O líder da Oposição no Senado e coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, disse nesta quarta-feira (28) que não é possível afirmar, sem provas, que as eleições foram fraudadas.
A declaração se deu após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta com teor golpista onde afirma que o pleito, no qual foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi fraudado.
“Agora é evidente que, se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que é um desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado”, disse o senador.
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Marinho, que coordenou a campanha de Flávio rumo ao Palácio do Planalto, também disse que não foi consultado sobre o documento divulgado pelo candidato derrotado do PL e que não sabe como o senador atuará nos Estados Unidos para coordenar a direita. Ainda voltou a dizer que não sabia que Flávio iria fugir para os Estados Unidos.
Apesar de dizer não ter provas de fraude, o senador disse que houve abuso de poder econômico por parte da chapa de Lula e Geraldo Alckmin (PSB).
“Nunca antes, me permita parafrasear o atual presidente, na história desse país, se cometeu um abuso do poder econômico dessa magnitude”, disse. Marinho citou mais de R$ 400 bilhões em gastos e mais de R$ 60 bilhões depois da apresentação da lei orçamentária, além de mensagens a milhões de brasileiros sobre perdão de dívidas e Bolsa Família.
Carta de Flávio
Flávio Bolsonaro divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, o senador republicou o texto nas redes sociais sem essa frase. Na carta, o senador confirma que está nos Estados Unidos com a família e diz que vai liderar a oposição do exterior.
Flávio foi derrotado no segundo turno, no domingo (25), pelo presidente Lula. O resultado oficial do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deu a Lula 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. A diferença foi de 4,4 milhões de votos.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, escreveu. A carta não apresenta provas de irregularidade na votação ou na apuração.
Um dos argumentos da carta é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de prorrogar a votação até as 19h. Flávio diz que a medida de Zanin, “ex-advogado do Lula”, permitiu “uma impossibilidade matemática”: Lula ter somado mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno.
Os dados oficiais não sustentam a tese. Em nota divulgada na terça-feira (27), o TSE informou que 32.399 votos foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 após as 19h. Das 497.333 seções eleitorais, 437.065 concluíram os trabalhos até as 17h10, e 24.268 funcionaram depois desse horário.
Uma tempestade chuvosa deve avançar pelo centro dos Estados Unidos no dia das Eleições de Meio de Mandato e pode influenciar o comparecimento dos eleitores em disputas importantes da região.
Ainda não é possível determinar exatamente quais estados terão chuva na próxima terça-feira. Há dúvidas sobre a localização e a intensidade da tempestade, algo normal em uma previsão feita com quase uma semana de antecedência.
A previsão deve ficar mais clara até o fim de semana. Por enquanto, Iowa, Kansas, Michigan, Ohio e Texas podem enfrentar condições chuvosas.
A chuva pode influenciar o comparecimento às urnas nesses estados e em outras regiões do centro dos Estados Unidos, entre os eleitores que ainda não votaram antecipadamente. Mais de 35 milhões de pessoas já votaram por meio do voto antecipado.
Diversos estudos constataram que a chuva e outras condições meteorológicas adversas tendem a reduzir o comparecimento dos eleitores, enquanto o tempo ensolarado costuma ter o efeito contrário.
Cenário meteorológico
A ameaça de chuva na terça-feira pode se estender de partes da região dos Grandes Lagos e do Meio-Oeste Superior até a costa oeste do Golfo do México. No entanto, a localização exata da tempestade fará a diferença entre tempo seco, chuva intensa ou pancadas isoladas.
Rajadas de vento podem acompanhar a chuva no Meio-Oeste e nas Grandes Planícies. Também há possibilidade de tempestades fortes na parte sul do sistema meteorológico.
O tempo deve permanecer seco antes e depois da passagem da tempestade em grande parte da Costa Leste e no Oeste do país. A exceção são áreas costeiras da região do Meio-Atlântico e do Sudeste, onde ainda não é possível descartar completamente pancadas de chuva isoladas.
Uma coisa parece certa na previsão: não será necessário usar roupas muito quentes. As temperaturas máximas em grande parte da metade leste do país devem ficar entre 5 e 15 graus Fahrenheit acima da média. Apenas o Sudoeste deve registrar temperaturas um pouco abaixo da média.
A seguir, a previsão para alguns dos estados com disputas importantes nas eleições de meio de mandato. As condições ainda podem mudar à medida que houver mais certeza sobre a trajetória da tempestade, até o fim de semana.
Previsão para estados com disputas importantes
Geórgia: tempo provavelmente seco, com máximas entre 21 °C e 28 °C.
Iowa: há grande possibilidade de chuva durante pelo menos parte do dia, embora as pancadas possam deixar o estado até o início da manhã. As máximas devem ficar entre 10 °C e 17 °C.
Kansas: há boa possibilidade de chuva em partes do estado, mas ainda não está definido onde e em que volume. As máximas devem ficar entre 10 °C e 21 °C.
Maine: tempo provavelmente seco, com máximas entre 4 °C e 12 °C.
Michigan: os modelos meteorológicos apresentam cenários bastante diferentes. Alguns indicam chuva generalizada em grande parte do estado, enquanto outros preveem apenas pancadas isoladas no oeste de Michigan ou na Península Superior. As máximas devem variar entre 4 °C e 12 °C na Península Superior e chegar a cerca de 16 °C nas áreas ao sul da Península Inferior.
New Hampshire: tempo provavelmente seco, com máximas entre 4 °C e 12 °C.
Carolina do Norte: tempo provavelmente seco, com máximas em torno de 21 °C a 28 °C.
Ohio: a maioria dos modelos meteorológicos mantém a chuva a oeste do estado, mas ainda é cedo para descartar tempo chuvoso. As máximas devem chegar a cerca de 16 °C a 21 °C.
Texas: a metade leste do estado, especialmente nas áreas ao longo e a leste da rodovia interestadual 35, tem a maior probabilidade de chuva. Também há possibilidade de tempestades. As máximas devem variar entre cerca de 27 °C a 32 °C perto da costa e 16 °C a 21 °C na região do Panhandle, no noroeste do estado.
Candidato derrotado à presidência da República no último domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) se autoproclamou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, em carta divulgada nesta quarta-feira, 28.
Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil
Flávio Bolsonaro em carta divulgada
Na carta, que foi divulgada pelo jornalista Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo, Flávio cumprimenta lideranças da extrema-direita internacional, como os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, e agradece pela estadia nos Estados Unidos, onde desembarcou na manhã desta quarta, 28, três dias depois da sua derrota nas urnas.“Antes de mais nada, queria agradecer ao presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”, diz trecho da carta.Flávio Bolsonaro ignora derrota e questiona eleiçãoNa mesma carta, Flávio Bolsonaro questiona o resultado das urnas no último domingo, 25, quando saiu derrotado para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente do Brasil. Em trecho do documento, que vem com o brasão 'Estados Unidos do Brazil', nome diferente da República Federativa do Brasil, nomenclatura oficial do país, Flávio ainda denuncia uma suposta "caça às bruxas". "O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment", diz outro ponto de Flávio. Flávio Bolsonaro se inspira em Guaidó Flávio Bolsonaro ainda citou figuras como Juan Guaidó, que também se autoproclamou presidente da Venezuela, ao justificar sua saída do Brasil, encarada por adversários e até mesmo por aliados como 'fuga'. "Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil", afirma Flávio Bolsonaro.
