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Mais de 90% das crianças acolhidas continuam em instituições

30 October 2026 at 18:23
Em 2025, apenas 459 das 6.120 crianças acolhidas viviam em famílias. Mesmo entre os menores de 5 anos, quase três em cada quatro ficaram fora do acolhimento familiar.

© Tiago Petinga/LUSA

Segundo o relatório, 69,5% das crianças até aos cinco anos estavam em casas de acolhimento generalistas, enquanto 26,4% viviam em famílias de acolhimento

Feira dos Santos é “um momento de celebração da família”

30 October 2026 at 09:59

VTM

A Feira dos Santos é um dos momentos mais marcantes do calendário de Chaves, pela dimensão comercial, pela preservação das tradições e pela capacidade de reunir famílias que regressam à cidade nesta altura do ano. Nuno Vaz, presidente da câmara municipal, considera que o certame mantém uma identidade própria, apesar das transformações que sofreu ao longo do tempo.

“É um evento absolutamente singular e excecional”, afirma o autarca, lembrando que a origem da feira se perde no tempo. Sem uma data conhecida da sua primeira realização, a iniciativa terá surgido como resposta às necessidades das comunidades rurais, num período em que os produtores procuravam vender os excedentes agrícolas e os animais para assegurar o aprovisionamento durante o inverno.

Hoje, a feira mantém essa ligação à agricultura e à pecuária, mas ganhou também uma dimensão festiva e familiar. “É um momento de celebração da família”, sublinha Nuno Vaz, referindo os reencontros de pessoas que vivem noutras cidades ou no estrangeiro e que aproveitam os Santos para regressar a Chaves.

Matriz

Inserida num “conjunto muito significativo de iniciativas”, considera o autarca que, apesar de atualmente ter “uma matriz diferente”, a Feira dos Santos “continua a estar muito ligada à pecuária, à agricultura, às tradições e àquilo que são os momentos marcantes das nossas comunidades”. E por isso, tem uma “dimensão de feira, mas também de festa”.

O facto de acontecer no Dia de Todos os Santos leva as comunidades a visitarem os cemitérios e recordarem os seus entes queridos. A feira tem, por isso, a capacidade de ser um “momento de encontro de famílias”.

“É, de facto, uma feira de uma expressão muito grande”, assume Nuno Vaz, acrescentando que “dizemos que é das maiores feiras de rua do país. Este ano, teremos cerca de 550 expositores, trata-se de uma feira com uma exposição muito grande. Prevemos que cerca de 5 quilómetros de vias, de arruamentos urbanos fiquem perfeitamente preenchidos”.

O presidente da câmara destaca ainda o contributo do evento para a economia local, através da dinamização do comércio, da restauração, da hotelaria e dos produtores. A afluência de visitantes, muitos provenientes da Galiza, cria oportunidades para os agentes económicos da cidade e da região.

“Também queremos que essa dinâmica possa ser aproveitada pelos nossos agentes económicos, seja a restauração, a hotelaria, o artesanato ou os produtos locais”, sublinha o autarca flaviense. “Acreditamos muito que, e sobretudo em concelhos do interior, que é com uma relação colaborativa que podemos garantir a sustentabilidade dos micro e pequenos negócios. Porque é nessa multiplicidade de atividades que podemos garantir a sustentabilidade e por esta via, a manutenção das famílias”, acrescenta.

A vertente rural continua a ocupar um lugar central no programa, com a Feira do Gado e os concursos de diferentes raças pecuárias, agendados para 31 de outubro, junto ao Forte de São Neutel. A iniciativa pretende dar visibilidade ao trabalho dos produtores e à importância da atividade agropecuária na preservação da paisagem e das comunidades do interior.

Nuno Vazdestaca, em particular, a valorização da raça Bísara, associada à produção de fumeiro, presuntos e enchidos tradicionais. Os concursos de bovinos, ovinos e do Cão de Gado Transmontano completam o programa dedicado ao património rural. “Queremos continuar a preservar esta nossa herança”, afirma.

Famílias

A programação inclui ainda artesanato, exposições, animação musical e arruadas, além do Festival Gastronómico do Polvo, que reforça os laços históricos e culturais entre Chaves e a Galiza.

O autarca reconhece que a dimensão do evento implica condicionamentos no trânsito e na circulação, mas considera que estes são temporários e devem ser enquadrados no interesse coletivo. “São três dias vividos de forma mais intensa”, refere, apelando à compreensão dos moradores.

Para o município, a Feira dos Santos deve continuar a conjugar comércio, tradição e diversão, mantendo viva uma herança que atravessa gerações e reforça a atratividade de Chaves. “O que nós queremos é que esta feira seja também uma festa da família”, conclui.

