"É complicado falar em mudança após eleições em Israel"


Quando um Presidente da República, um Ministro da Defesa e o Diretor Executivo da Agência Europeia de Defesa (EDA) ocupam a mesma tribuna, a mensagem política fica dada antes de qualquer discurso. Foi isso que se viu no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, no encerramento do exercício ARTEX 26 (Army Technological Experimentation 2026) que se inseriu na campanha europeia HEDI OPEX26 (Hub for European Defence Innovation Operational Experimentation 2026). António José Seguro, Presidente da República Portuguesa, percorreu a exposição, contactou com as empresas participantes e só no fim da visita respondeu aos jornalistas. Nuno Melo, Ministro da Defesa Nacional, falou de um verdadeiro laboratório do futuro na área da defesa. André Denk, Diretor da EDA, lembrou que as ameaças à segurança europeia são reais e imediatas. Esta atenção de topo deve ser reconhecida, porque mostra que o exercício deixou de ser um assunto do Exército, que o organizou de forma superior, para passar a ser um assunto de Estado e da Europa.
Parte dessa atenção, porém, não é exclusivamente política pública de defesa, é, também o futuro e a viabilidade das empresas que desenvolvem as soluções. Uma cerimónia, por mais solene que seja, não financia protótipos nem compra equipamento. A fotografia de encerramento esquece-se depressa e o que resta é uma pergunta mais incómoda: o que acontece às soluções que foram testadas?
Os números apresentados no encerramento são expressivos: 77 empresas, 112 soluções tecnológicas e 22 países presentes. Segundo o Ministro da Defesa, o número de empresas participantes duplicou face ao ano anterior e o ARTEX, iniciado em 2023, passou a integrar pela primeira vez o calendário da EDA. Estes dados mostram uma trajetória de crescimento. Não mostram, por si só, para onde essa trajetória conduz.
O próprio Exército, através do responsável pela robótica e pelos sistemas autónomos do CEMTEx (Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército), explicou (e bem) que a instituição nunca se compromete a que um participante seja depois adotado como equipamento. Essa prudência é compreensível e correta, porque nenhuma instituição deve prometer aquisições que não controla ou que não necessita. Mas a consequência é que a passagem do ensaio à encomenda, normalmente, não depende de quem testa. Depende de quem tem competência para decidir a compra, com que orçamento, com que regras e com que calendário.
Um fabricante que vence um teste e não recebe qualquer encomenda no ano seguinte não tem um problema técnico, tem um problema de procura e de sobrevivência da empresa. A nossa tarefa é verificar se estes instrumentos de apoio (europeus e nacionais) chegam, de facto, às soluções que Santa Margarida permitiu avaliar e não apenas aos programas teóricos desenhados antes do exercício. A capacidade industrial portuguesa está, aliás, bem representada nas iniciativas europeias.
O diretor executivo da EDA pediu encomendas firmes e de longo prazo, bem como regras de aquisição mais simples. Subscrevo esse pedido precisamente porque o Parlamento Europeu tem acompanhado em instrumentos como o EDIP (European Defence Industry Programme), orientado para a produção conjunta, e o SAFE (Security Action For Europe) , que mobiliza empréstimos para compras de defesa, e ainda o AGILE (Program for Agile and Rapid Defence Innovation), recentemente aprovado, que financia inovação. Um fabricante que vence um teste e não recebe qualquer encomenda no ano seguinte não tem um problema técnico, tem um problema de procura e de sobrevivência da empresa. A nossa tarefa é verificar se estes instrumentos de apoio (europeus e nacionais) chegam, de facto, às soluções que Santa Margarida permitiu avaliar e não apenas aos programas teóricos desenhados antes do exercício.
A capacidade industrial portuguesa está, aliás, bem representada nas iniciativas europeias. A UAVision, foi uma das cinco empresas selecionadas para o Sentinel Strike Challenge, a competição da EDA para testar drones de ataque e ficou em quarto lugar na avaliação inicial, entre mais de 140 manifestações de interesse. A Beyond Vision foi uma das três empresas convidadas a experimentar, ao lado do Exército português, sistemas aéreos de baixo custo para missões de alto risco. Um veículo de vigilância desenvolvido pelo Instituto Superior Técnico, com origem num projeto com a Frontex, está presente no exercício desde a primeira edição do ARTEX. Há, portanto, massa crítica. O que falta é que estes casos deixem de ser exceções destacadas em comunicados e passem a ser encomendas reais.
