O Brasil poderá registrar 26,7 mil mortes adicionais em decorrência dos efeitos do El Niño, segundo uma projeção do Climate Impact Lab, laboratório de pesquisa ligado à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Desse total, 19,5 mil óbitos podem ocorrer nos próximos seis meses. O levantamento aponta o país entre os mais afetados pelo fenômeno climático.
A estimativa considera o aumento da mortalidade associado às temperaturas extremas provocadas ou intensificadas pelo El Niño. Em escala global, a previsão é de 857,4 mil mortes adicionais no período analisado.
Entre os países avaliados, a Índia aparece com a maior projeção de óbitos, com aproximadamente 160 mil mortes. A Nigéria, por sua vez, deve concentrar o maior número de vítimas nos próximos seis meses, com uma estimativa de 56,1 mil mortes.
Calor extremo preocupa pesquisadores
O cofundador do Climate Impact Lab, Michael Greenstone, destacou que a possibilidade de antecipar os efeitos do calor extremo permite identificar as regiões com maior risco e orientar os gestores públicos na adoção de medidas preventivas antes que vidas sejam perdidas. Segundo ele, o rastreador desenvolvido pelo laboratório reúne essas informações para o atual episódio de Super El Niño.
De acordo com as projeções para o período de junho a março, os países com as maiores estimativas de mortes adicionais são:
O El Niño deve ganhar intensidade nos próximos meses e atingir a categoria de muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo o quinto boletim do Painel El Niño, divulgado em outubro pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O documento aponta que o fenômeno pode influenciar os padrões de chuva e temperatura no Brasil, com riscos distintos conforme a região, incluindo estiagem, incêndios florestais e elevação dos níveis dos rios.
As projeções indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. De acordo com o boletim, as anomalias de temperatura da superfície do mar nas áreas centrais e orientais do oceano ultrapassaram 3°C, conforme dados divulgados pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, agência de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) em 26 de outubro.
Imagem da NOAA incluída no Painel El Niño • Inmet e outros – Boletim nº 5 do Painel El Niño
O documento foi elaborado em conjunto pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), pelo SGB (Serviço Geológico do Brasil), pela Sedec (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil) e pelo Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia).
Chuva e calor acima da média
A previsão climática para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica maior probabilidade de chuvas acima da média histórica na região Sul e em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. Em contrapartida, a tendência é de precipitações abaixo do padrão climatológico em grande parte do Norte e em setores do Nordeste e do Centro-Oeste.
As temperaturas também devem ficar acima da média em quase todo o país, especialmente na região Norte. A exceção é o Rio Grande do Sul, onde a previsão aponta maior probabilidade de temperaturas abaixo do padrão climatológico no trimestre.
Previsão Climática do CENSIPAM para a Amazônia Legal e Pantanal no trimestre novembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027 • Fonte: CENSIPAM
Esse cenário não significa que todas as localidades terão o mesmo comportamento. Mesmo em áreas com previsão de menos chuva, podem ocorrer episódios de precipitação intensa. A combinação entre calor e umidade disponível na atmosfera pode favorecer tempestades isoladas, enquanto a persistência de períodos secos tende a ampliar os riscos em regiões mais vulneráveis.
Seca se intensifica no Nordeste e avança em áreas do Norte
O boletim também apresenta um diagnóstico das condições de seca observadas no país. Entre agosto e setembro, a área do Nordeste classificada com seca grave passou de 16% para 28% da região, segundo o Monitor de Secas. No Norte, a parcela com essa classificação dobrou, de 4% para 8%.
Segundo o painel, a situação preocupa especialmente porque a previsão de chuvas abaixo da média, combinada às temperaturas elevadas, pode intensificar a perda de umidade do solo e agravar a escassez hídrica nos próximos meses.
