❌

Normal view

Orçamento da UE: bloco não sabe como acomodar défice da Ucrânia

27 October 2026 at 09:53

O debate sobre o Orçamento da União Europeia para o período 2027-34 está a entrar numa fase crítica – já se tendo percebido que o consenso entre os países frugais do norte do centro da Europa, que querem cortes na despesa, e aqueles que não querem cortes nenhuns (a maioria) será difícil de ultrapassar. Mas Bruxelas tem um condicionalismo adicional: o financiamento do défice de 70 mil milhões de euros que a Ucrânia apresenta no seu próprio orçamento para 2027, e que espera que seja assumido pela bondade externa. Prevê-se que o bloco cubra dois terços do montante pedido, cerca de 46 mil milhões de euros, e que outros aliados (Reino Unido, Canadá, Noruega e Japão, entre outros), assumam o restante.

Os chefes de Estado e de governo da União solicitaram à Comissão Europeia que apresentasse opções para garantir o financiamento, tendo a emissão conjunta de dívida surgido de imediato como a via mais exequível.

Vale a pena lembrar que a Comissão Europeia propôs um plano, no final de 2025, para utilizar os mais de 200 mil milhões de euros em ativos russos (a maior parte retida na infraestrutura financeira Euroclear, na Bélgica) para financiar Kiev. Mas, ao cabo de intensas negociações, países como a Bélgica, Itália, Hungria, República Checa e Eslováquia opuseram-se firmemente, invocando riscos jurídicos e financeiros globais. Como alternativa, a UE acabou por aprovar um empréstimo bilionário à Ucrânia garantido pelo próprio orçamento europeu. Agora que é preciso avançar no processo, o bloco arrisca voltar a perder-se em discussões intermináveis.

A dimensão do défice levou a alterar a ordem de trabalhos da cimeira extraordinária do próximo mês, inicialmente concebida para se concentrar exclusivamente na proposta de orçamento, refere a agência Euronews. A reunião foi prolongada para dois dias, 26 e 27 de novembro, para incluir debates sobre a Ucrânia, onde são esperadas novas propostas para o financiamento do défice.

Défice de Kiev resvala para o Orçamento

Segundo várias fontes, o debate vai ser mais difícil que o esperado, porque o défice ucraniano arrisca ser inscrito na coluna das despesas do Orçamento 2027-34, o que vai dinamitar ainda mais o debate. A presidência rotativa do Conselho propôs um corte de 8% face à intenção original da Comissão, fixando o valor do Orçamento em 1,62 biliões de euros. Os eurodeputados defendem um teto mais alto, na ordem dos 1,78 biliões de euros (a preços de 2025, o que equivale a 2,01 biliões a preços correntes).

Em termos formais, os dois temas continuam a ser processos distintos, mas politicamente, dizem diplomatas e responsáveis citados pela Euronews, estão a tornar-se interdependentes. “São claramente os dossiers mais urgentes até ao fim do ano, definitivamente”, afirmou um diplomata, observando que ainda é demasiado cedo para se falar de um grande pacote único.

O problema é que as primeiras vozes que discordam do pagamento do défice ucraniano ‘no matter what’ estão a começar a ser cada vez mais audíveis.

França prepara-se para recusar

O caso francês parece ser o mais audível de todos. Num contexto em que o governo liderado por Sébastien Lecornu não consegue fazer aprovar o orçamento para 2027 e as ruas das principais cidades gaulesas estão a arder há quase um mês com a população a queixar-se de que não é possível viver com mais cortes orçamentais, pagar o défice da Ucrânia é apresentado como inaceitável.

Marine Le Pen, candidata da extrema-direita do Rassemblement National que lidera confortavelmente as sondagens para as presidenciais de abril, prometeu limitar a contribuição francesa para o orçamento da União a cinco mil milhões de euros por ano e advertiu que se Macron, ainda presidente, concluir um acordo diferente antes das eleições seria um “escândalo democrático”. Ciente disso, o presidente em funções disse aos restantes líderes que um acordo orçamental entre janeiro e abril seria “complicado”. Ou seja, não vai haver. Mas Le Pen disse mais: para a candidata, a mesma lógica aplica-se à Ucrânia, o que a leva a prometer pôr fim a todo o apoio francês ao país em guerra. “Este financiamento vai acabar, e é uma questão de honestidade dizer a Zelensky a verdade”, declarou há dias.

Tudo isto colide frontalmente com os objetivos da Ucrânia, mas também com os da União, que quer ver todas estas questões resolvidas antes do final do ano. António Costa, presidente do Conselho Europeu, disse isso mesmo, mas já ninguém acredita que seja possível.

