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“A equipa deu uma belíssima resposta”

25 October 2026 at 21:08

Declarações após o jogo Rio Ave-Famalicão (0-4), da nona jornada da I Liga portuguesa de futebol, disputado hoje no Estádio do Rio Ave FC, em Vila do Conde:

– Ricardo Silva (treinador interino do Famalicão): “A equipa deu uma belíssima resposta. Os jogadores interpretaram muito bem os processos que procurámos transmitir e trabalhar durante a semana. Conseguimos uma vitória que permite devolver aos adeptos a confiança e a alegria de apoiar o clube.

Vínhamos de momentos diferentes. O Rio Ave estava embalado por duas vitórias e nós atravessávamos uma fase menos conseguida. Mas, pela forma como os jogadores trabalharam e responderam durante a semana, tinha a certeza de que daríamos uma resposta positiva.

Se estava à espera deste resultado? Não vou mentir, não estava. Mas esperava esta atitude e esta demonstração de força. Os jogadores não me surpreenderam pelo que colocaram em campo, embora o resultado tenha superado aquilo que esperava.

Esta vitória não é minha nem do treinador Carlos Carvalhal. É inteiramente dos jogadores, pelo trabalho que fizeram e por acreditarem numa ideia que lhes foi proposta. Foram eles que ganharam este jogo, por eles próprios e por todos os que vieram apoiar-nos.

Enquanto treinador interino, compete-me fazer os jogadores acreditar que têm capacidade para resolver os problemas. Sinto uma felicidade enorme e o dever cumprido. A administração tomará a decisão que entender ser melhor para o futuro do Famalicão e estarei sempre disponível para ajudar, seja nesta posição ou noutra função.

Fico extremamente feliz pelo Óscar Aranda. Todos conhecemos as suas qualidades e, depois dos problemas físicos que atravessou, precisava de um momento destes para recuperar a confiança. Trabalhámos nos treinos os movimentos em que pode ser decisivo e ele conseguiu concretizá-los”.

– Vasco Seabra (treinador do Rio Ave): “Compreendo que os adeptos tenham razões para assobiar ou aplaudir. Pagam as quotas, gostam do clube e têm todo o direito de expressar as suas emoções. Temos de conseguir trazê-los para o nosso lado com atitude, paixão e compromisso.

O resultado é ingrato, demasiado expressivo e penalizador perante aquilo que foi o desempenho das duas equipas. Temos de dar os parabéns ao Famalicão, que é uma boa equipa, com bons valores individuais, mas houve momentos-chave que marcaram o jogo.

O primeiro foi o golo num remate de longe, que desbloqueou a partida. Depois, tivemos uma oportunidade do Blesa, isolado, em que o guarda-redes defendeu para o poste. Se tivéssemos empatado nesse momento, acredito que poderíamos ter levado o jogo mais para o nosso lado.

Até ao segundo golo, competimos e procurámos sempre chegar ao empate. Depois, a equipa perdeu energia e capacidade competitiva. Isso demonstra que estamos a dar passos, mas ainda não conseguimos ser a equipa que queremos durante os 90 minutos.

Aceitei este desafio por acreditar que podemos construir algo positivo juntos. Queremos criar uma cultura e uma mentalidade vencedoras, em que cada duelo e cada centímetro de relva sejam disputados para ganhar. Essa mentalidade não se constrói em dois dias.

Não podemos entrar em euforia quando ganhamos, nem em depressão quando perdemos. Temos de manter o equilíbrio, perceber o que fizemos bem e mal e continuar a trabalhar. Tenho a certeza de que estaremos melhores na próxima semana e ainda melhores daqui a um mês”.

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Famalicão sacode crise com goleada em Vila do Conde

25 October 2026 at 20:03

O Famalicão goleou hoje o Rio Ave 4-0, na nona jornada da I Liga de futebol, numa estreia vitoriosa do interino Ricardo Silva, perante uma equipa vila-condense sem reação.

Beney (48 minutos), Pedro Santos (81) e Aranda (85 e 90+5), o último de grande penalidade, marcaram os golos dos minhotos, hoje com uma exibição pragmática, que quebrou uma série de duas derrotas consecutivas em todas as competições.

