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SP terá piscinão de 44 milhões de litros de chuva para enfrentar El Niño

29 October 2026 at 06:33

As obras do piscinão em construção em São Paulo na Praça Alfredo Gomes, perto do estádio do São Paulo Futebol Clube, chegaram a 85,6% de conclusão. O objetivo é reduzir os alagamentos nas regiões do Morumbi e de Paraisópolis, na Zona Sul da capital.

Segundo o governo estadual, a construção dos piscinões faz parte do plano para prevenir alagamentos e preparar o estado para eventos climáticos extremos, como o El Niño deste ano. 

A CNN Brasil teve acesso à informação sobre o avanço das obras em primeira mão. As ações incluem obras de drenagem, prevenção de enchentes, recuperação de rios e modernização do monitoramento climático e dos níveis dos rios.

Com investimento de cerca de R$ 145 milhões, a estrutura terá capacidade para armazenar 44 milhões de litros de água da chuva, ajudando a controlar o volume de água do Córrego Antonico durante temporais. A conclusão da obra está prevista para dezembro de 2026.

Com a conclusão do piscinão do Morumbi, serão cinco reservatórios entregues pelo Governo de São Paulo desde 2023, com investimentos que somam R$ 960 milhões na Região Metropolitana. Dois ficam em Franco da Rocha, um em Francisco Morato e outro atende São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

Como funciona a estrutura?

A obra é subterrânea, com formato circular, 48 metros de diâmetro e 27,5 metros de profundidade. O reservatório receberá o excesso de água do Córrego Antonico durante tempestades, ajudando a reduzir o risco de alagamentos. 

A estrutura armazenará temporariamente parte da água que passa pelo sistema de drenagem. Depois, o volume acumulado será liberado de forma gradual, reduzindo a sobrecarga no sistema.

El Niño de 2026/2027 pode ser um dos mais intensos desde 1950, segundo a NOAA

O El Niño em formação no Oceano Pacífico deve ganhar força nos próximos meses e pode se tornar um dos episódios mais intensos registrados desde 1950, segundo a atualização do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). A agência estima uma probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte até 2027.

A projeção também indica 69% de probabilidade de que o episódio alcance intensidade histórica, superando os eventos registrados desde 1950. Nesse cenário, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4 poderia atingir 2,5 °C ou mais durante o trimestre de outubro a dezembro de 2026.

CNM: Super El Niño já afetou 6,9 milhões de pessoas no Brasil desde julho

28 October 2026 at 14:08

O El Niño impactou a vida de 6,9 milhões de brasileiros somente entre 1º de julho e 30 de setembro deste ano. Ao todo, 1.035 municípios de todo o Brasil foram afetados, e os prejuízos chegam a R$ 12,6 bilhões e 25 mortes, segundo um estudo da CNM (Confederação Nacional de Municípios).

Fenômenos climáticos como ondas de calor, secas, vendavais e inundações no período causaram desde a falta de energia ou abastecimento de água até a perda de bens e casas inteiras entre a população.

Segundo o relatório, 87,7 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, com 808 residências totalmente destruídas e quase 50 mil danificadas por esses eventos extremos. Além disso, nos 1.035 municípios que decretaram calamidade pública ou estado de emergência, 25 mortes foram registradas.

Em relação a infraestruturas públicas e obras, o prejuízo financeiro foi de R$ 3,6 bilhões, com destaque para estruturas de abastecimento de água potável concentrando metade do prejuízo total, deixando milhões de pessoas sem recursos básicos pelo país.

Além disso, o levantamento destaca que o setor mais afetado economicamente pelo super El Niño deste ano foi a agricultura, a mais suscetível às mudanças no regime de chuvas e temperaturas mais altas. O setor registrou perda de R$ 5,7 bilhões, devido a casos como diminuição na safra de produtos, demora para o escoamento da produção e perdas de colheitas inteiras.

No entanto, Marijane Lisboa, membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e doutora em Ciências Sociais, destaca que esses impactos vão muito além da questão econômica e afetam de forma muito diferente a população.

