O fumo expulsou os corredores de Singapura para dentro dos centros comerciais

Os super-ricos impulsionam o colapso climático por meio de emissões desproporcionais, enquanto conseguem se proteger das consequências e ainda lucram a partir da destruição.Por outro lado, as pessoas em maior vulnerabilidade sofrem os piores impactos, como casas e plantações destruídas por enchentes ou incêndios, além de meios de subsistência perdidos e fome.
“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam, em nota.
Uma pessoa pertencente aos 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais ondas de calor extremo do que alguém que faz parte dos 50% mais pobres, segundo dados reunidos no estudo.
Análise da Oxfam indica que apenas um ano de emissões dos 1% mais ricos causará 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor. Dessas, 78% vão ocorrer em países de renda baixa e média-baixa, ainda que esses países sejam responsáveis por apenas 8% das emissões globais.
“Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndios e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram”, acrescentou Behar.
Além disso, o relatório aponta que as emissões dos 1% mais ricos causarão quase US$53 trilhões em danos econômicos até 2050. Até essa data, há ainda a estimativa de que até 1 bilhão de pessoas possam ser deslocadas pela crise climática, sendo a maioria no Sul Global.
“Isso não é uma tragédia de destino compartilhado; é um crime de desigualdade extrema”, concluiu o diretor da Oxfam.
O relatório alerta ainda que desastres climáticos são cada vez mais explorados para promover políticas que aprofundam a desigualdade, como a privatização da ação climática e dos serviços públicos, apropriações de terras, desregulamentação e benefícios fiscais para os super-ricos.
“Os super-ricos estão incendiando o planeta e depois cobrando do resto de nós pelos extintores”, afirmou Behar. “Eles lucram com a poluição. Eles lucram com o desastre. E lucram novamente com a reconstrução.”
O novo índice Destruir e Reconstruir (Destroy & Rebuild Index) da Oxfam identificou 217 empresas que lucram simultaneamente com setores que impulsionam o colapso climático e com atividades de preparação, resposta, recuperação e reconstrução pós desastres.
Diante do cenário relatado, a Oxfam fez algumas recomendações. Uma delas é que os grandes poluidores paguem e reduzam de forma rápida e significativa suas emissões de carbono, por meio de impostos sobre riqueza e renda, tributação sobre empresas de combustíveis fósseis e impostos punitivos sobre bens de luxo altamente poluentes, como jatos privados.
Outra medida seria aumentar o financiamento climático para o Sul Global, priorizando recursos públicos e doações, em vez de empréstimos que ampliam o endividamento. Os recursos destinados à adaptação climática precisariam ser triplicados até 2035.
Além de garantir uma infraestrutura pública resiliente ao clima e serviços públicos fortalecidos, a entidade recomenda acabar com o lucro obtido a partir dos desastres climáticos, limitando o poder corporativo em áreas como resposta a emergências, reconstrução e sistemas alimentares durante crises.

O estudo constatou que a concentração de dióxido de carbono (CO₂), o principal desses gases, é 53% mais alto do que em níveis pré-industriais (antes de 1750).
Em 2025, a concentração de dióxido de carbono atingiu 426,8 partes por milhão (ppm). Isso significa que, a cada um milhão de moléculas suspensas na atmosfera, aproximadamente 426 são de gás carbônico. São 2,8 ppm a mais do que em 2024.
O crescimento foi um pouco abaixo do registrado em 2024 (3,6 ppm), na comparação com o ano anterior, mas ficou acima da média da década (2,62 ppm por ano).
De acordo com o relatório, a redução do ritmo de crescimento em relação ao ano anterior provavelmente se deve à redução das emissões e a recuperação de sumidouros de carbono terrestres.
O fato de haver alta da concentração, no entanto, reflete a continuidade de grandes emissões provenientes da queima de combustível fóssil. Também pode ter ocorrido um impacto da temporada 2023/2024 do El Niño que evitou uma absorção maior do gás pela biosfera.
Do total de emissões humanas ocorridas entre 2015 e 2024, 50% se acumularam na atmosfera. O restante foi parar nos oceanos (29%), sejam dissolvidos na água, absorvidos pela biosfera marinha, e na terra (21%), absorvidos por processos biológicos ou geológicos.
