O secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Silva Lopes, esteve esta quinta-feira presente na 7ª edição da Conferência Anual do ECOseguros 2027, e desafiou as seguradoras a aderirem ao protocolo com o Banco de Fomento para os seguros de exportação, defendendo um maior contributo do mercado na proteção das famílias e das empresas. O governante falou ainda da criação do Fundo de Catástrofes Naturais e Sísmicas, que deverá ser discutida nos próximos meses.
Destacou ainda o papel do setor segurador numa economia em que, defendeu, o Estado não deve assumir todas as responsabilidades de proteção. “O Estado não deve substituir o mercado nem deve ser o garante de tudo e de todos”, afirmou, salientando a importância das seguradoras na proteção das famílias.
A intervenção ficou também marcada pela defesa da evolução das finanças públicas e da recuperação da confiança na economia portuguesa. João Silva Lopes afirmou que o Governo tem procurado reduzir a dívida pública, melhorar os serviços públicos, simplificar a Administração Pública e aumentar o rendimento das famílias.
“O país está neste momento com níveis de confiança e numa situação incomparavelmente superior ao que estava quando este governo entrou em funções”, afirmou, apontando a dívida pública, a desburocratização, as infraestruturas e as carreiras da Administração Pública como áreas em que foram alcançados progressos.
Carla Borges Ferreira, diretora executiva do +M, Maria João Silva, chief marketing officer da Generali Tranquilidade, Ana Esteves, responsável pelo ecossistema de prevenção da Multicare, Mariana Dória, responsável de experiência e estratégia de clientes e marketing digital do Santander, e Rui Borges, CEO da PlotHugo Amaral/ECO
“Tudo começa numa pergunta que fazemos ao chat”, enquadra Maria João Silva, chief marketing officer da Generali Tranquilidade. “A pergunta é feita, é dada uma resposta, e o cliente só vê a resposta. Mas por trás está todo um treino que é invisível e que costumamos comparar com os atletas de alta competição. Só vemos as medalhas que ganham, não vemos as horas de treino.”
No evento “A IA e a visibilidade das marcas”, realizado esta quarta-feira no Estúdio ECO, a Generali Tranquilidade, a Multicare, o Santander e a Plot explicaram como as marcas estão a mudar equipas, sites e conteúdos para serem recomendadas pela IA. E admitiram que, num cenário em mudança constante, ninguém tem ainda a receita.
O treino para as medalhas
No caminho para as “medalhas” no novo mundo da IA, há marcas que partem já com vantagem. O estudo “A visibilidade digital do setor financeiro na era da IA”, elaborado pela Plot, procurou identificar quais as marcas que se destacam na “competição” em quatro produtos financeiros (seguro automóvel, seguro de saúde, crédito à habitação e poupança). O debate concentrou-se nos três primeiros.
Após fazer 176 perguntas distribuídas por 13 territórios de decisão, o estudo analisou 2846 respostas recolhidas de cinco plataformas de IA (ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e Google AI Overview). Nas fontes citadas pelas respostas de IA, destacam-se as fontes de terceiros (62,6%), seguidas de sites de marca (32,8%) e de redes e fóruns (4,6%).
“Não se pode trabalhar em tudo. Temos de ter claras as prioridades e humildade para reconhecer onde nos podemos diferenciar. É esse trabalho de formiguinha, às vezes invisível, que temos tentado fazer”
Nos seguros de saúde, a Médis encabeça o índice de visibilidade, surgindo a Multicare logo a seguir nesse campo, com 74% de visibilidade e 47 recomendações num universo de 717 respostas.
No caso da Multicare, uma das apostas recentes foi o relançamento do seu site. “A lógica com que foi construído já foi a de GEO first. [Numa perspetiva de] olhar muito para a forma como estes modelos captam a informação e construir não só a estrutura dos nossos sites, mas também os conteúdos, numa lógica de pergunta-resposta. É, na prática, aquilo que os modelos de inteligência artificial procuram e, no final do dia, a informação que dão aos nossos potenciais clientes”, explica Ana Esteves, responsável pelo ecossistema de prevenção da Multicare.
No crédito à habitação, as três marcas cimeiras (Bankinter, Millennium e Santander) surgem numa faixa equivalente de visibilidade (todas atingem pelo menos 70%), ocorrendo a principal separação competitiva no eixo da força de recomendação, com vantagem para o Bankinter. O Santander regista 71% de visibilidade e 16 recomendações em 641 respostas.
Foi neste produto que o banco iniciou a sua adaptação. “Acho que se nota pelos resultados do estudo. É precisamente o produto onde mais nos destacamos. Temos mais trabalho a fazer noutras dimensões“, destaca Mariana Dória, responsável de experiência e estratégia de clientes e marketing digital do Santander. A responsável admite que “do ponto de vista da força da recomendação, temos claramente ainda trabalho a fazer”.
Mariana Dória, responsável de experiência e estratégia de clientes e marketing digital do SantanderHugo Amaral/ECO
O trabalho iniciou-se aquando da estratégia de digitalização do processo de crédito à habitação. O primeiro passo foi ao nível do produto e do marketing digital, complementando a abordagem com o SEO e GEO. O Salto, blog de literacia financeira da entidade bancária que já existia, contribuiu também para a estratégia.