A população de Israel foi às urnas na terça-feira (27) para eleger o novo Parlamento do país. As bocas de urna mostram um cenário de indefinição e que nem o bloco de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro, nem o de Gadi Eisenkot, principal líder opositor, conseguirão maioria.
Esta foi a primeira votação após o ataque terrorista do Hamas de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. Ela também acontece após conflitos no Líbano e contra o Irã.
Agora, os partidos políticos negociam e conversam entre si para tentar reunir uma coalizão que consiga formar um novo governo.
O próximo governo de Israel herdará a falta de confiança da população, um orçamento deficitário e o desafio de encerrar conflitos em andamento.
Quais serão os principais desafios do próximo governo?
Falta de confiança da população
O último relatório anual do Israel Democracy Institute, divulgado em dezembro de 2025, mostrou que apenas 29,5% dos israelenses consideram boa a situação do país.
A confiança da população nas instituições israelenses também é baixa: quase metade dos entrevistados (46,5%) disseram que seria melhor “desmanchar todas as instituições políticas do país e recomeçar do zero”.
Entre judeus e árabes, a confiança no governo não passa de 25%, e no Knesset, o Parlamento, de 18%.
“O israelense médio se interessa muito por política. Ele sabe da importância que tem o Parlamento, a democracia, o sistema parlamentarista, mas entende que esse último Parlamento, especificamente, não corresponde àquilo para o que foi eleito e vê uma oportunidade de mudança”, afirma João Miragaya, assessor do Instituto Brasil-Israel e mestre em História pela Universidade de Tel Aviv.
Conflitos inacabados e trauma do 7 de outubro
O próximo governo de Israel ainda terá que enfrentar conflitos que se arrastam há anos.
Apesar do plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, as forças israelenses continuam realizando bombardeios na Faixa de Gaza e controlam cerca de 60% de seu território. O Hamas também não desarmou, sendo que isso é uma das principais reivindicações do governo de Israel.
Além disso, uma trégua não impediu novas trocas de ataques no sul do território do Líbano com o Hezbollah, grupo que também recusa a se desarmar e é visto como uma ameaça pela população israelense.
E, apesar da ofensiva conjunta com os EUA, o Irã ainda não abriu mão de suas pretensões de desenvolver um programa nuclear e continua sendo governado pelo regime linha dura.
Braço armado do Hamas, Brigadas Izz ad-Din al-Qassam seguram bandeira palestina enquanto destroem tanque das forças israelenses na Cidade de Gaza em 7 de outubro • Foto de Hani Alshaer/Anadolu Agency via Getty Images
O professor Michel Gherman, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), também chama a atenção para o desafio de reconstruir estruturas de segurança confiáveis, que ficaram fortemente abaladas depois do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
“O 7 de outubro ainda é o grande tema de discussão, o grande trauma”, avalia o especialista, principalmente após uma reportagem do jornal Hareetz afirmar que Netanyahu teria sido avisado pelo líder dos Emirados Árabes Unidos sobre uma ameaça do Hamas com dias de antecedência ao ataque, acusações que ele nega.
Outro ponto que é alvo de grande discussão no país relacionado ao 7 de outubro é a responsabilização pelas falhas de segurança que permitiram o ataque do Hamas.
Samuel Feldberg, doutor em Ciências Políticas pela USP e pesquisador da Universidade de Tel Aviv, explica que foi criada uma comissão de inquérito para apurar essas falhas, mas ela está submetida ao próprio governo, o que levanta questionamentos sobre sua independência.
Assim, parte da comunidade israelense defende a formação de uma comissão parlamentar que possa, eventualmente, responsabilizar o próprio governo, se necessário.
Ultraortodoxos no Exército
Um outro ponto de atrito dentro da população de Israel é a isenção militar aos ultraortodoxos mesmo em um momento com muitos conflitos envolvendo o país.
“Israel tem um governo que se apoia nos partidos ultraortodoxos, que têm como principal demanda para se manter no governo a isenção do serviço militar para aqueles jovens ortodoxos que querem continuar estudando nas escolas religiosas quando fazem 18 anos e, portanto, deixam de se alistar”, explica Feldberg.
O especialista aponta que este é um elemento importante de discussão na sociedade, porque o impacto da guerra e do serviço militar nos últimos anos criou um peso muito grande para o setor laico, havendo demanda para que haja um engajamento maior de outros setores.
Déficit alto e custo de vida
Já na economia, os anos de guerra e os gastos elevados com defesa aumentaram o déficit, que chegou a quase 7% do PIB em 2024 e baixou para 4,7% em 2025.
Um relatório do Banco de Israel estima que os primeiros dois anos da guerra custaram mais de US$ 57 bilhões em perda de produção. O dado ainda não inclui a campanha militar contra o Irã, iniciada em fevereiro de 2026.
“As consequências da guerra — incluindo as restrições à oferta de mão de obra e os custos fiscais do conflito — continuaram a pesar sobre a economia”, afirma o banco central israelense.
“Esses efeitos refletiram-se em uma perda significativa de produção em relação à tendência de crescimento anterior à guerra, em um declínio da renda per capita e em um aumento notável da relação dívida/PIB”, adiciona.
Com isso, o novo governo de Israel também terá que lidar com o aumento no custo de vida no país.
“O custo de vida em Israel subiu muito, especialmente na região central, e está tornando muito difícil a vida dos jovens que têm que iniciar uma carreira profissional”, pontua Samuel Feldberg.
De acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país apresenta um dos “níveis de preços comparativos mais elevados do bloco, o que reduz o bem-estar e acirra as tensões sociais”.
Isolamento internacional de Israel
Outro desafio que o próximo governo de Israel terá que superar é o isolamento internacional do país, visto que a imagem da nação do Oriente Médio saiu arranhada após anos de guerra e de milhares de mortes na Faixa de Gaza.
Uma pesquisa do Pew Research Center de junho deste ano, conduzida em 36 países, mostrou que 67% dos entrevistados têm uma visão desfavorável de Israel, enquanto 25% afirmam ver o país de forma positiva.
Momento em que ataque israelense atinge casa na Cidade de Gaza • REUTERS
Além disso, a relação de Israel ficou estremecida com várias nações, incluindo o Brasil. Tornou-se comum, por exemplo, que diplomatas e chefes de Estado se retirem dos discursos de Israel na ONU como forma de protesto.
Mais recentemente, produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia se tornaram alvos de sanções de um grupo de 12 países, incluindo aliados ocidentais como Reino Unido e França.
A Corte Internacional de Justiça afirmou em 2024 que a presença contínua de Israel nos territórios palestinos ocupados é ilegal e deve acabar “o mais rápido possível”.
Questão do território palestino
E um dos principais fatores do isolamento internacional de Israel é exatamente a disputa em relação à criação do Estado palestino.
“Existem forças dentro do governo atual que pedem a declaração de soberania de Israel sobre esses 60% de território de Gaza que estão ocupados”, pontua João Miragaya.