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Nem todos os ecrãs são iguais: o que devem ver as crianças?

30 October 2026 at 06:01
O problema é o ecrã ou aquilo que a criança vê? A qualidade dos conteúdos, a rapidez das imagens e a interação com os adultos podem fazer a diferença. Saiba como gerir o tempo de ecrã em cada idade.

Una lectora: “No podemos normalizar que viajar en transporte público se convierta en un acto de fe”

30 October 2026 at 04:30
Familiares de desaparecidos en el accidente de trenes, en el polideportivo de Urda (Toledo), este miércoles.

Con un saldo insoportable de vidas rotas, la tragedia ferroviaria de Toledo nos devuelve de golpe a la más cruda realidad: no podemos normalizar que viajar en transporte público se convierta en un acto de fe frente a fallos evitables y cadenas de negligencias. Confiamos en una red que, ante la primera brecha, delega toda la responsabilidad en el factor humano bajo presiones incomprensibles. La modernidad de un país no se mide solo por la velocidad de sus trenes, sino por la firmeza con la que prioriza la seguridad por encima de cualquier urgencia operativa. Exigir transparencia y responsabilidades hasta el final no es solo una deuda con las víctimas y sus familias, sino la única manera de rescatar la confianza en unas infraestructuras públicas que hoy nos duelen en el alma.

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Ocho novelas sobre las relaciones entre padres e hijos y las herencias familiares envenenadas

30 October 2026 at 04:30
Siete novelas y una novela gráfica publicadas en 2026 que invitan a sumergirse en las no siempre fáciles relaciones familiares.

Hay quien hereda bienes inmobiliarios y quien, por el contrario, a falta de dinero, lo único que hereda son traumas familiares. Los primeros son más ricos (al menos económicamente). Los segundos lo pueden ser a nivel narrativo, porque sus historias, personales e individuales, crecen en las páginas de los libros hasta interpelar, emocionar y remover en su sillón a cualquier lector; hasta hacerse universales.

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'Principio, medio, fin' (Feltrinelli):

Una madre y su hija adolescente llegan a Sicilia buscando recomponerse, reconocerse y reencontrarse tras una separación. Sus voces incluyen a las de otras dos mujeres: una desde la distancia —la abuela, que parece estar perdiendo la memoria—; la otra desde el pasado —la bisabuela, emigrante siciliana en México—. Con esta genealogía femenina, el paisaje de la isla y las erupciones volcánicas de fondo, Valeria Luiselli teje una obra inclasificable, llena de poesía y de luz, en la que combina mitología, memoria, reflexiones sobre la escritura y la literatura, sabias divagaciones sobre la tarea de maternar y educar, brillantes escenas y conversaciones madre-hija y su habitual maestría para jugar con los siempre difusos límites entre la realidad y la ficción. Una auténtica genialidad para disfrutar sin prisas.

'Primero llega el silencio' (Impedimenta):

Una mujer ve cómo se aleja y se tensa la relación con su hija mientras, a la vez, mantiene una conflictiva relación con su madre. Las tres tienen algo en común, una herencia envenenada sepultada bajo toneladas de silencio: son hijas únicas y sus padres las abandonaron (o se separaron de sus madres). Dora, el eslabón intermedio de esta tríada de mujeres, una mujer que busca el amor —a la vez que lo rehúye— en relaciones por correspondencia en Facebook mientras intenta no ser para su hija lo que un día fue para ella su madre, es la narradora de esta historia que oscila entre el presente y los recuerdos simbólicos del pasado. La escritora rumana Iona Maria Stancescu (con traducción de Marian Ochoa de Eribe) se presenta en España con una escritura íntima, un punto irónica, por momentos poética y metafórica, que desgrana con acierto las siempre delicadas relaciones entre madres e hijas.

'A flor de piel' (Tránsito):

Una niña con problemas en la piel que no deja de llorar y que se la arranca a tiras. Una madre joven, sola, superada por los gastos, el trabajo y los cuidados, que tiene en el tequila el único remedio para aguantar, para no dejarse caer en la locura que es la crianza de su hija. Ellas dos son las protagonistas principales. Y a ellas dos se suma un elenco de secundarios (abuela, tía, amigas de escuela, amantes ocasionales, médicos, etcétera) que de una u otra forma las empujan al abismo que es esta novela corta brutal, adictiva, dueña de una atmósfera asfixiante. La escritora mexicana Nora Muñiz debuta con este cuento de terror que se lee de un tirón y que convierte al lector en un animal sediento, voraz, incapaz de dejar de seguir el rastro de la sangre.

