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Aos 34 anos, ele usa garrafas de refrigerante vazias como matéria-prima para alimentar impressora 3D por 7 horas sem usar tinta

Garrafas de leite e refrigerante vazias agora podem ser transformadas em material para impressão 3D, graças a um designer gráfico argentino que encontrou uma forma de derreter o lixo plástico e transformá-lo em filamentos.

Francisco Martinenghi, 34, começou a reciclar embalagens PET de sua casa em Neuquén, a maior cidade da Patagônia argentina. Hoje, seu projeto Punto Verde Gráfico já consegue extrair 11,5 metros de filamento – o suficiente para alimentar processos de impressão por até sete horas – de uma única garrafa de 2,25 litros.

Os resíduos são separados por cor e produzem materiais vibrantes sem precisar de tingimento. “É o mesmo plástico que se reinventa e não gera plástico novo. […] Esta é a economia circular aplicada a gráficas reais”, descreve em sua página no Instagram. Segundo Martinenghi, este é o ápice de uma carreira de sete anos no design, hoje voltada a ajudar o meio ambiente.

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Ao Neuquén Informa, jornal local argentino, ele contou que foi inspirado pelo volume de resíduos gerados pela impressão 3D, indústria cada vez mais popular. “Comecei a ver tantos resíduos de vinil, plástico, tinta, que comecei a sentir que isso tudo não poderia só ir para o lixo”, diz.

Francisco começou a fazer experimentos em casa, adaptando sua própria impressora e coletando materiais descartáveis: “A curiosidade me levou a investigar como fazer, o quão sustentável poderia ser.”

O próximo passo é converter o projeto em uma marca, comercializando produtos impressos com os filamentos reciclados. Nas redes sociais, já foi divulgado o primeiro lançamento: um chaveiro sustentável.

O empreendedor ganhou apoio de um programa de financiamento estadual e direcionará os fundos para adquirir mais máquinas e aumentar o volume produzido, além de contratar colaboradores. “Já estou em busca de uma trituradora industrial, uma extrusora de filamento maior e uma cortadora a laser. Espaço e trabalho são, hoje, o mais necessário”, disse.

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O desastre de 1940 que fez uma ponte virar ‘vela no vento’ e obrigou a engenharia a criar pistas com formato de asa

Em 1940, nos Estados Unidos, uma pista fina e comprida colapsou após entrar em um movimento contínuo de torção provocado por ventos de cerca de 60 km/h. O impacto do ar atuou sobre a estrutura horizontal como uma vela no vento, aumentando progressivamente a oscilação até a ruptura.

O evento na Ponte de Tacoma Narrows, ocorrido no estado de Washington, nos Estados Unidos, marcou a história da engenharia civil e forçou a reformulação no projeto de grandes travessias, resultando na criação do tabuleiro aerodinâmico com bordas afinadas no formato de asa.

O efeito da aerodinâmica em grandes estruturas

Antes do acidente, o desenvolvimento focava no suporte a cargas verticais e no uso de cabos de aço em leque (estais) para sustentar o peso da pista sobre rios de até 1 km. No entanto, a queda da estrutura demonstrou que superfícies planas e oferecem grande resistência frontal à passagem do ar.

Para evitar a retenção do vento, os projetistas alteraram o perfil das pistas. Ao afinar as bordas na forma de asa de avião, o ar passou a fluir sobre e sob a estrutura sem gerar turbulência. A alteração reduziu a pressão exercida pelas rajadas e eliminou movimentos de torção.

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Salvaguardas físicas em pontes estaiadas

A adoção do tabuleiro aerodinâmico passou a compor um conjunto de soluções físicas integradas.

Entre as tecnologias aplicadas estão as juntas de dilatação com dentes de aço, projetadas para absorver variações térmicas que fazem uma pista de 1 km expandir até 40 cm do frio para o calor, e aparelhos de apoio de borracha, que evitam o desgaste pelo atrito sobre os pilares.

Adicionalmente, ilhas de pedra (defensas) passaram a ser posicionadas no entorno das bases para bloquear colisões de navios desgovernados.

*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil

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Patrona das bruxas ou Senhora da Guerra? O que os manuscritos medievais realmente dizem sobre Morrígan

Na mitologia celta, uma divindade capaz de assumir a forma de um corvo aparecia em narrativas de batalhas e anunciava o destino de guerreiros. Conhecida como Morrígan, a chamada “Senhora da Morte” era associada à guerra, às profecias e à soberania, desempenhando um papel importante nas histórias da antiga Irlanda.

O dia 30 de outubro aparece em alguns calendários espirituais contemporâneos como uma data dedicada a Morrígan, especialmente por sua associação com a morte e a bruxaria. A celebração ocorre às vésperas do Halloween, período em que personagens e tradições da mitologia celta costumam ganhar destaque.

Apesar dessa associação, não há registros de que os antigos celtas celebrassem Morrígan em uma data específica. Sua história aparece em relatos da mitologia irlandesa preservados em manuscritos medievais.

Quem era Morrígan na mitologia celta?

Morrígan aparece em relatos da mitologia irlandesa como uma divindade ligada à guerra, ao poder e ao destino dos guerreiros. Além de anunciar mortes, podia influenciar batalhas e assumir diferentes formas para interferir nos confrontos.

Uma das histórias mais conhecidas envolve Cúchulainn, guerreiro lendário do ciclo do Ulster. Segundo a narrativa, Morrígan tentou enfrentá-lo assumindo as formas de uma enguia, de um lobo e de uma novilha. O herói conseguiu resistir aos ataques, mas a relação entre os dois também ficou marcada por profecias sobre seu destino.

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O corvo se tornou um dos principais símbolos de Morrígan, por sua associação com os campos de batalha. Em algumas versões da mitologia irlandesa, a divindade integra uma tríade feminina ao lado de Badb, ligada à guerra e à morte, e Macha, associada à soberania e à fertilidade. Outras narrativas incluem Nemain, relacionada ao caos e ao terror dos combates.

Associação às bruxas

A associação de Morrígan com a bruxaria moderna surgiu a partir de interpretações de seus poderes e de seu papel na mitologia irlandesa. Em algumas práticas neopagãs, ela é reverenciada como uma figura de proteção e força feminina.

A divindade também é lembrada durante o Samhain, antiga festividade irlandesa que marcava a chegada do inverno e influenciou tradições do Halloween. A celebração é associada a crenças sobre a aproximação entre o mundo dos vivos e o dos mortos.

Embora seja conhecida como “Senhora da Morte” e lembrada em celebrações próximas ao Halloween, a associação de Morrígan como patrona das bruxas e sacerdotisas vem principalmente de interpretações modernas. Nos relatos antigos, a divindade aparece ligada à guerra, à soberania e ao destino dos guerreiros.

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Do “roubo” do casaco ao alívio da ansiedade: o verdadeiro motivo de elas ficarem com o moletom do parceiro

A retenção do moletom do namorado por parte das parceiras não decorre de mero apego à peça ou esquecimento casual, mas sim de uma resposta biológica inconsciente para regulação emocional.

