El veto del gobierno chino a la retransmisión de los partidos del Real Madrid por el caso Mbappé tiene un antecedente cercano de semejante magnitud. China censuró la emisión televisiva de los encuentros de la NBA durante dos años y medio entre 2019 y 2022 por otro comentario con fondo político. Si en esta ocasión el apagón llega al referirse el delantero francés a Mao Zedong como “dictador”, entonces fue una opinión del director general de los Houston Rockets, Daryl Morey, la que desató la tormenta. “Lucha por la libertad, apoya a Hong Kong”, escribió el directivo en relación a las manifestaciones en dicho territorio a favor de la democracia. China, como ahora sucede con Mbappé, lo consideró un ataque a la identidad nacional y no le tembló el pulso para vetar a un gigante del deporte mundial como la NBA. Tampoco ha dudado actualmente pese a las disculpas del Real Madrid.
La ligne rouge avec la Chine semble avoir été franchie par Kylian Mbappé. Si les sanctions de la part du gouvernement chinois pleuvent contre lui, son club du Real Madrid et le championnat espagnol, la population...
Créateur d'un montage mélangeant le visage de Kylian Mbappé et celui de Mao Zedong, le Français Younes Khelifi est involontairement à l'origine d'une immense polémique mêlant la Chine et le footballeur français. Il a...
La empresa japonesa Sanrio pide perdón y rompe con una serie de espionaje acusada de atacar a China, mientras el Real Madrid intenta apagar el incendio provocado por las palabras de su estrella sobre Mao Zedong. Se repiten los casos en los que la presión china termina doblegando a gigantes internacionales Leer
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Marine Tondelier, secretária nacional do partido francês Les Écologistes, saiu em defesa de Kylian Mbappé, depois da polêmica provocada pelas declarações do atacante do Real Madrid sobre Mao Tsé-Tung.
“Kylian Mbappé tinha toda a razão ao qualificar Mao Tsé-Tung como ditador. As dezenas de milhões de mortos pelos quais Mao é responsável e a natureza totalitária do seu regime são confirmadas por todos os historiadores”, escreveu Tondelier, que defendeu que o jogador não expressou uma opinião, mas sim fatos históricos.
“Ceder sistematicamente às pressões econômicas da China é um sinal de fraqueza. É admitir que aquilo em que acreditamos tem menos valor do que aquilo que temos para vender”, acrescentou.
Marine Tondelier est sortie du silence pour apporter son soutien à Kylian Mbappé, en pleine polémique après la publication d'une vidéo dans laquelle il qualifie Mao Zedong de dictateur, et qui a suscité une immense...
Mesmo após Kylian Mbappé ter pedido desculpas à China por comentários sobre memes de Mao Tsé-Tung, o Real Madrid precisou entrar em ação e repetir o gesto do francês. E isso se deu por conta da pressão chinesa e de interesses econômicos.
Órgãos estatais chineses, como China Media Grou (CMG), anunciaram na última segunda-feira (26) a sanção, já que não aceitaram o pedido de desculpas do atacante.
“Enquanto o Real Madrid não apresentar um pedido de desculpas formal, não há nada a discutir”, chegou a advertir um porta-voz do grupo de mídia GMC, proprietário da CCTV, a emissora estatal do país asiático.
O Real Madrid também busca proteger sua imagem e seus interesses na China. Ainda de acordo com o jornal francês, o clube merengue possui aproximadamente 100 milhões de fãs chineses. O país oriental é responsável por 10 a 15% das vendas de produtos licenciados do Real.
De acordo com o jornal espanhol “Marca”, a camisa de Mbappé era o item mais vendido do Real Madrid na China. O temor no clube seria uma possível redução de receitas em um país importante para suas finanças.
As desculpas do Real Madrid
“O Real Madrid gostaria de expressar suas desculpas ao povo chinês por qualquer desconforto causado pelas recentes declarações de nosso jogador Kylian Mbappé”, afirmou o clube em comunicado.
