Um raro esqueleto de Nanotyrannus, um parente menor do T. rex, foi vendido em um leilão da casa Sotheby’s, em Nova York, por US$ 47,3 milhões (R$ 251 milhões), após uma disputa de lances de 12 minutos entre seis concorrentes.
O espécime, chamado Jodi, é um dos únicos três esqueletos de Nanotyrannus relativamente completos conhecidos pela ciência.
Ultrapassando a estimativa de US$ 6 a US$ 9 milhões (R$ 30 a R$ 45 milhões), a venda foi feita por pouco abaixo do recorde de leilão para um fóssil, estabelecido em julho com Gus — um esqueleto excepcional de T. rex que foi vendido por US$ 50,1 milhões (R$ 267 milhões).
Com 2,9 metros de altura e 5,9 metros de comprimento, Jodi tem mais da metade do tamanho de Gus, e a escassez de espécimes semelhantes provavelmente contribuiu para o aumento do preço de venda.
A própria existência da espécie Nanotyrannus é alvo de intenso debate na paleontologia; pesquisadores só recentemente inclinaram a balança a favor de considerar o Nanotyrannus um dinossauro distinto, em vez de um T. rex juvenil.
De acordo com a Sotheby’s, o espécime está excepcionalmente preservado, é composto por 191 elementos ósseos e inclui um crânio “virtualmente completo”.
Como o esqueleto foi descoberto?
O esqueleto foi descoberto em 2019 pela rancheira de Montana, Jodi Pierson — que também inspirou seu nome — e escavado por Clayton Phipps, um paleontólogo comercial conhecido como o “Cowboy dos Dinossauros”.
Assim como vários outros fósseis importantes vendidos anteriormente em leilão, Jodi provém da Formação Hell Creek, um cemitério geológico que se estende por Montana, Wyoming e as Dakotas.
Um dos primeiros esqueletos de T. rex foi encontrado nessa região em 1902, e o nome T. rex foi dado à espécie com base em fósseis desenterrados na área.
Em 2006, a uma curta distância do sítio arqueológico de Jodi, Phipps desenterrou os “Dinossauros Duelistas”, um fóssil lendário que agora se encontra no Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, em Raleigh.
O fóssil apresenta dois esqueletos aparentemente em combate — um de Triceratops e outro de um tiranossauro menor, agora identificado como um Nanotyrannus.
O terceiro esqueleto conhecido de Nanotyrannus é Jane, também de Hell Creek, e está exposto no Museu Burpee de História Natural, em Rockford, Illinois.
Com base no tamanho geral e no desenvolvimento ósseo, Jodi é um espécime adulto, de acordo com a Sotheby’s.
Os ossos faltantes foram substituídos por elementos personalizados impressos em 3D e esculpidos, e o fóssil foi oferecido com “direitos totais”, o que significa que não contém nenhum elemento protegido por direitos autorais de outros dinossauros.
Seu novo proprietário — cuja identidade é desconhecida — pode, portanto, criar réplicas do esqueleto e vendê-las para museus ou colecionadores.
A venda de fósseis de dinossauros a preços exorbitantes tem gerado fortes críticas por parte dos cientistas, pois retira os espécimes do domínio público e os torna indisponíveis para estudo.
“Acabamos de descobrir que o Nanotyrannus é real, e agora um dos melhores esqueletos está prestes a ser vendido para o maior lance”, disse Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolução da Universidade de Edimburgo, na Escócia, em um e-mail.
“É angustiante pensar que ele possa desaparecer nos cofres de um colecionador em vez de ser exibido em um museu, onde pode impressionar e inspirar crianças, famílias e o público em geral.”
David Hone, paleontólogo e professor de zoologia na Queen Mary University de Londres, disse estar muito surpreso com o fato de Jodi ter sido vendida por um valor muito superior às estimativas.
“Parece que estamos diante de uma bolha de preços de dinossauros que inevitavelmente estourará em algum momento; os preços não podem continuar subindo para sempre”, acrescentou em um e-mail.
“Em termos do potencial valor científico do espécime, é muito difícil dizer sem um estudo adequado e verificado por especialistas”, disse Hone.
“Eu ficaria muito surpreso se o espécime acabasse em uma coleção pública e disponível para estudo, portanto, até esse momento, ele está efetivamente fora do âmbito científico.”
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