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De farmacêutica a “rainha do crime”: a ciência por trás de Agatha Christie

29 October 2026 at 18:45

Antes de se tornar uma das autoras mais vendidas de todos os tempos, Agatha Christie trabalhou em uma farmácia em sua cidade natal, Torquay, na Inglaterra, a serviço de alguém a quem ela se referiu em suas memórias apenas como Sr. P.

O Sr. P. carregava no bolso um pedaço escuro de curare, um veneno capaz de paralisar e matar rapidamente. Ele andava com a substância porque ela o fazia “se sentir poderoso”, escreveu ela em “Agatha Christie: Uma Autobiografia”. Christie não pôde deixar de notar que, apesar da “aparência angelical” do Sr. P., esse tipo de comportamento poderia torná-lo um “homem perigoso”.

 

 

Em outra ocasião, a mente afiada de Christie percebeu um erro cometido pelo Sr. P. enquanto ele lhe mostrava como incorporar medicamentos a supositórios e, sem querer, acrescentou uma dose 10 vezes maior do que a necessária.

Ao perceber que o Sr. P. não daria ouvidos a uma “garotinha” que apontasse seu erro, Christie teve a ideia astuta de derramar o medicamento no chão e “pisar nele com firmeza” para impedir que a droga perigosa fosse colocada nas prateleiras da loja, segundo suas memórias.

A centelha para os envolventes romances policiais de Christie surgiu nesse ambiente inesperadamente sinistro, enquanto a Primeira Guerra Mundial se desenrolava ao fundo. Ao longo da vida, ela construiria um profundo conhecimento da ciência dos venenos, que a ajudou a deixar um legado duradouro no mundo literário e além dele.

Depois que Christie deixou a loja do Sr. P., ela começou a se formar como farmacêutica no hospital de Torquay, em 1916. Foi aí que a semente de uma história começou a germinar em sua mente. Um livro didático chamado “The Pharmaceutical Pocket Book — for Practitioners & Students” (“O Livro de Bolso Farmacêutico — para Profissionais e Estudantes”, em tradução livre), que ela leu para se preparar para as provas, inspirou a arma do crime em seu romance de estreia, de 1920, “O Misterioso Caso de Styles”: a estricnina, uma neurotoxina que já foi usada em doses minúsculas como estimulante, combinada com outras drogas para matar a vítima.

Agora, os visitantes podem ver seu exemplar pessoal do livro de bolso, com manchas misteriosas e “A. Christie” rabiscado no canto superior direito, em uma nova exposição, “Agatha Christie: A World of Mystery” (“Agatha Christie: Um Mundo de Mistério”, em tradução livre).

Com abertura em 30 de outubro na Biblioteca Britânica, em Londres, a exposição marca a primeira vez que o pequeno livro — e muitos dos mais de 200 itens cedidos por sua família e pelo espólio — estarão expostos ao público, segundo a curadora-chefe da mostra, Lucy Rowland.

O livro didático era um dos muitos artefatos que revelam o quanto de pesquisa havia no trabalho de Christie, e uma prova concreta de que a autora tinha um profundo entendimento de medicamentos e misturas químicas mortais, afirma Rowland.

As descrições precisas de venenos feitas por Christie, que servem de arma do crime em 41 de seus 66 romances policiais, continuam válidas até hoje.

“Era muito fácil ler Christie na adolescência e não perceber que eu estava aprendendo ciência”, diz Kathryn Harkup, ex-química e autora de “A Is for Arsenic: The Poisons of Agatha Christie” (“A de Arsênico: Os Venenos de Agatha Christie”, em tradução livre). “É comunicação científica furtiva no seu auge. A trama, a habilidade técnica necessária para transmitir ideias científicas complexas de um jeito que você nem percebe… Meu Deus, que talento.”

E suas histórias de mistério e assassinato, com base científica, podem até ter ajudado a resolver crimes reais: seus primeiros dias trabalhando com o Sr. P., em particular, inspiraram diretamente obras posteriores que podem ter evitado casos de envenenamento.

Christie por trás da fachada

Christie continua sendo a rainha incontestável do crime 50 anos após sua morte, e também uma espécie de enigma.

