❌

Reading view

ASF quer apresentar até ao fim do 1º trimestre de 2027 proposta de adesão automática a planos de pensões

Gabriel Bernardino ASF

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), Gabriel Bernardino, disse esta terça-feira esperar apresentar, “lá para o fim do primeiro trimestre” do próximo ano, uma proposta concreta para enquadrar em Portugal um sistema gradual de adesão automática (auto-enrollment) a planos complementares de reforma.

Falando aos jornalistas à margem da apresentação do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, em Lisboa, Gabriel Bernardino afirmou que a ASF está a trabalhar no tema e que “tem falado naturalmente com o Governo”. O objetivo, explicou, é trazer os sistemas complementares de pensões “para outro nível que muito necessitamos”.

O responsável sublinhou que se trata de matérias “estruturais” e “não fáceis de atuar”, que exigem “estudo técnico” e “reflexão adequada”, e que cada país tem de adaptar o modelo à sua realidade, designadamente ao peso da proteção pública e ao desenvolvimento do segundo pilar, o dos fundos de pensões profissionais. Lembrou que o programa do Governo prevê o fomento dos sistemas complementares e que o reforço destes sistemas consta das recomendações do Semestre Europeu dirigidas a Portugal.

Questionado sobre as medidas que considera urgentes, Gabriel Bernardino enumerou três. A primeira é um sistema de acompanhamento de pensões, uma plataforma tecnológica que agregue a informação sobre a pensão pública, os fundos de pensões da empresa e as poupanças individuais, e que dê a cada pessoa uma projeção da sua reforma. A segunda é a adesão automática a planos profissionais, que, frisou, “não é obrigar as pessoas a poupar, é tentar vencer a inércia”: os trabalhadores seriam inscritos automaticamente, com contribuições que podem ser baixas, e poderiam sair se assim o entendessem. A terceira é “trazer os PPR para o século 21”, distinguindo com clareza os produtos de proteção e garantia de capital dos que privilegiam a rendibilidade futura, com indicadores que mostrem o risco real.

Sobre a possibilidade de um fundo de garantia de pensões, semelhante ao fundo de garantia de depósitos, Gabriel Bernardino considerou que a discussão é antiga a nível europeu e defendeu que é preciso “dizer a verdade”: “não há milagres”, e não é possível ao mesmo tempo ter garantias e proteção máximas, maximizar a rendibilidade e minimizar as oscilações. Quem opta por garantia de capital, alertou, não deve esperar o mesmo desempenho futuro. Apontou como solução as opções por defeito baseadas no ciclo de vida, que reduzem o risco à medida que o aforrador se aproxima da idade da reforma e dispensam as pessoas de serem “especialistas em finanças”.

Confrontado com o facto de mais de metade dos portugueses que não poupam alegarem falta de dinheiro, o presidente da ASF reconheceu que há quem não tenha condições, mas defendeu que é preciso “desmistificar” a ideia de que poupar para a reforma implica montantes elevados. Mesmo poupanças de 20 ou 50 euros por mês, acumuladas durante 30 a 40 anos, “dão um complemento de reforma que é fundamental”, sobretudo para quem tem rendimentos mais baixos, disse, defendendo a criação de produtos adequados a pequenas poupanças.

Quanto à discussão em concertação social sobre o salário mínimo e a possibilidade de garantir um plano de poupança-reforma a estes trabalhadores, Gabriel Bernardino afirmou que cabe ao Governo e aos parceiros sociais definir a melhor forma de canalizar para as reformas parte dos ganhos de produtividade. Questionado se o tema pode integrar o acordo de rendimentos, respondeu que sim.

Sobre os benefícios fiscais, o presidente da ASF considerou que fazem parte da política estrutural do Governo e que o reforço dos sistemas complementares é sempre acompanhado por incentivos fiscais. Defendeu, no entanto, que deve ser encontrada uma solução, fiscal ou de outra natureza, que traduza “um benefício acrescido” para quem poupa e tem rendimentos mais baixos, por serem os que mais vão precisar de complementos de reforma. A ASF dará “em tempo” o seu aconselhamento ao Governo nesta matéria, acrescentou.

