❌

Reading view

Ana Rita Arruda a magia da lã entre a tradição e a arte contemporânea

Photo: @copyright

Da herança têxtil da Covilhã à criação de esculturas tridimensionais, Ana Rita Arruda transforma fibras de lã em peças que desafiam os limites do artesanato e da arte contemporânea. Depois de uma carreira na tradução, encontrou na feltragem a sua verdadeira vocação, dedicando-se à exploração das formas orgânicas, à experimentação artística e à formação de novas gerações.

A ligação de Ana Rita Arruda aos têxteis nasceu entre memórias familiares, tradições artesanais e o fascínio pelas cores e texturas dos tecidos. Natural da Covilhã, cidade profundamente marcada pela indústria têxtil, cresceu num ambiente onde o saber-fazer manual ocupava um lugar especial. A avó materna, professora de trabalhos manuais no antigo liceu de meninas da cidade, dominava técnicas como o bordado, o croché, o tricô e a costura, transmitindo-lhe, desde cedo, a proximidade com este universo criativo. Em criança, Ana Rita sonhava ser estilista. Fascinava-a a diversidade de tecidos e a possibilidade de transformar materiais em peças únicas. O percurso profissional, porém, começou longe das artes têxteis. Formou-se em Línguas e trabalhou durante vários anos como tradutora e intérprete de neerlandês, alemão e inglês, sem nunca abandonar por completo o interesse pelos trabalhos manuais. A mudança decisiva surgiu através do encontro com uma artista têxtil neerlandesa que, ao conhecer os trabalhos que Ana Rita desenvolvia nos tempos livres, reconheceu o seu potencial e a convidou a aprender uma nova técnica de feltragem. A experiência revelou-se determinante: em apenas três anos, deixou a tradução para se dedicar a tempo inteiro à criação artística. Hoje, a feltragem é a base de um trabalho que transforma fibras de lã soltas em esculturas sólidas e formas tridimensionais.

Sem necessidade de tecnologia complexa, o processo depende sobretudo das mãos, da água, do sabão e de um trabalho físico persistente. Através da fricção, as fibras entrelaçam-se e compactam-se, dando origem a materiais resistentes e a formas surpreendentes. Trata-se de uma técnica ancestral, preservada em diferentes tradições artesanais, nomeadamente na Mongólia, em Marrocos e na Turquia, que Ana Rita reinventa através de uma linguagem artística contemporânea. No seu ateliê, no Porto, encontra o espaço ideal para experimentar materiais, desenvolver ideias e explorar novas possibilidades. As suas criações inspiram-se frequentemente nas estruturas e formas da natureza: intestinos, ondas de água, moluscos e líquenes são algumas das referências que alimentam o seu imaginário. O resultado são peças de forte expressão orgânica, onde o contraste entre materiais, texturas e acabamentos assume um papel central. 

A lã, de aparência baça e suave, pode combinar-se com superfícies brilhantes ou elementos de maior rigidez, criando esculturas que oscilam entre o acolhedor e o inquietante, o familiar e o misterioso. Algumas parecem quase vivas, evocando formas animais ou organismos que poderiam existir num universo desconhecido. Por detrás da aparente delicadeza destas obras está um processo exigente, que requer tempo, experimentação e capacidade de superar obstáculos. Para Ana Rita, criar implica investigar, inventar e aceitar que o erro faz parte do caminho até à concretização de uma peça.

Os desafios variam consoante a dimensão e a complexidade do trabalho. Se as peças mais pequenas exigem precisão e atenção ao detalhe, as esculturas de grandes dimensões colocam dificuldades físicas consideráveis. Quando molhada, a lã pode tornar-se extremamente pesada, chegando uma única peça a atingir os 15 quilos. Dobrar, movimentar e organizar o material exige, por isso, técnicas específicas e, em determinados projetos, a colaboração de assistentes.

Entre os trabalhos que marcaram o seu percurso está O Caos e a Diva, criado para o New Hand Lab, na Covilhã. Instalado numa antiga fábrica, este espaço conjuga património industrial têxtil, criação artística e colaboração entre profissionais. A obra de Ana Rita explora o conceito matemático do caos através de uma forma entrelaçada que evoca uma borboleta, cruzando a feltragem tradicional com o tufting, técnica que permite inserir fios numa superfície com recurso a ferramentas específicas. A criação artística não esgota a atividade de Ana Rita Arruda. 

A formação e a partilha de conhecimento ocupam também um lugar importante no seu percurso. Ao longo dos anos, colaborou com instituições como a Escola Secundária Soares dos Reis e a Escola Secundária António Arroio, contribuindo para aproximar os estudantes das possibilidades expressivas das artes têxteis. Quando começou a trabalhar com feltragem, a oferta formativa nesta área em Portugal era praticamente inexistente. Perante essa realidade, assumiu o compromisso de divulgar a técnica, promover a aprendizagem e contribuir para a criação de uma comunidade em torno desta prática artística, levando-a a escolas e universidades. O seu trabalho demonstra que as técnicas tradicionais não têm de permanecer confinadas ao passado. Pelo contrário, podem constituir um ponto de partida para novas linguagens, cruzamentos disciplinares e formas de expressão. O futuro de Ana Rita Arruda passa pela participação em exposições, novos projetos e residências artísticas, incluindo uma experiência prevista na Estónia. Entre as áreas que pretende continuar a explorar está a ligação entre o têxtil e a tecnologia, nomeadamente através da soft robotics, ou robótica suave, procurando novas possibilidades de integração com a feltragem. Entre formações, encomendas personalizadas para arquitetos e colaborações multidisciplinares, a artista continua a alargar os horizontes de uma matéria-prima tão antiga quanto versátil. Na sua obra, a lã deixa de ser apenas um material associado à tradição para assumir novas formas, volumes e significados. O percurso de Ana Rita Arruda mostra como a memória artesanal pode alimentar a inovação e como, através da experimentação e da persistência, uma fibra natural se pode transformar numa expressão singular da arte contemporânea.

