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Robô da Nasa descobre poeira ultrafina em Marte que pode criar grandes desafios para futuros astronautas

29 October 2026 at 11:19

Marte é um lugar empoeirado. A poeira é transportada pelos ventos do dia a dia, por redemoinhos chamados de redemoinhos de poeira e por tempestades de poeira maiores que ocorrem em escalas locais, regionais e globais. A poeira é um fator que precisa ser levado em consideração em qualquer missão humana a Marte, e novos dados de um veículo espacial da NASA estão revelando o tamanho do desafio que ela pode representar.

O rover Perseverance da NASA, que opera na região da Cratera Jezero, no hemisfério norte de Marte, desde seu pouso em 2021, detectou as partículas de poeira mais finas já registradas no planeta vizinho da Terra. Ele documentou partículas ultrafinas com cerca de 100 nanômetros de largura, aproximadamente 500 vezes mais finas que um fio de cabelo humano.

“Partículas menores não necessariamente tornam a poeira mais perigosa, mas têm maior potencial para penetrar mais profundamente no corpo humano e são mais difíceis de serem eliminadas pelo organismo”, disse o cientista planetário Scott VanBommel, da Universidade de Washington em St. Louis, membro da equipe científica do Perseverance e principal autor de um estudo que descreve as descobertas na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Como qualquer substância, a toxicidade depende da dose e da duração da exposição. A poeira marciana contém sílica, compostos de ferro e compostos de cloro, como o perclorato, que são conhecidos por serem prejudiciais em doses suficientemente altas na Terra”, disse VanBommel.

O Perseverance mediu partículas de poeira que aderiram aos componentes do veículo explorador, incluindo materiais de trajes espaciais transportados a bordo do veículo robótico de seis rodas, com o objetivo de observar como eles se comportam no ambiente hostil do planeta.

Medições anteriores identificaram partículas de poeira marciana com diâmetro de até cerca de 3 micrômetros. Mas o Instrumento Planetário para Litoquímica de Raios X (PIXL) do Perseverance documentou duas categorias de partículas ainda menores. Além das partículas ultrafinas, havia uma categoria de partículas finas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro, ou 30 vezes mais finas que um fio de cabelo.

Partículas tão minúsculas podem ser pequenas o suficiente para penetrar nos pulmões de um astronauta, entrar na corrente sanguínea e potencialmente danificar órgãos vitais. Outra preocupação é que o ambiente marciano e as propriedades físicas da poeira possam degradar os materiais dos trajes espaciais e dos habitats ao longo do tempo.

Com isso em mente, o Perseverance carrega amostras de possíveis materiais para trajes espaciais, como a fibra sintética Vectran e o revestimento protetor Teflon, cada uma com cerca de 20 mm de lado.

“Não temos evidências de que a poeira tenha danificado os materiais do traje espacial, apenas que os materiais tenderam a interagir com a poeira de maneira diferente”, disse VanBommel. “O Vectran pareceu reter partículas de poeira maiores, com maior prevalência na parte inferior de sua trama. A amostra de Teflon reteve menos poeira, mas a poeira retida era mais fina, refletindo diferenças em como as propriedades eletrostáticas podem aderir preferencialmente partículas de tamanhos diferentes a cada material.”

Astronautas em Marte

A NASA pretende enviar astronautas a Marte já na década de 2030.

“Essas descobertas ajudarão a orientar o projeto de futuros sistemas de suporte humano para missões tripuladas a Marte, incluindo a escolha de materiais para trajes espaciais e habitats, bem como métodos de limpeza que funcionem com partículas de tamanho submicrométrico. Elas também complementam as diretrizes e os protocolos que a NASA estabeleceu para riscos toxicológicos”, disse VanBommel.

“A quantidade de poeira que atinge um habitat dependerá em grande parte de como os trajes espaciais e as câmaras de descompressão são projetados, e esse trabalho está em andamento. A NASA está atualmente estudando estações de acoplamento para trajes espaciais e câmaras de descompressão de câmara dupla, bem como outros conceitos, para manter a poeira fora das áreas habitáveis”, disse VanBommel.

