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Ações recuam mais de 50% em dia de circuit breaker; veja maiores perdas

26 October 2026 at 21:58

Após um pregão turbulento nesta segunda-feira (26), o Ibovespa fechou em queda de mais de 13%, aos 176.608 pontos, em resposta do mercado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A bolsa brasileira registrou a maior perda em um dia desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.

Diante do movimento, a B3 precisou acionar o circuit breaker, ferramenta utilizada em momentos de maior volatilidade no mercado, quando há maior aversão ao risco por parte dos investidores e os principais índices acionários sofrem fortes quedas.

A suspensão ocorreu logo no início do pregão e teve duração prevista de 30 minutos.

Os papéis da Magazine Luiza (MGLU3) lideraram as perdas, com queda acima de 58%. O setor varejista é um dos mais expostos aos juros, que dispararam na sessão após a frustração do mercado com a vitória de Lula e o esvaziamento das expectativas de mudança na política fiscal.

O pódio ainda é composto pelos papéis da Vamos (VAMO3), com perda de quase 57%, e a Hapvida (HAPV3), que perdeu aproximadamente 55%.

Maiores quedas do Ibovespa nesta segunda-feira (26)

  1. Magazine Luiza (MGLU3): -58,23%
  2. Vamos (VAMO3): -56,79%
  3. Hapvida (HAPV3): -54,93%
  4. C&A Modas (CEAB3): -47,47%
  5. Cosan (CSAN3): -46,73%

Já as maiores altas ficaram com empresas voltadas ao mercado internacional, que tendem a se beneficiar com o avanço do dólar via exportações.

O lado positivo do pregão foi puxado por Suzano (SUZB3), que avançou 10,08%, Embraer (EMBJ3), com alta de 8,89%, e WEG (WEGE3), que subiu 4,21%.

Reação negativa às eleições

O principal indicador do mercado brasileiro de ações reagiu ao resultado eleitoral do último domingo, que confirmou o quarto mandato de Lula. A eleição contrariou as expectativas dos acionistas, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A expectativa do mercado em relação ao candidato da oposição foi alimentada, principalmente, pelas pesquisas eleitorais de segundo turno, que mostravam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ligeiramente à frente.

Lula obteve 51,79% dos votos, reelegendo-se pela segunda vez e renovando seu próprio recorde de presidente mais votado da história.

Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o mercado precificou e se preparou para uma mudança de governo, na expectativa de anos mais “racionais” em relação ao controle de gastos e ao perfil da dívida pública.

“Entretanto, com o cenário consumado da reeleição do Lula, os investidores globais cortam suas expectativas para mais 4 anos do mesmo perfil de governo que levou o Brasil a um dos juros reais mais altos do mundo. É por isso que a bolsa cai tanto hoje”, afirmou.

*Com informações da Reuters e Agência Estado 

Juros futuros fecham em alta após reeleição de Lula

26 October 2026 at 20:15

As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira (26) pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da ​Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.

A disparada dos ​prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta. ⁠A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, mantendo ​pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.

Às 11h02, após uma paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima ​intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.

O movimento foi consequência direta da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno ⁠da disputa presidencial, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. Como o mercado ⁠estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste na curva foi inevitável.

Isso porque com Flávio no Planalto o ​mercado ‌enxergava chances maiores de controle das contas públicas – ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado durante a campanha propostas concretas para reduzir gastos.

Como Lula ⁠venceu, o mercado voltou a incorporar prêmios à curva, em especial entre os contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal. O movimento ocorreu em paralelo à forte queda do Ibovespa e à disparada do dólar ante o real.

A disparada desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno da eleição presidencial, o ‌que sugere ⁠que o mercado não apenas ‌reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente quanto acrescentou mais prêmios.

A taxa do DI para janeiro de 2031, por exemplo, que encerrou a sessão regular desta segunda-feira em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.

Assim como a B3, o Tesouro atuou ao longo do dia para tentar acalmar o mercado. O órgão ⁠anunciou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e ⁠o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira.

Por outro lado, manteve o leilão regular de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Em outra frente, o Tesouro ‌recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões de títulos prefixados em posse do mercado no fim da manhã e mais R$7,7 bilhões em títulos indexados à inflação durante a tarde. Ao promover a recompra de títulos, o Tesouro atuou para suavizar a disparada das taxas.

O triunfo de Lula também alterou de forma substancial a parte curta da curva de DIs, que passou a precificar a possibilidade de o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central não cortar a Selic, hoje em 13,75%, na ‌próxima semana.

No auge da pressão, durante a manhã, a curva chegou a precificar aumento de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, sendo que na sexta-feira havia quase 100% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base.

No fim da tarde, a curva já precificava manutenção da Selic na próxima semana, com elevação de ⁠25 pontos-base em dezembro e 50 pontos-base em janeiro.

“O mercado está muito disfuncional”, resumiu Lais Costa, analista da Empiricus Research, que na noite de domingo já havia alertado para a tendência de fortes altas para as taxas nesta segunda-feira.

Segundo ela, a nova precificação da Selic ocorre por conta do dólar, que chegou a oscilar acima dos R$ 5,50 durante o ​dia, e da deterioração das expectativas.

O boletim Focus divulgado mais cedo trouxe projeções calculadas apenas até a última sexta-feira – portanto antes do segundo turno. Nele, as expectativas de inflação ​dos economistas do mercado estão em 5,19% em 2026, 4,34% em 2027 e 3,75% em 2028. No caso do dólar, a projeção é de R$ 5,05 no fim deste ano.

