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Vamos mudar as leis ou mudar o poder? | Por Bruno Miguel Alves

27 October 2026 at 17:50

Portugal prepara uma das mais importantes reformas da administração local das últimas décadas: o Código do poder Local, mas há uma questão que não podemos evitar: vamos dar mais autonomia às autarquias ou apenas organizar melhor a burocracia que já existe?

E, apesar de tanta legislação, continuamos a assistir a uma realidade contraditória: nem sempre é claro quem tem a responsabilidade, quem dispõe dos recursos e quem deve responder perante os cidadãos.

É neste contexto que surge a iniciativa do Governo de criar um Código do Poder Local, reunindo num único diploma a legislação atualmente dispersa sobre a administração autárquica. A constituição, no passado dia 23 de outubro, de um Grupo de Trabalho presidido por Maria José Castanheira Neves, com representantes das CCDR, da ANMP, da ANAFRE e de outras entidades, representa o início de um processo que merece uma discussão pública séria.

O grupo terá oito meses para preparar um anteprojeto, com um relatório intercalar previsto ao fim de três meses. Mas não podemos confundir a criação de um Código com uma verdadeira reforma do poder local.

Se o resultado for apenas juntar dezenas de leis num único documento, teremos uma legislação mais organizada, mas não necessariamente um poder local mais forte. E Portugal precisa de muito mais do que isso.

O problema não é apenas a quantidade de leis. É a forma como o poder está distribuído.

A Constituição da República Portuguesa reconhece a autonomia das autarquias locais. No entanto, entre o princípio constitucional e a realidade administrativa existe uma distância que importa reduzir. Ao longo dos anos, foram sendo aprovados diplomas sobre competências, transferência de atribuições, financiamento, organização dos órgãos autárquicos e estatuto dos eleitos locais.

O resultado é um sistema juridicamente complexo, com diferentes níveis de responsabilidade e mecanismos de articulação nem sempre suficientemente claros.

É frequente existirem competências próprias, competências transferidas, competências delegadas e acordos de execução que tornam difícil perceber onde começa e termina a responsabilidade de cada entidade.

Esta realidade é particularmente sensível na relação entre municípios e freguesias. As freguesias são autarquias locais constitucionalmente reconhecidas, com órgãos democraticamente eleitos e legitimidade própria. Não são departamentos municipais, nem devem ser tratadas como estruturas administrativas subordinadas aos municípios.

A cooperação institucional é indispensável, mas não pode confundir-se com dependência política, administrativa ou financeira.

O novo Código deve responder a uma questão essencial: queremos freguesias com verdadeira autonomia de decisão ou apenas entidades de proximidade encarregadas de executar tarefas definidas por outros?

A revisão do quadro jurídico do poder local não pode ser desligada da revisão da Lei das Finanças Locais, que o Governo também pretende concretizar.

Não existe autonomia efetiva quando uma autarquia tem responsabilidades permanentes, mas não dispõe de recursos previsíveis e adequados para as cumprir. O financiamento deve corresponder às competências exercidas, à dimensão dos serviços prestados e às características dos territórios.

Uma fórmula excessivamente dependente da população residente não consegue representar integralmente realidades tão diferentes como os territórios de baixa densidade, as áreas metropolitanas ou as regiões sujeitas a elevada sazonalidade turística.

No Algarve, por exemplo, a pressão sobre os serviços e infraestruturas públicas aumenta significativamente durante determinados períodos do ano, sem que essa realidade seja necessariamente refletida de forma proporcional no financiamento das autarquias e freguesias.

O Código e a legislação financeira que o acompanhe devem abrir caminho a critérios mais objetivos, transparentes e ajustados à utilização efetiva dos serviços públicos.

Também importa clarificar os mecanismos de financiamento associados à transferência e delegação de competências, evitando que a sua execução fique excessivamente dependente de negociações pontuais.

A simplificação legislativa é necessária. Mas importa perceber em que direção será feita. Um Código do Poder Local deve permitir que qualquer autarca, trabalhador ou cidadão compreenda, com maior facilidade, como funciona a administração local, quais são as competências de cada órgão e quais os mecanismos de decisão e fiscalização.