Publicamente, Christie se mantinha humilde, referindo-se a si mesma, em frase famosa, como uma “máquina de salsichas”, da qual se esperava que produzisse sucesso após sucesso para seus editores.

“Tudo isso faz parte da construção dessa persona que não ameaça nem assusta o público”, afirma Jamie Bernthal-Hooker, estudioso de Christie e pesquisador visitante de inglês e escrita criativa da Universidade de Suffolk, no Reino Unido. “Ainda hoje, as pessoas têm medo de mulheres inteligentes e poderosas. Gosto de dizer que a maior criação ficcional dela foi Agatha Christie.”

Novas explorações, como a exposição da Biblioteca Britânica, estão trazendo novas percepções sobre essa mulher aventureira, que acompanhou as mudanças radicais de sua época, de 1890 a 1976.

“Nos primeiros 11 anos da vida dela, a rainha Vitória está no trono”, diz Mark Aldridge, historiador de Christie e professor associado de histórias da tela na Universidade Southampton Solent, no Reino Unido. “Quando ela está escrevendo seus livros no fim dos anos 1960, vê a chegada do homem à Lua. Sempre defendi que, se ela tivesse vivido mais alguns anos e visto ‘Star Wars’, em 1977, teria escrito ‘Assassinato no Espaço’, porque amava as novidades.”

Embora Christie não tivesse educação formal, sua curiosidade e seu espírito observador guiaram a forma como ela enxergava o mundo. Ela também tinha uma imaginação fértil, provavelmente por vir de uma família de contadores de histórias que adoravam viajar, segundo seu bisneto James Prichard, presidente e CEO da Agatha Christie Limited, empresa que administra os direitos de suas obras. A literatura, o teatro e as óperas alimentaram ainda mais seu interesse em criar histórias próprias.

Antes de se tornar uma autora publicada e de trabalhar em farmácia, Christie foi inicialmente voluntária como enfermeira aos 24 anos e cuidou de soldados feridos no Hospital da Cruz Vermelha de Torquay em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Com o marido na guerra, Christie sentiu-se motivada a ajudar da forma que pudesse.

Ela precisou aprender na prática, passando rapidamente de enrolar bandagens a cuidar de soldados feridos. Christie admite em suas memórias que se sentiu “desonrada” por ter ficado tonta ao ver sangue e ferimentos na primeira vez que presenciou uma cirurgia, mas isso não voltaria a acontecer. Christie aprendeu a se fortalecer e desviava o olhar durante as incisões com bisturi.

Ela gostou tanto da enfermagem que Christie chegou a refletir que, se não tivesse se casado, provavelmente teria “se formado como uma verdadeira enfermeira hospitalar” depois da guerra. Em 1916, ela mudou de área para aprender a preparar medicamentos e ajudar a farmácia, que estava com falta de pessoal.

As percepções de Christie, extraídas de suas ricas experiências de vida, estão sutil e habilmente entrelaçadas em seus romances e ajudaram a consolidar a autora como uma gênia à frente de seu tempo.

Em especial, Christie aprimorou sua atenção aos detalhes durante o extenso treinamento em farmácia para o Exame de Assistente da Sociedade dos Boticários, em 1917. Certa noite, ao acordar em pânico, ela correu de volta à farmácia do Hospital de Torquay, preocupada por ter contaminado acidentalmente uma pomada durante os preparos da tarde. Ela verificou cada um dos potes de pomada só para ter certeza, segundo suas memórias.

Essa experiência pessoal aparece em seu romance de estreia, “O Misterioso Caso de Styles”, quando a personagem Cynthia Murdoch, voluntária em uma farmácia, diz: “Se vocês soubessem como é fatalmente fácil envenenar alguém por engano, não fariam piada com isso.”

Caneta envenenada

Havia uma linha tênue, Christie percebeu, entre a natureza benéfica e a prejudicial dos medicamentos. Medir ou misturar um medicamento de forma inadequada poderia transformar uma cura que salva vidas em uma substância letal, como os visitantes da exposição podem constatar ao passar por uma farmácia cenográfica.

Em exibição, um poema de 1925 escrito em tinta azul, intitulado “Na Farmácia”, também reflete suas ideias sobre esse equilíbrio perigoso: “Aqui há ameaça, e assassinato e morte súbita — nestes frascos de verde e azul.”