Há também um projeto nacional que merece atenção prioritária. O general Chefe de Estado Maior do Exército (CEME), Eduardo Mendes Ferrão propôs a constituição da Zona Livre Tecnológica D. Afonso Henriques, que abrangerá as áreas militares de São Jacinto, Santa Margarida e Beja e permitirá testes terrestres e aéreos com munições e explosivos à escala real. O general CEME espera vê-la concretizada em breve. As decisões de ordenamento, licenciamento e dotação orçamental são nacionais. Enquanto a zona não existir, o laboratório português continuará a ter limites que outros Estados já não têm e a ambição de Portugal, através do Exército português, se tornar um centro experimental europeu dependerá dessa decisão.
Portugal tem hoje um tecido empresarial com provas dadas na defesa. Segundo o levantamento mais recente da idD Portugal Defence, são cerca de 440 as entidades com atividade no setor, 81 delas criadas só em 2025, com uma faturação que ronda os 8,7 mil milhões de euros por ano. Santa Margarida mostrou que estas empresas sabem levar a tecnologia para o terreno.
O general Mendes Ferrão anunciou também a assinatura de um memorando com a iniciativa DIANA (Defence Innovation Accelerator for North Atlantic) da NATO, que fará do CEMTEx, localizado em Paço de Arcos, um centro de testes afiliado. É uma excelente notícia, que merece ser operacionalizada pelas duas partes e acompanhada de um calendário firme. Do lado europeu, a EDA criará a 1 de novembro o Centro Europeu de Inovação em Defesa, com a experimentação operacional como atividade central. O seu Diretor Executivo, Andre Denk, afirmou que Portugal está perfeitamente posicionado para acolher futuras iniciativas da EDA. Partilho essa confiança. Seria essencial que a candidatura nacional a polo permanente da rede seja apresentada de forma coordenada entre o Governo, o Exército e a indústria.
Portugal tem hoje um tecido empresarial com provas dadas na defesa. Segundo o levantamento mais recente da idD Portugal Defence, são cerca de 440 as entidades com atividade no setor, 81 delas criadas só em 2025, com uma faturação que ronda os 8,7 mil milhões de euros por ano. Santa Margarida mostrou que estas empresas sabem levar a tecnologia para o terreno. No quadro do SAFE, a exigência de que pelo menos 65% do custo e da produção dos componentes tenha origem europeia abre às empresas portuguesas um espaço que até aqui era ocupado por fornecedores de fora da União.
O passo seguinte é preparar essa presença para o ciclo orçamental europeu que se aproxima – Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034. Isso passa por empresas que se conheçam antes de os concursos abrirem, por consórcios internacionais montados com antecedência e por uma presença regular em Bruxelas, porque os programas de trabalho definem-se muito antes de as candidaturas abrirem. O Governo pode ajudar, usando as suas aquisições para integrar as pequenas e médias empresas nas cadeias de fornecimento dos grandes fabricantes e apoiando os custos iniciais de entrada em consórcios europeus, que chegam muito antes de qualquer receita. Se este caminho for seguido, as empresas portuguesas poderão apresentar-se à Europa como ecossistema, e não uma a uma, que é a forma como os grandes programas as procuram.
Parabéns a todos os envolvidos.
Um submarino nuclear russo da Frota do Pacífico lançou esta quarta-feira um míssil balístico intercontinental a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, atingindo o alvo na região ártica de Arkhangelsk, a 600 quilómetros da Finlândia e Noruega.
“Em conformidade com o plano de treino militar, a tripulação do submarino nuclear estratégico ‘Generalissimus Suvorov’, do projeto 955A Borei-A, pertencente à Frota do Pacífico, lançou um míssil balístico intercontinental Bulava em direção ao polígono de testes de Chizha, na região de Arkhangelsk”, explicou o Ministério da Defesa da Rússia, na rede Telegram.
