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Bruxelas dá novo passo para apoiar Ucrânia com 45 mil milhões em 2027


A Comissão Europeia propôs disponibilizar à Ucrânia mais 45 mil milhões de euros em 2027, dos quais a maior fatia, 31,7 mil milhões, será destinada ao reforço da capacidade industrial de defesa do país. Os restantes 13,3 mil milhões servirão para apoiar o orçamento ucraniano e assegurar o funcionamento dos serviços públicos essenciais.

“Estamos a dar à Ucrânia a previsibilidade de que tanto precisa e a ajudar a manter os serviços públicos essenciais. Reforçar o apoio à Ucrânia é uma prioridade máxima na agenda em Montreal. Juntamente com os nossos aliados, devemos também fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para aumentar a pressão sobre a Rússia, de modo a fazer cessar a sua bárbara guerra de agressão”, assinala a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, citada em comunicado.

A proposta, apresentada esta sexta-feira, integra a execução do empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros destinado a financiar as necessidades da Ucrânia em 2026 e 2027. Bruxelas pretende, assim, avançar com a segunda parcela do financiamento, submetendo a proposta ao Conselho da União Europeia (UE), onde os Estados-membros terão de decidir sobre a disponibilização dos fundos para o próximo ano.

Dos 45 mil milhões de euros previstos para o próximo ano, 31,7 mil milhões serão destinados à capacidade industrial de defesa ucraniana. O objetivo passa por reforçar a capacidade do país para produzir e adquirir equipamento militar, num contexto em que continua a enfrentar a invasão russa e a necessidade de sustentar o esforço de guerra.

Os restantes 13,3 mil milhões serão canalizados para apoio orçamental, repartidos em partes iguais entre o mecanismo “Ukraine Facility” e a assistência macrofinanceira da UE. Cada instrumento deverá disponibilizar até 6,65 mil milhões de euros.

No início deste mês, Bruxelas e Kiev afirmaram num comunicado conjunto que acordaram avançar com a atribuição de 45 mil milhões de euros através do Empréstimo de Apoio à Ucrânia para 2027, acrescentando que serão realizadas reuniões mensais para coordenar os esforços de apoio financeiro e de Defesa do país sob invasão russa

Desde o começo da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, o bloco europeu já disponibilizou um total de 231,6 mil milhões de euros em apoio à Ucrânia. Desse montante, 3,8 mil milhões correspondem a receitas provenientes de ativos russos imobilizados.

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Rússia diz que Kiev retomou ataques a refinarias de petróleo

✇ECO
By: Lusa

A Ucrânia atacou esta sexta-feira três refinarias de petróleo na Rússia, após uma “pausa” de vários dias neste tipo de ofensivas, declarou o vice-ministro russo da Energia, Alexander Novak.

“Tivemos uma pausa durante algum tempo, mas hoje os ataques contra as refinarias foram retomados”, declarou Novak numa entrevista à televisão pública russa.

O ministro da Energia russo especificou que três refinarias e um complexo de processamento de gás foram alvos de ataques ucranianos.

Novak não detalhou a localização destas quatro instalações, afirmando apenas que foram encontrados “danos menores” numa delas e que, “no geral”, as defesas antiaéreas russas “funcionaram”.

“Desobedeceram mais uma vez e, diria eu, estão simplesmente a ignorá-lo. Embora [o Presidente norte-americano, Donald] Trump tenha insistido nesta questão – e continue a insistir -, não lhe dão ouvidos”, criticou esta sexta-feira Yuri Ushakov, conselheiro presidencial para a política externa, em entrevista à rádio estatal russa Vesti.

Ushakov atribuiu aos parceiros europeus da Ucrânia a responsabilidade por esta “ousadia” em desobedecer a Trump e prosseguir com os ataques. “Certamente, não teriam coragem para o fazer por conta própria”, avaliou o conselheiro de Vladimir Putin.

O órgão de imprensa independente russo Astra relatou um ataque a uma refinaria na região russa de Samara, a 800 quilómetros da fronteira com a Ucrânia, divulgando imagens que mostram colunas de fumo negro a subir no céu.

O governador desta região, Vyacheslav Fedorishchev, informou esta sexta-feira, através da aplicação de mensagens russa MAX, que dois homens morreram durante um ataque de drones ucranianos.

Como resposta aos ataques russos que têm vindo a devastar a sua infraestrutura energética desde o início da ofensiva russa de grande escala na Ucrânia, em fevereiro de 2022, Kiev realiza regularmente ataques com drones contra instalações industriais na Rússia.

Estas ações visam restringir o fluxo de receitas provenientes do petróleo, que financia o esforço de guerra do Kremlin.

Donald Trump e o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciaram, no início do mês, um acordo para retomar o envio de gasóleo – pelo menos até abril de 2027 -, para descontentamento do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a quem Washington tem pressionado, nas últimas semanas, para que cesse estes ataques.

Com este polémico acordo, em vésperas das eleições intercalares de 3 de novembro nos EUA, Trump pretende travar a subida do preço do gasóleo e, com isso, reduzir a inflação, que tem afetado diretamente setores-chave entre o seu eleitorado, como os transportes, a agricultura e a pecuária.

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Força Aérea vai comprar sistema de radar móvel de longo alcance por 22,2 milhões de euros


A Força Aérea obteve ‘luz verde’ do Governo para a compra de um sistema de radar móvel de longo alcance, num montante máximo de 22,2 milhões de euros, a ser executado entre 2026 e 2028. Equipamento que irá reforçar a participação nacional na NATO.

A compra do “sistema radar móvel de longo alcance, num investimento máximo de 22,2 milhões de euros entre 2026 e 2028” foi aprovado no último Conselho de Ministros. “Este equipamento reforça a capacidade de vigilância e identificação de ameaças no espaço aéreo nacional e fortalece a participação de Portugal no sistema integrado de defesa aérea e antimíssil da NATO”, pode ler-se em comunicado. 

Em outubro, o Governo tinha revogado um despacho datada de dezembro de 2025 para a compra de um radar, no valor máximo de 22,2 milhões de euros, que tinha de ser executado em 2026. A aquisição é feita com financiamento da Lei de Programação Militar. 

Radar em base aérea dos Açores

O ramo das Forças Armadas está ainda a negociar com a Neuraspace a instalação de um radar numa base área nos Açores. Um novo passo no âmbito da parceria já existente com a empresa do setor espacial, desde 2024.

“A Força Aérea, desde setembro de 2024, possui uma parceria estratégia com a empresa nacional NeuraSpace, visando particularmente o usufruto do sensor ótico de Space Surveillance and Tracking (sendo ótico só opera em períodos noturnos e sem nuvens), propriedade da NeuraSpace instalado na Base Aérea de Beja (BA11), adquirido ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) [Neuraspace AI Fights Space Debris Project]. Nesta parceria a Força Aérea tem usufruído de observações de objetos no Espaço, fundamental para o Conhecimento Situacional Espacial e para a operação segura dos satélites que opera (satélites da Constelação do Atlântico)”, lembra porta-voz da Força Aérea quando contactada pelo ECO/eRadar sobre qual o estado da negociação com a empresa nacional.

