partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, com 531.414 votos (9,34%)

  • Lista Conjunta, aliança de partidos árabes, com 500.147 votos (8,79%)

  • Os Democratas, partido liderado por Yair Golan, com 366.352 votos (6,44%)

  • Yisrael Beytenu, de Avigdor Lieberman, com 337.413 votos (5,93%)
  • Ra’am (Lista Árabe Unida), com 337.253 votos (5,93%)
  • Otzma Yehudit, partido de Itamar Ben-Gvir, com 326.624 votos (5,74%)

  • Judaísmo Unido da Torá, com 312.604 votos (5,49%)

  • Shas, partido religioso sefardita, com 299.506 votos (5,26%)

  • Sionismo Religioso, de Bezalel Smotrich, e Zehut, de Moshe Feiglin, com 290.451 votos (5,10%)

O que acontece agora?

As autoridades israelenses têm até o dia 4 de novembro para certificar os resultados. Enquanto isso, o presidente israelense, Isaac Herzog, realizará uma rodada de consultas com todos os principais líderes partidários.

Na sequência, ele convidará os líderes que, em sua avaliação, possuem as maiores chances de formar um governo. Esse processo pode levar semanas.

O primeiro líder designado tem 28 dias para formar um governo, com a possibilidade de uma prorrogação de 14 dias caso não consiga fazê-lo.

Se o primeiro candidato não obtiver sucesso, o presidente pode transferir a incumbência para um segundo candidato, que terá 28 dias para formar um governo.

Caso a segunda tentativa também fracasse, a maioria dos membros do Knesset pode solicitar ao presidente que encarregue um terceiro candidato, que terá, então, 14 dias para montar uma coalizão.

Se tudo isso falhar, haverá uma nova eleição.

(Com informações de Kara Fox e Tal Shalev, da CNN)

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

 

Como Israel pode sair do impasse eleitoral e formar um novo governo?

29 October 2026 at 21:06

As eleições em Israel nesta semana terminaram sem que um bloco político conseguisse garantir clara maioria no Parlamento, o que deve gerar negociações delicadas para formação de um novo governo.

Benjamin Netanyahu permanecerá no cargo como primeiro-ministro interino, mas enfrenta um Parlamento com maioria da oposição que busca destituí-lo.

Aqui estão alguns cenários que podem acontecer nos próximos dias e meses.

Outra eleição

Após a divulgação dos resultados finais oficiais das eleições — o que deve ocorrer na próxima semana –, o presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciará consultas com representantes dos partidos e, em seguida, indicará o candidato que considerar ter as melhores chances de formar um governo.

Se o candidato não conseguir formar um governo, outro poderá tentar e, caso esse também falhe, o Knesset poderá indicar outro. Há um prazo de cerca de 100 dias para esse processo.

Se ninguém tiver sucesso, será realizada outra eleição.

Herzog afirmou na quarta-feira (28) que tudo deve ser feito para evitar uma nova eleição e pediu aos partidos que participarem das consultas com ele com a mente aberta.

Governo de unidade

O partido Likud, de Netanyahu, que ainda deve conseguir a maior quantidade de assentos no Knesset, poderia formar uma coalizão com partidos de oposição de centro e de direita, como o Yashar, de Gadi Eisenkot — o segundo maior partido —, o “Israel, Nosso Lar”, de Avigdor Lieberman, e a facção “Juntos”, de Naftali Bennett.

Esse agrupamento garantiria 66 cadeiras, uma maioria no Parlamento de 120 cadeiras.

No entanto, essa opção parece remota neste momento, pois significaria que Netanyahu provavelmente teria que abandonar seus aliados políticos “naturais”: os partidos de ultradireita e os judeus ultraortodoxos.

Além disso, os partidos da oposição teriam que quebrar sua principal promessa aos eleitores, que era destituir Netanyahu.