Deve eliminar ambiguidades, reduzir redundâncias e harmonizar procedimentos. Mas também deve respeitar a diversidade e a autonomia das autarquias.

Não podemos aproveitar a simplificação para criar novas formas de tutela administrativa ou reduzir a liberdade de organização e gestão local.

Pelo contrário, deveríamos discutir uma maior proporcionalidade das exigências administrativas, mecanismos de cooperação técnica, interoperabilidade digital e instrumentos de gestão adaptados às diferentes dimensões das autarquias.

Cinquenta anos depois, que poder local queremos?

Em dezembro de 2026 assinalam-se cinquenta anos das primeiras eleições autárquicas democráticas em Portugal. Durante este período, o poder local foi determinante para transformar o país, aproximar a democracia dos cidadãos e promover o desenvolvimento territorial. Mas a realidade de hoje já não é a de 1976.

As autarquias enfrentam desafios de habitação, alterações climáticas, envelhecimento populacional, mobilidade, transformação digital e novas exigências sociais. Precisam, por isso, de um enquadramento jurídico preparado para o futuro, e não de uma simples compilação das soluções do passado.

A participação da ANAFRE, da ANMP, das CCDR e das restantes entidades no processo de elaboração do Código deve assegurar uma reflexão que vá além da harmonização técnica dos diplomas. É fundamental ouvir os eleitos locais, os trabalhadores das autarquias, os especialistas e as próprias comunidades.

E aproveitar esta oportunidade para discutir, sem preconceitos, aquilo que realmente deve mudar: a distribuição de competências, a sustentabilidade financeira, a autonomia de gestão e o equilíbrio institucional entre os diferentes níveis do poder local.

O Governo deu o primeiro passo ao constituir o Grupo de Trabalho. O verdadeiro desafio será transformar esse trabalho técnico numa reforma com consequências práticas. A reforma será avaliada não pelo número de diplomas reunidos, mas pela autonomia efetiva, pela clareza das responsabilidades e pela capacidade de resposta que proporcionar às autarquias. O poder local não precisa só de um novo Código. Precisa de mais capacidade para decidir, mais meios para executar e mais responsabilidade perante os cidadãos.

Se não for para isso, arriscamo-nos a mudar as leis sem mudar verdadeiramente o poder.

Sobre o autor do artigo: Bruno Miguel Alves é presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, no mandato 2025–2029, e membro suplente do Conselho Diretivo da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE). Licenciado em Gestão pela Universidade do Algarve e pós-graduado em Inovação e Empreendedorismo pela Nova School of Business and Economics, desenvolve atividade profissional nas áreas da Gestão, Marketing e Comunicação. Integra a rede europeia «Construir a Europa com os Eleitos Locais», promovida pela União Europeia. A sua intervenção institucional centra-se na valorização e modernização do poder local, na inovação, na transformação digital da administração pública e no desenvolvimento sustentável e coesão territorial.

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Odiana apresenta novas rotas turísticas do Guadiana em encontro entre Portugal e Espanha

27 October 2026 at 15:20

Durante um encontro transfronteiriço realizado entre 19 e 21 de outubro, em Miranda do Douro, foram apresentadas novas rotas náutico-culturais do rio Guadiana, desenvolvidas pela Odiana – Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana. A iniciativa integrou o encerramento do projeto Rede Ibérica de Cruzeiros Fluviais Transfronteiriços (RED CIFT), após dois anos e meio de trabalho dedicado à valorização turística e cultural dos rios que ligam Portugal e Espanha.

O encontro reuniu entidades parceiras dos dois países para apresentar os resultados alcançados em cinco destinos fluviais, associados aos rios Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana, e analisar novas oportunidades de cooperação entre os territórios ribeirinhos.

A participação da Odiana permitiu dar particular destaque ao Baixo Guadiana, valorizando o património natural, cultural e paisagístico deste território algarvio e o potencial do rio enquanto elemento de ligação entre as duas margens da fronteira.