“O mesmo projeto (Neuraspace AI Fights Space Debris Project) prevê a possibilidade de instalação de um radar (permitirá observações durante 24H/dia e em condições de meteorologia adversa), no Arquipélago dos Açores, visando obter dados de Space Surveillance and Tracking, sob o Atlântico”, refere ainda.

“Esta ação está a ser analisada no contexto mais amplo da ambição nacional para o domínio espacial. À medida que Portugal, com relevo para a Força Aérea, desenvolve a sua componente da Constelação do Atlântico e prepara a integração das suas capacidades na iniciativa Alliance Persistent Surveillance from Space (APSS) da NATO, torna-se cada vez mais relevante dispor de uma arquitetura integrada que combine sensores espaciais e sensores terrestres”, refere o porta-voz do ramo das Forças Armadas.

Telescópio ótico, resultado de parceria entre a Neuraspace e a Força Aérea Portuguesa. Instalado na base área de Beja.

“Um radar de vigilância espacial em território nacional, representaria um reforço da capacidade nacional de conhecimento da situação espacial, complementando os satélites da Constelação do Atlântico e contribuindo para uma maior autonomia da consciência situacional para Portugal, para a Europa e para a NATO”, refere ainda.

“A convergência entre a constelação de satélites, as infraestruturas e sensores de vigilância espacial poderá posicionar Portugal como um ator relevante de impacto sobre o Atlântico, reforçando simultaneamente o papel da Força Aérea Portuguesa e do Centro de Operações Espaciais na futura arquitetura europeia e aliada de Space Domain Awareness”, aponta ainda.

Em outubro, foram lançados dois novos satélites SAR da Constelação Atlântico, operados pela Força Aérea.

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Canadá apresenta primeira estratégia de segurança nacional em mais de 20 anos

✇ECO
By: Lusa

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, apresentou na quinta-feira a primeira estratégia de segurança nacional do país em mais de duas décadas, centrada no reforço da soberania, da defesa, da segurança económica e das capacidades de informação.

O documento, intitulado “The Plan for a Stronger Canada” (“Plano para um Canadá Mais Forte”), estabelece cinco prioridades estratégicas para responder às crescentes ameaças internacionais, incluindo ciberataques, interferência estrangeira, espionagem, criminalidade organizada e utilização das relações comerciais como instrumento de pressão política e económica.

“Num mundo em rápida transformação, mais perigoso e mais dividido, o Canadá tem de ter capacidade para defender a sua soberania, resistir às ameaças emergentes e determinar o seu próprio futuro”, afirmou Carney, citado num comunicado divulgado pelo seu gabinete.

A nova estratégia parte do princípio de que a segurança nacional deixou de depender exclusivamente da capacidade militar, passando também pela solidez da economia, pela proteção das infraestruturas essenciais, pela autonomia tecnológica e pelo fortalecimento das relações com os aliados internacionais.

Entre as cinco prioridades identificadas pelo Governo canadiano estão o reforço da segurança económica, a diversificação das parcerias internacionais, a modernização das Forças Armadas, a proteção da população contra ameaças internas e externas e o desenvolvimento das capacidades dos serviços de informações.

Na vertente económica, Otava pretende reduzir a dependência de fornecedores externos, proteger as cadeias de abastecimento, reforçar a segurança energética e investir em setores considerados estratégicos, incluindo tecnologias avançadas, inovação e recursos naturais.

A política externa deverá privilegiar a diversificação das relações comerciais e o aprofundamento da cooperação com parceiros considerados estratégicos, procurando aumentar a autonomia do Canadá num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e económicas, de acordo com a mesma nota informativa.

No domínio militar, o executivo compromete-se a acelerar a aquisição de equipamentos, fortalecer a indústria nacional de defesa e modernizar as Forças Armadas, de forma a cumprir os compromissos assumidos no âmbito da NATO e do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD).

“Um Canadá mais forte começa pela capacidade de defender o Canadá”, declarou o ministro da Defesa Nacional, David McGuinty, sublinhando que a estratégia pretende reforçar a capacidade de resposta militar, a segurança das infraestruturas essenciais e a proteção dos interesses nacionais.

A segurança do Ártico assume igualmente um papel central no documento, que prevê o reforço da capacidade de defesa e vigilância da região, bem como uma maior participação canadiana nos esforços internacionais de estabilidade e segurança.

Na área da segurança interna, o Governo pretende intensificar o combate à interferência estrangeira, ao extremismo violento, à espionagem e à criminalidade transnacional, incluindo fraudes financeiras, branqueamento de capitais, extorsão e exploração através da Internet.

A modernização dos serviços de informações constitui outra prioridade, com o executivo a defender a atualização dos instrumentos legais e tecnológicos de recolha e análise de informações, assegurando simultaneamente a proteção dos direitos e liberdades dos cidadãos.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, considerou que a segurança e a prosperidade canadianas são cada vez mais influenciadas por acontecimentos internacionais, defendendo o aprofundamento da cooperação com parceiros de confiança.

O plano prevê ainda a apresentação, durante o primeiro ano de implementação, de propostas legislativas destinadas a modernizar o enquadramento jurídico da segurança nacional, bem como a realização de uma reunião entre o primeiro-ministro e os chefes dos governos provinciais e territoriais para melhorar a coordenação institucional.

O Governo recordou que o Orçamento de 2025 incluiu 10,9 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 7 mil milhões de euros), distribuídos por cinco anos, para modernizar as infraestruturas digitais do Ministério da Defesa, das Forças Armadas e do organismo responsável pela segurança das comunicações e pela cibersegurança.

Este investimento deverá permitir desenvolver sistemas digitais mais seguros e resistentes a ataques informáticos, numa altura em que Otava identifica as ameaças cibernéticas como um dos principais desafios à segurança nacional.

A estratégia será revista pelo menos de quatro em quatro anos, com o objetivo de adaptar as prioridades canadianas à evolução das ameaças internacionais e das necessidades de defesa e segurança do país.

Este anúncio coincidiu com o início da cimeira de dois dias entre o Canadá e a União Europeia (UE), que decorre até hoje em Montreal, e na qual estão previstas discussões sobre defesa, segurança económica, energia, matérias-primas críticas e cooperação tecnológica.

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“A Defesa necessita de PME capazes de transformar conhecimento especializado em soluções confiáveis”


Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Sérgio Pereira, durante o jantar-debate “Portugal–Finlândia sobre Defesa e Inovação” promovido pela AEMinho e pela Sterling Prime Consulting, que se realizou na quarta-feira, em Guimarães.

“A defesa necessita sobretudo de empresas capazes de transformar conhecimento especializado em soluções confiáveis. E é aqui que muitas PME portuguesas podem fazer a diferença”, afirmou o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Sérgio Pereira, durante o jantar-debate “Portugal–Finlândia sobre Defesa e Inovação” promovido pela AEMinho e pela Sterling Prime Consulting, que se realizou na quarta-feira, em Guimarães. Sérgio Pereira apelou às PME para que olhem para a Defesa e o espaço como mercados onde podem contribuir com competências especializadas, sem terem de dominar sistemas tecnológicos completos.

