Teresa Leitão diz que neutralidade de Raquel não afetará relação com Lula
A senadora Teresa Leitão (PT), líder do governo no Senado, afirmou, nesta terça-feira (27), que a neutralidade da governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) durante a disputa presidencial não prejudicará a relação institucional entre os governos de Pernambuco e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao Jornal do Commercio, a parlamentar garantiu que não haverá retaliação política nem interrupção dos investimentos federais no estado após a reeleição do petista.
"Institucionalmente, eu não vejo nenhuma alteração (na relação). Raquel vai continuar sendo recebida pelo presidente, como todos os governadores que assim o quiserem, inclusive os do PL. Não vai haver nenhum boicote a um governador porque ele ficou neutro ou porque ele apoiou Flávio Bolsonaro", afirmou Teresa.
A governadora manteve a neutralidade durante os dois turnos da eleição presidencial, enquanto seu principal adversário na disputa estadual, João Campos (PSB), participou ativamente da campanha de Lula.
"Os dois candidatos que disputaram o governo, os dois principais, tiveram posições absolutamente diferentes em relação ao Governo Federal. Raquel manteve a neutralidade e João Campos foi para a campanha. Eu acho que isso demonstra um pouco o cenário", disse Teresa.
A senadora afirmou que houve uma mudança na correlação de forças políticas no estado e atribuiu o crescimento da votação de Lula no segundo turno à mobilização em torno da própria candidatura do presidente.
"Houve uma mudança de força muito grande e uma das primeiras questões que eu destaco é que o presidente Lula cresceu no segundo turno por sua própria força", declarou.
Em Pernambuco, Lula obteve 69,20% dos votos válidos no segundo turno, contra 30,80% de Flávio Bolsonaro (PL). O petista recebeu 4.117.513 votos, um crescimento de 563.542 em relação ao primeiro turno, quando havia conquistado 63,45% dos votos válidos.
Apesar das diferenças políticas, Teresa assegurou que o governo federal manterá o atendimento às demandas apresentadas pela gestão de Raquel. A parlamentar destacou que a nova composição do Senado também contará com três representantes pernambucanos alinhados politicamente a Lula: ela própria, Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), eleitos em outubro.
"A bancada de senadores (de Pernambuco) foi uma bancada eminentemente lulista. Então não vai haver problema para Pernambuco continuar recebendo todos os investimentos do governo federal que ele já recebeu", afirmou.
Teresa ponderou, entretanto, que o PT precisa acompanhar mais de perto os investimentos federais realizados em Pernambuco. A líder governista mencionou a atuação da base política do partido e dos prefeitos que se manifestaram durante a disputa presidencial, mas ressaltou que a relação institucional com o governo estadual permanecerá preservada.
"O que eu acho que o PT precisa ter é mais atenção a esses investimentos, ver onde de fato a prioridade de uma base que se manifestou, de prefeitos que se manifestaram, é importante, mas a relação institucional está preservada e ela vai continuar", declarou.
Atuação da bancada pernambucana no Congresso Nacional
A senadora também descartou dificuldades na articulação entre os parlamentares pernambucanos no Congresso Nacional diante da chegada de novos deputados ligados à direita e ao bolsonarismo. Segundo Teresa, as diferenças partidárias não têm comprometido a destinação de recursos ao estado. Atualmente, a bancada pernambucana é coordenada pelo deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos) e tem Carlos Veras (PT) como adjunto.
"Nunca houve problema de destinação de recursos para Pernambuco através da bancada federal", afirmou.
A parlamentar explicou que a bancada possui um método de trabalho consolidado para discutir a destinação das emendas parlamentares e defendeu sua continuidade na próxima legislatura, independentemente da composição partidária.
"A gente tem um método de trabalho e esse método de trabalho tem funcionado, porque os deputados e senadores têm direito a um montante de emenda, ninguém tem mais do que outro. Então isso facilita a nossa discussão para permanecer", explicou.
Para Teresa, a atuação conjunta deve prevalecer sobre as divergências políticas entre os integrantes da bancada pernambucana na Câmara dos Deputados e no Senado.
"O Estado de Pernambuco, em termos de emenda do PL ou de emenda do PT, o Estado precisa e tem o direito de receber todas essas emendas", concluiu.


© Waldemir Barreto/Ag. Senado