A seguir a esse primeiro passo, o foco foi a consistência da informação em fontes externas. “Depois há coisas mais complexas, como garantir que aparecemos em comparadores e fazer parcerias”. O terceiro passo foram as redes sociais, “garantindo a consistência da estratégia e o foco no crédito à habitação como primeiro produto”.
“Aqui o crítico é entendermos exatamente quais são as nossas prioridades, onde temos um right to win, e apostar precisamente aí, porque isto é complexo. Não se pode trabalhar em tudo. Temos de ter claras as prioridades e humildade para reconhecer onde nos podemos diferenciar. É esse trabalho de formiguinha, às vezes invisível, que temos tentado fazer”, explica Mariana Dória.
No seguro automóvel, a Generali Tranquilidade posiciona-se no topo com 80% de visibilidade e o valor mais elevado na escala de força de recomendação. Destaca-se ainda como a 2.ª marca mais recomendada globalmente no estudo, somando 62 recomendações em 614 respostas.
A estratégia da seguradora centra-se em sete pilares “muito importantes com que tentamos fechar todo o ciclo da forma como a marca aparece e do que é importante”, explica Maria João Silva. O ponto de partida é o cliente. “Dar mais importância às referências e citações externas, que são o earned media que é mesmo muito importante para a maioria dos LLM. Os patrocínios. As parcerias estratégicas, por exemplo estar associado à Champalimaud em temas de saúde. As campanhas, incluindo as de above the line, serem coerentes. Os prémios que ganhamos serem orgulhosamente comunicados. O social media de que falávamos. E, por último, o site, com todo o conteúdo”, enumera.
“O que fazemos é tentar ter consistência nestes sete pilares e as equipas alinhadas, mesmo que não pertençam todas à mesma direção, com KPI transversais que façam com que caminhemos todos no mesmo sentido”. A área de IT é uma das envolvidas. “Muitas vezes é esquecida, mas é essencial para nos ajudar e para dar agilidade ao processo”, aponta.
“Nos seguros de saúde, há mais frequência [de contacto] e mais oportunidade de mostrar o valor da marca. Numa seguradora temos muito esta dificuldade”
O contributo do trabalho entre diferentes equipas foi vincado pelas oradoras. Ana Esteves lembra que a Multicare, do Grupo Fidelidade, não começou agora. “No Grupo Fidelidade trabalhamos esta lógica de inteligência artificial há já vários anos, e temos mesmo um centro, uma equipa específica para esta área.” Por isso, são chamadas a contribuir “várias áreas que, há uns anos, se calhar não seriam — o marketing, o IT, estas equipas mais específicas de inteligência artificial”.
“Noto uma preocupação muito mais abrangente, a nível de toda a organização, e um foco maior, o que é ótimo. Quanto maior for o foco de toda a organização nestes temas, melhor nos vamos posicionar no futuro”, diz Mariana Dória.
Ir além do preço
O estudo analisou os atributos a que as marcas estão mais associadas, com o preço a ser um dos oito domínios, nos quais se incluem aspetos qualitativos como solidez e flexibilidade. “Estes modelos ajudam naturalmente a descobrir, a comparar e a recomendar, mas não vão substituir o essencial, que é a criação de valor real para os nossos clientes”, argumenta Ana Esteves. Na sua opinião, o “grande desafio” passa por mostrar a diferença nas coberturas e na componente da prevenção, indo assim além do preço. “É tornar estes novos eixos e argumentos da proposta de valor claros para serem consumidos pelos modelos de IA.”
Os prémios podem ser um caminho. No estudo, a Generali surge mais associada a reconhecimento e distinções. “Nos seguros de saúde, há mais frequência [de contacto] e mais oportunidade de mostrar o valor da marca. Numa seguradora temos muito esta dificuldade e, portanto, o prémio dá robustez ao que queremos comunicar e ao serviço, porque atuamos muito no pós-compra da apólice”, argumenta Maria João Silva.
“Estes modelos privilegiam coisas que sejam quantificáveis e o preço é efetivamente fácil de quantificar“, recorda Mariana Dória. O principal desafio é, no seu entender, “quantificar coisas que antigamente eram mais qualitativas, que podem ser fortalezas muito específicas das marcas, mas que são mais difíceis de mostrar aos modelos”, como rapidez de processos e grau de simplificação.
“Há aqui, de facto, uma mudança de comportamento que nos parece que vai afetar primeiro as decisões que supostamente devem ser mais ponderadas, porque o preço mental da ponderação vai baixar.”
Rui Borges, CEO da Plot, aponta que “com exceção do Bankinter, as marcas que lá estão [no estudo] são também as que estão mais na cabeça das pessoas”. A Plot fez ainda as mesmas perguntas aos modelos de duas formas: deixando-os pesquisar na internet e sem lhes dar esse acesso. “As respostas são diferentes. E isso, no fundo, acaba por ser um bocadinho o valor da marca”, explica Rui Borges. “Quando fazemos perguntas aos modelos sem os deixar ir à internet, o que estão a ver é aquilo em que foram treinados, o que aprenderam. E aí a marca é muito importante. Quando ligamos o acesso à internet, há coisas que mudam e que têm muito a ver com todo este trabalho de otimização.”
