A Capitania do Porto de Vila Real de Santo António recebeu, a 24 de outubro, o lançamento de um livro do historiador Fernando Pessanha dedicado a Francisco de Mendonça Pessanha Mascarenhas, o primeiro governador da antiga Vila de Santo António de Arenilha e da nova vila pombalina. A sessão, integrada nas comemorações dos 250 anos das festividades da fundação de Vila Real de Santo António, contou com lotação esgotada, tendo o público ocupado também o átrio do edifício.
Intitulada O “Inteligente, pratico, activo e zeloso dos interesses de S. Magde” Francisco de Mendonça Pessanha Mascarenhas, 1.º governador da “Nova Vila de Santo António de Arenilha” / Vila Real de Santo António, a obra foi apresentada no Dia do Exército, assinalado a 24 de outubro.
A cerimónia contou com a presença de várias personalidades ligadas à comunidade científica e académica, entre as quais António Fragoso de Almeida, vice-reitor da Universidade do Algarve, e Pedro Albuquerque, docente de Arqueologia da Universidade de Sevilha. O início da sessão ficou marcado por um momento musical de guitarra portuguesa, interpretado por Filipe Santos.
Seguiu-se a intervenção do primeiro-tenente Domingos, adjunto do capitão do porto, que deu as boas-vindas aos presentes, e do vereador responsável pelo património material e imaterial, Fernando Horta, que salientou a importância da iniciativa para a identidade histórica, cultural e patrimonial do concelho.
Durante cerca de 45 minutos, Fernando Pessanha, técnico superior da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, investigador da Universidade Nova de Lisboa e da Academia de Marinha, apresentou uma análise histórica do extremo sudeste algarvio, centrada no percurso de Pessanha Mascarenhas, oficial de infantaria que governou o termo de Santo António de Arenilha e se tornou o primeiro governador da nova vila pombalina.
Com base num conjunto de fontes documentais, nomeadamente correspondência e cartografia, o historiador contestou a ideia de que o território onde viria a ser construída Vila Real de Santo António não tinha ocupação humana nem estruturas organizativas anteriores à fundação da nova vila, iniciada em 1774 e conhecida, a partir de 1775, pela atual designação.
A investigação aponta para uma continuidade histórica sustentada documentalmente, com raízes na fundação da sede de concelho, em 1513, embora marcada por uma profunda transformação política e organizativa no século XVIII, visível na arquitetura e no urbanismo iluminista que caracterizam a cidade.
No encerramento da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, Álvaro Araújo, felicitou Fernando Pessanha pelo trabalho de investigação desenvolvido e manifestou satisfação pela adesão do público à iniciativa, destacando o interesse demonstrado pela história do concelho.