Getúlio Vargas (1882-1954) ocupa um capítulo importante na política brasileira no século 20, sendo estudado em livros de história na escola. Após 15 anos no poder, foi deposto pelo próprio ministério em 29 de outubro de 1945, em um movimento que pôs fim ao Estado Novo (1937-1945).
Os articuladores do golpe militar foram os generais Eurico Gaspar Dutra – ex-ministro da Guerra, que viria a assumir a presidência em 31 de janeiro de 1946, ficando no posto até a mesma data de 1951 – e o então ministro da Guerra Góis Monteiro, dois de seus homens de confiança do gabinete. Eles não gostaram da nomeação polêmica do irmão dele, Benjamin Vargas, para a Chefia de Polícia do Rio de Janeiro, então capital federal.
O que aconteceu?
Na época, Vargas vinha prometendo eleições e ensaiando uma transição controlada após 15 anos ininterruptos no comando do país. No entanto, para conter os protestos e o movimento “Queremista” (que pedia sua permanência no poder), Getúlio exonerou o chefe da Polícia Federal do Distrito Federal, João Alberto Lins de Barros, e nomeou para o cargo o próprio irmão, Benjamin Vargas, apelidado de “Bejo”.
A escolha foi interpretada pela cúpula das Forças Armadas e pela oposição como uma manobra para perpetuar o regime ou dar um novo golpe de estado. A reação dos generais foi imediata, enviando um ultimato ao presidente: renunciar ou ser deposto pelas armas.
Sem apoio militar e disposto a evitar um derramamento de sangue, Getúlio concordou em assinar a renúncia naquela mesma tarde, afastando-se do cargo, abrindo caminho para a redemocratização e voltando para São Borja, no Rio Grande do Sul, sua terra natal. Com a deposição em 29 de outubro, todos os quadros com a foto dele como presidente foram removidos das paredes das repartições da noite para o dia.
Discrição
Apesar de terem comandado o golpe, os militares preferiram manter as aparências institucionais para garantir uma transição pacífica e, ao invés de assumirem a presidência imediatamente, o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro José Linhares, ocupou o cargo interinamente, até a posse de Dutra, em janeiro do ano seguinte.
Vargas manteve-se recolhido em sua cidade, preparando o terreno para o retorno por vias democráticas, na eleição de 1950, ficando no cargo até o suicídio, em 1954.
Em 29 de outubro de 1901, por volta das sete horas da manhã, um prisioneiro foi levado de sua cela na Prisão de Auburn em Nova York para uma câmara de execução. Sentou-se na cadeira elétrica e, enquanto tinha os eletrodos conectados à sua pele e as tiras amarradas em suas pernas, declarou:
“Eu matei o presidente porque ele era o inimigo do bom povo trabalhador. Não me arrependo do meu crime.” E terminou: “Lamento não ter podido ver meu pai.”
O homem passou o próximo minuto recebendo choques elétricos com tensões entre 1.800 e 300 volts. Seu óbito foi decretado pelos médicos presentes quatro minutos depois. Foi executada com sucesso a pena capital de Leon Czolgosz, assassino do 25º presidente dos Estados Unidos.
Como foi o ataque a William McKinley?
53 dias antes, o político de carreira William McKinley cumprimentava seus apoiadores em uma feira de inovação em Buffalo, Nova York. Seis meses após ser reeleito presidente dos Estados Unidos, o republicano no auge de sua popularidade passou a priorizar o contato com o público, abrindo lugar na agenda para ir a eventos como aquele.
Seu secretário não gostava tanto da ideia. George B. Cortelyou sabia da aversão de McKinley a sair com equipes de segurança e considerava a Exposição Pan-Americana no Temple of Music um grande risco para a integridade do estadista.
Mas a vontade do presidente foi feita, e às 16h de 6 de setembro de 1901, William McKinley estava parado em frente a uma fila de pessoas que aguardavam para apertar sua mão.
William McKinley 25º Presidente dos EUA • Getty Images
Finalmente, chegou a vez de Leon Czolgosz. No livro ‘The President and the Assassin’, o jornalista Scott Miller reconta a cena: um homem aparentemente calmo estende a mão direita, coberta por um pano, em direção ao presidente.
O político estende a mão de volta, como havia feito com todos os presentes até então. Em vez de um cumprimento, William McKinley é surpreendido com duas balas de revólver calibre .32, à queima-roupa no abdome.
Czolgosz foi contido por agentes de segurança antes de conseguir disparar o terceiro tiro. A feira tornou-se um caos, e o republicano foi levado às pressas para um hospital, onde passou por cirurgia.
Scott Miller conta que, enquanto uma das balas passou de raspão, outra penetrou o corpo do presidente e nunca foi encontrada.
McKinley não morreu de imediato. Ele parecia estar fazendo boa recuperação até que, seis dias depois, sua condição piorou. Em 14 de setembro, o presidente morreu por consequência de gangrena, atribuída a uma infecção bacteriana que passou despercebida pelos médicos.
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Esta era a terceira morte de um líder do Estado norte-americano por assassinato em menos de 50 anos; James Garfield e Abraham Lincoln haviam sido mortos a tiros em locais públicos de Washington, D.C., em 1881 e em 1865, respectivamente.
Duas mudanças importantes ocorreram após o crime: o então vice-presidente Theodore Roosevelt iniciou o primeiro de seus dois mandatos, e o Congresso americano formalizou a atuação do Serviço Secreto, que agora forneceria agentes para acompanhar o presidente 24 horas por dia.
Quem foi Leon Czolgosz e qual foi sua motivação?
Leon F. Czolgosz era um jovem operário de 28 anos, nascido em Detroit, Michigan, e filho de imigrantes poloneses. Trabalhador braçal, atuou principalmente em fazendas e fábricas, enfrentando dificuldades financeiras desde a infância.
Criado como católico, ele abandonou a religião e voltou-se para a ideologia política depois da crise econômica da década de 1890. Ele encontrou motivação na doutrina anarquista após assistir a um discurso da ativista Ana Goldman, em maio de 1901.
Scott Miller afirma em seu livro que, durante depoimento à polícia, Czolgosz atribuiu ao anarquismo a decisão de matar o presidente.
Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.”]Estava no meu coração, não havia como fugir. […] Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.
”Leon
Após um julgamento sumário que durou cerca de oito horas e meia, Czolgosz foi condenado por assassinato em primeiro grau.
Encenação da execução de Leon Czolgosz foi filmada pela produtora de filmes de Thomas Edison • Wikimedia Commons
“Execução de Czolgosz com panorama da Prisão de Auburn”, o filme
Uma consequência inusitada da morte do assassino de McKinley foi a produção de um curta-metragem pela Edison Studios, a produtora de cinema do inventor Thomas Edison.
Em pouco menos de três minutos e meio, o filme combina gravações externas reais do exterior da prisão no dia da execução e uma encenação da própria pena capital, com cadeira elétrica falsa e um ator interpretando o prisioneiro.
Uma espaçonave construída para explorar Júpiter acabou fazendo história antes mesmo de chegar ao planeta. Em 29 de outubro de 1991, a sonda americana Galileo, da NASA, realizou a primeira passagem próxima de uma espaçonave por um asteroide, registrando imagens inéditas de Gaspra, localizado entre Marte e Júpiter. O acontecimento completa 35 anos nesta quinta-feira (29).