A exposição apresenta frascos de diferentes medicamentos que, na época de Christie, poderiam facilmente ser considerados venenos se usados ​​de forma inadequada ou em altas doses
A exposição apresenta frascos de diferentes medicamentos que, na época de Christie, poderiam facilmente ser considerados venenos se usados ​​de forma inadequada ou em altas doses • Grupo do Museu de Ciências

Como escritora de ficção, Christie não era obrigada a ser precisa, mas tinha o maior cuidado para evitar quaisquer erros em suas obras, e esse conhecimento transparecia em sua escrita sem floreios adicionais. Outros autores de crime contemporâneos, como Dorothy L. Sayers, muitas vezes incluíam detalhes supérfluos para mostrar que haviam feito a lição de casa, mas Christie não, diz Harkup.

A resenha de seu primeiro romance que mais agradou a Christie foi publicada no “The Pharmaceutical Journal”, que elogiou seu conhecimento e seu uso da estricnina, em vez de substâncias fictícias e indetectáveis que tantas vezes eram culpadas pelos crimes em outras histórias. “A senhorita Agatha Christie conhece seu ofício”, escreveu o resenhista.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Christie, já uma autora conhecida, estudou novamente para trabalhar na farmácia do University College London, onde o farmacêutico-chefe Harold Davis sugeriu o uso do tálio como veneno em um de seus romances.

Christie combinou a recomendação com suas observações anteriores sobre o Sr. P., que serviu de inspiração para o farmacêutico perverso em seu romance de 1961, “O Cavalo Amarelo”.

O enredo gira em torno da ciência contra a superstição, segundo Aldridge, da Universidade Southampton Solent, que analisou o livro com o colega escritor e podcaster Gray Robert Brown em um podcast e no futuro livro “The Swinging Christies”. A vítima de “O Cavalo Amarelo” parece ter sido amaldiçoada por bruxas, mas, alerta de spoiler, na verdade é morta lentamente com um veneno incomum: o tálio.

Apelidado de “veneno do envenenador”, a substância tóxica, insípida e inodora, age lentamente e imita o potássio no organismo, o que dificulta sua detecção, até que seja tarde demais.

Christie auxiliou Mallowan em suas escavações na Síria e no Iraque, aprendendo fotografia para documentar artefatos
Christie auxiliou Mallowan em suas escavações na Síria e no Iraque, aprendendo fotografia para documentar artefatos • The Christie Archive Trust

No livro, duas mulheres brigam e puxam os cabelos uma da outra. Uma delas perde uma grande quantidade de cabelo pela raiz e morre pouco depois. É uma pista sobre os acontecimentos sinistros do romance e sobre o culpado: o envenenamento por tálio causa queda de cabelo.

O uso do tálio por Christie no romance é tão preciso que foi creditado por ter salvado a vida de duas pessoas.

Ela recebeu uma carta em 1975 de uma jovem da América do Sul, por exemplo, que dizia que a leitura de “O Cavalo Amarelo” a fez perceber que um conhecido estava sendo envenenado lentamente pela esposa, conta Harkup.

“Mas disto tenho absoluta certeza: se eu não tivesse lido ‘O Cavalo Amarelo’ e, assim, aprendido sobre os efeitos do envenenamento por tálio, X não teria sobrevivido”, diz a carta, conforme citada no livro de Harkup, “A Is for Arsenic”. “Foi apenas o tratamento imediato que o salvou; e os médicos, mesmo que ele tivesse ido ao hospital, não teriam sabido a tempo qual era o problema.”

Após a morte de Christie, uma enfermeira londrina chamada Marsha Maitland, que também havia lido o romance, conseguiu identificar os sintomas de envenenamento por tálio em uma criança doente de 19 meses, em 1977.

A menina, que adoeceu misteriosamente, foi levada a Londres, onde Maitland sugeriu que os estranhos sintomas coincidiam com os descritos em “O Cavalo Amarelo”. O tálio, ingrediente de um inseticida usado para matar pragas na casa da criança, foi confirmado por exame de urina: o bebê o havia ingerido acidentalmente. Com o tratamento, a criança se recuperou totalmente em quatro meses.