Estudos apontam que o hábito é impulsionado pelo vínculo olfativo e pela sensação de proteção gerada pelo odor do parceiro.

O impacto do cheiro no cérebro

O cérebro processa o aroma natural do parceiro impregnado no tecido por meio do sistema olfativo, que possui ligação direta com a amígdala e o hipocampo. Essas estruturas são responsáveis pelas memórias sociais e pelo processamento das emoções.

Pesquisas da University of British Columbia demonstram que a inalação do cheiro do parceiro romântico reduz os níveis de cortisol, o hormônio associado ao estresse no organismo feminino.

Além disso, a presença desse odor estimula a liberação de oxitocina, substância química ligada ao bem-estar e ao fortalecimento do vínculo afetivo, promovendo alívio da ansiedade e simulando o conforto de um abraço.

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Objeto de transição no público adulto

Na psicologia, o vestuário retido atua como um objeto de transição. Esse conceito descreve itens utilizados para preencher fisicamente a ausência do parceiro e manter uma sensação contínua de segurança.

Portanto, o uso contínuo da peça funciona como uma ferramenta de proteção psicológica que torna o distanciamento físico mais suportável.

*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil

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De pedrinha em pedrinha, coreano construiu mais de 80 pilhas de até 15 metros de altura; trabalho de 30 anos foi inspirado por “revelação divina”

Entre os picos gêmeos da montanha de Maisan, no oeste da Coreia do Sul, está escondido um templo decorado com mais de 80 pilhas de pedra. Algumas são menores, compostas por colunas únicas de rochas equilibradas que desafiam a ação dos ventos; outras têm mais de toneladas de pedras acumuladas e atingem alturas de até 15 metros.

Todas elas foram construídas por um único homem: o eremita coreano Lee Gap-Yong, que empilhou cada pedrinha ao longo de três décadas como parte de um ritual de reflexão e espiritualidade.

A história do templo de Tapsa

Preservado até hoje como ponto turístico pelos monges budistas da ordem Taego, o pequeno templo começou a ser construído em 1885. Um eremita solitário subiu a montanha de Maisan, no estado de Jeonbuk, para meditar no vale entre seus dois picos.

Na tradição budista, empilhar rochas é uma forma de meditação ativa. A construção dos chamados “pagodes” ou torres de pedra é uma forma de pedir boa sorte e exercitar o equilíbrio e atenção plena.

De acordo com o abade do templo, Jinseong, em entrevista de 2024 ao veículo Cheongpung News, “enquanto Lee Gap-yong empilhava cada pedra, ele rezava pela independência da nação e pela salvação do povo”. Para o monge, “os misteriosos pagodes construídos com pedras representam a cristalização dos desejos e da prática espiritual de inúmeras pessoas.”

Na época, o território coreano, ainda unificado, estava sob influência japonesa e também era visado pela China. Só na década de 1880 foi criada a Taegeukgi, a bandeira nacional coreana, para reafirmar a soberania do país.

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O trabalho do eremita começou quando tinha apenas 25 anos e estendeu-se até 1917, mais de três décadas depois. Estima-se que ele tenha construído acima de 100 torres de pedra, e cerca de 80 sobrevivem até hoje.

“A questão mais frequente sobre as torres é: como elas podem continuar preservadas, sem colapsar?”, contou o abade Jinseong. “É prova de que Lee Gap-Yong não as construiu só por fazer. Ele as construiu com consciência dos ângulos do vento, da direção na qual ele desce e onde ele se curva e sobe novamente. É uma ciência viva, uma torre que reflete por completo a providência da natureza.”

Como foram construídas as torres de pedra?

Segundo uma investigação do canal televisivo Channel News Asia, as torres começavam com uma base circular plana. Depois, novas pedras eram adicionadas dentro do círculo. O terceiro passo era equilibrar outras rochas por cima do círculo, formando uma pirâmide cônica.

A maioria das pedras era retirada da própria montanha e dos arredores, mas as rochas maiores foram trazidas de leitos de rios e outras regiões da Coreia. Entre elas, outras menores eram posicionadas para aumentar a estabilidade.

Nenhuma ferramenta ou argamassa foi utilizada para construir os pagodes. Diferente de outras torres de pedras comuns na tradição budista, o formato natural de cada peça era preservado, exigindo maior atenção ao equilíbrio e maior planejamento de encaixe.

17 de ago. de 2026
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O local só foi convertido em templo budista depois da conclusão do trabalho de Lee, que também se formou monge na velhice.

Tapsa está aberta à visitação, localizada dentro do Parque Provincial de Maisan. Nos arredores, trilhas repletas de natureza também atraem turistas. A primavera coreana, entre março e abril, é o momento mais propício para visitação: é quando florescem as famosas árvores cerejeiras, tingindo a paisagem de cor-de-rosa.

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Há três séculos, uma jovem italiana desafiou as regras da ciência e se tornou professora universitária

Em uma época em que as mulheres tinham acesso limitado às universidades, uma jovem italiana de apenas 21 anos conseguiu conquistar um cargo de professora em uma das instituições de ensino mais antigas da Europa. Em 1732, Laura Bassi passou a integrar a Universidade de Bolonha, na Itália, tornando-se uma das pioneiras da participação feminina no ensino superior.

A conquista não significou que ela pudesse exercer a profissão nas mesmas condições que seus colegas homens. Apesar do reconhecimento acadêmico, Bassi enfrentou restrições para ministrar aulas públicas e precisou encontrar outras maneiras de desenvolver suas atividades.

Como Laura Bassi conquistou um cargo na universidade?

Desde a infância, Bassi recebeu uma educação particular, algo incomum para as mulheres da época. Com o apoio da família, estudou línguas, matemática e filosofia, despertando o interesse de intelectuais que passaram a acompanhar seu desenvolvimento.

Em 1732, participou de uma apresentação pública de seus conhecimentos filosóficos, que contribuiu para ampliar seu reconhecimento em Bolonha. Naquele mesmo ano, recebeu o título de doutora em filosofia e foi nomeada professora da universidade, um feito excepcional para uma mulher no século XVIII.

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Sua atuação se concentrou principalmente na física experimental e na divulgação das ideias de Isaac Newton, que ganhavam espaço entre os estudiosos europeus. Mas, o cargo universitário não garantia a Bassi a mesma liberdade de ensino concedida aos professores homens.

Por que a cientista enfrentou restrições para ensinar?

Apesar de ter conquistado um cargo na universidade, Laura Bassi não tinha a mesma liberdade que os professores homens para dar aulas. Sua atuação era limitada pelas regras da instituição, que restringiam a participação feminina no ensino. Em 1749, ela e o marido, o médico Giuseppe Veratti, organizaram um laboratório na própria residência, onde realizavam experimentos e recebiam estudantes interessados em física.