Mas, além da guerra na Faixa de Gaza, o próximo governo também terá que lidar com a Cisjordânia, território palestino ocupado que tem presenciado o aumento dos assentamentos de colonos israelenses.
Em abril deste ano, a CNN noticiou que o gabinete de segurança de Israel aprovou secretamente a legalização de 30 assentamentos e fazendas na Cisjordânia, segundo três fontes.
Duas dessas fontes explicaram que a aprovação foi mantida em sigilo para evitar críticas internacionais em meio ao aumento da violência de colonos contra palestinos desde o início da guerra com o Irã.
João Miragaya pondera, entretanto, que esta eleição não deve levar à chamada Solução de Dois Estados, que prevê um Estado judeu e um palestino coexistindo pacíficamente.
“Desde o 7 de outubro, a pequena maioria que era favorável aos dois Estados passou a ser uma minoria de um quarto a um terço da população. Então, não é uma eleição que deva gerar esperanças pela criação de um Estado palestino, pela resolução do conflito entre Israel e os palestinos, de forma definitiva”, conclui o especialista.
O presidente republicano dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente democrata Barack Obama intensificam a campanha nesta quarta-feira (28), na última semana antes das Eleições de Meio de Mandato, marcadas para 3 de novembro.
Os dois visitam Ohio e Geórgia, estados com disputas decisivas para definir qual partido controlará o Congresso americano nos próximos dois anos.
A reta final da campanha ocorre em meio à queda da aprovação pública de Trump e à insatisfação dos americanos com o alto custo de vida e a guerra contra o Irã. O cenário ameaça as maiorias republicanas no Senado e na Câmara dos Representantes.
Trump participará de um evento com o senador Jon Husted, de Ohio, que enfrenta o ex-senador democrata Sherrod Brown. A disputa está entre as mais acirradas e pode influenciar a manutenção da vantagem republicana de 53 a 47 cadeiras no Senado.
Obama, por sua vez, tem agenda com o senador democrata Jon Ossoff, da Geórgia, que enfrenta o deputado republicano Mike Collins. O estado tem registrado disputas federais competitivas nos últimos ciclos eleitorais. As três eleições mais recentes para o Senado na Geórgia foram decididas em segundo turno. Desta vez, analistas independentes consideram que Ossoff está em posição favorável para manter a cadeira.
Obama manteve um perfil público relativamente discreto até a semana passada, quando voltou à campanha com discursos contundentes contra seu sucessor.
Disputa pelo Congresso
Os americanos votam antecipadamente há semanas. Mais de 36,4 milhões de cédulas já haviam sido registradas, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida. Nas eleições de meio de mandato de 2022, durante o governo do democrata Joe Biden, 45,9 milhões de pessoas votaram antecipadamente.
Analistas independentes consideram que os democratas têm boas chances de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes. A disputa pelo Senado é vista como mais difícil, já que o partido precisa conquistar cadeiras em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos, como Ohio, Iowa ou Alasca, para alcançar as 51 necessárias para controlar a Casa.
“Só acho que o Partido Republicano perdeu contato com a realidade. Eles não entendem o que realmente está acontecendo, e parece que quebraram as promessas feitas às pessoas”, afirmou Joshua Brazezicke, de 26 anos, administrador de imóveis da Pensilvânia que recentemente mudou seu registro eleitoral de independente para democrata. O estado tem quatro disputas competitivas para a Câmara, que podem ter papel decisivo na definição da maioria.
Em Michigan, o republicano Mike Rogers e o democrata Abdul El-Sayed disputam uma cadeira no Senado que ficará vaga com a saída do senador democrata Gary Peters. As duas campanhas recorrem a aliados conhecidos para mobilizar apoiadores e aumentar a participação eleitoral.
Rogers fez campanha com o senador republicano Ted Cruz, do Texas, em uma série de quatro paradas de ônibus que terminou em Imlay City, a nordeste de Detroit. El-Sayed tinha um evento de mobilização previsto para a noite com Peters e a também senadora democrata por Michigan Elissa Slotkin, na região de Downriver, a sudoeste de Detroit.
Embora as médias das pesquisas deem uma pequena vantagem a El-Sayed, o estrategista republicano Dennis Lennox avalia que Rogers continua bem posicionado. Ele atribui parte dessa condição à estrutura de mobilização da campanha, que, segundo ele, os republicanos não tinham no estado havia mais de uma década. Lennox citou a afirmação da campanha de Rogers de que, somados os grupos aliados, foram feitas visitas a mais de 7 milhões de residências.
“Pela primeira vez desde o ciclo de 2014, há de fato uma campanha real em Michigan”, disse Lennox à Reuters. “Mala direta, mensagens de texto, paradas de ônibus. Em uma disputa decidida por um ou dois pontos, essas coisas fazem diferença.”
Ações do governo e questionamentos eleitorais
Nas últimas semanas, Trump adotou medidas para tentar aliviar os preços da energia e prometeu bilhões de dólares em pagamentos diretos a milhões de americanos. Ele busca mobilizar apoiadores do movimento MAGA em áreas rurais desses estados, incluindo eleitores que o apoiam, mas nem sempre participam das eleições de meio de mandato.
Trump, que afirma falsamente que sua derrota na eleição de 2020 foi resultado de fraude generalizada, voltou ao poder e passou a usar a estrutura do governo federal para investigar suas alegações de que um grande número de pessoas vota ilegalmente nos Estados Unidos.
Segundo a Reuters, a administração Trump emitiu mais de 100 intimações a autoridades eleitorais estaduais e locais em pelo menos 12 estados, exigindo registros de dezenas de milhares de eleitores.
Na terça-feira, um juiz demonstrou ceticismo em relação ao pedido do Departamento de Justiça para impedir a Califórnia de contabilizar votos pelo correio de mais de 20 mil eleitores registrados que o governo alega serem não cidadãos.
Separadamente, o sistema eletrônico de envio de documentos da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos continuava fora do ar mais de 24 horas depois de ter sido desligado na noite de segunda-feira para conter uma violação de segurança.
A comissão informou que trabalha para resolver o problema. A interrupção impediu responsáveis pelas finanças de campanhas de apresentar relatórios de gastos dentro do prazo, deixando os eleitores sem informações atualizadas sobre quem financia as campanhas e para onde vai o dinheiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi às redes sociais nesta quarta-feira (28) agradecer ao presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), Edinho Silva, pelo trabalho dedicado à campanha durante o período eleitoral, que se encerrou no último domingo (25) com a reeleição do petista.
“Quero aqui fazer um reconhecimento ao trabalho realizado pelo companheiro Edinho Silva, presidente do meu partido e coordenador da minha campanha. Sua dedicação foi fundamental para a pavimentação desse caminho que conduziu à vitória“, escreveu o presidente no X (antigo Twitter).
Na publicação, Lula disse que a disputa presidencial foi “histórica” e que sua vitória foi importante não só para o Brasil, mas “para o mundo”.
“Minha gratidão a todas as companheiras e companheiros que compuseram a coordenação da minha campanha, que estiveram comigo nessa jornada“, concluiu.
