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O “imposto emocional” das organizações: o custo económico da má liderança

29 October 2026 at 00:07

As organizações conhecem o custo de perder um colaborador, considerando toda a cadeia de valor: recrutamento, selecção, integração, formação e tempo necessário até atingir o desempenho esperado. Existe, porém, um custo menos visível, raramente inscrito nas contas de gestão: o das pessoas que permanecem na organização, mas trabalham abaixo do seu potencial, devido a ambientes tóxicos, chefias disfuncionais, falta de reconhecimento ou ausência de autonomia.

A este custo poderemos chamar imposto emocional: uma carga invisível que incide sobre a produtividade, a motivação, a criatividade e o compromisso dos colaboradores. Não aparece numa factura, não consta de uma rubrica contabilística e, ainda assim, pode comprometer os resultados e a sustentabilidade de uma Organização.

O relatório Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações, publicado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), em 2026, apresenta números que merecem a atenção de líderes e gestores. Em Portugal, o custo indirecto da perda de produtividade associada ao stress e aos problemas de Saúde Psicológica no trabalho poderá atingir 13,3 mil milhões de euros por ano, correspondendo a cerca de 2,1% do volume de negócios das empresas abrangidas pela estimativa. Deste montante, 8,9 mil milhões de euros são atribuídos ao presentismo e 4,4 mil milhões ao absentismo.

O presentismo merece particular atenção. Significa produzir abaixo das próprias capacidades devido a problemas de saúde física ou psicológica. Envolve pessoas que cumprem horários, participam nas reuniões e respondem às solicitações, mas com perdas significativas na concentração, na iniciativa e na energia que, por norma, colocavam ao serviço da Organização.

Por detrás desta realidade podem encontrar-se múltiplos factores, nem sempre imputáveis à liderança: sobrecarga de trabalho, insegurança laboral, exigências emocionais excessivas ou dificuldades de conciliação entre a vida profissional e pessoal. Contudo, as práticas de gestão podem agravar estes riscos ou, pelo contrário, contribuir para os prevenir.

Quando liderar se transforma num factor de risco

Uma chefia que gere através do medo, comunica de forma ambígua, desvaloriza o esforço ou atribui responsabilidades sem conceder autonomia, pode criar um contexto em que as pessoas passam a investir mais energia em proteger-se do que em trabalhar. A prudência substitui a iniciativa; o silêncio ocupa o lugar da participação; o erro deixa de ser uma oportunidade de aprendizagem e transforma-se numa ameaça.

O custo desta dinâmica não se limita ao mal-estar individual. Traduz-se em decisões mais lentas, menor cooperação, perda de conhecimento, conflitos e redução da qualidade do trabalho. Mesmo quando ninguém apresenta a demissão, a Organização pode estar a perder, todos os dias, uma parte significativa da capacidade que remunera.

Os dados apresentados pela OPP reforçam a importância desta reflexão. Segundo o relatório, 49% dos trabalhadores portugueses experienciam stress ocupacional associado à pressão e à carga laboral elevada, face a 44% na média europeia. Entre as fontes de stress identificadas para Portugal encontram-se ainda a ausência de recompensas adequadas ao esforço, incluindo o reconhecimento e a progressão na carreira (34%), e a fraca comunicação e cooperação dentro das Organizações (29%).

Estes indicadores não demonstram que toda a perda de produtividade resulte de má liderança. Mostram, porém, que as condições de trabalho, as relações profissionais e as práticas de gestão são dimensões que não podem ser ignoradas quando se procura compreender o desempenho organizacional.

Prevenir o imposto emocional

A prevenção começa pelo reconhecimento de que a Saúde Psicológica e o bem-estar não são benefícios acessórios, destinados a melhorar a imagem da empresa. São condições essenciais para um trabalho sustentável e produtivo.

A OPP estima que a prevenção dos riscos psicossociais e a promoção da Saúde Psicológica possam reduzir as perdas de produtividade em, pelo menos, 30%, permitindo uma poupança próxima dos quatro mil milhões de euros por ano. O relatório refere ainda que as intervenções de promoção da Saúde Psicológica podem gerar retornos económicos significativos, estimando-se, em determinadas intervenções, um retorno superior a nove euros por cada euro investido.

Importa, por isso, passar das declarações de intenção às práticas concretas. Alguns passos são essenciais:

  • Sensibilizar e formar as lideranças para a gestão de pessoas, a comunicação empática, a prevenção de conflitos e a identificação precoce de riscos psicossociais.
  • Avaliar regularmente o ambiente de trabalho, recorrendo a instrumentos adequados e a profissionais de Psicologia, identificando factores de risco e definindo planos de intervenção.
  • Promover uma cultura de reconhecimento justo, feedback construtivo, autonomia ajustada à proficiência e participação nas decisões que afectam o trabalho.
  • Assegurar que as exigências profissionais são compatíveis com os recursos disponíveis, respeitando os períodos de descanso e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
  • Integrar indicadores de Saúde Psicológica, bem-estar e qualidade da liderança na avaliação do desempenho dos responsáveis, responsabilizando-os pelos ambientes de trabalho que ajudam a construir.
  • Criar mecanismos seguros de comunicação e denúncia de assédio, discriminação e comportamentos abusivos, garantindo que as situações identificadas são tratadas com celeridade.