Novas rotas procuram valorizar o património do Baixo Guadiana

Um dos principais momentos do encontro decorreu no dia 20 de outubro, durante a Jornada de Conclusões do projeto RED CIFT, realizada no Auditório de Miranda do Douro.

Nesta sessão, foram apresentados os resultados do trabalho desenvolvido nos cinco destinos fluviais abrangidos pelo projeto, com especial atenção às oportunidades de valorização turística e cultural dos territórios portugueses e espanhóis.

Em representação da Odiana, a diretora executiva, Catarina Cavaco, apresentou o destino Guadiana, dando a conhecer as rotas náutico-culturais desenvolvidas ao longo dos dois anos e meio de execução da iniciativa.

O trabalho apresentado procurou evidenciar as características naturais e culturais do Baixo Guadiana, bem como as possibilidades de criar novas experiências turísticas associadas ao rio e às comunidades ribeirinhas.

As rotas desenvolvidas pretendem proporcionar diferentes formas de descobrir o território, estabelecendo uma ligação entre as atividades náuticas, o património, a cultura e as paisagens do Guadiana.

De acordo com a Odiana, o rio constitui um recurso estratégico para a valorização turística da região, permitindo aproximar as duas margens e reforçar as relações entre os territórios de Portugal e Espanha.

Encontro reuniu parceiros de cinco destinos fluviais ibéricos

A iniciativa foi organizada pela Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro (AIMRD), em colaboração com a Câmara Municipal de Miranda do Douro.

Durante os três dias, as entidades participantes partilharam experiências e resultados relacionados com o desenvolvimento do turismo fluvial, procurando reforçar a cooperação transfronteiriça e a valorização dos recursos naturais e culturais dos rios ibéricos.

O programa terminou no dia 21 de outubro, com uma visita técnica à Estação Biológica Internacional, em Miranda do Douro.

A atividade incluiu um cruzeiro fluvial por águas internacionais, permitindo aos representantes das entidades parceiras conhecer diretamente a realidade de um dos territórios abrangidos pelo projeto.

A visita proporcionou também uma oportunidade de contacto com experiências associadas à utilização turística dos rios que estabelecem ligações entre Portugal e Espanha.

Projeto transfronteiriço conta com financiamento europeu

A RED CIFT – Rede Ibérica de Cruzeiros Fluviais Transfronteiriços tem como beneficiário principal o Clúster Marítimo-Marinho da Andaluzia (CMMA) e reúne oito entidades parceiras portuguesas e espanholas.

As organizações envolvidas desenvolvem atividade nas áreas do turismo, das atividades náuticas e do desenvolvimento territorial, procurando criar novas oportunidades de valorização dos recursos fluviais.

O projeto é cofinanciado em 75% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027.

Ao longo dos dois anos e meio de execução, a iniciativa permitiu desenvolver trabalho conjunto em torno dos rios Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana, procurando associar a valorização turística à preservação e divulgação do património natural e cultural.

Com a apresentação das rotas náutico-culturais do Guadiana, a Odiana deu a conhecer os resultados alcançados no território do Baixo Guadiana, contribuindo para a divulgação de novas possibilidades de descoberta do rio e para o reforço da cooperação turística entre Portugal e Espanha.

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Vila Real de Santo António recebe lançamento de livro sobre as fronteiras ibéricas e a Batalha do Guadiana

27 October 2026 at 11:20

A Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, recebe na próxima sexta-feira, 30 de outubro, às 18:00, a apresentação do livro “Fronteiras ibéricas em diálogo: discursos plurais sobre história, cooperação e globalização”, uma obra publicada pela Universidade de Sevilha que reúne estudos sobre diferentes dimensões das fronteiras ibéricas, incluindo um capítulo dedicado à Grande Batalha do Guadiana, ocorrida em 1801.

Com coordenação científica dos professores Pedro Albuquerque e Patrícia Monteiro, a publicação apresenta um conjunto de trabalhos que analisam a fronteira a partir de diferentes áreas do conhecimento, nomeadamente Filosofia, Geografia, História, Antropologia e História da Arte.