O espaço permitiu que a cientista mantivesse suas atividades de ensino e pesquisa fora das salas de aula da universidade. Ao longo dos anos seguintes, continuou participando da vida acadêmica de Bolonha e ampliou seu trabalho com a física experimental. Em 1776, mais de quatro décadas depois de sua nomeação como professora, conquistou a cátedra de física experimental no Instituto de Ciências da cidade, assumindo uma posição de maior destaque na instituição.

Laura Bassi morreu em 1778, aos 66 anos, apenas dois anos depois de assumir o cargo. Sua trajetória reuniu conquistas pouco comuns para uma mulher do século XVIII, em um período em que o acesso feminino às universidades e às atividades científicas ainda enfrentava fortes restrições.

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Guerra dos Mundos: um especial de Halloween transmitido no rádio fez um estado inteiro acreditar que estava sendo invadido por alienígenas

Na noite de 30 de outubro de 1938, véspera de Halloween, quem sintonizou a rede CBS nos Estados Unidos encontrou o que parecia uma programação musical interrompida por plantões urgentes: os boletins falavam de explosões em Marte e de um objeto misterioso caído em uma fazenda de Nova Jersey.

Era teatro radiofônico: uma adaptação do romance *A Guerra dos Mundos*, de H.G. Wells, dirigida por Orson Welles, então com 23 anos. No dia seguinte, jornais de todo o país descreveram uma histeria coletiva por conta da transmissão.

Às vésperas de completar 88 anos, o episódio segue citado como exemplo do poder do áudio para enganar, mas a pesquisa histórica mostra uma versão bem menos dramática do que a lenda.

Um noticiário fictício sobre marcianos em Nova Jersey

A Guerra dos Mundos foi ao ar às 20h, no horário da Costa Leste, dentro da série “The Mercury Theatre on the Air”, que a CBS dedicava a adaptações de clássicos da literatura.

Em vez de encenar o romance como uma peça tradicional, Welles e o roteirista Howard Koch deslocaram a trama, ambientada na Inglaterra do fim do século 19, para a pequena Grover’s Mill, em Nova Jersey, e a apresentaram como cobertura jornalística ao vivo.

Repórteres descreviam a multidão diante de uma cratera, autoridades davam declarações e a transmissão era cortada nos momentos de maior tensão. Em depoimento judicial, em 1960, o diretor e ator Orson Welles, criador do programa, contou que sua ideia era fazer uma transmissão em que “uma crise parecesse estar realmente acontecendo”.

Os detalhes de produção que deram realismo à cena

Os bastidores foram reconstruídos pelo escritor e pesquisador A. Brad Schwartz, autor do livro “Broadcast Hysteria”, que analisou centenas de cartas enviadas ao próprio Welles nos dias seguintes. Segundo ele, a equipe do Mercury Theatre não esperava enganar ninguém, porque considerava a história improvável demais.

As escolhas que tornaram o programa convincente nasceram da tentativa de evitar o ridículo. O início foi propositalmente lento, para que a velocidade da invasão parecesse aceitável mais adiante. O intervalo com a identificação da emissora, que em dramas costumava cair na metade da hora, foi empurrado para perto dos 40 minutos, o que deixou quem chegou atrasado sem o aviso de ficção por um bom tempo.

O ator Frank Readick estudou a gravação da cobertura do desastre do dirigível Hindenburg para imitar a voz de um repórter em pânico. Ora Nichols, chefe de efeitos sonoros da CBS em Nova York, criou os ruídos das máquinas marcianas, e o ator Kenneth Delmar imitou o presidente Franklin Roosevelt no papel de um secretário do governo.

Quantas pessoas ouviram a transmissão de fato

Os pesquisadores de mídia Jefferson Pooley, professor de mídia e comunicação da Muhlenberg College, e Michael J. Socolow, professor de comunicação e jornalismo da Universidade do Maine, resgataram os dados de audiência da época. Na noite do programa, o instituto C.E. Hooper telefonou para 5 mil domicílios em sua pesquisa nacional. Apenas 2% disseram estar ouvindo a peça de Welles ou algo semelhante, e nenhum citou um noticiário.

A atração concorria com o programa de humor do ventríloquo Edgar Bergen, um dos mais populares do país, e afiliadas importantes da CBS, como a WEEI, de Boston, nem chegaram a transmiti-la. Frank Stanton, executivo da CBS na época, lembrou depois que “em primeiro lugar, a maioria das pessoas não ouviu”. Quem ouviu, segundo ele, entendeu tudo como uma pegadinha.

O que os registros mostram sobre o suposto pânico

Os relatos de debandadas, suicídios e hospitais lotados também não resistem à checagem. Nenhum jornal da época noticiou um suicídio comprovado ligado ao programa. Pesquisadores da Universidade de Princeton que tentaram confirmar o boato de pessoas atendidas por choque em um hospital de Newark concluíram que a informação era falsa, e um levantamento feito seis semanas depois em hospitais de Nova York não encontrou atendimentos atribuídos à transmissão.

Uma ouvinte processou a CBS em 50 mil dólares, alegando abalo nervoso, e a ação foi rapidamente arquivada. Para Pooley e Socolow, “quase ninguém foi enganado pela transmissão de Welles”. O que houve foram ligações preocupadas para delegacias, redações e emissoras, o suficiente para convencer jornalistas de que algo grande acontecia.

O papel dos jornais na criação do mito

Um dos maiores jornais do país publicou um editorial intitulado “Terror pelo rádio”, e a revista do setor de jornais alertou para os riscos de notícias incompletas em um meio ainda não comprovado. O contraste entre o que se viu e o que se publicou chegou a ser flagrado por quem estava lá.

Um crítico de rádio de um tabloide nova-iorquino, Ben Gross, recordou em livro que as ruas de Manhattan estavam vazias enquanto seu táxi seguia para a sede da CBS, e o jornal dele estampou o pânico na capa mesmo assim. W. Joseph Campbell, professor da American University e autor de “Getting It Wrong”, analisou a cobertura e observou que a história “sumiu rapidamente das primeiras páginas”. Se a histeria fosse real, argumenta ele, os jornais teriam acompanhado o caso por semanas.

Um estudo acadêmico que deu números ao pânico

Em 1940, o psicólogo Hadley Cantril, professor da Universidade de Princeton, publicou “The Invasion from Mars”, com a estimativa de que cerca de 1 milhão de pessoas ficaram assustadas. O trabalho se apoiou em uma pesquisa feita seis semanas depois da transmissão, e o próprio autor reconheceu que a audiência medida ficou “mais de 100% acima de qualquer outra medida conhecida”.

Pooley e Socolow também apontam uma confusão de categorias no estudo, que tratou ouvintes assustados ou empolgados como se estivessem em pânico, embora dramas de suspense costumassem provocar essas reações no rádio. O livro, dizem os autores, permanece como a única fonte com respaldo acadêmico a sustentar a tese de um grande pânico.