O comando militar detalhou que o lançamento ocorreu a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, no extremo oriente russo, e divulgou um vídeo do exercício. “As ogivas do míssil atingiram com sucesso o polígono de testes no horário previsto”, concluiu o Ministério da Defesa.
O polígono de testes de Chizha situa-se nas margens do Mar Branco, a pouco mais de 600 quilómetros da fronteira com a Finlândia e a Noruega, países cujos líderes, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e o Presidente finlandês, Alexander Stubb, mantiveram, na véspera, uma conversa telefónica com o Presidente russo, Vladimir Putin.
Putin alertou ambos os líderes de que a conquista de uma paz justa e duradoura na Ucrânia “só será possível se forem levados em conta, de maneira plena e incondicional, os interesses legítimos da Federação Russa“.
Criticou ainda “a política de confronto dos países da União Europeia e da NATO, que leva ao prolongamento das ações militares” entre russos e ucranianos.
Desde a criação dos Bulava, a Rússia realizou mais de 40 lançamentos de teste desses mísseis intercontinentais. O mais recente ocorreu a 5 de novembro de 2024, pelo submarino nuclear ‘Imperator Alexandr III’.
Um ano antes, o ‘Generalissimus Suvorov’ lançou um míssil Bulava do Mar Branco em direção ao polígono de testes de Kura, localizado em Kamchatka, nas margens do Pacífico.
O Presidente da Roménia, Nicusor Dan, acusou o Governo russo de ter intensificado a guerra híbrida e as hostilidades contra as democracias europeias, após episódios de sabotagem no seu país, incluindo o registado numa empresa de armamento romena.
Nicusor Dan disse que estes incidentes “inaceitáveis” “representam uma grave violação da soberania e da segurança” do país e sublinhou que “nenhuma entidade estrangeira tem o direito de agir assim” em qualquer Estado europeu.
“Durante anos, a Rússia utilizou um diversificado arsenal de meios para enfraquecer as democracias europeias. As tentativas de influenciar os processos eleitorais, as campanhas de desinformação, a guerra de informação, os ciberataques e os atos de sabotagem é tudo parte da guerra híbrida desencadeada pela Rússia”, afirmou.
O chefe de Estado destacou que nas últimas semanas, a Rússia aumentou a aposta ao provocar vários incidentes no Mar Negro contra o transporte marítimo civil.
“Tudo isto não são incidentes isolados, sem ligação entre si, mas fazem parte de uma campanha premeditada e coordenada”, realçou.
Para o Presidente da República romeno, o Kremlin pretende com este tipo de ações provocar divisão e confusão nas sociedades europeias, com o objetivo de colocar em causa o compromisso destas com a própria segurança e com a defesa comum.
Dan garantiu que “a guerra híbrida tem sido travada há anos de diferentes formas” e acrescentou que um aumento da mesma exige por parte dos Estados europeus uma resposta equivalente, ampliando a vigilância e a prevenção de riscos.
Nesse sentido, o PR sublinhou que a Roménia atuará “com determinação” para prevenir este tipo de ações e identificar os seus responsáveis, ao mesmo tempo que continua a trabalhar estreitamente com os seus parceiros da NATO e da EU”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Roménia convocou esta terça-feira o embaixador russo em Bucareste, Vladimir Lipayev, para lhe transmitir o protesto “enérgico” do Governo do seu país pelo suposto ato de sabotagem registado em meados de setembro contra as instalações da empresa de defesa romena Carfil, em Brasov.
“As provas demonstram a responsabilidade da Rússia neste ataque híbrido inaceitável“, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dan Neculaescu, que também protestou junto do diplomata russo contra o aumento dos ataques no Mar Negro.
As autoridades romenas denunciaram que no dia 14 de setembro ocorreu um incêndio nas instalações desta empresa, responsável pela fabricação de drones, por indicações dos serviços de inteligência russos.