Citando a teoria dos dois sistemas de pensamento de Daniel Kahneman, o sistema 1 é o de pensamento rápido. “Se agora agarrar num copo e o atirar para a plateia, as pessoas não vão pensar em física, nem na trajetória, nem na aceleração — vão só pôr uma mão à frente. É com ele que tomamos a esmagadora maioria das decisões”. Depois há o sistema 2 — o racional — “que dá trabalho e que supostamente devia ser usado em decisões mais complicadas, como um seguro de saúde, que tem de ser ponderado”. No entanto, o próprio psicólogo notava que “os humanos estão para pensar como os gatos estão para nadar. Ambos sabem fazê-lo, mas preferem não o fazer”. É aí que entra, por exemplo, a publicidade.
Rui Borges, CEO da PlotHugo Amaral/ECO
Rui Borges cita investigadores da Wharton para descrever a mudança, que propõem um “sistema 3”. “Hoje em dia a inteligência artificial está a funcionar como um sistema 3, com a capacidade de raciocínio do sistema 2 e a velocidade do sistema 1”. E dá exemplos. “Numa decisão como um seguro de saúde, é muito fácil carregar lá as apólices e pedir para investigar as condições, e de repente temos uma escolha completamente feita à nossa medida. Ou no crédito à habitação, em cinco minutos posso mandar o Claude ou o ChatGPT correr os preçários e, de repente, está a construir um simulador em que o banco investiu milhares e milhares.”
“Há aqui, de facto, uma mudança de comportamento que nos parece que vai afetar primeiro as decisões que supostamente devem ser mais ponderadas, porque o preço mental da ponderação vai baixar. No fim do dia, mesmo que o modelo recomende várias marcas vamos sempre escolher a marca com que estivermos mais confortáveis. Portanto, todo o trabalho de construção de marca continua a ser essencial”.
Ninguém tem a receita
Com a atenção concentrada cada vez mais na IA, “temos de ter uma atitude de principiante”, recomenda Rui Borges, num cenário em que “há mesmo muitos caminhos, porque ninguém sabe a fundo como isto funciona — e, mais assustador, talvez nem quem cria os modelos saiba”.
“Houve imensas coisas que estávamos à espera que acontecessem e outras que não. Uma das que mais me surpreendeu — porque também fazemos estudos de disponibilidade mental, de como as marcas estão na nossa cabeça — é que há marcas com uma disponibilidade mental muito grande nestes produtos que depois não aparecem aqui“, exemplifica.
A esta “mente de principiante” junta-se “saber onde estamos”. “Ao contrário do Google, não há uma Search Console que nos diga o que as pessoas estão a perguntar, por isso acaba por ser arte e ciência, um bocado de intuição. Tentamos emular o que as pessoas perguntam, indo aos fóruns e à Search Console e percebendo que a intenção é um pouco diferente nos modelos de IA. Depois, perceber onde estão as respostas.” O caminho passa, na sua visão, por ter “páginas muito otimizadas, sobretudo as de produto” e puxar pelos fatores que se quer destacar.
Para Rui Borges, a estratégia passa por continuar a trabalhar o SEO. “A diferença de citação entre estar em primeiro ou em sexto lugar no SEO é enorme. Isso vamos continuar a fazer, nos conteúdos e também na parte técnica. Depois há um desafio novo, que nenhuma agência consegue trabalhar sozinha: os sites de terceiros”. As citações estão concentradas. Dos 986 domínios citados nas respostas, 28 reúnem metade das citações. O ECO aparece em nono lugar.
“Estas são coisas que se podem fazer sem qualquer risco. Sabemos que as coisas vão mudar, mas há aqui coisas básicas. Depois, é guardar um bocadinho para experimentação — experimentar e ir medindo, experimentar e ir medindo. E manter a tal mente de principiante. Se alguém disser que sabe como é, desconfie e afaste-se dessa pessoa, porque não sabe”, adverte.
“Não acho que haja uma receita. Ainda ninguém a descobriu. Há muito por explorar e por entender sobre como funcionam estes modelos, e acho que é experimentando que vamos fazendo o caminho”
Para Ana Esteves, esta nova realidade “vai desafiar-nos na forma como o consumidor nos encontra e como somos recomendados. Naturalmente, as recomendações não são decisões. No final do dia, podem não vir a ser uma decisão. O que temos trabalhado muito é onde queremos estar”.
“Não acho que haja uma receita. Ainda ninguém a descobriu. Há muito por explorar e por entender sobre como funcionam estes modelos, e acho que é experimentando que vamos fazendo o caminho“, aponta.
Ana Esteves, responsável pelo ecossistema de prevenção da Multicare
Mariana Dória destaca a importância dos dados. “Os dados que seguíamos há um ano já não são os mesmos. Vamos precisar de muita elasticidade mental para perceber que isto vai evoluir, que estamos todos a aprender e que as máquinas também estão a aprender. Ontem um AI Overview apontava para um sítio, amanhã aponta para outro e, de repente, destruiu os resultados todos e tenho de ir trabalhar noutra coisa”, explica.