Paulo Perdiz/MS

  •  

Procura-se!… Um bocadinho mais “de classe”. Todos querem ser alguém. Poucos se lembram de ser Gente

Cartoon by Stella Jurgen

Há coisas que não se aprendem na escola. A classe, por exemplo. Não estou a falar daquela classe que vem no boletim de notas, nem da classe económica do avião, embora esta última já tenha pouca coisa de classe e muito de económica. Falo da outra. Da classe de saber estar, saber vestir, saber comer, saber trabalhar, saber respeitar e, sobretudo, saber viver em comunidade. E, meus amigos, essa classe anda pelas ruas em vias de extinção. 

Comecemos pela roupa, que é um assunto delicado. Não porque cada um não tenha o direito de vestir o que quiser, que tem, e muito bem. Mas há uma diferença entre vestir aquilo de que gostamos e vestir aquilo que calhou estar mais à mão. Há também uma coisa chamada ocasião. Parece simples, mas pelos vistos já exige formação. Uma noite de marchas não é uma gala do fado. Uma gala do fado não é o jantar dos chicharros. E o jantar dos chicharros, por muito importante que seja — e sabemos que é — também não é propriamente a cerimónia de entrega dos Óscares. Cada momento tem o seu ambiente, a sua roupa, o seu bocadinho de bom senso. Não é preciso ir buscar um alfaiate a Paris para aparecer bem vestido, mas também não é necessário aparecer numa gala do fado com o mesmo entusiasmo têxtil com que se vai comprar pão ao domingo de manhã. Roupa cara não dá classe. Se desse, bastava comprar a etiqueta. Classe é saber o que vestir, quando e como.

Depois temos a classe à mesa. Ah, a mesa… Essa grande prova de carácter. Basta haver um almoço ou jantar comunitário e lá aparece o arquiteto do prato. A pessoa chega ao buffet e começa a construir uma obra que desafia as leis da gravidade: arroz, massa, batatas, carne, salada, sobremesa, mais um bocadinho de tudo porque “é só para provar”. O prato fica tão cheio que já não é um prato, é um condomínio. E depois, com toda a serenidade, olha para a travessa e pergunta: “Ainda há mais?”. Classe é perceber isso. É não encher o prato como se amanhã fechassem os supermercados. É servir o que se vai comer, voltar depois se ainda houver e, sobretudo, lembrar que há outras pessoas à mesa. Porque comunidade também é isto: não sermos sempre nós primeiro.

E depois há a classe na profissão, que é outra espécie em vias de extinção. Sobretudo quando aparecem câmaras, fotógrafos, entrevistas e aquela maravilhosa oportunidade de mostrar ao mundo que também estávamos lá. Parece que, mal aparece uma máquina fotográfica, desenvolve-se em algumas pessoas uma espécie de atração magnética pelo enquadramento. Há uma câmara? Lá vai alguém passar à frente. Há um fotógrafo agachado a tentar conseguir uma imagem? É precisamente por ali que alguém decide atravessar. Há uma entrevista a decorrer? É o momento perfeito para passar mesmo atrás do entrevistado, de preferência devagar, para garantir que fica bem registado. Meus amigos, não é preciso. Todos conseguimos o melhor plano. Acreditem. Não precisamos de estragar a fotografia ou a imagem do colega para conseguirmos a nossa. Há espaço para todos, há trabalho para todos e, no fim, todos queremos a melhor imagem. E às vezes, claro, acontece. Estamos longe em pensamentos, distraídos, preocupados com outra coisa, a tentar resolver cinco problemas ao mesmo tempo e, quando damos por nós, já atravessámos a frente da câmara de alguém. Acontece. E sabem o que se faz? “Desculpa.” E segue-se a vida. Pedimos desculpa. Simples. É uma palavra pequenina, mas tem uma classe enorme.

Aliás, talvez o problema seja mesmo esse: perdemos o hábito das palavras simples. Obrigado. Desculpa. Com licença. Faça favor. Não é preciso muito mais para uma comunidade funcionar melhor. Mas hoje parece que até pedir licença é uma afronta. Há pessoas que entram numa fila como se tivessem comprado prioridade vitalícia. Chegam depois de toda a gente, olham para a fila, fazem uma cara de quem acabou de descobrir uma injustiça histórica e começam lentamente a aproximar-se da frente. E ninguém sabe exatamente como aconteceu, mas cinco minutos depois já estão três pessoas atrás de quem estava primeiro. Na estrada é igual. O pisca parece ter-se tornado um acessório opcional. Dar passagem é visto como um ato de generosidade extraordinária. E agradecer quando alguém nos deixa passar? Isso então já é quase diplomacia internacional.

Também nas redes sociais a classe anda desaparecida. Toda a gente tem opinião sobre tudo, o que é perfeitamente legítimo. O problema é que agora parece obrigatório insultar quem discorda. Antigamente dizia-se: “Não concordo consigo.” Hoje, antes de chegarmos à parte do “não concordo”, já fomos informados sobre a nossa inteligência, a nossa família, a nossa profissão e, se houver tempo, até sobre os nossos antepassados. Discordar não é faltar ao respeito. Faltar ao respeito é achar que só podemos ter razão se o outro for tratado como um idiota.