Ainda assim, se nenhum dos lados conseguir formar um governo ao final de semanas de negociações prolongadas, um governo de unidade poderá surgir como última opção.

A retomada dos confrontos com o Irã, ou com outros atores, também poderia aproximar os lados.

Governo de minoria de Eisenkot

Se Herzog escolher Eisenkot primeiro, ele poderia tentar formar um governo com os aliados “naturais” do Yashar — Juntos, Os Democratas e Israel, Nosso Lar — apoiado pelos dois partidos árabes de Israel, mesmo que eles não sejam integrantes desse governo: Ra’am e a Lista Conjunta.

A coalizão de Eisenkot somaria 48 cadeiras, de acordo com a última apuração de votos, com os partidos árabes somando 19 cadeiras, o que, juntos, alcançaria uma maioria de 67 cadeiras.

Mas, mesmo que Eisenkot volte atrás em sua promessa de campanha de não incluir partidos árabes no governo e aceite o apoio deles, seria difícil convencer muitos israelenses, cujas atitudes em relação à minoria árabe de Israel se endureceram ainda mais desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Netanyahu concentrou sua campanha em deslegitimar o apoio dos partidos árabes, que alcançaram níveis recordes nas eleições.

Por enquanto, apenas o partido “Os Democratas”, de centro-esquerda, se manifestou publicamente pedindo a inclusão desses partidos.

Ambos os partidos árabes sinalizaram que estão dispostos a cooperar com a chapa de Eisenkot.

O Ra’am integrou-se ao governo de Naftali Bennett em 2021, a primeira vez que um partido árabe independente entrou em uma coalizão israelense. Esse governo caiu após 18 meses.

Netanyahu com maioria para um governo de direita

A coalizão de Netanyahu deve sair das 64 cadeiras que detém no Parlamento para 53, de acordo com os últimos resultados eleitorais.

Mas o líder mais longevo de Israel é visto como um dos políticos mais habilidosos do país e poderia dividir a oposição ao atrair integrantes de seus partidos para o seu lado.

Ele já conseguiu fazer isso antes, inclusive como líder da oposição na corrida para as eleições de 2022, das quais saiu vitorioso. Mas a coalizão contra a qual ele lutava na época tinha uma vantagem muito menor e ele não precisou de muitos desertores para desestabilizar seus rivais políticos.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

Eisenkot vows to advance draft law, Oct. 7 inquiry despite slim coalition prospects

29 October 2026 at 21:03
Golan meets Eisenkot, Lapid and Mansour Abbas in coalition push; Ra'am leader says minority government unlikely; Liberman keeps distance from opposition partners; opposition chiefs vow fraud probe won't delay new Knesset

Israel’s election yielded a stalemate. Which means Netanyahu won

29 October 2026 at 15:49
The anti-Netanyahu parties won a Knesset majority, but they do not have the means to translate that into even a minority government. The failure is staggering, and may echo long into Israel's future

Israel: sem vencedor declarado, partidos discutem coligações

Logo Agência Brasil

Com a contagem de votos ainda em andamento, não há vencedor definido nas eleições em Israel. Nem o bloco do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, nem o principal rival, Gadi Eisenkot, conquistaram as 61 cadeiras do Parlamento necessárias para formar maioria.

Com 85% das urnas apuradas, a coligação de Netanyahu garantia 54 dos 120 assentos no Parlamento. Já o bloco de Eisenkot somava 49 vagas. Por outro lado, os partidos árabes alcançariam a marca recorde de 17 cadeiras, o que levou o líder da coligação de esquerda maioritariamente árabe a defender a criação de "uma verdadeira aliança judaico-árabe".

Notícias relacionadas:

No entanto, a maior parte da oposição judaica em Israel descartou governar ao lado de partidos liderados por palestinos que, durante a campanha eleitoral, foram alvos de acusações racistas. Netanyahu não se cansou de retratar os cidadãos palestinos como um inimigo dentro do Estado.