Os médicos responsáveis pelo bebê publicaram um artigo sobre o caso naquele mesmo ano, que incluía um agradecimento com os seguintes dizeres: “Somos gratos à falecida Agatha Christie por suas excelentes e perspicazes descrições e à enfermeira Maitland por nos manter atualizados sobre a literatura.”

Uma gênia silenciosa

A máquina de escrever Remington de Christie, de 1937, funcionava como um laptop, permitindo que ela escrevesse a partir de sítios arqueológicos
A máquina de escrever Remington de Christie, de 1937, funcionava como um laptop, permitindo que ela escrevesse a partir de sítios arqueológicos • The Christie Archive Trust

Depois da Segunda Guerra Mundial, Christie nunca mais trabalhou em uma farmácia, mas acompanhou o mundo em rápida transformação da medicina por meio de leituras e da comunicação com um impressionante grupo de especialistas. Suas histórias da década de 1960 chegaram a incluir menções a drogas recreativas cada vez mais populares.

“Ela sabe o que está fazendo. Poderia ter escapado impune” de um assassinato, se quisesse, diz Aldridge.

Em vez de depender de pistas reunidas silenciosamente fora das páginas ou dentro da mente de um detetive como Sherlock Holmes, os leitores de Christie sempre recebem todos os fatos necessários para resolver o caso.

“Ela sempre joga limpo com seus leitores, só que joga em um nível diferente do resto de nós, meros mortais”, diz Harkup. “Você deveria ser capaz de descobrir. Mas provavelmente não vai.”

Seus crimes são higienizados: raramente há menção a fluidos corporais nas páginas. Mas o veneno, que tantas vezes serviu de arma mortal em seus livros, deu a Christie um arsenal literário intrigante para os assassinos.

“Sentar, pensar, planejar, adquirir e administrar um veneno e depois esperar que ele faça efeito é um nível extra de maldade que acho que nos fascina”, afirma Harkup.

Escondidas na prosa enganosamente simples de Christie estão pistas de quão profundamente ela entendia as melhores e as piores nuances da natureza humana, explica Michelle Kazmer, reitora da Faculdade de Comunicação e Informação e professora da Escola de Informação da Universidade do Estado da Flórida.

“Agatha Christie tinha mais a dizer sobre os grandes conceitos do que significa ser humano e, de maneira muito multifacetada, abordou questões como amor, justiça, bem e mal”, diz Kazmer, que também estudou a obra de Christie.

De acordo com o Guinness World Records, Christie é reconhecida como a autora mais traduzida de todos os tempos
De acordo com o Guinness World Records, Christie é reconhecida como a autora mais traduzida de todos os tempos • The Christie Archive Trust

Ao lado de seus cenários de envenenamento cientificamente críveis, vários médicos e farmacêuticos aparecem nos romances de Christie, às vezes como vítimas, outras vezes como assassinos, mostrando como seus primeiros contatos com o mundo da medicina nunca saíram de sua mente.

“Você não é bom nessas coisas se não tiver algum tipo de interesse”, afirma Prichard, bisneto de Christie. “Não acho que ela tenha entrado no hospital no começo da Primeira Guerra Mundial sabendo que se interessaria, mas acho que esse interesse cresceu. E permaneceu com ela pela vida toda.”

Agatha Christie: 5 livros para conhecer a obra da “rainha do crime”

 

Jurista que votou em Flávio reconhece urnas, mas vê interferência do STF

29 October 2026 at 18:15

O jurista Ives Gandra, que votou em Flávio Bolsonaro (PL) para chefiar o Palácio do Planalto, defendeu o resultado das urnas eletrônicas após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse à CNN Brasil que o STF (Supremo Tribunal Eleitoral) interferiu nas eleições.

Na avaliação do advogado, a Corte tomou decisões monocráticas que cabiam ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, com isso, violou a Constituição de 1988.

Uma das decisões diz respeito ao despacho do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação das 17h para as 19h, após relatos de dificuldade no transporte público em capitais como São Paulo e Salvador.