E depois há aquela necessidade permanente de competir. “Eu fiz.” “Eu fiz melhor.” “Eu tenho.” “Eu tenho mais.” “Eu conheço.” “Eu conheço melhor.” “Eu estive lá.” “Eu estive lá três vezes.” Há pessoas que não conversam, fazem classificações. Até o jantar dos chicharros pode transformar-se numa competição internacional de quem conhece mais gente, quem tem a melhor mesa, quem tirou a melhor fotografia e quem conseguiu chegar mais perto da banda. E, no meio disto tudo, esquecemo-nos de uma coisa muito simples: ninguém está a entregar medalhas. Embora muitos só queiram andar de medalhinha no peito. Classe é também perceber que o outro tem falhas, aceitar as suas imperfeições e compreender que ninguém é perfeito. É saber respeitar, sem julgar, e ter empatia mesmo quando não concordamos. A classe não está no carro que conduzimos, na roupa que vestimos, no dinheiro que temos ou no tamanho da casa. Está na maneira como tratamos os outros. Está em saber esperar. Está em saber ouvir. Está em não interromper. Está em deixar comida para quem vem atrás. Está em perceber que há ocasiões diferentes e que não precisamos de aparecer sempre vestidos como se tivéssemos acabado de sair de uma sessão. Está em respeitar os outros e a forma de ser dos outros. Talvez a maior classe de todas seja perceber que não somos mais importantes do que os outros. Que o nosso trabalho vale, mas o trabalho dos outros também. Que a nossa fotografia é importante, mas a fotografia do colega também. Que queremos comer, mas os outros também. Que gostamos de estar bem vestidos, mas não precisamos de transformar cada jantar numa passadeira vermelha. Que podemos ter opinião sem precisar de esmagar a opinião alheia.

Classe não custa dinheiro. Não se compra numa loja, não vem numa marca e não se mede pelo tamanho da carteira. Vem de casa, aprende-se com os outros e demonstra-se nos pequenos gestos: num “bom dia”, num “obrigado”, num “desculpa” e no respeito por quem nos rodeia. Classe é saber estar, saber trajar e respeitar os trajes do nosso folclore. É não falar nem bater com os talheres no prato enquanto alguém discursa. É não passar à frente da câmara dos outros para conseguir a melhor fotografia. Classe é também saber organizar festas comunitárias sem amontoar tudo. Às vezes, mais simples é mais bonito, mais elegante e mais barato. Menos excessos, mais bom gosto. No fundo, todos podemos comer, vestir bem e aparecer na fotografia. Mas nem todos percebemos que a verdadeira classe está na atitude, no respeito e na educação.

E já agora: menos com menos dá mais. Menos vaidade, menos exagero e menos exibicionismo dão mais classe, mais respeito e uma comunidade onde dá gosto estar. Ainda!. Sejam felizes.

Romulo Ávila/MS

  •  

Um jumento na filarmônica

De orelhas sempre de pé e com uma zurra que ecoa por mais de 3 km entre a vegetação, talvez o jumento não seja a associação mais óbvia que se pense em relação ao universo da música. E, no entanto, aos 33 anos, Antonino Tertulino está mais do que habituado a preencher as caixas mais improváveis.

“Eu me considero um jumento. E eu tenho essa visão, pois nunca penso em ser uma peça de destaque. Aqueles que são muito presenteados, muito exigidos, e como o jumento é subestimado, passa despercebido, sabe?”, conta o jovem magro de cabelos rareando, cujo talento diante de um contrabaixo acústico, já exibido perante ao menos três presidentes e dois papas, há muito, não o deixa passar tão despercebido quanto tenta se enxergar.

No dia 19 de julho, Antonino deixou a Áustria, onde integrava a Orquestra Filarmônica de Salzburgo, para uma semana de passeio pela memória, no Recife, onde nasceu, um compromisso que se tornou regular em seu calendário anual.

Entre as paredes do Teatro de Santa Isabel, templo cultural que, desde a metade do século 19, se fez palco nobre da sociedade pernambucana, ele foi um dos músicos a capitanear uma sequência de apresentações da Orquestra Criança Cidadã, formada por estudantes de 6 a 21 anos, na qual ele mesmo, vinte anos antes, teve sua iniciação no mundo da música. O trote silencioso de Antonino ecoa. O zurro é de gratidão, mas os olhares ao redor são mesmo aspiracionais. O contrabaixista tirou tempo para estar junto das crianças, conceder entrevistas e reencontrar amigos.

O ritual se deu antes dos preparativos para mudar de casa mais uma vez, agora para desbravar a Alemanha, onde acaba de assinar com a Niederbayerische Philharmonie, de Landshut. “Uma das dezessete melhores do mundo”, diz uma das vozes contemplativas no interior do teatro, fazendo jus à megalomania pernambucana, sempre disposta a um ranking que nem sequer carece de fontes. 

A impressão dos que o acompanham é que a carreira de Antonino não tem um limite claro de até onde pode chegar e que segue em rota ascendente, sempre em frente, sem desvios. Quem é do interior, sabe: jumentos têm excelente senso de direção.

Antonino em 7 notas

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

DOis coelhos com uma cajadada

Fugir das aulas de física e química. Essa foi a primeira intenção de um Antonino de 13 anos, ainda em 2006, admite o hoje músico, em retrospecto. Aos alunos da Escola Nossa Senhora do Carmo, logo após a apresentação de um quinteto de cordas, foi oferecida a oportunidade de concorrer a uma das vagas do projeto Orquestra Criança Cidadã.

