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Dificilmente governo atingirá superávit em 2027, diz IFI do Senado

A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado avalia que dificilmente o governo conseguirá alcançar o superávit primário em 2027, diante do atual cenário das contas públicas.

Em entrevista ao CNN Money, o diretor da instituição, Alexandre Andrade, defendeu que a equipe econômica anuncie “o mais rápido possível” um plano de ajuste fiscal para ancorar as expectativas do mercado.

Alexandre Andrade apontou dois fatores centrais para o pessimismo em relação à meta fiscal. “Na análise que nós fizemos do PLOA 2027 em setembro, nós identificamos premissas bastante otimistas, tanto nas receitas quanto nas despesas”, afirmou.

Além disso, segundo ele, o espaço fiscal já está completamente preenchido e ainda será necessário acomodar cerca de 40 a 50 bilhões de reais em novas despesas decorrentes de medidas anunciadas após 31 de agosto.

O diretor também destacou que a IFI prevê uma desaceleração da atividade econômica no próximo ano. “O PIB deve ter um crescimento menor e isso afeta consequentemente as receitas”, explicou Alexandre Andrade.

Com isso, a combinação de gastos crescentes e receitas menores torna ainda mais remota a possibilidade de resultado superavitário.

Gasto obrigatório comprime espaço discricionário

Um dos pontos centrais da análise da IFI é o forte crescimento do gasto obrigatório, que tem reduzido progressivamente o espaço discricionário do orçamento. “Nós temos hoje cerca de 140 bilhões de reais em despesas discricionárias não rígidas, que basicamente são investimentos e custeio da máquina. Esse é basicamente o montante passível de sofrer cortes”, disse Alexandre Andrade. No curto prazo, esses gastos tendem a ser reduzidos para acomodar as novas despesas obrigatórias anunciadas recentemente.

Alexandre Andrade ressaltou que um ajuste focado apenas nas despesas discricionárias não é suficiente.

“Pensar em um ajuste do lado da despesa que apenas afete as despesas discricionárias não faz muito sentido, é preciso que se promova revisão de despesas obrigatórias”, afirmou. Segundo ele, mais do que cortar, o objetivo deveria ser desacelerar o ritmo de crescimento dessas despesas ao longo dos próximos anos.

Arcabouço fiscal perde eficácia em 2028

De acordo com as projeções da IFI, a atual regra do arcabouço fiscal perderá eficácia em 2028, quando as despesas sujeitas ao limite ultrapassarão o próprio limite estabelecido. Alexandre Andrade alertou que simplesmente modificar os parâmetros do arcabouço teria efeito muito limitado, caso não haja uma reforma do gasto obrigatório.

“Na ausência de reforma do gasto obrigatório, de nada vai adiantar simplesmente modificar os parâmetros do arcabouço, porque, num contexto como esse, apenas a regra perderia eficácia mais cedo”, afirmou.

O diretor da IFI também comentou sobre a probabilidade, apontada em relatório da instituição, de 81,6% de a dívida pública superar 90% do PIB até 2030. Segundo Alexandre Andrade, essa trajetória poderia ser alterada caso um plano de ajuste fiscal crível seja apresentado.

“Haveria uma descompressão dos prêmios de risco, uma redução das taxas longas de juros e, por sua vez, uma redução do custo de financiamento da dívida pública”, explicou, acrescentando que, nesse cenário, a dívida seria “um pouco mais baixa do que está projetada nos nossos relatórios”.

Questionado sobre promessas de campanha que ainda não foram contabilizadas, como a gratuidade do transporte público nos fins de semana, Alexandre Andrade afirmou que ainda não há previsão de valores para essa medida.

No entanto, classificou a proposta como “mais um componente de pressão sobre a elaboração do orçamento do ano que vem, em um contexto em que o quadro fiscal já está bastante apertado”. Segundo ele, dependendo do alcance da medida, a necessidade de ajuste no PLOA poderia superar os 40 a 50 bilhões de reais já estimados.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Prazo para fim da 6×1 deve ser adequado, diz Fiemg

Durante evento em Belo Horizonte nesta quinta-feira (29), o presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe, defendeu um prazo maior para a adaptação das empresas ao fim da escala 6×1.

