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Egito tentou domar o Rio Nilo e acabou entregando quase 19 km² para o Mediterrâneo — ameaçando até fortaleza de 550 anos que resistiu a guerras

Entre 1985 e 2023, o Delta do Nilo perdeu 18,7 km² de terras para o Mar Mediterrâneo ao longo de seus 240 quilômetros de costa. A área perdida equivale a cerca de 2.600 campos de futebol engolidos pela água em um intervalo de 38 anos.

Segundo estudo publicado na revista científica GeoJournal, a causa central do problema é a Grande Represa de Assuã, que interrompeu o transporte natural de lama e sedimentos que renovavam a foz do rio.

Bloqueio dos sedimentos e a erosão costeira

Antes da conclusão da barragem em 1964, o Rio Nilo transportava mais de 120 milhões de toneladas de lodo fértil por ano. Com o represamento, o material passou a ficar retido no Lago Nasser, reduzindo a praticamente zero o volume de sedimentos que chegava ao litoral.

Sem a reposição contínua de terra trazida pela água doce, a erosão marinha avançou de forma desigual:

  • Cerca de 64% da área perdida (aproximadamente 12 km²) concentra-se nos promontórios de Roseta e Damieta.
  • Na foz de Roseta, o recuo da linha de costa chega a 12,4 metros por ano.
  • O avanço da água ameaça estruturas históricas da região, incluindo uma fortaleza de 550 anos de idade.

Para conter o avanço do mar, blocos e barreiras de concreto foram instalados nas décadas de 1980 e 1990. No entanto, as estruturas apenas desaceleram o recuo em pontos específicos, deslocando o processo de erosão para áreas vizinhas.

Impacto agrícola e projeções futuras

A retenção do lodo também alterou a rotina agrícola do país. O Delta do Nilo funciona como o principal celeiro agrícola egípcio. Sem o adubo natural depositado anualmente pelas cheias do rio, agricultores locais passaram a depender da compra de fertilizantes químicos para manter o cultivo dos solos.

Projeções do estudo indicam que, até o ano de 2050, o litoral do delta pode sofrer um recuo adicional de até 420 metros em determinados trechos.

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Como engolir pedras de propósito ajuda jacarés e crocodilos a viverem melhor

Jacarés e crocodilos têm uma alimentação bem variada, devorando peixes, tartarugas, pássaros, cobras, moluscos, insetos, pequenos mamíferos que estejam dando sopa na água e até humanos – embora sejam casos raros. No entanto, um comportamento intrigava os cientistas: por que eles engolem pedras?

A crença inicial era de que elas ajudariam esses animais no processo de digestão, ou iam parar em seu estômago sem que percebessem. Mas um estudo publicado na revista “Integrative Organismal Biology” revelou que a atitude faz com que os jacarés e crocodilos consigam passar mais tempo debaixo d’água.

As pedras de granito ingeridas equivalem a 2,5% do peso corporal. Com elas no corpo, a duração média dos mergulhos aumentou 88% e a duração máxima, 117%. A hipótese é de que os gastrólitos, como são chamadas, aumentem a densidade mineral óssea e a capacidade pulmonar, permitindo imergir com uma reserva maior de oxigênio.

Vantagem

Como passam a maior parte do dia na água, ficar mais tempo submerso é uma vantagem. Para analisar a teoria, pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, levaram 7 jovens jacarés americanos para comparar quanto tempo permaneciam embaixo d’água depois de engolirem um conjunto de pedras pequenas.

Após 42 mergulhos — 21 antes e 21 depois dessa “refeição” – os resultados apareceram em até 35 minutos. Sem pedras, eles conseguiam ficar submersos por, em média, seis minutos – número que passava de 11 minutos com elas dentro de si.

É como se as pedras passassem a exercer a mesma função que um cinto de lastro para os mergulhadores. Com isso, esses animais ficam à espreita, fora da vista de todos, e podem manter a presa debaixo d’água até que ela perca a respiração. Os pesquisadores creem que os jacarés e crocodilos utilizam a técnica há milhões de anos.