“Nosso clube mantém um profundo respeito pela China, sua história, sua cultura e seus cidadãos, assim como pelos milhões de torcedores chineses que sentem carinho e admiração pelo Real Madrid”, acrescentou a nota.
Mbappé pediu desculpas após meme de Mao Tsé-Tung • Reprodução
A crise envolvendo Mbappé e China
Kyllian Mbappé enfrenta uma crise sem precedentes com a China após entrevista recente a um podcast do qual ele reagia às brincadeiras que são feitas com ele sobre ser o “ditador”.
No meme, Mbappé é retratado como Mao Tsé-Tung, fundador do país asiático. “Estou sempre usando com os meus amigos (imagem dele como o ditador)”, admitiu, entre sorrisos.
“Ninguém espera que um atleta seja expert sobre a história da China. Porém, astros internacionais que ganham dinheiro com empresas chinesas deveriam fazer esforços para entender a cultura do país e o mínimo de respeito. Não é tratamento especial. É um senso comum básico comercial”, declarou o jornal “Global Times”, periódico do país na língua inglesa, em seu editorial.
El consorcio estatal asiático suspendió las transmisiones del torneo español tras considerar inaceptables las disculpas emitidas por la directiva blanca. La controversia originada por las palabras del delantero francés desencadenó una fractura institucional y la pérdida de patrocinios clave.
O jornal chinês “Global times” publicou, nesta quarta-feira (28), um longo editorial criticando o jogador de futebol Mbappé, astro do Real Madrid e da Seleção Francesa, após o mesmo fazer piada com Mao Tsé-Tung, líder comunista fundador República Popular da China.
“A lição é clara: respeito não é opcional; ninguém pode lucrar com a China enquanto a desrespeita. Nem pensar”, escreveu o periódico.
Em um vídeo publicado em um podcast francês, que foi retirado do ar posteriormente, Mbappé aparece comentando um meme humorístico em que seu rosto foi editado sobre a imagem de “um cara — acho que um ditador chinês”.
Mbappé é chamado de “ditador” na imprensa europeia
Torcedores têm criado memes que sobrepõem o rosto de Mbappé a imagens de líderes militares e políticos. As montagens sugerem que o atacante tem poder para influenciar decisões nos times pelos quais atua.
Na imprensa europeia, o francês recebeu o apelido de “o ditador”. A controvérsia, porém, provocou consequências comerciais na China, onde empresas encerraram suas parcerias com o jogador após as declarações.
Mbappé pediu desculpas após meme de Mao Tsé-Tung • Reprodução
Veja a íntegra do jornal chinês sobre Mbappé
Uma estrela do futebol pode ganhar centenas de milhões dentro de campo e, ainda assim, perder a confiança de um mercado inteiro por não demonstrar o mais básico respeito.
O astro francês Kylian Mbappé provocou recentemente uma forte reação negativa na China depois de fazer declarações extremamente inadequadas em uma entrevista recente. O que ele disse? Muitos chineses prefeririam nem repetir.
O Dongqiudi, uma das principais plataformas chinesas de notícias e comunidades sobre futebol, divulgou um comunicado afirmando que não traduziria a entrevista porque as declarações do jogador feriram os sentimentos dos torcedores chineses e do povo chinês.
Marcas como o Dongpeng Beverage Group e a gigante chinesa de laticínios Mengniu encerraram prontamente suas parcerias. Isso não é uma explosão emocional, mas uma escolha racional feita espontaneamente pelo mercado.
Na terça-feira, Mbappé pediu desculpas. Em um comunicado, escreveu: “Meu comentário foi imprudente, e agora entendo que ele magoou muitas pessoas na China e em comunidades chinesas ao redor do mundo.”
A lição é clara: respeito não é opcional; ninguém pode lucrar com a China enquanto a desrespeita. Nem pensar.
O talento e a habilidade de Mbappé estão acima de qualquer dúvida. Mas talento e responsabilidade pública são duas coisas completamente diferentes. O primeiro determina quantos gols você marca e quanto você vale; a segunda determina quantas pessoas ainda estão dispostas a pagar por você. O talento pode abrir as portas de um mercado, mas é o respeito que as mantém abertas.