O evento reuniu, ao longo de dois dias, especialistas, lideranças e empresários para discutir os custos de produção e os desafios à competitividade da indústria brasileira.

O debate teve como eixo central o chamado custo Brasil, que engloba despesas e entraves que oneram a atividade empresarial e podem encarecer os produtos para o consumidor final.

Críticas ao fim da escala 6×1

Durante o encontro, Roscoe voltou a criticar a aprovação do fim da escala 6×1, ocorrida neste mês, e alertou para as dificuldades de adaptação do setor produtivo às novas regras.

Segundo o presidente, o prazo previsto não seria suficiente para que as empresas se ajustassem às mudanças.

“Outro grande desafio do momento é a reforma 6×1, que foi aprovada agora, também, na minha leitura, sem o prazo de adaptação adequado, porque a redução de jornada começa no início de janeiro, mas as limitações de jornada já terão efeito imediato”, afirmou.

Roscoe também ressaltou a importância de discutir o custo Brasil diante do atual cenário político e econômico do país. Além disso, o executivo alertou que os efeitos das mudanças na jornada de trabalho deverão ser sentidos em breve pelo setor produtivo.

Ao longo da programação, os participantes discutiram alternativas para superar entraves à competitividade, estimular investimentos e fortalecer a indústria brasileira.

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Consumo de aço na América do Norte aumenta lucro da Gerdau no tri, diz CFO

O resultado da Gerdau no terceiro trimestre de 2026 foi impulsionado principalmente pela melhora dos preços do aço na América do Norte, região que respondeu por mais de 76% do Ebitda da companhia no período.

Em entrevista à CNN Money, o CFO da empresa, Rafael Japur, destacou ainda a demanda dos segmentos de construção não residencial, centros de dados e energia renovável. As operações na América do Norte registraram expansão de 60% no Ebitda ajustado, enquanto as operações brasileiras apresentaram queda de 2,8% no mesmo indicador.

A Gerdau registrou um lucro líquido consolidado de R$ 1,56 bilhão no período, crescimento de 43,4% em relação aos R$ 1,09 bilhão apurados no mesmo período de 2025.

O lucro líquido ajustado atingiu R$ 1,52 bilhões, avanço de quase 40% na comparação anual. O Ebitda ajustado chegou a R$ 3,770 bilhões, com crescimento de 37,8% na mesma base de comparação — números que vieram em linha com as expectativas do mercado.

Demanda por infraestrutura de IA impulsiona resultados nos EUA

Japur explicou que a principal diferença em relação ao mesmo período do ano anterior foi o desempenho mais robusto das operações norte-americanas.

Segundo ele, a forte demanda está diretamente ligada aos investimentos em inteligência artificial na economia dos Estados Unidos.

“Tivemos um movimento muito puxado pela grande demanda que estamos vendo na economia norte-americana com relação a investimentos em inteligência artificial. E em função disso, tem investimentos em toda a matriz energética — linhas de transmissão, usinas fotovoltaicas, outras fontes de geração”, disse Japur.

O executivo destacou que o portfólio de produtos da Gerdau na América do Norte, composto principalmente por perfis leves e pesados voltados à construção não residencial e à indústria de manufatura, está bem posicionado para atender a essa demanda.

“Isso tem puxado muito o consumo de aços para a construção não residencial, privilegiando e dando um grande benefício especificamente para o nosso portfólio de produtos”, disse. Japur acrescentou que, mesmo com volume de vendas ligeiramente inferior, a margem por tonelada vendida foi superior à do mesmo período do ano anterior.

Perspectivas para o mercado norte-americano em 2027

Ao avaliar o fôlego do mercado norte-americano, Japur apontou que os gastos em construção não residencial cresceram apenas 0,5% no período, e que, sem o efeito da inteligência artificial, poderiam até apresentar queda. No entanto, o CFO demonstrou otimismo para os próximos trimestres.