“A transformação lenta do nosso semiárido em árido e os incêndios que assolam a Floresta Amazônica nesse instante não podem ser traduzidas em reais imediatamente. Elas terão impactos duradouros na vida, na saúde e na alimentação, principalmente dos povos indígenas e dos pequenos agricultores”, afirma.

Impactos por região

A região que teve os maiores impactos foi o Nordeste, somando R$ 5,7 milhões em perdas devido principalmente pelo agravamento da seca e período de estiagem. No total, 319 municípios dos nove estados da região decretaram Situação de Emergência, afetando cerca de 1,4 milhão de pessoas, e o agronegócio na região teve R$ 3,4 bilhões em prejuízos.

Em seguida aparece o Sudeste, com R$ 4 bilhões. A região sofreu com os ventos, deslizamentos de terra, granizo e inundações, que provocaram danos em 3.054 moradias, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia. Minas Gerais foi o estado mais afetado na região, com quase 1 milhão de pessoas impactadas.

O Sul sofreu com as fortes chuvas e tornados, registrando R$ 1,8 bilhões em perdas e cerca de 2,2 milhões de pessoas afetadas no período.

Já na região Norte a falta de chuvas prejudicou a navegação hídrica e afetou o regime de chuvas em todo o país, enquanto no Centro-Oeste os incêndios florestais causados pelo clima seco impactaram a produção e o dia a dia em R$ 175 milhões.

chuva minas gerais
Chuvas e tempestades em Minas Gerais afetaram o estado • Itatiaia

Lisboa frisa que as pessoas mais afetadas são justamente aqueles que menos contribuem para as mudanças climáticas. “Quem paga o maior pato das emissões de gases do efeito estufa produzidos pela exploração e consumo de petróleo, carvão e gás natural por grandes empresas e países são os mais desfavorecidos: povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e gente pobre das periferias de nossas grandes e ricas cidades”, afirma.

Alerta para El Niño sem precedentes

A Confederação destacou que esses eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes, e que medidas de prevenção e resiliência climática precisam aumentar.

O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico equatorial. Ele acontece de forma cíclica, em um intervalo de 2 a 7 anos, e de maneira intercalada com períodos neutros e sob o efeito do La Niña, o resfriamento acima da média das águas.

A OMM (Organização Meteorológica Mundial) alertou no último dia 21 que o El Niño atual deve atingir o seu pico ainda este ano, com expectativa de ser um fenômeno sem precedentes e um dos mais fortes da história.

Carros empilhados no túnel do Anhangabaú
Carros ficaram empilhados após Túnel do Vale do Anhangabaú transbordar na tarde de quarta (14) com as fortes chuvas. • CNN Brasil

Ainda de acordo com a agência da ONU (Organização das Nações Unidas), o El Niño deve durar até pelo menos fevereiro do ano que vem, mas os seus efeitos vão ser sentidos por muito mais tempo e vão se espalhar cada vez mais.

1 a cada 3 brasileiros alterou a casa devido a fenômenos climáticos

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

School principal documents Indonesia's worst wildfires in a decade

27 October 2026 at 22:25
Indonesia is battling its worst wildfires in more than a decade, made worse by El Niño. Many were deliberately set to clear land for farming, including palm oil plantations. More than 12,000 schools across Indonesia have closed because of the toxic haze. Natanael Undas, a school principal and photographer, has been documenting the fires on social media.

Tornados, aluviones y apagones afectan región central de Chile

27 October 2026 at 07:07
Intensos sistemas frontales, tornados y riesgo de aluviones mantienen en alerta a la zona central de Chile. Las regiones Metropolitana y de O’Higgins concentran las mayores emergencias con viviendas dañadas, cortes masivos de suministro eléctrico y evacuaciones preventivas en sectores precordilleranos.

UN Warns El Niño Could Be Off the Scale, 3.8°C Above Average

22 October 2026 at 02:33
UN announced the allocation of $50 million from the UN emergency fund to assist 11 of the most vulnerable countries, including Chad, El Salvador, Ethiopia, Somalia and South Sudan, as a priority. Photo: EFE.