Não sabemos se Mbappé teria deliberadamente a intenção de ofender um país cujo mercado ajudou a impulsionar seu sucesso comercial. Uma coisa é certa: falta a ele consciência intercultural, e ele não consegue compreender as responsabilidades que acompanham a fama global.
Se tivesse demonstrado ao menos uma compreensão básica da cultura e das sensibilidades chinesas, talvez tivesse pensado duas vezes antes de falar de maneira tão desrespeitosa. Toda cultura tem seus limites. Isso não é segredo.
Ninguém espera que um atleta estrangeiro seja especialista em China. Mas astros globais que há muito tempo lucram com parcerias comerciais no país deveriam se esforçar para compreender as sensibilidades culturais chinesas e demonstrar um nível básico de respeito. Isso não significa pedir tratamento especial. É simplesmente bom senso comercial básico.
Para as marcas chinesas, encerrar esse tipo de parceria não é uma decisão pequena. Investimentos anteriores em marketing, obrigações contratuais e os custos de substituição de materiais promocionais representam despesas reais. Ainda assim, ao romperem esses vínculos, essas empresas estão enviando uma mensagem clara: quando o sentimento da população é ofendido, as empresas não podem fingir que nada aconteceu.
O mercado chinês continua aberto e recebe atletas e marcas de todo o mundo para que compartilhem das oportunidades que ele oferece. Mas um mercado aberto não significa um mercado sem limites. O requisito mínimo é o respeito. Aqueles que ignoram os sentimentos do povo chinês não deveriam esperar escapar das consequências comerciais.
Durante décadas, algumas figuras públicas internacionais aceitaram de bom grado o dinheiro proveniente do mercado chinês enquanto falavam de maneira irresponsável sobre a China. Quando se trata de questões de princípio, elas tendem a minimizar declarações ofensivas classificando-as como “expressão pessoal” ou a se esconder atrás da “liberdade de expressão”. Isso não é desculpa.
Desta vez, Mbappé aprendeu da maneira mais difícil. Seu caso deveria servir como uma linha vermelha clara para toda figura pública estrangeira que espera lucrar com a China: em questões relacionadas ao sentimento nacional, ninguém tem liberdade para agir de maneira irresponsável.
Daqui para frente, nossos contratos comerciais poderiam muito bem estabelecer cláusulas mais claras para regulamentar a conduta pública. Os sentimentos nacionais do povo chinês não devem ser provocados, e o mercado chinês não deixará espaço para aqueles que demonstrarem arrogância e desrespeito.
O astro francês Kyllian Mbappé enfrenta uma crise sem precedentes com a China. Isso porque o atleta recentemente deu entrevista a um podcast do qual ele reagia às brincadeiras que são feitas com ele sobre ser o “ditador”.
No meme, Mbappé é retratado como Mao Tsé-Tung, fundador do país asiático. “Estou sempre usando com os meus amigos (imagem dele como o ditador)”, admitiu, entre sorrisos.
Mbappé pediu desculpas após meme de Mao Tsé-Tung • Reprodução
A declaração fez com que a China suspendesse as transmissões do Campeonato Espanhol no país. Real Madrid e Mbappé já pediram desculpas sobre o ocorrido, mas por enquanto não surtiu efeito.
Órgãos estatais chineses, como China Media Grou (CMG), anunciou no dia 26 de outubro, as transmissões de partidas de LaLiga. A estatal também não aceitou o pedido de desculpas.
Javier Tebas, presidente da liga espanhola se reuniu com embaixador chinês na Espanha e enviou uma carta à CCTV (emissora estatal chinesa). Ao menos três marcas do país asiático já romperam com o jogador do Real Madrid.
Editorial de jornal estatal
O Global Times, periódico do país na língua inglesa, publicou um editorial com o título: “Talento abre portas e o respeito as mantêm abertas”. O jornal ainda disse que “os chineses preferem que ele não repita isso”.
“A lição é clara: respeito não é opcional. Você não lucra com a China desrespeitando o país. Sem chances”, escreveu em outro trecho.