Em relação às comissões cobradas e que consomem a rentabilidade das aplicações, Gabriel Bernardino adiantou que a ASF está a analisar o “value for money” dos produtos, primeiro nos produtos acessórios vendidos na área seguradora e agora também nos produtos de poupança. O que interessa ao consumidor, explicou, é saber quanto terá no final, já deduzidas as comissões e os imposto, e se conseguirá bater a inflação, indicador que a ASF quer que seja público e transparente. O tema será debatido a 20 de novembro, no primeiro fórum do consumidor da ASF.

O responsável abordou ainda a hipoteca inversa, matéria que está a ser trabalhada no âmbito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros e sobre a qual espera ter “com relativa brevidade” uma proposta de regulação. Trata-se de uma área “de nicho”, afirmou, mas importante para pessoas mais idosas cuja riqueza está sobretudo no imobiliário, e que deve ter regras que as protejam, como aconteceu noutros países.

O Observatório, desenvolvido em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa, revela que apenas 28% dos portugueses detêm pelo menos um produto de poupança de longo prazo para a reforma e que 45% poupam ativamente para esse fim.

  •  

Microsoft oferece saída paga a 27% dos seus trabalhadores

A Microsoft está a oferecer indemnizações a cerca de 60 mil colaboradores, cerca de 27% da sua força de trabalho, à medida que a empresa investe em inteligência artificial (IA).  Numa nota enviada aos colaboradores esta segunda-feira, a diretora de recursos humanos, Amy Coleman, apresentou o novo programa, referindo que os colaboradores elegíveis incluem líderes seniores, até ao nível de vice-presidentes. De acordo com a Fortune, a Microsoft tem vindo a reduzir o número de colaboradores  para cortar custos, ao mesmo tempo que investe na construção de centros de dados de IA. Em abril, a empresa ofereceu um programa semelhante

  •  

Lucro da Coca-Cola sobe 14% para 12,36 milhões de dólares entre janeiro e setembro

A Coca-Cola registou um lucro líquido de 12.358 milhões de dólares (cerca de 11.045 milhões de euros) nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 14% em relação ao período homólogo. O lucro do terceiro trimestre foi de 4.009 milhões de dólares, um crescimento de 8% face ao mesmo período do ano anterior.

A multinacional norte-americana Coca-Cola registou um lucro líquido atribuído de 12.358 milhões de dólares (cerca de 11.045 milhões de euros) nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 14% em relação ao período homólogo.

De acordo com a informação divulgada hoje pela empresa, no terceiro trimestre do ano, que terminou em 02 de outubro, o lucro líquido atingiu 4.009 milhões de dólares (cerca de 3.583 milhões de euros), mais 8% face ao mesmo período do ano anterior.

A Coca-Cola registou receitas de 39.232 milhões de dólares (cerca de 35.066 milhões de euros) nos primeiros nove meses do ano, o que representa um aumento de 9% em relação ao ano anterior.

Apenas no terceiro trimestre este valor fixou-se nos 13.380 milhões de dólares (cerca de 11.959 milhões de euros), um aumento de 7% relativamente a 2025.

“Os resultados deste trimestre demonstram o impulso sustentado do nosso sistema, o que nos dá confiança nas previsões atualizadas para todo o ano”, afirmou o presidente executivo (CEO) da empresa, Henrique Braun, citado em comunicado.

Numa perspetiva regional, o volume de vendas aumentou 5% na Europa, no Médio Oriente e em África e 6% na América Latina e na Ásia-Pacífico, mas manteve-se na América do Norte.

Para 2026, a multinacional prevê um crescimento de, pelo menos, 11% no lucro por ação, um aumento em relação ao intervalo de 9% a 10% estimado na apresentação dos resultados anteriores.