“Se imaginarmos uma economia americana que passe por um movimento de redução de taxas de juros, isso certamente vai destravar ainda mais investimentos, não só na inteligência artificial e energia, mas nos outros setores da economia”, avaliou.

Para ele, a demanda em 2027 deve ser mais diversificada do que a observada ao longo de 2026.

Importações de aço e defesa comercial no Brasil

Japur também abordou a questão das importações de aço no mercado brasileiro. Segundo ele, historicamente a participação do aço importado no consumo aparente do Brasil ficava entre 10% e 13%, patamar que hoje chegou a 18,5%.

O executivo alertou ainda para o fenômeno das importações indiretas — o aço já contido em produtos manufaturados, como carros, autopeças e equipamentos.

“Não é só um fenômeno de maior entrada de aço importado, mas um fenômeno também de entrada de produtos manufaturados contendo aço, o que diminui o tamanho do mercado dos nossos clientes”, explicou.

O CFO informou que a empresa mantém interlocução com o governo por meio do Instituto Aço Brasil e que há duas investigações de dumping em curso, com previsão de conclusão até o final do ano, envolvendo vergalhão e bobinas laminadas a quente.

“Não buscamos a proteção de mercado, buscamos a defesa comercial”, afirmou Japur, ressaltando que o objetivo é garantir um campo de jogo mais igualitário para a indústria nacional.

Controle de investimentos e desistência do Porto Sudeste

No campo dos investimentos, o desembolso em Capex deve ficar próximo de R$ 4,5 bilhões, podendo ficar abaixo do previsto para o ano. Além disso, a companhia desistiu de participar do projeto de aquisição do Porto Sudeste.

A empresa avaliava o ativo como uma oportunidade para ganhar competitividade logística na operação de mineração, mas retirou a iniciativa do portfólio por enquanto.

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Mercado não deverá conceder benefício da dúvida para Lula, avalia analista

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou incertezas no mercado financeiro sobre como o novo governo lidará com os desafios fiscais e as negociações com um Congresso Nacional considerado mais à direita.

Carlos Pessoa, CEO da Vêneto Family Office, avaliou que a questão fiscal continuará sendo um tema central.

 

“Com certeza, a questão fiscal vai continuar vindo à tona. Basta ver o último mandato, de 2023 até o final desse ano, a questão fiscal acabou sendo motivo de discussão entre os agentes de mercado”, afirmou.

Segundo ele, a trajetória da dívida pública “se descontrolou em algum momento”, e o mercado aguarda atentamente os nomes que comporão o novo governo.

Carlos Pessoa destacou que, diferentemente do início do governo anterior, o mercado não deverá conceder o benefício da dúvida desta vez.

“O mercado financeiro vai querer uma agenda fiscal crível para vermos o dólar com patamares menores, bolsa para cima e o juro futuro se acomodando um pouco mais”, disse.

Ele pontuou que o pregão de segunda-feira (26) trouxe tanto movimentos especulativos quanto posições de longo prazo, especialmente por parte de investidores estrangeiros que reduziram sua exposição ao Brasil.

Juros futuros com pouco espaço para recuar

Na avaliação de Carlos Pessoa, o cenário base é de continuidade do governo atual, o que implica uma agenda fiscal mais gradativa do que o mercado idealizava.

“Provavelmente a renda fixa, dado que os juros futuros não vão ter tanto espaço para se acomodar, ainda mais que o juro americano pode ser um empecilho em relação a isso”, afirmou.

Ele acrescentou que o ambiente de CDI elevado e Selic alta tende a persistir, tornando a renda fixa e a dolarização alternativas relevantes para os investidores.

Para quem estiver disposto a assumir riscos, Carlos Pessoa mencionou a possibilidade de aproveitar ativos de qualidade que sofreram desvalorização, mas alertou para a necessidade de aceitar a volatilidade.

“Um pouco mais de juros, dólar, essa leitura inicial e para quem tiver apetite a risco, aproveitar essas oportunidades”, resumiu. Ele também alertou que os juros elevados tendem a ser especialmente prejudiciais para empresas de menor capitalização listadas no Ibovespa.