“Ninguém espera que um atleta seja expert sobre a história da China. Porém, astros internacionais que ganham dinheiro com empresas chinesas deveriam fazer esforços para entender a cultura do país e o mínimo de respeito. Não é tratamento especial. É um senso comum básico comercial”.
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Kylian Mbappé, atacante da França • Shaun Botterill - FIFA/FIFA via Getty Images
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Mbappé comemora gol da França sobre Senegal pela Copa do Mundo • Dan Mullan/Getty Images
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Mbappé em sua estreia na 3ª Copa do Mundo da carreira • Foto: Al Bello/Getty Images
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Mbappé antes de França x Senegal pela Copa do Mundo • Hannah Peters - FIFA/FIFA via Getty Images
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Kylian Mbappe e Dembélé comemoram gol pela França • Photo by Shaun Clark/Getty Images
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Kylian Mbappé, da França, acena para os torcedores antes do amistoso entre Brasil e França • Michael Owens/Getty Images
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Mbappé, atacante da seleção francesa • Foto: Franco Arland/Getty Images
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Mbappé em ação pela seleção francesa • Divulgação/Seleção Francesa
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Kylian Mbappé com a camisa da França • Reprodução/X/@equipedefrance
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Kylian Mbappé comemorando seu gol contra o Azerbaijão, pelas Eliminatórias • Reprodução/X/@UEFAEURO
Mbappé e Real Madrid pedem perdão
“Durante uma entrevista recente, reagi a uma imagem minha. O meu comentário foi imprudente e compreendo agora que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas em todo o mundo”, disse o atleta em um comunicado oficial.
“Peço desculpa a todos aqueles que as minhas palavras tenham ofendido. Não era de forma alguma essa a minha intenção. Tenho um profundo respeito pelo povo chinês e pela sua história, e lamento sinceramente”, concluiu.
“O Real Madrid CF gostaria de expressar suas desculpas ao povo chinês por qualquer desconforto causado pelas recentes declarações de nosso jogador Kylian Mbappé”, afirmou o clube em comunicado.
“Nosso clube mantém um profundo respeito pela China, sua história, sua cultura e seus cidadãos, assim como pelos milhões de torcedores chineses que sentem carinho e admiração pelo Real Madrid”, acrescentou a nota.
A rápida queda de popularidade de Kylian Mbappé na China, após declarações sobre Mao Tsé-Tung, seguiu um roteiro já conhecido no país: indignação nas redes sociais, afastamento de empresas, restrições em plataformas digitais e intervenção oficial.
Em menos de 24 horas após viralizar um trecho de podcast no qual o capitão da seleção francesa se referiu a Mao como “um cara qualquer — acho que ele é um ditador chinês”, patrocinadores como Mengniu Dairy, Shanghai Milkground e a fabricante de bebidas energéticas Eastroc encerraram suas parcerias com o atacante do Real Madrid.
Mbappé pediu desculpas após meme de Mao Tsé-Tung • Reprodução
A emissora estatal CCTV retirou do ar publicidade relacionada a Mbappé, enquanto plataformas chinesas de redes sociais restringiram o acesso às contas do jogador. Mbappé pediu desculpas na terça-feira e classificou suas declarações como “infelizes”.
A velocidade das consequências é familiar para empresas, marcas e celebridades com negócios ou exposição no mercado chinês. Segundo analistas, o episódio é mais um lembrete de um risco comercial que continua difícil de administrar, apesar de anos de controvérsias semelhantes.
Marcas estrangeiras já enfrentaram repetidamente fortes reações do público na China. Entre os episódios estão o cancelamento do desfile da Dolce & Gabbana em Xangai, em 2018; os pedidos de desculpas de Versace, Dior, do grupo LVMH, e Coach, da Tapestry, em 2019; além dos boicotes contra H&M, Nike e Adidas relacionados ao algodão de Xinjiang.
A NBA também enfrentou consequências no país depois que um dirigente do Houston Rockets manifestou apoio ao movimento pró-democracia de Hong Kong, episódio que provocou um rompimento com a CCTV.