Enfrentamos uma eleição histórica. A nossa vitória foi importante para o Brasil e para o mundo. Minha gratidão a todas as companheiras e companheiros que compuseram a coordenação da minha campanha, que estiveram comigo nessa jornada. Quero aqui fazer um reconhecimento ao trabalho realizado pelo companheiro Edinho Silva, presidente do meu partido e coordenador da minha campanha. Sua dedicação foi fundamental para a pavimentação desse caminho que nos conduziu à vitória.
O vereador de Curitiba e deputado federal eleito pelo Paraná Guilherme Kilter (Novo) publicou um vídeo nas redes sociais, na terça-feira (27), em que apoia um movimento intitulado “demita petista”.
A ação defende que empresários demitam funcionários que tenham expressado apoio ou falado do voto ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No conteúdo, o político celebra relatos de pessoas que afirmam terem sido dispensadas de suas funções após demonstrarem seus posicionamentos políticos favoráveis ao petista e fala de um crescimento do movimento.
“É pessoal, dois dias depois da eleição do Lula e parece que o movimento ‘demissão petista’ está mais forte do que nunca, e não sem razão”, declarou.
Ainda no vídeo, Guilherme criticou a queda na bolsa de valores e o aumento do dólar na segunda-feira (26), dia após o resultado do segundo turno. Para ele, por conta do cenário econômico, caso as empresas precisem fazer cortes ou reestruturações, seria recomendado que se “comece pelos petistas”.
As falas do político geraram comentários criticando a postura e pedindo um posicionamento do MPT (Ministério Público do Trabalho), enquanto apoiadores elogiavam a postura apresentada.
O MPT-PR (Ministério Público do Trabalho do Paraná) emitiu uma nota ainda nesta terça-feira em que recomenda que Guilherme realize uma publicação se retratando das falas após o recebimento de uma denúncia de assédio eleitoral.
No parecer, o ente recomenda que o parlamentar publique outro conteúdo, em mesmo formato e no mesmo canal, informando que “trabalhadoras e trabalhadores têm o direito de escolher livremente suas candidatas e seus candidatos nas eleições, independentemente de partido ou orientação política, sendo proibido aos empregadores adotar qualquer medida de caráter retaliatório em razão da escolha eleitoral de suas trabalhadoras e seus trabalhadores, inclusive ameaça ou perda do emprego”.
O conteúdo de retratação deve permanecer no mesmo perfil do vereador em que foi postado o primeiro vídeo durante o período de cinco dias, além de outras ações, “como abster-se de estimular, incitar, orientar e solicitar que empregadores discriminem, dispensem, prejudiquem ou persigam quaisquer trabalhadoras/es por motivo de crença e convicção política”.
Caso não seja cumprida a recomendação, o MPT-PR alerta para possíveis consequências administrativas e judiciais.
A CNN Brasil entrou em contato com Guilherme Kilter, que afirmou que irá apresentar nesta quarta-feira (28) uma representação junto ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) para pedir a suspensão da recomendação do MPT-PR. O vereador argumenta que o ente teria extrapolado suas atribuições ao tentar “interferir na atuação de um parlamentar”.
Além disso, o posicionamento também declara que o político afirmará que o MPT não tem competência para analisar ou recomendar restrições à atuação nos termos questionados e que possui imunidade parlamentar para garantir o livre exercício do mandato.
Também é defendido que não há nenhuma relação de emprego ou atuação do vereador como empregador para que se justifique a atuação do órgão.
“O MPT não tem autoridade para ditar o que um parlamentar pode ou não fazer no exercício do mandato. Sou vereador, tenho imunidade parlamentar e não atuo como empregador. Essa recomendação é uma tentativa de ultrapassar os limites legais e interferir na atividade política. Vamos contestar essa medida e exigir que cada instituição respeite suas competências”, disse Kilter.
Leia na íntegra a nota do MPT-PR
“Após o recebimento de denúncia de assédio eleitoral envolvendo o vereador e deputado federal eleito Guilherme Kilter, de Curitiba, nesta terça-feira (27), o Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) expediu uma recomendação para que ele publique uma retratação a respeito de suas declarações nas redes sociais. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o parlamentar aparece incitando empresários a demitirem trabalhadoras e trabalhadores que tenham votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
No documento, o MPT-PR recomenda que o parlamentar publique outro conteúdo, em mesmo formato e no mesmo canal, informando que “trabalhadoras e trabalhadores têm o direito de escolher livremente suas candidatas e seus candidatos nas eleições, independentemente de partido ou orientação política, sendo proibido aos empregadores adotar qualquer medida de caráter retaliatório em razão da escolha eleitoral de suas trabalhadoras e seus trabalhadores, inclusive ameaça ou perda do emprego.”
A divulgação do comunicado deverá ocorrer no mesmo perfil das redes sociais na qual ocorreu a primeira postagem e deverá permanecer ativo pelo período de cinco dias, com envio de comprovação à instituição dentro do prazo de 48 horas, a contar do horário de recebimento da recomendação, expedida durante a tarde desta terça-feira (27).
O MPT-PR também solicita, em sua recomendação, que o vereador e deputado eleito tome outras providências, como abster-se de estimular, incitar, orientar e solicitar que empregadores discriminem, dispensem, prejudiquem ou persigam quaisquer trabalhadoras/es por motivo de crença e convicção política, de modo que não sejam praticados atos de assédio ou coação eleitoral com potencial de constrangimento, intimidação e cerceio de qualquer direito humano; e remover as comunicações que deram ensejo à recomendação dos locais em que foram publicadas, especialmente dos sites, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagens.
A recomendação será objeto de fiscalização por parte do MPT-PR e, caso não seja cumprida, poderá dar origem a outras medidas administrativas e judiciais.”
MPT processa deputada Índia Armelau por falas nas redes
O MPT-RJ (Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro) entrou com uma ação cível pública após a deputada estadual reeleita Índia Armelau (PL) sugerir que empresários demitissem eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi confirmada pela CNN Brasil.
A abertura da apuração ocorreu após ela publicar nas redes sociais uma mensagem que dizia: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”.
O MPT entende que a mensagem “estimula o assédio eleitoral e a discriminação por convicção política”. As autoridades ainda pedem à Justiça do Trabalho que Índia “deixe de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir pessoas”.
O ministério também solicita que a deputada publique, em até 24 horas após a decisão, um comunicado informando que “empregados podem escolher livremente seus candidatos”.
O MPT pede multa de R$ 100 mil caso a determinação não seja cumprida, além do pagamento de R$ 500 mil por dano moral coletivo.
Nas redes sociais, Índia disse que não estava falando em “demissão em massa” e que estaria apoiando a campanha “Não Contrate Quem Odeia Empresários”. Para ela, patrões conservadores devem recrutar empregados do mesmo espectro político.
Boicote em Teresópolis
Entidades de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, repudiaram, na terça-feira (27), uma campanha de boicote a comércios e estabelecimentos da cidade que supostamente teriam como donos apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ), no domingo (25), passou a circular em grupos de mensagens do município uma lista com alguns estabelecimentos que não teriam apoiado Flávio. A medida também incentiva a polarização política ao pedir que a população pare de consumir nestes locais.