 

  •  

Lisbon Chiado Hotel & Spa premiado internacionalmente nos World Luxury Awards 2026

O Lisbon Chiado Hotel & Spa acaba de ser reconhecido internacionalmente ao arrecadar dois galardões de prestígio nos World Luxury Awards 2026: as categorias de Best Luxury New Hotel in Portugal e Best Luxury City Hotel in Southern Europe. A distinção consolida o posicionamento da unidade no segmento da hotelaria de luxo e acompanha a crescente afirmação de Lisboa como um destino global de excelência.

Inaugurado há cerca de um ano, o boutique hotel resulta de uma profunda reabilitação urbana de dois edifícios históricos situados em frente ao Teatro da Trindade, no coração do Chiado. Este projeto marca também a estreia da promotora Coporgest no setor hoteleiro, representando um investimento superior a 20 milhões de euros.

Para Alexandre Vasco, diretor-geral do Lisbon Chiado Hotel & Spa, a dupla atribuição reflete a dedicação e o rigor diário da equipa: “Receber estas duas distinções internacionais é motivo de enorme orgulho para toda a equipa do Lisbon Chiado Hotel & Spa. Este reconhecimento valoriza o trabalho, a dedicação e o compromisso que colocamos diariamente na criação de experiências memoráveis para os nossos hóspedes. É também um incentivo para continuarmos a elevar os nossos padrões de qualidade e a afirmar o hotel como uma referência na hotelaria de luxo, em Portugal e além-fronteiras”, salienta o responsável.

Também Sérgio Ferreira, fundador e CEO da Coporgest, destaca o alinhamento da unidade com a estratégia de 20 anos do grupo na recuperação de património histórico na capital. A nossa estratégia, definida desde o início, é a de crescer de forma sustentada e equilibrada — o que tem permitido, ao longo destes 20 anos, sermos uma empresa reputada e reconhecida e que, de forma muito consistente, tem recuperado património urbano de relevância patrimonial e histórica na cidade de Lisboa… Um projeto que é claramente representativo da qualidade e excelência a que temos habituado os nossos clientes e parceiros”, afirma.

No topo do edifício, o Beyond Rooftop Bar oferece vistas privilegiadas sobre os telhados da zona histórica, o Castelo de São Jorge e o estuário do Tejo. “O espaço disponibiliza uma experiência gastronómica e sensorial que inclui cocktails de autor criados com ervas portuguesas e citrinos regionais, uma seleção diversificada de vinhos e espumantes, e a carta de petiscos BEYOND Bites, onde se destacam o tártaro de vaca, as gambas com alho e coentros, a salada de lavagante e o hambúrguer de assinatura com foie gras”, revela o hotel em comunicado.

  •  

Crédito Agrícola mantém rating ESG de ‘2’ da Sustainable Fitch e melhora score global para 65 pontos

A agência Sustainable Fitch manteve o rating ESG corporativo do Grupo Crédito Agrícola (GCA) em ‘2’, numa escala de 1 (melhor) a 5 (pior), e reviu em alta o seu score global de 64 para 65 pontos, informou hoje a instituição financeira em comunicado.

Segundo a instituição financeira, esta avaliação reflete os progressos alcançados no reporte de sustentabilidade, nas práticas operacionais, nas políticas de exclusão setorial e no crescimento da atividade de financiamento e investimento sustentáveis, evidenciando a integração dos princípios ESG (ambientais, sociais e de governação) no modelo de negócio do banco.

O relatório da Sustainable Fitch reconhece o modelo de banca cooperativa da instituição, destacando o seu contributo para a inclusão financeira e para o desenvolvimento económico local. Em concreto, a avaliação sublinha que o Crédito Agrícola está presente em 95% dos municípios portugueses de baixa densidade e mantém 257 agências em localidades onde não existe qualquer outra instituição de crédito, o que representa 41,7% da sua rede comercial de 615 balcões.

Na vertente social e de igualdade de género, o documento assinala que as mulheres representam 52% do total de colaboradores do grupo bancário. Já no órgão de governação, composto pelo Conselho de Administração Executivo e pelo Conselho Geral e de Supervisão, a representação feminina fixa-se nos 37,5%, apresentando um nível de independência de 55%.