“Houve uma interferência do Supremo Tribunal Federal […] quase sempre de forma monocrática e não colegiada, e, com essa interferência, não se sabe avaliar qual foi o impacto em relação às eleições”, afirmou à CNN Brasil.

Gandra ainda afirmou que Flávio Bolsonaro errou ao se autodeclarar presidente do Brasil após a derrota nas urnas. “Ele [Flávio] fez um erro em dizer que era o presidente eleito. […] O povo votou no presidente Lula, mas de rigor, depois ele corrigiu, o que fez bem”, completou.

Para o jurista, Flávio “acertou no sentido de sair do Brasil“, porque “vai continuar com a liberdade de poder dizer o que pensa sobre o que está acontecendo”.

Gandra, que é um opositor histórico do PT (Partido dos Trabalhadores) e foi um dos principais nomes a elaborar o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, também criticou o gasto das contas públicas de Lula.

“Resta saber se ele vai ou não encontrar um excepcional ministro da Fazenda que consiga corrigir todos os erros praticados durante [os últimos] quatro anos, ou esfrangalhar as contas públicas brasileiras”, concluiu.

Entenda o caso

O ex-candidato Flávio Bolsonaro fugiu do país após perder o segundo turno da eleição presidencial contra Lula. O senador foi para Miami, nos Estados Unidos, com a esposa, Fernanda, e as duas filhas na última terça-feira (27).

O sumiço de Flávio ocorreu depois de a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira (26). O filho de Jair Bolsonaro (PL) teria até as 11h para fornecer os documentos à corporação, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, o que não ocorreu.

Com isso, a PF cancelou tanto o passaporte comum quanto o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.

Mesmo assim, a apuração da CNN Brasil indica que Flávio entrou nos EUA com o passaporte diplomático que a PF cancelou. Na Argentina, ele teria entrado com a cidadania italiana.

A medida da PF se baseou no receio de fuga de Flávio do Brasil em meio ao inquérito contra o senador por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A abordagem também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse numa entrevista apoiar a saída de Flávio do Brasil caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).

Flávio chegou aos EUA na quarta-feira (28), em um voo que saiu da Argentina e fez um pouso no Equador. Depois disso, o ex-candidato publicou uma carta com teor golpista, na qual se autodeclarava presidente do Brasil e questionava o resultado das eleições no país.

 

Presidente do TCE-MT recebeu R$ 15,4 milhões em “folha paralela”, diz STJ

29 October 2026 at 17:45

O presidente do TCE-MT (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso), Sérgio Ricardo de Almeida, recebeu R$ 15,4 milhões em pagamentos suspeitos em menos de dez meses, segundo decisão judicial que determinou sua prisão preventiva nesta quinta-feira (29). De acordo com o documento, o valor foi retirado em dinheiro vivo em cerca de 150 saques.

A decisão aponta a suspeita de que o dinheiro fazia parte de um esquema de favorecimento de empresas contratadas pelo tribunal. Segundo a investigação, para que o tribunal mantivesse contratos com algumas empresas, elas deveriam devolver parte dos valores recebidos a pessoas ligadas ao presidente do TCE-MT.

A apuração começou após uma denúncia anônima de que Sérgio Ricardo teria encerrado contratos com algumas empresas sob a justificativa de contenção de gastos, mas mantido e ampliado os pagamentos a outras. Segundo dados do Portal da Transparência citados na decisão, os pagamentos mensais do tribunal teriam aumentado de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões durante o período.

Entre as empresas mencionadas estão a NSA Serviços Terceirizados e a TIS Publicidade. Conforme a denúncia, elas teriam registrado aumentos de 327% e 291% nas receitas, respectivamente, enquanto outros fornecedores permaneciam sem receber.

A decisão também cita relatórios de inteligência financeira que identificaram saques frequentes e de alto valor nas contas de Sérgio Ricardo. Em algumas ocasiões, segundo a PF, as retiradas teriam ocorrido em valores imediatamente inferiores aos limites de comunicação automática ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

“O presidente do TCE/MT seria o responsável por liderar estrutura composta por operadores financeiros destinada à conversão, em dinheiro vivo, de valores retirados dos cofres da instituição”, diz a decisão.