“Não partam do princípio que o espaço e a defesa são setores reservados” a um grupo restrito de empresas, afirmou o general Sérgio Pereira, identificando oportunidades em áreas como a integração de satélites, o processamento de dados, a inteligência artificial (IA), a cibersegurança e as comunicações seguras.

“A participação não exige que uma empresa domine todo o sistema, exige que possua uma competência diferenciadora, que compreenda o requisito operacional e que consiga integrar a sua solução numa arquitetura mais ampla, segura e interoperável”, sublinhou.

O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea considera que a ligação entre Defesa, indústria e investigação pode criar valor económico e reforçar a soberania nacional. “Não chega a gente ter ideias, não chega a gente ter bons pensamentos. É preciso ter uma capacidade industrial capaz de segurar as pessoas”, vincou, defendendo que o desenvolvimento tecnológico deve ser acompanhado pela capacidade de produzir e reter talento em Portugal.

IA e cibersegurança abrem novas oportunidades

A cadeia de valor espacial estende-se à informação recolhida pelos satélites e às tecnologias necessárias para a transformar em capacidade operacional. “O satélite produz dados, mas os dados por si não produzem soberania nem vantagem operacional. É necessário recolhê-los, armazená-los, protegê-los, processá-los, correlacioná-los” e convertê-los em informação útil para a decisão, explicou o general Sérgio Pereira.

É neste domínio que as PME especializadas podem contribuir para as operações da Força Aérea. “Uma PME que desenvolva algoritmo capaz de identificar comportamentos marítimos anómalos, detetar alterações em infraestruturas ou reduzir o tempo entre a recolha e o alerta operacional pode acrescentar valor direto à missão, mesmo não tendo qualquer experiência anterior na construção de satélites”, elencou.

A cibersegurança e as comunicações são outras das áreas identificadas pelo responsável. “A segurança das infraestruturas, a soberania dos dados, a comunicação resiliente e a redução das dependências externas são elementos críticos”, destacou, apontando oportunidades na proteção das redes de comando e controlo, na gestão de identidades e acessos, na criptografia e no armazenamento seguro de informação.

O Centro de Operações Espaciais da Força Aérea, cuja atividade começou em setembro de 2024, poderá também recorrer a estas competências. Entre as suas áreas prioritárias estão as operações de satélite, a vigilância e o conhecimento do domínio espacial, a meteorologia espacial e o apoio às operações.

“O desafio não consiste apenas em adquirir sensores. O valor não pode estar no ativo espacial, mas no software e no serviço”, advertiu o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea.

Constelação do Atlântico quer impulsionar produção nacional

A ambição de desenvolver uma base industrial em Portugal está igualmente presente na evolução da Constelação do Atlântico. A Força Aérea pretende continuar a expandir a capacidade de observação da Terra através de satélites óticos de alta resolução e de radar de abertura sintética (SAR), reduzindo os tempos de revisita e reforçando a capacidade operacional nacional.

“A breve trecho, a Constelação do Atlântico deixará de ter apenas um programa de aquisição, mas irá potenciar a criação de um programa de produção e desenvolvimento industrial nacional”, sublinhou o general.

Para Sérgio Pereira, a Constelação do Atlântico é “mais do que um conjunto de satélites”. É “uma infraestrutura estratégica de soberania” e uma demonstração de que Portugal pode combinar capacidade operacional, indústria nacional, cooperação internacional e visão de longo prazo.

O responsável defendeu que a Força Aérea deve assumir um papel de articulação entre indústria, universidades e investigação. “A vantagem competitiva das nações depende cada vez menos da dimensão das suas organizações e cada vez mais da qualidade dos seus ecossistemas”, disse, referindo-se à ligação entre empresas, centros de investigação, administração pública e utilizadores operacionais.

“Eu quero que as universidades estejam comigo, eu quero que a indústria esteja comigo, para criarmos valor e eu proporciono soberania”, acrescentou, considerando que o desenvolvimento destas capacidades representa uma oportunidade económica de dimensão significativa.

A utilização dos dados espaciais também não se limita à Defesa. A vigilância marítima, a deteção de atividades junto de cabos submarinos, a proteção civil, a monitorização ambiental, o acompanhamento de incêndios rurais e as operações de busca e salvamento são algumas das aplicações apontadas.

“Esta capacidade de servir diferentes utilizadores é uma das principais vantagens dos modelos de dual use. Amplia o mercado potencial, facilita a evolução tecnológica e reduz a dependência de um único cliente”, destacou o general. Uma mesma solução tecnológica poderá, assim, servir a Força Aérea e outros utilizadores civis, alargando o mercado potencial das empresas portuguesas.

Testes e validação aproximam empresas da Defesa

A demonstração de que uma tecnologia funciona em condições operacionais exigentes é outro dos obstáculos que as PME enfrentam. Sérgio Pereira apontou o Centro de Avaliação e Testes de Tecnologias Aeroespaciais (CATA) como uma ferramenta para aproximar as necessidades da Defesa das capacidades da indústria, das universidades e dos centros de investigação.

“Uma das maiores dificuldades das empresas tecnológicas, sobretudo das PME, é demonstrar que uma solução funciona em condições operacionais exigentes”, reconheceu o responsável.

Através de ambientes de teste e validação, as empresas poderão experimentar soluções, identificar limitações, adaptar produtos e demonstrar a sua utilidade. Para a Força Aérea, esta aproximação permitirá avaliar novas tecnologias e reduzir o risco associado à sua eventual utilização operacional. “Não se trata apenas de contratar produtos acabados. Trata-se de criar condições para experimentar, validar e desenvolver conjuntamente”, afirmou Sérgio Pereira, assinalando que não há nenhuma força armada no mundo que consiga obter todas as necessidades que necessita.

A formação especializada é outra das áreas em que as empresas poderão participar, através de plataformas de simulação, ambientes digitais de treino e cursos ligados às operações espaciais, à análise geoespacial, à inteligência artificial e à cibersegurança.

“O conhecimento é em si mesmo uma capacidade estratégica. Formar, reter e atualizar talento nacional é indispensável para evitar que Portugal dependa permanentemente de conhecimentos externos”, defendeu.

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SAFE. Bruxelas abre nova call de 21,3 mil milhões


A Comissão Europeia abriu uma nova ronda para o programa de empréstimo SAFE, tendo disponível 21,3 mil milhões de euros que não foram usados pelos Estados-membros do montante inicial de 150 mil milhões de euros.

“Os Estados-Membros têm agora até 30 de novembro de 2026 para indicar os montantes que pretendem solicitar. Este financiamento permitirá aos Estados-Membros continuar a dar resposta às necessidades urgentes em matéria de defesa”, adianta Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para a área da Defesa, ao ECO/eRadar.

“A Comissão incentiva os Estados-Membros a utilizar os fundos ainda disponíveis de forma a contribuir para satisfazer as necessidades urgentes da Ucrânia“, refere ainda o mesmo porta-voz.

Em novembro do ano passado, os Estados-Membros apresentaram à Comissão os seus planos para a indústria de defesa, tendo sido aprovados as propostas de 19 países, entre os quais Portugal, que garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões de euros.

