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Saúde: 2,6 milhões de portugueses recorrem à IA para esclarecer dúvidas

30 October 2026 at 11:59

A Wise Pirates, consultora de tecnologia e marketing digital, lançou o estudo “Saúde Digital 2026: EUA, Europa e o lugar de Portugal”, no qual conclui que Portugal se destaca na Europa pela infraestrutura pública de saúde digital, mas continua a revelar dificuldades em transformar esse investimento em utilização efetiva pelos cidadãos.

O estudo da Wise Pirates identifica um contraste no mercado português: quando a digitalização depende da infraestrutura disponibilizada pelo Estado, Portugal apresenta indicadores elevados, mas quando a adoção depende da iniciativa do cidadão ou do mercado, o país perde terreno. A análise indica que a utilização dos serviços digitais é um dos principais desafios e oportunidades da próxima fase da transformação digital da saúde em Portugal. A empresa estima que cerca de 2,6 milhões de portugueses entre os 18 e os 64 anos já recorrem à IA para esclarecer dúvidas de saúde.

Os dados do Eurostat sustentam esta análise: em 2024, 39,6% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos consultaram o registo de saúde online, acima dos 27,7% da União Europeia. Porém, apenas 28,1% marcaram uma consulta através de um site ou aplicação, abaixo dos 39,8% registados na UE e dos 61,4% em Espanha. Com base nestes dados, a Wise Pirates calcula que os portugueses acedem online aos seus registos de saúde cerca de 43% mais do que a média europeia, mas recorrem à marcação de consultas online cerca de 29% menos.

A análise identifica ainda desigualdades relevantes na utilização dos serviços digitais de saúde. Segundo dados da OCDE e da Comissão Europeia, 62% dos adultos portugueses com maior escolaridade consultam o registo clínico online, face a 19% entre os menos escolarizados. Na marcação de consultas online, a diferença é igualmente expressiva, com valores de cerca de 50% e 10%, respetivamente.

“Portugal já construiu uma parte importante das bases necessárias para a a evolução do uso de digital e tecnologia na saúde, mas falta ainda transformar capacidade tecnológica em utilização efetiva e segura. Para isso, não basta disponibilizar soluções. É necessário trabalhar a experiência, a confiança, a comunicação e a facilidade de utilização, para que a tecnologia se integre de forma natural na relação das pessoas com a saúde, com mais valor para as suas vidas e em plena articulação com pilares médicos estabelecidos”, analisa Pedro Barbosa, CEO da Wise Pirates.

Num contexto internacional, o estudo identifica ainda duas trajetórias distintas. Nos Estados Unidos, a saúde digital tem sido marcada por uma maior disponibilidade de capital e por modelos orientados para o consumidor. Na Europa, a evolução está mais associada à construção de infraestrutura e ao enquadramento regulatório. A análise conclui também que a Europa enfrenta um desafio na capacidade de levar empresas de saúde digital das fases iniciais de financiamento até à escala.

 

 

Furiosa AI fecha ronda de financiamento de 620 milhões e reforça equipas de em Portugal

30 October 2026 at 11:55

A Furiosa AI, empresa sul-coreana que desenvolve aceleradores de inteligência artificial para inferência com elevada eficiência energética, anunciou o fecho de uma ronda de financiamento Series D de 620 milhões de dólares (547 mil milhões de euros), com uma avaliação pós-investimento de 2,9 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros). A ronda contou com a participação dos investidores internacionais Cisco Investments, Infinitum, Jericho Capital, NeoFort Holding, QUDA Capital e Worldline Capital. O Fundo Nacional de Crescimento da Coreia do Sul contribuiu com 280 milhões de dólares (247 milhões de euros). O Export-Import Bank of Korea, a UAMCO e a Hanwha Asset Management entraram como novos investidores.