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Arqueólogos encontram pegada misteriosa de cachorro marcada em tijolo há quase 4 mil anos

Todo mundo sabe que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas desde quando esse animal é um companheiro fiel dos seres humanos? Uma nova descoberta sugere que há muito mais tempo do que imaginamos.

O Ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, compartilhou nas redes sociais a descoberta de uma pegada de cachorro marcada em um tijolo há mais de 4 mil anos. De acordo com a publicação, a pedra foi encontrada na cidade de Cutáquia por um grupo de pesquisadores da Universidade de Bilecik, liderados pelo professor Erkan Fidan. 

“O tijolo estava na estrutura que desabou após um incêndio na Idade do Bronze. As pegadas de patas em sua superfície preservaram um pequeno momento da vida cotidiana”, escreveu Ersoy no X.

Tavşanlı Höyük’te yaklaşık 4.000 yıllık pati izleri bulduk. 🐾 🐕 Kütahya’daki kazılarımızda, patili bir dostumuzun henüz kurumamış kerpicin üzerinde bıraktığı izlere ulaştık. Tunç Çağı’nda yangın geçirerek yıkılan bir yapının molozu içinde bulunan bu kerpiç, bir zamanlar evin duvarında yer alıyordu. Üzerindeki pati izleri, dört bin yıl önceki gündelik hayatın küçük bir anını korudu. Batı Anadolu’nun en büyük Tunç Çağı kentlerinden Tavşanlı Höyük’te yalnızca yapıları ve eserleri değil, yaşamın böylesine küçük ve beklenmedik izlerini de ortaya çıkarıyoruz. 2021’den bu yana çalışmaları yürüten Kazı Başkanımız Prof. Dr. Erkan Fidan’a ve kazı ekibimize teşekkür ediyorum.

— Mehmet Nuri Ersoy (@MehmetNuriErsoy) October 26, 2026

De acordo com o blog Popular Science, a equipe de Fidan estava investigando as pegadas desde 2021. Os vestígios incluíam seções de paredes de tijolos de barro, comuns na época, feitas com uma mistura de água, terra e palha, que era então seca ao sol.

Mas, enquanto um lote de tijolos de barro estava exposto ao calor, o animal aparentemente passou por cima de um tijolo e deixou uma marca perfeita.

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Juan, 72, e Antolina, 74, vivem em casas separadas há 50 anos e ele caminha até 30 minutos todo dia para ajudar com os animais: qual o segredo?

Nas encostas elevadas dos Valles Calchaquíes, em Salta, no noroeste argentino, a história de Juan, de 72 anos e Antolina de 74 anos, redefine a convivência conjugal. Eles dividem a jornada afetiva há mais de 50 anos, mas decidiram habitar ranchos individuais de alvenaria rústica localizados na marca dos 3.500 metros de altitude. Essa escolha demonstra como a autonomia espacial pode caminhar lado a lado com um relacionamento duradouro.

A decisão de residir em imóveis próprios não teve origem em conflitos, mas no respeito ao histórico de cada um, pois ambos já detinham suas propriedades antes do matrimônio. A localização remota coloca as moradias a uma distância de cinco horas a pé em relação a Cafayate, polo urbano da zona. O arranjo familiar conta com o apoio do filho Clemente, que habita com a mãe, enquanto os outros dois herdeiros fazem visitas esporádicas.

A caminhada matinal e a rotina rústica na serra

O dia a dia do casal ganha ritmo nas primeiras horas da manhã, momento em que Juan percorre uma rota de 20 a 30 minutos na companhia de seu cão até a habitação de Antolina. Unindo forças, os dois conduzem ovelhas e cabras para o pasto e dividem todo o manejo do rebanho. Quando a noite se aproxima, o idoso refaz o percurso de regresso ao seu endereço original.

A sobrevivência na montanha apoia-se em recursos elementares, utilizando lenha, palha e pedras na construção e manutenção dos lares, com abastecimento hídrico feito por nascentes. A subsistência alimentar é complementada por plantios murados de milho, batata e abóbora, mantidos sob vigilância por conta dos ataques frequentes de pumas aos animais da fazenda.

A produção artesanal e a biologia da altitude

O manejo pecuário na região opera sob a lógica da agricultura familiar, soltando os bichos para pastejo diurno e recolhendo-os ao entardecer. Um estudo conduzido com 35 famílias de Payogasta, publicado no periódico Fave: Sección Ciencias Agrarias da Universidad Nacional del Litoral, indica que as propriedades locais mantêm cerca de 80 cabras em idade adulta. Toda a produção de queijo deriva da extração manual do leite, tendo a dieta animal baseada em alfafa, resíduos agrícolas e vegetação nativa.

O ambiente localizado a 3.500 metros do nível do mar impõe barreiras biológicas reais devido à escassez de oxigênio. Alertas emitidos pelo Governo de Mendoza informam que a falta de adaptação atmosférica desencadeia o mal da montanha a partir dos 2.500 metros, manifestando sintomas como enxaqueca, enjoo, tonturas e insônia.

Para os viajantes interessados no circuito turístico local, o portal oficial de turismo da Argentina orienta a realização de subida progressiva, consumo abundante de água e consulta médica prévia em casos de comorbidades circulatórias e respiratórias.

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Batman de Londres: quem é o vigilante mascarado que distribui boas ações na capital britânica?

Uma misteriosa figura mascarada vem chamando a atenção por toda a capital britânica ao realizar atos aleatórios de bondade. O chamado Batman de Londres conquistou um grande número de seguidores nas redes sociais ao aparecer em diversos locais para pagar o combustível de estranhos, tapar buracos nas ruas e até vender o doce Freddo pelo preço antigo de 5 centavos.

Após semanas de especulações, a BBC Londres foi convidada para um encontro secreto com o vigilante. O convite trazia apenas hora e local, levando a equipe a um beco deserto onde a figura finalmente surgiu. Ao ser questionado sobre suas motivações, o mascarado afirmou que qualquer um pode ser um herói e que seu objetivo é mostrar o lado bom da cidade em tempos difíceis.

Teorias sobre a identidade secreta

O mistério sobre quem está por trás da máscara tornou-se tão popular quanto as próprias boas ações. Muitos internautas acreditam que o homem fantasiado seja o YouTuber Niko Omilana, conhecido por vídeos de pegadinhas e por campanhas políticas anteriores em que também costumava tapar buracos nas ruas.

Apesar de Omilana ter enviado uma mensagem de voz à BBC negando ser o herói, as suspeitas continuam. O criador de conteúdo Roy Patrick declarou acreditar que ainda pode se tratar do influenciador ou de alguém enviado por ele, destacando que as teorias da conspiração em torno do caso movimentam a curiosidade do público.