Durante a aproximação, a Galileo passou a aproximadamente 1.600 quilômetros do centro do asteroide, permitindo observar detalhes de sua superfície que até então não haviam sido registrados tão de perto. O feito marcou uma nova etapa na exploração espacial e ampliou o conhecimento sobre esses corpos rochosos.
À esquerda, Gaspra, fotografado em 1991; à direita, Ida, registrado em 1993, com destaque para sua pequena lua Dactyl • NASA/JPL
Encontro entre Galileo e Gaspra
Desenvolvida pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, a Galileo foi projetada para investigar Júpiter e suas luas. A missão recebeu o nome do astrônomo italiano Galileu Galilei, que descobriu quatro grandes luas do planeta em 1610. Seu objetivo era estudar Júpiter durante anos, algo que nenhuma espaçonave havia feito até então.
Lançada em 18 de outubro de 1989, a bordo do ônibus espacial Atlantis, a Galileo precisou seguir um caminho diferente do planejado. Após o acidente com o ônibus espacial Challenger, em 1986, a NASA alterou o sistema de lançamento da missão. Sem a propulsão inicialmente prevista para uma viagem mais direta, a espaçonave aproveitou a gravidade de Vênus e da Terra para ganhar velocidade e alcançar Júpiter.
Durante esse percurso, surgiu a oportunidade de observar Gaspra. A NASA ajustou a trajetória da Galileo para permitir a aproximação e, em 1991, a sonda passou pelo asteroide a uma velocidade relativa de aproximadamente 28.800 quilômetros por hora.
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Porém, a missão enfrentava algumas dificuldades técnicas. Meses antes, a antena principal da sonda não havia conseguido se abrir completamente, prejudicando a comunicação com a Terra. Apesar do problema, a Galileo conseguiu armazenar imagens e informações sobre Gaspra, que foram transmitidas posteriormente.
Das primeiras imagens às novas descobertas
Com aproximadamente 20 quilômetros em sua maior dimensão, Gaspra chamou a atenção pelos detalhes registrados durante a aproximação. As fotografias revelaram um asteroide de formato irregular, com crateras espalhadas pela superfície, características que até então não haviam sido observadas de tão perto por uma espaçonave.
Em 14 de novembro de 1991, pouco mais de duas semanas após a aproximação, a NASA divulgou a primeira imagem próxima de um asteroide. A fotografia havia sido captada a cerca de 16.200 quilômetros de Gaspra, aproximadamente 34 minutos antes da maior aproximação. Na época, a Galileo estava a cerca de 410 milhões de quilômetros da Terra.
Dois anos depois, em agosto de 1993, a missão protagonizou outra descoberta ao passar pelo asteroide Ida. Meses após a aproximação, pesquisadores identificaram nas imagens uma pequena lua, posteriormente chamada Dactyl. Foi a primeira identificação confirmada de um satélite natural orbitando um asteroide.
Somente em dezembro de 1995, seis anos após o lançamento, a Galileo chegou a Júpiter, seu principal destino. A missão foi encerrada em setembro de 2003, quando a NASA direcionou a espaçonave para a atmosfera do planeta. Apesar disso, a passagem por Gaspra permanece como um marco da exploração espacial por ter proporcionado as primeiras imagens próximas de um asteroide.
Há 104 anos, o Império Otomano sofria sua derrocada, sendo extinto em 1º de novembro de 1922, e a República da Turquia só foi proclamada no dia 29 de outubro de 1923. A decisão de mudar a forma de governar o país surgiu em um jantar improvisado na véspera e provocou uma correria nos bastidores para correr com os trâmites nas 24 horas seguintes.
Com o término do Império após 600 anos e o fim da Guerra de Independência, a Turquia passou a ser governada por um parlamento, sem uma forma de governo claramente definida. O líder militar Mustafa Kemal Atatürk resolveu que era hora de por um fim a esse impasse e reuniu um pequeno grupo de aliados, entre comandantes e deputados, para jantar no Palácio de Çankaya, em Ancara, na noite de 28 de outubro de 1923.
O menu pensado para a ocasião foi sopa tarhana (feita à base de grãos e iogurte fermentado), marmarina (à base de espinafre, queijo e ovos), Saray kebab (carne assada com vegetais e especiarias) e helva-i hakani (doce tradicional feito com farinha, amido, leite, manteiga e mel/açúcar, servido historicamente em grandes celebrações otomana).
A decisão
No meio da conversa, anunciou, pegando a maioria de surpresa: “Efendiler, yarın Cumhuriyeti ilan edeceğiz!” (“Senhores, amanhã proclamaremos a República!”), disse. Os registros históricos não contam em que tom a frase foi dita mas, ao perceber a animação dos convidados com a novidade, Atatürk decidiu: “Deixemos a comida de lado!”, iniciando uma corrida contra o tempo para fazer tudo o mais rápido possível.
Os pratos foram afastados, transformando a mesa de jantar em uma mesa de trabalho. Ele e o aliado İsmet İnönü rascunharam a emenda constitucional que mudaria a estrutura política do país. Na tarde do dia seguinte, o texto foi apresentado ao parlamento e aprovado sob aplausos, elegendo Atatürk como o primeiro presidente da República da Turquia.
Filme sobre o caso
Lançado em 2023, o filme “Son Akşam Yemeği” (“A Última Ceia”) retrata os eventos que se desenrolaram na cozinha e na sala de jantar do Palácio de Çankaya na noite de 28 de outubro de 1923, a ideia da República finalmente tomou forma.
Em 29 de outubro de 2004, a divulgação de um vídeo inédito alterou os rumos da política internacional e da corrida presidencial nos Estados Unidos. Após passar três anos escondido e sem aparecer em registros visuais, Osama bin Laden reapareceu publicamente para confirmar, pela primeira vez de forma explícita e inequívoca, que havia planejado e ordenado os ataques de 11 de setembro de 2001.
A gravação surgiu a apenas quatro dias da eleição entre George W. Bush e John Kerry, tornando-se o fato conhecido como a “Surpresa de Outubro” naquele pleito.
As justificativas e a estratégia do discurso
Ao se dirigir diretamente aos eleitores americanos, o líder da Al-Qaeda rebateu alegações do governo dos EUA de que o atentado teria ocorrido porque o grupo “odiava a liberdade”, questionando por que países como a Suécia não haviam sido atacados.
Osama bin Laden afirmou que o 11/9 foi uma retaliação ao apoio americano à invasão do Líbano por Israel em 1982 e explicou que a estratégia central do grupo era induzir os EUA a intervenções militares dispendiosas para “sangrar” o país financeiramente.
No mesmo pronunciamento, ironizou a reação do presidente George W. Bush no dia dos atentados — enquanto este permanecia ouvindo a leitura do livro The Pet Goat em uma escola — e acusou a administração americana de abrir frentes de conflito para beneficiar corporações dos setores petrolífero e de armamentos.
Bastidores da inteligência e a opinião pública
Embora a confissão pública em vídeo só tenha ocorrido três anos depois, os órgãos de inteligência já conheciam a autoria dos atentados desde o dia do ataque.