A escolha da unidade de ensino no Coque não foi por acaso. A região do bairro Joana Bezerra carecia de infraestrutura básica e tinha uma pobreza hostil que, muitas vezes, era retratada apenas pela face da violência. Não por menos, o discurso padrão era o de resgate, oferecendo atividades para que os alunos jovens não tivessem tempo de serem capturados pelo trabalho infantil ou cooptados pelo tráfico – e, entre os atrativos, estavam acompanhamento médico e odontológico, bem como refeições regulares.  

As aulas de música seriam no contraturno do calendário escolar, nas dependências do 7º Depósito de Suprimentos do Exército. Como incentivo, a atividade representaria horas de aula – o que, para o garoto, seria uma chance de se livrar das matérias que, àquela altura, já lhe causavam dor de cabeça. O impulso inicial, no entanto, deu lugar à admiração pelo novo mundo.

“Algo que me deixou bem curioso foi a comunicação entre os músicos, sem nenhuma comunicação verbal, sabe? Hoje, com colegas, eu faço isso no dia a dia, na orquestra, essa comunicação de gesto, de olhar, tudo. Mas aquilo teve um efeito “uau” pra mim, de como eles agiam como um time.”

As crianças da região, a partir dos seis anos, foram convidadas a realizar testes de aptidão musical facilitados. O desafio consistia em uma melodia de solfejo e em um método rítmico simplificado. Aprovados, eles seriam divididos entre os instrumentos – e as atenções se voltaram todas ao violino. 

“E eu dizia: ‘aquele ali, rapaz, pelo tamanho, vai ser difícil de controlar’. Se o violino é difícil, aquele ali é ainda mais difícil, pelo tamanho.’ E eu sempre fui franzino, assim, magrinho, né?”, lembra Antonino. Desde então, a relação com o instrumento se fez como complemento de si mesmo e da própria imagem que tentava projetar.

Do Recife para a Alemanha: músico acaba de assinar com a Niederbayerische Philharmonie, de Landshut

“Não é sobre volume, não é sobre show-off, sobre se exibir. É sobre criar o piso, a base para que tudo aconteça. Por isso, sempre pensei ‘aquele ali é o instrumento’. E eu sempre fui muito tímido, porém, com o contrabaixo não tenho timidez. E ele tem essa virtude também, de não ser um instrumento exibicionista. É como se fosse [também] um jumento. Muitas vezes subestimado, porém ali, forte e necessitado, sabe? Pode ser veloz e bonito.”

E assim tem sido, há 20 anos.

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

REcife e Carpina, a conexão que não se perde

Voltar para casa pode ser agridoce. O pai de Antonino, Antônio Tertuliano, mora em Carpina, na Mata Norte de Pernambuco. Comerciante, com ensino fundamental incompleto, vêm dele os costumes mais fortes que o músico mantém até hoje. “Meu pai brincava que, no dia em que desse 6h da manhã e ele ainda não tivesse acordado, não acordaria mais. Uma figura”, lembra. As visitas rápidas ao Recife nem sempre permitem vivenciar o estilo de vida do interior ou curtir a família vencendo a distância que se mantém ao longo de todo o ano.

No Recife, por outro lado, as diferenças gritam. Uma delas, que perpassa toda a cidade, o músico descreve apenas como “o barulho”. A poluição sonora, que os ouvidos locais normalizam e praticamente não sentem, salta aos sentidos de quem hoje vive outra realidade. 

Andar pelas ruas da comunidade onde cresceu também pode ser desafiador, até mesmo para a própria memória. No Coque, Antonino descreve ver, a cada visita, um processo de “desfavelamento”, com a remoção de barracos e a mudança da dinâmica da própria região, onde, conta, convivia com colegas de orquestra ao máximo durante as aulas porque, fora dela, os espaços possíveis de trânsito eram delimitados pela área onde cada um morava, em que cada trecho era reclamado por grupos diferentes ligados ao crime local.

A segurança acaba sendo um tema recorrente das reflexões inevitáveis ao comparar a realidade atual com as alternativas, caso suas escolhas fossem diferentes. E, ainda que o contexto de Israel envolva até mesmo a guerra, ele diz que regressar ao Recife “é outro tipo de terror”. 

“Ontem estávamos jantando a um quilômetro do hotel e ‘vamos pegar um Uber por segurança’. Isso é tirar a sua individualidade e sua independência. Apesar das guerras, eu digo que me sentia muito mais seguro em Tel Aviv do que na minha cidade. Isso é muito triste. De você poder fazer uma chamada de vídeo, uma, duas da manhã, caminhando na rua, e, no máximo, vai chegar alguém pedindo informação ou pedindo ajuda pra empurrar um carro, sabe? Mas a sensação de que alguém iria me roubar, ou fazer algo contra mim, nunca existiu. Eu falo que em Israel também eu aprendi a valorizar a vida. Porque aqui no Recife o perigo acontece, mas, de certa forma, também temos que viver com isso”, lamenta.

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

MInha vez

Enquanto milhões de brasileiros se encaminham às urnas para as eleições de 2026, os jovens da Orquestra Criança Cidadã estarão completando o primeiro aniversário de sua última incursão do outro lado do mundo, que começou no Parque Memorial da Paz, em Hiroshima, no Japão, um dos Concertos pela Paz. 

A cidade, assolada por uma bomba nuclear norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma das paradas da turnê promovida pelo projeto social do Recife, que abrangeu três países. A iniciativa reuniu músicos de áreas de conflito para tocarem junto com as crianças e envolveu, por exemplo, encontro da música clássica de artistas da Rússia e da Ucrânia no mesmo palco, um recado que excede qualquer limite imposto pelas guerras.

