Fox News sees dramatic drop in viewership as Trump approval tumbles ahead of midterms
Despite the drop in viewers, Fox still has more viewers than all other cable networks and ESPN

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O resultado líquido da atividade em Portugal ascendeu a quase 728 milhões de euros, o que traduziu um aumento de 11,2% entre janeiro e setembro

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At least two children are hospitalized as a result of the E. coli cluster

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Ana Mendes Godinho, ex-ministra do Trabalho, vai assumir a Direção de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económica (OCDE), adiantou a própria ao ECO. A ex-governante venceu um concurso internacional, no qual participaram mais de 130 candidatos de quase 30 países.
“É um desafio enorme no contexto de mudança que estamos a viver no mundo do trabalho e em que a OCDE pode ser um organismo fundamental de apoio aos países“, sublinha Ana Mendes Godinho.
“É também um orgulho, porque reflete o reconhecimento por tudo o que foi feito em Portugal, nomeadamente durante a pandemia”, acrescenta a mesma.
Mendes Godinho foi ministra do Trabalho entre 2019 e 2024, tendo sido um dos principais rostos da estratégia do Governo de António Costa em resposta ao impacto da pandemia de Covid-19 na economia nacional. Foi sob a sua liderança que se desenvolverem medidas que se viriam a tornar emblemáticas, como o lay-off simplificado, que ajudou as empresas a segurarem o emprego apesar dos confinamentos.
Foi também uma das protagonistas da Agenda do Trabalho Digno, a reforma laboral levada a cabo pelo Governo socialista, que, nomeadamente, regulou o trabalho nas plataformas digitais e criminalizou o trabalho não declarado, além de ter posto um travão ao outsourcing para as empresas que avancem com despedimentos coletivos.
Ao ECO, Mendes Godinho realça que este novo cargo “é a possibilidade de dar o meu contributo a nível internacional”. Em janeiro, passará a viver em Paris, França, onde fica a sede da OCDE. “É uma grande mudança, um grande desafio”, afirma.
A direção que passará a liderar tem intervenção na definição e acompanhamento das políticas públicas de emprego, proteção social, qualificações, migrações e saúde. É também responsável por publicações como o “OECD Employment Outlook”, que é um dos principais relatórios internacionais sobre a evolução dos mercados de trabalho e os salários.
Atualmente, Mendes Godinho está a desempenhar as funções de diretora de Estratégia de Turismo da Universidade Nova de Lisboa. Antes, protagonizou a candidatura do PS à Câmara de Sintra nas Autárquicas de 2025.
Os sindicatos afetos à UGT e o sindicato dos quadros conseguiram, em sede de negociação, passar de um aumento de 2%, que os bancos haviam acordado, para 3%, mais um ponto percentual do que o inicialmente previsto

Apesar da queda nos lucros, o Santander Portugal manteve uma elevada rentabilidade dos capitais próprios e um rácio vde eficiência (custos) baixo traduzindo uma gestão controlada dos custos