Ao justificar a prisão preventiva, o ministro OG Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) afirma que o cargo de presidente do TCE-MT dá a Sérgio Ricardo poder de influência sobre servidores, contratos e setores envolvidos nos pagamentos investigados. Esse poder, segundo o magistrado, poderia favorecer a continuidade das irregularidades e interferir na produção de provas.

Conforme mostrou a CNN, a prisão ocorreu no âmbito da operação Tomada de Contas, que investiga possíveis irregularidades na gestão de contratos administrativos e no pagamento a servidores do tribunal. Os fatos apurados podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

TSE decide que agressão contra a mulher pode tornar candidato inelegível

29 October 2026 at 16:03

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu por unanimidade que condenações por lesão corporal contra a mulher podem implicar inelegibilidade por se enquadrarem na categoria de crimes contra a vida.

Na sessão plenária desta quinta-feira (29), a Corte também fez um apelo ao Congresso Nacional para que alterassem com urgência a legislação eleitoral, de forma que ela passe a prever expressamente a inelegibilidade de pessoas condenadas por crimes de violência contra a mulher.

O entendimento foi firmado durante o julgamento de um recurso sobre a candidatura de João Francisco de Assis Neto, conhecido como Dr. João Neto, que pretendia disputar uma vaga de deputado federal por Alagoas nas eleições de 2026. Os ministros negaram o recurso e mantiveram a decisão do tribunal regional, que havia barrado a candidatura.

Relator do caso, o ministro Dias Toffoli afirmou que a decisão não cria uma nova regra de inelegibilidade, mas define como deve ser aplicada uma previsão que já existe na lei, que impede a candidatura de pessoas condenadas por determinados crimes, entre eles os crimes contra a vida. Segundo ele, condenações por lesão corporal contra a mulher podem se enquadrar nessa previsão.

Toffoli argumentou a favor de sua posição com base em mudanças na legislação feitas em 2024, que aproximaram as definições legais de feminicídio e de lesão corporal contra a mulher por razões de gênero. Segundo o ministro, esse avanço na lei deve ser considerado na análise dos casos de inelegibilidade.

“Aqui não se está a criar uma nova causa de inelegibilidade nem a incluir por analogia um delito não encontrado ali, mas trata-se de definir o alcance material da categoria dos crimes contra a vida mediante o mesmo mérito interpretativo utilizado pelo TSE”, disse.

A decisão foi acompanhada por todos os ministros. O ministro Sebastião Reis Júnior, por exemplo, afirmou que o tribunal não poderia separar a agressão física contra mulher do risco à vida, pois estaria subestimando a “real dinâmica da violência”.

O ministro Floriano de Azevedo Marques concordou e afirmou que o feminicídio normalmente acontece somente após uma série de agressões.

Durante os votos e discussões, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva propôs que o TSE encaminhe um apelo à Câmara dos Deputados e ao Senado para que o Congresso atualize a Lei de Inelegibilidades.

A ideia é incluir de forma explícita na legislação a proibição de candidatura para pessoas condenadas por violência contra a mulher, de forma que o entendimento fixado hoje pelo TSE deixe de ser apenas uma jurisprudência e passe a ser lei.

Um projeto de lei complementar que prevê a inelegibilidade de pessoas condenadas por crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher já tramita no Senado Federal.

A proposta prevê que a restrição valha para condenações definitivas ou confirmadas por um colegiado de juízes e dure oito anos após o cumprimento da pena. O texto, porém, está parado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado desde maio de 2025.

O ministro Kassio Nunes Marques reservou o momento de seu voto para ressaltar a importância da decisão e esclarecer que o TSE não estava legislando e que é muito comum que a Justiça interprete as leis antes que o Congresso faça mudanças expressas no texto.

“Esse é um momento histórico para o TSE. Mas o que estamos a fazer nada mais é do que sempre ocorreu: a jurisprudência chegando à frente da norma. É muito comum que os tribunais agasalhem o sistema positivado e incidam sobre determinado fato antes que o próprio parlamento venha a aperfeiçoar suas normas”, disse o presidente da Corte Eleitoral.