O CO₂ responde por 66% da força radiativa dos gases do efeito estufa, ou seja, da capacidade de aquecimento na nossa atmosfera. Ele é também responsável por 83% do aumento dessa força na última década.
O segundo gás com maior força radiativa, o metano, que responde por 16% dela na nossa atmosfera, passou a ter uma concentração de 1.948 partes por bilhão (ppb), um aumento de 6 ppb em relação a 2024, menor do que os crescimentos de 8 ppb em 2024 e de 10,2 ppb por ano da média da década.
Desde 2007, o crescimento da emissão de metano na atmosfera vem caindo. Dois terços da emissão de gás metano no planeta Terra vem de ações antropogênicas, como a criação de gado e a decomposição de resíduos orgânicos.
Já a concentração de óxido nitroso, também conhecido como gás do riso, que responde por 6% da força radiativa, chegou a 339,1 ppb, ou seja, 1,1 ppb a mais que em 2024, o mesmo ritmo de crescimento de 2023 para 2024 e próximo da média anual da década (1,08 ppb por ano).
Apesar de ter menor concentração na atmosfera, cada molécula deste gás contribui cerca de 270 vezes mais para o aquecimento global que uma molécula de dióxido de carbono. Diferentemente do metano, apenas um terço dele é originário de ações humanas, como o uso de fertilizantes agrícolas.
O relatório verificou ainda que os clorofluorcarbonos (CFCs), que tem capacidade de aquecer a atmosfera e de destruir a camada de ozônio (que protege a Terra de radiação solar), estão reduzindo sua concentração atmosférica. Apesar disso, os CFCs respondem, junto com outros gases halogenados (aqueles que contém cloro ou flúor em sua composição), tem diminuído.
O documento chama atenção, no entanto, para o crescimento de alguns gases halogenados, como os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e os hidrofluorcarbonos (HFCs), que substituíram os CFCs nas indústrias, têm aumentado apesar de ainda terem baixas concentrações. E eles também contribuem para o aquecimento global. Os gases halogenados respondem por 12% da força radiativa na nossa atmosfera.
Outro alerta do relatório é para o aumento da emissão de hexafluoreto de enxofre (SF₆), pela indústria química, já que ele é usado como isolante elétrico em equipamentos de distribuição de energia.
Apesar de ainda ser baixa, sua concentração na atmosfera hoje é três vezes maior do que a observada em meados da década de 1990. E ele tem vida útil de mais de 1.900 anos na atmosfera.
Já o gás hidrogênio (H₂) que aparece como uma promissora fonte energética limpa, também preocupa devido a seu vazamento de dutos, tanques de estocagem e de células de combustível.
Apesar de não ter potencial de aquecimento, há a possibilidade reação química com hidroxilas (OH), moléculas que contribuem para limpar a atmosfera por reagir com gases como o metano.
Ao reagir com o gás hidrogênio, as hidroxilas se tornam mais escassas para reagir com o metano, por exemplo. A reação de OH com CH₄ gera dióxido de carbono, um gás do efeito estufa 80 vezes menos potente que o metano. Por isso, o vazamento de H₂ para a atmosfera acaba contribuindo indiretamente para o aquecimento global.
VTM
Promovida no âmbito do projeto CorGO – Community River Action Lab, a sessão juntou representantes de instituições e associações locais para debater o funcionamento da rede de saneamento, o tratamento das águas residuais e as boas práticas ambientais.
O encontro surgiu num contexto de crescente preocupação da população local com episódios recorrentes de poluição.
Sara Barreiro, membro da direção da Associação Cultural e Recreativa Tourencius dos Xudreiros e representante da KALAIKO, revelou que a iniciativa integra o projeto CorGO – Community River Action Lab, iniciado em maio de 2026, que procura mobilizar a população para a proteção e valorização do rio.
Segundo Sara Barreiro, a comunidade “sentiu a necessidade de se juntar para conseguir ganhar mais voz e ser ouvida junto do município e de entidades como a Águas do Norte”. Explicou que a poluição poderá estar associada a diferentes fatores, incluindo problemas na rede de saneamento, nas estações elevatórias e pressões provocadas por atividades industriais.
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