No Nordeste, os impactos da seca são associados à falta de água e a prejuízos para comunidades rurais. No Norte, a atenção se concentra em áreas como Roraima e nas bacias dos rios Negro e Branco, que apresentam níveis baixos e déficits de precipitação.
O documento ressalta, porém, que a situação hidrológica da Amazônia não é tão generalizadamente crítica quanto a registrada em 2023 e 2024. Ainda assim, a combinação entre as condições atuais e a perspectiva de menos chuva justifica atenção especial em áreas específicas.
Risco de queimadas continua elevado
A previsão de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas na região Norte também aumenta o potencial de propagação de queimadas. O boletim registra que, na Amazônia Legal, foram contabilizados 6.542 eventos de fogo em agosto e 12.659 em setembro. Em outubro, até o dia 23, foram registrados outros 11.662 eventos.
Para novembro, a expectativa é de redução das ocorrências com o avanço gradual da estação chuvosa. No entanto, a influência do El Niño pode tornar essa diminuição mais lenta do que o habitual.
Previsão climática sazonal por tercil (categorias abaixo da faixa normal, dentro da faixa normal e acima da faixa normal), gerada pelo método objetivo (CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME) para o trimestre novembro, dezembro de 2026 e janeiro de 2027. As áreas em branco indicam igual probabilidade para as três categorias. • Fonte: CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME
O cenário exige atenção principalmente no norte do país, onde o risco de fogo permanece elevado. A previsão do Cemaden para o trimestre de novembro a janeiro classifica 307 municípios em nível de alerta alto e outros 464 em alerta para o risco de fogo.
Previsão do risco de fogo por município para o trimestre novembro–janeiro • Fonte: INPE, INMET e FUNCEME
Apesar da tendência de redução da área sob condições mais críticas em comparação com o trimestre anterior, o boletim ressalta que a chegada das chuvas não elimina imediatamente o risco de incêndios.
Atenção para cheias e elevação dos rios
Enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam maior preocupação com a escassez hídrica, o Sul apresenta um cenário de atenção para cheias. Segundo o boletim, os três estados da região estavam livres de seca pelo segundo mês consecutivo, mas os acumulados de chuva provocaram elevações recorrentes nos níveis dos rios e inundações em diferentes localidades.
Na bacia do rio Uruguai, foram ultrapassadas cotas de alerta em estações do Médio Uruguai, enquanto áreas do Alto Uruguai, em Santa Catarina, também registraram elevações. As bacias dos rios Caí e Taquari, no Rio Grande do Sul, tiveram episódios de inundação em diversos municípios.
A previsão sazonal indica vazões acima da média e maior risco de cheias em toda a região Sul, em parte do Sudeste e no alto rio Paraguai. No Sudeste, esse risco pode aumentar em janeiro, especialmente nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul.
O documento também aponta que as vazões devem permanecer abaixo da média em grande parte do país, sobretudo em bacias do Nordeste, no norte da bacia do Paraná e em áreas da Amazônia. A situação reforça a necessidade de acompanhar os níveis dos rios e os sistemas de alerta hidrológico.
Órgãos recomendam acompanhamento dos alertas
Diante das projeções, as instituições responsáveis pelo boletim recomendam o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas, dos avisos oficiais e das condições hidrológicas.
A Defesa Civil orienta a população a manter atualizado o cadastro para recebimento de alertas, conhecer os riscos existentes na cidade e no bairro onde mora e identificar locais seguros e rotas de fuga em caso de emergência.
A previsão climática do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) indica que novembro de 2026 será marcado por temperaturas acima da média histórica em todas as regiões do Brasil. Já a distribuição das chuvas deve variar pelo país, com volumes superiores ao normal em áreas do Sul, de São Paulo, de Mato Grosso do Sul e do extremo oeste da região Norte. Em contrapartida, parte do território nacional deve registrar precipitações abaixo da média para o período.