The UN World Meteorological Organization warned Wednesday that the current El Niño episode could push Pacific sea surface temperatures to 3.8 degrees Celsius above the average between November 2026 and January 2027, levels its top official called unprecedented in four decades of monitoring.


The alert came during a joint press conference in which the World Meteorological Organization (WMO) Secretary-General Celeste Saulo acknowledged that the phenomenon now sits “literally outside the scales of monitoring that we have used over the past four decades.”

Her assessment placed the coming months among the most severe climate events recorded since such tracking began.

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Saulo and UN humanitarian coordinator Tom Fletcher issued an urgent call for the international community to prepare in advance for the consequences they expect.

Fletcher put the human cost in stark terms. The phenomenon “will shake Latin America, eastern and southern Africa, Asia and the Pacific with extreme heat, droughts and floods,” he warned, and could push food insecurity to affect as many as 50 million people worldwide.

The warning singled out regions already struggling with fragile agricultural systems and limited infrastructure, where a single failed harvest can tip entire communities into crisis.

El Niño is set to hit fragile communities hard.@UNOCHA and @WMO are sounding the alarm, appealing for immediate assistance to support communities already affected by what has been described as the strongest El Niño on record. https://t.co/LDrygGkPPw pic.twitter.com/H1XcVA3AR7

— UN News (@UN_News_Centre) October 21, 2026

Off-the-Scale Temperatures

The temperature projection of 3.8 degrees above the long-term average would place this El Niño beyond the upper bands of the monitoring framework built over forty years. Saulo noted that extreme weather events are already being recorded and will tend to multiply as the phenomenon gains intensity. She stressed, however, that the crisis “does not have to inevitably trigger a humanitarian disaster,” a message both officials repeated throughout their appearance.

To front-load the response, Fletcher announced the allocation of 50 million dollars from the UN emergency fund. The money will assist 11 of the most vulnerable countries as a priority, including Chad, El Salvador, Ethiopia, Somalia and South Sudan. The list reflects the broad geographic reach of the expected impacts, spanning the Horn of Africa, the Sahel and Central America.

Both representatives insisted that a window of opportunity remains open. Extreme conditions “do not have to translate into humanitarian emergencies or fatalities” if precautions are taken in time, they argued, framing preparedness as the difference between a difficult season and a catastrophic one.

A Narrow Action Window

Saulo and Fletcher directed their appeal beyond governments. WMO and the humanitarian office urged development banks and international financial institutions to release funds in a coordinated manner before the worst damage occurs. The underlying premise is simple, El Niño cannot be stopped, but its worst human impacts can be mitigated and prevented.

Latin America appears prominently in the forecast. Central America has already been placed on maximum alert over drought conditions linked to the so-called Super El Niño, and the new warning extends that concern across the region. Africa faces the mirror problem in several zones, with eastern and southern areas bracing for a combination of heat, drought and flood depending on local geography.

WMO’s warnings marks a departure from the cautious phrasing typical of international agencies. Describing the phenomenon as off the scale is not a rhetorical flourish but a technical judgment, one intended to shake loose the funding and coordination that slow-moving bureaucracies often withhold until emergencies are already visible. For Saulo and Fletcher, the next three months represent the period when that response must be assembled, not the period when it can still be debated.

Canal do Panamá bate recorde de carga graças a Ormuz

21 October 2026 at 08:55
Cerca de 521 milhões de toneladas de mercadorias foram transportadas através do Canal do Panamá no último ano fiscal (de 1 de outubro de 2025 a 30 de setembro de 2026), a bordo de quase 14 mil navios.

© Bienvenido Velasco/EPA

Os Estados Unidos e a China são os principais utilizadores desta via de 80 quilómetros de comprimento, por onde transita, segundo as estimativas, 5% do comércio marítimo mundial

Setembro foi o segundo mais quente de sempre

12 October 2026 at 07:39
Dados indicam que setembro marcou o segundo mês consecutivo em 2026 com temperaturas globais superiores a 1,5ºC (graus Celsius) acima dos níveis pré-industriais.