Na quarta-feira, a Comissão aprovou o plano da Hungria, o último dos 19 países da União Europeia que se candidataram inicialmente. Mas tanto a Hungria como Itália reformularam as suas candidaturas, reduzindo os montantes solicitados. Estas alterações, bem como revisões de menor dimensão por parte de outros países candidatos, deixaram 21,3 mil milhões de euros em empréstimos por atribuir. Montante que agora a Comissão volta a colocar à disposição dos Estados-Membros para novas candidaturas ao mecanismo de empréstimo europeu.

“Depois de receber os montantes pretendidos pelos países, a Comissão informá-los-á das dotações indicativas no prazo de duas semanas após o fim do prazo de apresentação das candidaturas”, refere a Comissão em comunicado.

“Além de responderem às suas necessidades e prioridades nacionais em matéria de defesa, os Estados-Membros são também incentivados a utilizar os fundos desta segunda convocatória para reforçar a cooperação com a Ucrânia, incluindo a aquisição conjunta com este país nos seus planos de investimento”, pode ler-se em comunicado. “Devem igualmente dar prioridade às necessidades urgentes das forças armadas ucranianas e dos Estados-Membros, nomeadamente nos domínios dos sistemas de defesa antiaérea e antimíssil, dos drones e dos sistemas antidrones, bem como das munições e dos mísseis“, refere ainda.

Em 16 dos 19 acordos de empréstimo iniciais, a Comissão já assinou os acordos de empréstimo, tendo desembolsado cerca de 13,5 mil milhões de euros a 11 países que tinham solicitado pré-financiamento. No caso português, o acordo de empréstimo aguarda em Bruxelas por assinatura, data a partir da qual será possível fazer os pagamentos das tranches de 15%.

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Força Aérea compra três autotanques para abastecimento de aeronaves por 1,25 milhões


A Força Aérea recebeu o aval do Governo para adquirir três autotanques de combustível para abastecimento de aeronaves por cerca de 1,25 milhões de euros, com financiamento plurianual através de verbas inscritas e a inscrever no orçamento da Força Aérea.

“A Força Aérea dispõe de diversas infraestruturas aeronáuticas que asseguram a operação, manutenção e sustentação dos seus sistemas de armas e demais meios aéreos, sendo indispensável garantir as adequadas condições de abastecimento de combustível às aeronaves, sendo necessário assegurar meios terrestres adequados, modernos e operacionalmente disponíveis para o transporte e abastecimento de combustível aeronáutico”, pode ler-se na portaria datada de 22 de outubro e publicada esta quinta-feira em Diário da República.

Para cumprir a sua missão, o ramo das Forças Armadas “identificou a necessidade de proceder à aquisição de 3 (três) autotanques de combustível, destinados a reforçar e assegurar a capacidade de transporte, distribuição e abastecimento de combustível às aeronaves, contribuindo para a continuidade e sustentabilidade das operações”.

Nesse sentido, a Força Aérea foi “autorizada a assumir o encargo plurianual relativo à aquisição de três autotanques de combustível destinados ao abastecimento de aeronaves, nos anos 2026 e 2027, até ao montante global máximo de 1 250 262 euros (um milhão, duzentos e cinquenta mil, duzentos e sessenta e dois euros), valor ao qual não acresce IVA”.

O encargo orçamental autorizado distribui-se por dois anos económicos, sem poder exceder os seguintes montantes:

  • 2026: 500 mil euros;
  • 2027: 750 262 euros.
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Brasileira Vertical Connect aposta 30 milhões em drones em Celorico da Beira

✇ECO
By: Lusa

Celorico da Beira vai acolher uma unidade industrial de produção de drones “de dimensão relevante”, num investimento de 30 milhões de euros, que deverá criar 50 postos de trabalho numa fase inicial, foi esta quarta-feira divulgado.

“A Vertical Connect, Lda adquiriu quatro lotes no parque empresarial da A25 para produzir aeronaves elétricas não tripuladas, drones de elevada capacidade e plataformas eVTOL para a vigilância, deteção, apoio operacional e combate a incêndios, mas também para a atividade agrícola”, disse à agência Lusa Carlos Ascensão (PSD), presidente da Câmara de Celorico da Beira.

O projeto envolve um investimento de 30 milhões de euros e a criação, na fase inicial, de 50 postos de trabalho, com potencial de crescimento até cerca de 100.

“Será maioritariamente mão de obra altamente qualificada e, tendo em conta a tecnologia em questão, está também prevista a cooperação com universidades, universidades politécnicas e centros tecnológicos da região”, acrescentou o autarca.

Carlos Ascensão disse tratar-se de uma unidade tecnológica e industrial “de dimensão relevante, tecnologicamente diferenciada e vocacionada para o mercado nacional e a exportação”.

“É uma indústria muito interessante, que traz uma mais-valia grande para Celorico da Beira, pois vai fazer investigação, desenvolvimento, engenharia, produção, montagem, controlo, qualidade e apoio logístico”, adiantou.

Eate investimento “vai alterar e valorizar o perfil do nosso parque industrial e aumentar a notoriedade do concelho de Celorico da Beira”, sustentou.

A Vertical Connect, de capitais brasileiros, vai desenvolver tecnologia aeronáutica aplicada ao problema dos incêndios e à agricultura.

O projeto vai ocupar um total de 6.000 metros quadrados no parque empresarial de Celorico da Beira, no distrito da Guarda, junto à A25 – Autoestrada das Beiras Litoral e Alta, que liga Aveiro à fronteira de Vilar Formoso.

Os promotores tencionam construir laboratórios, linhas de produção, um centro de operações, armazéns e uma pista de ensaios e aterragem de drones.

“Os investidores escolheram Celorico da Beira pela centralidade do concelho em termos de acessibilidades. Somos servidos pela A25 e o IP2, pela ferrovia [Linha da Beira Alta], estamos perto da A23 e a um passo da fronteira espanhola e da entrada para a Europa”, realçou Carlos Ascensão.

O presidente da Câmara de Celorico da Beira revelou que é intenção da Vertical Connect iniciar a construção das infraestruturas no início de 2027.

“O município vai já fazer obras de terraplanagem para criar as condições necessárias à construção de um pavilhão, porque eles pretendem trazer alguns drones da empresa que têm no Brasil”.

Carlos Ascensão indicou que “aquilo que manifestaram e são os compromissos estabelecidos, é ainda este ano começar-se com todo este processo para, no início do próximo ano, se iniciar a construção faseada de pavilhões”.

“Eles também têm urgência de começar, já para o ano, essa atividade de fabrico das aeronaves e dos drones”, garantiu.

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Oligarca ucraniano pró-Rússia acusa Portugal e Espanha de ajudarem Kiev no fabrico de armas

✇ECO
By: Lusa

O oligarca ucraniano próximo de Moscovo Viktor Medvedchuk acusou Portugal e Espanha de estarem a desenvolver mísseis e drones em conjunto com Kiev para atacar alvos na Rússia, referindo-se também à crise social e aos protestos pela habitação na Península Ibérica.

“Enquanto dois países da Península Ibérica tentam ultrapassar a crise da habitação e o aumento do custo de vida, os governos cooperam cada vez mais estreitamente com a Ucrânia”, afirmou Medvedchuk num artigo publicado no portal oficial do movimento Outra Ucrânia, liderado pelo político pró-Rússia e próximo do Presidente russo, Vladimir Putin.

