Festival Literário Babell regressa ao Porto em 2028

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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A cerimônia da 68ª edição do prêmio ocorreu na noite desta terça-feira (27), na Sala São Paulo. Ruy Castro não estava presente por questões de saúde, conforme anunciado no evento.
No ano passado, o autor também recebeu o prêmio na mesma categoria com o livro O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim, uma coletânea de textos sobre o compositor.
Nascido em 1948, em Caratinga, Minas Gerais, o escritor começou sua carreira como repórter em 1967 e, a partir de 1990, dedicou-se à escrita de livros.
Reconhecido pelas biografias de personagens como Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, Ruy Castro também fez reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio de Janeiro dos anos 1920.
Promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o evento premiou vencedores em 23 categorias, além do Livro do Ano. As obras são distribuídas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.
Outra categoria com bastante visibilidade é Romance Literário. A escritora Eliana Alves Cruz foi a vencedora da categoria, com a obra Meridiana.
“É um momento de muita alegria e realização”, definiu a escritora.
“Muito emocionante [receber] o prêmio de Romance Literário, é o prêmio mais tradicional. Muito simbólico, muito significativo de uma trajetória que eu acho que é de muita gente. São muitas pessoas, todos os meus ancestrais, minha família, meus amigos, nosso país. As escritoras todas que eu admiro e que estão aí produzindo”, disse Eliana à Agência Brasil.
O romance literário vencedor aborda temas como ascensão social e sentimento de pertencimento a partir da perspectiva de uma família negra.
“É toda uma forma de pensar sobre esse momento do Brasil, em que a gente tem uma classe média nova, uma classe média que está tentando se entender, se achar e principalmente buscando o seu lugar de pertencimento. Qual é a minha casa? O questionamento é: o que podemos chamar de casa?”, analisa a escritora
“Muitas famílias, a minha família, a família de pessoas que eu conheço fazem esse movimento. Saem de uma situação mais precária e vão para uma classe média, melhoram de vida, entre aspas, economicamente. Mas estão ainda atravessadas por muitas questões e vão para esse novo lugar e ficam num limbo, numa linha divisória. Nem são de onde vieram, nem são necessariamente do lugar para onde vão”, explicou a escritora.
Esta edição do Jabuti teve a estreia da categoria Incentivo à Leitura - Cultura Digital, voltada a criadores de conteúdo em plataformas digitais que contribuem para valorizar o livro e estimular a leitura.
A CBL explica que a categoria valoriza a qualidade dos conteúdos, o engajamento e o impacto cultural. A categoria recebeu 402 indicações válidas.
Pedro Pacífico, responsável pelo canal Bookster, venceu a nova categoria e recebeu a estatueta das mãos do jogador de futebol Gustavo Scarpa, que também tem mobilizado leitores ao compartilhar suas leituras nas redes sociais.
Nas outras 22 categorias, o Jabuti recebeu 4.675 inscrições de obras e projetos. A premiação está distribuída em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Além das estatuetas, os vencedores recebem R$ 5 mil por categoria.
A lista completa dos vencedores está disponível no site do prêmio.
O Jabuti homenageou Lygia Bojunga, escritora reconhecida no Brasil e no exterior, que foi escolhida como Personalidade Literária desta 68ª edição. O reconhecimento ocorre no mesmo ano em que uma de suas obras mais conhecidas, A Bolsa Amarela, completa 50 anos.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1932, Lygia estreou na literatura em 1972 com Os Colegas. Em livros como Angélica, Corda Bamba e A Bolsa Amarela, construiu uma obra marcada pela liberdade de imaginação e pela escuta dos conflitos e desejos da infância.
A escritora enviou uma mensagem de agradecimento e uma carta escrita à mão. “Que belo incentivo este!”, escreveu Lygia, referindo-se à homenagem. A escritora e psicanalista Ninfa Parreiras representou a escritora na cerimônia.