A NASA tem experiência com os efeitos da poeira lunar proveniente das missões Apollo, realizadas entre 1969 e 1972. A poeira lunar degradou as camadas externas dos trajes espaciais, danificou as vedações e arranhou as viseiras. Também pode ter causado sintomas semelhantes aos da rinite alérgica em alguns astronautas.

Mas a poeira de Marte difere da poeira lunar.

“Na Lua, a poeira é gerada principalmente por impactos na superfície , incluindo micrometeoritos. Sem atmosfera ou vento para desgastá-las, as partículas lunares permanecem afiadas e angulares. A maior preocupação com a poeira lunar vem de seu formato, enquanto que, para a poeira marciana, sua composição química e tamanho das partículas são as principais preocupações”, disse VanBommel.

A poeira de Marte surge principalmente das rochas basálticas de granulação fina do planeta. O intemperismo dessas partículas as torna menos abrasivas.

“O ambiente eólico ativo mistura a substância globalmente, conferindo-lhe uma composição bastante uniforme. Esse mesmo ambiente arredonda as partículas e gradualmente as quebra em partículas menores por meio de colisões”, disse VanBommel.

O foco do Perseverance tem sido a busca por sinais de vida microbiana antiga em Marte . Mas a NASA também o utilizou para se preparar para missões tripuladas.

“Os resultados deste estudo não significam que Marte seja perigoso demais para os humanos. A poeira marciana é um risco que precisa ser levado em consideração no planejamento, da mesma forma que a radiação e a distância da Terra”, disse VanBommel.

Ambulância fica debaixo d’água após fortes chuvas na Bahia; veja vídeo

29 October 2026 at 10:41

Uma ambulância foi arrastada pela correnteza e ficou debaixo d’água nesta quarta-feira (28) em Queimadas, no nordeste baiano, após as fortes chuvas que atingem o estado desde terça-feira (27).

Cinco pessoas estavam no veículo. Segundo a prefeitura da cidade, todos foram resgatados em segurança, sem registro de feridos. O prefeito de Queimadas, Ricardo Lopes (PSD), compartilhou imagens aéreas da ocorrência. No vídeo, é possível ver o veículo imerso na água. Veja imagens abaxo:

 

Além da ocorrência com a ambulância, foram registrados danos nas pontes do Riacho das Piabas, na BA-413, e do Rio d’Água, no acesso ao distrito de Espanta Gado. Já na ponte sobre o Rio do Peixe, na BA-120, entre Queimadas e Santaluz, foram identificados danos pontuais na junção da estrutura com o asfalto.

Com o avanço das chuvas, o governo estadual passou a monitorar ocorrências em rodovias e municípios. Cidades como Pindobaçu, Eunápolis, Ilhéus, Itambé, Itanhém, Lajedão, Medeiros Neto, Pindobaçu, Porto Seguro, Serrinha, Vereda e Jussiape decretaram situação de emergência. 

A Defesa Civil de Salvador também acompanha possíveis ocorrências. O órgão emitiu um alerta de chuvas intensas com rajadas de ventos, com risco para alagamentos e deslizamentos de terra para esta quarta.

Com a previsão de novas chuvas, o Inmet (Instituto Nacioal de Meteorologia) publicou dois alertas amarelos para esta quinta-feira (29). Um dos avisos é para perigo potencial de chuvas intensas. O outro é para acumulados de chuvas. 

Aulas suspensas

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação de Queimadas, as aulas da Rede Municipal de Ensino estão suspensas nesta quinta por conta das chuvas.

A pasta pediu para a população redobrar os cuidados, especialmente nas áreas afetadas pelas chuvas, evitando a travessia de trechos alagados e de locais que ofereçam riscos.

As aulas devem ser retomadas normalmente na terça-feira (3), conforme a programação da Rede Municipal de Ensino. Na sexta-feira (30) e segunda (2), as escolas continuam fechadas, mas por conta do Dia do Servidor Público e do Feriado de Finados, respectivamente.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

Veja quais líderes do CV seguem foragidos 1 ano após megaoperação no RJ

28 October 2026 at 14:37

Doca, Pedro Bala, Gardenal, Grandão e BMW. Esses são alguns dos grandes nomes do CV (Comando Vermelho) que seguem foragidos após um ano da Megaoperação que deixou mais de 120 pessoas mortas nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona Norte do Rio de Janeiro.