Após passarem pela Coreia do Sul, as crianças do projeto encerraram a sequência de shows no Vaticano, com uma performance na Praça de São Pedro, diante do Papa Leão 14. Não foi o primeiro Papa para quem o projeto se apresentou. Desde 2011, quando estava prestes a ser encerrado, após um apelo feito diretamente ao presidente Lula, o projeto recebeu patrocínio de um banco estatal, o que permitiu a estruturação da iniciativa e passou a viabilizar voos mais altos. 

Evento do 5º Aniversário da Orquestra Criança Cidadã (OCC) com a presença de Lula

Ao longo desse período, os jovens se apresentaram para três presidentes, dois papas e tiveram comitivas tocando em países como Argentina, Itália, Japão, Estados Unidos e Portugal. Em 2010, foi reconhecida como boa prática de inclusão social pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, em 2015, foi a segunda escola de música do mundo a integrar o Programa de Escolas Associadas da Unesco.

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

FÁbulas e farpas

Cerca de 400 crianças e adolescentes, entre 6 e 21 anos, são atendidos pela Orquestra Criança Cidadã, sendo 250 no Coque, primeira sede do projeto, além de 120 em Camela (Ipojuca) e 30 em Chã de Cruz (Igarassu), ambos na Região Metropolitana do Recife. Além das aulas de música, o projeto previa a alimentação dos integrantes e, em geral, foi bem recebido pela comunidade.

A iniciativa não passa ilibada de críticas de organizações sociais que atuam no Coque, devido ao discurso de salvamento que sempre associou, na ponta contrária da atuação das crianças na música, à criminalidade. À época, a região foi escolhida para sediar a intervenção por ser uma das de menores índices de desenvolvimento humano na capital pernambucana e por ser frequentemente associada, na imprensa, a casos de violência urbana.

“Eu conheci o Coque quando fui assaltado nas suas imediações […] Tive sorte de não levar uma bala no crânio”. Com essa frase, um dos três idealizadores do projeto, e primeiro maestro da orquestra, Cussy de Almeida, apresentava a comunidade em rede nacional, durante a apresentação da OCC no antigo Domingão do Faustão, em 2008, à época, com 103 integrantes. 

Além de Almeida, também fizeram parte da concepção do projeto o desembargador Nildo Nery dos Santos, falecido, e o juiz João Rocha Targino, que também participou do projeto à época conclamando figuras políticas a escolherem “se quer[em] formar cidadãos como esses, ou se quer[em] formar presidiários”.

Apresentação da Orquestra Cidadã no Domingão do Faustão em 2008
Apresentação da Orquestra Cidadã no Domingão do Faustão em 2008

Frases ditas por Cussy na ocasião, como “Eles eram pequenos índios”, “estão arrodeados do crime”, “Eles sabem comer com o garfo na mão esquerda, a faca na mão direita, ele sabe escovar dente, passar fio dental, tem asseio, sabe entrar no banheiro sem deixar rastro” e “hoje em dia são meninos que você pode levar pra sua casa e passar um fim de semana” são, ainda hoje, citadas para criticar o discurso dos idealizadores quanto à manutenção de estigmas enfrentados pela comunidade. Na ocasião, o programa chegou a apresentar-se como uma iniciativa “que tira crianças da rua” e Fausto Silva chegou a usar a expressão “essa gente do Coque”. O maestro faleceu dois anos depois, aos 74 anos.

Questionado sobre o papel do discurso intervencionista da direção da Orquestra na manutenção de estereótipos que afetam a comunidade, o idealizador ainda à frente da OCC, o juiz João Rocha Targino, responde que acredita que “somos todos irmãos” e que o Coque “sempre foi visto” como palco de “marginalidade e prostituição, não igual a outros bairros do Recife”, mas que acredita que a promoção de oportunidades e que a região tem pessoas “pobres de bens materiais, mas ricas de talento”.

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

SOL sem céu

Antonino deixou o Coque para tocar na Orquestra Sinfônica de Goiânia, onde permaneceu por dois anos até dar início a um bacharelado em música em Tel Aviv. Foi quando a distância exigiu um preço maior. Com a mãe, Maria Denise, falava nas madrugadas, por videochamada. E lembra do desejo de apresentar o mundo da música que passou a desbravar.

“Antes era uma coisa muito simplória, muito singela. Depois, tudo se otimizou, cenário internacional, sabe? […] Se antes ela já ficava orgulhosa só de ir assistir às apresentações…”, conta.

Ao longo de cinco anos, Antonino estudava e se dedicava a um objetivo: integrar a Orquestra Filarmônica de Israel, uma das mais reconhecidas do mundo, dirigida pelo maestro indiano Zubin Mehta desde 1969. Foram cinco tentativas fracassadas. Em algumas, ninguém sequer chegou a ocupar a vaga oferecida. A filosofia era a de que apenas os mais preparados podiam integrar o grupo. 

O jogo virou em 2021, quando o contrato do posto de contrabaixista lhe foi oferecido. “Eu me lembro da primeira ligação após a audição. Foi pra minha mãe. Mesmo sem saber o que era a Filarmônica de Israel, ou quem era Zubin Mehta. Mas ela via a euforia na minha fala e então só dizia: ‘Poxa, estou tão orgulhosa de ti, quero muito te ver [se apresentando]’, lembra. Não viu.