Na noite de 11 de setembro de 2001, por volta das 21h30, o diretor da CIA, George Tenet, informou Bush de que o Centro de Contraterrorismo atribuía a ação a bin Laden e à Al-Qaeda, suspeita anotada pelo próprio presidente em seu diário pessoal naquela noite. Além disso, interceptações de comunicações realizadas no próprio dia pela NSA e pela inteligência alemã já apontavam para a organização extremista.
Apesar dessas constatações e de o governo ter declarado publicamente em 2003 que não havia evidências da ligação de Saddam Hussein com o 11/9, a opinião pública americana permaneceu confusa.
Uma pesquisa do Washington Post realizada dois anos após os ataques revelou que 69% dos americanos acreditavam no envolvimento pessoal do líder iraquiano e 82% achavam que ele havia prestado assistência a bin Laden — percepção influenciada pelo uso do impacto emocional dos ataques para mobilizar apoio à Guerra do Iraque.
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O impacto decisivo nas eleições americanas de 2004
A aparição surpresa do vídeo na reta final da campanha de 2004 definiu o debate político. O pronunciamento colocou a segurança nacional e a Guerra ao Terror no centro da atenção dos eleitores. Integrantes da campanha do candidato democrata John Kerry relataram que tentaram evitar que o pleito se tornasse uma eleição focado no 11 de Setembro, mas o vídeo selou essa pauta.
Posteriormente, o próprio Kerry declarou acreditar que a gravação divulgada às vésperas da votação custou sua eleição à presidência.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka (OPF), nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, por volta das 10h25. A chegada ocorreu após o parlamentar deixar o Brasil através da fronteira terrestre com a Argentina e realizar uma escala técnica em Guayaquil, no Equador, a bordo de um jato executivo privado.
O deslocamento internacional descumpriu a ordem judicial emitida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que havia determinado a retenção de seu passaporte. Ao tocar o solo americano, o senador e seus familiares diretos, a esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal, deixaram o pátio do terminal executivo a bordo de veículos particulares, em direção a um endereço não revelado.
História e estrutura do refúgio da aviação executiva na Flórida
O projeto urbanístico da cidade de Opa-locka, idealizado por Glenn Curtiss na década de 1920, foi inteiramente baseado na temática do livro As Mil e Uma Noites, incorporando elementos da arquitetura de estilo mourisco em suas construções.
Mas foi em 1927, que o Aeroporto de Miami-Opa-locka foi fundado por Glenn Curtiss, no terreno onde antes funcionava seu Campo de Aviação da Flórida. O Sr. Curtiss doou seu Campo de Aviação da Flórida para a Marinha dos EUA pouco antes de sua morte prematura em 1930.
O Aeroporto de Miami-Opa-locka fez parte do Comando de Treinamento da Marinha dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial e foi o centro de seis bases de treinamento naval. Amelia Earhart decolou em sua malfadada tentativa de dar a volta ao mundo em 1937 do antigo “Aeroporto Municipal de Miami”, localizado próximo à entrada principal do aeroporto.
Numerosas aeronaves e edifícios históricos ainda permanecem no local. O dirigível “Akron” da Marinha dos EUA caiu em uma tempestade em seu voo de retorno para o norte em 1933, após partir de Miami-Opa-locka.
Durante a Guerra Fria, o Aeroporto de Miami-Opa-locka desempenhou um papel importante em esforços militares e civis, incluindo os infames Voos Negros para a Guatemala na década de 1950, a invasão da Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis de Cuba.
Da gestão militar ao topo da aviação executiva e de resgate
Durante a Guerra da Coreia, o aeroporto serviu como Estação Aeronaval de Miami e Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais de Miami. No início de 1962, a escritura do aeroporto foi assinada e a transferência para o Condado e o Departamento de Aviação de Miami-Dade foi concluída.
Em 1967, Opa-locka era o aeroporto mais movimentado do mundo, com mais de 650.000 operações de voo. Em 2014, o Aeroporto de Opa-locka passou a se chamar Aeroporto Executivo de Miami-Opa-locka. Até hoje, mantém uma presença militar com a Estação Aérea da Guarda Costeira dos EUA, que abriga a Estação de Resgate Aéreo/Marítimo mais movimentada do mundo.
Atualmente, o complexo dispõe de três pistas ativas, sendo a maior delas com 2.439 metros de comprimento por 46 metros de largura, e registra em média de 300 a 400 operações aéreas diárias, com forte presença de jatos corporativos e voos charter executivos oriundos das Américas e da Europa.
Muito antes de se tornar um dos maiores nomes da história do boxe, Muhammad Ali já acumulava conquistas no esporte, apesar da pouca idade. Aos 18 anos, o jovem norte-americano havia conquistado uma medalha de ouro olímpica quando decidiu iniciar a carreira profissional. Sua estreia aconteceu em 29 de outubro de 1960, em Louisville, nos Estados Unidos, cidade onde nasceu, ainda utilizando o nome Cassius Clay.
O primeiro adversário foi Tunney Hunsaker, de 30 anos, que também trabalhava como chefe de polícia. Clay venceu a luta por decisão unânime dos juízes, após seis rounds, e iniciou uma trajetória que o levaria ao título mundial dos pesos-pesados. Sua relação com o boxe, no entanto, havia começado aos 12 anos, depois de um episódio envolvendo o roubo de uma bicicleta.
Como Muhammad Ali começou no boxe?
Cassius Marcellus Clay Jr. cresceu no bairro de West End, em Louisville, no estado do Kentucky. Sua família integrava a classe média negra da região, marcada pela segregação racial nos Estados Unidos. O pai trabalhava como pintor de placas comerciais, enquanto a mãe também realizava serviços domésticos.
O interesse pelo boxe surgiu em 1954, quando Clay teve sua bicicleta roubada durante um evento na cidade. Ao procurar o policial Joe Martin, contou que pretendia enfrentar o responsável pelo furto. Martin, que também ensinava boxe a jovens, sugeriu que ele aprendesse a lutar primeiro. A partir desse encontro, Clay começou a treinar no Columbia Gym, em Louisville.
Nos anos seguintes, participou de competições amadoras e conquistou títulos em torneios como o Golden Gloves. Em setembro de 1960, venceu o polonês Zbigniew Pietrzykowski na final dos meio-pesados dos Jogos Olímpicos de Roma, garantindo a medalha de ouro aos 18 anos. Poucas semanas depois, passou para o boxe profissional.
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Primeira luta profissional
A estreia aconteceu em 29 de outubro de 1960, na Freedom Hall, apenas 54 dias após a conquista olímpica. Seu adversário, Tunney Hunsaker, era chefe de polícia em Fayetteville, na Virgínia Ocidental, e já tinha experiência no boxe profissional. Clay, por sua vez, chegava ao confronto com um histórico de 134 vitórias e sete derrotas em competições amadoras, segundo o Muhammad Ali Center.
Diante de aproximadamente 6,1 mil espectadores, Clay venceu por decisão unânime dos juízes, após seis rounds. Segundo a cobertura publicada pelo jornal norte-americano The Courier-Journal, o jovem utilizou sua velocidade e movimentação para superar Hunsaker, que sofreu ferimentos no nariz e próximo a um dos olhos durante o combate.
A realização da luta em Louisville também estava ligada ao início de sua carreira profissional. Na semana da estreia, Clay havia firmado um contrato com empresários da cidade para financiar sua trajetória no esporte. A arrecadação do evento foi destinada ao Kosair Children’s Hospital, hospital infantil da região. Pelo confronto, recebeu US$ 2 mil, enquanto Hunsaker ganhou US$ 300.