Na sua opinião, a humildade desempenha um papel neste cenário. “Entendemos que é uma realidade transversal a todo o setor e efetivamente dinâmica. Mas, ao mesmo tempo, [olhamos] com sentido de urgência. Procuramos estar atentos aos dados, ter dados para informar as decisões e atacar o que é mais prioritário”.
Daqui a um ano, para Mariana Dória, “vamos continuar a ter uma conversa parecida, porque isto vai continuar a evoluir tão depressa que não me vejo a achar que já estamos num ponto de estabilidade e que já sabemos tudo. Vamos estar a falar precisamente de quão rápida foi a evolução, de todas as surpresas que tivemos, a antecipar o que virá no futuro e a falar outra vez da incerteza”.
Maria João Silva, chief marketing officer da Generali Tranquilidade
“Hoje discutimos como os agentes recomendam as marcas nos diferentes atributos, mas, se calhar daqui a um ou dois anos, com a evolução que isto tem, estaremos a discutir como é que estes agentes já tomam a decisão pelos consumidores e como fazemos esse caminho. É mais um desafio, on top daquilo que já temos”, antecipa Ana Esteves.
Maria João Silva espera que o trabalho se traduza na satisfação dos clientes e que a tecnologia simplifique o setor. “Se a IA nos ajudar a libertar esta complicação que às vezes existe no tema dos seguros, vou ficar muito, muito satisfeita”, confessa.
A última palavra coube a Rui Borges. “Daqui a um ano? Em primeiro lugar, espero que a IA não nos mate a todos e que estejamos cá.” Em tom mais sério, deixou o conselho que atravessou o painel. “O caminho é aprender, essencialmente aprender.”
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) considerou esta quarta-feira “vergonhosas” e “lamentáveis” as afirmações da Fidelidade, seguradora da Carris, no processo de indemnização à família de uma das vítimas do acidente do elevador da Glória.
“As informações que nós ouvimos, pelo menos através da comunicação social sobre a seguradora, são vergonhosas, são lamentáveis, não se percebe e, portanto, notifiquei a seguradora, notifiquei no sentido que informei daquilo que é o nosso desconforto sobre afirmações dessa índole”, afirmou Carlos Moedas (PSD) na reunião pública de vereadores que está a decorrer nos Paços do Concelho.
O vereador do BE Ricardo Moreira (em substituição de Carolina Serrão) tinha questionado a liderança PSD/CDS-PP/IL sobre excertos retirados do processo de indemnização à família de uma vítima mortal do descarrilamento do elevador, em setembro do ano passado, em que a Fidelidade argumenta que “porque o acidente foi tão rápido, nem sequer lhes custou nada, não sofreram”, disse o bloquista.
“É uma indignidade, senhor presidente, não deixe estas vítimas sozinhas, lute por elas, tal como nós, não abandone as vítimas do elevador da Glória”, pediu Ricardo Moreira.
Também Pedro Anastácio, do PS, considerou que, “além da total falta de empatia e da crueldade que representam as declarações por parte da seguradora”, há uma questão “muito mais grave”, uma vez que “foi afirmado que era conhecida a falta de segurança do elevador e que [o descarrilamento] não era um evento imprevisível”.
“É dito que os utilizadores bem sabiam do risco, e mais, que toda a gente sabia e, se todos sabiam, a Câmara, por maioria de razão, também sabia”, salientou o socialista, defendendo que a argumentação da Fidelidade “torna a Câmara Municipal de Lisboa, a Carris, e aqui não vale a pena haver confusões porque é uma empresa 100% detida pelo município de Lisboa, e em particular o senhor presidente da Câmara, corresponsável pelo acidente”.
“Se assim é, e se toda a gente sabia, a Câmara não podia ignorar, como fez, e tinha uma obrigação de tomar medidas de impedir a circulação e nada disto foi feito”, vincou.
Carlos Moedas considerou “triste e, de certa forma, doloroso ver a que a política chegou e a politização de uma tragédia”.
“Essa politização de uma tragédia tem sido aqui uma opção política, uma estratégia do Partido Socialista, e isso é muito triste, porque afeta a vida de todos”, acusou o social-democrata.
Antes, também o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), tinha classificado as afirmações da Fidelidade como “lamentáveis”.
“O nosso desejo e a orientação, se é possível nós darmos orientação a uma seguradora, é que seja diligente, rápida e que não haja nenhuma restrição da parte da Câmara Municipal em termos de assinar os acordos”, afirmou o vice-presidente.
A Fidelidade rejeitou esta quarta-feira que esteja a recusar indemnizar as vítimas do acidente do elevador da Glória, em Lisboa, e lamentou que “algumas expressões” retiradas de peças processuais “possam ter causado sofrimento acrescido”.
Gonçalo Reis manifestou ainda a solidariedade da CML para com as vítimas do acidente de esta quarta-feira com dois comboios de alta velocidade em Espanha, bem como para com as famílias, os profissionais do setor ferroviário e as equipas de emergência.