A Barcelcom está a expandir para defesa e segurança, área onde investiu cerca de meio milhão de euros. A têxtil de Barcelos, que até aqui atuava sobretudo no setor de saúde, com meias de punção, criou uma meia que protege os utilizadores de fogo. As “Guardian Socks” vão ser apresentadas na Alemanha, tendo os setores de defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e equipamentos de proteção individual como potencial mercado.
“Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional“, adianta Vânia Fontes, administradora da Barcelcom, ao ECO/eRadar.
“A característica antipunção pode ter interesse noutros contextos, como o bloco operatório ou os próprios equipamentos de proteção individual. É uma área que queremos explorar com calma: perceber onde o produto pode realmente fazer a diferença e ir construindo essa presença de forma gradual”, acrescenta a administrada da empresa têxtil quando questionada sobre o que motivou a aposta neste novo setor.
As “Guardian Socks”, que estão agora a levar para o mercado, levaram “dois anos” em desenvolvimento, tendo contado com a “colaboração de três parceiros: a Fibrenamics, a Pixartidea e a Sciencentris” para criar um produto que visa cumprir uma dupla função para a qual, dizem, ainda não existe resposta.
Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional.
“A grande diferença está em reunir na mesma meia duas características: proteção antipunção e proteção contra o fogo. Tanto quanto conhecemos o mercado, não existe outro produto que combine estas duas funcionalidades, e foi precisamente essa a necessidade a que quisemos responder”, destaca Vânia Fontes.
O projeto representou “um investimento de cerca de 500 mil euros”, precisa a administradora, sem arriscar uma expectativa de faturação com esta aposta num novo produto e setor.
“Estamos a entrar num setor novo para nós, por isso as nossas expectativas são prudentes. Acreditamos no produto, mas sabemos que há um caminho a percorrer até conquistarmos o nosso espaço neste mercado”, diz. “Para já, mais do que definir o peso que isto vai ter na faturação, interessa-nos perceber como o produto é recebido e desenvolver contactos comerciais”, refere.
A Barcelcom vai apresentar o produto na Alemanha. “Nesta fase, estamos focados sobretudo na defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e nos equipamentos de proteção individual”, adianta Vânia Fontes. “O objetivo é mostrar o produto a quem trabalha nestes setores, ouvir as suas necessidades e perceber em que aplicações há maior interesse. Esse contacto vai ser fundamental para orientar o nosso trabalho comercial”, aponta como passos imediatos do projeto.
Mas há outros segmentos que, com este produto, a empresa pode expandir. “Há também um ganho muito importante, que é o conhecimento que fomos adquirindo ao longo do projeto. Isso permite-nos olhar para outras aplicações dentro dos equipamentos de proteção individual, por exemplo na indústria metalúrgica ou em trabalhos de soldadura“, realça a administradora da empresa têxtil.
Quanto a novos produtos para o setor de defesa e segurança, para já, não está nas prioridades imediatas da companhia. “Neste momento, estamos concentrados na comercialização deste produto. Foram dois anos de desenvolvimento e agora queremos dar o passo seguinte: levá-lo ao mercado e trabalhar as oportunidades que forem surgindo”, admite. “Poderão aparecer novas ideias ou necessidades, mas, para já, é aqui que estão os nossos esforços”, conclui.
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Depois de no ano passado ter fechado com um volume de negócios de cerca de três milhões de euros, este ano a Barcelcom estima chegar aos 3,5 milhões, o que representa um crescimento de aproximadamente 17%, adianta Vânia Pontes quando questionada sobre objetivos de faturação da empresa com 43 trabalhadores.
Suíça, Países Baixos, França, Itália, Alemanha, Malásia, Áustria, Islândia, Suécia, Inglaterra, entre outros, são alguns dos países onde a empresa já está presente. “Cerca de 90% da nossa produção destina-se à exportação, por isso os mercados externos têm um peso muito significativo na atividade da empresa. Queremos continuar a crescer lá fora, tanto nos mercados onde já estamos como através de novas oportunidades”, afirma. América do Norte, Canadá e Japão são mercados na mira da empresa.

© TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
A Lockheed Martin vai instalar um centro de manutenção dos sistemas de defesa aérea Patriot na Polónia, para reduzir em vários meses o tempo necessário para reparar e atualizar os equipamentos. A nova infraestrutura pretende reforçar a disponibilidade operacional dos sistemas de defesa antimíssil na Europa, numa altura em que a procura por estes intercetores está a pressionar o arsenal dos Estados Unidos.
Atualmente, os mísseis PAC-3 mais antigos, lançados através do sistema norte-americano, têm de ser enviados para os EUA para inspeção e atualização, um processo que prolonga o período em que ficam indisponíveis para utilização. A criação de uma instalação europeia permitirá evitar parte dos transportes transatlânticos e acelerar o regresso dos mísseis ao serviço.
“Isto trará a prontidão operacional necessária ao ambiente europeu. Estamos a capacitar os nossos aliados europeus com um requisito de missão crítico. Só em termos de transporte de um lado para o outro do Atlântico, conseguimos poupar bastante tempo”, afirmou Jay Pitman, presidente da Lockheed Martin International, em declarações ao Rapporteur.
O responsável estima que a nova infraestrutura permita reduzir o tempo de espera em “muitos meses”. A empresa não avançou, contudo, uma data para o início de funcionamento do centro.
A criação do centro surge num contexto de aumento da procura de sistemas de defesa aérea, impulsionado pela ameaça de drones de longo alcance e mísseis balísticos russos. Os Patriot estão entre os poucos sistemas disponíveis capazes de intercetar de forma fiável mísseis balísticos russos, tornando-se um recurso particularmente procurado pela Ucrânia.
O centro na Polónia permitirá fazer manutenção e prolongar a disponibilidade dos mísseis já existentes, mas não equivale a uma fábrica europeia de intercetores. “Isso será uma conversa futura para outra altura”, referiu o responsável ao mesmo jornal.
A criação de uma infraestrutura europeia de manutenção foi anunciada em julho, à margem da cimeira da NATO em Ancara. Na altura, Estados Unidos, Polónia, Alemanha, Países Baixos e Suécia assinaram um acordo para explorar a criação de um centro dedicado aos mísseis PAC-3. A localização ainda não estava definida.
No início de outubro, o ministro da Defesa da Polónia anunciou que vai instalar sistemas de defesa Patriot na província de Lublin, na fronteira com a Ucrânia, de modo a “proteger a província de Lublin” e garantir a segurança tanto da população como dos serviços de transporte aéreo.
Wladyslaw Kosiniak-Kamysz anunciou também na altura o destacamento de mais efetivos militares na região, incluindo unidades não tripuladas, em particular nas localidades de Bilgorae, Lukuva e Poniatova.
A Comissão Europeia propôs um plano para reforçar a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex), entidade que gere as fronteiras da União Europeia (UE), aumentando gradualmente o corpo permanente para 30 mil agentes e transformando a agência no principal interveniente europeu nas operações de regresso de migrantes sem direito de permanência no bloco europeu.
A proposta, apresentada esta terça-feira, prevê ainda uma “Força de Reação Rápida” para responder a crises nas fronteiras externas e um novo “Centro de Vigilância em Linha” para detetar essas potenciais ameaças — como aconteceu em Ceuta —, maior vigilância das redes sociais e a possibilidade de a agência apoiar operações de regresso entre países terceiros.
“A Europa sempre defenderá a proteção das suas fronteiras. A Europa decide quem entra na nossa União e em que circunstâncias. É por isso que hoje propomos reforçar a Frontex, para que possa apoiar os Estados-Membros sempre que e onde for necessário, inclusive em matéria de retornos , com o mandato e as capacidades que esta nova realidade exige”, afirmou Ursula von der Leyen, citada em comunicado.
O reforço dos poderes da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira surge num contexto de maior pressão geopolítica e de segurança sobre as fronteiras externas da União. Segundo a Comissão, as passagens irregulares das fronteiras “diminuíram para menos de metade nos últimos dois anos”, enquanto “a taxa de regresso aumentou para mais de 30%”.