No plano ambiental, a avaliação destaca a Estratégia de Sustentabilidade 2026-2028 e as metas estabelecidas para 2030 relativas à redução de emissões operacionais e financiadas em oito setores de elevada intensidade carbónica. O grupo comprometeu-se a alcançar a neutralidade carbónica nos âmbitos 1 e 2 e a reduzir em 33% as emissões operacionais do âmbito 3 até 2030.

O Grupo Crédito Agrícola é o sexto maior grupo bancário português em termos de ativo líquido, operando através da Caixa Central e de 67 Caixas Agrícolas associadas, prestando serviços a cerca de 1,6 milhões de clientes.

  •  

FPF, BPI e Fundação la Caixa lançam 4.ª edição das Bolsas de Estudo da Liga BPI

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF), em parceria com o BPI e a Fundação la Caixa, lançou esta terça-feira, 27 de outubro, a 4.ª edição do Programa de Bolsas de Estudo destinado a jogadoras da Liga BPI, a principal competição nacional de futebol feminino.

Segundo o Grupo BPI, nesta edição, serão atribuídas bolsas a 20 futebolistas, numa iniciativa que procura reforçar as condições para que as atletas possam conciliar o percurso académico com as exigências da prática desportiva de alto rendimento.

O programa assume-se como um instrumento de apoio à dupla carreira, reconhecendo a importância de criar oportunidades para que as jogadoras possam prosseguir os seus estudos sem deixarem de investir na evolução desportiva e na concretização dos seus objetivos profissionais.

“Chegar à quarta edição deste programa é motivo de satisfação e demonstra o valor de uma iniciativa que tem vindo a consolidar-se, criando oportunidades concretas para as jogadoras da Liga BPI. Queremos que as futebolistas possam ambicionar uma carreira desportiva de sucesso sem terem de colocar de lado a sua formação académica. Acreditamos que preparar o futuro passa também por proporcionar ferramentas e condições para que cada jogadora possa desenvolver todo o seu potencial, dentro e fora do campo”, afirmou Sofia Teles, Diretora da Federação Portuguesa de Futebol.

A responsável sublinhou ainda que “esta caminhada tem sido feita em parceria com o BPI, uma marca que tem desempenhado um papel muito importante no crescimento e na promoção do futebol feminino”.

A mesma ideia foi reforçada por Constança Macedo, Diretora Executiva de Comunicação e Marca do BPI: “O programa de Bolsas de Estudo da Liga BPI é mais um passo no nosso compromisso de apoiar o desenvolvimento e a valorização do futebol feminino. Queremos que as futebolistas não tenham de escolher entre o alto rendimento e a formação académica e que se possam preparar para a vida profissional depois do futebol. Ao fim de três edições concluídas e de quase meia centena de bolsas atribuídas, as bolseiras demonstraram que é possível conciliar a competição com os estudos, com enorme mérito.”

A apresentação da quarta edição ficou também marcada pela realização de dois painéis de debate.

No primeiro, as bolseiras da edição anterior, Rita Melo e Neuza Besugo, juntamente com Susana Bravo, Treinadora Nacional de Sub-16, abordaram a importância do apoio à formação académica e o papel destas oportunidades no percurso das jogadoras.

O segundo painel, subordinado ao tema “Formar para Vencer”, reuniu Constança Macedo, José Paisana, Treinador Nacional, Rita Fontemanha, antiga internacional portuguesa, José Mendes, Diretor da FPF Academy, e Laura Luís, jogadora do Racing Power. A conversa centrou-se na formação, na preparação das atletas para os desafios da carreira e na importância de uma abordagem que articule o desenvolvimento desportivo com a valorização académica e pessoal.

As candidaturas serão apreciadas por um júri composto por elementos da FPF, de acordo com os critérios de mérito e aproveitamento académico definidos no regulamento público.