“Nós temos de trazer confiança às infraestruturas e aos temas de transportes”, rematou.
O CEO de resseguro da Aon para o Reino Unido, Andrew Laing, morreu, anunciou a empresa na quinta-feira.
A Aon anunciou a morte de Andrew Laing, CEO da Aon Re Reino Unido.
Laing tinha assumido o cargo dedicado ao negócio de resseguro no Reino Unido em março de 2026. Trabalhava na Aon há mais de 40 anos e era também CEO da divisão global de ressegurofacultativo da empresa desde 2016.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Aon afirma: “Estamos profundamente consternados com a perda de Andrew Laing, que liderava o negócio de soluções de resseguro da Aon no Reino Unido”.
“Quem conheceu Andrew recordar-se-á de muito mais do que das suas conquistas profissionais. Era dedicado à família, um colega de confiança, um mentor generoso e um amigo leal e estimado por muitos”, explica a Aon, que não adiantou a causa de morte.
A Mapfre obteve um lucro líquido de 924 milhões de euros até setembro, mais 11,5% do que período homólogo, com um crescimento em prémios tanto no segmento Vida como no de Não Vida, foi esta quarta-feira anunciado.
Em comunicado à Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola (CNMV), a seguradora explica que os prémios subiram para 22.800 milhões, mais 2% do que em 2025, com aumentos de 11% no ramo Não Vida e de 5% no de Vida.
A área geográfica da Ibéria melhorou o lucro em 19% para 413 milhões de euros.
Em Espanha e Portugal (Ibéria), os prémios atingiram os 7.891 milhões, um aumento de 0,9%, dos quais Espanha contribuiu com 7.531 milhões (um aumento de 0,3% em relação ao ano anterior), enquanto Portugal contribuiu com 359 milhões (um aumento de 13,6%).
Os prémios do segmento Não Vida subiram 0,7% com bom desempenho em Saúde e Acidentes (4,1%) e em Automóveis (1,1%), enquanto os Seguros Gerais caíram 2,4% devido à emissão não recorrente de Empresas em 2025.
Seguradora da Carris lamenta expressões em peças processuais mas recusa que esteja a recusar indemnizar vítimas do descarrilamento de setembro de 2025.
Até ao momento, a Fidelidade suportou diretamente ou assumiu a responsabilidade pelo reembolso de aproximadamente 2,5 milhões de euros em indemnizações e despesas relacionadas com o acidente
A Fidelidade rejeitou “categoricamente que esteja a recusar indemnizar” as famílias e as vítimas do acidente do Elevador da Glória, depois de na passada segunda-feira ser noticiado que a seguradora contestava o valor da indemnização e que defendia que o Elevador não podia ser visto como um meio de transporte “altamente confiável” à data do acidente. A seguradora veio agora afirmar em comunicado que a distância entre os valores pedidos e as propostas apresentadas não se traduz numa recusa de pagamento.
A Fidelidade indicou ainda que já suportou diretamente ou assumiu a responsabilidade pelo pagamento de cerca de 2,5 milhões de euros em despesas e indemnizações associadas ao acidente.
Explica que “apresentou uma proposta de várias centenas de milhares de euros, fundamentada nos critérios legais e jurisprudenciais aplicáveis e validada pela Comissão Técnica Independente”, frisando que “a divergência entre o montante proposto e o reclamado não constitui uma recusa de indemnizar“.
A companhia criticou a tentativa de inflacionar os montantes, sustentando que “uma vida não pode valer mais, nem menos, em função da atenção mediática que a sua perda suscite“. No mesmo esclarecimento, detalhou que os valores invocados para a perda do direito à vida correspondem apenas a uma parcela do cálculo indemnizatório, ao qual se somam outros danos patrimoniais e não patrimoniais.
Das 16 vítimas mortais, a seguradora avança que quatro processos fecharam em acordo definitivo com as famílias, oito mantêm-se em fase negocial, dois processos estão dependentes de documentação, um processo seguiu para a via judicial, e um processo está a ser processado como acidente de trabalho, com pensões provisórias ativas.
No caso dos 24 feridos, a Fidelidade refere que mantém a assistência médica e que a fixação final das compensações depende da consolidação clínica das lesões de cada sinistrado.
Antoine Parisi, CEO do Redion Group, vai integrar o Comité de Gestão da Generali a partir de 1 de janeiro de 2027. A nomeação surge no âmbito da reorganização da estrutura de gestão anunciada pelo grupo segurador italiano a 20 de outubro.
Antoine Parisi, CEO do Redion Group. “Estou muito grato a Philippe Donnet e Giulio Terzariol pela confiança e agradeço a Jean-Laurent Granier o seu apoio e acompanhamento desde 2018″.
Com esta mudança, a Redion Group, que reúne as atividades de assistência, seguros de viagem e benefícios para colaboradores, passará a reportar diretamente a Giulio Terzariol, Group Deputy CEO da Generali. Parisi trabalhará com Terzariol e com o CEO do grupo, Philippe Donnet, na definição das prioridades estratégicas e no acompanhamento da sua execução.
A nomeação acontece no seguimento da reorganização da Generali para a fase final do plano estratégico “Lifetime Partner 27: Driving Excellence” e na preparação do ciclo estratégico de 2028 a 2030.