De acordo com as autoridades, a ação do dia 28 de outubro de 2025 tinha como principal objetivo frear o avanço da facção carioca. No entanto, até hoje, os principais líderes da organização não foram localizados.

A CNN Brasil separou quem são os principais nomes do Comando Vermelho que ainda seguem nas ruas e relembra o dia da megaoperação.

Doca ou Urso

Edgar Alves Andrade, também conhecido como “Doca” ou “Urso”, de 55 anos, é o homem apontado como a principal liderança do CV (Comando Vermelho) no Complexo da Penha, na zona Norte, considerad o “QG” da facção.

Fugitivo do sistema carcerário, Doca é investigado por mais de 100 homicídios, entre eles execuções de crianças e desaparecimentos de moradores.

No final de 2023, Doca foi apontado em investigações como o mandante da execução de três médicos e da tentativa de homicídio de uma quarta vítima, na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio. As vítimas participavam de um congresso de medicina e foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras. Um dos mortos foi o irmão da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

Segundo o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) e o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), há mais de 20 mandados de prisão expedidos em nome de Edgard Andrade.

Pedro Bala

Pedro Paulo Guedes, conhecido pelo apelido de Pedro Bala, é apontado como um dos homens de confiança de Doca e responsável pela parte operacional do grupo conhecido como “Tropa do Urso”. Ele é um dos criminosos mais procurados do estado, com diversas passagens e ao menos nove mandados de prisão expedidos.

De acordo com as autoridades, Pedro Bala seria um dos envolvidos na morte de Gabriela Estefany da Silva Pinto, adolescente de 15 anos. As investigações tiveram início em 18 de maio de 2020, quando Gabriela desapareceu no conjunto de favelas do Complexo da Penha.

A vítima teria saído de uma festa na Comunidade Cinco Bocas e teria sido capturada por traficantes da Comunidade Vila Cruzeiro, após ser deixada por um amigo próximo à estação de trem na Penha Circular, não sendo mais vista desde então.

A jovem seria era ex-namorada do traficante de drogas da Vila Cruzeiro Paulo Henrique de Oliveira Gama Silva, o 2P, que teria descoberto que a adolescente estava em um relacionamento com uma pessoa que seria de uma facção rival.

Por conta do ciúme, o criminoso 2P teria armado uma emboscada e entregue a namorada para um grupo de traficantes do Complexo da Penha. Gabriela teria sido submetida ao tribunal do tráfico e morta por 2P e pelos integrantes da quadrilha de Pedro Bala.

Gardenal

Carlos da Costa Neves, popularmente conhecido pelo vulgo “Gardenal”, é apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho.

De acordo com relatórios do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e investigações da Polícia Civil, “Gardenal” atua como gerente-geral do tráfico no Complexo da Penha. Ele seria responsável por coordenar a expansão violenta da facção para áreas da zona Oeste.

Autoridades apontam que “Gardenal” comanda a ações como a aquisição de armamentos pesados, monitoramento por drones e segurança estratégica (“contenção”) das comunidades sob seu domínio.

Em abril de 2026, interceptações telefônicas revelaram que o homem negociava diretamente com chefes de milícias presos, como André Costa Barros (o “André Boto”), para facilitar a entrada do Comando Vermelho em comunidades de Bangu.

“Gardenal” também é investigado por supervisionar atos de violência extrema. Um dos casos é uma sessão de tortura que foi transmitida ao vivo para que ele assistisse.

Grandão ou Síndico

Washington César Braga da Silva, de 35 anos, conhecido no mundo do crime como “Grandão” ou “Síndico da Penha”, é apontado como um dos principais traficantes e gerentes-gerais do CV no Complexo da Penha. Ele seria um dos homens de maior confiança de Doca.