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Entenda o efeito Dunning-Kruger e por que quem menos entende de um assunto costuma ser justamente quem fala com mais certeza absoluta

Quem nunca esbarrou em alguém nas redes sociais dando palpite cheio de propriedade sobre economia, inteligência artificial ou a escalação da Seleção Brasileira? Essa coragem toda para opinar sobre o que não se domina pode parecer um contrassenso, já que o natural seria esperar tanta convicção apenas de quem passou anos estudando o assunto.

A psicologia mostra que quanto menos a gente sabe, mais acha que sabe. Batizado em 1999 como efeito Dunning-Kruger, o fenômeno foi investigado por David Dunning e Justin Kruger. Em um estudo clássico publicado no Journal of Personality and Social Psychology, a dupla aplicou testes de lógica e gramática a voluntários e pediu que cada um avaliasse o próprio desempenho.

Confiança nas alturas e o papel do conhecimento raso

O resultado foi divertido e curioso: quem tirou as melhores notas achou que tinha ido mal, enquanto a turma dos 25% piores tinha certeza de estar entre os melhores. A explicação é bem simples: para saber o tamanho do nosso desconhecimento, precisamos de ao menos uma pontinha de bagagem. Sem ela, conceitos complexos parecem fáceis demais.

É o caso de quem resolve caça-palavras e acha que tiraria de letra uma prova de cálculo avançado. Como a pessoa nunca viu integrais na vida, sua mente nem percebe os tropeços. E vale notar: isso não é falha de caráter ou soberba, mas um truque do cérebro humano ao qual todos nós estamos sujeitos em alguma área.

Do volante aos tabuleiros de xadrez

Pesquisas mostram o viés em ação até em 80% dos motoristas, que juram dirigir acima da média, assim como em engenheiros, golfistas, enxadristas, investidores e até crianças tentando explicar o mundo. Nossos cérebros adoram juntar pontinhas soltas e criar histórias coerentes, mesmo com dados incompletos.

Por outro lado, quem realmente domina um assunto sofre do mal oposto: acha tudo tão óbvio que supõe que os outros também já sabem, além de ficar cada vez mais consciente de tudo o que ainda falta aprender. A boa notícia é que o efeito passa assim que recebemos feedbacks claros. Ouvir opiniões e reconhecer tropeços é o melhor remédio para não virar meme.

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A lenda é real? A incrível descoberta sobre os dois cavalos de Troia gigantes que estão escondidos na Turquia

Duas enormes réplicas do Cavalo de Troia chamam a atenção de visitantes na Turquia e mantêm viva a curiosidade sobre uma das narrativas mais conhecidas da Antiguidade. Inspirada na tradição da Guerra de Troia, a estrutura de madeira tornou-se um símbolo de uma história que atravessou séculos, misturando literatura, mitologia e investigações arqueológicas.

Para explorar esses monumentos e o patrimônio ao redor, uma reportagem especial da rede CNN, apresentada pelo correspondente Leroy Ah Ben e produzida junto à jornalista Işıl Sarıyüce, levou o público diretamente ao Museu de Troia, localizado próxima a Çanakkale, no noroeste da Turquia.

O resgate da memória e o acervo histórico

O primeiro cavalo está posicionado do lado de fora do próprio museu. Já a segunda réplica fica no meio do centro urbano de Çanakkale, sendo famosa por ter sido utilizada originalmente como peça de cenário do filme estrelado por Brad Pitt em 2004. A presença dessas duas atrações permite aos visitantes interagir diretamente com a lenda.

A experiência de explorar a atração por dentro

O repórter Leroy aproveitou a oportunidade para conhecer as estruturas internas do monumento gigante, “Não sabemos se o cavalo troiano existiu de fato, mas quando te dão a chance de entrar em um modelo gigante de madeira, você sobe”, comentou o jornalista.

Ao encarar os degraus, ele observou a complexidade da construção: “Parece haver muitas escadas. Quantos soldados caberiam aqui dentro?”. Em seguida, se deparou com uma vista esplêndida de uma das janelas. “Olhem só essa perspectiva do alto”.

O veredito sobre a existência do monumento

Ao observar a dimensão da estrutura do alto, o correspondente refletiu sobre a logística da narrativa clássica: “Não faço ideia de como conseguiram colocar isso para dentro das muralhas da cidade”. A declaração reforça a perplexidade visual que a enorme réplica causa em quem a visita.

“A cidade de Troia é definitivamente real, mas se o cavalo gigante de madeira existiu de fato… bom, isso eu deixo para o julgamento de cada um de vocês”, declarou o jornalista ao encerrar a matéria, selando a fronteira entre a história comprovada e o mito.

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Fóssil raro de dinossauro é vendido por US$ 47 milhões em leilão, tornando-se o segundo mais valioso da história

Um raro esqueleto de Nanotyrannus, um parente menor do T. rex, foi vendido em um leilão da casa Sotheby’s, em Nova York, por US$ 47,3 milhões (R$ 251 milhões), após uma disputa de lances de 12 minutos entre seis concorrentes.

O espécime, chamado Jodi, é um dos únicos três esqueletos de Nanotyrannus relativamente completos conhecidos pela ciência.

Ultrapassando a estimativa de US$ 6 a US$ 9 milhões (R$ 30 a R$ 45 milhões), a venda foi feita por pouco abaixo do recorde de leilão para um fóssil, estabelecido em julho com Gus — um esqueleto excepcional de T. rex que foi vendido por US$ 50,1 milhões (R$ 267 milhões).

Com 2,9 metros de altura e 5,9 metros de comprimento, Jodi tem mais da metade do tamanho de Gus, e a escassez de espécimes semelhantes provavelmente contribuiu para o aumento do preço de venda.

A própria existência da espécie Nanotyrannus é alvo de intenso debate na paleontologia; pesquisadores só recentemente inclinaram a balança a favor de considerar o Nanotyrannus um dinossauro distinto, em vez de um T. rex juvenil.

De acordo com a Sotheby’s, o espécime está excepcionalmente preservado, é composto por 191 elementos ósseos e inclui um crânio “virtualmente completo”.

Como o esqueleto foi descoberto?

O esqueleto foi descoberto em 2019 pela rancheira de Montana, Jodi Pierson — que também inspirou seu nome — e escavado por Clayton Phipps, um paleontólogo comercial conhecido como o “Cowboy dos Dinossauros”.

Assim como vários outros fósseis importantes vendidos anteriormente em leilão, Jodi provém da Formação Hell Creek, um cemitério geológico que se estende por Montana, Wyoming e as Dakotas.

Um dos primeiros esqueletos de T. rex foi encontrado nessa região em 1902, e o nome T. rex foi dado à espécie com base em fósseis desenterrados na área.

Em 2006, a uma curta distância do sítio arqueológico de Jodi, Phipps desenterrou os “Dinossauros Duelistas”, um fóssil lendário que agora se encontra no Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, em Raleigh.

O fóssil apresenta dois esqueletos aparentemente em combate — um de Triceratops e outro de um tiranossauro menor, agora identificado como um Nanotyrannus.

