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Oito vírgula três por cento

30 October 2026 at 00:12

Portugal entrou num ciclo de investimento em defesa sem paralelo nas últimas décadas. Cinco mil e quinhentos milhões de euros de programação militar até 2034 e cinco mil e oitocentos milhões em empréstimos europeus do SAFE, a executar até 2030. São instrumentos diferentes, com horizontes diferentes. Para um jornal de economia, a pergunta interessante não é quanto se gasta. É quanto volta.

Já há uma primeira resposta, e convém olhar para ela sem drama. No programa de aquisição das três fragatas, com um custo global de 3.914 milhões de euros, a incorporação anunciada da indústria nacional é de 325 milhões. Oito vírgula três por cento. Não é um escândalo. É a distância entre comprar uma capacidade e participar na sua produção, e é um ponto de partida.

O que se decide agora é o número seguinte, o das capacidades em que Portugal ainda pode ser produtor e não só comprador: sistemas não tripulados, sensores, software de comando e controlo. E esse número não sobe por decreto nem por discurso. Sobe onde a tecnologia é validada, porque é aí que uma empresa deixa de apresentar um protótipo e passa a poder demonstrar uma capacidade, perante um utilizador exigente e com uma referência que vale no estrangeiro.

No próximo domingo, 1 de Novembro, a Europa reforça essa aposta. Constitui-se na Agência Europeia de Defesa, por decisão dos ministros de 28 de Setembro, o Centro Europeu de Inovação em Defesa, com um papel ampliado e um portefólio estruturado de actividades. A experimentação operacional será uma das suas actividades centrais: ligar empresas às forças armadas e às instalações militares de ensaio, para ajudar os Estados a identificar, testar e adoptar tecnologias.

O que está em causa num centro destes não é só financiamento. É calendário, selecção e acesso: onde se fazem as campanhas, que desafios se lançam e que empresas encontram uma oportunidade para demonstrar o que sabem fazer. Não há rubrica orçamental que mostre estas escolhas, e são elas que pesam na localização da engenharia europeia de defesa na próxima década. É política industrial pela via da geografia.

Portugal tem o que esse centro procura. Tem a experiência da Marinha, que fez do REPMUS uma das referências da NATO para sistemas não tripulados, e acaba de receber em Santa Margarida uma campanha europeia com mais de 70 entidades de 22 nacionalidades. E a presença industrial portuguesa já se vê: a UAVision foi um dos cinco produtores no desafio europeu de munições de permanência no ar e a Beyond Vision regressou depois de seleccionada em Itália.

Duas vozes apontaram nessa direcção este mês. O Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou no encerramento desses ensaios que o investimento, por si só, significa pouco. E o Chefe do Estado-Maior do Exército, o general Eduardo Mendes Ferrão, propôs no mesmo dia, diante do Presidente da República, afirmar Portugal como centro experimental tecnológico europeu. É uma proposta de quem tem o terreno, feita semanas antes de entrar em funcionamento o novo centro europeu.

Falta uma coisa que não exige construir nada: um endereço único. Quem, de fora, quiser ensaiar tecnologia militar em Portugal tem de descobrir qual dos três ramos tem o terreno que serve e bater a várias portas. É preciso uma porta de entrada que articule as capacidades dos três ramos, coordene autorizações, agende instalações e assegure condições de confidencialidade industrial. Não é trivial, porque mexe com cadeias de comando distintas e com reguladores diferentes, e é por isso que convém começar agora. O calendário europeu não espera: a campanha seguinte já está marcada para 16 a 20 de Novembro na Suíça, que nem sequer é Estado-membro. Quem vem de fora não compara apenas terrenos, compara prazos de autorização.

Daqui a uma década ninguém se lembrará de quantos convidados estiveram no encerramento. Lembrar-se-á de quanto dos milhares de milhões que vamos gastar ficou cá em forma de engenharia, de patentes e de emprego qualificado. Acolher é um serviço que se presta; sediar é uma posição que se ocupa. Os oito vírgula três por cento não têm de ser o tecto da nossa ambição.