A CNN Brasil teve acesso à lista e a um vídeo, gravado pelo advogado Klauss Fins. Na gravação, ele aparece com uma camisa amarela em que está escrito “Meu partido é o Brasil” e incentiva uma perseguição política ao pedir que se coloque uma “estrela vermelha” na porta de negócios em que os donos “são petistas”.
“Já que aqueles petistas acreditam que o PT é o melhor para o país, votaram no Lula e elegeram teoricamente esse presidente, eles é que toquem o negócio deles com o Lula na Presidência. Mete uma estrela do PT na portinha da sua loja e vê o que vai acontecer. Já existe um movimento para que não se compre, não se prestigie e não se negocie com petistas porque eles acabaram com a economia do país”, diz ele. “Negocie somente com patriotas”, ressalta na gravação.
A reportagem pediu um posicionamento de Klauss, mas ainda não teve resposta. Já em outro vídeo, homens vestidos com a camisa da Seleção Brasileira ateiam fogo à uma bandeira de Lula e jogam o material incendiado no meio da rua.
Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Teresópolis afirmou que divergência política não justifica perseguição e disse repudiar as práticas de intimidação, constrangimento e incentivo ao boicote ao comércio por posicionamentos partidários.
“Empreendedores e trabalhadores são fundamentais para o desenvolvimento da cidade, a geração de empregos e o fortalecimento da economia. Nenhuma disputa partidária deve ser usada para prejudicar atividades comerciais e profissionais”, afirma a administração municipal.
O diretor do PL (Partido Liberal) na cidade também divulgou uma nota dizendo que os trabalhadores não podem ser discriminados por opiniões políticas. “A liberdade de escolha é um direito constitucional, e respeitá-la é um dever de todos”, escreveu Alex Castellar.
Da mesma forma, o diretório do PT (Partido dos Trabalhadores) de Teresópolis disse, para a imprensa, repudiar os atos e ressaltou que a ação remete à Alemanha Nazista, quando campanhas de boicote foram organizadas contra judeus. No comunicado, o partido chama a lista de “inadmissível”, “grave” e uma forma de “intimidação”.
O Sindicato do Comércio Varejista de Teresópolis também alegou repudiar o incentivo à hostilidade e pontuou que “o fortalecimento do comércio depende de um ambiente de confiança, respeito e valorização dos empreendedores e trabalhadores”.
Já a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na cidade emitiu uma nota afirmando que a liberdade de expressão e o respeito às divergências são pilares de uma sociedade democrática. “Intimidação, perseguição política, assédio e constrangimento com motivação política não serão aceitos e são repudiados”, destacou a entidade.
Com informações de Gabriela Piva, Roberta Camargo e Maria Paula Giacomelli
O prefeito de Cairu, Hildécio Meireles, ingressou com uma representação na 031ª Zona Eleitoral de Valença solicitando direito de resposta e a retificação de uma matéria veiculada pelo portal Voz do Baixo Sul em 25 de outubro de 2026. A publicação vinculou indevidamente o gestor e a administração municipal à aplicação de uma multa de R$ 100 mil determinada pela Justiça Eleitoral durante o segundo turno do pleito.Segundo a peça jurídica apresentada pelo município, a sanção financeira foi imposta exclusivamente à Associação dos Transportadores Marítimos (ASTRAM), entidade privada que opera a travessia entre Valença e as ilhas do arquipélago. A decisão judicial exigia o reestabelecimento imediato do serviço privado após a paralisação das embarcações."A Prefeitura de Cairu não recebeu qualquer multa ou sanção, tendo sido apenas oficiada pela Justiça Eleitoral para manter a operação regular de suas linhas públicas", diz trecho da representação eleitoral encaminhada à 031ª Zona Eleitoral.
Foto: Divulgação
Frota municipal garantiu transporte de eleitoresA defesa do prefeito destaca que a administração municipal adotou medidas preventivas antes mesmo do comunicado da Justiça. A prefeitura mobilizou frota própria, veículos terrestres e embarcações credenciadas para assegurar o transporte gratuito dos cidadãos no dia da votação.A operação cobriu localidades estratégicas do arquipélago:Cairu (Sede) e Torrinhas;Galeão e Gamboa;Morro de São Paulo e São Sebastião.
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Pedidos de urgência e penalidadeDiante do risco de danos à imagem pública do gestor, a representação pede liminar urgente para a veiculação de uma nota de esclarecimento e a suspensão da matéria contestada até o julgamento do mérito.Em caso de descumprimento da ordem, o pedido requer a aplicação de multa diária de R$ 5 mil ao veículo de imprensa, além da publicação do direito de resposta com o mesmo destaque e formato da veiculação original.
Foto: Divulgação
Na noite da última terça-feira (27), o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) atravessou a fronteira e embarcou em um voo na Argentina com destino ao Equador, onde pousou na manhã desta quarta-feira (28) e, horas depois, decolou no mesmo avião para Miami. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil avaliam que a fuga pode fundamentar um pedido de prisão preventiva, ação que teria como possível resposta a concessão de asílo político ao parlamentar brasileiro por parte dos Estados Unidos.
Flávio fugiu após o descumprimento de uma ordem de entrega de passaportes, emitida por receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra o senador por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a professora de Direito da FGV (Fundação Getulio Vargas) Luisa Ferreira, a saída do país pode ter consequências judiciais e políticas.
“Se ele não entrega o passaporte e de fato está tentando fugir, aí sim há um requisito claro para prisão preventiva“, afirmou Ferreira. No entanto, tal medida depende de decisão judicial.
Já o professor de direito da UFF (Universidade Federal Fluminense) Gustavo Sampaio avalia que há pouca chance de uma cooperação internacional entre Brasil e EUA no caso.
“Havendo agora a expedição de um mandado de prisão, se isso acontecer por ventura, então o Brasil, com base nessa ordem prisional emitida, poderá, mais uma vez, acionar ferramentas de cooperação jurídica internacional para que os Estados Unidos da América, em tese, tome providências, digo em tese, porque nós sabemos que, na prática isso possivelmente não acontecerá, até porque do ponto de vista jurídico existe a possibilidade […] de os Estados Unidos concederem asilo político a Flávio Bolsonaro”, disse Sampaio à CNN Brasil.
O professor também aponta que, ainda que o possível pedido de prisão de Flávio seja elaborado com base em investigações criminais, a palavra final sobre a concessão de asilo é do país receptor.
“Não há persecução ideológica, persecução por crime de opinião no Brasil contra Flávio Bolsonaro, e sim persecução penal legítima, por crime de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ainda assim, é bastante provável que o asilo político seja concedido, até porque a concessão do asilo é um ato discricionário da autoridade executiva do Estado Nacional para onde se dirige aquela pessoa. E eu não tenho dúvida que o presidente Donald Trump tenderia a concedê-lo”, afirma Sampaio.
“Concedido o asilo, isso colocaria uma pá de cal definitiva sobre qualquer possibilidade de cooperação dos Estados Unidos com o Brasil”, completou.
O que é e quais direitos tem um asilado?
O asilo político, segundo a legislação, é pedido por aquele que precisa de proteção internacional. Ou seja, qualquer pessoa que esteja fugindo de conflitos ou perseguições. Cada país tem a própria lei para garantir um pedido de asilo, desde que seja de acordo com as regras da Convenção sobre Refugiados, de 1951.