A ascensão de Muhammad Ali na carreira
Após a vitória sobre Hunsaker, Clay acumulou outras 18 vitórias consecutivas e ganhou destaque pela velocidade, movimentação e autoconfiança. Também ficou conhecido pelas provocações aos adversários e pelo hábito de prever os resultados das lutas. Em fevereiro de 1964, aos 22 anos, derrotou Sonny Liston e conquistou seu primeiro título mundial dos pesos-pesados.
Naquele mesmo ano, passou a utilizar o nome “Muhammad Ali”, dado pelo líder religioso Elijah Muhammad, da Nação do Islã. Segundo o próprio boxeador, Muhammad significa “digno de louvor”, enquanto Ali significa “elevado”. Fora dos ringues, destacou-se por suas posições contra a discriminação racial e pela recusa em servir ao Exército dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Ao longo da carreira, conquistou três vezes o título mundial dos pesos-pesados e acumulou 56 vitórias em 61 lutas profissionais.
Uma aposta única registrada no estado do Mato Grosso acertou as seis dezenas do concurso 3077 da Mega-Sena e faturou o prêmio de R$ 324,8 milhões.
O montante total coloca o novo ganhador entre os maiores detentores de patrimônio gerado por loterias no país.
O poder de compra dos R$ 324,8 milhões
Para dimensionar a quantia sorteada no concurso 3077, o valor total permite aquisições de grande porte nos mercados imobiliário, automotivo e de aviação:
Imóveis de alto padrão: O valor equivale à compra de 60 mansões avaliadas em R$ 5 milhões cada, mantendo ainda um saldo restante superior a R$ 24 milhões para custos operacionais e impostos.
Veículos de luxo: A quantia possibilita a aquisição de uma frota com mais de 300 carros esportivos de luxo na faixa de R$ 1 milhão por unidade.
Aviação executiva: O prêmio comporta a compra de duas a três aeronaves executivas de longo alcance, além da estruturação de hangaragem própria.
Rendimento na renda fixa e prazo de resgate
Caso o valor integral de R$ 324,8 milhões seja aplicado em modalidades tradicionais de investimento ou na caderneta de poupança, o rendimento mensal estimado pode variar entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,5 milhões, a depender da taxa básica de juros vigente.
De acordo com as normas das Loterias Caixa, o ganhador possui o prazo limite de 90 dias corridos, contados a partir da data do sorteio, para realizar a retirada do prêmio em uma agência bancária credenciada.
Um empreendimento residencial em construção na frente-mar da Meia Praia, em Itapema (SC), que tem como a família do jogador Neymar como sócios do projeto imobiliário, passará a contar com um robô entregador autônomo para transportar encomendas e pequenos volumes diretamente até a porta dos apartamentos.
A tecnologia é integrada aos elevadores do edifício e tem como objetivo aumentar a privacidade dos moradores, além de otimizar a rotina da equipe de atendimento do condomínio.
Após o recebimento e a liberação do pacote pela portaria, o volume é colocado no compartimento do equipamento. O robô realiza sozinho o deslocamento pelos corredores e pavimentos, utilizando os elevadores para entregar o pedido na unidade indicada e retornando em seguida à base.
Estrutura do edifício e mercado de robótica
Com 32 mil m² de área construída e 45 pavimentos, o edifício soma 68 apartamentos com áreas privativas entre 264 m² e 966 m² e opções de quatro a seis suítes. Os valores de venda das unidades variam de R$ 14 milhões a R$ 54 milhões, somando um VGV estimado em R$ 650 milhões.
A adoção do sistema reflete o crescimento da automação no setor residencial e de logística. De acordo com estudo da consultoria MarketsandMarkets, o mercado global de robôs de entrega deve avançar de US$ 800 milhões em 2025 para US$ 3,24 bilhões em 2030.
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Infraestrutura e previsão de entrega
Além da entrega automatizada, o projeto prevê segurança monitorada por inteligência artificial, infraestrutura para carregamento de veículos elétricos e heliponto homologado. A entrega do edifício está prevista para dezembro de 2028.
Um adolescente de 13 anos nadou cerca de 4 quilômetros em mar aberto, percorreu mais 2 quilômetros a pé pela areia e acionou o serviço de emergência para salvar a mãe e dois irmãos menores que ficaram à deriva na praia de Quindalup, na Austrália Ocidental.
O caso ocorreu após a embarcação em que a família estava começar a alagar devido aos fortes ventos e à correnteza.
Decisão crítica em mar aberto
O incidente começou quando Austin Appelbee, a mãe, Joanne, de 47 anos, e os irmãos Beau, de 12, e Grace, de 8, foram surpreendidos por rajadas de vento que empurram os caiaques da família para longe da costa. Com uma das embarcações enchendo de água, o jovem decidiu deixar o grupo e nadar sozinho em direção à praia para buscar socorro.
Durante a travessia de aproximadamente quatro horas contra as ondas, Austin manteve o foco na costa. Ao atingir a terra firme, o garoto ainda correu dois quilômetros ao longo da praia até encontrar um ponto com sinal de telefone para discar para o serviço de emergência.
A ligação para o socorro
Na chamada telefônica divulgada pelas autoridades locais, o garoto manteve a calma ao repassar as coordenadas geográficas aproximadas de onde a família havia sido vista pela última vez. Durante o atendimento, Austin solicitou um helicóptero de resgate para localizar os familiares e pediu uma ambulância para si mesmo, relatando sintomas de exaustão e hipotermia.
A Polícia da Austrália mobilizou equipes de resgate aéreo e marítimo. A mãe e as duas crianças foram encontradas flutuando na água, agarradas aos coletes salvividas e aos destroços do caiaque, pouco antes do pôr do sol.
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Reconhecimento das autoridades
Todos os membros da família foram levados ao hospital para avaliação médica e liberados sem ferimentos graves. A atuação do adolescente foi elogiada por equipes de resgate e autoridades policiais, que destacaram o preparo físico e a determinação do jovem diante de uma situação de risco no oceano.
O feito rendeu a Austin o apelido de “herói do mar” pela imprensa australiana e pela comunidade local.
As Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos que por décadas acolheu casais chineses buscando evadir restrições de natalidade, vão impedir entradas sem visto a partir desta sexta-feira (30). O anúncio foi feito pelo Departamento de Segurança Interna na semana que a China completa 11 anos do fim da política do filho único.
O intuito, segundo o governo de Donald Trump, é combater o chamado “turismo de parto“. Isso acontece quando viajantes internacionais entram em um país nos estágios finais de uma gravidez para garantir a nacionalidade do filho por direito de nascença.
Os turistas que ainda estão nas Ilhas Marianas do Norte poderão ficar até o final de sua estadia permitida. Os que ainda não viajaram terão as autorizações anuladas e deverão fazer o processo clássico para obtenção de visto americano.
A mudança teve recepção mista. Enquanto é apoiada por políticos partidários do endurecimento das regras de imigração para os Estados Unidos, é motivo de preocupação para a população de ilhas como Saipã, que criou dependência econômica e fortes laços históricos com turistas chineses.