O terceiro esqueleto conhecido de Nanotyrannus é Jane, também de Hell Creek, e está exposto no Museu Burpee de História Natural, em Rockford, Illinois.

Com base no tamanho geral e no desenvolvimento ósseo, Jodi é um espécime adulto, de acordo com a Sotheby’s.

Os ossos faltantes foram substituídos por elementos personalizados impressos em 3D e esculpidos, e o fóssil foi oferecido com “direitos totais”, o que significa que não contém nenhum elemento protegido por direitos autorais de outros dinossauros.

Seu novo proprietário — cuja identidade é desconhecida — pode, portanto, criar réplicas do esqueleto e vendê-las para museus ou colecionadores.

A venda de fósseis de dinossauros a preços exorbitantes tem gerado fortes críticas por parte dos cientistas, pois retira os espécimes do domínio público e os torna indisponíveis para estudo.

“Acabamos de descobrir que o Nanotyrannus é real, e agora um dos melhores esqueletos está prestes a ser vendido para o maior lance”, disse Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolução da Universidade de Edimburgo, na Escócia, em um e-mail.

“É angustiante pensar que ele possa desaparecer nos cofres de um colecionador em vez de ser exibido em um museu, onde pode impressionar e inspirar crianças, famílias e o público em geral.”

David Hone, paleontólogo e professor de zoologia na Queen Mary University de Londres, disse estar muito surpreso com o fato de Jodi ter sido vendida por um valor muito superior às estimativas.

“Parece que estamos diante de uma bolha de preços de dinossauros que inevitavelmente estourará em algum momento; os preços não podem continuar subindo para sempre”, acrescentou em um e-mail.

“Em termos do potencial valor científico do espécime, é muito difícil dizer sem um estudo adequado e verificado por especialistas”, disse Hone.

“Eu ficaria muito surpreso se o espécime acabasse em uma coleção pública e disponível para estudo, portanto, até esse momento, ele está efetivamente fora do âmbito científico.”

Dinossauro do tamanho de um cão é identificado a partir de fóssil raro

 

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Conheça a história do parque na “Orlando brasileira”, um dos mais visitados de todas as Américas e o terceiro com maior público no mundo

A trajetória desse gigante começou em 1987, quando a descoberta de águas termais no subsolo de Olímpia (SP) impulsionou a cidade no maior polo de viagens em família do Brasil. Mais de quatro décadas após a sua criação, o local segue como um motor econômico indispensável para a região e é referência nacional.

Divulgado na terça-feira (27), o relatório TEA Global Experience Index, produzido pela Themed Entertainment Association (TEA), confirmou o impacto global da atração. O levantamento da instituição, referência na indústria de lazer, colocou o espaço no topo do continente americano e na 3ª posição mundial em número de visitantes.

Desempenho que supera o mercado global

Durante o ano de 2025, a atração registrou uma alta de 5,4% no seu volume de frequentadores em comparação com o período anterior. Esse desempenho superou com folga o ritmo dos 20 maiores parques aquáticos do planeta, cuja média de expansão foi de 3%.

Para Jorge Noronha, presidente do Termas dos Laranjais, a posição de destaque reflete os aportes contínuos em infraestrutura e a modernização constante do catálogo de brinquedos. Ele destaca que a projeção internacional valida a relevância do município paulista e sua capacidade de encantar o público com novidades.

Estrutura completa e responsabilidade ambiental

Com funcionamento sem pausas durante os 365 dias do ano, o espaço dispõe de mais de 60 atrações alimentadas por águas aquecidas naturalmente. Essa engrenagem contínua atrai multidões a cada temporada, injetando recursos vitais no comércio e nos serviços regionais.

Pioneiro também na pauta socioambiental, o complexo tornou-se o primeiro parque aquático brasileiro a assinar o Pacto Global e a adotar formalmente os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

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Poucas horas para renunciar: como os generais de Getúlio Vargas puseram fim a 15 anos de Estado Novo

Getúlio Vargas (1882-1954) ocupa um capítulo importante na política brasileira no século 20, sendo estudado em livros de história na escola. Após 15 anos no poder, foi deposto pelo próprio ministério em 29 de outubro de 1945, em um movimento que pôs fim ao Estado Novo (1937-1945).

Os articuladores do golpe militar foram os generais Eurico Gaspar Dutra – ex-ministro da Guerra, que viria a assumir a presidência em 31 de janeiro de 1946, ficando no posto até a mesma data de 1951 – e o então ministro da Guerra Góis Monteiro, dois de seus homens de confiança do gabinete. Eles não gostaram da nomeação polêmica do irmão dele, Benjamin Vargas, para a Chefia de Polícia do Rio de Janeiro, então capital federal.

O que aconteceu?

Na época, Vargas vinha prometendo eleições e ensaiando uma transição controlada após 15 anos ininterruptos no comando do país. No entanto, para conter os protestos e o movimento “Queremista” (que pedia sua permanência no poder), Getúlio exonerou o chefe da Polícia Federal do Distrito Federal, João Alberto Lins de Barros, e nomeou para o cargo o próprio irmão, Benjamin Vargas, apelidado de “Bejo”.

A escolha foi interpretada pela cúpula das Forças Armadas e pela oposição como uma manobra para perpetuar o regime ou dar um novo golpe de estado. A reação dos generais foi imediata, enviando um ultimato ao presidente: renunciar ou ser deposto pelas armas.

Sem apoio militar e disposto a evitar um derramamento de sangue, Getúlio concordou em assinar a renúncia naquela mesma tarde, afastando-se do cargo, abrindo caminho para a redemocratização e voltando para São Borja, no Rio Grande do Sul, sua terra natal. Com a deposição em 29 de outubro, todos os quadros com a foto dele como presidente foram removidos das paredes das repartições da noite para o dia.

Discrição

Apesar de terem comandado o golpe, os militares preferiram manter as aparências institucionais para garantir uma transição pacífica e, ao invés de assumirem a presidência imediatamente, o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro José Linhares, ocupou o cargo interinamente, até a posse de Dutra, em janeiro do ano seguinte.

Vargas manteve-se recolhido em sua cidade, preparando o terreno para o retorno por vias democráticas, na eleição de 1950, ficando no cargo até o suicídio, em 1954.

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O filme proibido de Thomas Edison: a tragédia com o presidente dos EUA que deu origem ao Serviço Secreto

Em 29 de outubro de 1901, por volta das sete horas da manhã, um prisioneiro foi levado de sua cela na Prisão de Auburn em Nova York para uma câmara de execução. Sentou-se na cadeira elétrica e, enquanto tinha os eletrodos conectados à sua pele e as tiras amarradas em suas pernas, declarou:

“Eu matei o presidente porque ele era o inimigo do bom povo trabalhador. Não me arrependo do meu crime.” E terminou: “Lamento não ter podido ver meu pai.”

O homem passou o próximo minuto recebendo choques elétricos com tensões entre 1.800 e 300 volts. Seu óbito foi decretado pelos médicos presentes quatro minutos depois. Foi executada com sucesso a pena capital de Leon Czolgosz, assassino do 25º presidente dos Estados Unidos.