Medvedchuk, 72 anos, acrescentou que além do habitual discurso de apoio à Ucrânia, “esconde-se uma história muito mais concreta”, afirmando que empresas portuguesas e espanholas estão a desenvolver, em conjunto com fabricantes ucranianos, projetos de tecnologia de mísseis, drones de ataque, sistemas de navegação e outras armas para ataques contra a Rússia.

O oligarca escreveu ainda que empresas portuguesas e espanholas estão a ser transformadas em bases de produção de mísseis e drones ucranianos, não especificando os nomes das companhias.

Segundo Medvedchuk as armas alegadamente fabricadas na Península Ibérica são utilizadas em ataques que considerou terroristas contra território russo.

Neste sentido, ameaçou Portugal e Espanha, referindo que as “indústrias” de produção de armamento podem vir a ser “alvos legítimos” para ataques de retaliação russos.

Segundo Medvedchuk, a integração com o complexo militar-industrial ucraniano , que apoia os ataques em território russo, é dispendiosa e perigosa, não beneficiando em nada os interesses dos povos português e espanhol.

De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, Medvedchuk é conhecido informalmente como o “compadre de (Vladimir) Putin”, uma vez que o Presidente russo foi padrinho de uma das filhas do oligarca numa cerimónia realizada em São Petersburgo.

Medvedchuk é considerado, há mais de duas décadas, um “agente de influência” de Moscovo na política ucraniana, sobretudo na região do Donbass.

Como chefe da Administração Presidencial ucraniana (2002-2004), coordenou a cooperação de bastidores entre Moscovo e Kiev, a qual foi interrompida pela Revolução Laranja, um revés para Moscovo, que tinha apoiado a eleição do Presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych.

Em 2012, criou a organização “Opção Ucraniana”, cujo objetivo foi apoiar a entrada da Ucrânia na União Aduaneira com a Rússia, em detrimento da assinatura de um Acordo de Associação com a União Europeia.

Durante os protestos da Praça Maidan, no centro de Kiev, em 2014, foi um dos principais aliados de Yanukovych sendo que após a repressão contra as manifestações fugiu para a península da Crimeia, que, semanas mais tarde, seria anexada pela Rússia.

O oligarca fundou o partido pró-Rússia “Plataforma pela Vida”, através do qual propôs um plano de paz para o Donbass — que chegou a ser apresentado ao Parlamento Europeu e que foi rejeitado por Kiev.

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“Temos empresas da área dos drones interessadas em estabelecer-se em Tires”


Sessão de abertura do ano letivo 2026/27 da licenciatura e do mestrado em Engenharia Aeroespacial, que decorreu esta quarta-feira no Aeródromo Municipal de Cascais, em Tires.

Empresas nacionais ligadas aos drones estão interessadas em instalar-se no Aeródromo de Tires, onde a Universidade NOVA de Lisboa quer criar um polo de ensino, investigação e desenvolvimento tecnológico para o setor aeroespacial: o NOVA Aerospace. A instituição de ensino superior está a preparar uma arena de drones, que funcionará como laboratório da faculdade, e garante que há empresas disponíveis não só para colaborar com a universidade, mas também para se estabelecerem no local.

“Temos empresas da área dos drones que estão interessadas, não só em colaborar connosco, mas que estão interessadas em estabelecer-se aqui”, afirma José Júlio Alferes, diretor da NOVA FCT, à margem da sessão de abertura da licenciatura e mestrado em Engenharia Aeroespacial, realizada esta quarta-feira no hangar 7 do aeródromo, ao ECO/eRadar.

Para já, não são conhecidos os nomes das empresas interessadas, nem os montantes que poderão investir ou os prazos para uma eventual instalação. Mas o interesse no segmento dos drones dá uma dimensão mais industrial ao projeto NOVA Aerospace, que pretende fazer de Tires um ponto de encontro entre empresas, estudantes e investigadores, num setor em que a ligação entre conhecimento e capacidade de produção é cada vez mais relevante.

“Vai-se montar aqui uma área de drones. A arena de drones é um laboratório nosso, da faculdade”, explica José Júlio Alferes. Entre as empresas que a universidade procura atrair, existem também interesses nas áreas dos satélites e de outras tecnologias aeroespaciais, explica o responsável.

José Júlio Alferes, diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa – NOVA FCT, durante a sessão de abertura do ano letivo 2026/27 da licenciatura e do mestrado em Engenharia Aeroespacial, que decorreu esta quarta-feira no Aeródromo Municipal de Cascais.

Cinco milhões para arrancar, empresas para captar

A NOVA FCT prevê investir cinco milhões de euros na construção do seu edifício e na aquisição de equipamentos. Esse valor não representa, contudo, o investimento total que poderá ser mobilizado para o polo, já que a instalação de empresas poderá exigir novas infraestruturas e a construção de hangares.

O projeto abrange 20 hectares cedidos pela Câmara Municipal de Cascais, em regime de direito de superfície por 50 anos, renovável. A ambição é criar um ecossistema em que o ensino e a investigação decorram junto de empresas e de atividade aeronáutica real, permitindo aos estudantes trabalhar mais perto dos desafios da indústria.

Vai-se montar aqui uma área de drones. Temos empresas da área dos drones que estão interessadas, não só em colaborar connosco, mas que estão interessadas em estabelecer-se aqui.

José Júlio Alferes

Diretor da NOVA FCT

“A nossa ideia é ensinar e investigar nesta área do aeroespacial dentro de um ecossistema que, desde logo, tem um aeroporto”, sucinta o diretor da NOVA FCT. A proximidade ao aeródromo deverá permitir o acesso a aeronaves e a condições para realizar testes, dando aos alunos contacto direto com aplicações práticas da engenharia.

O novo polo já recebe os alunos da licenciatura e do mestrado em Engenharia Aeroespacial da NOVA FCT, que terão aulas no aeródromo um dia por semana. O modelo permite aproximar a formação da realidade operacional do setor, com acesso a hangares, oficinas e laboratórios integrados na infraestrutura aeroportuária. A Câmara de Cascais assegura o transporte dos estudantes nas deslocações de ida e volta.

A criação deste polo já tinha sido anunciada pela universidade no início do ano. Em fevereiro, José Branco, pró-reitor da NOVA, esclareceu ao ECO/eRadar que o projeto pretendia reunir academia e empresas e que o investimento de cinco milhões de euros dizia respeito ao edifício e aos equipamentos da universidade, sendo o potencial global mais elevado à medida que as empresas se instalassem. A instituição tinha então apontado um horizonte de cerca de quatro anos para ter pelo menos uma empresa instalada no espaço.

Entre as empresas já ligadas ao ecossistema está a Indra, que formalizou em março uma parceria com a NOVA Aerospace. A universidade refere também contactos com outras empresas, enquanto a TAP Academy já está presente nas imediações. O objetivo passa por atrair atividade empresarial para o aeródromo e desenvolver projetos conjuntos de investigação e formação, mas o interesse em instalar capacidades industriais terá ainda de se traduzir em decisões concretas.