Quando os custos aumentam e as margens diminuem, a primeira reação de muitas empresas é procurar onde podem reduzir despesas. A decisão parece natural, mas nem sempre é a mais eficaz.
Reduzir custos pode melhorar os resultados no curto prazo. Contudo, quando os cortes são indiscriminados, existe o risco de comprometer recursos essenciais à atividade, limitar a capacidade de resposta e criar dificuldades que só serão visíveis mais tarde.
O problema não está em reduzir custos. Está em fazê-lo sem compreender o seu impacto na operação e na capacidade de gerar valor.
É neste contexto que surge o conceito de cost killing, utilizado no discurso empresarial para designar iniciativas de redução significativa de custos. Mais do que uma metodologia universalmente definida, importa entendê-lo como uma abordagem que procura identificar desperdícios, rever processos e melhorar a eficiência.
A questão é perceber onde reduzir, o que preservar e como transformar essa intervenção em melhores resultados.
O último trimestre do ano é um momento particularmente oportuno para abordar este tema. É nesta fase que muitas empresas começam a avaliar os resultados, a rever os custos, a preparar o encerramento do exercício e a definir prioridades para o ano seguinte. Mais do que procurar cortes de última hora para melhorar os indicadores, importa perceber onde existem ineficiências, que recursos podem ser mais bem utilizados e quais as decisões que terão impacto na rentabilidade futura. Uma análise atempada permite transformar a revisão dos custos numa oportunidade de melhorar a gestão, preparar o próximo exercício e tomar decisões com maior fundamento económico.
Nem todos os custos desempenham a mesma função. Reduzir o investimento em formação, tecnologia ou capacidade comercial pode produzir um benefício imediato. Mas, se essa decisão comprometer a qualidade do serviço, atrasar processos ou limitar a aquisição de clientes, o ganho inicial poderá ser absorvido por perdas futuras.
A análise deve começar por compreender a natureza dos custos, a sua relação com a atividade e o contributo que representam para os resultados.
O volume de vendas também não é suficiente para avaliar o desempenho. Dois clientes podem gerar receitas semelhantes e exigir recursos muito diferentes.
A margem de contribuição permite conhecer o valor que fica disponível, depois de deduzidos os custos variáveis relevantes, para cobrir os custos fixos e contribuir para o resultado. Não corresponde, porém, à rentabilidade líquida do cliente.
Para aprofundar a análise, importa considerar os custos diretamente associados ao serviço prestado e, quando a informação o permita, avaliar a utilização dos recursos. A imputação dos custos indiretos deve obedecer a critérios consistentes e adequados à natureza de cada custo.
Esta informação pode ajudar a rever condições comerciais, identificar serviços que exigem maior eficiência e perceber onde existe margem para melhorar.
Uma parte significativa dos custos resulta da forma como o trabalho está organizado. Tarefas repetidas, informação introduzida várias vezes, procedimentos desnecessários e processos que dependem de intervenção manual podem consumir recursos sem acrescentar valor proporcional.
A revisão dos processos permite identificar oportunidades de simplificação, reduzir erros e melhorar a utilização do tempo. A tecnologia e a inteligência artificial podem contribuir para esta transformação, mas não substituem a análise prévia. Automatizar um processo inadequado pode apenas acelerar a execução de tarefas desnecessárias ou reproduzir erros com maior rapidez.
Antes de investir, a empresa deve compreender o processo, identificar os pontos críticos e definir o resultado que pretende alcançar. A tecnologia deve servir a operação e a decisão, não ser adotada apenas porque está disponível.
As despesas recorrentes também merecem uma atenção cuidada. Energia, telecomunicações, seguros, software, manutenção, logística e serviços externos representam custos que, individualmente, podem parecer pouco significativos, mas que acumulam impacto ao longo do exercício económico.
A revisão destas despesas permite verificar se os contratos continuam adequados, se os serviços correspondem às necessidades atuais e se existem condições comerciais mais favoráveis.
A negociação com fornecedores deve partir de informação concreta: consumo, utilização, preços, qualidade e condições contratuais. Uma redução de preço pode ser vantajosa. Mas, se implicar menor qualidade, falhas de serviço ou custos adicionais, o benefício poderá não ser real.
Também o tempo de trabalho merece atenção. Imagine-se uma empresa com 50 colaboradores, em que cada um perde, em média, 15 minutos por dia em tarefas improdutivas. Considerando 22 dias de trabalho por mês e 11 meses de atividade, esse tempo representa: 3.025 horas por ano.
Se utilizarmos 1.760 horas anuais como referência para um posto de trabalho a tempo completo, estamos perante uma capacidade equivalente a cerca de 1,7 postos de trabalho.
Este cálculo é ilustrativo. Não significa que a empresa possa reduzir automaticamente postos de trabalho ou obter uma poupança financeira de igual dimensão. Quer isto dizer que existe uma oportunidade de recuperar capacidade, desde que se identifique a origem do desperdício e se consiga transformar o tempo libertado em trabalho útil.
A melhoria pode permitir responder a mais clientes, reduzir atrasos, diminuir horas extraordinárias ou reforçar a qualidade do serviço. O efeito económico dependerá da forma como essa capacidade for utilizada.
Uma empresa pode apresentar resultados positivos e, ainda assim, enfrentar dificuldades de tesouraria.
O lucro não corresponde necessariamente ao dinheiro disponível. A evolução das contas a receber, dos inventários, dos pagamentos a fornecedores e das necessidades de financiamento condiciona a capacidade de cumprir compromissos e assegurar a continuidade da atividade.
A análise dos resultados deve, por isso, ser acompanhada pela avaliação do fundo de maneio e dos fluxos de caixa. A demora na cobrança, a acumulação de existências ou condições de pagamento inadequadas podem absorver recursos financeiros necessários à operação.
Melhorar a tesouraria pode implicar rever prazos de recebimento, ajustar níveis de inventário, negociar condições com fornecedores e antecipar necessidades.
A contabilidade permite conhecer a situação. A gestão deve utilizar essa informação para agir antes de os problemas se tornarem evidentes.
Sem indicadores, a empresa pode concluir que determinada medida foi eficaz apenas porque a despesa diminuiu. Mas essa redução pode ter sido acompanhada por atrasos, menor qualidade, perda de clientes ou aumento de custos noutras áreas.
A evolução dos custos operacionais, das margens, da rentabilidade por cliente, dos prazos de recebimento e da produtividade permite acompanhar os resultados e identificar desvios.
Importa também evitar que cada departamento procure melhorar os seus próprios indicadores sem considerar o impacto na organização. Uma decisão que reduz custos numa área pode transferir trabalho ou despesas para outra.
A empresa precisa de uma visão integrada, capaz de relacionar os indicadores com os resultados e com a estratégia.
A contabilidade assume aqui um papel relevante. Não apenas na apresentação dos resultados, mas na interpretação da informação que permite perceber a evolução dos custos, das margens, da tesouraria e da atividade.
O verdadeiro cost killing não consiste em despedir trabalhadores, congelar investimentos ou reduzir indiscriminadamente despesas. Consiste em eliminar desperdícios, simplificar processos, melhorar a produtividade, reforçar margens e transformar informação financeira em decisões de gestão. As empresas que prosperam não são necessariamente aquelas que gastam menos mas sim as que conseguem identificar onde perdem dinheiro, corrigir essas ineficiências e converter cada euro investido em valor sustentável. Afinal de contas, não é o mero corte de custos que cria valor. É a decisão que permite eliminar o desperdício sem destruir aquilo que torna a empresa rentável.