Como foi o ataque a William McKinley?

53 dias antes, o político de carreira William McKinley cumprimentava seus apoiadores em uma feira de inovação em Buffalo, Nova York. Seis meses após ser reeleito presidente dos Estados Unidos, o republicano no auge de sua popularidade passou a priorizar o contato com o público, abrindo lugar na agenda para ir a eventos como aquele.

Seu secretário não gostava tanto da ideia. George B. Cortelyou sabia da aversão de McKinley a sair com equipes de segurança e considerava a Exposição Pan-Americana no Temple of Music um grande risco para a integridade do estadista.

Mas a vontade do presidente foi feita, e às 16h de 6 de setembro de 1901, William McKinley estava parado em frente a uma fila de pessoas que aguardavam para apertar sua mão.

Fotografia de William McKinley, de terno, em preto e branco
William McKinley 25º Presidente dos EUA • Getty Images

Finalmente, chegou a vez de Leon Czolgosz. No livro ‘The President and the Assassin’, o jornalista Scott Miller reconta a cena: um homem aparentemente calmo estende a mão direita, coberta por um pano, em direção ao presidente.

O político estende a mão de volta, como havia feito com todos os presentes até então. Em vez de um cumprimento, William McKinley é surpreendido com duas balas de revólver calibre .32, à queima-roupa no abdome.

Czolgosz foi contido por agentes de segurança antes de conseguir disparar o terceiro tiro. A feira tornou-se um caos, e o republicano foi levado às pressas para um hospital, onde passou por cirurgia.

Scott Miller conta que, enquanto uma das balas passou de raspão, outra penetrou o corpo do presidente e nunca foi encontrada.

McKinley não morreu de imediato. Ele parecia estar fazendo boa recuperação até que, seis dias depois, sua condição piorou. Em 14 de setembro, o presidente morreu por consequência de gangrena, atribuída a uma infecção bacteriana que passou despercebida pelos médicos.

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Esta era a terceira morte de um líder do Estado norte-americano por assassinato em menos de 50 anos; James Garfield e Abraham Lincoln haviam sido mortos a tiros em locais públicos de Washington, D.C., em 1881 e em 1865, respectivamente.

Duas mudanças importantes ocorreram após o crime: o então vice-presidente Theodore Roosevelt iniciou o primeiro de seus dois mandatos, e o Congresso americano formalizou a atuação do Serviço Secreto, que agora forneceria agentes para acompanhar o presidente 24 horas por dia.

Quem foi Leon Czolgosz e qual foi sua motivação?

Leon F. Czolgosz era um jovem operário de 28 anos, nascido em Detroit, Michigan, e filho de imigrantes poloneses. Trabalhador braçal, atuou principalmente em fazendas e fábricas, enfrentando dificuldades financeiras desde a infância.

Criado como católico, ele abandonou a religião e voltou-se para a ideologia política depois da crise econômica da década de 1890. Ele encontrou motivação na doutrina anarquista após assistir a um discurso da ativista Ana Goldman, em maio de 1901.

Scott Miller afirma em seu livro que, durante depoimento à polícia, Czolgosz atribuiu ao anarquismo a decisão de matar o presidente.

Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.”]Estava no meu coração, não havia como fugir. […] Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.

”Leon

Após um julgamento sumário que durou cerca de oito horas e meia, Czolgosz foi condenado por assassinato em primeiro grau.

Encenação da execução de Leon Czolgosz foi filmada pela produtora de filmes de Thomas Edison
Encenação da execução de Leon Czolgosz foi filmada pela produtora de filmes de Thomas Edison • Wikimedia Commons

“Execução de Czolgosz com panorama da Prisão de Auburn”, o filme

Uma consequência inusitada da morte do assassino de McKinley foi a produção de um curta-metragem pela Edison Studios, a produtora de cinema do inventor Thomas Edison.

Em pouco menos de três minutos e meio, o filme combina gravações externas reais do exterior da prisão no dia da execução e uma encenação da própria pena capital, com cadeira elétrica falsa e um ator interpretando o prisioneiro.

O intuito era filmar a própria execução, mas o diretor, Edwin S. Porter, não conseguiu autorização.

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A 28.800 km/h e a 410 milhões de km da Terra: como uma sonda da Nasa encarou um asteroide de perto pela 1ª vez

Uma espaçonave construída para explorar Júpiter acabou fazendo história antes mesmo de chegar ao planeta. Em 29 de outubro de 1991, a sonda americana Galileo, da NASA, realizou a primeira passagem próxima de uma espaçonave por um asteroide, registrando imagens inéditas de Gaspra, localizado entre Marte e Júpiter. O acontecimento completa 35 anos nesta quinta-feira (29).

Durante a aproximação, a Galileo passou a aproximadamente 1.600 quilômetros do centro do asteroide, permitindo observar detalhes de sua superfície que até então não haviam sido registrados tão de perto. O feito marcou uma nova etapa na exploração espacial e ampliou o conhecimento sobre esses corpos rochosos.

Imagens históricas da missão Galileo mostram os asteroides Gaspra e Ida, cujas observações marcaram avanços na exploração espacial da NASA
À esquerda, Gaspra, fotografado em 1991; à direita, Ida, registrado em 1993, com destaque para sua pequena lua Dactyl • NASA/JPL

Encontro entre Galileo e Gaspra

Desenvolvida pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, a Galileo foi projetada para investigar Júpiter e suas luas. A missão recebeu o nome do astrônomo italiano Galileu Galilei, que descobriu quatro grandes luas do planeta em 1610. Seu objetivo era estudar Júpiter durante anos, algo que nenhuma espaçonave havia feito até então.

Lançada em 18 de outubro de 1989, a bordo do ônibus espacial Atlantis, a Galileo precisou seguir um caminho diferente do planejado. Após o acidente com o ônibus espacial Challenger, em 1986, a NASA alterou o sistema de lançamento da missão. Sem a propulsão inicialmente prevista para uma viagem mais direta, a espaçonave aproveitou a gravidade de Vênus e da Terra para ganhar velocidade e alcançar Júpiter.

Durante esse percurso, surgiu a oportunidade de observar Gaspra. A NASA ajustou a trajetória da Galileo para permitir a aproximação e, em 1991, a sonda passou pelo asteroide a uma velocidade relativa de aproximadamente 28.800 quilômetros por hora.

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Porém, a missão enfrentava algumas dificuldades técnicas. Meses antes, a antena principal da sonda não havia conseguido se abrir completamente, prejudicando a comunicação com a Terra. Apesar do problema, a Galileo conseguiu armazenar imagens e informações sobre Gaspra, que foram transmitidas posteriormente.