“A nossa coesão interna é frágil. Se isso começar a desfazer-se, as consequências para a Ucrânia podem ser ainda maiores do que tudo o que Trump diga ou faça”, afirmou um analista citado pela Euronews. “Precisamos de uma solução estrutural para o financiamento da Ucrânia. Não podemos continuar todos os anos a improvisar sob pressão. O apoio a Kiev tem de ficar devidamente integrado no próximo orçamento”.

Convém ter em conta que entre os Frugais encontram-se alguns dos maiores doadores bilaterais da Ucrânia – Dinamarca, Finlândia, Países Baixos, Suécia e Alemanha – que têm interesse direto em garantir o novo financiamento. Isto é, por via deste poderoso grupo, o défice da Ucrânia deverá, em princípio, ser inscrito no Orçamento no lado da despesa, sendo depois necessário ‘inventar’ uma forma de o financiar através de nova receita que não mexa no equilíbrio estrutural do documento. Uma decisão coletiva sólida sobre a Ucrânia poderia tornar politicamente mais tolerável para estes países aceitarem um orçamento mais elevado do que desejariam.

Mas há também quem considere que a insistência dos Frugais em cortar verbas para a agricultura e as políticas de coesão pode impossibilitar que alguns ‘Amigos da Coesão’ – o grupo ‘rival’ onde está Portugal – apoiem um acordo sobre a Ucrânia sem provocar uma reação negativa interna. Chéquia, Hungria e Eslováquia já sinalizam que se vão excluir de qualquer emissão conjunta de dívida para apoiar Kiev. A Bulgária, crítica assumida das entregas de armas, deverá seguir o mesmo caminho. E todos pertencem ao grupo da coesão onde está Portugal. “Seria muito perigoso, e quero deixar isto absolutamente claro, se alguém tentasse ligar o financiamento da Ucrânia ao orçamento”, afirmou o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico. “Seria um milagre se chegássemos a um acordo em dezembro” – que é o mesmo que dizer que não vai acontecer.

Olhão foi palco de Encontro Transfronteiriço dedicado à inovação e à economia social

26 October 2026 at 06:00

Olhão foi palco do 3.º Encontro Transfronteiriço do projeto INNOVASOCIAL AAA, uma iniciativa que reuniu entidades de Portugal e Espanha e que promoveu a partilha de experiências, a cooperação e a inovação na economia social, nos dias 19 e 20 de outubro. Projeto europeu

Promovido pela Tertúlia Algarvia e pela Associação In Loco, com a colaboração do Município de Olhão, o encontro decorreu no âmbito do projeto europeu INNOVASOCIAL AAA, que procura fortalecer a economia social e promover a inclusão, a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento sustentável nos territórios do Alentejo, Algarve e Andaluzia.

O presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Veia Calé, deu as boas-vindas aos participantes, antecedendo aquele que foi um dos pontos altos do encontro: a valorização do movimento associativo e das instituições sociais de Olhão. 

Neste âmbito, o Auditório Municipal Maria Barroso acolheu as apresentações da Associação MOJU e do projeto Moinho – Incubadora de Inovação Social do Sotavento Algarvio, seguindo-se visitas à Associação Cultural e de Apoio Social de Olhão (ACASO), ao Movimento de Apoio à Problemática da SIDA (MAPS), à Santa Casa da Misericórdia de Olhão e ao Coletivo Aurora. 

Estas visitas permitiram aos participantes conhecer de perto o trabalho desenvolvido por estas entidades, os seus projetos e as respostas que disponibilizam à comunidade, evidenciando exemplos de boas práticas na inclusão social e o importante contributo destas instituições para o concelho.

A iniciativa proporcionou também momentos de convívio e de valorização da identidade local, com destaque para o passeio pelo “Caminho das Lendas” de Olhão e para o jantar promovido pela Tertúlia Algarvia, nos emblemáticos Mercados Municipais de Olhão, eleitos uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal, na categoria Século XX. A noite terminou com um espetáculo de fado. 

O programa incluiu ainda um coffee break dinamizado pela ACASO, através do seu projeto “Food4All: Sabores da Inclusão”, e um almoço no Centro Infantil Maria Rufino, da Santa Casa da Misericórdia de Olhão.

A gastronomia local também esteve em evidência, com os participantes a serem presenteados com o tradicional Folar de Olhão, eleito uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal, em 2019.

Ao acolher este encontro, Olhão reforçou a sua ligação às redes de cooperação internacional, dando simultaneamente visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas instituições locais, cujo contributo é fundamental para a construção de uma comunidade mais inclusiva, solidária e participativa.