Os três investidores iniciais da empresa, NAVER, DSC Investment e KDB Capital, voltaram a investir, tal como o KDB, a Nextrans, a Kakao Investment e vários outros investidores das primeiras rondas. O novo capital será aplicado em três frentes: aumentar a produção do acelerador de inferência RNGD, reforçar o ecossistema de software e acelerar o desenvolvimento do chip de terceira geração. A Furiosa AI prevê produzir 20 000 aceleradores RNGD em 2026 e mais do que duplicar esse volume em 2027, para mais de 40 000 unidades.

O chip de terceira geração, em desenvolvimento com a Broadcom e outros parceiros, terá um design multi-die em 2 nm com memória HBM4/4E. Destina-se a executar modelos de fronteira de IA baseados em agentes em grandes clusters.

Lisboa reforça o seu papel como sede europeia

Com este financiamento, a Furiosa AI vai reforçar as equipas de investigação e desenvolvimento (I&D) e comercial em Portugal. Lisboa é, a par de Seul, Silicon Valley e Singapura, um dos locais onde a empresa está a recrutar. A Furiosa AI abriu a sua sede europeia em Lisboa em abril de 2026. O escritório concentra as operações comerciais e o suporte técnico a clientes e parceiros em toda a Europa. Acolhe também uma equipa de I&D dedicada a compiladores e ao desenho de chips, uma combinação de funções que dá a Lisboa um papel na organização global da empresa. Em julho, a empresa deu o primeiro passo na disponibilização do RNGD na Europa, com a instalação de servidores no centro de dados LS2 da Equinix, em Lisboa. Estes servidores permitem às empresas europeias avaliar o desempenho da arquitetura da Furiosa nos modelos de IA mais avançados, com o apoio da equipa de Lisboa.

“Esta ronda confirma a aposta da Furiosa AI em Portugal. Seis meses depois de abrirmos a sede europeia em Lisboa, vamos reforçar tanto a equipa de I&D, em compiladores e desenho de chips, como a equipa comercial que acompanha os clientes europeus. Portugal tem o talento e a energia limpa de que a infraestrutura de IA precisa, e queremos que o país seja o centro de toda a atividade da Furiosa AI na Europa”, diz Nuno Lopes, vice-presidente para a Europa e África da Furiosa AI.

Primeiro “aeroporto’universitário” nasce em Tires

29 October 2026 at 07:00

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT) e a Câmara Municipal de Cascais apresentaram o novo espaço dedicado aos alunos da Licenciatura e do Mestrado em Engenharia Aeroespacial da NOVA FCT, no Aeródromo Municipal de Cascais. O projeto NOVA Aerospace concretiza, assim, a integração estratégica de um polo universitário num aeroporto.

A inauguração decorreu no Hangar 7 do Aeródromo Municipal de Cascais, em Tires, assinalando o arranque do primeiro ano académico no novo polo, espaço onde decorrem as aulas dos alunos da Licenciatura e do mestrado em Engenharia Aeroespacial, um dia por semana. Os estudantes passam a beneficiar de um modelo de ensino imersivo em contexto aeroportuário real, que promove uma ligação mais próxima entre a academia e a indústria, através do acesso a hangares, oficinas e laboratórios integrados na infraestrutura do Aeródromo.

O programa interdisciplinar centra-se em veículos espaciais e aeronaves de pequena e média dimensão, com especial foco nas áreas de controlo, guiamento e navegação; eletrónica e telecomunicações; estruturas, aerodinâmica e propulsão.

“Com este novo polo, o campus da Nova FCT estende-se da Caparica até Cascais. Esta é uma parceria inédita em Portugal, que nos permite aproximar ainda mais o ensino da realidade do setor e criar condições para formar uma nova geração de engenheiros aeroespaciais, preparada para responder aos desafios do futuro”, afirma José Júlio Alferes, diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

“Este momento assinala a criação de um novo polo da NOVA FCT e representa um passo decisivo na concretização do projeto Nova Aerospace. É uma visão estratégica de médio e longo prazo, orientada para a criação de um ecossistema de excelência que junta ensino, inovação e investigação no setor aeroespacial”, acrescenta João Martins, professor na NOVA FCT e coordenador da NOVA Aerospace.