“Estou muito grato a Philippe Donnet e Giulio Terzariol pela confiança e agradeço a Jean-Laurent Granier o seu apoio e acompanhamento desde 2018. Integrar o Group Management Committee da Generali é, simultaneamente, um privilégio e uma responsabilidade”, afirma Antoine Parisi, CEO do Redion Group.
A Redion, previamente Europ Assistance, é uma empresa do Grupo Generali que oferece seguros de viagem, assistência médica, proteção aos colaboradores, soluções nas áreas da saúde, mobilidade e seguros pessoais, bem como programas globais B2B2C e de seguros integrados (embedded insurance). Está presente em mais de 190 países e, de acordo com a empresa, conta com um volume de negócios anual de 5,8 mil milhões de euros.
Os mercados privados estão consolidados nas carteiras de investimento das seguradoras e deverão ganhar peso nos próximos 12 meses, sobretudo através da dívida privada. Esta é uma das conclusões da 15ª edição do BlackRock Global Insurance Survey (2026), o estudo anual da gestora de ativos norte-americana, considerada a maior do mundo. Segundo o estudo, mais de 40% das seguradoras a nível mundial já destinam mais de 15% dos seus investimentos dívida privada e 76% planeiam aumentar essa exposição.
Para Mark Erickson, Global Insurance Strategist da BlackRock, “as seguradoras estão a transitar de modelos operacionais verticalmente integrados para arquiteturas mais modulares, combinando capacidades internas e parcerias externas em investimentos, capital, tecnologia e distribuição”.
O relatório reúne as perspetivas de 463 executivos de seguradoras de 31 mercados, cujas empresas representam mais de 24 biliões de dólares investidos em ativos. O inquérito foi realizado entre junho e setembro de 2026 e inclui participantes da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), América do Norte, Ásia-Pacífico e América Latina.
Segundo a BlackRock, 92% das seguradoras inquiridas já investem pelo menos 5% das suas carteiras em mercados privados. A intenção de reforçar estas posições mantém-se maioritária, embora tenha diminuído face aos níveis dos últimos anos: 94% das seguradoras planeavam aumentar as alocações em 2025, 91% em 2024 e 89% em 2023.
A evolução aponta, de acordo com o relatório, para uma abordagem mais seletiva. Em vez de aumentarem indiscriminadamente a exposição, as seguradoras estão mais concentradas na construção das carteiras, na avaliação do valor relativo dos ativos e na escolha das estruturas de investimento adequadas aos seus objetivos de rendimento, liquidez e capital.
Dívida privada lidera a procura
A dívida privada é a principal aposta entre as classes de ativos dos mercados privados. Foi identificada por 41% dos inquiridos como uma área em que pretendem aumentar o investimento nos próximos 12 meses.
A tendência é acompanhada por mudanças na forma como as seguradoras acedem a estes ativos. Segundo a BlackRock, 74% planeiam investir em dívida privada através de contas segregadas ou mandatos à medida, estruturas que permitem adaptar as carteiras às necessidades específicas de cada companhia.
O estudo relaciona esta evolução com a crescente importância das parcerias externas na gestão dos investimentos. Atualmente, 84% das seguradoras descrevem o seu modelo de gestão de ativos como híbrido, combinando capacidades internas com recursos externos. Quase metade, 49%, espera aumentar a utilização de gestores externos durante o próximo ano.
Para Charles Hatami, responsável global do Financial & Strategic Investors Group e co-responsável do Global Partners Office da BlackRock, o compromisso com os mercados privados não significa comprar ativos indiscriminadamente. O responsável defende que a prioridade passa por selecionar os ativos e as estruturas mais adequados aos objetivos de rendimento, liquidez e capital de cada seguradora.
Inflação continua a ser a principal preocupação
Apesar do reforço dos mercados privados, o enquadramento macroeconómico permanece determinante para as decisões de investimento. A inflação é a principal preocupação de 62% das seguradoras inquiridas, uma proporção inalterada face a 2025.
Já o receio de recessão diminuiu significativamente. Apenas 18% dos participantes identificam este cenário como uma preocupação, menos 17 pontos percentuais do que em 2025, quando a percentagem atingia 35%.
No conjunto dos mercados, 61% das seguradoras esperam uma aterragem suave da economia mundial nos próximos 12 meses. Outros 24% não antecipam uma aterragem, enquanto 9% preveem condições de estagflação, caracterizadas pela combinação de inflação elevada e crescimento económico fraco.
A perspetiva é particularmente favorável na região EMEA, onde 75% dos inquiridos esperam uma aterragem suave. Na América do Norte, a percentagem é de 63%, enquanto na Ásia-Pacífico desce para 47% e na América Latina para 40%.
Estes dados regionais são relevantes para interpretar as prioridades das seguradoras europeias, embora o relatório apresente o indicador agregado da região EMEA, que inclui também o Médio Oriente e África, e não apenas os mercados europeus.
Apetite pelo risco mantém-se estável
O apetite pelo risco de investimento permanece globalmente estável: 82% das seguradoras pretendem manter o perfil de risco das suas carteiras.