Algumas semanas depois, no Recife, a doméstica Denise faleceu aos 64 anos, vítima de um mal súbito, e não chegou a testemunhar o filho em carreira internacional. “Foi muito precoce o falecimento da minha mãe. Foi algo muito súbito. Não teve um processo, não teve um… E foi quando eu tinha acabado de girar a chave pro profissionalismo, sabe? Foi algo assim que, ou eu desmorono com tudo aquilo que eu vinha construindo, ou utilizo isso como nutriente, pra minha música, pra minha trajetória”, avalia.

Eu vejo que as simplicidades que minha mãe tinha, a limitação que ela tinha para se expressar, sabe? Essa dificuldade que ela tinha de se expressar, de fazer o que ela sonhava, mas não era por ela não saber, era totalmente falta de conhecimento, falta de oportunidade, que ela não teve. Eu não tenho dúvida de que a mamãe estaria muito orgulhosa de ver esse momento.”
Antonino Tertulino
Contrabaixista
Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

LÁ pro lado das Europas

O macarrão estava cozendo na água fervente quando o som de uma sirene tomou conta da vizinhança. Mais uma. Era o sistema antiaéreo de defesa antimísseis que alertava sobre possíveis ataques na área urbana de Tel Aviv. O ano era 2023, início do conflito com o Hamas, mas duas semanas já eram tempo suficiente para Antonino entender: “Eu não vim aqui pra isso. Essa não é a minha guerra”, resume o pensamento.

Foi assim, meio que às pressas e se recusando a normalizar a convivência com sirenes de guerra, que um plano engavetado do contrabaixista ganhou nova luz: aplicou para um mestrado na Mozarteum University Salzburg, na Áustria, foi aprovado e conseguiu antecipar o início das aulas. Assinou então com a Orquestra Filarmônica de Salzburgo até 2026, logo após voltar do reencontro com as crianças da OCC, quando se mudou para o norte da Alemanha, para um novo desafio: a Niederbayerische Philharmonie. 

“Eu ainda acredito que foi tudo muito precoce. As coisas, as oportunidades vieram, eu abracei as que pude, as que digo, as portas que eu abri, sabe? E eu continuo com fome de continuar essa caminhada.”

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

SInfonia da gratidão

Mais de 700 crianças e adolescentes já passaram pelo projeto Orquestra Criança Cidadã – e ao menos 360 delas se revezaram no palco do Teatro de Santa Isabel, no Recife, no fim das férias de julho, para a apresentação dos 20 anos do projeto. Orquestras infantis, infantojuvenis e jovens revisitaram da música clássica aos sucessos regionais, com releituras próprias, algumas vezes acompanhadas de um coro infantil. 

Antonino, convidado de honra, se apresentou em destaque como a principal referência de sucesso da proposta, iniciada ainda em 2006. Repetiu o ritual de sempre: pouca salada, muita água e várias sessões de meditação ao longo do dia até subir ao palco. Dividiu os holofotes com colegas músicos, que convidou das orquestras europeias das quais participou, com o mesmo empenho e ares de showman que exibiu ao estar à frente dos pequenos talentos recifenses por duas noites consecutivas.

  • Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
  • Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
  • Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
  • Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
  • Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel

Em frente a um público de 570 espectadores, com movimentos precisos, ele claramente se transportava a outro lugar, onde se encontrava em pleno conforto. Como se, de suas mãos, dependesse o mundo. Carrega ali arte, fardo, história e um tanto mais de expectativas ainda não alcançadas, que não divide.

Perguntado sobre estacionar e fazer carreira em uma única orquestra, em que possa ascender e encontrar zona de conforto, Antonino ri: “Não sou mustang, não sou manga larga [raças de cavalo]. Quero sempre ser a base, estar aprendendo, participar de algo que seja muito maior que eu”, resume o contrabaixista que faz questão de descobrir os maiores verdes pastos que o mundo que anda desbravando ainda lhe possa ofertar. Você sabe, coisa de quem se diz jumento.

  •  

Em Alte celebra-se o Dia Internacional do Património Cultural Imaterial

A atividade “Alte pela Janela do Tempo” está de regresso e, este mês, veste-se de festa para integrar as comemorações do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial. A sessão acontece esta sexta-feira, 16 de outubro, pelas 14h30, no Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte.

Mais do que recordar o passado, esta iniciativa é uma homenagem àquilo que identifica a comunidade: os saberes, as tradições, as práticas e as estórias que atravessam gerações e continuam a dar vida a esta terra.

Através da projeção de fotografias antigas, os participantes são convidados a embarcar numa viagem pelo património de Alte, reconhecendo rostos, lugares e memórias que fazem parte da identidade cultural deste território. 

Porque o património só permanece vivo quando é vivido, partilhado e transmitido, a organização apela à participação na atividade para uma partilha de memórias, contribuindo para manter viva a identidade cultural da comunidade.

O Dia Internacional do Património Cultural Imaterial é celebrado anualmente a 17 de outubro. A data foi oficialmente proclamada pela UNESCO em novembro de 2023, servindo para reconhecer e valorizar a diversidade de saberes, tradições orais, rituais, festas e competências artísticas que passam de geração em geração.

O conteúdo Em Alte celebra-se o Dia Internacional do Património Cultural Imaterial aparece primeiro em Sempre à Mão.

  •  

Programação do Cineteatro Louletano- Outubro parte 2

Em outubro, o Cineteatro Louletano reinventa-se e aposta de novo em programação de referência, cruzando música, dança, teatro, cinema e espetáculos multidisciplinares, do lado de cá e de lá do Atlântico.

Depois, a 17, o regresso dos concertos “Crescendo”, do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado. Após o arranque das aulas em setembro e do período inicial de (re)adaptação, está na hora de retomar a atividade musical junto do público. Os concertos acontecem nos terceiros sábados do mês, às 11h30, também no Auditório do Solar da Música Nova.  