O cenário aponta para um mês de contrastes, com diferenças importantes entre estados e até mesmo entre áreas de uma mesma região. Enquanto algumas localidades devem enfrentar períodos mais chuvosos, outras poderão ter dificuldade para registrar precipitações regulares, especialmente em setores do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
O calor também deve ganhar destaque ao longo do mês. Segundo o Inmet, os desvios de temperatura serão positivos em todo o país, com os maiores valores previstos para o Centro-Oeste e o Sudeste. Em áreas dessas regiões, os termômetros podem registrar médias de até 2°C acima do padrão climatológico de novembro.
A combinação entre temperaturas elevadas e distribuição irregular das chuvas deve exigir atenção ao longo do mês, sobretudo em áreas que terão menos precipitação. No Sul e em partes do Sudeste, por outro lado, a tendência de volumes mais expressivos de chuva pode favorecer a ocorrência de períodos de instabilidade. As condições previstas, no entanto, variam conforme a localização.
Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do Inmet para o mês de novembro de 2026 • Fontes: Inmet
Calor predomina e chuva varia de acordo com a área do Norte
A região Norte deve apresentar diferenças na distribuição das chuvas ao longo de novembro.
A previsão indica precipitações abaixo da média principalmente no Pará, no Tocantins, em Roraima, na porção central do Acre, no leste de Rondônia e nas regiões norte e sudoeste do Amazonas. Em contrapartida, áreas do oeste do Acre e do Amazonas, o norte do Amapá e a região de Madeira-Guaporé, em Rondônia, podem registrar volumes próximos ou superiores à média histórica.
As temperaturas devem ficar acima do normal em toda a região, com desvios entre 0,4°C e 1,5°C. No sudeste do Pará e na região central do Tocantins, a diferença pode chegar a 2°C.
Nordeste terá chuva abaixo da média
No Nordeste, a tendência é de chuvas abaixo da média histórica em grande parte da região. Os déficits mais expressivos são esperados entre o Maranhão e a Bahia, abrangendo áreas do litoral baiano e do interior nordestino.
No Ceará, no Rio Grande do Norte e em partes da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas e de Sergipe, os volumes devem ficar próximos do padrão climatológico. O calor também será predominante, com temperaturas de até 2°C acima da média no sul do Piauí e nas áreas central e oeste da Bahia. Próximo ao litoral, os desvios tendem a ser menores, entre 0,4°C e 1°C.
Temperaturas podem ficar até 2°C acima da média no Centro-Oeste
O Centro-Oeste deve concentrar algumas das maiores elevações de temperatura previstas para novembro. Os termômetros podem registrar médias de até 2°C acima do padrão histórico no noroeste de Mato Grosso e em grande parte de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas, a tendência é de temperaturas até 1,5°C superiores à média.
A distribuição das chuvas, porém, será desigual. O sudoeste de Mato Grosso do Sul e parte do norte de Mato Grosso devem registrar precipitações acima da média. Já o noroeste mato-grossense, o norte de Goiás e o Distrito Federal têm previsão de volumes inferiores ao padrão climatológico. O cenário indica que o calor será generalizado, mas a frequência das chuvas poderá variar consideravelmente dentro da própria região.
No Sudeste, São Paulo deve ter mais chuva que os estados vizinhos
No Sudeste, a previsão é de chuva irregular, com diferenças importantes entre os estados. São Paulo deve registrar acumulados mais expressivos, especialmente na faixa entre Assis e Itapetininga, no interior paulista. Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, por outro lado, tendem a apresentar volumes abaixo da média histórica. O Inmet também não descarta precipitações irregulares entre o Triângulo Mineiro e a Zona da Mata, em Minas Gerais.
As temperaturas devem ficar acima do padrão climatológico em toda a região, com desvios de até 2°C em grande parte do território. As maiores diferenças são esperadas na área central de Minas Gerais, nas porções leste e centro-sul de São Paulo e no norte fluminense, próximo à divisa com o Espírito Santo. Nas demais áreas, os valores podem ficar até 1,5°C acima da média.