Agora, o partido de Benjamin Netanyahu acusa os partidos de maioria árabe de terem "roubado" as eleições. A que se junta o apelo desesperado do ministro da extrema-direita, Ben Gvir, para prender os seus líderes.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, cita alegações infundadas de interferência estrangeira. A polícia israelense e o comitê central de eleições afirmaram que não há provas de fraude eleitoral.

A previsão é de que a contagem dos votos termine amanhã (30), e os resultados oficiais da eleição sejam formalmente publicados no dia 4 de novembro.

Os partidos vão ter que negociar e tentar chegar a uma coligação que tenha maioria no Congresso.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Eleição em Israel: Como acontecem as negociações para formação de governo?

29 October 2026 at 09:00

As eleições em Israel terminaram sem um vencedor claro. Nem o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o de seu principal rival, Gadi Eisenkot, conquistaram as 61 cadeiras do Parlamento necessárias para formar uma maioria.

Mas a política israelense gira em torno da formação de coalizões, e não de qual partido é o maior. Com isso, o caminho de Netanyahu para permanecer no poder está indefinido, mas a oposição também enfrenta dificuldades para chegar ao governo.

Os partidos contrários ao premiê estão fragmentados e divididos entre direita, esquerda e centro, além de separados entre partidos judeus e árabes.

O Yashar, de Eisenkot, é a maior legenda da oposição. Mas o caminho para que ele chegue ao poder passaria pela cooperação com os partidos árabes — algo que nem todos os líderes partidários da oposição estão dispostos a aceitar.

A contagem final dos votos é esperada até 30 de outubro, e os resultados oficiais da eleição são formalmente publicados uma semana após o pleito, no dia 4 de novembro.

Com isso, os partidos terão de negociar entre si e tentar chegar a uma coalizão que tenha maioria no Congresso.

Como acontecem as negociações pós-eleição em Israel?

Depois que os resultados forem certificados, o processo eleitoral passa para o presidente de Israel, Isaac Herzog.

Em uma série de reuniões em Jerusalém, Herzog iniciará uma rodada de consultas durante a qual cada partido eleito recomendará seu candidato ao cargo de primeiro-ministro.

Com base nessas recomendações, o presidente encarregará um dos candidatos com a tarefa de tentar formar um governo.

Esse candidato não precisa necessariamente ser o líder do maior partido, mas aquele que, a critério do presidente, tiver mais chances de reunir uma coalização com a maioria de 61 cadeiras.

Assim, vencer a eleição de Israel não depende apenas dos votos e das cadeiras conquistadas, mas também da capacidade de construir — e manter — uma coalizão viável.

Depois de receber a incumbência, o candidato iniciará semanas de negociações políticas sobre cargos ministeriais, prioridades orçamentárias e compromissos de governo.

Essa pessoa designada pelo presidente terá um prazo de 28 dias — provavelmente prorrogável por mais 14 dias — para formar um governo.

Se não conseguir, o presidente israelense passará a incumbência a outro candidato, que terá mais quatro semanas.

Se essa segunda tentativa também fracassar, o Parlamento terá um curto prazo para apresentar outro candidato. Caso isso não aconteça, o país irá automaticamente a novas eleições.

Como nenhum dos lados tem uma maioria clara, um impasse parece um resultado plausível.

Herzog poderá tentar convencer Netanyahu e Eisenkot a formarem um governo de união nacional entre os dois maiores partidos, mas não está claro se esse arranjo seria sequer possível.

O premiê tem um longo histórico de romper acordos com políticos com quem firmou entendimentos semelhantes, e o líder opositor descartou integrar um governo liderado pelo atual primeiro-ministro.

Quem é Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu nas eleições de Israel?

How Netanyahu Used Fear, Again, to Win More Votes Than Anyone Else

29 October 2026 at 10:29
Despite years of political baggage, the Israeli prime minister outperformed expectations, and his rivals, by playing on Jewish voters’ fears of Arab political power and potential security threats.