Embora os detalhes variem em cada caso, o padrão costuma ser semelhante: uma declaração, imagem ou posicionamento ganha força nas redes sociais, parceiros comerciais passam a ser pressionados a reagir e os danos à reputação rapidamente superam a dimensão da ofensa original.
“Você não precisa pensar como um chinês para ter sucesso na China, mas precisa entender como o público chinês vai reagir e as implicações culturais de não fazer esse autocontrole”, afirmou Michael MacRitchie, fundador do MGI Group, empresa que conecta celebridades internacionais a marcas chinesas.
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Mbappé não participou do primeiro jogo do Real Madrid no Mundial • Maria Gracia Jimenez/Soccrates/Getty Images
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Mbappé comemora um de seus gols pelo time merengue • Divulgação/Real Madrid
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Mbappé comemora gol contra o Celta de Vigo pelo Espanhol • Divulgação/Real Madrid
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Mbappé em treino do Real Madrid • Divulgação/Real Madrid
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Mbappé comemora seu hat-trick contra o Manchester City • M Gracia Jimenez/Soccrates/Getty Images
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Mbappé comemora o gol que marcou contra a Atalanta, antes de sofrer uma lesão • Reprodução/X @realmadrid
Uma questão de respeito
Uma das principais questões em episódios desse tipo é determinar até que ponto a reação representa uma indignação genuína da população e quanto dela é amplificada pela mídia estatal, pelas plataformas digitais e por agentes oficiais.
O caso Mbappé ilustra como essa distinção pode ser difícil de estabelecer. À medida que a controvérsia avançava, as declarações originais sobre Mao estavam, em grande parte, inacessíveis na internet chinesa, submetida a forte censura.
Com isso, muitos consumidores tiveram mais contato com notícias de que patrocinadores haviam abandonado Mbappé e de que veículos oficiais o estavam condenando do que propriamente com aquilo que o jogador havia dito.
“O que tivemos nesta situação foi, até certo ponto, uma indignação fabricada”, afirmou Mark Dreyer, analista esportivo e autor de “Sporting Superpower”, livro sobre as ambições esportivas da China.
Ainda assim, Dreyer considera imprudente que ligas, clubes e atletas subestimem as reações que episódios como esse podem provocar.
“Eles não podem parecer estar dando uma orientação explícita aos jogadores para que não digam nada que possa ofender a China”, afirmou. “Claro que, nos bastidores, tenho certeza de que as pessoas estão sendo orientadas: apenas tenham cuidado, sejam sensatas e estejam cientes de que esse tipo de reação pode acontecer.”
Zak Dychtwald, fundador da BridgeWorks Global, consultoria que assessora organizações multinacionais, afirmou que, embora controvérsias desse tipo continuem relativamente comuns, elas podem ser evitadas.
“Se você participa desse mercado, existe a expectativa de que respeite a narrativa que a China constrói sobre si mesma e tenha uma compreensão básica sobre ela. A educação sobre as linhas vermelhas deve estar na base de tudo”, afirmou.
Linhas vermelhas nem sempre são claras
Outro desafio para marcas, ligas e celebridades é que, embora as chamadas linhas vermelhas políticas e culturais da China sejam amplamente conhecidas, elas raramente são definidas de maneira clara.
Essa incerteza pode incentivar empresas e parceiros comerciais a se distanciarem de figuras envolvidas em controvérsias antes mesmo que a dimensão de uma eventual ofensa esteja totalmente estabelecida.
“Não existe uma regra escrita em preto e branco sobre o que ultrapassa o limite”, afirmou Wei Kan, fundador da consultoria Conduit Asia.
Segundo ele, esse limite muda dependendo “de como os consumidores se sentem, do clima mais amplo da sociedade e de como plataformas e veículos de comunicação amplificam uma história”.
Para empresas estrangeiras, as sensibilidades da China já não deveriam ser uma surpresa. Ainda assim, analistas afirmam que riscos políticos e culturais muitas vezes continuam sendo tratados como questões secundárias, em vez de perigos comerciais rotineiros.