O novo polo já recebe os alunos da licenciatura e do mestrado em Engenharia Aeroespacial da NOVA FCT, que terão aulas no aeródromo um dia por semana, sendo o transporte de ida e volta garantido pela Câmara de Cascais.

Indra mantém em aberto eventual expansão industrial

A associação da Indra à NOVA Aerospace deverá reforçar a colaboração com a universidade, sobretudo na área espacial. Para já, não existe um plano definido para a criação de novas instalações ou capacidades de fabrico em Tires, nem foi confirmada qualquer intenção de desenvolver ali atividade ligada a drones.

“Aquilo que pode ser no futuro ainda está por desenhar, não existe nenhum plano concreto”, refere Nuno Ávila, diretor da Indra/Deimos, ao ECO/eRadar. O responsável explicou que o grupo pretende avançar para atividades de maior valor acrescentado, incluindo a industrialização e a criação de produtos, mas sublinhou que qualquer expansão dependerá das competências disponíveis, da massa crítica e do foco do investimento.

Aquilo que pode ser no futuro ainda está por desenhar, não existe nenhum plano concreto. É no espaço que nós temos tido a relação com a NOVA Aerospace e eu acredito que é no espaço que vamos continuar a consolidar esta relação.

Nuno Ávila

Diretor da Indra / Deimos

A Indra tem vindo a desenvolver competências na área dos drones em Espanha, mas Nuno Ávila não adiantou se essa atividade poderá passar por Portugal. “É no espaço que nós temos tido a relação com a NOVA Aerospace e eu acredito que é no espaço que vamos continuar a consolidar esta relação”, frisa.

A parceria assinalada em março prevê colaboração em investigação aplicada, desenvolvimento tecnológico, formação avançada e participação de estudantes e investigadores em projetos industriais. Inclui também a ligação a projetos da Agência Espacial Europeia, mestrados e doutoramentos.

Agência Espacial antecipa novidades com colaboração

O desenvolvimento de empresas e startups é também uma das ambições para o ecossistema que está a nascer em Tires. Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, destaca a importância de aproximar os estudantes do setor e criar condições para transformar projetos académicos em negócios.

“Muitos destes jovens que estão aqui vão ter as suas próprias empresas. Têm as suas ideias, vão fazer as suas startups e vão, obviamente, ser uma das empresas do ecossistema nacional”, diz o responsável, ao ECO/eRadar à margem do evento.

A Agência Espacial Portuguesa está também em conversações com a NOVA sobre formas de colaboração. Questionado sobre se o contacto poderia evoluir para uma parceria, Ricardo Conde confirma apenas que o assunto está a ser analisado e antecipa que “haverá surpresas”, sem adiantar pormenores.

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ARTEX/OPEX – Um bom contributo para a defesa europeia


Quando um Presidente da República, um Ministro da Defesa e o Diretor Executivo da Agência Europeia de Defesa (EDA) ocupam a mesma tribuna, a mensagem política fica dada antes de qualquer discurso. Foi isso que se viu no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, no encerramento do exercício ARTEX 26 (Army Technological Experimentation 2026) que se inseriu na campanha europeia HEDI OPEX26 (Hub for European Defence Innovation Operational Experimentation 2026). António José Seguro, Presidente da República Portuguesa, percorreu a exposição, contactou com as empresas participantes e só no fim da visita respondeu aos jornalistas. Nuno Melo, Ministro da Defesa Nacional, falou de um verdadeiro laboratório do futuro na área da defesa. André Denk, Diretor da EDA, lembrou que as ameaças à segurança europeia são reais e imediatas. Esta atenção de topo deve ser reconhecida, porque mostra que o exercício deixou de ser um assunto do Exército, que o organizou de forma superior, para passar a ser um assunto de Estado e da Europa.

Parte dessa atenção, porém, não é exclusivamente política pública de defesa, é, também o futuro e a viabilidade das empresas que desenvolvem as soluções. Uma cerimónia, por mais solene que seja, não financia protótipos nem compra equipamento. A fotografia de encerramento esquece-se depressa e o que resta é uma pergunta mais incómoda: o que acontece às soluções que foram testadas?

Os números apresentados no encerramento são expressivos: 77 empresas, 112 soluções tecnológicas e 22 países presentes. Segundo o Ministro da Defesa, o número de empresas participantes duplicou face ao ano anterior e o ARTEX, iniciado em 2023, passou a integrar pela primeira vez o calendário da EDA. Estes dados mostram uma trajetória de crescimento. Não mostram, por si só, para onde essa trajetória conduz.

O próprio Exército, através do responsável pela robótica e pelos sistemas autónomos do CEMTEx (Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército), explicou (e bem) que a instituição nunca se compromete a que um participante seja depois adotado como equipamento. Essa prudência é compreensível e correta, porque nenhuma instituição deve prometer aquisições que não controla ou que não necessita. Mas a consequência é que a passagem do ensaio à encomenda, normalmente, não depende de quem testa. Depende de quem tem competência para decidir a compra, com que orçamento, com que regras e com que calendário.

Um fabricante que vence um teste e não recebe qualquer encomenda no ano seguinte não tem um problema técnico, tem um problema de procura e de sobrevivência da empresa. A nossa tarefa é verificar se estes instrumentos de apoio (europeus e nacionais) chegam, de facto, às soluções que Santa Margarida permitiu avaliar e não apenas aos programas teóricos desenhados antes do exercício. A capacidade industrial portuguesa está, aliás, bem representada nas iniciativas europeias.

O diretor executivo da EDA pediu encomendas firmes e de longo prazo, bem como regras de aquisição mais simples. Subscrevo esse pedido precisamente porque o Parlamento Europeu tem acompanhado em instrumentos como o EDIP (European Defence Industry Programme), orientado para a produção conjunta, e o SAFE (Security Action For Europe) , que mobiliza empréstimos para compras de defesa, e ainda o AGILE (Program for Agile and Rapid Defence Innovation), recentemente aprovado, que financia inovação. Um fabricante que vence um teste e não recebe qualquer encomenda no ano seguinte não tem um problema técnico, tem um problema de procura e de sobrevivência da empresa. A nossa tarefa é verificar se estes instrumentos de apoio (europeus e nacionais) chegam, de facto, às soluções que Santa Margarida permitiu avaliar e não apenas aos programas teóricos desenhados antes do exercício.

A capacidade industrial portuguesa está, aliás, bem representada nas iniciativas europeias. A UAVision, foi uma das cinco empresas selecionadas para o Sentinel Strike Challenge, a competição da EDA para testar drones de ataque e ficou em quarto lugar na avaliação inicial, entre mais de 140 manifestações de interesse. A Beyond Vision foi uma das três empresas convidadas a experimentar, ao lado do Exército português, sistemas aéreos de baixo custo para missões de alto risco. Um veículo de vigilância desenvolvido pelo Instituto Superior Técnico, com origem num projeto com a Frontex, está presente no exercício desde a primeira edição do ARTEX. Há, portanto, massa crítica. O que falta é que estes casos deixem de ser exceções destacadas em comunicados e passem a ser encomendas reais.