Sul concentra previsão de chuva acima da média histórica
A região Sul deve ter um dos cenários mais favoráveis à ocorrência de chuvas acima da média em novembro. A previsão aponta acumulados superiores ao padrão histórico em toda a região, com desvios positivos de pelo menos 75 milímetros em determinadas áreas.
Os maiores excessos são esperados entre o noroeste e o centro ocidental do Rio Grande do Sul, onde os volumes podem superar a média climatológica em 150 milímetros. A tendência de precipitações mais frequentes, entretanto, não significa ausência de períodos de calor.
As temperaturas também devem ficar acima da média, com desvios entre 0,6°C e 1,5°C na maior parte da região. No extremo nordeste do Rio Grande do Sul e no norte do Paraná, a diferença pode chegar a 2°C.
As obras do piscinão em construção em São Paulo na Praça Alfredo Gomes, perto do estádio do São Paulo Futebol Clube, chegaram a 85,6% de conclusão. O objetivo é reduzir os alagamentos nas regiões do Morumbi e de Paraisópolis, na Zona Sul da capital.
Segundo o governo estadual, a construção dos piscinões faz parte do plano para prevenir alagamentos e preparar o estado para eventos climáticos extremos, como o El Niño deste ano.
A CNN Brasil teve acesso à informação sobre o avanço das obras em primeira mão. As ações incluem obras de drenagem, prevenção de enchentes, recuperação de rios e modernização do monitoramento climático e dos níveis dos rios.
Com investimento de cerca de R$ 145 milhões, a estrutura terá capacidade para armazenar 44 milhões de litros de água da chuva, ajudando a controlar o volume de água do Córrego Antonico durante temporais. A conclusão da obra está prevista para dezembro de 2026.
Com a conclusão do piscinão do Morumbi, serão cinco reservatórios entregues pelo Governo de São Paulo desde 2023, com investimentos que somam R$ 960 milhões na Região Metropolitana. Dois ficam em Franco da Rocha, um em Francisco Morato e outro atende São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.
Como funciona a estrutura?
A obra é subterrânea, com formato circular, 48 metros de diâmetro e 27,5 metros de profundidade. O reservatório receberá o excesso de água do Córrego Antonico durante tempestades, ajudando a reduzir o risco de alagamentos.
A estrutura armazenará temporariamente parte da água que passa pelo sistema de drenagem. Depois, o volume acumulado será liberado de forma gradual, reduzindo a sobrecarga no sistema.
El Niño de 2026/2027 pode ser um dos mais intensos desde 1950, segundo a NOAA
O El Niño em formação no Oceano Pacífico deve ganhar força nos próximos meses e pode se tornar um dos episódios mais intensos registrados desde 1950, segundo a atualização do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). A agência estima uma probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte até 2027.
A projeção também indica 69% de probabilidade de que o episódio alcance intensidade histórica, superando os eventos registrados desde 1950. Nesse cenário, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4 poderia atingir 2,5 °C ou mais durante o trimestre de outubro a dezembro de 2026.
O El Niño impactou a vida de 6,9 milhões de brasileiros somente entre 1º de julho e 30 de setembro deste ano. Ao todo, 1.035 municípios de todo o Brasil foram afetados, e os prejuízos chegam a R$ 12,6 bilhões e 25 mortes, segundo um estudo da CNM (Confederação Nacional de Municípios).
Fenômenos climáticos como ondas de calor, secas, vendavais e inundações no período causaram desde a falta de energia ou abastecimento de água até a perda de bens e casas inteiras entre a população.
Segundo o relatório, 87,7 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, com 808 residências totalmente destruídas e quase 50 mil danificadas por esses eventos extremos. Além disso, nos 1.035 municípios que decretaram calamidade pública ou estado de emergência, 25 mortes foram registradas.