Do diabo-negro ao peixe-ogro: o que descobrimos sobre os formatos mais bizarros do fundo do mar

27 October 2026 at 11:06

O fundo do oceano abriga peixes com aparências bastante diferentes daqueles encontrados perto da superfície. Entre as características que chamam a atenção estão os corpos compridos e estreitos, semelhantes aos das enguias, comuns em diversas espécies que vivem em grandes profundidades. Mas por que esse formato aparece com tanta frequência?

A característica pode estar relacionada às condições do oceano profundo, onde a falta de luz, as baixas temperaturas e a dificuldade para encontrar alimento influenciam o modo de vida e a evolução das espécies.

Apesar disso, nem todos os peixes ficam mais alongados conforme aumenta a profundidade. Pesquisas mostram que o local onde vivem, seja próximo ao fundo ou em águas abertas, também ajuda a explicar as diferenças.

O corpo alongado pode ser uma vantagem?

Peixes com corpos compridos, como as enguias, conseguem nadar por meio de movimentos ondulatórios. Dependendo da espécie e das condições do ambiente, essa forma de locomoção pode facilitar deslocamentos e manobras em espaços restritos.

A busca por alimento também é importante. Nas profundezas do oceano, onde os recursos podem ser limitados, os animais apresentam diferentes estratégias para encontrar presas e evitar gastos desnecessários de energia.

Porém, o corpo alongado não garante, por si só, uma natação mais econômica. Suas possíveis vantagens dependem da espécie, do comportamento e do ambiente em que o peixe vive.

Estudo analisa quase 3 mil espécies de peixes marinhos

Uma pesquisa publicada em outubro de 2025 na revista científica Evolution analisou 2.882 espécies de peixes marinhos para compreender como a profundidade e o habitat estão relacionados à diversidade de formatos corporais.

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Os pesquisadores identificaram que peixes que vivem próximos ao fundo do oceano profundo costumam apresentar corpos alongados e afilados, enquanto aqueles que nadam em águas abertas possuem formatos mais variados, desde espécies arredondadas até outras extremamente compridas.

Segundo Elizabeth Santos, pesquisadora da Universidade Estadual de Ohio e principal autora do estudo, a evolução do formato corporal ocorre de maneiras diferentes conforme o ambiente em que os animais vivem. Os resultados indicam que a profundidade influencia essas características, mas não da mesma forma em todas as espécies.

Nem todos os peixes das profundezas seguem o mesmo padrão

Embora o corpo alongado seja comum entre peixes que vivem próximos ao fundo do oceano, outras espécies desenvolveram características bastante diferentes para sobreviver nesses ambientes.

O diabo-negro-do-mar (Melanocetus johnsonii), por exemplo, possui corpo arredondado e uma isca luminosa que ajuda a atrair presas na escuridão. Já as fêmeas do peixe-dragão-negro (Idiacanthus atlanticus) apresentam corpo alongado e estreito, além de estruturas capazes de produzir luz.

Outras adaptações aparecem no peixe-ogro (Anoplogaster cornuta), conhecido pelos dentes grandes em relação ao corpo, e nos peixes-caracol, que possuem corpos macios e podem habitar regiões extremamente profundas. Essas diferenças mostram que a sobrevivência no fundo do mar não depende de um único formato, mas das características e estratégias de cada espécie.

Militares do NRP Mondego absolvidos de segredo de Estado

21 October 2026 at 16:53
Tribunal considerou que as informações enviadas às associações não estavam classificadas e que a acusação do MP foi "imponderada". Defesa fala em "notável honestidade intelectual".

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Além disso, as informações que constam nos documentos enviados pelos militares não estavam "classificadas por entidade competente", diz a juíza

Segredo de Estado. Conhecido acórdão de militares acusados

21 October 2026 at 08:48
Acusação classifica a atuação dos três militares – suspeitos de divulgar matéria confidencial depois de recusarem embarcar no NRP Mondego em março de 2023 – como "imponderada, descuidada e omissiva".

© HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

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