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Fóssil raro de dinossauro é vendido por US$ 47 milhões em leilão, tornando-se o segundo mais valioso da história

30 October 2026 at 00:21

Um raro esqueleto de Nanotyrannus, um parente menor do T. rex, foi vendido em um leilão da casa Sotheby’s, em Nova York, por US$ 47,3 milhões (R$ 251 milhões), após uma disputa de lances de 12 minutos entre seis concorrentes.

O espécime, chamado Jodi, é um dos únicos três esqueletos de Nanotyrannus relativamente completos conhecidos pela ciência.

Ultrapassando a estimativa de US$ 6 a US$ 9 milhões (R$ 30 a R$ 45 milhões), a venda foi feita por pouco abaixo do recorde de leilão para um fóssil, estabelecido em julho com Gus — um esqueleto excepcional de T. rex que foi vendido por US$ 50,1 milhões (R$ 267 milhões).

Com 2,9 metros de altura e 5,9 metros de comprimento, Jodi tem mais da metade do tamanho de Gus, e a escassez de espécimes semelhantes provavelmente contribuiu para o aumento do preço de venda.

A própria existência da espécie Nanotyrannus é alvo de intenso debate na paleontologia; pesquisadores só recentemente inclinaram a balança a favor de considerar o Nanotyrannus um dinossauro distinto, em vez de um T. rex juvenil.

De acordo com a Sotheby’s, o espécime está excepcionalmente preservado, é composto por 191 elementos ósseos e inclui um crânio “virtualmente completo”.

Como o esqueleto foi descoberto?

O esqueleto foi descoberto em 2019 pela rancheira de Montana, Jodi Pierson — que também inspirou seu nome — e escavado por Clayton Phipps, um paleontólogo comercial conhecido como o “Cowboy dos Dinossauros”.

Assim como vários outros fósseis importantes vendidos anteriormente em leilão, Jodi provém da Formação Hell Creek, um cemitério geológico que se estende por Montana, Wyoming e as Dakotas.

Um dos primeiros esqueletos de T. rex foi encontrado nessa região em 1902, e o nome T. rex foi dado à espécie com base em fósseis desenterrados na área.

Em 2006, a uma curta distância do sítio arqueológico de Jodi, Phipps desenterrou os “Dinossauros Duelistas”, um fóssil lendário que agora se encontra no Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, em Raleigh.

O fóssil apresenta dois esqueletos aparentemente em combate — um de Triceratops e outro de um tiranossauro menor, agora identificado como um Nanotyrannus.

O terceiro esqueleto conhecido de Nanotyrannus é Jane, também de Hell Creek, e está exposto no Museu Burpee de História Natural, em Rockford, Illinois.

Com base no tamanho geral e no desenvolvimento ósseo, Jodi é um espécime adulto, de acordo com a Sotheby’s.

Os ossos faltantes foram substituídos por elementos personalizados impressos em 3D e esculpidos, e o fóssil foi oferecido com “direitos totais”, o que significa que não contém nenhum elemento protegido por direitos autorais de outros dinossauros.

Seu novo proprietário — cuja identidade é desconhecida — pode, portanto, criar réplicas do esqueleto e vendê-las para museus ou colecionadores.

A venda de fósseis de dinossauros a preços exorbitantes tem gerado fortes críticas por parte dos cientistas, pois retira os espécimes do domínio público e os torna indisponíveis para estudo.

“Acabamos de descobrir que o Nanotyrannus é real, e agora um dos melhores esqueletos está prestes a ser vendido para o maior lance”, disse Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolução da Universidade de Edimburgo, na Escócia, em um e-mail.

“É angustiante pensar que ele possa desaparecer nos cofres de um colecionador em vez de ser exibido em um museu, onde pode impressionar e inspirar crianças, famílias e o público em geral.”

David Hone, paleontólogo e professor de zoologia na Queen Mary University de Londres, disse estar muito surpreso com o fato de Jodi ter sido vendida por um valor muito superior às estimativas.

“Parece que estamos diante de uma bolha de preços de dinossauros que inevitavelmente estourará em algum momento; os preços não podem continuar subindo para sempre”, acrescentou em um e-mail.

“Em termos do potencial valor científico do espécime, é muito difícil dizer sem um estudo adequado e verificado por especialistas”, disse Hone.

“Eu ficaria muito surpreso se o espécime acabasse em uma coleção pública e disponível para estudo, portanto, até esse momento, ele está efetivamente fora do âmbito científico.”

Dinossauro do tamanho de um cão é identificado a partir de fóssil raro

 

Revestimentos naturais substituem plásticos de origem fóssil em embalagens

28 October 2026 at 12:46
revestimentos

O Centro de Engenharia Biológica da UMinho (CEB) desenvolveu revestimentos naturais que melhoram a resistência do papel, permitindo criar embalagens capazes de substituir plásticos de origem fóssil.

Estas soluções melhoram o desempenho dos materiais celulósicos, tornando-os mais aptos para aplicações que exigem proteção contra humidade, gorduras ou gases.