Em relação a infraestruturas públicas e obras, o prejuízo financeiro foi de R$ 3,6 bilhões, com destaque para estruturas de abastecimento de água potável concentrando metade do prejuízo total, deixando milhões de pessoas sem recursos básicos pelo país.
Além disso, o levantamento destaca que o setor mais afetado economicamente pelosuper El Niño deste ano foi a agricultura, a mais suscetível às mudanças no regime de chuvas e temperaturas mais altas. O setor registrou perda de R$ 5,7 bilhões, devido a casos como diminuição na safra de produtos, demora para o escoamento da produção e perdas de colheitas inteiras.
No entanto, Marijane Lisboa, membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e doutora em Ciências Sociais, destaca que esses impactos vão muito além da questão econômica e afetam de forma muito diferente a população.
“A transformação lenta do nosso semiárido em árido e os incêndios que assolam a Floresta Amazônica nesse instante não podem ser traduzidas em reais imediatamente. Elas terão impactos duradouros na vida, na saúde e na alimentação, principalmente dos povos indígenas e dos pequenos agricultores”, afirma.
Impactos por região
A região que teve os maiores impactos foi o Nordeste, somando R$ 5,7 milhões em perdas devido principalmente pelo agravamento da seca e período de estiagem. No total, 319 municípios dos nove estados da região decretaram Situação de Emergência, afetando cerca de 1,4 milhão de pessoas, e o agronegócio na região teve R$ 3,4 bilhões em prejuízos.
Em seguida aparece o Sudeste, com R$ 4 bilhões. A região sofreu com os ventos, deslizamentos de terra, granizo e inundações, que provocaram danos em 3.054 moradias, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia. Minas Gerais foi o estado mais afetado na região, com quase 1 milhão de pessoas impactadas.
O Sul sofreu com as fortes chuvas e tornados, registrando R$ 1,8 bilhões em perdas e cerca de 2,2 milhões de pessoas afetadas no período.
Já na região Norte a falta de chuvas prejudicou a navegação hídrica e afetou o regime de chuvas em todo o país, enquanto no Centro-Oeste osincêndios florestais causados pelo clima seco impactaram a produção e o dia a dia em R$ 175 milhões.
Chuvas e tempestades em Minas Gerais afetaram o estado • Itatiaia
Lisboa frisa que as pessoas mais afetadas são justamente aqueles que menos contribuem para as mudanças climáticas. “Quem paga o maior pato das emissões de gases do efeito estufa produzidos pela exploração e consumo de petróleo, carvão e gás natural por grandes empresas e países são os mais desfavorecidos: povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e gente pobre das periferias de nossas grandes e ricas cidades”, afirma.
Alerta para El Niño sem precedentes
A Confederação destacou que esses eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes, e que medidas de prevenção e resiliência climática precisam aumentar.
O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico equatorial. Ele acontece de forma cíclica, em um intervalo de 2 a 7 anos, e de maneira intercalada com períodos neutros e sob o efeito do La Niña, o resfriamento acima da média das águas.
A OMM (Organização Meteorológica Mundial) alertou no último dia 21 que o El Niño atual deve atingir o seu pico ainda este ano, com expectativa de ser um fenômeno sem precedentes e um dos mais fortes da história.
Carros ficaram empilhados após Túnel do Vale do Anhangabaú transbordar na tarde de quarta (14) com as fortes chuvas. • CNN Brasil
Indonesia is battling its worst wildfires in more than a decade, made worse by El Niño. Many were deliberately set to clear land for farming, including palm oil plantations. More than 12,000 schools across Indonesia have closed because of the toxic haze. Natanael Undas, a school principal and photographer, has been documenting the fires on social media.
Intensos sistemas frontales, tornados y riesgo de aluviones mantienen en alerta a la zona central de Chile. Las regiones Metropolitana y de O’Higgins concentran las mayores emergencias con viviendas dañadas, cortes masivos de suministro eléctrico y evacuaciones preventivas en sectores precordilleranos.