'¿Dónde están los adultos?' (Gatopardo Ediciones):

Con la capacidad para detectar las crisis que atenazan a buena parte de las sociedades occidentales, y que ya demostró en sus títulos anteriores, y la causticidad que caracteriza a su escritura, la autora noruega Nina Lykke se mete en esta ocasión en la piel de una psicóloga próxima a los sesenta tan perdida o más que sus pacientes. Ida sigue hablando con su madre muerta (con la que tuvo una relación cuanto menos difícil), ha sido abandonada por su segundo marido y su hijo mayor ha cortado toda relación con ella sin motivo aparente, impidiéndole disfrutar de su nieta. Más allá del interesante estudio de esa figura materna y de los conflictos intergeneracionales, la autora acierta al poner el foco sobre el hijo de la protagonista —paradigma de una generación cuidada entre algodones, frágil, eternamente adolescente—, que fracasa en su papel de hijo a la vez que naufraga en su rol como padre. Traducción de Ana Flecha Marco.

'Radio Sarajevo' (Libros del Asteroide):

La primera víctima de toda guerra es la infancia. Y de eso da fe este magnífico libro del autor bosnio Tijan Sila (con traducción de Javier García Albero), que desprende verdad y sensibilidad en su narración autobiográfica de la pérdida del paraíso y de la inocencia en mitad de un conflicto armado devastador como la guerra de los Balcanes. El texto refleja también a la perfección la relación del autor con sus padres en mitad de la contienda, la desesperación y la incapacidad de ambos en un contexto que les era completamente ajeno (profesores universitarios inservibles para la batalla) y el fracaso de la mano dura y la violencia como estrategia educativa, un recurso cotidiano en los noventa —especialmente, por lo visto, en la Sarajevo de entonces— que, como deja entrever Sila en sus memorias, dejó en el alma de aquellos niños tantas secuelas como las bombas.

'La vida imaginada' (Muñeca Infinita):

Steve Mills, un hombre de mediana edad, casado y con un hijo, regresa a su infancia para —a través de familiares y compañeros de su padre— entender por qué su progenitor dilapidó una prometedora carrera académica y desapareció de su vida sin dejar rastro cuando apenas contaba 12 años. Lo hace mientras él mismo está a punto de hacer descarrilar la vida que ha construido, envenenado por esa herida primal, por ese duelo jamás curado. Andrew Porter (traducción de Ce Santiago) construye una preciosa y conmovedora novela que pide ser degustada a pequeños sorbos sobre el trauma que supone perder el paraíso de la infancia antes de tiempo —y más aún a costa de tu padre, que supuestamente debería velar por él—, sobre la necesidad de entender para perdonar —para seguir viviendo sin arrastrar a otros con la herencia que cada cual carga sobre sus hombros— y sobre la escritura como herramienta terapéutica en ese doloroso proceso.

'Cuando seas feliz, golpea tú primero' (Impedimenta):

Tras emocionar con ‘El verano en que mi madre tuvo los ojos verdes’, su maravillosa novela sobre una turbulenta relación madre-hijo, la escritora moldava Tatiana Tibuleac se adentra ahora en otra relación familiar, en este caso entre una hija y su padre periodista, bebedor, lector voraz y progenitor ausente. “No digo que mi padre no me quisiera. Solo digo que me habría querido más si entre nosotros no hubiera habido malentendidos. Si yo no hubiera sido una mujer, sino un libro”, afirma Mila, la narradora protagonista de ese complejo vínculo que ejerce de columna vertebral de una novela terriblemente dura, menos luminosa que su predecesora, más compleja quizás, pero igualmente provocadora y capaz de remover a los lectores. De esa columna en un viaje incesante entre el presente y el pasado, surgen además otros temas como el duelo por la madre perdida, la amistad o la soledad y la precariedad del exilio. Traducción de Marian Ochoa de Eribe.

'Maravilloso' (Garbuix Books):

El autor de cómic francés afincado en Barcelona Cookie Kalkair da forma a una emotiva y personalísima novela gráfica protagonizada por un hombre adulto, recientemente convertido en padre, que, desde Canadá, ha puesto tierra y océano de por medio con su propio progenitor, con el que mantiene una difícil relación. Sin embargo, cuando este último sufre un ictus en Burdeos que le deja sin apenas capacidad para hablar, esa distancia física se irá diluyendo poco a poco; y también la que el protagonista mantiene con la familia que formó su padre tras separarse de su madre. Una conmovedora historia sobre una relación padre-hijo en la que la enfermedad y los cuidados actúan como catalizadores de un reencuentro y un renacer del amor paternofilial que parecía improbable. Traducción de Carme Rosselló.
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