Ainda a 17, sábado, mas às 21h00, há concerto da Orquestra do Algarve, com o mote “Redescobrir Álvaro Cassuto”.  O programa articula as primeiras obras do maestro e compositor Álvaro Cassuto com repertório de Mendelssohn e Mozart, num diálogo entre tradição e criação contemporânea. Um concerto que cruza diferentes gerações e linguagens da escrita orquestral.  

No dia seguinte, 18, domingo, às 17h00, Frankie Chavez toma conta do palco do Cineteatro. O guitarrista e vocalista tem-se afirmado como um dos músicos mais estimulantes da sua geração, tendo já trabalhado numa outra banda, os Miramar, com o guitarrista dos Ornatos Violeta, Pedro “Peixe” Cardoso, e colaborado em dueto com Tatanka, dos The Black Mamba, entre muitos outros.

No dia 22, arranca em Loulé o Festival Política, que nesta edição traz música, teatro e cinema, stand-up comedy e teatro. Emmy Curl (dia 24) é uma das cabeças de cartaz, mas a atriz e dramaturga Sara Barros Leitão (dia 22) também faz parte da programação, com a peça “Nós, sozinhas”, sobre a condição feminina e, em particular, o aborto. A peça conta com o recurso de Audiodescrição, para pessoas cegas e/ou com baixa visão. 

Esta edição do Festival Política (que se apresenta também em Lisboa, Coimbra e Torres Vedras) tem como pano de fundo os 50 anos da aprovação da primeira Constituição da Democracia. O festival tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa, e a programação integral poderá ser consultada no site do Cineteatro Louletano. 

  •  

Em alte celebra-se o dia internacional doPatrimónio cultural imaterial

A atividade “Alte pela Janela do Tempo” está de regresso e, este mês, veste-se de festa para integrar as comemorações do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial. A sessão acontece esta sexta-feira, 16 de outubro, pelas 14h30, no Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte.

Mais do que recordar o passado, esta iniciativa é uma homenagem àquilo que identifica a comunidade: os saberes, as tradições, as práticas e as estórias que atravessam gerações e continuam a dar vida a esta terra.

Através da projeção de fotografias antigas, os participantes são convidados a embarcar numa viagem pelo património de Alte, reconhecendo rostos, lugares e memórias que fazem parte da identidade cultural deste território.

Porque o património só permanece vivo quando é vivido, partilhado e transmitido, a organização apela à participação na atividade para uma partilha de memórias, contribuindo para manter viva a identidade cultural da comunidade.

O Dia Internacional do Património Cultural Imaterial é celebrado anualmente a 17 de outubro. A data foi oficialmente proclamada pela UNESCO em novembro de 2023, servindo para reconhecer e valorizar a diversidade de saberes, tradições orais, rituais, festas e competências artísticas que passam de geração em geração.

  •  

Sagres acolhe o espetáculo Vou-te³ de Sincera Mente

No próximo dia 24 de outubro, às 21h30, o Pavilhão Clésio Ricardo, em Sagres, recebe “Vou-te³”, um espetáculo de stand-up interativo da autoria de Sincera Mente, drag queen e comediante.

Através de uma narrativa dinâmica e aberta à interação, Sincera Mente cria uma ligação direta com o público, tornando cada espetáculo único e imprevisível. A participação do público é também parte integrante da atuação, pois é convidado a sugerir temas que servirão de ponto de partida para momentos de improviso em palco.

Com uma trajetória artística iniciada em 2009, Sincera Mente destaca-se como comediante, cantora, bailarina e performer. Uma palhaça deslumbrante ou uma intérprete hilariante? Uma coisa é certa: a artista não passa despercebida. Entre o humor e a expressividade, surpreende e diverte, captando a atenção do público e despertando gargalhadas espontâneas. 

Esta iniciativa realiza-se no âmbito do Plano Municipal para a Igualdade e Não Discriminação de Vila do Bispo, reforçando o compromisso do município com a promoção da igualdade, do respeito pela diversidade e da não discriminação.

Os bilhetes estarão à venda a partir de 19 de outubro, através da Ticketline e na Tesouraria da Câmara Municipal de Vila do Bispo.

No próprio dia do espetáculo, os bilhetes poderão também ser adquiridos no local, entre as 19h00 e as 21h00, mediante disponibilidade.

A população sénior, com idade igual ou superior a 65 anos, e os funcionários da Câmara Municipal de Vila do Bispo beneficiam de um desconto de 50% no preço dos bilhetes. Para usufruir deste desconto, os bilhetes deverão ser adquiridos presencialmente na tesouraria da Câmara Municipal, até sexta-feira, dia 23 de outubro.

  •  

Biblioteca municipal de Loulé promove um sábado cheio de música, criatividade e histórias em família

A Biblioteca Municipal de Loulé e o seu polo de Quarteira recebem, no próximo sábado, dia 17, um conjunto de atividades dirigidas aos mais novos e às suas famílias, com propostas que aliam a música, a expressão artística e a leitura, promovendo o desenvolvimento infantil e o gosto pelos livros desde a primeira infância.

O programa inclui sessões de sensibilização musical para bebés e crianças, um atelier de pintura inspirado na obra do autor e ilustrador francês Hervé Tullet e duas iniciativas dedicadas à partilha de histórias em família.

A manhã começa com a atividade “Pequenos sons, grandes sorrisos”, dinamizada por Ricardo Jorge, com sessões às 10h00, para bebés dos 0 aos 30 meses, e às 11h00, para crianças dos 2 anos e meio aos 5 anos. Ambas decorrem na Biblioteca Municipal de Loulé e destinam-se a crianças acompanhadas por um adulto.