© ANGELO CARCONI/EPA

Em toda a Europa o mês foi excecionalmente quente e seco, foi mesmo o mais quente de sempre em partes da Europa ocidental, e agravaram-se as condições de seca generalizada

Super El Niño pode afetar preços dos alimentos, água e risco de incêndios em Portugal

1 October 2026 at 06:32

O fenómeno climático conhecido como El Niño pode ter impactos que vão muito além das alterações meteorológicas. Em Portugal, os seus efeitos podem refletir-se na disponibilidade de água, na agricultura, nos preços dos alimentos e no risco de incêndios, bem como aumentar a ocorrência de episódios de chuva intensa, cheias e inundações.

A intensidade e a forma como estes efeitos se manifestam dependem da evolução das condições atmosféricas e oceânicas. Períodos prolongados de calor e de baixa precipitação podem aumentar a pressão sobre rios, albufeiras e aquíferos, sobretudo nas regiões mais vulneráveis à seca.

Mais pressão sobre a água

A redução da precipitação e o aumento das temperaturas podem diminuir a disponibilidade de água para consumo, agricultura e atividades económicas. A situação exige uma gestão cuidadosa dos recursos hídricos, incluindo a proteção das nascentes, rios e zonas húmidas, a redução de perdas nas redes de abastecimento e o uso mais eficiente da água.

A responsabilidade, porém, não deve recair apenas sobre os cidadãos. O planeamento das reservas de água, a gestão das albufeiras e a preparação para períodos de escassez são fundamentais para garantir a segurança hídrica.

Seca e chuva intensa podem coexistir

Um período seco não significa necessariamente ausência total de chuva. Depois de semanas ou meses com pouca precipitação, uma chuva muito intensa pode provocar inundações e enxurradas.

Quando o solo está muito seco e compactado, a sua capacidade de absorver rapidamente grandes volumes de água pode ser reduzida. Em zonas urbanas, sistemas de drenagem insuficientes podem agravar o problema. Em áreas de encosta, a saturação rápida do solo pode aumentar o risco de movimentos de terras.

Do campo para o supermercado

A agricultura está entre os setores mais expostos às alterações das condições meteorológicas. A falta de água pode reduzir a produtividade, aumentar as necessidades de rega e elevar os custos de produção. Episódios de chuva intensa, por outro lado, podem danificar culturas, dificultar colheitas e afetar estradas e transportes.

Estas dificuldades podem chegar ao consumidor através dos preços. Se a produção agrícola diminuir ou os custos de energia, água e transporte aumentarem, alguns produtos alimentares poderão ficar mais caros.

Os efeitos podem ser particularmente relevantes em culturas importantes para Portugal, como o olival, a vinha, os cereais, os frutos e os produtos hortícolas.

Maior risco de incêndios

O calor, a baixa humidade e a vegetação seca criam condições favoráveis à propagação rápida de incêndios rurais. Uma pequena ignição pode transformar-se num incêndio de maiores dimensões, sobretudo em períodos de condições meteorológicas adversas.

Além dos prejuízos ambientais e económicos, os incêndios afetam a qualidade do ar e podem representar riscos para a saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.

Preparação é essencial

Perante fenómenos meteorológicos extremos, a prevenção e o acompanhamento dos avisos oficiais assumem particular importância. A proteção civil, os municípios, as entidades responsáveis pela gestão da água, os agricultores, as empresas e a população têm todos um papel a desempenhar.

Poupar água, evitar comportamentos que possam provocar incêndios, manter os terrenos limpos e acompanhar os avisos meteorológicos e da proteção civil são algumas das medidas que podem contribuir para reduzir riscos.

O El Niño é um fenómeno natural e os seus efeitos em Portugal não são iguais em todas as regiões. Ainda assim, períodos de maior calor, seca ou precipitação intensa mostram a importância de reforçar a preparação e a capacidade de resposta.

Mais do que prever todos os impactos, o desafio passa por estar preparado para diferentes cenários e transformar a informação meteorológica em medidas concretas de prevenção.

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