A ilha de Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos no Oceano Pacífico • Wikimedia Commons
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Uma ilha paradisíaca com muitos “donos”
Saipã, ilha de 52 mil habitantes e importante ponto turístico no Oceano Pacífico, tem uma história conturbada. Inicialmente ocupada pelos nativos Taotaomonas, foi colonizada pelos espanhóis no século XVI. Entre 1899 e 1914, seu controle foi tomado por alemães e transferido aos japoneses durante a Primeira Guerra Mundial.
A ilha foi tomada do domínio japonês durante a Segunda Guerra Mundial e, desde então, está sob controle dos Estados Unidos. Até ser absorvida pelo protetorado americano, sua economia era baseada em pesca e cultivo de açúcar; depois, virou ponto estratégico para a construção de fábricas têxteis com foco em exportação para os EUA.
Uma série de críticas às condições de trabalho nestas fábricas, que passaram a competir com a indústria americana, fizeram com que o setor perdesse força e resultaram em crise econômica na ilha.
Para estimular outras fontes de renda, em 2009, o então presidente Barack Obama decidiu flexibilizar a entrada em Saipã. Visitantes chineses e russos agora podiam visitar o território e aproveitar suas praias, resorts e cassinos por até 15 dias sem precisar de visto.
O incentivo coincidiu com um importante programa que transformou a população chinesa: a política do filho único. Graças ao direito à cidadania por nascimento, protegido pela Constituição dos EUA, Saipã acabou permitindo que mães chinesas evadissem o controle de natalidade dando à luz filhos americanos.
Bebê recém-nascido em maternidade chinesa • Unsplash
O que foi a política chinesa do filho único?
Entre 1979 e 2015, a República Popular da China manteve dura restrição ao crescimento populacional no território continental. Para conter um número de habitantes que se aproximava de 1 bilhão na década de 1970, o governo instituiu diversos programas de controle de natalidade, por fim, limitou parte de suas famílias a um único descendente.
Durante os 35 anos da política, chineses com mais de um filho eram submetidos a multas, exoneração de cargos públicos e, em alguns casos, abortos forçados e esterelizações compulsórias.
Entre as exceções à regra estavam as minorias étnicas, moradores de zonas rurais cujo primeiro descendente fosse do sexo feminino e, na prática, a famílias ricas, que simplesmente arcavam com a multa.
O fim da restrição foi anunciado em 29 de outubro 2015 e entrou em efeito em janeiro de 2016, primeiro permitindo até dois filhos e, por fim, eliminando qualquer limite.
Como Saipã virou berço para filhos americanos de mães chinesas
A partir de 2009, este trecho de ilha tornou-se o único território dos Estados Unidos em que cidadãos chineses poderiam entrar sem visto. Ainda, qualquer criança parida no local estava protegida pelo direito à cidadania automática por nascimento, ou “birthright citizenship“.
Dados do governo das Ilhas Marianas do Norte começaram a mostrar mudanças populacionais: em 2009 nasceram em Saipã apenas oito crianças de turistas chinesas; em 2016, já nasciam mais crianças de mães chinesas do que saipanesas.
O crescimento exponencial veio durante a política do filho único, que restringia nascimentos na China continental; mas a prática persistiu mesmo depois de 2015.
Além de Saipã, outros territórios receberam grandes quantidades de famílias buscando ter mais descendentes. Hong Kong, território autônomo da China, foi o principal, graças à proximidade e acessibilidade. Los Angeles (EUA), Canadá, Austrália e países do sul da Ásia também foram destinos populares.
Atos de generosidade, compaixão e sacrifício pessoal podem não derivar de virtudes puras ou desinteressadas, mas sim de impulsos de preservação individual e busca pelo prazer. A tese da “química dos conceitos e sentimentos” foi apresentada pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche.
Segundo a análise, comportamentos classificados como morais ou altruístas constituem versões refinadas de inclinações egoístas herdadas.
A dissolução do altruísmo e a metáfora da química
Na tradição filosófica clássica, virtudes como a abnegação eram tratadas como qualidades de origem elevada ou milagrosa. No entanto, a investigação psicológica indica que não existe ação inteiramente isenta de interesse pessoal.
Nietzsche utilizou a analogia da química para demonstrar que, assim como cores magníficas são extraídas de materiais brutos e desprezados, as condutas mais estimadas pela sociedade resultam da sublimação de impulsos básicos.
Atitudes de amabilidade e socorro ao próximo trazem consigo o sentimento de poder, o alívio de um desconforto próprio ou a busca por aprovação social.
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Autoconservação e a utilidade social das virtudes
De acordo com a reflexão de séculos passados, a distinção entre atos considerados bons ou maus não se baseia em oposições essenciais, mas no grau de desenvolvimento do intelecto e na autoconservação do indivíduo.
Condutas prejudiciais ou benéficas são motivadas pelo desejo de obter prazer e evitar o sofrimento.
A transição da moralidade para a observação objetiva
A desconstrução da pureza moral não busca condenar a conduta humana, mas libertá-la de interpretações equivocadas.
Ao reconhecer que a moralidade do costume nasceu da necessidade de convivência e proteção mútua, a observação psicológica substitui o julgamento moral pelo entendimento objetivo das causas reais do comportamento.
Apu Nahasapeemapetilon, personagem indiano de “Os Simpsons”, voltou a falar após 9 anos sem diálogos nos episódios do desenho. Não se ouvia a voz dono da rede de lojas de conveniência Kwik-E-Mart desde o episódio “Os Serfsons” , de 2017.
Apresentado pela primeira vez em 1997, no episódio “Conversa Fiada”, na 8ª temporada, Apu representava o estereótipo de asiáticos donos de mercadinhos nos Estados Unidos. Fiel à religião hindu, vegetariano e com oito filhos, costumava vender produtos que tinham passado da data de vencimento.
Críticas e sumiço
As críticas à forma que ele era retratado na série vinham aumentando e, no documentário “The Problem With Apu” (“O Problema com Apu”, em tradução livre), de 2017, Hari Kondabolu levantou os estereótipos racistas, apontando que chamar alguém de ‘Apu’, em alguns lugares, virou uma espécie de ofensa racial. Tudo isso fez com que, a partir daí, desaparecesse da série.
Em 2020, Azaria se manifestou, revelando que não dublaria mais a personagem. “Tudo o que combinamos é que eu não farei mais a voz. Tomamos a decisão juntos. Todos concordamos. Todos sentimos que é a coisa certa a fazer e estamos bem com isso”, explicou, na ocasião.
No ano seguinte, o ator se desculpou por ter aceitado dublar Apu da forma que fez por todos aqueles anos. “Uma parte de mim sente que preciso ir até cada indiano neste país e pedir desculpas pessoalmente. Às vezes faço isso, quando esse assunto surge”.
Agora, Apu tem novo dublador: o ator Sunil Malhotra, que nasceu em Nova Deli, na Índia, e vive nos Estados Unidos. A esposa, Manjula, é interpretada por Janina Gavankar, descendente de indianos.
Malhotra disse à revista “Variety” que quis conhecer pessoalmente produtor executivoMatt Selman e o co-produtor executivo Cesar Mazariegos, e aceitou dubla-lo após os dois se comprometerem a evitar estereótipos. “Foi o início de uma experiência profundamente colaborativa. Espero que satisfaça os fãs de longa data de ‘Os Simpsons‘ e outras crianças do sudeste asiático que, como eu, pararam de assistir a série em algum ponto pelo caminho”, espera.