Depois de dois anos a acelerar a requalificação dos trabalhadores portugueses e a fazer a ponte entre estes e as vagas de emprego disponíveis no mercado, a plataforma gratuita New Career Network (NCN) entra agora numa nova fase. Passa a apoiar também a fase de reflexão sobre uma potencial mudança de carreira, disponibilizando dados que permitem comparar salários entre funções e perspetivas profissionais.
“Nos últimos dois anos, passaram pela NCN cerca de 340 mil pessoas, das quais cerca de 47 mil foram orientadas para formações de elevada empregabilidade ou oportunidade de emprego“, começa por realçar Carla Sousa, manager desta plataforma, em conversa com o ECO.
“É um número que nos orgulha bastante“, assinala a responsável. Lançada em outubro de 2024, a NCN tem tido, até aqui, duas grandes funções. Por um lado, disponibiliza um catálogo de cursos com empregabilidade mínima de 70%, ajudando a acelerar a requalificação dos portugueses. E, por outro, reúne as vagas de emprego disponíveis no mercado de trabalho.
A partir de agora, soma uma nova funcionalidade: passa a apoiar quem está “ainda na fase de reflexão”, com dados que permitem perceber se quer mesmo mudar de carreira e quais as hipóteses “são válidas” para si, salienta Carla Sousa. Isto porque a Fundação Belmiro de Azevedo decidiu juntar-se a este projeto, como parceira estratégica, trazendo consigo os dados da Brighter Future sobre salários médios, procura por profissão, número de trabalhadores, qualificações mais frequentes, presença de jovens em cada atividade e diferenças regionais.
“Os dados estão disponíveis em contínuo. Qualquer um de nós pode ir à plataforma e aceder diretamente aos dados. Permite perceber, por exemplo, quais são os setores em que a procura é grande ou reduzida, se está a aumentar ou a cair. Para que as pessoas tomem a decisão com uma perceção de risco”, explica a manager.
Temos também informação sobre salários e há surpresas. Por exemplo, o curso de técnico de redes permite um salário médio de 2.200 euros. Em comparação, um fisioterapeuta, ao qual se exige uma licenciatura, tem um ordenado médio abaixo dos 1.500 euros.
“Temos também informação sobre salários e há surpresas. Por exemplo, o curso de técnico de redes permite um salário médio de 2.200 euros. Em comparação, um fisioterapeuta, ao qual se exige uma licenciatura, tem um ordenado médio abaixo dos 1.500 euros”, destaca Carla Sousa.
A responsável avança ao ECO também que a intenção é que, até ao final do ano, a NCN tenha uma funcionalidade que permita também o acesso personalizado a essa informação, sendo que, por agora, é possível encontrar estes dados diretamente na plataforma, sem que seja necessária criar um perfil.