MacRitchie afirmou que sua empresa inclui cláusulas comportamentais e de reputação em contratos de publicidade. Outros especialistas apontam treinamentos específicos para cada mercado, preparação para entrevistas e planejamento de resposta a crises como mecanismos cada vez mais necessários, e não apenas precauções opcionais.
“Quando dá certo, todo mundo comemora”, afirmou Dychtwald. “Mas, quando você erra com a China, a retaliação pode ser extraordinariamente dolorosa e rápida.”
O Real Madrid pediu desculpas nesta quarta-feira (28) ao povo chinês após o atacante francês Kylian Mbappé provocar uma forte reação negativa por comentários em que se referiu ao falecido líder chinês Mao Tsé-Tung como um ditador.
Na terça-feira (27), marcas chinesas, incluindo as empresas de laticínios Mengniu e Shanghai Milkground Food Tech, além da fabricante de bebidas Eastroc Beverage, encerraram todas as parcerias com Mbappé. O jogador pediu desculpas pelo comentário.
Em um vídeo publicado em um podcast francês, que foi retirado do ar posteriormente, Mbappé aparece comentando um meme humorístico em que seu rosto foi editado sobre a imagem de “um cara — acho que um ditador chinês”.
Real pede desculpas à China após polêmica
“O Real Madrid CF gostaria de expressar suas desculpas ao povo chinês por qualquer desconforto causado pelas recentes declarações de nosso jogador Kylian Mbappé”, afirmou o clube em comunicado.
“Nosso clube mantém um profundo respeito pela China, sua história, sua cultura e seus cidadãos, assim como pelos milhões de torcedores chineses que sentem carinho e admiração pelo Real Madrid”, acrescentou a nota.
A repercussão negativa evidenciou os riscos enfrentados por atletas e marcas no lucrativo mercado chinês. No país, sátiras envolvendo Mao Tsé-Tung, considerado o fundador da China moderna e que governou a nação de 1949 até sua morte, em 1976, continuam sendo um tabu social.
Mbappé é chamado de “ditador” na imprensa europeia
Torcedores têm criado memes que sobrepõem o rosto de Mbappé a imagens de líderes militares e políticos. As montagens sugerem que o atacante tem poder para influenciar decisões nos times pelos quais atua.
Na imprensa europeia, o francês recebeu o apelido de “o ditador”. A controvérsia, porém, provocou consequências comerciais na China, onde empresas encerraram suas parcerias com o jogador após as declarações.
Questionado nesta quarta-feira sobre a reação chinesa ao pedido de desculpas de Mbappé, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Guo Jiakun, respondeu: “Levamos a sério o pedido de desculpas feito pela pessoa em questão”.
La suspensión en la televisión estatal china de las retransmisiones de LaLiga y de los demás partidos en los que participa Kylian Mbappé, junto con la retirada de sus anuncios y la ruptura de tres contratos de patrocinio con marcas del país, provocó el martes una sucesión de intensos movimientos diplomáticos para contener la crisis. El futbolista del Real Madrid y el presidente de LaLiga, Javier Tebas, pidieron perdón por las palabras del francés en un podcast, en las que recordaba entre risas un meme que superpone su rostro al de un “dictador chino”. Aunque Mbappé no mencionó a ningún dirigente, el montaje hacía referencia al fundador de la República Popular, Mao Zedong. Esas disculpas no fueron suficientes. Los organismos chinos reclamaban un gesto más: que el Madrid también pidiera perdón públicamente. El club lo ha hecho este miércoles por la mañana en un comunicado difundido en su web oficial: “El Real Madrid C. F. desea expresar sus disculpas al pueblo chino por el malestar que hayan podido ocasionar las recientes palabras de nuestro jugador Kylian Mbappé”.