A experiência musical assume um papel importante no desenvolvimento infantil, sobretudo nos primeiros anos de vida. Através de conteúdos adequados, do contacto com diferentes estímulos sonoros e da exploração sensorial, os bebés e as crianças são convidados a observar, imitar e experimentar, desenvolvendo capacidades físicas, cognitivas, sociais e emocionais.

Cada sessão tem uma duração aproximada de 40 minutos, sendo permitida a participação de cada bebé ou criança numa única sessão por professor.

Também na manhã de sábado, às 10h30, a Biblioteca Municipal de Loulé acolhe um atelier de pintura inspirado na obra de Hervé Tullet, dinamizado por Joana Charneco.

Pensada para crianças dos 4 aos 10 anos, acompanhadas por um adulto, esta atividade propõe uma experiência artística livre, divertida e interativa. A partir de algumas das obras do autor e ilustrador francês, os participantes são convidados a explorar cores, formas e movimentos, através da pintura e do desenho, contribuindo para a criação de uma grande obra coletiva.

Num ambiente onde não há respostas certas ou erradas, o atelier pretende estimular a imaginação, a experimentação e a criatividade, valorizando a expressão individual e a criação em conjunto.

A tarde é dedicada à leitura e à descoberta de histórias. Às 15h30, a Biblioteca Municipal de Loulé promove mais uma sessão da “Hora do Conto para Pais e Filhos”, dirigida a famílias, com a leitura do livro “Vem aí o lobo!”, de Émile Jadoul.

Às 16h00, o programa prossegue no Polo da Biblioteca Municipal em Quarteira, com a iniciativa “Conta-me um conto”, que apresenta a história “As emoções do pequeno gato ansioso”, de Audrey Bouquet e Fabien Öckto Lambert. A sessão convida miúdos e graúdos a partilharem momentos de leitura e a descobrirem histórias que dão espaço à imaginação e à expressão das emoções.

A participação nas atividades está sujeita a inscrição prévia, através do e-mail biblioteca@cm-loule.pt

Recorde-se que, até 29 de outubro, o edifício-sede da Biblioteca Municipal de Loulé recebe a Exposição “E em vez do medo? Arteopatia – A arte como cura”.

Através da arte podemos transformar o medo em coragem, criatividade e expressão. Esta exposição reúne trabalhos realizados por alunos do 5º, 6º, 7º e 8º anos da EB 2, 3 São Pedro do Mar, Quarteira, no âmbito do projeto Ponto de Encontro do Plano Nacional das Artes, desenvolvido pela Biblioteca Municipal de Loulé e o Agrupamento de Escolas Dra. Laura Ayres, Quarteira.

Partindo da pergunta “E em vez do medo”, os alunos exploram emoções, medos, e estratégias para os enfrentar, através de mapas mentais, cartazes e criações artísticas. O percurso culminou na construção de “Caixas Cura para o Medo”, objetos que traduzem, de forma criativa e simbólica, diferentes formas de lidar com aquilo que nos assusta.

Com esta programação, a Biblioteca Municipal de Loulé reforça a sua aposta na promoção da leitura, da criatividade e do desenvolvimento infantil, proporcionando experiências culturais e educativas que aproximam os livros, a música e as artes das crianças e das suas famílias.

  •  

Una carta de 1571 descubierta en Budapest confirma la autenticidad del misterioso Códice Rohonc y revela que el escriba que lo redactó estaba aterrorizado

Hay manuscritos medievales que nadie sabe leer y hay uno, el manuscrito Voynich, que se ha vuelto casi una marca registrada del misterio. Guardado en la Universidad de Yale y fechado en el siglo XV, ha servido de inspiración para novelas y teorías de todo tipo. Pero existe otro libro que los especialistas suelen colocar […]

  •  

Big Problema

O Big Problema é uma conversa sobre o impacto das escolhas de quem está com a caneta na mão. Esse podcast narrativo foi idealizado pela primeira turma de trainees da Agência Pública e procura entender como grandes empreendimentos têm impactado a cultura local das cidades brasileiras. Sabe quando bate um desespero porque a solução dos problemas ao seu redor não parece estar sob seu controle? Então, esse é um Big Problema.

A cada episódio, uma reportagem em áudio parte da vivência de um dos trainees para abordar como nossa relação com o espaço tem sido transformada com a chegada de gigantes da tecnologia e mais. Olhando as particularidades de cada cidade, esperamos mostrar que a distância não deve nos enganar: no fim, um problema local também é um problema coletivo. O nosso questionamento é: em nome dos interesses de poucos, o que temos deixado de fazer?

  •  

Il Nobel per l’economia 2026 a Robert Hall e Michael Woodford

Il premio 2026 riconosce il contributo dei due studiosi alle “fondamenta microeconomiche della stabilizzazione macroeconomica”. Li unisce il ruolo delle aspettative sul futuro: consumatori e imprese decidono oggi in base a ciò che si aspettano accadrà domani.

L'articolo Il Nobel per l’economia 2026 a Robert Hall e Michael Woodford proviene da Lavoce.info.

  •  

Dos estatuas colosales de Ramsés II aparecen en el pueblo de un templo construido casi 900 años después de su reinado

Un vecino de Behbeit el-Hagar, un pueblo de la provincia egipcia de Gharbia, trabajaba en una parcela de su propiedad, justo delante de su casa, cuando dio con un bloque cubierto de grabados y avisó a la inspección de antigüedades de la zona. Lo que apareció después, según el comunicado del Ministerio de Turismo y […]

  •  
❌