Se o pedido é aprovado pelo país requisitado, o asilado passa a ter o direito básicos garantidos como educação, saúde, moradia, emprego e à regularização dos documentos.
Netanyahu sem maioria e voto árabe complica alternativa de Eisenkot. Incógnita mantém-se em Israel. A contagem dos votos poderá demorar alguns dias. As eleições legislativas em Israel não deram uma maioria a Benjamin Netanyahu nem ao seu principal adversário, Gadi Eisenkot. O primeiro-ministro mantém o maior partido do país, mas pode perder o poder. A oposição tem deputados suficientes para o afastar, mas ainda está dividida quanto à formação de um novo Governo. Com 84,5% das urnas apuradas, esta quarta-feira, o bloco de Netanyahu tinha uma projeção de 54 lugares no Knesset, o parlamento israelita de 120 deputados. Os partidos
As pesquisas de boca de urna exibidas nas principais redes televisivas israelenses marcam o início de um longo processo de apuração, no qual os resultados podem mudar horas e, às vezes, dias após o fechamento das urnas. Isso ocorre devido a um sistema de votação conhecido como envelopes duplos.
A grande maioria dos eleitores israelenses é designada para seções eleitorais específicas, e seus votos são abertos e contados assim que as urnas fecham. Mas um grupo de eleitores — soldados, prisioneiros, pacientes e funcionários de hospitais, diplomatas no exterior e eleitores com deficiência — vota dentro de um envelope duplo.
Esses eleitores depositam seu voto anônimo em um envelope interno, que é lacrado dentro de um envelope externo com seus dados pessoais.
Os envelopes duplos são transportados para a Comissão Eleitoral Central, onde os funcionários verificam cada envelope externo, comparando-o com as seções eleitorais registradas, para confirmar se o eleitor não votou duas vezes. Somente então os envelopes internos são separados e os votos são contabilizados.
Esse processo de verificação leva tempo. O Comitê Central de Eleições afirmou que há mais envelopes duplos do que nunca este ano. O comitê espera que até 650 mil israelenses votem dessa forma, um aumento em relação aos 460 mil nas eleições de 2022.
O aumento é atribuído principalmente ao grande número de reservistas militares atualmente em serviço e votando longe de casa. Juntos, eles podem representar 15 cadeiras que permanecem sem apuração na noite da eleição, o que pode mudar o resultado final.
Historicamente, o sistema de envelopes duplos altera o mapa eleitoral em 1 a 2 cadeiras. Devido ao perfil dos eleitores que votam dessa forma, ele tende a impactar os partidos ultraortodoxos e árabes. Para partidos que se aproximam da cláusula de barreira de 3,25%, pode ser decisivo.
A justificativa pode ser feita diretamente na plataforma e-título e o prazo, para o primeiro turno, vai até 3 de dezembro. Quem não votou no segundo turno, tem até o dia 8 de janeiro de 2027.
Os partidos árabes em Israel atingiram um número recorde de deputados, com 70% dos votos apurados, podendo não ficar por aqui.
Os partidos árabes atingiram um total de 19 votos até ao momento, ficando com o poder de influenciar futuras maiorias no Knesset, revela o “Haaretz”.
Até agora, a coligação de partidos que apoiam Benjamin Netanyahu obtiveram 54 dos assentos no Parlamento, abaixo dos 61 exigidos para a maioria.
Já o bloco de partidos que apoiam Gadi Eisenkot obtiveram 47 assentos, até agora.
A coligação árabe Joint-List conta com 13 assentos neste momento, sendo o terceiro partido mais votado, apenas atrás do Likud (de Netanyahu) com 27 assentos e do Yashar (de Eisenkot) com 20 assentos. O seu melhor resultado foi em 2020 com 15 assentos.
O seu líder já apelou a uma coligação entre árabes e judeus para derrubar Netanyahu, considerando o atual executivo, um “governo de massacres”, segundo Youssef Jabareen.
O partido árabe UAL (Ra’am) conta atualmente com seis assentos.
No terreno, o líder do Partido Democrata Yair Golan apelou à formação de um governo em coligação com partidos árabes para derrotar Benjamin Netanyahu, mas esta posição tem sido rejeitada por vários dos partidos da coligação de Gadi Eisenkot.
“Não temos futuro aqui se não pararmos de ter medo e se não colocarmos fim ao racismo. Não podemos aceitar a distinção racista de Netanyahu entre votos árabes e judeus”, disse Yair Golan considerando que esta é uma “oportunidade para formar um governo em parceria com os cidadãos árabes de Israel”.
“Quem tentar apagar os votos dos cidadãos árabes está a render-se a Netanyahu e a desistir de Israel”, acrescentou.
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou seu desempenho eleitoral em Salvador e venceu em todos os bairros da capital baiana no segundo turno da eleição presidencial de 2026. O petista, que havia ficado atrás de Flávio Bolsonaro (PL) em duas localidades no primeiro turno, reverteu o resultado e terminou a apuração liderando em 100% das áreas contempladas por levantamento do portal A TARDE. O levantamento reuniu dados oficiais de votação de 130 dos 171 bairros de Salvador. Na primeira etapa, Lula obteve 944.358 votos na capital (65,26% dos votos válidos). No segundo turno, a votação do presidente saltou para 1.154.072 votos — alcançando 73,24% da preferência do eleitorado soteropolitano. Ao todo, o crescimento de Lula em Salvador foi de 209.714 votos, representando um salto de 7,98 pontos percentuais entre os dois turnos. Quais são os bairros mais lulistas? Entre os bairros analisados, Ilha de Maré registrou a maior proporção de votos para Lula, com 89,99%. Em seguida aparecem a Ilha dos Frades/Ilha de Santo Antônio, com 86,83%, e Cassange, onde o petista atingiu 85,45%.Bom Juá (82,56%) e Arenoso (82,19%) completam a lista das cinco localidades com maior adesão ao presidente reeleito na capital. Maiores percentuais de votos em Lula por bairro: Ilha de Maré: 89,99% Ilha dos Frades / Ilha de Santo Antônio: 86,83% Cassange: 85,45% Bom Juá: 82,56% Arenoso: 82,19% Lula realizou virada em dois bairros Apesar de Lula ter vencido em todas as localidades analisadas no segundo turno, Itaigara e Patamares registraram as menores porcentagens de votação para o petista em Salvador. No Itaigara, Lula obteve 50,06% dos votos válidos, enquanto em Patamares chegou a 51,18%. No primeiro turno, os dois bairros haviam dado vitória a Flávio Bolsonaro, quando o petista marcou 42,7% no Itaigara e 44% em Patamares. A virada consolidou a hegemonia petista em toda a capital na etapa final. Caminho das Árvores (57,10%), Graça (57,66%) e Piatã (58,35%) também figuram entre as localidades com menores percentuais de votos para o presidente reeleito. Menores percentuais de votos em Lula por bairro: Itaigara: 50,06% Patamares: 51,18% Caminho das Árvores: 57,10% Graça: 57,66% Piatã: 58,35% Qual bairro Lula cresceu mais? O bairro da Roma liderou o crescimento do candidato petista entre o primeiro e o segundo turno, registrando um avanço de 9,8 pontos percentuais. Marechal Rondon aparece na sequência, com alta de 9,6 pontos, seguido por Cajazeiras VII, com 9,5 pontos. Jardim Santo Inácio e Castelo Branco fecham o ranking, ambos com crescimento de 9,4 pontos percentuais. Onde Lula mais cresceu entre o 1º e o 2º turno: Roma: +9,8 pontos percentuais Marechal Rondon: +9,6 pontos percentuais Cajazeiras VII: +9,5 pontos percentuais Jardim Santo Inácio: +9,4 pontos percentuais Castelo Branco: +9,4 pontos percentuais Interaja com o mapa da votação por bairro O portal A TARDE preparou um mapa interativo exclusivo com os percentuais de votação de Lula em Salvador. A ferramenta permite consultar os resultados por localidade e comparar o desempenho do presidente reeleito em cada região do município. Explore o mapa abaixo e confira o resultado detalhado no seu bairro:
O Governo norte-americano concedeu vistos de entrada a Flávio Bolsonaro e à sua família após a fuga do Brasil, revela a “Reuters”.
