APROSE alerta para riscos de compradores de seguros autónomos com IA

A inteligência artificial não deve substituir o aconselhamento personalizado, uma vez que a escolha de uma apólice não se resume apenas ao preço, defende Nuno Martins, presidente da Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE). O responsável alerta também para a necessidade de simplificar a comunicação entre as seguradoras e os sistemas digitais dos mediadores.

“É perigoso irmos pelo caminho de compradores autónomos e digitais”, afirmou Nuno Martins, questionado sobre o risco de os consumidores recorrerem à inteligência artificial para encontrar seguros mais baratos, durante a 7.ª Conferência Anual do ECOseguros. Embora reconheça a importância do preço na decisão de compra, o responsável considera que a escolha deve ter em conta as necessidades específicas de cada cliente e a proteção que pretende garantir.
“Ninguém procura vender pelo preço, mas temos consciência de que é um fator importante”, explicou.
Nuno Martins considera ainda prioritário melhorar a comunicação entre as seguradoras e os sistemas informáticos dos mediadores. Explica que a APROSE tem como objetivo promover essa integração, de forma a reduzir tarefas administrativas e libertar tempo para a atividade comercial.
“Se queremos vender mais, não podemos entupir a mediação com chamadas telefónicas” ou trabalho burocrático, salientou o responsável, defendendo que as empresas devem trabalhar em conjunto para criar processos mais simples. “Isto não é uma coisa impossível de fazer, mas é muito mais caro se estivermos cada um a fazer o seu”, acrescentou, considerando que uma melhor comunicação entre sistemas informáticos pode contribuir para aumentar o negócio.
O presidente da APROSE alertou ainda para os efeitos da concentração no setor segurador, que considera desfavorável à mediação. A redução do número de operadores pode limitar as opções disponíveis e criar dificuldades para os clientes, embora possa ser mais conveniente para algumas seguradoras.
“O setor está bastante forte e vivo”, afirmou, destacando a evolução da profissionalização da mediação. Ainda assim, considera que a concentração não beneficia necessariamente os consumidores e defende que a diversidade de operadores é importante para assegurar uma oferta ajustada a diferentes necessidades.