Contudo, a estabilidade não significa ausência de reservas quanto à conjuntura. Entre as seguradoras que pretendem manter o atual perfil de risco, 57% consideram que não existem oportunidades suficientes para justificar uma maior exposição, um aumento de 22 pontos percentuais face a 2025.
Por outro lado, 50% procuram maior diversificação dentro do orçamento de risco já definido. A BlackRock interpreta estes resultados como um sinal de maior seletividade na gestão das carteiras, em vez de uma simples confiança nas exposições existentes.
Parcerias alargam-se para além dos investimentos
A colaboração com entidades externas está também a estender-se a outras áreas da atividade seguradora. Segundo o inquérito, 82% das companhias mantêm parcerias externas em pelo menos duas funções empresariais, que podem abranger investimentos, disponibilização de capital, desenho de produtos, gestão de passivos e distribuição.
Mark Erickson, responsável global de estratégia para seguros no Financial Institutions Group da BlackRock, considera que as seguradoras procuram parceiros capazes de contribuir para além da gestão de investimentos. A articulação entre investimento, capital e tecnologia assume, na sua perspetiva, uma importância crescente num ambiente operacional mais complexo.
Inteligência artificial avança a ritmos diferentes
A inteligência artificial (IA) também integra as prioridades de transformação do setor. De acordo com o relatório, 60% das seguradoras já têm pelo menos uma aplicação de IA implementada em escala ou incorporada nos seus processos de trabalho.
A adoção, contudo, varia significativamente entre funções. Na subscrição e tarifação, 21% dos inquiridos reportam aplicações de IA implementadas em escala ou integradas nos processos. Na seleção de investimentos e na monitorização de crédito, a proporção é de apenas 3%.
A diferença evidencia que a utilização de IA está mais avançada em algumas áreas operacionais do que nos processos de investimento e análise de crédito, onde a integração em fluxos de trabalho recorrentes continua limitada.
O BlackRock Global Insurance Survey 2026 conclui, assim, que as seguradoras procuram conciliar novas fontes de rendimento e diversificação com uma gestão mais seletiva do risco, num contexto em que a inflação continua a condicionar as decisões e a utilização de parceiros externos ganha peso nos modelos operacionais.
A BlackRock é a maior gestora de ativos do mundo, de origem norte-americana, que administra investimentos de clientes institucionais e particulares, incluindo seguradoras, fundos de pensões, bancos e governos. Tem posição relevante no capital da Marsh, AON e WTW e nas seguradoras Prudential e AIG gerindo, nesta última, quase 10% do capital.
A Fidelidade, seguradora da Carris, considera que o Elevador da Glória não podia ser visto como um meio de transporte «altamente confiável» à data do acidente de 3 de setembro de 2025, que provocou 16 mortos. Segundo noticia oCorreio da Manhã (acesso pago), a posição consta da contestação apresentada pela seguradora no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, no âmbito de uma ação em que a família de uma das vítimas mortais exige uma indemnização de 1,05 milhões de euros à Carris, à MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia, responsável pela manutenção do ascensor, e à Fidelidade.
Segundo o jornal, a Fidelidade contestou os valores reclamados pela família a título de indemnização pelos diferentes danos. Em particular, considera «manifestamente excessivo» o pedido de 125 mil euros pelo dano por morte, alegando que os tribunais portugueses têm fixado indemnizações entre 50 mil e 90 mil euros em casos semelhantes. A seguradora afirma ter apresentado uma proposta de indemnização alinhada com os valores atribuídos pela jurisprudência nacional, mas que esta não foi aceite pela família.
Contactada a Fidelidade por ECOseguros, fonte da companhia afirmou “não divulgar peças processuais de ações judiciais em curso” mas dispôs-se “a enquadrar a questão em termos gerais”. Segundo esta fonte “num pedido de indemnização por morte, o valor total reclamado resulta da soma de várias parcelas distintas, entre as quais a compensação pela perda do direito à vida, os danos não patrimoniais sofridos pela vítima e pelos seus familiares e os danos patrimoniais futuros“. Acrescentou que “a referência ao critério de uniformização respeita apenas à compensação pela perda do direito à vida e corresponde a um parâmetro seguido pelos tribunais portugueses, que procuram fixar valores equivalentes em situações semelhantes”, assegurando igualdade de tratamento entre todas as vítimas. Conclui a Fidelidade que este facto “não constitui, de forma alguma, um juízo sobre o valor de uma vida, nem diminui a perda irreparável sofrida por estas famílias”.
A seguradora contesta a alegação da família de que o acidente foi imprevisível, invocando a ocorrência de vários acidentes com o ascensor desde 2018. Na sua argumentação, a possibilidade de um desastre como o de setembro de 2025 não podia ser considerada totalmente imprevisível.
A Fidelidade defende que a ação cível seja suspensa até à conclusão do inquérito do Ministério Público e que o pedido indemnizatório seja tratado no âmbito do processo-crime, para evitar decisões contraditórias.
Notícia acrescentada às 17h30m com declarações da Fidelidade.