Estas medidas não eliminam todos os problemas, nem substituem a intervenção individual quando necessária. Exigem continuidade, compromisso da gestão de topo e uma avaliação periódica dos resultados que permita corrigir práticas ineficazes.

A liderança também se mede pelo que não se perde

O verdadeiro custo da má liderança não se resume às pessoas que saem. Inclui aquelas que ficam, mas deixam de contribuir com a mesma confiança, criatividade e disponibilidade. Inclui ideias que nunca chegam a ser apresentadas, problemas que ninguém se atreve a sinalizar e competências que permanecem adormecidas num contexto que não as valoriza.

As Organizações que pretendem ser competitivas e sustentáveis terão de aprender a medir também estas perdas. A rotatividade, o absentismo e os resultados financeiros são indicadores importantes, mas insuficientes quando não se conhece a qualidade da experiência de trabalho das pessoas.

O imposto emocional não é uma categoria contabilística formal, nem uma estimativa autónoma apresentada pela OPP. É uma forma de designar um custo organizacional que os dados sobre o presentismo, o stress e os riscos psicossociais ajudam a compreender.

Liderar não é apenas garantir que o trabalho é executado! É criar condições para que as pessoas possam realizá-lo com competência, segurança psicológica e sentido de propósito. Porque uma Organização pode manter controlada a rotação de pessoas e, ainda assim, desperdiçar uma parte substancial do seu talento. E esse será, talvez, um dos custos mais elevados da má liderança: pagar pelo potencial das pessoas sem conseguir aproveitá-lo com consistência.

Referência bibliográfica: Ordem dos Psicólogos Portugueses (2026). Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações — Relatório do Custo do Stress e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal. Lisboa.

Líder das transportadoras rodoviárias de mercadorias vence ‘Prémio BPI Empresária 2026’

28 October 2026 at 11:41

Ema Leitão, diretora executiva da Transportes Nogueira (TN), que conta com mais de 300 trabalhadores, é a vencedora da 9ª edição do ‘Prémio BPI Empresária’, que visa reconhecer o percurso profissional de mulheres portuguesas e “dar visibilidade à liderança empresarial no feminino”.

A gestora da transportadora de Vila Nova de Famalicão, que recebeu o prémio das mãos de Gonzalo Gortázar, CEO do CaixaBank, pertence à terceira geração desta empresa familiar fundada em 1968. É também presidente da ANTRAM, tendo sido a primeira mulher a liderar esta associação que representa o setor do transporte rodoviário de mercadorias.

Licenciada em Economia pela Universidade do Porto (FEP) e com um Programa Executivo de Marketing Management no IPAM, Ema Leitão, 44 anos, iniciou a carreira com estágios na Auto-Sueco e na Galp Energia. Mãe de três filhos, entrou no negócio da família em 2006 e ascendeu à direção executiva em 2023. É também acionista e administradora de outras empresas do Grupo TN Investimentos.

“Vejo [este prémio] não como uma distinção individual, mas como o reconhecimento de todos os que me são mais próximos e me têm acompanhado ao longo deste percurso. É um prémio que partilho com a equipa da TN, que veste a camisola todos os dias, e com a minha família, que me transmitiu os valores essenciais que também procuro passar aos meus filhos”, afirma Ema Leitão, distinguida numa gala em Madrid que assinalou os 10 anos do ‘CaixaBank Premio Empresaria’.

Na galeria das vencedoras do ‘Prémio BPI Empresária’, a empresária nortenha sucede a Sandra Tavares Silva, da Wine & Soul (2025), Paula Roque, da Revigrés (2024), Cláudia Azevedo, do Grupo Sonae (2023), Isabel Azevedo, do Grupo Fricon (2022), Sandra Santos, da BA Glass (2021), Isabel Furtado, do Grupo TMG (2020), Manuela Medeiros, da Parfois (2019), e Leonor Freitas, da Casa Ermelinda Freitas (2018).

Palmeiras e Estudiantes decidem liderança histórica entre Brasil e Argentina na Libertadores

23 October 2026 at 13:57

Palmeiras e Estudiantes terão um objetivo em comum na final da Copa Libertadores de 2026: colocar seu país à frente do rival no ranking histórico de títulos do torneio. A decisão, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai, colocará em jogo a possibilidade de Brasil ou Argentina se tornar o maior campeão da competição de forma isolada.

Os dois países chegam à decisão com 25 conquistas cada. O Palmeiras representa o futebol brasileiro após eliminar o Fluminense nos pênaltis, enquanto o Estudiantes garantiu sua vaga ao superar o Flamengo. Além do troféu, o confronto terá impacto direto na disputa histórica entre as duas nações.