As novas propostas vão ao encontro do que a líder do Executivo comunitário apresentou no seu discurso do Estado da União e das diretrizes para 2024-2029, a fim de reforçar a segurança a Frontex e acelerar os regressos.
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A proposta de revisão do regulamento da Frontex prevê a criação de uma “Reserva Europeia de Fronteiras e Regresso”, com 17 mil agentes, que poderão ser destacados para apoiar os Estados-membros quando necessário. O objetivo é elevar progressivamente o corpo permanente da agência para 30 mil elementos.
O Executivo comunitário quer também criar uma “Força de Reação Rápida”, mobilizável num prazo muito curto em situações de emergência ou crise nas fronteiras externas. O destacamento poderá ser decidido pelo diretor executivo da Frontex na sequência de um pedido de um país membro da UE afetado.
Outra das novidades é a criação de um “centro de monitorização e resposta em linha”, com competência explícita para acompanhar conteúdos publicamente acessíveis nas redes sociais. A intenção é detetar precocemente desenvolvimentos que possam afetar a gestão das fronteiras externas e apoiar a resposta a ameaças, incluindo conteúdos ilegais relacionados com a segurança fronteiriça.
A Comissão propõe ainda facilitar o acesso a equipamentos e tecnologias avançadas. A Frontex poderá adquirir, arrendar ou deter equipamentos em copropriedade e coordenar compras conjuntas com os Estados-membros, incluindo de ferramentas digitais e baseadas em inteligência artificial (IA).

O reforço da política de regresso é um dos eixos centrais da reforma. A Frontex passará a dispor de um centro específico de coordenação dos regressos, destinado a recolher e analisar informação operacional, apoiar o planeamento e coordenar as operações à escala europeia.
O apoio da agência deverá abranger várias fases do processo, desde a identificação de pessoas sem direito de permanência e o aconselhamento sobre regresso voluntário até às operações de regresso e à assistência à reintegração.
A proposta prevê também que a Frontex possa prestar apoio técnico e operacional a países terceiros e ajudar a organizar e realizar operações de regresso de um país terceiro para outro. Esta possibilidade ficará sujeita a acordos com os países envolvidos, ao respeito pelos direitos fundamentais e às normas internacionais aplicáveis.
Em paralelo, a Comissão apresentou uma proposta para digitalizar os procedimentos de regresso, readmissão e reintegração. O objetivo é criar uma interface digital única para gerir os processos, acelerar os procedimentos administrativos, reduzir a burocracia e facilitar a partilha de informação entre as autoridades nacionais.
A proposta ainda terá de ser aprovada pelo Parlamento e Conselho Europeu.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
A invasão russa da Ucrânia e o foco dos Estados Unidos no Indo-Pacífico obrigou a Europa a fazer avultados investimentos para ganhar capacidade de soberania de defesa. Se a geopolítica determina investimentos e alianças entre países, deverão também as mudanças na geopolítica, com velhas alianças a mostrarem claros sinais de desgaste, também determinar as compras de equipamentos militares? "Mais do que deve, tem de influenciar", atira Azeredo Lopes.
E não é apenas o antigo ministro da Defesa a ter a mesma visão. Na hora de comprar equipamento militar, a geopolítica "tem que ser tida em linha de consideração, quem não…
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O Exército português recebeu o primeiro de quatro helicópteros UH-60 Black Hawk que vão permitir criar uma capacidade própria de aviação militar para o ramo militar. A aquisição dos helicópteros está prevista na Lei de Programação Militar, representando um investimento de mais de 40 milhões de euros. O pedido para a compra tinha dado entrada em dezembro de 2025 na agência de procurement da NATO (NSPA).
Os quatro Black Hawk realizarão missões de transporte tático, projeção e extração de forças, apoio às operações militares e evacuação médica. Os aparelhos poderão também ser utilizados em situações de emergência civil, ampliando a capacidade de resposta das Forças Armadas a catástrofes e outras ocorrências.
O aparelho, proveniente de Melbourne, na Florida, vai integrar a Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE), criada para reforçar o apoio às operações terrestres. A chegada marca o início da constituição de uma frota de helicópteros própria do Exército, que até agora não dispunha, dotando o Exército de meios de asa rotativa multifunções, capazes de apoiar operações militares e missões de assistência à população.