Quando foi lançada no outono de 2024, a NCN contava com 30 cursos de requalificação, em diferentes áreas, do digital à agricultura, passando pela indústria. Hoje, a oferta formativa é bem mais expressiva: “Temos à data de hoje mais de 80 cursos de 20 escolas parceiras“, adianta Carla Sousa.
Todos os programas, garante a mesma, são em áreas com elevada procura (da indústria à saúde) e com empregabilidade mínima de 70%. A maioria é pago, mas há também opções gratuitas (40% dos cursos).
No momento do lançamento, a NCN tinha sinalizado ao ECO a vontade de aprofundar a relação com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Carla Sousa adianta agora que a entrada da Fundação Belmiro de Azevedo servirá também para retomar esse tema.
Quanto às vagas de emprego, a plataforma registava em torno de duas dezenas de oportunidades, no momento de lançamento. Hoje, adianta a manager, há oito mil vagas registadas em empresas de referência e recrutadoras, como Adecco, Randstad, Sonae, Manpower, CUF e EDP.
Do ponto de vista do perfil, cerca de um terço dos nossos utilizadores tem licenciatura. Esse é o nível predominante. Seguem-se o ensino secundário e, depois, o doutoramento.
Por outro lado, no que diz respeito ao perfil do utilizador da NCN, Carla Sousa indica que um terço tem licenciatura. “Esse é o nível de escolaridade predominante. Seguem-se o ensino secundário e o doutoramento”, detalha.
Mais, duas em cada três pessoas que chegam a esta plataforma estão empregadas, mas a preparar o seu passo profissional seguinte. “A adesão tem superado as expectativas. Temos feito um conjunto de otimizações à ferramenta”, realça a manager, que revela que a meta é chegar às 400 mil pessoas abrangidas até março de 2027.
A NCN foi criada no âmbito da iniciativa para a requalificação de talento promovida pela European Roundtable for Industry, organização que junta 60 das maiores empresas europeias, incluindo a portuguesa Sonae. Daí que esta retalhista portuguesa tenha sido a responsável pelo investimento que permitiu o desenvolvimento desta plataforma no país.
“A New Career Network traduz o compromisso da Sonae com a educação, a requalificação profissional e a capacitação ao longo da vida. Enquanto maior empregador privado em Portugal, acreditamos que é também nossa responsabilidade contribuir para soluções que ajudem as pessoas a adaptar competências, compreender melhor o mercado de trabalho e tomar decisões de carreira mais informadas”, afirma Daniel Fonseca, diretor de marca da Sonae, citado em comunicado.
Em comparação, a implementação em Espanha foi proporcionada por um conjunto de empresas liderado pela Fundación Telefónica, em colaboração com a SAP, Iberdrola e CEOE.