Confira a lista de finalistas abaixo:
Eixo: Literatura
1.1 Conto
Título: Massaranduba | Autor(a): Abáz | Editora(s): Senac Rio
1.2 Crônica
Título: Viagem no país da crônica | Autor(a): Humberto Werneck | Editora(s): Tinta-da-China Brasil
1.3 Escritor Estreante - Poesia
Título: História a que ninguém deu nome | Autor(a): Juliana Cajives | Editora(s): Mormaço Editorial
1.4 Escritor Estreante - Romance
Título: Pitangas verdes | Autor(a): Mariana Lobato Botter | Editora(s): Labrador
1.5 Histórias em Quadrinhos
Título: Ouroboros | Autor(a): Luckas Iohanathan | Editora(s): Comix Zone
1.6 Infantil
Título: A letra | Autor(a): Leo Cunha, Raquel Matsushita | Editora(s): Maralto
1.7 Juvenil
Título: A única da sala | Autor(a): Tathyana Viana | Editora(s): FTD
1.8 Poesia
Título: Boris e Marina | Autor(a): Alberto Martins | Editora(s): Companhia das Letras
1.9 Romance de Entretenimento
Título: Cartografia para caminhos incertos | Autor(a): Ian Fraser | Editora(s): Intrínseca
1.10 Romance Literário
Título: Meridiana | Autor(a): Eliana Alves Cruz | Editora(s): Companhia das Letras
Não Ficção
2.1 Artes
Título: Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990 | Autor(a): Tulio Custódio (Organizador) | Editora(s): Todavia
2.2 Biografia e Reportagem
Título: Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio | Autor(a): Ruy Castro | Editora(s): Companhia das Letras
2.3 Economia Criativa
Título: A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial | Autor(a): Martha Gabriel | Editora(s): Senac São Paulo
2.4 Educação
Título: Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade | Autor(a): Manuel Alves de Sousa Junior | Editora(s): Schreiben
2.5 Negócios
Título: Não se esqueça!: 50 memorandos sobre gestão e liderança com propósito, comprometimento e proatividade | Autor(a): Mario Sergio Cortella | Editora(s): Record
2.6 Saúde e Bem-Estar
Título: A paixão pela mentira: a família e as tiranias | Autor(a): Paulo Schiller | Editora(s): Todavia
Produção Editorial
3.1 Capa
Título: Frans Krajcberg | Capista: Alles Blau | Editora(s): MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)
3.2 Ilustração
Título: Guernica: a arte em busca da paz | Ilustrador(a): Vinicius Sabbato | Editora(s): Via Lúdica
3.3 Projeto Gráfico
Título: Dobra | Responsáveis: Raul Loureiro | Editora(s): Cosac
3.4 Tradução
Título: O cavaleiro de bronze e outros contos e versos | Tradutor(a): Rubens Figueiredo | Editora(s): Penguin-Companhia das Letras
Inovação
4.1 Incentivo à Leitura - Projeto
Título: Cartovivências nas periferias da cidade | Responsável(eis): Ricardo Barbosa da Silva
4.2 Livro Brasileiro Publicado no Exterior
Título: Os substitutos | Editora(s): Companhia das Letras, Métailié
4.3 Incentivo à Leitura - Cultura Digital
A sessão realiza-se a 6 de novembro, às 21h00, na Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes. Um euro por exemplar vendido reverte para a APEXA.
O conteúdo Sandra Ramos apresenta em Portimão livro «Maria» sobre maternidade, autismo e amor aparece primeiro em Barlavento.
Es el tejido de una guirnalda una mezcla de elementos que buscan lo minucioso, la belleza del detalle. Quizá por eso Judy escogió apellidarse Garland (guirnalda en inglés): porque recogía esa esencia de ser resultado de un moldeado, cerca del adorno. La actriz nació como Frances Gumm, y pasó a la historia como Dorothy, dado su eterno papel en [[LINK:INTERNO|||Article|||691ebddd511f480007a34bce|||«El mago de Oz»]] (1939). Una joven a la que Hollywood perfiló a su antojo, creando una aglomeración de identidades que, no obstante, y como ocurre en la primera novela de María José Navia, no tenían en su cruce nada de casual. La autora chilena propone en «El cielo sobre las nubes» (Seix Barral) una trama también tejida a modo de guirnalda. Más bien, de tornado salpicado de estimulantes vientos, como aquel que llevó a Dorothy a buscar la Ciudad Esmeralda: una niña actriz corre de audición en audición mientras recita detalles de la vida de Garland, una pintora fascinada con O’Keeffe se enfrenta a un particular encargo, y una arquitecta cuida a su abuelo a la vez que coordina la construcción de un misterioso hotel. Tres personajes que terminan entrelazándose y que tienen algo en común: encuentran refugio en «El mago de Oz».
¿Qué lectura propone de «El mago de Oz»?
Es un mundo muy rico que sirve para hablar de todo. Muchas referencias para directores de cine como David Lynch salen de ahí. Además, la gente que ha visto la película cree que conoce ese mundo, pero tan sólo fue una adaptación de la primera parte del primero de catorce volúmenes que escribió Lyman Frank Baum. En mi novela se trata de la fascinación por todo el universo de Oz, y es un remolino que arrastra referencias del arte de Georgia O’Keeffe, Graham Wood o Virginia Woolf.
¿Cómo acaban 14 libros «reducidos» en una sola historia?
