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Banco do Japão alcança meta de inflação, mas sinaliza aumento de juros

30 October 2026 at 13:41

O Banco do Japão manteve as taxas de juros inalteradas nesta sexta-feira (30), mas declarou vitória em uma batalha de quase 14 anos para atingir sua meta de inflação e sinalizou vigilância contra os riscos de alta nos preços, sugerindo que o próximo aumento dos juros poderia ocorrer já em dezembro.

Com a inflação subjacente tendo atingido aproximadamente a meta de 2% do Banco do Japão, o banco central deve se concentrar em mantê-la em torno desse nível, afirmou, sugerindo que sua política monetária entrou em uma nova fase, mais restritiva, aberta a aumentos nos juros a cada poucos meses.

Embora tenha evitado se comprometer antecipadamente com um ritmo fixo de aumentos dos juros, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que a autoridade monetária japonesa debaterá os juros em cada reunião — incluindo a próxima, em dezembro —, ciente de que sua política monetária entrou na nova fase focada nos riscos de inflação.

“É importante ancorar a inflação subjacente em torno de nossa meta. Isso não significa que vamos simplesmente ficar parados esperando. Ajustaremos a política monetária conforme apropriado para que a inflação subjacente fique ancorada em torno de 2%”, afirmou ele em uma coletiva de imprensa.

Essa mudança generalizada nas perspectivas alinha o Banco do Japão com seus homólogos dos Estados Unidos e da Europa, que estão de olho em aumentos dos juros no curto prazo para combater os riscos inflacionários decorrentes da expansão da inteligência artificial e do choque energético causado pela guerra no Irã.

Na reunião de dois dias encerrada nesta sexta-feira, o Banco do Japão manteve sua taxa básica de juros em 1,25%, em uma decisão amplamente esperada, evitando aumentos consecutivos para dedicar mais tempo à análise dos efeitos dos aumentos anteriores nas condições de crédito.

O membro da diretoria de linha dura, Hajime Takata, discordou da decisão de manter os juros, propondo, sem sucesso, um aumento para 1,5%.

Em uma medida surpreendente que marca um afastamento ainda maior da política monetária ultra-flexível, o Banco do Japão anunciou que acelerará suas vendas de fundos negociados em bolsa a partir de janeiro, passando dos atuais 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes (US$ 5,5 bilhões) por ano.

“Vimos a necessidade de examinar um pouco mais os riscos econômicos e de preços, bem como as condições financeiras”, disse Ueda, quando questionado sobre por que o Banco do Japão decidiu manter os juros estáveis.

“Mas a inflação subjacente atingiu níveis consistentes com nossa meta de preços. As condições financeiras permanecem acomodativas. Existem vários riscos de alta. Portanto, devemos estar atentos ao risco de a inflação ultrapassar nossa meta”, disse ele, mantendo vivas as expectativas de um aumento em dezembro.

Entenda por que os juros caem nos EUA e sobem no Brasil

BC do Japão mantém juros em 1,25% ao ano, mas eleva projeção da inflação

30 October 2026 at 12:26

O BoJ (Banco do Japão, em inglês) manteve a taxa básica de juros em 1,25% ao ano, em comunicado publicado nesta sexta-feira (30).

A manutenção era amplamente esperada por analistas consultados pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), para que os dirigentes possam avaliar os efeitos do aperto monetário realizado em setembro e os riscos da persistência da inflação.

No mês passado, a CPI (inflação ao consumidor, em inglês) no Japão acelerou para 2,1% na taxa anual, acima da meta pela primeira vez em nove meses.

O banco central japonês informou que a decisão foi tomada pelo placar de 8 a 1, com a dissidência de Hajime Takata, que defendeu acelerar o ritmo de aumento dos juros até atingir um nível neutro – que não restringe ou estimula a economia – para controlar a inflação na meta de 2%.

O dirigente votou por alta da taxa básica de 25 pontos-base, para 1,5% ao ano.

Em nota, a autoridade monetária do Japão ponderou que as condições financeiras seguem acomodatícias e que a economia está se recuperando moderadamente, apesar de alguma fraqueza recente.

O BoJ disse ainda que continuará a monitorar a guerra no Oriente Médio, o iene e a demanda por IA (inteligência artificial), e elevará juros a depender do crescimento econômico, preços e condições financeiras.

O BoJ elevou projeções para a taxa anual do núcleo do CPI em 2027, de 2,4% para 2,6%, embora tenha mantido previsões para este ano (+2,5%) e 2028 (+2%) inalteradas.

Em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) real, o banco central aumentou a projeção para 2026, de 0,6% a 0,7%, mas cortou para o próximo ano, de 0,8% para 0,7%.

“Existe o risco de que as expectativas de inflação de médio a longo prazo aumentem e de que a inflação subjacente se desvie para cima, situando-se acima da meta de estabilidade de preços de 2%, uma vez que o comportamento das empresas tem se voltado mais para o aumento de salários e preços”, alertou.

O banco central japonês também anunciou que aumentará o ritmo de vendas anuais de fundos ETF, de 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes (US$ 2,1 bilhões a US$ 5,5 bilhões), a partir de janeiro de 2027.

Banco do Japão decide manter taxa de juro em 1,25%

30 October 2026 at 08:00
Japão

O Banco do Japão (BoJ) decidiu hoje manter a taxa de juro de referência de curto prazo em 1,25%, o nível mais elevado em quase 31 anos no país asiático.

Na reunião de dois dias dedicada à política monetária, o BoJ optou por não alterar a taxa, depois de a ter aumentado de 1% para 1,25% em setembro, num contexto de insistência dos Estados Unidos para que o Japão demonstre aos mercados o seu compromisso com a sustentabilidade orçamental e com a subida das taxas de juro.

Por uma maioria de oito votos contra um, o banco central nipónico manteve as taxas inalteradas, considerando que a inflação subjacente se encontra, de forma geral, num nível compatível com o objetivo de estabilidade de preços de 2%.

Perante este cenário, o banco central reiterou que manterá a orientação de aumento gradual das taxas de juro e ajustará a política monetária em função da evolução da atividade económica, dos preços e das condições financeiras.

No entanto, no relatório de perspetivas económicas divulgado hoje, o BoJ alertou para o risco da inflação subjacente ultrapassar a meta de 2%, devido à crescente disponibilidade das empresas para aumentarem salários e preços, bem como a outros fatores suscetíveis de impulsionar a inflação.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo Governo japonês, a inflação homóloga, excluindo os produtos alimentares frescos, aumentou para 2,1% em setembro, face aos 1,7% registados em agosto, situando-se ligeiramente acima do objetivo de 2% definido pelo banco central.

O BoJ considerou que a economia japonesa continuará a crescer moderadamente, embora a um ritmo mais lento, apoiada pelas medidas governamentais para responder ao aumento dos custos da energia provocado pelo conflito no Médio Oriente e pelo crescimento da procura mundial associada à inteligência artificial (IA).

Além disso, o banco central do país anunciou que irá acelerar a partir de janeiro de 2027 o ritmo de venda dos fundos negociados em bolsa, acumulados durante os programas de estímulo monetário como parte dos esforços para reduzir gradualmente a carteira destes ativos. A medida foi aprovada por unanimidade pelos membros da comissão de política monetária.

A decisão do BoJ surge depois de na quarta-feira a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos ter optado igualmente por manter as taxas de juro inalteradas, no intervalo entre 3,75% e 4%. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve esta quinta-feira as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez em, respetivamente, 2,5%, 2,65% e 2,9%.

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