A Zurich lançou um novo seguro automóvel destinado a empresas, com quatro planos de proteção e coberturas ajustáveis às características dos veículos e às necessidades de cada negócio.
José Coutinho, Chief Underwriting Officer da Zurich Portugal. “As empresas enfrentam hoje desafios complexos na gestão dos seus riscos, e muitas vezes existe um desajuste entre aquilo que está efetivamente protegido e aquilo que está em causa quando ocorre um imprevisto”.
Entre as novidades estão o apoio domiciliário em caso de incapacidade temporária do condutor, a proteção em caso de imobilização da viatura e a bonificação de franquias associada à utilização da rede convencionada de reparação.
A Assistência em Viagem passa também a estar disponível em três níveis de proteção, com capitais e garantias reforçados para veículos comerciais e pesados. A cobertura inclui ainda um capital específico para reboque em caso de rebentamento de pneu.
O seguro inclui garantias de danos próprios, como quebra de vidros, choque e colisão, fenómenos da natureza e alterações da ordem pública. As franquias têm valores definidos, permitindo às empresas conhecer antecipadamente o montante a suportar em caso de sinistro.
“As empresas enfrentam hoje desafios complexos na gestão dos seus riscos, e muitas vezes existe um desajuste entre aquilo que está efetivamente protegido e aquilo que está em causa quando ocorre um imprevisto”, afirma José Coutinho, Chief Underwriting Officer da Zurich Portugal.
A assistência médica é a cobertura mais acionada e também a que tem maior impacto financeiro, seguida do cancelamento de viagem. O diagnóstico é feito por Alfonso Calzado, CEO da IATI, uma mediadora familiar espanhola especializada em seguros de viagem estabelecida em 1885 e presente em Portugal tendo como parceira a seguradora ARAG. Em declarações a ECOseguros, que assinala também um aumento da sinistralidade em solo europeu ao nível dos clientes da seguradora.
Alfonso Calzado, CEO da IATI. “A relação entre preço e cobertura é importante, mas entram também na equação o nível de assistência médica, a capacidade de resposta em caso de sinistro, o apoio prestado antes da compra e a própria reputação da seguradora”.
O responsável alerta para a existência de “alguma tendência para subvalorizar os riscos numa viagem dentro da Europa ou assumir que o Cartão Europeu de Seguro de Doença é suficiente”. A verdade é que o documento comunitário assegura apenas o acesso a cuidados de saúde públicos nas mesmas condições dos residentes locais, não substituindo uma apólice de viagem ou cobrindo despesas críticas como “repatriamento ou transporte sanitário”, explica.
Ásia concentra ocorrências, EUA e Oceânia destacam-se nos custos
A nível global, as causas e os custos dos sinistros variam consoante o destino. De acordo com Calzado, ao nível da sinistralidade da IATI, “a Ásia é a região que concentra o maior volume de ocorrências, sobretudo relacionadas com acidentes com aluguer de motas, gastroenterites, contaminação alimentar e ingestão de água imprópria para consumo”.
No entanto, destinos como os Estados Unidos destacam-se pelo impacto financeiro de cada processo, impulsionado pelo preço elevado da medicina local, onde até mesmo intervenções simples podem representar encargos avultados. “Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália são exemplos de mercados onde uma radiografia acompanhada de medicação pode atingir milhares de euros”, adverte Calzado.
Na Europa, o aumento das ocorrências reflete a proliferação de “mais escapadinhas frequentes, roadtrips e viagens com atividades ao ar livre ou desportos de aventura”, a que se somam perturbações no transporte aéreo como “greves, atrasos, perdas de ligações e extravio de bagagem”, explica.
Seguro de viagem em Portugal está em crescimento
O seguro de viagem tem uma taxa de penetração de 33% em Portugal, segundo o barómetro da HelloSafe divulgado em 2025, que estima um salto de 20% a 25% na contratação pós-pandemia, com o canal digital a concentrar 70% das subscrições. Apesar desta trajetória, a adesão nacional permanece aquém da maturidade observada noutros parceiros europeus, como a Suécia, onde atinge os 88%, ou o Reino Unido, com 78%.
Existe assim margem de progressão do setor num momento de expansão turística. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), os residentes em Portugal realizaram 3,858 milhões de viagens ao estrangeiro em 2025, o que representa um aumento de 12,5% face ao ano anterior.
Embora o preço continue a pesar no momento da decisão, o CEO da seguradora sublinha que “o consumidor não olha apenas para o valor da apólice”, colocando na balança “a capacidade de resposta em caso de sinistro” e “limites elevados para despesas médicas”. Entre as garantias mais procuradas pelos clientes nacionais da seguradora destaca-se ainda “o repatriamento a 100%”. Questionado sobre a evolução concreta da procura, Calzado aponta para “uma evolução importante ao nível da consciência com que os viajantes preparam as suas viagens”, passando o seguro a ser entendido “como uma ferramenta importante para garantir segurança, tranquilidade e qualidade ao longo de toda a experiência”.
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Presidente da câmara de Gavião, António Severino, refere que o seguro de saúde vai abranger "todos os recenseados" no concelho, a partir dos 18 anos, sendo "totalmente gratuito" para os aderentes.