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Mauro Vieira vai ao G20 em meio à crise entre Brasil, EUA e Argentina

O chanceler Mauro Vieira participará da Reunião de Ministros de Relações Exteriores do G20, em Atlanta, Estados Unidos, em meio a tensões com o governo americano e da Argentina após a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à presidência da República.

O evento funciona como uma prévia da Cúpula de Líderes marcada para dezembro e será sediado pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta sexta-feira (30) e sábado (31).

Rubio é responsável pelas ações de política externa do governo de Donald Trump.

No último ano, ele tem intensificado sua influência na América Latina com ações em países como Peru, Chile e Colômbia, que elegeram presidentes de direita e alinhados ideologicamente ao trumpismo.

Encontros nos corredores

Em Atlanta, o ministro brasileiro de Relações Exteriores participará de três sessões de trabalho sobre questões geopolíticas, energia e cadeias de suprimento. “Manterá, ainda, reuniões bilaterais”, diz o comunicado.

Embora não haja encontros oficiais divulgados entre o chanceler brasileiro com Rubio ou com seu homólogo argentino, Pablo Quirno, espera-se que eles possam ter conversas informais em Atlanta.

A última reunião pública de Vieira e Rubio foi em março deste ano, às margens do encontro de chanceleres do G7, que aconteceu em Vaux-de-Cernay, na França.

“Foram tratadas questões comerciais e o diálogo em curso para o aprofundamento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional”, afirmou o Itamaraty na ocasião.

O G20 reúne as maiores economias do mundo e sua cúpula anual está marcada para os dias 14 e 15 de dezembro, em Miami, com a presença dos seus líderes.

EUA e Argentina ajudaram Flávio a sair do país, dizem jornais

O jornal The New York Times revelou que Jason Miller, um funcionário da área de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato utilizado por Flávio Bolsonaro na fuga para os EUA nesta semana.

O senador viajou na noite de terça-feira (27) com essa aeronave da Argentina para o Equador, onde foi feito o reabastecimento, e, então, para Miami, de acordo com uma fonte “a par da logística” dessa viagem ouvida pelo jornal americano.Eduardo Bolsonaro manteve contato com o assessor de Donald Trump, ainda de acordo com o NYT.

“O plano foi colocado em prática na segunda-feira, depois que o Sr. [Flávio] Bolsonaro foi orientado a entregar seus passaportes, informou a fonte”, pontua a reportagem.

Questionada sobre o assunto pela CNN Brasil, a Casa Branca redirecionou os questionamentos a Jason Miller. A CNN Brasil também entrou em contato com o Departamento de Estado dos Estados Unidos e com o assessor de Trump e aguarda retorno.

Já uma reportagem do jornal argentino Clarín revela que Santiago Caputo, importante assessor do presidente Javier Milei, esteve em Puerto Iguazú na mesma noite em que Flávio passou pela fronteira e embarcou no jatinho fretado.

Caputo não possui cargo formal no governo, mas mantém comunicação direta com representantes da Casa Branca ligados ao presidente americano Donald Trump.

Caputo saiu de Buenos Aires em direção a Puerto Iguazú em um voo comercial, acompanhado da equipe. “Do terminal, acompanhou cada etapa da operação para garantir o transporte da família Bolsonaro, com uma preocupação central: impedir que fotos ou vídeos do que acontecia no local fossem divulgados.”

“Escudo das Américas”: Entenda aliança contra o crime organizado

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Lula cogita Mauricio Lyrio à frente do Itamaraty em troca “geracional”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cogita fazer uma “troca geracional” no Ministério das Relações Exteriores e nomear Mauricio Lyrio para a chefia do Itamaraty, segundo interlocutores do mandatário.

O atual chanceler, Mauro Vieira, de 75 anos, esteve à frente da pasta durante os quatro anos do terceiro mandato de Lula , mas também chefiou o Itamaraty entre 2015 e 2016 – no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT).

Lyrio, de 59 anos, foi porta-voz e é da confiança do principal conselheiro de Lula para a área internacional, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim.

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No governo Lula 3, o diplomata foi primeiro escalado para a Secretaria de Assuntos Econômicos.

No cargo, Lyrio teve protagonismo em dois dos maiores êxitos da gestão no âmbito comercial: a declaração da cúpula do G20 de 2023, que aconteceu no Brasil, e a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia.

Ele também foi um dos técnicos a atuar diretamente para abrandar o primeiro tarifaço dos Estados Unidos.

Em 2025, o embaixador passou a ser o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, para que atuasse diretamente nas negociações da COP30, que aconteceu em Belém (PA).

A “troca geracional” cogitada pelo presidente Lula aconteceria no Ministério das Relações Exteriores, mas também na Defesa, atualmente comandada por José Múcio, segundo fontes.

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