O projeto INNOVASOCIAL AAA é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Interreg VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021–2027.

O conteúdo Olhão foi palco de Encontro Transfronteiriço dedicado à inovação e à economia social aparece primeiro em Sempre à Mão.

Atletas de Albufeira conquistaram ouro, prata e bronze no 19.º Campeonato Europeu Aberto de Capoeira

20 October 2026 at 20:32

Sete atletas de Albufeira conquistaram duas medalhas de ouro, três de prata e três de bronze no 19.º Campeonato Europeu Aberto de Capoeira, disputado no concelho nos dias 16 a 17 de outubro, cuja competição reuniu participantes de diferentes países e gerações, dos escalões infantis aos profissionais.

Portugal, Espanha, França, Itália, Irlanda, Reino Unido, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Israel, Brasil e Canadá estiveram entre os países representados na competição.

Esta edição contou também com Timor-Leste e o Brasil como países convidados, num encontro que associou a prática desportiva ao intercâmbio cultural.

Entre os representantes de Albufeira, Carlos Pinto venceu a categoria de Alunos Adultos Intermédios masculinos, na qual Arthur Mariano Ferreira da Silva assegurou o segundo lugar.

Na competição feminina de Profissionais 1, destinada a monitoras e instrutoras, Miriam Romaneiro conquistou o ouro e Lia Varela terminou na terceira posição. Miriam somou ainda a medalha de bronze na prova de Absoluto feminino, com dois pódios ao longo do campeonato.

Os resultados dos atletas do concelho estenderam-se a diferentes faixas etárias. Gabriel Breitenbach alcançou a medalha de prata em Infantil B masculino, dos 7 aos 9 anos, enquanto Afonso Pereira obteve a mesma classificação em Juvenil C masculino, dos 16 aos 17 anos. No escalão Master 1 feminino, dos 40 aos 46 anos, Belenda Silva conquistou o terceiro lugar.

Nas provas absolutas, Rafael Deus e Susana Ventura, ambos representantes de Portugal, venceram as competições masculina e feminina, respetivamente.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Jorge Carmo, e a vereadora da Câmara Municipal, Maria Cristina Corado, marcaram presença no campeonato.

Na sua intervenção, o vice-presidente destacou o papel do desporto na aproximação entre culturas “o desporto em Albufeira tem portas abertas para o mundo, e a capoeira encarna na perfeição o espírito de partilha, respeito e cidadania global que defendemos.”

Com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira e integrada na programação oficial de Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026, a competição foi organizada pela Superliga Brasileira de Capoeira, pelo Grupo Muzenza de Capoeira e pela Associação de Capoeiragem Malta do Sul.

Título de Bicampeão Europeu de Ultimate de Praia conquistado pelo Clube de Portimão

20 October 2026 at 08:45

O Clube de Praticantes Ultimate Portimão sagrou-se, pela segunda vez consecutiva, campeão Europeu de Utimate de Praia, na divisão Mista.

Foi nas areias da Figueira da Foz, no centro do país, que o conjunto portimonense enfrentou a elite europeia, tendo contado por vitórias todos os encontros que disputou.

Vale a pena descrever que, depois de uma meia-final bastante sofrida contra os checos de FUJ, em que os algarvios enfrentaram uma ampla desvantagem de 5-2 no início do encontro, o Clube de Portimão acabou por conseguido dar a volta e vencer por 11-8, a muito antecipada final contra os vice-campeões mundiais, a equipa francesa Freezgo, que ainda assim, tinha todos os condimentos favoráveis para prender os cerca de 1000 espectadores presentes aos seus assentos.

Contudo, nunca dispostos a dar quaisquer veleidades à equipa gaulesa, os elementos de Pedro Vargas, apresentaram uma sufocante intensidade defensiva desde o primeiro momento, conseguindo rapidamente a criar uma vantagem de três pontos.

E com um ataque bastante fluído e consistente, os portimonenses nunca se mostraram incomodados pela qualidade exbida pelo jovem conjunto francês. E foi com um lançamento longo de Inês Bringel a encontrar Afonso Coelho, livre na endzone, que selaram aquele que é o segundo título europeu para os elementos da formação de Portimão.

Importa referir ainda que o clube algarvio já havia conquistado o seu primeiro título europeu em 2025, em Gdańsk, na Polónia.
Este novo triunfo reforça a hegemonia da equipa, que em maio também celebrou o sexto título nacional consecutivo da modalidade Ultimate.

❌