Selman também comentou à publicação o retorno de Apu. “Adoramos essa personagem e queríamos trazer de volta de uma forma inteligente, ao estilo dos Simpsons, que permitisse sua evolução”.
O episódio
Em “A Vingança”, episódio especial de Halloween exibido no último dia 18 nos Estados Unidos, uma figura mascarada busca se vingar dos habitantes de Springfield. Ap tirar o capacete, é Apu, explicando que passou os últimos anos abandonado na Ilha do Lixo Esquecido. “Eu sou o homem que vocês deixaram para morrer. Eu sou aquele que vocês fingiram que nunca existiu! Teria sido tão fácil me trazer de volta”, dispara.
Marge tenta impedi-lo de destruir a cidade. “Apu, sentimos muito por termos te deixado para morrer. Acredite, queríamos fazer a coisa certa”, diz, para acalma-lo. “Mas estávamos com tanto medo e simplesmente não sabíamos o que fazer”, complementa Bart. No fim, Apu percebe que tudo não passou de um sonho e é convidado para a festa de Halloween dos Simpsons.
Uma tragédia que marcou a aviação civil da Nigéria completa 20 anos nesta quinta-feira: em 29 de outubro de 2006, o Boeing 737-200 decolou do Aeroporto Internacional Nnamdi Azikiwe, em Abuja, para o voo 53 da ADC Airlines, mas caiu pouquíssimo tempo depois, matando 96 pessoas – entre elas autoridades políticas – e deixando apenas nove sobreviventes.
A repercussão do episódio na época mudou as diretrizes de segurança de voo e treinamento de pilotos na Nigéria, que passaram a ser mais rigorosos após a reação ao caso.
O que aconteceu?
O voo ADC 53 saiu de Calabar, fez uma escala em Lagos e pousou na capital federal, Abuja, por volta das 10h20 (horário local) do dia 29 de outubro de 2006, antes de ir para seu destino final, Sokoto, no extremo norte da Nigéria. Por volta das 11h14, a tripulação solicitou autorização para dar partida aos motores, apesar da forte instabilidade meteorológica, com tempestades de rápida formação sobre a região do aeroporto.
O capitão Charles Kolawole Atanda e o Primeiro Oficial Celestine Okonneh ignoraram os avisos da torre de controle de Abuja sobre as rajadas de vento e pediram autorização imediata de decolagem na Pista 22. Demorou apenas 76 segundos, após sair do solo e atingir aproximadamente 1.000 pés de altitude, para o avião entrar em uma nuvem de tempestade e perder sustentação.
A asa esquerda colidiu com a copa de uma árvore e a aeronave despencou em alta velocidade em um campo agrícola, explodindo no impacto. As partes dianteira e central da fuselagem ficaram destruídas, mas a cauda do avião partiu-se e permaneceu quase intacta.
Mortos e feridos
Eram 105 ocupantes. Entre os 100 passageiros estavam figuras que vinham ganhando notoriedade na sociedade nigeriana, como o Sultão de Sokoto, Muhammadu Maccido (considerado na época a maior autoridade muçulmana da região), senadores, diplomatas e três filhas do então governador do estado de Kogi, Ibrahim Idris.
Apenas nove pessoas acomodadas no fundo do avião sobreviveram: uma comissária de bordo e oito passageiros – entre eles as três filhas do governador. Todos saíram do acidente apenas com ferimentos leves.
Investigações
Parte traseira do avião ficou quase intacta, e nove pessoas sobreviveram à tragédia do ADC 53 na Nigéria, em 2006 • Reprodução/Youtube
As investigações foram conduzidas pelo antigo Bureau de Investigação de Acidentes (AIB, na sigla em inglês) da Nigéria, renomeado atualmente para Gabinete de Investigação de Segurança, com ajuda do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) dos Estados Unidos.
A perícia concluiu que houve “erro do piloto e fenômeno meteorológico adverso”: ao atravessar a tempestade, o avião sofreu uma microexplosão descendente (que acontece quando uma coluna de ar extremamente densa e fria despenca de uma nuvem de tempestade em alta velocidade), perdendo repentinamente a sustentação do ar.
Além disso, o “nariz” da aeronave ficou excessivamente para cima, na tentativa de ganhar altitude, interrompendo o fluxo de ar para os motores Pratt & Whitney JT8D-15. O erro primário, no entanto, foi a decisão dos pilotos em decolar em condições perigosas e desfavoráveis, contrariando avisos explícitos e procedimentos padrão.
O relatório apontou ainda que o radar primário do aeroporto de Abuja estava desligado no momento do acidente, atrasando por alguns minutos a localização exata dos destroços pelas equipes de resgate. Havia irregularidades ainda na licença de voo do primeiro oficial.
Melhorias
A tragédia do Voo 53 repercutiu, gerando comoção nacional e uma onda de protestos no país sem precedentes. Entre 1995 e 2006, foram mais de 500 mortos em acidentes aéreos na Nigéria.
Para dar uma resposta, o então presidente Olusegun Obasanjo exonerou e remanejou o Ministro da Aviação, Babalola Borishade, ordenando uma varredura completa nas companhias aéreas. A ADC Airlines teve sua licença operacional suspensa por tempo indeterminado e encerrou definitivamente suas atividades em 2007.
Além disso, passou a ser obrigatório para todos os pilotos comerciais do país o treinamento periódico de procedimentos de reconhecimento e recuperação de windshear (mudança brusca na direção ou na velocidade do vento em uma curta distância ou intervalo de tempo) em simuladores de voo. Desde então, a Nigéria reduziu radicalmente seus índices de acidentes na aviação comercial.
Muito antes da chegada dos europeus à América, a Amazônia já abrigava cidades conectadas por estradas, com praças, moradias e áreas destinadas ao cultivo de alimentos. Vestígios dessas construções, que começaram a surgir há cerca de 2.500 anos, foram identificados no Equador e revelam uma extensa rede de comunidades escondida sob a vegetação.
A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista Science, em janeiro de 2024, sob a liderança do arqueólogo francês Stéphen Rostain. Para investigar a região, os pesquisadores combinaram escavações realizadas ao longo de décadas com imagens obtidas pela tecnologia LiDAR, que utiliza pulsos de laser para mapear o relevo mesmo em áreas cobertas pela floresta.
O que o laser encontrou na floresta amazônica?
No Vale do Upano, próximo à Cordilheira dos Andes, foram identificadas mais de 6 mil plataformas de terra e pelo menos 15 assentamentos, espalhados por aproximadamente 300 quilômetros quadrados. Muitas plataformas estavam distribuídas ao redor de praças e provavelmente sustentavam construções de madeira.
Entre os achados mais impressionantes estão as estradas que ligavam diferentes comunidades. Algumas eram largas, retas e escavadas no terreno, formando uma rede de caminhos que se estendia por vários quilômetros e facilitava a circulação entre os núcleos habitados.
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Os pesquisadores também encontraram vestígios de terraços agrícolas, campos de cultivo e sistemas de drenagem. Essas estruturas indicam que os moradores adaptavam o terreno às necessidades do cotidiano, combinando espaços de moradia com áreas destinadas à produção de alimentos.
Quem eram os habitantes dessas antigas cidades?