O trabalho integrou o Projeto From Fossil to Forest, que reuniu entidades do sistema científico e tecnológico e empresas do setor para criar embalagens e produtos à base de celulose — o biopolímero natural mais abundante do planeta —, promovendo alternativas renováveis e de menor impacto ambiental.

O CEB explica que para alcançar este objetivo, foram concebidos e caracterizados diferentes revestimentos biopoliméricos, cuja aplicação foi inicialmente testada à escala laboratorial nas suas instalações. Posteriormente, as soluções mais promissoras foram validadas em escala piloto e industrial, permitindo demonstrar a sua viabilidade em contexto produtivo.

“Esta transição da investigação laboratorial para a aplicação industrial constituiu uma das etapas mais relevantes do Pacto de Inovação”, afirma a instituição, revelando também que o processo envolveu a adaptação e otimização das formulações desenvolvidas para assegurar o seu desempenho ao longo das diferentes fases de produção, incluindo em condições reais de fabrico.

As novas soluções vão contribuir para a redução da dependência de matérias-primas fósseis e ajudar a diminuir a pegada carbónica associada às embalagens, promover modelos de economia circular e reduzir a acumulação de resíduos plásticos no ambiente.

De referir ainda o alinhamento do From Fossil to Forest com os objetivos do European Green Deal, apoiando uma bioeconomia assente em recursos renováveis.

O trabalho permitiu a obtenção de protótipos funcionais e deu origem a resultados com potencial de valorização tecnológica.

Entre os avanços alcançados, destaca-se a preparação de um pedido de patente associado a uma formulação de revestimento desenvolvida pela UMinho, bem como a produção de novos conhecimentos científicos que darão origem a publicações especializadas.

A longo prazo, os resultados obtidos no âmbito do projeto poderão acelerar a adoção de soluções de embalagem mais sustentáveis em diversos setores industriais, contribuindo para reduzir a utilização de plásticos convencionais sem comprometer o desempenho dos materiais.

Anfíbio de 237 milhões de anos que teria sido o primeiro a viver só no mar é descoberto na China

27 October 2026 at 14:49

Uma nova espécie de anfíbio que teria vivido há cerca de 237 milhões de anos foi descoberta na China. Ele seria o primeiro e único até hoje capaz de viver somente no mar graças a adaptações no seu organismo.

Batizada de Gerrothorax maritimus, o animal possuía cerca de 75 centímetros de comprimento e corpo achatado. Dois fósseis foram encontrados na província de Guizhou, na China, segundo estudo a revista científica Nature Ecology & Evolution divulgado nesta segunda-feira (26).

Características únicas

O que torna a espécie única é a sua capacidade de sobreviver de forma permanente no mar, em água salgada, o que nenhum anfíbio consegue fazer devido as suas características fisiológicas.

Todos as espécies de anfíbios descobertos até hoje possuem uma pele macia e permeável, que permite a absorção de água e troca de gases, sem necessidade de abrir a boca para se hidratarem ou respirarem.

Como a água do mar é salgada e consequentemente mais concentrada, nessa troca de líquidos pela pele, rãs e salamandras, por exemplo, desidratam, e precisam voltar a água doce para reequilibrar os seus organismos. No caso do Gerrothorax maritimus, isso era limitado pela sua pele semelhante a uma carapaça, selando essa troca.

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Pele do Gerrothorax maritimus era similar a uma armadura óssea que protegia a água do corpo de ser sugada pela água do mar • Ryosuke Motani

Nesse sentido, outra adaptação é em relação a respiração dele. Como a pele não era permeável, o anfíbio possuía brânquias, segundo os pesquisadores, que foram perdidas ao longo da evolução das espécies atuais.

Ele vivia provavelmente a maior parte do tempo no fundo do mar, camuflado nos sedimentos, e se alimentava por sucção devido a sua boca grande com um arco branquial robusto. Esse método suga as presas, com o tubarão-tapete sendo a espécie mais próxima dele hoje.

Como descobriram que ele vivia no mar

Apesar dos fósseis terem sido encontrados no mar, os cientistas tiveram que confirmar se lá era mesmo seu habitat natural ou se o animal teria sido levado para lá ao longo dos milhões de anos.

Para isso, análises foram realizadas, e a principal prova é a composição química dos ossos, que apresentaram assinatura de estrôncio compatível ao fundo do mar. As rochas em que estavam e os sedimentos ao redor também eram compatíveis, descartando a hipótese que eles teriam sido contaminados por detritos do ambiente.

Os fósseis foram encontrados em uma local a cerca de 30 quilômetros de distância da ilha mais próxima que existia no início do período Triássico Superior, há cerca de 237 milhões de anos, reconstruído pelos pesquisadores.

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Pequenos ossos dos dedos continuaram ligados ao esqueleto, o que indica que realmente o mar era o seu habitat natural e onde o animal morreu • Ryosuke Motani

Além disso, eles estavam próximos a grandes ictiossauros, répteis completamente adaptados à vida no oceano, e os ossos dos dedos permaneciam conectados ao esqueleto, o que costuma não acontecer quando um fóssil é arrastado de um local para o outro.

 *Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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