A aeronave aterrou no domingo no aeródromo militar de Tancos, em Santarém, local que tem em marcha um investimento de cerca de 50 milhões de euros para o projeto de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE) — montante que engloba a compra de equipamentos, obras de requalificação do aeródromo, bem como todo o processo de formação dos futuros pilotos e mecânicos do Exército — e onde deverá ser instalada a futura escola de pilotos da Lufhansa.
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A aquisição dos helicópteros está prevista na Lei de Programação Militar (LPM) e integra o processo de modernização do Exército. O projeto representa uma despesa máxima autorizada de mais de 40 milhões de euros, à qual acresce IVA, quando aplicável.
O montante, estabelecido por um Despacho publicado em Diário da República em 2024, não corresponde exclusivamente ao preço das quatro aeronaves. Abrange também a formação, os componentes e a sustentação dos meios, incluindo os encargos necessários para assegurar a sua utilização e manutenção.
A chegada do primeiro aparelho ocorre numa altura em que Tancos está também no centro de outros investimentos na área da aviação militar. O Governo tem previsto para a infraestrutura um projeto “estratégico” de desenvolvimento da formação aeronáutica, tendo garantido que a utilização civil não deverá prejudicar as operações militares.
A nova frota do Exército deve ser distinguida dos Black Hawk já operados pela Força Aérea Portuguesa, que utiliza estes helicópteros sobretudo no combate aéreo a incêndios rurais. Com a aquisição agora em curso, o Exército passa a desenvolver uma capacidade própria, orientada para o apoio às forças terrestres e para a evacuação e proteção de militares.
A Ucrânia diz ter concluído a sua parte no desenvolvimento do Freyja, um sistema europeu de defesa antimíssil balístico, e pressiona agora os parceiros internacionais para acelerarem os trabalhos. O projeto pretende criar uma alternativa europeia aos sistemas norte-americanos Patriot, numa altura em que a escassez de intercetores está a aumentar a pressão sobre as capacidades de defesa aérea da Ucrânia e de outros países europeus.
“Relativamente ao projeto do míssil antibalístico Freyja, a Ucrânia fez o que tinha a fazer”, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aos jornalistas. O responsável acrescentou que o contributo dos parceiros continua em desenvolvimento e que dez países estão envolvidos na iniciativa, segundo a agência ucraniana Ukrinform, citada pelo Rapporteur.
As declarações de Zelensky sugerem que a indústria ucraniana, através da empresa de defesa Fire Point, terá concluído a componente do míssil intercetor. Os restantes participantes têm agora de avançar com elementos essenciais do sistema, incluindo os radares e a arquitetura de comando e controlo, necessários para detetar as ameaças, acompanhar a trajetória dos mísseis e orientar a interceção.
“Estão a trabalhar em sistemas deste tipo há décadas. Queremos fazê-lo muito rapidamente, porque não há tempo”, vincou Zelensky, defendendo uma aceleração do projeto.
O projeto surge num contexto de elevada procura de munições antimíssil. A guerra no Médio Oriente tem pressionado os stocks de intercetores norte-americanos, enquanto a Ucrânia continua a depender dos sistemas Patriot para enfrentar ataques russos com mísseis balísticos.
O líder ucraniano alertou esta segunda-feira que o país está “há quase um mês à espera” de aprovação do secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, para o fornecimento dos sistemas intercetores. “Estamos há quase um mês à espera que o Sr. Hegseth assine a autorização para os mísseis dos sistemas Patriot e NASAMS. Instruí a nossa equipa a levantar esta questão junto da parte americana mais uma vez. Conversações com outros países também estão em curso”, escreveu Zelensky na rede social X.
Tweet from @ZelenskyyUa
O Freyja foi lançado em julho, numa cimeira que juntou líderes de dez países europeus, incluindo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e cerca de uma dúzia de fabricantes de defesa, com objetivo de construir, em tempo útil, um sistema que já consiga demonstrar resultados práticos até ao primeiro semestre de 2027.