Lawsuit claims Great Value frozen shrimp is coated with ice to keep it safe from freezer burn — which also adds to its weight

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Em Utiledulci, o Tribunal de Justiça afastou a suspensão da execução fiscal quando esta prolongue a vantagem concorrencial. Mas deixou uma porta aberta: se a garantia retirar efetivamente essa vantagem, a suspensão não frustra a recuperação — realiza-a por outra via.
No contencioso da Zona Franca da Madeira há um paradoxo pouco discutido. Foi o Estado português que desenhou o regime, o notificou a Bruxelas, o administrou e o fiscalizou. Quando a Comissão concluiu que fora aplicado em desconformidade com as condições aprovadas, a fatura seguiu para as empresas que nele confiaram: recuperação integral, com juros compostos e, por vezes, mais de uma década de distância.
Ninguém contesta o dever de recuperar. A questão é outra: pode a efetividade justificar uma execução fiscal à margem das regras que valem para qualquer outra dívida ao Estado?
Uma obrigação de resultado, não de método
O regulamento europeu manda recuperar segundo as formalidades do direito nacional, desde que permitam a execução imediata e efetiva. É uma obrigação de resultado, não uma ordem para desmantelar em bloco as garantias do contribuinte. Ainda assim, instalou-se uma leitura maximalista: citações que anunciam que a oposição não suspende e que não há prestações nem suspensão mediante garantia; certidões de situação tributária recusadas; meios de garantia reduzidos a uma única modalidade. Tudo em nome da mesma palavra.
Em 21 de maio de 2026, no processo C-545/24, Utiledulci, o Tribunal de Justiça fixou o critério: afastam-se as normas nacionais que permitam suspender a execução mediante garantia ou dispensa de garantia, salvo se a garantia privar efetivamente o beneficiário da vantagem concorrencial associada ao auxílio. O debate não terminou; mudou de natureza. Deixou de ser uma discussão de princípio e passou a ser uma questão de prova, confiada ao juiz nacional.
O excesso é nacional
Daqui decorre algo que raramente se diz: o que vá além deste critério já não é imposição de Bruxelas — é escolha portuguesa. A efetividade é um limite ao direito nacional, não um título para afastar garantias sem examinar o seu efeito. Uma garantia que assegure o montante integral, com juros, retira ao beneficiário a vantagem de dispor do dinheiro: é recuperação por outros meios. Recusar uma certidão a quem litiga de boa-fé e oferece essa garantia não devolve um cêntimo ao erário. Apenas impede a empresa de concorrer, de se financiar e de operar — comprometendo, paradoxalmente, a própria cobrança.
O mesmo vale para a prescrição. O prazo de dez anos do regulamento europeu rege, em primeira linha, o poder da Comissão de ordenar a recuperação ao Estado-Membro: é um prazo entre Bruxelas e Lisboa. Convertê-lo num prazo de cobrança contra o contribuinte, afastando o prazo nacional, exigiria demonstrar que este torna a recuperação impossível ou excessivamente difícil. A jurisprudência europeia que afastou prazos nacionais visava impedir que a decisão da Comissão ficasse letra morta. Quando o Estado conhecia a decisão e tinha tempo para agir, mas não agiu, invocar o Direito da União deixa de ser cumprimento e passa a ser resgate da própria inércia.
Efetividade com Estado de direito
Os tribunais nacionais têm aqui uma responsabilidade acrescida. O acórdão Ferreira da Silva e Brito (2015) lembrou que um tribunal de última instância que recuse indevidamente o reenvio pode fazer incorrer o Estado em responsabilidade. O primado do Direito da União protege também os particulares contra Estados que o aplicam mal — incluindo através dos seus juízes.
A Carta dos Direitos Fundamentais e a Constituição garantem a tutela jurisdicional efetiva, e essas garantias não se suspendem por estar em causa um auxílio de Estado. Muda o ónus: não basta invocá-las em abstrato; é preciso demonstrar que não prolongam a vantagem que a decisão europeia quer eliminar. Recuperar é um dever. Fazê-lo com garantias, quando estas não frustram a recuperação, é condição de legitimidade.
O caso da Zona Franca da Madeira será lembrado pelos montantes. Deveria sê-lo pela pergunta que coloca: pode a efetividade justificar tudo? A resposta do Estado de direito — e, como Utiledulci acaba de confirmar, a do próprio Direito da União — é que não.
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