Dúvidas sobre a equipe econômica

Carlos Pessoa comentou ainda sobre os nomes cotados para compor a equipe econômica do novo governo, como Rafael Fonteles, Gabriel Galípolo e Geraldo Alckmin. Na sua avaliação, uma nomeação nesses moldes representaria continuidade em relação ao governo anterior.

“Se essa nomeação vier nessa linha, eu acho que é continuidade do Lula 3. Isso é uma sinalização que a gente não vai ter um perfil parecido com o que foi feito com a Dilma, com o Joaquim Levy”, disse.

Ele concluiu que tudo pode mudar a depender das nomeações e das sinalizações do novo governo, mas que o cenário-base da Veneto Family Office não contempla grandes ajustes fiscais.

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Petróleo e câmbio sugerem inflação mais elevada no Brasil, diz XP

Caio Megale, economista-chefe da XP, avaliou que as movimentações recentes do câmbio e do petróleo sugerem pressões inflacionárias mais elevadas no Brasil.

Em entrevista ao CNN Money, ele destacou que as projeções de inflação, especialmente para 2027, estão se deteriorando em razão de fatores externos e domésticos combinados.

Petróleo e câmbio como vetores de pressão inflacionária

Com o petróleo sendo negociado em torno de US$ 110 o barril, reforça-se o risco de inflação generalizada no mundo, segundo Megale.

Além disso, os preços de alimentos também subiram. No mercado doméstico, o destaque foi a taxa de câmbio, que passou de uma faixa entre R$ 5,05 e R$ 5,10 para cerca de R$ 5,30 a R$ 5,40. Segundo o economista, essa depreciação cambial, somada ao aumento de custos externos, “sugere inflação mais elevada em 2027”.

Outros fatores também foram mencionados como fontes de pressão sobre os preços. Megale citou o fim da escala de trabalho 6×1, que, segundo estudos, pode gerar custos adicionais de ajuste para as empresas no curto prazo, elevando o custo dos serviços em 2027.

Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estaria revisando a pesquisa de orçamento familiar, uma vez que os serviços — setor com inflação mais alta — vêm ganhando maior participação na cesta de consumo dos brasileiros.

“Tudo isso está sugerindo um desafio maior para o Banco Central atingir a meta de 3%”, disse o economista.

Decisão do Copom e possível pausa nos cortes de juros

Diante desse cenário, Megale avaliou que o Banco Central ainda deve entregar um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) prevista para a semana seguinte à entrevista, mas sinalizou que a instituição deveria deixar a porta mais aberta para uma eventual pausa em dezembro.

“A minha impressão é que o Banco Central ainda entrega, na semana que vem, um corte de 0,25”, afirmou, acrescentando que “já vão deixar a porta bem mais aberta em dezembro” caso a deterioração das expectativas continue.

O economista ponderou que uma pausa nos cortes seria tecnicamente defensável, dado que as expectativas de inflação já estão acima da meta e continuam subindo. Por outro lado, ele ressaltou que a economia está desacelerando — com indicadores de vendas no varejo, produção industrial e de serviços apontando nessa direção — e que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre poderia ser negativo.

“Juros de 13%, 13,5%, com uma inflação que roda em torno de 4%, 5%, ainda é um juro real muito elevado”, ponderou Megale.

Risco de frustração no ciclo de cortes

Questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes ser frustrado, como ocorreu em um ciclo anterior em que a Selic chegou a 15%, Megale reconheceu o risco, mas apontou diferenças relevantes no cenário atual.

Segundo ele, a desaceleração econômica atual parece mais consistente do que a observada naquele período, quando a economia reacelerou fortemente após sinais iniciais de arrefecimento. “Agora a gente, de fato, pelo menos do lado do crescimento econômico, parece bem claro que há uma virada no ciclo”, disse.

No entanto, Megale alertou que, se o petróleo continuar subindo, se a política fiscal caminhar na direção de mais despesas e se o câmbio depreciar ainda mais — chegando próximo a R$ 6,00 —, o cenário de frustração poderia se concretizar. Com os dados disponíveis no momento da entrevista, sua avaliação era de que o Banco Central deveria aguardar a dissipação dos choques inflacionários antes de retomar cortes mais expressivos.