Adeus pedreiro? Placas de gel 3D renovam cozinha sem quebradeira

29 October 2026 at 12:02

A reforma tradicional de cozinha arranca azulejos velhos, levanta poeira de argamassa e gera até cinco dias de barulho e entulho. Existe um caminho diferente: placas autoadesivas de gel 3D com efeito tijolinho que colam direto sobre a cerâmica antiga, transformando a parede em poucas horas.

A técnica usa resina de poliuretano flexível com adesivo acrílico de alta fixação. O material adere por contato molecular ao esmalte do azulejo velho, dispensa argamassa e cimento, e resiste a respingos de água e gordura. Este guia mostra como aplicar o revestimento, preparar a superfície e garantir durabilidade.

Como o adesivo de gel adere sobre azulejo antigo sem argamassa

As placas trazem uma camada de adesivo acrílico sensível à pressão (PSA) recoberta por resina de poliuretano com relevo tridimensional. O composto se molda sobre o esmalte cerâmico liso e preenche imperfeições da parede.

A resina de gel simula o acabamento vitrificado do azulejo tradicional. O brilho e a textura conferem resistência contra respingos de água e gordura. A fixação acontece por contato molecular direto, sem necessidade de quebrar alvenaria.

O poliuretano de alta densidade resiste a temperaturas de até 70 °C. A flexibilidade permite cortes milimétricos com estilete para encaixar tomadas e cantoneiras de parede.

Vantagens da placa adesiva frente à reforma tradicional de azulejo

O tempo de instalação cai drasticamente. Enquanto a colocação de azulejo tradicional leva de três a cinco dias com geração de entulho, as placas de gel cobrem cinco metros quadrados em duas a três horas.

A aplicação é totalmente limpa. Não há poeira de argamassa, quebra de cerâmica velha ou remoção de alvenaria. A parede fica pronta no mesmo dia, sem interromper o uso da cozinha.

O custo de mão de obra também diminui. A técnica dispensa pedreiro especializado e não exige transporte de entulho nem caçamba.

Preparação da cerâmica antiga para garantir aderência total

A durabilidade do adesivo depende da descontaminação química do azulejo. Resíduos de gordura de fritura e umidade formam uma barreira oleosa que reduz a força da cola em menos de 30 dias.

Limpe as peças velhas com álcool 70% ou desengordurante neutro. Seque com pano de microfibra até eliminar qualquer vestígio de água. Certifique-se de que os rejuntes antigos estejam secos e sem mofo preto antes de aplicar as primeiras placas.

A superfície precisa estar completamente seca. Aguarde pelo menos 24 horas após a limpeza em áreas com alta umidade, como a região próxima à pia.

Cuidados ao aplicar perto do fogão e da pia

O adesivo resiste ao calor irradiado, mas não deve entrar em contato direto com chamas abertas. Mantenha uma distância mínima de 20 cm entre os queimadores do fogão e o início das placas na parede.

Para garantir acabamento alinhado e impermeável, marque uma linha guia horizontal na parede com nível laser. O padrão de tijolinho fica torto se você confiar apenas no olho.

Utilize régua metálica e lâmina nova de estilete para recortar contornos de interruptores e tomadas. Cortes precisos evitam frestas que acumulam sujeira. Higienize a resina de gel apenas com detergente neutro e água, usando pano macio — esponjas abrasivas de aço arranham o acabamento vitrificado.

As placas autoadesivas descolam com o vapor da água na pia?

Não. O adesivo acrílico é 100% resistente à umidade após 24 horas da cura inicial. O material suporta respingos contínuos da torneira e vapor de cocção sem perder a fixação.

Como retirar as placas adesivas sem danificar a parede no futuro

Aqueça as placas com um secador de cabelo em temperatura média para amolecer a cola acrílica. Puxe as bordas lentamente, começando pelos cantos. A técnica remove o revestimento sem deixar resíduos nem arrancar o esmalte do azulejo original.

5 pontos para ter cozinha mais higiênica

 

Waack: Recuo de carta golpista não preserva capital de Flávio

29 October 2026 at 01:03

Poste de líder vivo não vira líder. E, se o líder está impedido, como é o caso de Jair Bolsonaro, o lugar do poste, por razões políticas práticas, é na rua e no país.

De longe, ninguém comanda um espectro político tão grande como o de centro-direita no Brasil.