Orientados interinamente por Ricardo Silva, antigo adjunto de Carlos Carvalhal, que deixou o clube após a eliminação da Taça de Portugal, os famalicenses apresentaram-se mais perigosos na primeira parte, apesar do equilíbrio inicial.

A superioridade famalicense traduziu-se nas oportunidades de Mathias de Amorim, que rematou por cima aos 21 minutos, e, sobretudo, nas intervenções de Vítor Hugo, que negou o golo a Szucs e Léo Realpe, aos 23 e 24, respetivamente.

Do lado vila-condense, a produção ofensiva resumiu-se praticamente a um cabeceamento de Jalen Blesa, aos 30 minutos, defendido sem dificuldades por Carevic, mantendo-se o empate sem golos até ao intervalo.

A igualdade foi desfeita logo no arranque da segunda parte, com Beney a aproveitar espaço na direita e, com um belo remate de fora da área, inaugurou o marcador, aos 48, num ‘tiro’ sem possibilidade de defesa.

Em desvantagem, o Rio Ave procurou assumir maior iniciativa, mas continuou a revelar dificuldades na criação de oportunidades, tendo, aos 73 minutos, desperdiçado a melhor ocasião, quando Blesa, isolado, rematou para uma defesa de Carevic, que desviou a bola para o poste.

O lance marcou o último momento de verdadeira ameaça dos vila-condenses, que perderam consistência na reta final e permitiram ao Famalicão transformar uma vantagem mínima numa goleada, com dois ‘trunfos’ vindos do banco.

Aos 81 minutos, Pedro Santos concluiu de primeira uma jogada construída por Sorriso, ampliando a diferença, antes de assistir Óscar Aranda, que, quatro minutos depois, finalizou em esforço, regressando aos golos mais de um ano e meio depois de ter sofrido uma lesão grave.

Já nos descontos, uma falta de Petrasso sobre Mathias de Amorim dentro da área permitiu a Óscar Aranda elevar-se a figura da noite e ‘bisar’, na conversão de uma grande penalidade, fixando o resultado final em 4-0.

Ficha de Jogo

Jogo no Estádio do Rio Ave Futebol Clube, em Vila do Conde.

Rio Ave – Famalicão, 0-4.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores

0-1, Beney, 48 minutos.

0-2, Pedro Santos, 81.

0-3, Aranda, 85.

0-4, Aranda, 90+5 (grande penalidade).

Equipas

– Rio Ave: Vítor Hugo, João Tomé (Zé Carlos, 66), Petrasso, Ntoi, Vrousai, Liavas (Spikic, 82), Diogo Nascimento, Clemmensen (Sellouki, 66), Miguel Patrício (Galcik, 77), Diogo Bezerra (Tamble Monteiro, 82) e Jalen Blesa.

(Suplentes: Van der Gouw, Simon Garcia, Gustavo Mancha, Zé Carlos, Nikitscher, Sellouki, Ryan Guilherme, Antoine, Galcik, Spikic e Tamble Monteiro).

Treinador: Vasco Seabra.

– Famalicão: Carevic, Victor Rofino, Léo Realpe, Gustavo Garcia, Rodrigo Pinheiro, Szucs (Pedro Santos, 60), Tom van de Looi (Marcos Peña, 83), Beney (Paulo Moreira, 66), Mathias de Amorim, Sorriso (Aranda, 83) e Koutsias (Patrício Salas, 60).

(Suplentes: Zlobin, Gabriel Cabral, Van Breemen, Serafimovic, Jangeal, Paulo Moreira, Pedro Santos, Marcos Peña, Patricio Salas, Aranda e Abubakar).

Treinador: Ricardo Silva.

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Vasco Seabra (40), Miguel Patrício (42), Zé Carlos (80) e Petrasso (90+3).

Assistência: 3.024 espectadores.