Jacaré ou crocodilo?

O maior jacaré encontrado no Brasil é o jacaré-açu, que pode alcançar 5 metros de comprimento. Também vivem no bioma brasileiro os jacarés-do-papo-amarelo, jacaré-coroa e jacaré-anão. Não há crocodilos no Brasil – eles costumam viver na África, na Austrália, sudeste da Ásia, América Central e norte da América do Sul.

E como reconhecer? A diferença física é visível no rosto: jacarés têm focinho arredondado (em formato de U), mais largo e curto, enquanto o do crocodilo é em formato de V, além de ser mais comprido, fino e longo. Jacarés vivem apenas em locais com água doce, enquanto crocodilos se adaptam a água doce ou salgada.

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Flávio condiciona abertura de sigilos a dados de Marcola, e Lula aceita exigência

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) impôs uma condição para divulgar seus dados pessoais e financeiros: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deverá autorizar o acesso às informações de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-assessor petista. A exigência foi apresentada nesta quarta-feira (21/10), e a campanha de Lula anunciou que aceitará a proposta.

O senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz do presidente, afirmou que Lula não apresenta resistência às exigências do adversário, desde que Flávio cumpra o compromisso de abrir seus próprios registros. A manifestação será protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22/10), às 11h. Camilo desafiou o candidato do PL a apresentar a autorização no mesmo horário.

Durante compromisso em Belo Horizonte, o presidente reagiu às condições impostas pelo adversário e utilizou uma comparação com o jogo de cartas. “Eu pedi para o Flávio abrir o sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentira e trucou 6. Eu vou meter o 9 na cara dele amanhã”, declarou.

Segundo a Polícia Federal (PF), Marcola recebeu recursos da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante tentativas de negociação de contratos com o governo federal que não se concretizaram. Os envolvidos afirmam que os valores corresponderam a empréstimos pessoais.

Na petição encaminhada ao TSE, a defesa de Flávio afirmou que o candidato aceita disponibilizar informações dos últimos 20 anos, inclusive de familiares e empresas vinculadas a seu nome. Também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em troca, o senador exigiu acesso a registros de auxiliares que utilizaram aparelhos à disposição do presidente, empresas relacionadas aos filhos de Lula, dados do Instituto Lula e despesas do cartão corporativo. A lista também inclui entradas de Roberta Luchsinger nos palácios presidenciais e compromissos da primeira-dama, Janja.

Camilo Santana questionou a ausência da Alcazar Holding entre os dados oferecidos por Flávio. Segundo a PF, o parlamentar possuía acesso operacional relevante, na condição de usuário master, a uma conta bancária da empresa, da qual o advogado Willer Tomaz é sócio. A exclusão desse acesso foi solicitada em maio de 2025. Os envolvidos negam o compartilhamento de conta.

Lula apresentou a proposta inicial durante o debate da Band, no domingo (18/10), e a formalizou na Justiça Eleitoral na terça-feira (20/10). O presidente ofereceu acesso aos próprios dados e aos de familiares e empresas, desde que o adversário adotasse medida equivalente. O processo ficou sob relatoria do ministro André Mendonça.

O candidato do PL participou de um evento de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Diante de apoiadores, imitou a voz do presidente, questionou a existência de seu telefone celular e fez acusações contra Lulinha, sem apresentar provas no trecho do discurso relatado.

Flávio e aliados também atacaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. Parlamentares do PL defenderam a possibilidade de impeachment de integrantes da Corte na próxima legislatura. O presidenciável acusou Lula de depender de Moraes para vencer a eleição e prometeu indicar ministros contrários às drogas e ao aborto.

O senador afirmou que ministros do Supremo desejam autorizar o aborto, em referência à ação apresentada pelo PSOL em 2017, que discute a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação. A declaração expressa a interpretação política do candidato sobre um processo ainda sem conclusão.