O apelido de “Síndico” é por conta da função de “gestor” da favela. Grandão seria responsável por organizar o dia a dia do crime, incluindo escalas de plantão para traficantes em pontos de venda de drogas e patrulhas, além de gerir pagamentos.

As autoridades afirmam que o homem controla as células armadas que fazem a segurança de Doca e monitoram a entrada de polícia na região.

Relatórios da Polícia Civil indicam que ele usa grupos de WhatsApp para divulgar ordens, normas de conduta para a quadrilha, e até para cobrar pela escolta na casa de Doca. Além disso, atua como intermediário, filtrando quem pode ou não falar diretamente com “Urso”.

BMW

A denúncia considerada como ponto de partida para a megaoperação no Rio de Janeiro apontou a existência de um grupo de matadores chamado de “Equipe Sombra”.

Os integrantes seriam liderados por Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, conhecido no mundo do crime como “BMW”. Ele é tido como homem de confiança de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”. 

A denúncia diz que o grupo liderado por “BMW” usa armas de fogo de grosso calibre e atua com violência extrema contra os rivais. Ele também aparece no documento como alguém que exerce a função de “treinador de soldados do tráfico”.

Mesmo abaixo de “Doca”, “BMW” também é apontado como uma liderança do CV. De acordo com a denúncia do MP, ele, ao lado de “Gardenal” também seria responsável por orientar a prática de punições e torturas contra moradores da Penha.

A fila de corpos no Rio de Janeiro

A Praça da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, amanheceu no dia 29 de outubro de 2025 com uma fila de corpos estendidos em uma lona. 

Segundo o ativista Raull Santiago, que estava no local, cerca de 50 corpos foram retirados por moradores da região de mata do Complexo da Penha durante a madrugada do dia seguinte à megaoperação.

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    Corpos enfileirados em rua do Rio de Janeiro após operação policial mais letal da história da cidade • REUTERS/Ricardo Moraes

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    A Operação Contenção foi uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (28) • Arquivo pessoal: Bruno Itan

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    Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SESP) e o Governo do Estado, o objetivo principal era combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) • CNN

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    A Operação Contenção se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro • CNN

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    O saldo final incluiu 60 suspeitos de crimes e 4 policiais mortos (dois policiais civis e dois policiais militares do Bope) • CNN

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    Além das fatalidades, 81 pessoas foram presas incluindo Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, que é apontado como o operador financeiro do CV no Complexo da Penha e braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo "Doca" ou "Urso" • CNN

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

Além das mortes e do “cenário de guerra”, a megaoperação gerou caos na cidade, com escolas municipais e estaduais fechadas, unidades de saúde suspendendo o funcionamento inicial e linhas de ônibus tendo seus itinerários desviados.

Um ano após a megaoperação

A Operação Contenção completa um ano nesta quarta-feira. Considerada a mais letal da história do país, a ação é alvo de uma investigação do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), que busca esclarecer as circunstâncias das 122 mortes registradas durante os confrontos nos complexos do Alemão e da Penha.

Um levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que 425 munições apreendidas com suspeitos de serem membros do CV durante a megaoperação foram fabricadas em 2025, ou seja, no mesmo ano da megaoperação. O número corresponde a 46,8% dos 909 cartuchos de fabricação nacional entre as 1.073 munições originais analisadas.

O dado exclusivo obtido pela reportagem da CNN Brasil indica a possibilidade de um desvio recente das munições que chegaram às mãos da facção criminosa. Ao todo, 84,7% do material analisado era de origem nacional. A data de fabricação, isoladamente, não permite determinar quando ou como os cartuchos foram desviados, mas dimensiona a presença de munições produzidas no ano da ação policial.

No total, foram apreendidas 120 armas de fogo, segundo a recontagem oficial da Polícia Civil. O arsenal, que conta com materiais desviados das Forças Armadas, incluía 93 fuzis, cerca de 25 a 26 pistolas e um revólver, além de artefatos explosivos, como granadas, carregadores e munições. A recontagem elevou o valor estimado do material apreendido para mais de R$ 12 milhões.

Até o momento, o GAESP (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública ) do MPRJ apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência.