As construções estão associadas principalmente às culturas Kilamope e Upano, que viveram na região em diferentes períodos. De acordo com as análises arqueológicas, a construção das primeiras plataformas começou por volta de 500 a.C., enquanto a ocupação ligada a esses grupos se estendeu até aproximadamente 300 a 600 d.C.
As estradas e a disposição das construções sugerem que os habitantes mantinham relações entre diferentes comunidades. A existência de praças e áreas agrícolastambém mostra que havia uma organização dos espaços utilizados para morar, circular e produzir alimentos.
Os vestígios ajudam a reconstruir a história da Amazônia antes da colonização europeia e mostram que populações indígenas já construíam estradas, organizavam comunidades e cultivavam alimentos em áreas da floresta há milhares de anos.
O acúmulo massivo de uma alga marinha conhecida como sargaço alterou a paisagem de praias paradisíacas no Caribe mexicano, criando o fenômeno chamado de “mar de chocolate”.
Além do impacto visual na Riviera Maya e no estado de Quintana Roo, a matéria orgânica em decomposição exala um odor de ovo podre e gera gás sulfeto de hidrogênio, uma substância tóxica que acende alertas de saúde e preservação ambiental na região.
Como surge o fenômeno e por que o odor é tão forte?
Cientistas apontam que a proliferação acelerada do sargaço decorre do aquecimento das águas oceânicas. O ciclo de presença das algas, que costumava durar entre dois e três meses, estendeu-se para um período crítico de até nove meses por ano.
Projeções de autoridades ambientais indicam que o volume recolhido nas praias deve ultrapassar 131 mil toneladas até o fim do ano, superando o recorde anterior de 105 mil toneladas.
A decomposição das algas ocorre entre 24 e 48 horas após a chegada à costa. Nesse intervalo, há a liberação do sulfeto de hidrogênio. Além disso, o sargaço pode filtrar metais pesados, como o arsênio, para a areia da praia, impactando a biodiversidade local.
Brian LaPointe, professor do Harbor Branch Oceanographic Institute da Universidade Atlântica da Flórida, destaca a necessidade de integrar sistemas de observação via satélite a intervenções coordenadas.
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Prejuízos financeiros e impacto no turismo
A crise afeta diretamente a economia local. De acordo com o vereador de Tulum, Elheno Barbacano, a redução no fluxo de turistas é severa, prejudicando hotéis, restaurantes e o comércio. Para conter os danos estéticos e operacionais, trabalhadores realizam diariamente a remoção manual e mecânica das algas nas praias.
O governo de Quintana Roo estima que o gerenciamento do sargaço custa cerca de US$ 2 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) regional. Especialistas reforçam que a implementação de modelos de previsão e mitigação prévia é fundamental para conter os impactos contínuos no ecossistema e na economia caribenha.
A reforma tradicional de cozinha arranca azulejos velhos, levanta poeira de argamassa e gera até cinco dias de barulho e entulho. Existe um caminho diferente: placas autoadesivas de gel 3D com efeito tijolinho que colam direto sobre a cerâmica antiga, transformando a parede em poucas horas.
A técnica usa resina de poliuretano flexível com adesivo acrílico de alta fixação. O material adere por contato molecular ao esmalte do azulejo velho, dispensa argamassa e cimento, e resiste a respingos de água e gordura. Este guia mostra como aplicar o revestimento, preparar a superfície e garantir durabilidade.
Como o adesivo de gel adere sobre azulejo antigo sem argamassa
As placas trazem uma camada de adesivo acrílico sensível à pressão (PSA) recoberta por resina de poliuretano com relevo tridimensional. O composto se molda sobre o esmalte cerâmico liso e preenche imperfeições da parede.
A resina de gel simula o acabamento vitrificado do azulejo tradicional. O brilho e a textura conferem resistência contra respingos de água e gordura. A fixação acontece por contato molecular direto, sem necessidade de quebrar alvenaria.
O poliuretano de alta densidade resiste a temperaturas de até 70 °C. A flexibilidade permite cortes milimétricos com estilete para encaixar tomadas e cantoneiras de parede.
Vantagens da placa adesiva frente à reforma tradicional de azulejo
O tempo de instalação cai drasticamente. Enquanto a colocação de azulejo tradicional leva de três a cinco dias com geração de entulho, as placas de gel cobrem cinco metros quadrados em duas a três horas.
A aplicação é totalmente limpa. Não há poeira de argamassa, quebra de cerâmica velha ou remoção de alvenaria. A parede fica pronta no mesmo dia, sem interromper o uso da cozinha.
O custo de mão de obra também diminui. A técnica dispensa pedreiro especializado e não exige transporte de entulho nem caçamba.
Preparação da cerâmica antiga para garantir aderência total
A durabilidade do adesivo depende da descontaminação química do azulejo. Resíduos de gordura de fritura e umidade formam uma barreira oleosa que reduz a força da cola em menos de 30 dias.
Limpe as peças velhas com álcool 70% ou desengordurante neutro. Seque com pano de microfibra até eliminar qualquer vestígio de água. Certifique-se de que os rejuntes antigos estejam secos e sem mofo preto antes de aplicar as primeiras placas.
A superfície precisa estar completamente seca. Aguarde pelo menos 24 horas após a limpeza em áreas com alta umidade, como a região próxima à pia.
Cuidados ao aplicar perto do fogão e da pia
O adesivo resiste ao calor irradiado, mas não deve entrar em contato direto com chamas abertas. Mantenha uma distância mínima de 20 cm entre os queimadores do fogão e o início das placas na parede.
Para garantir acabamento alinhado e impermeável, marque uma linha guia horizontal na parede com nível laser. O padrão de tijolinho fica torto se você confiar apenas no olho.
Utilize régua metálica e lâmina nova de estilete para recortar contornos de interruptores e tomadas. Cortes precisos evitam frestas que acumulam sujeira. Higienize a resina de gel apenas com detergente neutro e água, usando pano macio — esponjas abrasivas de aço arranham o acabamento vitrificado.
As placas autoadesivas descolam com o vapor da água na pia?
Não. O adesivo acrílico é 100% resistente à umidade após 24 horas da cura inicial. O material suporta respingos contínuos da torneira e vapor de cocção sem perder a fixação.
Como retirar as placas adesivas sem danificar a parede no futuro
Aqueça as placas com um secador de cabelo em temperatura média para amolecer a cola acrílica. Puxe as bordas lentamente, começando pelos cantos. A técnica remove o revestimento sem deixar resíduos nem arrancar o esmalte do azulejo original.
Cientistas analisaram o genoma de três pessoas que viveram na Europa há 30.000 anos e descobriram uma conexão de parentesco impressionante. Naquela época, logo após a extinção dos neandertais, florescia no continente a cultura Gravetiana, famosa por espalhar artefatos marcantes como as pequenas estatuetas chamadas de Vênus.
Antes desse estudo, como a ciência só tinha conseguido analisar o DNA de cerca de 24 esqueletos desse período, acreditava-se que as pessoas da Europa Ocidental e da Oriental quase não se misturava. Mas o estudo publicado na revista Science Advances com achados da Espanha, França e Itália mostrou que havia um intenso vaivém de genes entre as duas regiões.