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Bodies of 10 women found dead in South Africa, sparking societal debate on GBV

Fear and anger are growing in South Africa after the bodies of nine women were discovered across the Ekurhuleni municipality, east of Johannesburg, over the past two months, with police investigating whether the deaths are connected, a 10th body was confirmed this week. Three suspects have been arrested, and police have acknowledged a possible connection between some of the killings. What is not in dispute is the scale of the crisis the discovery has exposed, and the outrage it has provoked, protests against femicide have been held in the country in the weeks since.

Four of the nine women have so far been publicly identified, Elizabeth “Tsontso” Moselakgomo, 38, a mother who vanished during her regular afternoon run and was found days later behind a hotel in Rhodesfield; Itumeleng Kekana, 32, missing since July and found in August with multiple stab wounds; Dineo Evelyn Motapane, 38, found in KwaThema; and Gracious Nkomo, 28, a lodge worker in Kempton Park missing for more than two weeks before she was found. 

Anger over the response

The deaths have triggered protests and renewed criticism of the country’s response to gender-based violence. Residents and women’s rights campaigners have questioned why women are repeatedly advised to change their behavior, avoid isolated areas, walking alone or running alone, rather than placing greater emphasis on preventing perpetrators from committing violence.

The National Union of Metalworkers of South Africa (NUMSA) has been among the sharpest voices responding to the killings. In a statement condemning the deaths, the union insisted the killings should not be treated as a “crime wave” or a mystery, describing them instead as femicide and, more precisely, a war being waged against women. NUMSA’s argument is that this is not an aberration but the visible edge of something structural. The union points to police figures showing at least 569 women murdered nationally between April and June 2026 alone, by the verified count, with an unverified estimate closer to 892, roughly six women killed every day. Against this, nine deaths in one metro over two months is, in the union’s words, closer to the ordinary condition of the country, made visible only because the fear of a serial killer has made it a story the wider public can imagine touching them.

The statement also pushes back on the instinct to treat this primarily as a street-level danger. Of thousands of rape cases registered by police in the same quarter, the majority occurred in a residence, not a public place. The killings that draw headlines, a body beside a highway, represent a fraction of a type of violence whose center of gravity is the home.

The economics underneath the violence

NUMSA also refuses to treat gender-based violence as an individual pathology alone. It traces a line from the colonial and apartheid-era migrant labor system, which depended on women’s unpaid domestic and reproductive labor to keep wages artificially low through to the present, where South African women remain disproportionately unemployed (an official rate near 37.5%, against 44.9% for men) and disproportionately head of household. Over four in ten nationally, and closer to half in rural areas. Close to two million employed women work informally, without pensions, medical aid, or written contracts. When a woman who is also a breadwinner is killed, the union argues, it is not only a life lost but a household’s income and caregiving capacity lost with her.

Gender-based violence and femicide were declared a national disaster in South Africa in November 2025. Nearly a year on, the killings in Ekurhuleni are evidence, in the union’s reading, that the declaration has not translated into protection.

What’s being demanded

NUMSA has rejected the idea of policing alone and the state’s response so far has leaned on a security “lockdown” of Kempton Park to answer a crisis this size. Its demands include full funding of the national plan on gender-based violence and femicide, functioning forensic and mortuary capacity so victims can be identified quickly, safe transport for workers on early and late shifts, and the implementation of the ILO Convention 190 on violence and harassment in the workplace, which South Africa has ratified but not fully enforced. Alongside state accountability, the union is calling for community-based structures, street and area committees, explicitly modeled on the civic organizing of the anti-apartheid period to accompany women, support survivors, and track cases through the courts.

Investigations continue, but the fear, concern and anger surrounding the killings remain. The deaths of the women in Ekurhuleni have already forced a public reckoning with the scale of violence against women in South Africa and the urgent need for stronger action to protect women and hold perpetrators accountable.

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