Em paralelo, o órgão conduz um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) para apurar as mortes ocorridas durante a operação. Segundo o coordenador do GAESP, promotor de Justiça Fabio Corrêa, a investigação inclui depoimentos de policiais envolvidos na ação e de familiares das vítimas, além da análise de mais de quatro mil horas de imagens de câmeras operacionais portáteis e de laudos periciais médico-legais.

O objetivo é esclarecer as circunstâncias de cada morte e eventuais responsabilidades individuais, incluindo os casos de agentes de segurança pública mortos durante os confrontos.

“Supercomputador Soberano”: UFMG lança equipamentos de alto desempenho com uso de IA aplicada à cartografia

28 October 2026 at 11:56

A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) inaugurou, nesta terça-feira (27) dois equipamentos de alta tecnologia voltados para inovação no campo da cartografia. Eles são o “supercomputador Soberano”, instalado no IGC (Instituto de Geociências), e a Câmera Hiperespectral Hyper-cam Mini XLW, alocada na Escola de Engenharia.

As tecnologias prometem ser aplicadas diretamente no combate ao desmatamento e à mineração ilegal, no monitoramento ambiental, na criação de respostas a inundações e deslizamentos, além da vigilância de fronteiras e do planejamento estratégico militar do país. 

A aquisição foi realizada no âmbito da chamada “Centros Temáticos da Finep” de 2023, integrada ao projeto GeoIDE (Extração de geoinformação com o uso de inteligência artificial para aplicações duais: defesa e ambiente).

A UFMG atua como instituição executora, em parceria com o IME (Instituto Militar de Engenharia) e a DSG (Direção Geral dos Serviços Geográficos) do Exército Brasileiro.

Gargalo nacional

Segundo a universidade, apenas 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro possuem mapeamento na escala 1:25.000.

De acordo com a UFMG, a proporção reduzida representa um desafio para o país, já que a escala é utilizada para o planejamento municipal, a gestão de bacias hidrográficas, a prevenção de desastres naturais, a implementação do Código Florestal e a segurança da infraestrutura nacional.

“Cobrir o país com cartografia tradicional levaria décadas, então precisamos mudar a forma de fazer. A geoinformação é estratégica para o país porque diz respeito às nossas fronteiras e aos nossos recursos naturais. Hoje, entramos na liderança tecnológica da modelagem ambiental”, afirmou a professora Sônia Carvalho, do Departamento de Cartografia do IGC e coordenadora do GeoIDE.

O projeto usa inteligência artificial para automatizar a extração de dados geográficos a partir de imagens obtidas por satélites, radares, drones e sensores hiperespectrais, acelerando a produção de cartas detalhadas em todos os biomas do país.

“Soberano”, o supercomputador brasileiro

O supercomputador “Soberano” foi totalmente projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras. A arquitetura do processamento com algumas especificidades.

Uma delas é a aceleração para Inteligência Artificial. No equipamento, há um servidor equipado com oito aceleradores NVIDIA H200 (com 141 GB de memória cada), mesma geração tecnológica utilizada globalmente para o treinamento de grandes modelos de inteligência artificial. 

Além disso, conta com 10 nós de processamento, somando 256 núcleos e 768 GB de memória por nó. Tem também armazenamento paralelo de cerca de 400 terabytes (TB) e rede interna de alta velocidade com transferência de 100 gigabits por segundo (Gbps).

A escolha do nome “Soberano” faz alusão ao esforço de garantir a autonomia tecnológica do Brasil, mantendo o conhecimento geográfico sob domínio de instituições públicas nacionais. 

Câmera hiperespectral: tecnologia rara no cenário global

Complementando a infraestrutura de dados, a Câmera Hiperespectral Hyper-cam Mini XLW, desenvolvida em 2024, opera no espectro de infravermelho longo.

O equipamento captura e processa dados em centenas de bandas de comprimento de ondas estreitas e contíguas, gerando fatias de cubos de imagens de alta precisão.

Existem apenas três exemplares dessa câmera em funcionamento no mundo. O dispositivo fica alocado no CEMTEC (Centro Multiusuário de Termografia Científica) da Escola de Engenharia da UFMG.