A formação pretende ainda estimular nos estudantes uma reflexão crítica sobre o papel da Engenharia Aeroespacial num futuro mais sustentável e inteligente, dotando-os de competências que lhes permitam contribuir para o desenvolvimento do setor e para alargar as possibilidades de exploração espacial.

Lisboa posiciona-se como um mercado emergente de Data Centers na Europa

28 October 2026 at 07:00

Portugal está a reforçar a sua posição como mercado emergente de Data Centers na Europa, impulsionado pelo crescimento da procura associada à inteligência artificial (IA), pela forte conectividade internacional e pela expansão de projetos de grande escala. De acordo com o mais recente Data Centers Iberian Region Snapshot, elaborado pela Colliers, empresa global e diversificada de serviços profissionais e de gestão de investimentos, especializada em Imobiliário Comercial, Engenharia e Gestão de Investimento, Lisboa dispõe atualmente de 25 MW IT de capacidade operacional, mas apresenta um pipeline de desenvolvimento de aproximadamente 1.389 MW IT. Cerca de 91% da capacidade assegurada deverá estar operacional antes de 2030.

Apesar de não terem sido identificados novos projetos ou aumentos de capacidade operacional em Lisboa durante o período analisado (abril a setembro de 2026), o mercado mantém uma dinâmica de desenvolvimento significativa. A Colliers destaca que a combinação entre uma base operacional ainda reduzida e um pipeline de grande dimensão coloca Portugal numa posição forte para captar uma nova vaga de procura por infraestrutura digital.

“O mercado de centros de dados em Portugal ainda é pequeno quando comparado com o de outros países com maior tradição neste setor (FLAP-D). No entanto, apesar de contar com menos projetos, Portugal tem três projetos que já são, ou virão a ser, muito relevantes em termos de dimensão: o Start Campus, em Sines, o Merlin, em Lisboa, e o Covilhã DC (Asterion). Em conjunto, estes projetos representam um pipeline de desenvolvimento muito significativo”, diz José María Guilleuma, managing director de Data Centers da Colliers, ao Jornal Económico.

“Portugal já conseguiu atrair grandes projetos de Inteligência Artificial, mas falta-lhe transformar Lisboa numa localização atrativa para os grandes operadores de hiperescala, à semelhança do que acontece em Barcelona”, acrescenta o responsável.

A crescente relevância da inteligência artificial está a alterar os requisitos dos operadores e utilizadores de Data Centers, aumentando a necessidade de capacidade energética, conectividade e instalações preparadas para cargas computacionais de elevada densidade. Neste contexto, a construção do Lisbon AI Campus da Merlin Edged está em curso. A primeira fase prevê 80 MW IT, distribuídos por duas instalações de 40 MW, com entrega prevista para o quarto trimestre de 2027. Está ainda prevista uma capacidade adicional de 100 MW IT em três edifícios, elevando a capacidade planeada do campus para 180 MW IT. Para além desta capacidade, a Merlin Edged prevê desenvolver até mais 1.120 MW IT no seu pipeline futuro, incluindo 200 MW IT em Vila Franca de Xira e outros 920 MW IT numa localização ainda não divulgada.

Sines ganha importância estratégica na corrida à IA

Fora da região de Lisboa, o projeto de Sines assume uma relevância crescente na estratégia nacional de infraestrutura digital. Segundo a Colliers, a Start Campus, em parceria com a Nscale e a Microsoft, ampliou o seu projeto para implementar mais de 66.000 GPUs NVIDIA Rubin a partir do final de 2027, complementando as mais de 12.600 GPUs NVIDIA Blackwell Ultra previstas para o SIN01. A Start Campus mantém autorização para uma capacidade total de 1,2 GW, reforçando Sines como uma das localizações europeias com maior potencial para infraestrutura de IA de grande escala.