O candidato pela direita às eleições presidenciais brasileiras fugiu do país para não cumprir com uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar o seu passaporte. Flávio Bolsonaro chegou a garantir que não fugiria do país e que iria ficar para lutar contra a decisão do STF, que criticou duramente.
As autoridades argentinas confirmaram na quarta-feira que Bolsonaro e a sua família tinham entrado no país na terça-feira à noite através de uma fronteira terrestre na província de Misiones com documentos válidos. Depois, apanharam um avião privado rumo ao Equador.
Flávio Bolsonaro está a ser investigado pela justiça brasileira por suspeitas de lavagem de dinheiro e fugas de divisas e também por possíveis irregularidades envolvendo apostas desportivas, segundo a “CNN Brasil”.
Lula da Silva venceu as eleições com 52%, mais de 64 milhões de votos, contra 48% de Flávio Bolsonaro com quase 60 milhões.
Flávio Bolsonaro não concedeu derrota para Lula da Silva e chegou a anunciar que iria procurar anular o resultado devido a irregularidades. Mas o seu Partido Liberal acabou por reconhecer a vitória de Lula na segunda-feira.
“Quando pediram para eu entregar meu passaporte eu entreguei. Ele deveria ter entregue. Mas lamentavelmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lamber-botas dos EUA”, criticou o presidente Lula da Silva.
A fuga de Flávio Bolsonaro apanhou de surpresa o seu próprio gestor de campanha. “Estamos surpreendidos porque discutimos a necessidade de Flávio, dados os 60 milhões de votos que recebemos, para assumir o seu papel como líder da oposição”, disse o senador Rogério Marinho.
Donald Trump considerou “terrível” o resultado das eleições brasileiras e garantiu que aprovaria a entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA.
A agência noticiosa revela que não é claro neste momento onde estão Bolsonaro e a sua família.
O Departamento de Estado norte-americano confirmou que iria conceder vistos para a sua entrada nos Estados Unidos.
Uma coisa é certa neste momento. A fuga de Bolsonaro vai aprofundar a divisão existente entre as duas maiores nações, em termos de habitantes, do continente americano.
Lula da Silva tem acusado Washington de colidir com os Bolsonaros para regressarem ao poder.
A “Reuters” revelou recentemente uma campanha do Departamento de Estado para promover o regresso dos Bolsonaros ao poder.
“Eu estou sabendo agora que o meu adversário foi embora. Veja, eu perdi eleições para o Collor. Eu fiquei no Brasil. Eu perdi eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes, eu fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu para mim, ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim e ficou no Brasil. Eu fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país. Quando fui acusado tive muito convite para fugir do Brasil, ir para embaixada, eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar na Polícia Federal para desmascarar meus investigadores. Quem não deve não teme”, disse Lula da Silva na terça-feira.
É falso um vídeo que circula nas redes sociais em que aparece uma reportagem da CNN Brasil noticiando que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia acabar com o Bolsa Família.
A publicação distorce um vídeo exibido em 16 de abril de 2025 no CNN PrimeTime em que o apresentador Márcio Gomes questiona a analista Jussara Soares sobre a nova regra de transição do programa.
O vídeo contém o escrito “Bolsa Família pode acabar” e “Bolsa Família pode estar com os dias contados: governo Lula avalia a possibildiade de encerrar o programa”, o que distorce a fala da analista.
A análise tratava-se, na verdade, de uma estratégia do governo federal sobre uma nova regra de transição do programa social que entrou em vigor em junho daquele ano.
A regra, que foi anunciada em março do ano passado e passou a valer em junho, estabelecia que famílias que ultrapassassem o limite de renda para entrada no programa seguiriam recebendo 50% do benefício durante um ano.
Não há nenhuma menção sobre o Palácio do Planalto interromper o auxílio.
Governo ressalta que informações são falsas
O governo federal divulgou nota nas redes sociais, ressaltando que as informações são falsas.
“São falsas as alegações de cortes no Bolsa Família. O programa segue em funcionamento, sem qualquer suspensão de pagamentos ou redução dos benefícios. Em outubro, houve reajuste de 15,04%, com o valor mínimo por família passando de R$ 600 para R$ 691.
Quando colocou o filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para disputar por ele a presidência, Jair Bolsonaro optou por arriscar perder uma eleição, mas ainda assim continuar com o clã como dominando a direita. Ficou sem os dois.
Perdeu a eleição – Flávio revelou-se um fraco candidato – e, com a saída do filho para os Estados Unidos, perde também o controle da direita. Entende-se – o que não significa justificar – que Flávio tenha deixado o país.
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Minutos depois de proclamado o resultado das eleições, a Polícia Federal, operando em dobradinha com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, já pedia a entrega dos passaportes de Flávio; que é alvo de inquéritos que ainda estão no início, mas que Moraes, como relator, parece conduzir como conduziu o da fake news: como arma contra adversários políticos.
A derrota eleitoral levou então a polícia a bater na sua porta. Transformando em perseguido um investigado que poderia eventualmente acabar sendo provado criminoso.
É irresistível a ironia na constatação de que um ministro do Supremo, que investiga um escritório de um advogado muito amigo de Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro, esteja sob a possibilidade de ser investigado no STF pela parceria do escritório de advocacia da sua mulher com um banqueiro vigarista.
Investigação no Supremo que, devido ao resultado da eleição, parece ter ficado bem pouco provável. Sobrou para o aniversariante desta terça-feira (27), Lula, um duplo cenário complicado.
Está sendo encurralado pelo desolador cenário fiscal, herança maldita que deixou para si mesmo. E tem agora a perspectiva de enfrentar uma direita com enorme base parlamentar, livre de um candidato derrotado e cuja rejeição revelou-se ainda maior que a do próprio Lula.
O PDT (Partido Democrático Trabalhista) publicou nesta terça-feira (27) uma nota de repúdio à fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, após o senador ter perdido a disputa pela Presidência e afirmar que não pretendia sair do país.