Salto na gestão pública e defesa territorial

De acordo com a universidade, a integração de modelos de IA à geoinformação é considerada por especilaistas o terceiro grande marco da evolução cartográfica no país.

“Há 100 anos, o serviço geográfico estava inovando o mapeamento por meio da fotogrametria aérea, com aviões sendo vetores de transformação do mapeamento. Há 50, passamos por outra transformação, que foi a cartografia espacial, com os satélites fornecendo conjuntos grandes de dados. Agora estamos na transformação da IA, que está revolucionando os processos”, destacou o coronel Ivanildo Barbosa, professor da Seção de Ensino de Engenharia Cartográfica do IME.

Por se tratar de um ativo estratégico, a geoinformação gerada deve servir simultaneamente para orientar políticas públicas municipais, estaduais e federais, combater crimes ambientais e dar suporte a operaçõesde segurança e resposta a tragédias climáticas. 

PMs integrantes do “novo Escritório do Crime” são condenados no RJ

28 October 2026 at 10:37

A Justiça do Rio de Janeiro condenou três policiais militares apontados como integrantes do “novo Escritório do Crime”. O grupo é acusado de formar uma organização criminosa que praticava crimes violentos, incluindo sequestros e homicídios por encomenda, além da venda clandestina de armas e munições. 

Entre os PMs estão o sargento Bruno Marques da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, o “Tenente Alessander”, e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, conhecido como “Briggs”.

O primeiro foi condenado a 63 anos de prisão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 168 dias-multa, por integrar a organização criminosa. Os outros dois sofreram condenações por crimes relacionados ao comércio ilegal de armas.

Bruno e Alessander receberam penas de 27 anos de prisão em regime inicial fechado, além do pagamento de 44 dias-multa. Além disso, a sentença também manteve a prisão preventiva de ambos.

Além das penas de prisão, a Justiça determinou a exclusão de “Bruno Estilo” e “Briggs” dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado.

Em relação ao capitão Alessander, determinou o encaminhamento do caso ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, também após o trânsito em julgado, para análise de eventual perda do posto e da patente.

A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Militar do Rio de Janeiro e tenta localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestações.

A estrutura do “novo Escritório do Crime”

As investigações identificaram conversas, áudios, imagens e registros de negociações que envolviam armas de fogo de grosso calibre, carregadores e munições. Mensagens revelaram uma estrutura criminosa com divisão de tarefas e vínculos com integrantes ligados à milícia.

A denúncia aponta Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como “Ganso”, “Batata” ou “Soares”, como responsável por encomendar homicídios, enquanto outros integrantes seriam encarregados do planejamento, do monitoramento das vítimas e da execução dos crimes.

Entre os assassinatos descritos na denúncia estão os de Fábio Romualdo Mendes, morto em Vargem Pequena, em setembro de 2021, e de Neri Peres Júnior, assassinado em Realengo, no mês seguinte.

De acordo com o Ministério Público, os dois crimes foram cometidos em plena luz do dia, com vários disparos de arma de fogo, e teriam sido realizados após ações de monitoramento e tentativas de emboscada.

Segundo o MP, Neri foi morto a tiros de fuzil e pistola em 4 de outubro de 2021, por volta das 12h50, em uma área de grande circulação de pessoas, em Realengo. A denúncia relata que o grupo monitorou a vítima e realizou diligências para assassiná-la em pelo menos quatro ocasiões, frustradas por diferentes motivos.

“Bruno Estilo”, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como “Papa” ou “2P”, são apontados como participantes da execução.

André Costa Bastos, o “Boto”, teria auxiliado os comparsas e fornecido armamentos. Mesmo preso, ele seria responsável por coordenar a logística de armazenamento e disponibilização de armas e munições.

Já Fábio Romualdo Mendes foi executado em 29 de setembro de 2021, por volta das 9h, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. A vítima dirigia quando foi surpreendida pelos criminosos e atingida por diversos disparos, sem possibilidade de defesa.

Segundo a denúncia, Thiago também teria encomendado o homicídio, mobilizando Bruno, Anderson e Rodrigo para planejar o crime, monitorar a vítima e executá-la.