© Ronen Zvulun/Reuters

Prime Minister Benjamin Netanyahu reacts to exit polls during a speech at his party headquarters in Jerusalem on Wednesday.

With No Clear Winner, How Could Israel Get a Prime Minister?

Deadlock is possible, as neither the bloc of Prime Minister Benjamin Netanyahu nor his main challenger appear likely to win a majority. But there are still paths to a new government.

© The New York Times

Israel: partidos árabes têm nas mãos o futuro de Israel

29 October 2026 at 07:00

Os analistas já tinham avisado: as iniciativas profundamente racistas levadas a cabo nos últimos anos pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, seriam o melhor combustível para acender a vontade dos árabes israelitas de comparecerem em força nas eleições da passada terça-feira, 27 de outubro. Aparentemente, foi exatamente isso que aconteceu: os partidos árabes (Ra’am e Lista Conjunta) asseguraram para já 19 lugares no Knesset, o parlamento israelita, e tornaram-se incontornáveis para a formação do próximo governo, seja ele de que cor for.

Ao final do dia de ontem, 28 de outubro, e com 85% dos votos apurados, o bloco de Netanyahu assegurava 53 lugares, o da oposição liderada por Gadi Eisenkot 48 e os partidos árabes somavam 19 (um recorde histórico e quase o dobro dos dez lugares que tinham até agora). Os partidos de extrema-direita Otzma Yehudit e os ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torah tinham sete lugares cada, assim como o Yisrael Beytenu, de Avigdor Liberman. O Sionismo Religioso, liderado pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich, conquistou seis lugares.

A divisão de lugares deixou o bloco liderado por Netanyahu, composto por Likud, Shas, Judaísmo Unido da Torah, Otzma Yehudit e Sionismo Religioso, com 53 lugares, oito a menos que a maioria de 61 e menos ainda que os 68 deputados do grupo no atual Knesset, o que representa uma queda significativa. O bloco de Eisenkot, composto por Yashar, B’Yachad, Democratas e Yisrael Beytenu, tinha um total de 48 lugares, menos 13 que o necessário para a maioria.

Segundo a imprensa israelita, era improvável que houvesse novas atualizações antes desta quinta-feira, visto que a Comissão Eleitoral Central está agora a concentrar os seus numa contagem que exige supervisão adicional. Os resultados finais e oficiais só deverão ser publicados a 4 de novembro.

O cenário que está em cima da mesa é muito diferente daquele que era apresentado pela maioria das sondagens realizadas nas semanas que antecederam as eleições: quase todas mostravam o bloco de Eisenkot à frente do de Netanyahu por margens variáveis, embora, nenhum dos partidos apresentasse um caminho claro para a formação de uma coligação. Falhou igualmente a sondagem à boca das urnas, que mostrava o bloco de Eisenkot à frente do de Netanyahu por dois ou três lugares.

Feitas as contas, os 19 lugares dos partidos árabes seriam mais do que suficientes para consolidar uma maioria confortável para o bloco anti-Netanyahu, caso todos os membros do bloco, com exceção dos Democratas, não tivessem descartado a possibilidade de cooperarem com o Ra’am ou com a Lista Conjunta. Do mesmo modo, os árabes poderiam fazer maioria com Netanyahu. O sentido dos dois partidos e inclusivamente a sua abstenção passam a ter um peso político que nunca antes aconteceu.

 

Netanyahu alega fraude

Perante estes resultados, o Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apressou-se a afirmar que as eleições foram “roubadas” por partidos árabes, exigindo uma investigação da polícia e do Shin Bet (a ‘secreta’ interna). “As eleições em Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judeu por meio de crimes graves como suborno, ameaças, violência, falsificação e uso de software ilegal para mobilizar eleitores”, insistiu o partido Likud em comunicado, horas depois de a Comissão Eleitoral Central (CEC) ter rejeitado as alegações de fraude.