A ucraniana Fire Point tem trabalhado para desenvolver o intercetor a partir do qual deverá ser construída a capacidade antimíssil do sistema. Em junho, a empresa anunciou ter realizado um voo de teste controlado com manobras do míssil, apresentado como a base do futuro intercetor.
Do lado dos aliados, a expectativa é que os parceiros europeus contribuam com tecnologia, radares modernos, sensores e conhecimento especializados em controlo de mísseis. Entre as empresas já associadas ao esforço estão a Eurosam, que produz o sistema intercetor SAMP-T, a italiana Leonardo, a francesa Thales e a sueca Saab.
A presidente da Comissão Europeia, Ursusla von der Leyen, durante o seu discurso do Estado da União, em setembro, salientou a necessidade de reduzir a dependência de um único fornecedor de defesa e, para tal, pretende contar com a ajuda da Ucrânia.
“O elemento central desta cooperação é o Freyja. Aqui, reunimos a experiência de combate e a capacidade de inovação da Ucrânia com a liderança tecnológica da Europa. E, claro, a nossa considerável capacidade de produção”, afirmou a líder do executivo comunitário.
A alemã Helsing apresentou um novo sistema de defesa aérea controlado por inteligência artificial (IA), concebido para detetar e intercetar ataques em larga escala com drones e mísseis. A solução, denominada Contra, integra dois novos intercetores — uma solução que escasseia na Europa — e pretende reduzir o custo de resposta a ameaças aéreas produzidas em massa, como os drones de ataque utilizados pela Rússia na guerra contra a Ucrânia.
O sistema combina sensores, radares e diferentes meios de interceção numa imagem aérea integrada, recorrendo à plataforma de comando e controlo Altra C2. Segundo a empresa, a arquitetura permite “detetar e coordenar respostas contra centenas ou milhares de alvos em simultâneo”, uma capacidade destinada a contrariar ataques de saturação, nos quais um grande número de drones e mísseis procura sobrecarregar as defesas.
“O Contra põe fim ao dilema da defesa aérea: drones lentos para clima favorável, ou mísseis de milhões de euros disparados contra alvos baratos e produzidos em massa. A nossa IA liga sensores e efetores existentes em tempo real e adiciona os nossos intercetores, AD-1 e AD-2. Com propulsão a jato e a foguete, um detetor de radar de baixo custo para qualquer tipo de clima e duas cadeias de abastecimento europeias independentes, eles oferecem superioridade de fogo autónoma até dez quilómetros de altitude — acessível e à escala industrial”, assinala Niklas Köhler, cofundador e presidente da Helsing, citado em comunicado.

A empresa de defesa alerta para o aumento sistémico na produção de drones por parte da Rússia, que está também a construir novas plataformas de lançamento para atacar Kiev. Esta escalada coloca o espaço aéreo dos países da União Europeia sob risco crescente, uma ameaça que se materializou nas últimas semanas com sucessivas violações de fronteiras, particularmente no Mar Negro.
Neste cenário regulado pela urgência, a Helsing garante que a sua tecnologia está pronta para responder à crise, vincando que “o Contra foi projetado especificamente para combater esta ameaça”. A alemã já está a demonstrar múltiplas destas integrações de hardware a clientes militares.
A apresentação insere-se na estratégia da tecnológica de desenvolver sistemas militares que combinam IA e equipamento produzido em escala industrial. A empresa pretende oferecer uma arquitetura que não dependa exclusivamente dos seus próprios intercetores, permitindo aos clientes integrar diferentes meios de defesa e adaptar a resposta às ameaças e aos recursos disponíveis.
O Contra integra dois novos intercetores, desenvolvidos para responder a diferentes tipos de ameaças aéreas. O AD-1 Inferno é propulsionado por um motor a jato e foi concebido para permanecer em voo numa determinada área, operar em enxame e voltar a tentar intercetar um alvo. Já o AD-2 Ambush utiliza um motor de foguete de combustível sólido e destina-se a interceções rápidas contra ameaças de maior velocidade.

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