O Algarve está representado na obra através do contributo do historiador Fernando Pessanha, autor do capítulo “Considerações sobre o sistema defensivo de Vila Real de Santo António na Grande Batalha do Guadiana, de 1801”.

Historiador algarvio aborda episódio pouco conhecido da Guerra das Laranjas

A sessão de apresentação será conduzida pelo arqueólogo da Universidade de Sevilha Pedro de Albuquerque, responsável por uma abordagem geral ao conteúdo do livro, e pelo historiador Fernando Pessanha, da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.

Durante a iniciativa, Fernando Pessanha irá aprofundar a temática da Grande Batalha do Guadiana, ocorrida em 1801, no contexto da Guerra das Laranjas, um episódio da história luso-espanhola que o texto de divulgação da obra apresenta como praticamente inédito.

A escolha de Vila Real de Santo António para acolher o lançamento assume também um significado simbólico, tendo em conta a localização fronteiriça do concelho e a sua ligação histórica às relações entre Portugal e Espanha.

A publicação procura, assim, promover uma reflexão multidisciplinar sobre os territórios de fronteira, abordando questões relacionadas com a história, a cooperação e a globalização.

O lançamento está marcado para as 18:00 de sexta-feira, 30 de outubro, na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, e tem entrada livre.

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Governo quer mudar a lei laboral: transparência salarial e plataformas digitais entre as prioridades

27 October 2026 at 10:10

A transparência salarial e as regras para o trabalho em plataformas digitais estão entre as alterações que o Governo pretende concretizar na legislação laboral. Maria do Rosário Palma Ramalho anunciou a intenção de transpor as duas diretivas europeias durante a audição parlamentar sobre o Orçamento do Estado para 2027, realizada na segunda-feira, 26 de outubro.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considerou que a “reforma da legislação laboral vai ser inevitável”, argumentando que a legislação está “profundamente desadequada ao trabalho na era digital”.

Mais informação sobre salários no recrutamento

Uma das áreas anunciadas é a transparência remuneratória. Como explica o Conselho da União Europeia, as regras europeias procuram combater diferenças salariais injustificadas entre homens e mulheres que desempenham trabalho igual ou de valor igual.

A diretiva prevê que os candidatos recebam informação sobre a remuneração inicial ou o intervalo salarial previsto para o posto, permitindo uma negociação informada. Impede também os empregadores de perguntar aos candidatos quanto recebiam nos empregos anteriores.

Já os trabalhadores poderão solicitar informação sobre os níveis médios de remuneração, discriminados por sexo, nas categorias que realizam trabalho igual ou de valor igual. Os critérios utilizados para determinar salários e progressões deverão ser objetivos e neutros em termos de género.

O prazo europeu para transpor esta diretiva terminou em 7 de junho de 2026, conforme indica a Comissão Europeia.

Plataformas digitais: vínculos e decisões automatizadas

A outra prioridade é a transposição da Diretiva (UE) 2024/2831, relativa às condições de trabalho nas plataformas digitais.

O diploma pretende facilitar a identificação do vínculo profissional correto e reforçar a proteção das pessoas cujo trabalho é organizado através destas plataformas. Abrange também a utilização de sistemas automatizados para distribuir tarefas, avaliar o desempenho ou apoiar decisões que afetem os trabalhadores.

Segundo o Conselho da União Europeia, as regras reforçam a transparência sobre esses sistemas, a supervisão por pessoas qualificadas e o direito de contestar decisões automatizadas.

Neste caso, o prazo de transposição para as legislações nacionais termina em 2 de dezembro de 2026.

Revisão mais ampla pode ficar para outro Governo

Quanto à reforma global da legislação laboral, Palma Ramalho manteve a defesa da sua necessidade, mas admitiu que “pode muito bem nem ser por este Governo”.

A governante voltou assim a defender mudanças depois do chumbo parlamentar do pacote laboral, apontando a adaptação às novas formas de trabalho como uma das razões para rever o quadro legal.

A aplicação em Portugal das alterações anunciadas depende da aprovação e publicação dos respetivos diplomas nacionais, que deverão estabelecer as regras concretas e as datas de entrada em vigor.