Las palabras de la estrella francesa obligaron a Javir Tebas y a la patronal a reaccionar rápido para proteger los acuerdos comerciales con el gigante asiático Leer
Las palabras de la estrella francesa obligaron a Javir Tebas y a la patronal a reaccionar rápido para proteger los acuerdos comerciales con el gigante asiático
El presidente de LaLiga, Javier Tebas, se reunió con el embajador del país asiático en España para fortalecer las alianzas estratégicas y garantizar la continuidad de los acuerdos bilaterales.
Kylian Mbappé has apologized for comments referring to Mao Zedong as a dictator. He said his remarks were ill-judged and hurt many people in China and Chinese communities worldwide.
El organismo rector del fútbol español ofreció disculpas institucionales tras la suspensión de sus emisiones en la televisión estatal del país asiático y la cancelación de patrocinios comerciales al delantero del Real Madrid.
Kylian Mbappé is featured on bottles of Dongpeng's electrolyte drink.
VCG/VCG via Getty Images
One of soccer's biggest stars is in hot water in China over joking about Chairman Mao Zedong.
Kylian Mbappé referred to Mao as a "Chinese dictator" during a podcast talk about his favorite memes.
Two Chinese brands ended deals with Mbappé, while shares in shoemaker On, which sponsors him, fell.
Chinese brands are cutting ties with Kylian Mbappé, one of the world's biggest soccer stars, after he joked about Mao Zedong on a podcast.
Mbappé, who plays for Real Madrid and captains the French national team, has been nicknamed "The Dictator" for his confidence and influence over the teams he plays for. The nickname has spawned countless memes, many of which compare him to historical leaders, including Mao.
The controversy was sparked by a clip circulating on social media from an interview with "The Bridge," a French podcast co-hosted by one of Mbappé's teammates.
In it, Mbappé said the meme that made him laugh the most was one where his face was superimposed onto that of "some guy — I think he's a Chinese dictator." The video then cuts to an image of Mao with Mbappé's face.
While millions died under Mao's leadership, he is still revered by the Chinese Communist Party for his role as the founding father of modern China. Jokes about him remain a social taboo in China and are considered disrespectful.
Dongpeng, a drinks company whose ads and packaging feature Mbappé, announced on Tuesday that it would no longer work with him.
"Our company firmly opposes and has zero tolerance for actions that hurt national feelings," it said in a statement. "Effective immediately, we are ending all cooperation with Kylian Mbappé."
Mengniu, the country's largest dairy producer, also released a similar statement: "Effective immediately, our company is ending all cooperation with Kylian Mbappé. Mengniu firmly opposes and has zero tolerance for any words or actions that hurt the feelings of the Chinese people."
Soon after it was posted, Dongpeng's statement became the top-trending topic on the Chinese social media site Weibo.
Mbappé apologized in a statement on Tuesday morning, calling the comment "ill-judged."
"I now understand that it hurt many people in China and in Chinese communities around the world," he said in the statement, which was posted in English, French, and Mandarin.
"I apologize to everyone my words have upset. This was absolutely not my intention. I have deep respect for the Chinese people and their history, and I am sincerely sorry."
Mbappé is one of soccer's biggest stars. On Monday, he came second in voting for the prestigious Ballon d'Or and was the top scorer at this summer's World Cup.
In 2017, while still a teenager, he commanded a transfer fee of over $210 million, and he has since become one of the most marketable athletes in global sports.
In September, he became the face of Swiss shoemaker On's expanding soccer business, leaving behind a long-term deal as one of Nike's top ambassadors. On's share price was down more than 4% in early trading on Tuesday.
On top of that deal, Mbappé is the face of EA Sports' hugely popular FC game series, and has endorsement deals with brands like Swiss watchmaker Hublot and Oakley.
A bus in Shanghai features a Dongpeng ad with Mbappé.
Jade GAO / AFP via Getty Images
Soon after Dongpeng and Mengnui's statements, EFE Noticias, a Spanish news agency, reported that Chinese state TV has suspended broadcasts of La Liga — the top division of Spanish football where Mbappé plies his trade.
"We convey our respect to China, its institutions, and its people, and we deeply value the support of the millions of fans who follow us each week," La Liga said in a Tuesday X post, adding that it was working with partners in China to address the situation.