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Ex-ministro de Famalicão classifica carga policial nas ‘acampadas’ como “tremendo erro dos decisores”

25 October 2026 at 11:42

Jorge Moreira da Silva, ex-ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia entre 2013 e 2015, durante o governo de Pedro Passos Coelho, deixou críticas às cargas policiais ocorridas esta madrugada nas ‘acampadas’ de Lisboa e Porto, durante os protestos contra os preços das habitações.

Para o político natural de Famalicão, os protestos são pacíficos e a carga policial não se justifica, apontando como um erro do Ministério da Administração Interna a autorização para o uso da força.

“Esta carga policial contra protestos pacíficos de jovens em Lisboa e no Porto, além de injustificável à luz da tolerância, da empatia e dos direitos humanos, é um tremendo erro dos decisores. É disto que se alimenta o populismo, a radicalização e a descrença na política”, escreveu Moreira da Silva esta manhã na rede social X (ex-Twitter).

Esta carga policial contra protestos pacíficos de jovens em Lisboa e no Porto, além de injustificável à luz da tolerância, da empatia e dos direitos humanos, é um tremendo erro dos decisores. É disto que se alimenta o populismo, a radicalização e a descrença na política.

— Jorge Moreira da Silva (@jmoreiradasilva) October 25, 2026

A Praça D. João I, no Porto, amanheceu hoje vazia e com um polícia na esquina, após a intervenção policial que desmontou a acampada contra os custos da habitação e causou oito feridos, segundo dados da PSP.

Sem tendas, sem manifestantes, sem cartazes pendurados, sem nada, vazia. Numa das esquinas um polícia em vigia. É este o retrato da Praça D. João I pelas 07:00, após uma madrugada “agitada e violenta” que terminou com oito detidos, entretanto já libertados e com números contraditórios quanto aos feridos.

Se a PSP reconheceu que a intervenção desta madrugada, pelas 02:00, causou oito feridos, a organização do movimento pela habitação no Porto apontou para a existência de 37 feridos, dos quais sete em estado grave.

“Foi feio, foi feio. Estava tudo pacífico, em clima de paz, mas a protestar, temos que protestar, e a polícia chegou e levou tudo à frente”, descreveu à Lusa Toni, um “habitante da rua”, que estava abrigado, com a tenda desmontada, na arcada de um prédio em frente àquela praça no centro do Porto.

O relógio batia as 02:02. Após algumas horas de tensão, a Unidade Especial de Polícia da PSP começou a desmobilizar os manifestantes na Praça D. João I, que recusaram desmontar as tendas.

“Ora bem, a polícia foi ali falar com eles [os manifestantes], eles disseram que não saíam e eu comecei a ver que isto ia dar molho. Fiquei aqui, eu já estou habituado a dormir na rua, também tenho a minha tenda, não abri para não ser confundido e ficar sem ela”, explicou Toni.

Os oito detidos, levados para a esquadra do Heroísmo, foram libertos pelas 06:00 serão presentes a tribunal na segunda-feira, segundo confirmou o advogado do movimento que tem promovido os protestos, Tiago Machado.

Pelas 07:00, a tenda de Toni era, de facto, a única tenda armada naquela zona da cidade. Na esquina em frente, um agente da PSP saltitava de pé em pé, olhando para a praça, para Toni e para os carros que circulavam na zona.

“As carrinhas foram embora, mas vão passando aqui carros da PSP, estão à coca de alguma coisa”, vaticinou Toni.

Pelas ruas que circundam a praça já não há vestígios da acampada, que chegou a ter mais de 50 tendas.

A decisão de voltar a montar as tendas foi tomada, mais uma vez, numa assembleia popular ao final da tarde de sábado, que reuniu centenas de pessoas.

Durante a tarde de sábado, milhares de pessoas marcharam da Praça da Batalha até à Praça D. João I, de forma pacífica e sem incidentes registados, contra os custos da habitação.

No final da marcha, permaneceram na praça, cantaram, gritaram palavras de ordem e prometeram que ninguém os cala: “Podem tentar silenciar-nos, mas nós vamos sempre voltar”, avisaram.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de participantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa e a outras cidades do país, dias depois de a aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

Com Lusa.

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