Assim como a curva passou por ajustes, essas projeções tendem a ser revistas nesta semana pelos economistas, já sob a perspectiva de continuidade do governo Lula.

Sem efeito nas negociações desta segunda-feira, às 16h55 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões ‌de investimento – caía 1 ponto-base, a 4,98%.

 

 

Risco-país brasileiro avança 26% e atinge maior nível desde junho de 2025

26 October 2026 at 20:04

O CDS (Credit Default Swap) de 5 anos do Brasil, um derivativo que protege contra calotes na dívida soberana, termômetro do risco-país, sobe 26% nesta segunda-feira (26) e opera em 151,7 pontos – na sexta-feira, estava em 120,2 pontos.

O indicador acompanhando a reprecificação dos ativos brasileiros com a reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o maior patamar do índice desde junho de 2025.

Os estrategistas do Morgan Stanley avaliam que o CDS do Brasil pode subir 40 pontos, enquanto o dólar pode bater em R$ 6,00 se as pressões fiscais se intensificarem. A avaliação do banco americano, em relatório, é que o risco fiscal em alta ameaça ações, moeda e títulos de dívida do Brasil.

Ao fim do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), preferido de boa parte do mercado financeiro, saindo na frente, o CDS chegou a cair para abaixo de 108 pontos, no menor nível em 6 anos.

Em seguida, o indicador começou a subir novamente, em meio às dúvidas eleitorais, com as pesquisas mostrando empate técnico, mas sem embutir nas cotações uma vitória de Lula, observa um gestor de fundo dedicado a emergente em Nova York.

Abicom: reeleição de Lula fará Petrobras reajustar gradualmente os preços

26 October 2026 at 19:45

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve provocar uma arrumação gradual nos preços dos combustíveis da Petrobras, avalia o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), que não vê espaço no momento para um reajuste que afete fortemente o preço ao consumidor.

Nesta segunda-feira (26), o Conselho de Administração da Petrobras se reúne para discutir a defasagem dos preços da companhia, considerada insustentável por conselheiros e membros da administração.

Apesar da defasagem em relação ao preço internacional, principalmente do diesel, ser alta, um esperado aumento deve vir aos poucos, explica Araújo. Na semana passada, a defasagem do diesel ultrapassou a subvenção ao combustível ao atingir R$ 3,53 o litro, contra R$ 3,52 da subvenção.

“O sistema de preços de combustíveis está muito desarrumado. Os preços da Petrobras estão muito defasados. Existem diversas camadas de subsídio para o diesel e a gasolina está desonerada, o que é explicado pelo momento eleitoral que se estava.

Passado esse momento, vão ter que arrumar a casa, mas terá que ser de maneira lenta e gradual”, afirma.

Para Araújo, o governo tem que fazer a conta do que está arrecadando com os impostos do setor, como royalties, participações especiais, imposto de exportação, e fazer um balanço do que pode reduzir na subvenção para poder organizar o setor.

“O que se espera é que gradualmente o governo arrume a casa e a Petrobras possa praticar preços mais racionais”, conclui.

Lei que isenta IR até R$ 5 mil é sancionada; entenda o que muda

Em festa da vitória, Lula pede que público cante Hino da Independência

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O presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na festa da vitória na Avenida Paulista, pediu que os presentes cantassem o Hino da Independência do Brasil. Momentos antes, em entrevista coletiva, Lula afirmou que houve intromissão estrangeira e que as plataformas digitais tentaram direcionar o resultado eleitoral no país.

“Eu devo essa vitória a cada um e a cada uma de vocês. Por isso, ontem [em manifestação no mesmo local] fiquei emocionado e quero pedir para, outra vez, cantarem o Hino da Independência para eles saberem que nós não cabemos no quintal de ninguém”, disse.

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Lula disse que a eleição de 2026 serviu de lição e que o seu quarto mandato terá a participação do povo na gestão do governo.

“Eu aprendi, neste segundo turno, a grande lição da minha vida. Quando o governante não sabe o que fazer, ele pergunta ao seu povo que o seu povo saberá ensinar o que ele tem que fazer”, acrescentou.

“Acho que no dia em que o povo brasileiro acordou e resolveu eleger um metalúrgico, sem diploma universitário, como presidente da República, foi o dedo de Deus que fez vocês confiarem que um operário poderia fazer mais do que a elite brasileira tinha feito em 500 anos neste país”. O presidente agradeceu novamente o deputado federal André Janones (Rede-MG) por ter coordenado uma campanha nas redes sociais de apoio à sua reeleição e comandado o canal no whatsapp Exército do Lula, decisivo na disputa eleitoral.

“O nosso exército teve um papel muito importante nesse segundo turno. Agora, você [dirigindo-se ao deputado André Janones] vai ter que assumir um compromisso com esse povo. Que a gente ganhou a primeira batalha. O exército não pode dispersar. O exército vai ter que continuar”, afirmou Lula.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também discursou na Avenida Paulista. Ele destacou que essa eleição presidencial teve vários recordes e que o presidente Lula já salvou a democracia duas vezes. 

“O primeiro recorde é que o presidente Lula teve mais de 64 milhões de votos. O presidente Lula é eleito pela quarta vez. [Foi] a menor abstenção em 20 anos. E agradecer a São Paulo. Aqui, entre o primeiro e o segundo turno, aumentou 27,5% a votação do presidente Lula. E, finalmente, trazer uma palavra: o presidente Lula salvou a democracia no Brasil duas vezes.”

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