A descoberta incrível na Caverna de Isturitz
A grande peça desse quebra-cabeça veio de um osso de uma mulher que viveu há 30 mil anos no sudoeste da França, na Caverna de Isturitz. O local tem um histórico curioso: além de ter sido usado por neandertais no passado, serviu até para abrigar taças feitas de crânios humanos milênios depois.
O antropólogo Pere Gelabert, da Universidade de Viena, explicou que o DNA dessa mulher tinha a base do oeste europeu, mas trazia marcas claras do leste. Essa mistura ocorreu por um deslocamento de populações que migraram do oriente entre 31.500 e 32.500 anos atrás, mostrando que as fronteiras da época eram bem mais abertas.
Um ponto de encontro movimentado e nada de parentesco
A Caverna de Isturitz funcionava como um verdadeiro ponto de encontro no continente, pois ficava bem no caminho entre a Europa Central e a Península Ibérica. Além disso, a genética revelou que os três indivíduos analisados tinham pele escura, cabelos escuros e olhos escuros.
Outro detalhe interessante é que nenhum dos três era filho de pais aparentados, sinal de que esses grupos caçadores-coletores evitavam o casamento entre parentes próximos (endogamia). No fim das contas, a vida social e o mapa genético da Idade da Pedra eram muito mais dinâmicos do que a gente imaginava!
Praticar dança de salão, ritmos aeróbicos ou expressivos não é apenas uma atividade de lazer, mas uma forma poderosa de exercício físico. Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, fizeram uma revisão de 27 trabalhos envolvendo 1.392 participantes para comprovar essa eficácia.
Esses estudos analisaram a eficácia de intervenções de dança em comparação com outras práticas, revelando que a modalidade traz benefícios comparáveis e em alguns aspectos até superiores aos de atividades físicastradicionais. A prática auxilia no fortalecimento muscular, na melhora da capacidade cardiorrespiratória e no ganho de flexibilidade.
Impacto no cérebro e na redução do estresse
Além do corpo, o cérebro é um dos maiores beneficiados pela dança. A necessidade de memorizar sequências e passos estimula a plasticidade neural, ativando regiões ligadas à memória e prevenindo o declínio cognitivo. Essa constante coordenação motora ajuda a aprimorar o equilíbrio e o foco mental de maneira muito mais dinâmica do que exercícios repetitivos.
Na saúde emocional, a pesquisa destaca que a dança atua como um poderoso aliado no combate à ansiedade e depressão. Ao movimentar o corpo em ritmo musical, ocorre uma intensa liberação de dopamina e endorfina, neurotransmissores responsáveis pelas sensações de bem-estar, reduzindo os níveis de cortisol e aliviando o estresse do dia a dia.
Socialização e aderência ao exercício
Um fator determinante apontado pela análise científica é a interação social proporcionada pela atividade. Dançar em grupo ou em dupla combate o isolamento e promove um sentimento de pertencimento, o que aumenta a motivação e a regularidade dos praticantes no longo prazo.
Por unir esforço físico, estímulo mental e conexão humana em uma prática prazerosa, a dança se consolida como uma alternativa completa para quem busca sair do sedentarismo. Segundo o levantamento, movimentar-se ao som de uma música é uma das estratégias mais eficientes e sustentáveis para manter o corpo e a mente saudáveis.
No século 3, quando a Alemanha ainda fazia parte das fronteiras do Império Romano, um morador de Nida (região da atual Frankfurt) foi enterrado carregando uma relíquia no pescoço: uma cápsula com uma delicada folha de prata enrolada.
Dentro do pequeno invólucro, escondia-se uma prece clamando por proteção divina contra males e doenças direcionada a Jesus Cristo, Filho de Deus.
Resgatada em 2018 no distrito de Praunheim, a peça só teve seu conteúdo revelado em 2024 graças à tomografia computadorizada, técnica que permitiu ler a mensagem sem danificar o metal. A descoberta antecipa em várias décadas a chegada do cristianismo àquela região e traz à tona um formato de devoção que a história oficial acabou apagando.
Crente de fachada ou cristão sem dogmas?
O especialista Santiago Guijarro, da Universidade Pontifícia de Salamanca, destaca que o dono do amuleto não se encaixa no perfil tradicional do fiel rígido. Ele provavelmente usava orações cristãs como escudo pessoal, mas sem deixar de cumprir os rituais e oferendas pagãs exigidos pelo Estado romano.
Para a cúpula da Igreja da época, o cristão só era reconhecido como tal se seguisse à risca as regras dos bispos. Esse achado arqueológico dá voz a uma multidão invisível que adaptava a fé ao seu cotidiano, misturando costumes em uma época em que o cristianismo primitivo era muito mais flexível do que dizem os livros sagrados.
A pressão de Roma e o choque de deuses
Entre os anos 230 e 260 d.C., período estimado da sepultura pelo Museu Arqueológico de Frankfurt, o imperador Décio decretou a obrigatoriedade de cultuar as divindades imperiais. Em Nida, santuários dedicados a Júpiter e Apolo movimentavam a vida social da cidade com banquetes e sacrifícios rituais, como confirmam escavações recentes da Universidade Goethe.
Pressionados pela perseguição, muitos fiéis recorriam a brechas: realizavam as cerimônias pagãs ou compravam certificados falsos emitidos por autoridades locais para comprovar lealdade ao império. Documentos em papiro achados no Egito provam que essa prática era comum entre a população.
Perdão bispal e a coexistência de crenças
O dilema de render-se aos rituais romanos gerou um racha profundo entre as lideranças eclesiásticas. Cartas do bispo Cipriano de Cartago mostram intensos debates para decidir como acolher de volta os chamados lapsi (os cristãos que haviam fraquejado sob pressão), provando que a obediência civil e a fé em Cristo andavam lado a lado na vida prática.
O amuleto alemão reforça que era perfeitamente possível recorrer a Cristo para proteção diária sem ter qualquer vínculo formal com a comunidade cristã. As fronteiras religiosas de 1.800 anos atrás eram fluidas, bem diferentes das divisões rígidas impostas mais tarde pelos concílios.
Versículos inéditos e mistério histórico
A oração do amuleto traz 18 linhas escritas com passagens da Carta aos Filipenses, sendo o registro em latim mais antigo já encontrado desse texto bíblico. Diferente de outras simpatias da época, o escrito não cita deuses pagãos, repetindo o mantra “santo, santo, santo” para blindar o portador.
O texto traz ainda um mistério não resolvido: uma possível menção a São Tito, auxiliar do apóstolo Paulo. A referência intriga os historiadores porque o culto a esse santo só ganharia força séculos depois, o que deixa o trecho aberto a novas análises acadêmicas.
Metal protetor e as proibições da Igreja
Na Antiguidade, enquanto o chumbo servia para lançar pragas, a prata era usada como escudo espiritual contra o azar e enfermidades. O hábito de pendurar orações no pescoço tornou-se tão popular que, tempo depois, o Concílio de Laodiceia proibiu expressamente o próprio clero de confeccionar amuletos, ameaçando expulsar os sacerdotes que mantivessem a prática.
O caso do homem de Frankfurt mostra aos arqueólogos que possuir um objeto com dizeres sagrados não significa, necessariamente, pertencimento a uma religião organizada. Ao resgatar a trajetória desses fiéis esquecidos, a ciência constrói uma narrativa muito mais rica, plural e honesta sobre os primeiros séculos do cristianismo.