Uno se queda con la idea de que Dorothy viaja a Oz y después regresa a casa chocando los zapatitos. Pero después vuelve, se lleva a sus tíos, porque el tornado del primer tomo destruyó su casa y quedaron endeudados con el banco... Estos libros tienen muchas preocupaciones por cosas muy concretas y prácticas. Baum trabajó asuntos sobre la tecnología o el abuso de poder. Incluso prohibieron sus libros en EE UU muchísimos años, porque en Oz el dinero está prohibido y se pensaba que estaba proponiendo una especie de utopía comunista. Es un mundo con muchas vidas, y la gente se queda con esa imagen de historia inocente. Pero lo cierto es que ha tenido un impacto tremendo, y tiene que ver también con el efecto que tiene el arte creado por seres humanos, con todas sus maravillas y también sus fallos. Esta obar la crea un autor de Estados Unidos a finales del siglo XIX, y se publica en 1900, transformando el mundo del cine, y siguiendo aún hoy cambiando la vida de muchas personas. Eso es algo que el arte creado por IA no lo va a conseguir.
Eso se suma, en su novela, a otras figuras del mundo de la cultura que toman la realidad como análisis o herramienta. ¿Hace un alegato a que el arte no es sólo belleza y entretenimiento?
El arte es urgente, y a veces se piensa que es algo accesorio. Nos da otra velocidad, otros ojos para mirar, nos transforma en realidad y lo necesitamos tanto como comer o tener una casa. Cada vez vemos más uso de IA en creaciones, y estoy muy opuesta a eso, porque el arte que transforma vidas es el que hacemos los seres humanos. Un mundo sin arte sería un mundo realmente gris, y si no lo tuviéramos nos daríamos cuenta del tremendo vacío, del error gigante.
«El mago de Oz» no deja de ser literatura infantil.
Y como pasa con la buena literatura infantil, nos habla de la sociedad, de la realidad. Si uno piensa en «Las Crónicas de Narnia», «Peter Pan» o «Alicia en el país de las maravillas», son grandes obras literarias que muestran una imagen de su época, de las cosas que se creían o soñaban en ese momento. La literatura infantil es importantísima, tiene un poder transformador tremendo, y muchas veces los autores escriben porque se encontraron de niños con algún libro que les voló la cabeza.
Uno de los personajes de su novela es una niña apasionada con Judy Garland, que quiere ser actriz... y también sufre los caprichos de la industria del cine.
Garland siempre quiso ser actriz, pero después su madre tomó el control de las cosas, hasta el punto de decir que ella era la verdadera bruja malvada del oeste. A diferencia de muchos casos en Hollywood en los que no se quiere envejecer, Garland sí quería. Pero le ponían corsé o le apretaban los pechos para que pareciera una niña de 13 años. No tuvo identidad, fue pasando de rol en rol sin finalmente saber quién era realmente, y tratando de satisfacer las expectativas de otras personas. Ella decía que su canción favorita eran los aplausos. En mi novela quise contar una historia que es bastante triste con colores luminosos, mezclando esta obsesión apasionada por el cine y por el arte.
"Los libros de Oz se prohibieron en EE UU porque se veían como una utopía comunista"
María José Navia
En su escritura ha habido mucha investigación y algún parentesco inesperado.
Uno de los disparadores de esta novela fue que, cuando me leí todos los volúmenes de Oz, empecé a investigar y me enteré de que el primer guionista al que le pasaron el libro para adaptarlo al cine fue German Mankiewicz, que fue primo de mi bisabuelo. Luego, fueron años de investigar, leer, ver películas... Viajé a Chicago a la casa de Frank Baum, también a la de O’Keeffe, fui al parque de diversiones perdido en mitad de las montañas de «El mago de Oz», que abre tres fines de semana al año... Ha sido un proceso de vida.
La inteligencia del espantapájaros, el corazón del hombre de hojalata y la valentía del león. ¿Cómo llegan a esta época despersonalizada y de tecnologías pasivas estos símbolos?
Es bonito pensar que son personajes que creían que les faltaban esas cosas, pero finalmente no es así. Hoy ocurre parecido, pues hay una urgencia de buscar sentido a las cosas. Hay muchas cosas despersonalizadas que dan terror, sobre todo la IA, que nos está convirtiendo en espantapájaros. Le estamos dando mucho poder a las máquinas cuando, al final, no va a venir ningún mago a salvarnos.
¿Hay que ser menos pasivos?
En ese sentido Dorothy fue muy revolucionaria en su época, porque en general en los libros infantiles si había un personaje que fuera niño o niña era por lo general de clase alta, sofisticada. Pero Frank Baum decidió traer los cuentos de hadas a EE UU con cosas muy propias de este mundo. Dorothy es huérfana, vive en una realidad muy triste, con mucha carencia material, y no necesariamente se quiere ir a explorar el mundo, sino que llega un tornado que le lleva a estas aventuras. Es un personaje que no tiene cualidades de heroína, y sin embargo lo es. Es un lindo mensaje, porque nos hace ver que no paramos de volver a Oz.


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