Talvez seja factível comandar apenas um grupo que vai se encolhendo na franja da política.

O único capaz de aceitar os termos de uma carta golpista assinada pelo poste candidato a líder. Da qual recuou uma hora depois, devido ao repúdio generalizado, sobretudo a partir de setores conservadores.

Que falavam da falta de densidade política de Flávio já no início da recente campanha eleitoral. Mesmo assim, surpreende a rapidez com a qual as ações de um político que levou sessenta milhões de votos vão corroendo o capital eleitoral que juntou.

Está se abrindo, na mesma velocidade, o espaço para outros nomes candidatos a falar por uma ampla maioria centro-direita, que venceu as eleições para os principais estados e o Congresso.

Pois, além de toda a espuma toda do noticiário, o que vem por aí com grande rapidez para cima da vida das pessoas é seríssimo.

Ficamos sabendo hoje que o peso dos impostos com a nova reforma tributária vai ser muito maior do que as piores estimativas. E já pega de cara mais de trinta milhões de CNPJs.

Que o governo continua mantendo a preço alto uma enorme defasagem do preço do diesel. Que Lula ainda não tem nem nome para a Fazenda nem plano para tratar de uma séria questão fiscal.

Que já olhamos temerosos para o que o Banco Central vai fazer com os juros na semana que vem. A vida como ela é aqui fica bem distante da Disney.

CNN Brasil tem 82,7 milhões de visualizações no YouTube e lidera na TV Paga

28 October 2026 at 23:24

A cobertura das Eleições 2026 consolidou a liderança da CNN Brasil entre os canais de notícias do país, com recordes de audiência multiplataforma. De 1º de janeiro a 25 de outubro, a emissora alcançou mais de 39 milhões de telespectadores únicos na TV paga, superando os concorrentes do segmento.

Nos dois turnos da eleição, realizados em 4 e 25 de outubro, foram registrados mais de 515 milhões de impactos digitais e quase 458 milhões de visualizações nas redes sociais e plataformas de vídeo. No YouTube, a CNN Brasil somou 82,7 milhões de visualizações nos dois domingos de votação.

Durante a apuração do segundo turno, o canal atingiu o pico de 1,43 milhão de espectadores simultâneos, volume 35% superior ao registrado em 2022. Entre 15h e 21h30, liderou a audiência das transmissões jornalísticas ao vivo durante 79% do período e acumulou 215,7 milhões de minutos assistidos — 1,7 vez o total do segundo colocado.

No portal da CNN Brasil, a cobertura eleitoral reuniu 10,2 milhões de usuários únicos e gerou 45,4 milhões de visualizações de página, alta de 48% em relação às eleições municipais de 2024.

Nas redes sociais, a emissora registrou 15,5 milhões de interações nos dois turnos. No fim de semana do segundo turno, os perfis CNN Brasil e CNN Política somaram 169,4 milhões de visualizações no Instagram. No TikTok, foram 29,5 milhões de visualizações, crescimento de 105% em relação ao primeiro turno.

Liderança na TV paga

Durante a cobertura eleitoral, os conteúdos jornalísticos sobre o pleito alcançaram mais de 8 milhões de pessoas. Desse total, mais de 5,8 milhões acompanharam as transmissões de apuração. Nos dois domingos de votação, o tempo médio de permanência do público na tela foi o dobro do observado nos domingos anteriores.

A emissora também ficou à frente dos concorrentes nas gerações X (46 a 61 anos), Y (30 a 45 anos) e Z (14 a 29 anos).

Nas plataformas de TV conectada com canais gratuitos via streaming (FAST TV), a CNN Brasil também registrou crescimento expressivo. A Samsung TV Plus e o LG Channels somaram mais de 12 milhões de impactos e alcançaram 2,2 milhões de dispositivos durante os dois turnos.

No domingo do segundo turno, o tempo assistido foi oito vezes superior à média dos quatro domingos anteriores na Samsung TV Plus e sete vezes maior no LG Channels.

Os resultados demonstram a força da CNN Brasil na cobertura de grandes acontecimentos nacionais e sua capacidade de alcançar diferentes públicos por meio da TV paga, do YouTube, do portal, das redes sociais e das plataformas de streaming.

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