Sendo difícil perceber-se como é que dois pequenos partidos, que concorrem regularmente às eleições, tiveram artes de enganar a poderosa máquina estatal israelita, o Likud planeava contestar os resultados das localidades árabes e alegar que a eleição foi fraudulenta. Em comunicado, o partido afirmou ter fornecido à polícia, ao Shin Bet e à Comissão Eleitoral Central (CEC) “centenas de depoimentos” e outras provas, incluindo “milhares de envelopes com dinheiro e comprovantes de votação, ameaças e violência contra membros da comissão eleitoral, vários eleitores atrás da cabine de votação, voto duplo, discrepâncias entre o número de envelopes e o número de eleitores, uso de software ilegal de mobilização de eleitores e muito mais”.

O Likud exige uma “investigação minuciosa” e uma resposta imediata da Comissão Eleitoral Central sobre a investigação, que confirmou estar a analisar as alegações. “O Comité Central de Eleições iniciou uma operação de monitorização da integridade eleitoral, como faz em todas as eleições, e, como parte dela, todas as denúncias dos partidos referentes à integridade das eleições ou a supostos erros nos resultados serão examinadas”, afirmou a CEC).

 

A alternativa ao centro

A única forma de os partidos hebraicos escaparem ao ascendente árabe é Netanyahu e Gadi Eisenkot acordarem fazer uma grande coligação ao centro. Ainda assim, o número de lugares dos dois partidos não chega: a coligação teria de abrir-se a outros participantes. E seria, evidentemente, um governo assente numa forte instabilidade e numa espécie de ódio político (pelo menos) entre os seus mais altos líderes.

De qualquer modo, esse é desde sempre o desejo do presidente do país, Isaac Herzog, que chegou mesmo a sugerir o regresso à rotatividade do lugar de primeiro-ministro – como já sucedeu no passado entre Naftali Bennett e Yair Lapid em 2021-22, com muito fracos resultados.

Uma outra alternativa, que Herzog quer evitar a todo o custo, é a repetição das eleições. Como também já aconteceu no passado recente. Herzog indicou que está empenhado em evitar uma repetição de 2019-2020, quando impasses persistentes levaram o país às urnas três vezes em 11 meses.

O risco de isso voltar a acontecer é grande. E o calendário apertado: o candidato a primeiro-ministro designado pelo presidente terá 28 dias para articular uma coligação, com uma possível prorrogação de 14 dias. Caso essas tentativas falhem, um segundo líder partidário poderá ter 28 dias (sem prorrogação) para tentar formar um governo, e se essa tentativa também não for bem-sucedida, uma maioria de 61 deputados poderá solicitar ao presidente que atribua a tarefa a um parlamentar específico dentro de um prazo adicional de 21 dias. Se nada disso acontecer, haverá novas eleições.

 

Juntos e ao vivo no Irão, outra vez

Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, atribuiu o sucesso de Benjamin Netanyahu ao seu apoio. “Quando o presidente Trump apoiou Bibi Netanyahu, a situação mudou completamente e, agora, em vez de uma derrota decisiva para um grande primeiro-ministro, parece um grande impasse, ou até mesmo uma VITÓRIA para Netanyahu. Tudo isso aconteceu DEPOIS do apoio do presidente Trump, que só quer o que é bom para o Oriente Médio, Israel e os Estados Unidos da América!”, escreveu Trump nas redes sociais.

Esta espécie de surto psicótico surge depois de Trump ter declarado formalmente o seu apoio a Netanyahu a 18 de outubro, nove dias antes das eleições, oferecendo o seu “apoio completo e total”, dias depois de ter dito que “nem sequer tinha pensado” em apoiar um candidato nas eleições em Israel.

Indiferente a isso, Netanyahu aceitou o apoio e disse algures (em vídeo) : “Donald, temos um trabalho a terminar [no Irão]… e vamos terminá-lo juntos. Vamos terminá-lo, e ninguém mais o fará”.

❌