Na nota, o partido chama a saída de Flávio de “ilegal” e afirma que sua atitude foi baseada em falsas alegações contra os sistemas eleitoral e jurídico, decorrentes do resultado das eleições no último domingo, que tiveram a votação prorrogada por duas horas em todo o país devido a condições climáticas e à falta de transporte público em algumas regiões.
A nota assinada por Carlos Lupi, presidente da sigla, cita ainda as condenações do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados pela tentativa de golpe de estado, em 8 de janeiro de 2023, e afirma que assim como no caso do pai, os inquéritos em que Flávio é sendo investigado devem seguir “com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal”.
Depois da derrota na corrida presidencial no último domingo (25) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador afirmou à imprensa não reconhecer a derrota e que ia pedir anulação.
Na segunda-feira (26), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou a entrega do passaporte de Flávio à Polícia Federal em até 24 horas. A ordem diz respeito ao inquérito que apura denúncias de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, no qual o advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz, também é investigado.
Mais tarde, o senador publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que nunca pensou em sair do país e que cumpriria a ordem do ministro.
Nesta terça-feira, aliados do senador afirmaram à CNN Brasil que Flávio havia fugido do Brasil e buscou asilo nos Estados Unidos com apoio do governo de Donald Trump.
Leia a nota do PDT na íntegra:
Nota de repúdio
O Partido Democrático Trabalhista (PDT) repudia a saída ilegal do senador Flávio Bolsonaro do Brasil, conforme noticiado internacionalmente nesta terça-feira (27). A atitude é baseada em falsas alegações contra os sistemas eleitoral e jurídico.
Diante da vontade soberana do povo brasileiro, expressa nas urnas com a vitória do presidente Lula, o partido seguirá defendendo o pleno respeito ao resultado eleitoral, à Constituição e às instituições republicanas.
Nenhum projeto de poder está acima da lei, conforme demonstrado nas condenações do grupo liderado por Jair Bolsonaro. As responsabilidades devem ser apuradas com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal.
Representante do Trabalhismo e do legado de Leonel Brizola, o PDT reafirma seu compromisso inegociável com a democracia, a soberania nacional e o Estado Democrático de Direito.
Dois dias depois de confirmada a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, fez nesta terça-feira (27), na sessão plenária da corte, um discurso de agradecimento à Justiça Eleitoral em que afirma que o pleito reafirmou “a confiança da sociedade brasileira” na instituição e “a solidez” da democracia.
Na fala, o ministro não faz referência direta às contestações do candidato derrotado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), nem à decisão que prorrogou a votação no domingo.
Nunes Marques classificou as eleições de 2026 como “mais um ciclo eleitoral bem-sucedido” e atribuiu o resultado ao “empenho, à competência e ao elevado espírito público” de magistrados, servidores, mesários e colaboradores do TSE, dos Tribunais Regionais Eleitorais e das zonas eleitorais.
Segundo ele, o êxito é “resultado direto” de um esforço “conjunto, coordenado e harmonioso” em todo o território nacional.
Cerca de 158 milhões de eleitores foram atendidos em 5.571 municípios e em 186 cidades no exterior, em 517.179 seções eleitorais. A estrutura envolveu 2.990 magistrados, 24.511 servidores, mais de 2 milhões de mesários e mais de 8.000 colaboradores.
Sobre a participação, informou que mais de 125,2 milhões de eleitores compareceram no primeiro turno, o equivalente a 78,92% do eleitorado. No segundo, o comparecimento chegou a cerca de 128,2 milhões, e a abstenção caiu para aproximadamente 19,2%, ante 21,08% na primeira etapa.
Nunes Marques citou também estruturas criadas para este pleito, como a Sala Nacional de Situação Climática, voltada ao monitoramento de riscos climáticos. Para ele, a “articulação permanente” entre as instâncias da Justiça Eleitoral permitiu “superar desafios” com “agilidade e segurança”.
Contestação
Na noite de domingo (25), logo após a derrota, Flávio disse que não reconheceria o resultado e que pediria a anulação da eleição, alegando interferência do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), na votação. O senador criticou a decisão de Zanin que estendeu a votação até as 19h por problemas no transporte de eleitores. O ministro esclareceu depois que a medida valia apenas para seções que ainda não haviam encerrado a votação, sem reabertura de urnas já fechadas.
Antes do pronunciamento, Flávio havia sido informado da derrota por telefone pelo próprio Nunes Marques, que também ligou para Lula para comunicar a reeleição.
Na segunda (26), o senador recuou. Integrantes de sua campanha disseram à CNN, sob reserva, que não haverá pedido de anulação do pleito. A estratégia passou a ser a contestação de supostos abusos de poder político e econômico pela campanha petista, sem questionar a validade dos votos. Em vídeo, Flávio afirmou que pedirá a cassação da chapa de Lula e citou um “complexo industrial de fake news”.
O recuo veio após o isolamento político da tese de contestação. MDB, Republicanos, União Brasil e PSD divulgaram manifestações reconhecendo o resultado.
Saída do país
O desdobramento mais recente ocorreu nesta terça. Flávio fugiu para os Estados Unidos, segundo informou à CNN uma pessoa a par da situação; não está claro onde desembarcou. Um assessor do presidente americano, Donald Trump, afirmou que o governo dos EUA autorizou a entrada do senador e estava ciente do prazo dado a ele para entregar o passaporte. Duas autoridades americanas disseram anteriormente que vistos estavam sendo emitidos para ele e sua família. Não se sabe se Trump e Flávio conversaram antes da partida.
Na segunda, a PF pediu a entrega dos passaportes do senador, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que fixou prazo até as 11h desta terça. Como o prazo não foi cumprido, a corporação cancelou o passaporte comum e o diplomático e acionou autoridades argentinas diante do risco de fuga.
Espera-se que os partidos árabes “Lista Conjunta” e Raam conquistem um número recorde de 18 cadeiras, a maior representação árabe já registrada no país.
Esse aumento na participação eleitoral foi impulsionado pelo desejo urgente de desmantelar a coalizão de direita de Netanyahu, que inclui ministros de linha-dura como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich.
Os partidos árabes poderiam desempenhar um papel fundamental na construção de uma coalizão para formar um novo governo. No entanto, ainda não está claro como isso poderia se concretizar.
A expectativa é de que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu obtenha 50 cadeiras. Contudo, ele descartou explicitamente a possibilidade de formar um governo com os partidos árabes. Para alcançar a maioria no Knesset, ele precisaria de 61 cadeiras.
Por outro lado, Gadi Eisenkot — cujo bloco de oposição deve conquistar 52 cadeiras — afirmou que esses partidos não atendem aos seus critérios para uma parceria política, os quais incluem o reconhecimento de Israel como um Estado judeu e a classificação do Hamas como uma organização terrorista que deve ser desmantelada.
Ainda assim, uma pesquisa realizada pelo centro aChord, da Universidade Hebraica, revela que a maioria dos eleitores do bloco de oposição deseja que essa parceria se concretize.
Segundo a pesquisa, mais de 61% dos eleitores do bloco de oposição querem que Eisenkot forme um governo com o Raam. Apenas 20% desses eleitores preferem a realização de novas eleições, enquanto 12% apoiam um governo de coalizão com sistema de rodízio envolvendo Netanyahu, e 7% preferem um governo que inclua partidos ultraortodoxos.