O planejamento teria começado cerca de um mês antes, com diferentes tentativas de emboscada, incluindo uma em uma barbearia, frustrada porque Fábio não compareceu ao local.

Os crimes violentos e as armas

A denúncia também detalha a participação de policiais militares em negociações clandestinas de armamentos. “Bruno Estilo” é apontado tanto como participante do planejamento e da execução de homicídios quanto como negociador de armas, carregadores e munições.

Já Alessander e Diogo são acusados de fornecer material bélico à organização, inclusive armamentos que teriam sido desviados de apreensões policiais. As conversas analisadas pelos investigadores indicariam negociações realizadas em diferentes ocasiões entre os policiais e integrantes do grupo criminoso.

Em relação a Alessander, o Ministério Público sustenta que ele teria mantido vínculo estável com a organização, ao fornecer armas e munições e receber pagamentos periódicos de R$ 500.

Há ainda registro de negociações atribuídas a Diogo em outubro e novembro de 2021. As provas reunidas incluem registros digitais, mensagens e outros conteúdos telemáticos que demonstrariam a articulação entre os envolvidos.

Caso Porsche azul: Júri de Fernando Sastre começa nesta quarta-feira (28)

28 October 2026 at 09:44

Fernando Sastre Filho, condutor do Porsche azul que causou a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana em 2024, na zona Leste de São Paulo, vai a júri popular na manhã desta quarta-feira (28).

O julgamento ocorre a partir das 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona Oeste da capital, e tem prazo de encerramento até quinta-feira (29). A sessão será presidida pela juíza Melanie Liesenberg.

O caso que leva o empresário ao júri ocorreu na madrugada do domingo de Páscoa, no dia 31 de março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, na zona Leste de São Paulo.

Fernando Sastre Filho dirigia o Porsche que bateu a cerca de 156 km/h na traseira do Sandero do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. O limite para a via é de 50 km/h. Ele está preso preventivamente há pelo menos dois anos.

O empresário responde por homicídio qualificado por “perigo comum” com dolo eventual e lesão corporal grave. A última se refere ao fato de que o estudante Marcus Vinicius Machado também ficou ferido na ocorrência. O jovem era amigo de Sastre e estava no bando de trás do carro de luxo.

Se Fernando Sastre for condenado, a pena somada pode passar de 30 anos de prisão.

Em contato com a CNN Brasil, a defesa de Sastre afirma que a expectativa “é de um julgamento justo, com a desclassificação para uma conduta culposa, na modalidade da imprudência”.

PM viraram réus no caso

Os policiais militares que liberaram Fernado Sastre tornaram-se réus na Justiça Militar do Estado de São Paulo. Daisy Aparecida Cardoso Romão e Thiago Silva Batista foram denunciados por liberarem Fernando Sastre sem a realização do teste de bafômetro.

Segundo a denúncia, a dupla cometeu crimes de inobservância de lei, regulamento ou instrução, na modalidade de tolerância

“Quanto aos próximos atos processuais, estes serão praticados de acordo com o rito legal aplicável e com o regular andamento da ação penal”, se manifestou o Tribunal, por meio de nota.

De acordo com as últimas movimentações do processo de Sastre, Daisy pediu para não comparecer ao julgamento desta manhã. No entanto, o pedido foi indeferido.

“A requerente atuou diretamente no atendimento inicial da ocorrência e esteve no local dos fatos logo após a colisão, de modo que seu relato é relevante para a formação da convicção dos jurados”, destaca a decisão.

Relembre caso

O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos, estava em uma festa “Open Bar”, na Zona Leste de São Paulo, antes de causar o acidente, em 31 de março de 2024, que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana.

Na época, a CNN Brasil apurou que Fernando negou durante o depoimento ter ingerido bebidas alcoólicas ou ter usado drogas. Sastre disse que perdeu a consciência após a colisão do carro e quando retomou, estava deitado na rua.