Há também um projeto nacional que merece atenção prioritária. O general Chefe de Estado Maior do Exército (CEME), Eduardo Mendes Ferrão propôs a constituição da Zona Livre Tecnológica D. Afonso Henriques, que abrangerá as áreas militares de São Jacinto, Santa Margarida e Beja e permitirá testes terrestres e aéreos com munições e explosivos à escala real. O general CEME espera vê-la concretizada em breve. As decisões de ordenamento, licenciamento e dotação orçamental são nacionais. Enquanto a zona não existir, o laboratório português continuará a ter limites que outros Estados já não têm e a ambição de Portugal, através do Exército português, se tornar um centro experimental europeu dependerá dessa decisão.

Portugal tem hoje um tecido empresarial com provas dadas na defesa. Segundo o levantamento mais recente da idD Portugal Defence, são cerca de 440 as entidades com atividade no setor, 81 delas criadas só em 2025, com uma faturação que ronda os 8,7 mil milhões de euros por ano. Santa Margarida mostrou que estas empresas sabem levar a tecnologia para o terreno.

O general Mendes Ferrão anunciou também a assinatura de um memorando com a iniciativa DIANA (Defence Innovation Accelerator for North Atlantic) da NATO, que fará do CEMTEx, localizado em Paço de Arcos, um centro de testes afiliado. É uma excelente notícia, que merece ser operacionalizada pelas duas partes e acompanhada de um calendário firme. Do lado europeu, a EDA criará a 1 de novembro o Centro Europeu de Inovação em Defesa, com a experimentação operacional como atividade central. O seu Diretor Executivo, Andre Denk, afirmou que Portugal está perfeitamente posicionado para acolher futuras iniciativas da EDA. Partilho essa confiança. Seria essencial que a candidatura nacional a polo permanente da rede seja apresentada de forma coordenada entre o Governo, o Exército e a indústria.

Portugal tem hoje um tecido empresarial com provas dadas na defesa. Segundo o levantamento mais recente da idD Portugal Defence, são cerca de 440 as entidades com atividade no setor, 81 delas criadas só em 2025, com uma faturação que ronda os 8,7 mil milhões de euros por ano. Santa Margarida mostrou que estas empresas sabem levar a tecnologia para o terreno. No quadro do SAFE, a exigência de que pelo menos 65% do custo e da produção dos componentes tenha origem europeia abre às empresas portuguesas um espaço que até aqui era ocupado por fornecedores de fora da União.

O passo seguinte é preparar essa presença para o ciclo orçamental europeu que se aproxima – Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034. Isso passa por empresas que se conheçam antes de os concursos abrirem, por consórcios internacionais montados com antecedência e por uma presença regular em Bruxelas, porque os programas de trabalho definem-se muito antes de as candidaturas abrirem. O Governo pode ajudar, usando as suas aquisições para integrar as pequenas e médias empresas nas cadeias de fornecimento dos grandes fabricantes e apoiando os custos iniciais de entrada em consórcios europeus, que chegam muito antes de qualquer receita. Se este caminho for seguido, as empresas portuguesas poderão apresentar-se à Europa como ecossistema, e não uma a uma, que é a forma como os grandes programas as procuram.

Parabéns a todos os envolvidos.

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Submarino nuclear russo lança míssil estratégico que atinge alvo no Ártico

✇ECO
By: Lusa

Um submarino nuclear russo da Frota do Pacífico lançou esta quarta-feira um míssil balístico intercontinental a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, atingindo o alvo na região ártica de Arkhangelsk, a 600 quilómetros da Finlândia e Noruega.

“Em conformidade com o plano de treino militar, a tripulação do submarino nuclear estratégico ‘Generalissimus Suvorov’, do projeto 955A Borei-A, pertencente à Frota do Pacífico, lançou um míssil balístico intercontinental Bulava em direção ao polígono de testes de Chizha, na região de Arkhangelsk”, explicou o Ministério da Defesa da Rússia, na rede Telegram.

O comando militar detalhou que o lançamento ocorreu a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, no extremo oriente russo, e divulgou um vídeo do exercício. “As ogivas do míssil atingiram com sucesso o polígono de testes no horário previsto”, concluiu o Ministério da Defesa.

O polígono de testes de Chizha situa-se nas margens do Mar Branco, a pouco mais de 600 quilómetros da fronteira com a Finlândia e a Noruega, países cujos líderes, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e o Presidente finlandês, Alexander Stubb, mantiveram, na véspera, uma conversa telefónica com o Presidente russo, Vladimir Putin.

Putin alertou ambos os líderes de que a conquista de uma paz justa e duradoura na Ucrânia “só será possível se forem levados em conta, de maneira plena e incondicional, os interesses legítimos da Federação Russa“.

Criticou ainda “a política de confronto dos países da União Europeia e da NATO, que leva ao prolongamento das ações militares” entre russos e ucranianos.

Desde a criação dos Bulava, a Rússia realizou mais de 40 lançamentos de teste desses mísseis intercontinentais. O mais recente ocorreu a 5 de novembro de 2024, pelo submarino nuclear ‘Imperator Alexandr III’.

Um ano antes, o ‘Generalissimus Suvorov’ lançou um míssil Bulava do Mar Branco em direção ao polígono de testes de Kura, localizado em Kamchatka, nas margens do Pacífico.

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Roménia denuncia aumento da guerra híbrida da Rússia contra a Europa

✇ECO
By: Lusa

O Presidente da Roménia, Nicusor Dan, acusou o Governo russo de ter intensificado a guerra híbrida e as hostilidades contra as democracias europeias, após episódios de sabotagem no seu país, incluindo o registado numa empresa de armamento romena.

Nicusor Dan disse que estes incidentes “inaceitáveis” “representam uma grave violação da soberania e da segurança” do país e sublinhou que “nenhuma entidade estrangeira tem o direito de agir assim” em qualquer Estado europeu.

“Durante anos, a Rússia utilizou um diversificado arsenal de meios para enfraquecer as democracias europeias. As tentativas de influenciar os processos eleitorais, as campanhas de desinformação, a guerra de informação, os ciberataques e os atos de sabotagem é tudo parte da guerra híbrida desencadeada pela Rússia”, afirmou.

O chefe de Estado destacou que nas últimas semanas, a Rússia aumentou a aposta ao provocar vários incidentes no Mar Negro contra o transporte marítimo civil.

“Tudo isto não são incidentes isolados, sem ligação entre si, mas fazem parte de uma campanha premeditada e coordenada”, realçou.

Para o Presidente da República romeno, o Kremlin pretende com este tipo de ações provocar divisão e confusão nas sociedades europeias, com o objetivo de colocar em causa o compromisso destas com a própria segurança e com a defesa comum.

Dan garantiu que “a guerra híbrida tem sido travada há anos de diferentes formas” e acrescentou que um aumento da mesma exige por parte dos Estados europeus uma resposta equivalente, ampliando a vigilância e a prevenção de riscos.

Nesse sentido, o PR sublinhou que a Roménia atuará “com determinação” para prevenir este tipo de ações e identificar os seus responsáveis, ao mesmo tempo que continua a trabalhar estreitamente com os seus parceiros da NATO e da EU”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Roménia convocou esta terça-feira o embaixador russo em Bucareste, Vladimir Lipayev, para lhe transmitir o protesto “enérgico” do Governo do seu país pelo suposto ato de sabotagem registado em meados de setembro contra as instalações da empresa de defesa romena Carfil, em Brasov.