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Mudança da hora continua em Portugal apesar de a UE ter aprovado o seu fim: saiba porquê

23 October 2026 at 16:10

Os portugueses vão ter mais uma hora de sono este fim de semana, mas há uma questão que continua sem resposta: porque é que ainda mudamos os relógios duas vezes por ano? A União Europeia chegou a avançar com uma proposta para acabar com esta prática, mas sete anos depois a decisão continua por concretizar.

A mudança acontece na madrugada de sábado para domingo, 25 de outubro de 2026, quando Portugal regressa à hora de inverno. No continente e na Madeira, os relógios devem ser atrasados das 2h00 para a 1h00, enquanto nos Açores passam da 1h00 para a meia-noite.

De acordo com a Euronews, a manutenção desta prática deve-se sobretudo à falta de entendimento entre os Estados-membros da União Europeia.

União Europeia aprovou o fim da mudança da hora em 2019

Em março de 2019, o Parlamento Europeu aprovou, com 410 votos a favor e 192 contra, uma proposta destinada a acabar com a mudança semestral da hora.

O objetivo era permitir que cada Estado-membro escolhesse manter permanentemente a hora de verão ou a hora de inverno, deixando de ser necessário adiantar e atrasar os relógios todos os anos.

Inicialmente, estava previsto que a medida entrasse em vigor em 2021. Contudo, a proposta precisava também da aprovação do Conselho da União Europeia, onde estão representados os governos dos Estados-membros.

Esse entendimento nunca foi alcançado. Segundo a Euronews, a pandemia de Covid-19 e, posteriormente, a guerra na Ucrânia contribuíram para que o assunto perdesse prioridade na agenda europeia.

Porque é que os países ainda não chegaram a acordo?

A principal dificuldade está na escolha do horário que deverá vigorar permanentemente. Enquanto alguns países poderão preferir manter a hora de verão, outros consideram mais adequada a hora de inverno.

Esta diferença de posições levanta preocupações relacionadas com os transportes, as comunicações, o comércio e o funcionamento do mercado interno europeu.

Caso países vizinhos adotassem horários permanentes diferentes sem coordenação, poderiam surgir dificuldades na organização de atividades económicas e nas deslocações internacionais.

Por esse motivo, o Conselho da União Europeia continua sem aprovar a proposta, o que significa que a mudança da hora permanece em vigor e não existe uma data definida para o seu fim.

Maioria dos europeus queria acabar com esta prática

A oposição à mudança da hora não é recente. Em 2018, uma consulta pública promovida pela Comissão Europeia revelou que 84% dos participantes eram favoráveis ao fim da alteração semestral dos relógios.

Na Alemanha, por exemplo, os inquéritos realizados pelo instituto Forsa têm mostrado, ao longo dos últimos anos, que mais de sete em cada dez cidadãos consideram desnecessária esta prática.

Contudo, segundo a Euronews, sondagens mais recentes indicam que a oposição à mudança da hora tem vindo a diminuir entre os alemães mais jovens.

Porque começou a mudar-se a hora na Europa?

A alteração sazonal dos relógios ganhou importância na Europa durante a década de 1970, sobretudo na sequência da crise petrolífera.

Em 1976, França introduziu a hora de verão como forma de tentar reduzir o consumo energético, aproveitando melhor a luz natural durante os meses mais quentes.

Outros países europeus seguiram o mesmo caminho e, posteriormente, a União Europeia harmonizou as datas das mudanças para evitar diferenças que prejudicassem o funcionamento do mercado interno.

Atualmente, porém, os benefícios energéticos desta prática são considerados limitados e continuam a ser discutidos.

Quando volta a mudar a hora em Portugal?

A próxima mudança acontece já este domingo, 25 de outubro, quando os relógios recuam uma hora e os dias passam a escurecer mais cedo.

A alteração seguinte está prevista para 28 de março de 2027, último domingo desse mês, quando Portugal regressará à hora de verão.

Até que os Estados-membros cheguem a um entendimento e a legislação europeia seja alterada, os portugueses terão de continuar a acertar os relógios duas vezes por ano.

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