It's been an intense hurricane season in the Pacific Ocean, with storms spawning in assembly-line fashion near Hawaii and Mexico as El Niño conditions worsened by global warming create unusual weather.
The UN World Meteorological Organization warned Wednesday that the current El Niño episode could push Pacific sea surface temperatures to 3.8 degrees Celsius above the average between November 2026 and January 2027, levels its top official called unprecedented in four decades of monitoring.
The alert came during a joint press conference in which the World Meteorological Organization (WMO) Secretary-General Celeste Saulo acknowledged that the phenomenon now sits “literally outside the scales of monitoring that we have used over the past four decades.”
Her assessment placed the coming months among the most severe climate events recorded since such tracking began.
Saulo and UN humanitarian coordinator Tom Fletcher issued an urgent call for the international community to prepare in advance for the consequences they expect.
Fletcher put the human cost in stark terms. The phenomenon “will shake Latin America, eastern and southern Africa, Asia and the Pacific with extreme heat, droughts and floods,” he warned, and could push food insecurity to affect as many as 50 million people worldwide.
The warning singled out regions already struggling with fragile agricultural systems and limited infrastructure, where a single failed harvest can tip entire communities into crisis.
El Niño is set to hit fragile communities hard.@UNOCHA and @WMO are sounding the alarm, appealing for immediate assistance to support communities already affected by what has been described as the strongest El Niño on record. https://t.co/LDrygGkPPwpic.twitter.com/H1XcVA3AR7
The temperature projection of 3.8 degrees above the long-term average would place this El Niño beyond the upper bands of the monitoring framework built over forty years. Saulo noted that extreme weather events are already being recorded and will tend to multiply as the phenomenon gains intensity. She stressed, however, that the crisis “does not have to inevitably trigger a humanitarian disaster,” a message both officials repeated throughout their appearance.
To front-load the response, Fletcher announced the allocation of 50 million dollars from the UN emergency fund. The money will assist 11 of the most vulnerable countries as a priority, including Chad, El Salvador, Ethiopia, Somalia and South Sudan. The list reflects the broad geographic reach of the expected impacts, spanning the Horn of Africa, the Sahel and Central America.
Both representatives insisted that a window of opportunity remains open. Extreme conditions “do not have to translate into humanitarian emergencies or fatalities” if precautions are taken in time, they argued, framing preparedness as the difference between a difficult season and a catastrophic one.
A Narrow Action Window
Saulo and Fletcher directed their appeal beyond governments. WMO and the humanitarian office urged development banks and international financial institutions to release funds in a coordinated manner before the worst damage occurs. The underlying premise is simple, El Niño cannot be stopped, but its worst human impacts can be mitigated and prevented.
Latin America appears prominently in the forecast. Central America has already been placed on maximum alert over drought conditions linked to the so-called Super El Niño, and the new warning extends that concern across the region. Africa faces the mirror problem in several zones, with eastern and southern areas bracing for a combination of heat, drought and flood depending on local geography.
WMO’s warnings marks a departure from the cautious phrasing typical of international agencies. Describing the phenomenon as off the scale is not a rhetorical flourish but a technical judgment, one intended to shake loose the funding and coordination that slow-moving bureaucracies often withhold until emergencies are already visible. For Saulo and Fletcher, the next three months represent the period when that response must be assembled, not the period when it can still be debated.
Cerca de 521 milhões de toneladas de mercadorias foram transportadas através do Canal do Panamá no último ano fiscal (de 1 de outubro de 2025 a 30 de setembro de 2026), a bordo de quase 14 mil navios.
Os Estados Unidos e a China são os principais utilizadores desta via de 80 quilómetros de comprimento, por onde transita, segundo as estimativas, 5% do comércio marítimo mundial
Dados indicam que setembro marcou o segundo mês consecutivo em 2026 com temperaturas globais superiores a 1,5ºC (graus Celsius) acima dos níveis pré-industriais.