Também fora de Lisboa, a entrada da NxN no mercado português, através da aquisição de um Data Center operacional de 1 MW IT em Évora, evidencia a expansão gradual do mercado para outros pontos do território. A atratividade de Lisboa enquanto localização para Data Centers é suportada pela sua forte conectividade internacional, nomeadamente pela rede de cabos submarinos e pela infraestrutura de fibra ótica. O mercado beneficia ainda de um enquadramento regulatório considerado favorável e de uma crescente valorização das infraestruturas digitais como setor estratégico.

“Portugal é uma geografia ideal, graças à sua localização estratégica voltada para o Atlântico. É verdade que o novo enquadramento regulatório em Espanha poderá beneficiar Portugal, ao posicioná-lo como uma boa alternativa para a diversificação europeia dos países nórdicos. No entanto, Portugal já beneficia de previsibilidade regulatória, e o seu modelo e estrutura da rede elétrica estão alinhados com as orientações da União Europeia”, conclui José María Guilleuma.

Pérez-Llorca e Uría Menéndez assessoram na aquisição indireta de 22,5% da Floene pela Italgas

27 October 2026 at 09:27

A operação insere-se na estratégia de crescimento através de fusões e aquisições prevista no Plano Estratégico 2026-2032 da Italgas, anunciado em junho, e permitirá ao grupo italiano assumir um papel industrial relevante em Portugal.

A Pérez-Llorca atuou como assessora jurídica portuguesa da Italgas nesta transação, em estreita colaboração com a sociedade de advogados italiana Legance, prestando aconselhamento jurídico em todos os aspetos de direito português relevantes no contexto da operação.

A assessoria foi liderada pela equipa de Corporate/M&A da Pérez-Llorca, composta pelo sócio Rodrigo Falcão Nogueira e pela associada Mariana Pintor, contando com o apoio de equipas de diversas áreas de prática do escritório, incluindo, em particular, a equipa de Regulatório, composta pelo sócio Carlos Vaz de Almeida, a counsel Joana Alves de Abreu e a associada Mariana Santos, bem como pela equipa de Concorrência e Direito da União Europeia, composta pela sócia Rita Leandro Vasconcelos e pela associada Sofia Vilas-Boas.

Por seu lado, a Uría Menéndez assessorou a Marubeni Corporation e a Toho Gas Co. Ltd., na qualidade de vendedoras.

A equipa da Uría Menéndez foi liderada por Catarina Tavares Loureiro, sócia de Corporate/M&A, e João Louro e Costa, counsel de Energia e Recursos Naturais, e contou com o apoio de Marta Sampaio Pinto, associada principal de Corporate/M&A, e Jill de Soet Palmeiro, associada sénior de Energia e Recursos Naturais.

Microsoft propõe saídas voluntárias a 60 mil trabalhadores

27 October 2026 at 08:49

A Microsoft prepara-se para mais um processo de reorganização com o objetivo de reduzir custos e adaptar-se à era da Inteligência Artificial. O programa inclui 60 mil funcionários, mais de 25% do total de trabalhadores, e será disponibilizado a algumas equipas nos Estados Unidos, Canadá, Índia e Reino Unido, “no nível 70 e inferiores”, o que significa que poderá abranger alguns quadros superiores.

“A oferta de saída voluntária reflete uma parte importante da forma como estamos a evoluir na nossa abordagem à mudança: criando maior flexibilidade e, sempre que possível, mais formas de os trabalhadores definirem a próxima etapa do seu percurso”, explicou a diretora de recursos humanos, Amy Coleman, numa mensagem. O novo plano destina-se a funcionários que estão na hierarquia até ao nível de vice-presidente, com exceção de alguns trabalhadores dos centros de dados e das áreas de venda e marketing.

Em julho, a Microsoft anunciou a eliminação de cerca de 4.800 postos de trabalho, aproximadamente 2,1% da sua força laboral global na altura, numa estratégia para recentrar a atividade e reduzir custos, numa altura em que a era da inteligência artificial continua a afirmar-se. Esses cortes afetaram sobretudo as divisões comercial e de jogos Xbox da empresa. A Microsoft ofereceu também este ano a alguns trabalhadores a possibilidade de se reformarem antecipadamente.

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