“A impressão é que nós temos uma onda de inflação aqui agora, o Banco Central dá uma segurada, espera essa onda passar”, concluiu.

Subsídio ao combustível e perspectivas para o preço da gasolina

Sobre o subsídio ao diesel e à gasolina, Megale afirmou que não havia, em seu cenário-base, projeção de alta nos preços dos combustíveis. Ele explicou que o aumento do petróleo gera maior arrecadação, o que ajuda a financiar o subsídio.

O próprio governo já havia sinalizado a continuidade do benefício para o ano seguinte. Contudo, o economista advertiu que manter os preços da gasolina fora da paridade internacional por um período prolongado não seria sustentável caso o petróleo permanecesse acima de US$ 100 o barril.

“Se ficar claro que o preço do petróleo não vai voltar para os 70, 80 que todo mundo esperava e vai ficar acima de 100, aí a gente tem que aceitar custos mais elevados de combustíveis”, afirmou.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

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Governo precisa de anúncio forte sobre ajuste fiscal, diz Zeina Latif

O mercado financeiro aguarda com expectativa novos anúncios do governo em relação às contas públicas. Para Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, as medidas discutidas até o momento vão na direção correta, mas ainda são insuficientes diante dos desafios fiscais que se apresentam.

“Vão na direção correta, mas precisa mais coisa, até porque foram feitas promessas na campanha, como por exemplo o passe livre no final de semana, coisas que precisam entrar no orçamento“, afirmou Zeina Latif.

Para ela, é necessário um anúncio robusto e tempestivo, especialmente diante de uma dinâmica de mercado que considera muito preocupante.

Urgência na sinalização fiscal

Zeina Latif destacou que o momento exige uma postura clara e rápida.

“Nós estamos vendo uma dinâmica de mercado muito preocupante, mercado muito sem parâmetros. Tem reunião do Copom [Comitê de Política Monetária] na semana que vem, alguns já discutindo alta de juros”, observou.

Segundo ela, é fundamental que haja uma sinalização forte das intenções e dos planos do governo para interromper a dinâmica negativa nos preços dos ativos, que, em suas palavras, “machucam sim a economia”.

Arcabouço fiscal precisa de credibilidade

Questionada sobre o arcabouço fiscal, Zeina Latif reconheceu que o instrumento apresenta problemas, mas defendeu ajustes em vez de uma reformulação completa.

“É muito mais uma questão de fazer ajustes do que tentar uma fórmula nova”, disse. Para a especialista, o mais importante não é o formato das regras, mas a credibilidade na sua execução.

“Não adianta você apertar as regras do jogo e aí, com o tempo, perceber que o governo não tem nem capacidade política, nem intenção, nem convicção do que é preciso ser feito”, alertou.

Desafio político supera o técnico

Ao analisar a possibilidade de cortes de gastos, Zeina Latif ressaltou que o orçamento da União está praticamente todo comprometido, com uma margem de manobra em despesas não obrigatórias ou discricionárias de não mais que 5%.

“Não existe uma dificuldade técnica aqui, a dificuldade é muito mais política”, afirmou. Ela explicou que o verdadeiro desafio está em conter o crescimento das despesas obrigatórias, muitas delas de caráter constitucional, e que o diagnóstico do que precisa ser feito já existe dentro da máquina pública.

Ceticismo em relação ao superávit

Sobre a expectativa do governo de alcançar superávit no ano seguinte, Zeina Latif apontou que há muito ceticismo no mercado em relação a essa meta. “Tem muito ceticismo em relação a isso, sempre as dúvidas em relação às estimativas de receita e despesa”, disse.

Com a necessidade de aprovação do orçamento e da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), ela avaliou que os próximos passos serão testes concretos para a gestão fiscal.

“Esse timing não pode ser perdido para tentar dar uma sinalização um pouco mais contundente do que vão ser os próximos anos na gestão fiscal. Esse é o momento de dar o sinal”, concluiu.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

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