“As provas demonstram a responsabilidade da Rússia neste ataque híbrido inaceitável“, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dan Neculaescu, que também protestou junto do diplomata russo contra o aumento dos ataques no Mar Negro.

As autoridades romenas denunciaram que no dia 14 de setembro ocorreu um incêndio nas instalações desta empresa, responsável pela fabricação de drones, por indicações dos serviços de inteligência russos.

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Têxtil de Barcelos investe meio milhão para ‘calçar’ negócio da Defesa


A Barcelcom está a expandir para defesa e segurança, área onde investiu cerca de meio milhão de euros. A têxtil de Barcelos, que até aqui atuava sobretudo no setor de saúde, com meias de punção, criou uma meia que protege os utilizadores de fogo. As “Guardian Socks” vão ser apresentadas na Alemanha, tendo os setores de defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e equipamentos de proteção individual como potencial mercado.

“Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional“, adianta Vânia Fontes, administradora da Barcelcom, ao ECO/eRadar.

“A característica antipunção pode ter interesse noutros contextos, como o bloco operatório ou os próprios equipamentos de proteção individual. É uma área que queremos explorar com calma: perceber onde o produto pode realmente fazer a diferença e ir construindo essa presença de forma gradual”, acrescenta a administrada da empresa têxtil quando questionada sobre o que motivou a aposta neste novo setor.

As “Guardian Socks”, que estão agora a levar para o mercado, levaram “dois anos” em desenvolvimento, tendo contado com a “colaboração de três parceiros: a Fibrenamics, a Pixartidea e a Sciencentris” para criar um produto que visa cumprir uma dupla função para a qual, dizem, ainda não existe resposta.

Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional.

Vânia Fontes

Administradora da Barcelcom

“A grande diferença está em reunir na mesma meia duas características: proteção antipunção e proteção contra o fogo. Tanto quanto conhecemos o mercado, não existe outro produto que combine estas duas funcionalidades, e foi precisamente essa a necessidade a que quisemos responder”, destaca Vânia Fontes.

O projeto representou “um investimento de cerca de 500 mil euros”, precisa a administradora, sem arriscar uma expectativa de faturação com esta aposta num novo produto e setor.

“Estamos a entrar num setor novo para nós, por isso as nossas expectativas são prudentes. Acreditamos no produto, mas sabemos que há um caminho a percorrer até conquistarmos o nosso espaço neste mercado”, diz. “Para já, mais do que definir o peso que isto vai ter na faturação, interessa-nos perceber como o produto é recebido e desenvolver contactos comerciais”, refere.

A Barcelcom vai apresentar o produto na Alemanha. “Nesta fase, estamos focados sobretudo na defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e nos equipamentos de proteção individual”, adianta Vânia Fontes. “O objetivo é mostrar o produto a quem trabalha nestes setores, ouvir as suas necessidades e perceber em que aplicações há maior interesse. Esse contacto vai ser fundamental para orientar o nosso trabalho comercial”, aponta como passos imediatos do projeto.

Potenciais novos segmentos

Mas há outros segmentos que, com este produto, a empresa pode expandir. “Há também um ganho muito importante, que é o conhecimento que fomos adquirindo ao longo do projeto. Isso permite-nos olhar para outras aplicações dentro dos equipamentos de proteção individual, por exemplo na indústria metalúrgica ou em trabalhos de soldadura“, realça a administradora da empresa têxtil.

Quanto a novos produtos para o setor de defesa e segurança, para já, não está nas prioridades imediatas da companhia. “Neste momento, estamos concentrados na comercialização deste produto. Foram dois anos de desenvolvimento e agora queremos dar o passo seguinte: levá-lo ao mercado e trabalhar as oportunidades que forem surgindo”, admite. “Poderão aparecer novas ideias ou necessidades, mas, para já, é aqui que estão os nossos esforços”, conclui.

Depois de no ano passado ter fechado com um volume de negócios de cerca de três milhões de euros, este ano a Barcelcom estima chegar aos 3,5 milhões, o que representa um crescimento de aproximadamente 17%, adianta Vânia Pontes quando questionada sobre objetivos de faturação da empresa com 43 trabalhadores.

Suíça, Países Baixos, França, Itália, Alemanha, Malásia, Áustria, Islândia, Suécia, Inglaterra, entre outros, são alguns dos países onde a empresa já está presente. “Cerca de 90% da nossa produção destina-se à exportação, por isso os mercados externos têm um peso muito significativo na atividade da empresa. Queremos continuar a crescer lá fora, tanto nos mercados onde já estamos como através de novas oportunidades”, afirma. América do Norte, Canadá e Japão são mercados na mira da empresa.

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Líder supremo do Irão insiste que se cumpram “condições” do Irão para pôr fim à guerra

✇ECO
By: Lusa

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sublinhou esta terça-feira a necessidade de cumprimento das “condições” do Irão para pôr fim à guerra iniciada em fevereiro por Israel e Estados Unidos e para que cessem as tensões sobre o estreito de Ormuz. A posição foi transmitida ao secretário do Conselho de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei.

Num comunicado divulgado pelo seu gabinete, Khamenei apontou “o desespero” dos Estados Unidos perante o desenrolar da guerra “como um dos frutos da resistência nacional”, ao mesmo tempo reiterando a Rezaei a importância de Teerão “manter uma comunicação proativa e atempada para garantir a participação contínua do povo na defesa do país e do sistema”.

“Insistiu na necessidade de defender os direitos e interesses da nação iraniana e da ‘frente de resistência’, assegurando o cumprimento das condições estabelecidas pelas autoridades do país para pôr fim à guerra e superar a atual situação de ‘nem guerra, nem paz'”, lê-se na nota de imprensa sobre a reunião do líder supremo iraniano com o seu principal conselheiro de segurança.

Por sua vez, Rezaei apresentou a Khamenei um relatório pormenorizando a aplicação da política estratégica de “criar estruturas e uma ordem regional endógenas”, referindo-se à tentativa de promover uma segurança regional e reduzir a influência militar dos Estados Unidos na zona, sendo essa uma das iniciativas desenvolvidas pela instituição que dirige.

Tratou-se de uma reunião importante entre o líder supremo da República Islâmica e um dos órgãos mais influentes na definição da política de segurança do país, segundo o próprio gabinete de Khamenei, que salientou que, para a tomada de “decisões acertadas e bem fundamentadas”, é necessário “contar com um plano assente numa compreensão integral de cada tarefa”.

Esta reunião ocorreu após a cimeira de segurança realizada na segunda-feira por altos representantes do Irão, da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão – em que Rezaei participou -, na qual concordaram manter conversações para “reforçar a cooperação” na matéria.

Tal encontro representou uma aproximação do chamado Acordo de Meca, a aliança defensiva composta por Paquistão, Arábia Saudita e Turquia, numa tentativa para reduzir as tensões a nível regional, em pleno “impasse” da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro.

A ofensiva foi justificada com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que sempre afirmou destinar-se apenas a fins civis.

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