Em toda a Europa o mês foi excecionalmente quente e seco, foi mesmo o mais quente de sempre em partes da Europa ocidental, e agravaram-se as condições de seca generalizada
O fenómeno climático conhecido como El Niño pode ter impactos que vão muito além das alterações meteorológicas. Em Portugal, os seus efeitos podem refletir-se na disponibilidade de água, na agricultura, nos preços dos alimentos e no risco de incêndios, bem como aumentar a ocorrência de episódios de chuva intensa, cheias e inundações.
A intensidade e a forma como estes efeitos se manifestam dependem da evolução das condições atmosféricas e oceânicas. Períodos prolongados de calor e de baixa precipitação podem aumentar a pressão sobre rios, albufeiras e aquíferos, sobretudo nas regiões mais vulneráveis à seca.
Mais pressão sobre a água
A redução da precipitação e o aumento das temperaturas podem diminuir a disponibilidade de água para consumo, agricultura e atividades económicas. A situação exige uma gestão cuidadosa dos recursos hídricos, incluindo a proteção das nascentes, rios e zonas húmidas, a redução de perdas nas redes de abastecimento e o uso mais eficiente da água.
A responsabilidade, porém, não deve recair apenas sobre os cidadãos. O planeamento das reservas de água, a gestão das albufeiras e a preparação para períodos de escassez são fundamentais para garantir a segurança hídrica.
Seca e chuva intensa podem coexistir
Um período seco não significa necessariamente ausência total de chuva. Depois de semanas ou meses com pouca precipitação, uma chuva muito intensa pode provocar inundações e enxurradas.
Quando o solo está muito seco e compactado, a sua capacidade de absorver rapidamente grandes volumes de água pode ser reduzida. Em zonas urbanas, sistemas de drenagem insuficientes podem agravar o problema. Em áreas de encosta, a saturação rápida do solo pode aumentar o risco de movimentos de terras.
Do campo para o supermercado
A agricultura está entre os setores mais expostos às alterações das condições meteorológicas. A falta de água pode reduzir a produtividade, aumentar as necessidades de rega e elevar os custos de produção. Episódios de chuva intensa, por outro lado, podem danificar culturas, dificultar colheitas e afetar estradas e transportes.
Estas dificuldades podem chegar ao consumidor através dos preços. Se a produção agrícola diminuir ou os custos de energia, água e transporte aumentarem, alguns produtos alimentares poderão ficar mais caros.
Os efeitos podem ser particularmente relevantes em culturas importantes para Portugal, como o olival, a vinha, os cereais, os frutos e os produtos hortícolas.
Maior risco de incêndios
O calor, a baixa humidade e a vegetação seca criam condições favoráveis à propagação rápida de incêndios rurais. Uma pequena ignição pode transformar-se num incêndio de maiores dimensões, sobretudo em períodos de condições meteorológicas adversas.
Além dos prejuízos ambientais e económicos, os incêndios afetam a qualidade do ar e podem representar riscos para a saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
Preparação é essencial
Perante fenómenos meteorológicos extremos, a prevenção e o acompanhamento dos avisos oficiais assumem particular importância. A proteção civil, os municípios, as entidades responsáveis pela gestão da água, os agricultores, as empresas e a população têm todos um papel a desempenhar.
Poupar água, evitar comportamentos que possam provocar incêndios, manter os terrenos limpos e acompanhar os avisos meteorológicos e da proteção civil são algumas das medidas que podem contribuir para reduzir riscos.
O El Niño é um fenómeno natural e os seus efeitos em Portugal não são iguais em todas as regiões. Ainda assim, períodos de maior calor, seca ou precipitação intensa mostram a importância de reforçar a preparação e a capacidade de resposta.
Mais do que prever todos os impactos, o desafio passa por estar preparado para diferentes cenários e transformar a informação meteorológica em medidas concretas de prevenção.