Uma das testemunhas ouvidas pela polícia informou que logo após o acidente parou o veículo para socorrer as vítimas. Ela relatou aos policiais que Fernando aparentava sinais de embriaguez e cambaleava, além de apresentar uma voz “pastosa” sem saber o que estava acontecendo.

A testemunha também contou que os momentos que sucederam o acidente foram marcados por discussões e pela tentativa de tirar os ocupantes do Porsche do local.

Gases de efeito estufa batem novo recorde e aumentam aquecimento global, aponta ONU

27 October 2026 at 10:50

A concentração dos principais gases de efeito estufa na atmosfera voltou a quebrar recordes históricos em 2025. O alerta foi divulgado nesta terça-feira (27) pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), agência vinculada à ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo o 22º Boletim de Gases de Efeito Estufa, o acúmulo contínuo de poluição atmosférica garante a manutenção do aquecimento global por décadas e até séculos. Os dados revelam que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados na história. 

CO₂ atinge marca histórica

O dióxido de carbono (CO₂), principal gás estufa de origem humana e responsável por cerca de 66% do efeito de aquecimento provocado por gases de longa duração, alcançou a média global de 426,8 ppm (partes por milhão) na superfície em 2025.

O valor representa 153% dos níveis pré-industriais, período anterior a 1750, quando a concentração era de 278,3 ppm.

A taxa de crescimento do CO₂ acelerou significativamente ao longo das últimas décadas, triplicando desde os anos 1960. Entre 2024 e 2025, a elevação foi de 2,8 ppm. Embora o avanço tenha sido inferior ao salto verificado no período 2023-2024 (3,6 ppm), ele permaneceu acima da média anual da última década (2,63 por ppm por ano).

De acordo com a cientista sênior da OMM, Oskana Tarasova, a desaceleração relativa em 2025 refletiu a recuperação dos sumidouros terrestres de carbono e a diminuição das queimadas após o enfraquecimento do fenômeno El Niño.

No entanto, ela ressalta que o avanço de 2,8 ppm representa uma adição substancial de carbono decorrente da queima de combustíveis fósseis. 

Alta preocupante

Os outros dois principais gases de efeito estufa vinculados às atividades humanas também registraram marcas inéditas em 2025.

O metano (CH₄) atingiu 1.948 partes por bilhão (ppb), equivalente a 267% do nível pré-industrial. O gás é responsável por cerca de 16% do forçamento radiativo. Cerca de 65% das emissões de metano vêm de fontes antrópicas como pecuária, cultivo de arroz, combustíveis fósseis e aterros, e 35% de fontes naturais. 

Análises isotópicas apontaram que incêndios florestais na América do Norte e na Amazônia em 2023-2024 impactaram significativamente o orçamento do gás.

Já o óxido nitroso (N₂O) chegou a 339,1 ppb, o que representa 126% do nível pré-industrial. O N₂O responde por 6% do efeito de aquecimento dos gases de longa duração. Cerca de 35% de suas emissões decorrem da ação humana, com destaque para o uso de fertilizantes nitrogenadas na agricultura. 

Conforme o ìndice Anueal de Gases de Efeito Estufa (AGGI) da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), o efeito de aquecimento acumulado por todos os gases de longa duração aumentou 56% entre 1990 e 2025, com o CO₂ sendo o causador direto de aproximadamente 81% desse aumento.

Alerta para gases de transição energética

O relatório da OMM faz um alerta específico sobre dois gases diretamente ligados à infraestrutura e à eletricidade.

O hexafluoreto de enxofre (SF₆), usado como isolante elétrico em equipamentos de alta voltagem, registrou em 2025 o maior aumento anual da história, atingindo 12,24 ppt, um salto de 249% em três décadas.

O SF₆ possui o maior potencial de aquecimento global em 100 anos e vida útil superior a 1.000 anos na atmosfera.

O hidrogênio (H₂), embora não seja um gás de efeito estufa direto, altera a química atmosférica e estenda a vida do metano. Sua concentração subiu 5,3% entre 2010 e 2024 (de 532 ppb para 560 ppb).

A OMM destaca que vazamentos no transporte e armazenamento de hidrogênio podem comprometer parte dos benefícios climáticos da transição energética se não forem controlados. 

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