Estudiantes tenta encerrar sequência brasileira

A presença do Estudiantes na final abre a possibilidade de interromper uma sequência de sete títulos consecutivos de clubes brasileiros na Libertadores. A última vez que uma equipe argentina levantou a taça foi em 2018, quando o River Plate venceu o Boca Juniors em uma decisão disputada em dois jogos.

Na edição seguinte, a competição passou a ter finais em partida única. Desde a mudança, nove equipes diferentes chegaram à decisão: Flamengo, Palmeiras, Santos, Athletico-PR, Fluminense, Botafogo e Atlético-MG, pelo Brasil, além de River Plate e Boca Juniors, pela Argentina.

O domínio brasileiro também se reflete nos confrontos decisivos entre equipes do mesmo país. Das últimas seis finais, cinco reuniram dois clubes brasileiros. Agora, o Estudiantes tenta mudar esse cenário e voltar a conquistar a Libertadores depois de 27 anos, além de evitar que a Argentina perca a igualdade no número de títulos.

O Palmeiras, por sua vez, pode alcançar o quarto troféu continental. Se vencer, o time paulista chegará ao tetracampeonato e igualará o Flamengo, que atualmente é o clube brasileiro com mais títulos da Libertadores.

A decisão será disputada no Estádio Centenário, em Montevidéu, no dia 28 de novembro.

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Algarvio Tiago Guadalupe publica novo livro sobre liderança e o percurso de João Matos em Loulé

28 September 2026 at 19:25

Durante o Portugal Football Summit foi divulgado o novo livro do algarvio Tiago Guadalupe, funcionário da Câmara Municipal de Loulé e colonista no jornal A Bola.

“Capitão João Matos – Liderar, vencer e inspirar” é a mais recente obra de Tiago Guadalupe e será apresentada a 9 de outubro, na Cidade do Futebol, numa iniciativa da Federação Portuguesa de Futebol. 

Com a chancela Portugal Legends, a obra nasce de um projeto desenvolvido pela editora 21Books e pela agência whynote.pt, em parceria oficial com a Decathlon e a União das Freguesias de Carnaxide e Queijas.

Mais do que uma biografia desportiva, o livro parte do percurso de João Matos para propor uma reflexão sobre liderança pelo exemplo, disciplina, consistência, resiliência, comunicação, gestão de equipas, egos e conflitos, tomada de decisão, capacidade de adaptação, inovação, equilíbrio pessoal e legado, procurando transportar as experiências e aprendizagens construídas no desporto de alto rendimento para outros contextos da vida pessoal e profissional.

Ao longo de mais de duas décadas ao mais alto nível, João Matos construiu uma carreira marcada pela longevidade, consistência e liderança. Mais de 40 títulos, mais de 200 internacionalizações, um Campeonato do Mundo e dois Campeonatos da Europa ao serviço de Portugal, além de três títulos europeus pelo Sporting CP, fazem parte de um percurso que o tornou uma referência do futsal português e internacional.

Contudo, são sobretudo as experiências e aprendizagens construídas ao longo desse caminho que constituem o centro da obra. O objetivo passa por transportar princípios provenientes do desporto de alto rendimento para outros contextos, tornando o livro relevante para atletas e treinadores, mas também para gestores, professores, estudantes, empreendedores, dirigentes e líderes de equipas.

“Capitão João Matos – Liderar, vencer e inspirar” reúne ainda diferentes perspetivas sobre o jogador e capitão. Pedro Proença assina a introdução, Frederico Varandas o prefácio e Jorge Braz o posfácio, juntando-se ao livro contributos e reflexões de personalidades como Nuno Dias, Sebastián Coates, Nani, Rui Miguel Nabeiro e Pedro Dias, entre outras.

Frederico Varandas resume uma das ideias centrais da obra ao afirmar que «o seu legado não se mede apenas no que conquistou, mas sobretudo no que inspirou». Pedro Proença considera que João Matos deixa «o Futsal muito melhor do que aquele que encontrou», enquanto Jorge Braz reconhece: «O João ajudou-me a ser melhor treinador.»

O livro inclui igualmente o capítulo “Cocriar para inspirar”, com Tiago Valadas, Diretor de Marketing da Decathlon Portugal, dedicado à relação entre João Matos e a marca e à evolução dessa ligação para um processo de cocriação.

As reflexões reunidas na obra procuram mostrar que muitas das questões enfrentadas no desporto são comuns a organizações e equipas de diferentes áreas: como construir uma cultura vencedora, liderar sem depender de um cargo, reagir ao erro, gerir conflitos, manter a exigência depois do sucesso e preparar o final de um ciclo.

Para Tiago Guadalupe, é precisamente na influência exercida sobre os outros que se encontra uma das principais mensagens do livro:

«Os grandes atletas deixam resultados. Os grandes capitães deixam uma cultura. Os grandes líderes deixam pessoas melhores.»

“Capitão João Matos – Liderar, vencer e inspirar” já está disponível para venda através da editora 21Books: https://www.21books.pt/livros-1/p/capito-joo-matos 

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