Das primeiras imagens às novas descobertas

Com aproximadamente 20 quilômetros em sua maior dimensão, Gaspra chamou a atenção pelos detalhes registrados durante a aproximação. As fotografias revelaram um asteroide de formato irregular, com crateras espalhadas pela superfície, características que até então não haviam sido observadas de tão perto por uma espaçonave.

Em 14 de novembro de 1991, pouco mais de duas semanas após a aproximação, a NASA divulgou a primeira imagem próxima de um asteroide. A fotografia havia sido captada a cerca de 16.200 quilômetros de Gaspra, aproximadamente 34 minutos antes da maior aproximação. Na época, a Galileo estava a cerca de 410 milhões de quilômetros da Terra.

Dois anos depois, em agosto de 1993, a missão protagonizou outra descoberta ao passar pelo asteroide Ida. Meses após a aproximação, pesquisadores identificaram nas imagens uma pequena lua, posteriormente chamada Dactyl. Foi a primeira identificação confirmada de um satélite natural orbitando um asteroide.

Somente em dezembro de 1995, seis anos após o lançamento, a Galileo chegou a Júpiter, seu principal destino. A missão foi encerrada em setembro de 2003, quando a NASA direcionou a espaçonave para a atmosfera do planeta. Apesar disso, a passagem por Gaspra permanece como um marco da exploração espacial por ter proporcionado as primeiras imagens próximas de um asteroide.

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Comida de lado e rascunho na mesa: como um jantar improvisado acabou com 600 anos do Império Otomano e criou a Turquia em 24 horas

Há 104 anos, o Império Otomano sofria sua derrocada, sendo extinto em 1º de novembro de 1922, e a República da Turquia só foi proclamada no dia 29 de outubro de 1923. A decisão de mudar a forma de governar o país surgiu em um jantar improvisado na véspera e provocou uma correria nos bastidores para correr com os trâmites nas 24 horas seguintes.

Com o término do Império após 600 anos e o fim da Guerra de Independência, a Turquia passou a ser governada por um parlamento, sem uma forma de governo claramente definida. O líder militar Mustafa Kemal Atatürk resolveu que era hora de por um fim a esse impasse e reuniu um pequeno grupo de aliados, entre comandantes e deputados, para jantar no Palácio de Çankaya, em Ancara, na noite de 28 de outubro de 1923.

O menu pensado para a ocasião foi sopa tarhana (feita à base de grãos e iogurte fermentado), marmarina (à base de espinafre, queijo e ovos), Saray kebab (carne assada com vegetais e especiarias) e helva-i hakani (doce tradicional feito com farinha, amido, leite, manteiga e mel/açúcar, servido historicamente em grandes celebrações otomana).

A decisão

No meio da conversa, anunciou, pegando a maioria de surpresa: “Efendiler, yarın Cumhuriyeti ilan edeceğiz!” (“Senhores, amanhã proclamaremos a República!”), disse. Os registros históricos não contam em que tom a frase foi dita mas, ao perceber a animação dos convidados com a novidade, Atatürk decidiu: “Deixemos a comida de lado!”, iniciando uma corrida contra o tempo para fazer tudo o mais rápido possível.

Os pratos foram afastados, transformando a mesa de jantar em uma mesa de trabalho. Ele e o aliado İsmet İnönü rascunharam a emenda constitucional que mudaria a estrutura política do país. Na tarde do dia seguinte, o texto foi apresentado ao parlamento e aprovado sob aplausos, elegendo Atatürk como o primeiro presidente da República da Turquia.

Filme sobre o caso

Lançado em 2023, o filme “Son Akşam Yemeği” (“A Última Ceia”) retrata os eventos que se desenrolaram na cozinha e na sala de jantar do Palácio de Çankaya na noite de 28 de outubro de 1923, a ideia da República finalmente tomou forma.

 

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Há 22 anos, Osama bin Laden admitiu pela primeira vez ter ordenado os ataques de 11 de Setembro e se tornou o maior inimigo mundial do século XXI

Em 29 de outubro de 2004, a divulgação de um vídeo inédito alterou os rumos da política internacional e da corrida presidencial nos Estados Unidos. Após passar três anos escondido e sem aparecer em registros visuais, Osama bin Laden reapareceu publicamente para confirmar, pela primeira vez de forma explícita e inequívoca, que havia planejado e ordenado os ataques de 11 de setembro de 2001.

A gravação surgiu a apenas quatro dias da eleição entre George W. Bush e John Kerry, tornando-se o fato conhecido como a “Surpresa de Outubro” naquele pleito.

As justificativas e a estratégia do discurso

Ao se dirigir diretamente aos eleitores americanos, o líder da Al-Qaeda rebateu alegações do governo dos EUA de que o atentado teria ocorrido porque o grupo “odiava a liberdade”, questionando por que países como a Suécia não haviam sido atacados.

Osama bin Laden afirmou que o 11/9 foi uma retaliação ao apoio americano à invasão do Líbano por Israel em 1982 e explicou que a estratégia central do grupo era induzir os EUA a intervenções militares dispendiosas para “sangrar” o país financeiramente.

No mesmo pronunciamento, ironizou a reação do presidente George W. Bush no dia dos atentados — enquanto este permanecia ouvindo a leitura do livro The Pet Goat em uma escola — e acusou a administração americana de abrir frentes de conflito para beneficiar corporações dos setores petrolífero e de armamentos.

Bastidores da inteligência e a opinião pública

Embora a confissão pública em vídeo só tenha ocorrido três anos depois, os órgãos de inteligência já conheciam a autoria dos atentados desde o dia do ataque.

Na noite de 11 de setembro de 2001, por volta das 21h30, o diretor da CIA, George Tenet, informou Bush de que o Centro de Contraterrorismo atribuía a ação a bin Laden e à Al-Qaeda, suspeita anotada pelo próprio presidente em seu diário pessoal naquela noite. Além disso, interceptações de comunicações realizadas no próprio dia pela NSA e pela inteligência alemã já apontavam para a organização extremista.

Apesar dessas constatações e de o governo ter declarado publicamente em 2003 que não havia evidências da ligação de Saddam Hussein com o 11/9, a opinião pública americana permaneceu confusa.

Uma pesquisa do Washington Post realizada dois anos após os ataques revelou que 69% dos americanos acreditavam no envolvimento pessoal do líder iraquiano e 82% achavam que ele havia prestado assistência a bin Laden — percepção influenciada pelo uso do impacto emocional dos ataques para mobilizar apoio à Guerra do Iraque.

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O impacto decisivo nas eleições americanas de 2004

A aparição surpresa do vídeo na reta final da campanha de 2004 definiu o debate político. O pronunciamento colocou a segurança nacional e a Guerra ao Terror no centro da atenção dos eleitores. Integrantes da campanha do candidato democrata John Kerry relataram que tentaram evitar que o pleito se tornasse uma eleição focado no 11 de Setembro, mas o vídeo selou essa pauta.

Posteriormente, o próprio Kerry declarou acreditar que a gravação divulgada às vésperas da votação custou sua eleição à presidência.

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