O período de candidatura e seleção decorre entre 27 de outubro e 28 de novembro de 2026.

A ligação entre a FPF e o BPI começou em 2018, com o patrocínio às Seleções Nacionais AA de futebol, masculina e feminina, e à Seleção Nacional Sub-21 masculina. O BPI dá ainda o naming à principal competição de futebol feminino, a Liga BPI, e patrocina a Taça da Liga Feminina, a Taça de Portugal Feminina e a Supertaça Feminina.

A Fundação la Caixa, que se associou ao Programa de Bolsas de Estudo desde a sua implantação em Portugal, na sequência da entrada do BPI no Grupo CaixaBank, destina em 2026 cerca de 56 milhões de euros a projetos sociais, de investigação, educativos e de divulgação cultural e científica.

  •  

Santander inaugura WorkCafé em Oeiras e atinge 10 espaços em Portugal

O Santander abriu o seu décimo WorkCafé em Portugal, em Oeiras, na Quinta das Palmeiras, atingindo a marca de 10 espaços deste conceito no país, anunciou hoje o banco em comunicado.

O novo espaço, segundo a instituição, reúne serviços bancários, áreas de cowork e cafetaria e contará com uma agenda de eventos aberta à comunidade.

Pensado para as novas formas de trabalhar e colaborar, o WorkCafé dispõe de salas de reunião, zona lounge e Wi-Fi gratuito, bem como equipamentos de última geração que permitem realizar operações de caixa de forma autónoma e num horário alargado, estando aberto a clientes e não clientes.

“O WorkCafé transforma a forma como recebemos e nos relacionamos com quem nos procura. É um espaço mais aberto e próximo, sem as barreiras de uma agência tradicional. A tecnologia simplifica as operações correntes, permitindo que as nossas equipas tenham mais tempo para ouvir e acompanhar cada cliente. Em Oeiras, um concelho com uma forte dinâmica empresarial, queremos que este espaço faça parte do quotidiano de quem aqui vive, trabalha ou estuda”, afirma Joaquim Filipe, administrador executivo do Santander Portugal, citado na nota.

Segundo o banco, a escolha de Oeiras reflete o perfil de um concelho reconhecido pelo dinamismo económico e pela aposta na ciência, tecnologia e inovação, que acolhe polos de investigação e parques empresariais como o Taguspark e o Lagoas Park.

O conceito WorkCafé é uma das principais iniciativas de transformação da rede comercial do Santander.

Com a abertura de Oeiras, a rede passa a contar com 10 espaços em Portugal, distribuídos por Aveiro, Coimbra, Espinho, Leiria, Lisboa e Porto.

Até ao final do ano, o banco prevê abrir novos espaços em Cascais, Estoril, Barcelos e Albufeira. Em 2027, o objetivo é acelerar o ritmo de aberturas e chegar aos 30 WorkCafés em todo o país.

Criado no Chile, em 2016, o modelo está hoje presente em vários mercados do Grupo Santander, que conta com mais de 260 WorkCafés em todo o mundo.

  •  

Galp pede estabilidade fiscal, mas Governo prepara novo imposto

É um irritante nas relações entre uma das maiores empresas do país e o Governo de Luís Montenegro.

Falhado o negócio entre a Galp e os espanhóis da Moeve, a companhia petrolífera pediu estabilidade fiscal para os seus negócios em Portugal.

Mas o Governo tem na calha um novo imposto que ameaça pesar nas contas da empresa.

A taxa sobre os lucros extraordinários da companhia petrolífera, derivados da subida do preço do petróleo e o disparo nos lucros, está a ser preparada pelo executivo de Luís Montenegro.

“Ao longo destas conversas com o Governo, demos ainda mais visibilidade à importância de termos um enquadramento fiscal estável e um enquadramento regulatório bem definido e transparente, que tenha também em conta os incentivos adequados. Ou seja, se quisermos alavancar ainda mais o nosso ativo para o futuro com investimentos adicionais, sem dúvida que é absolutamente essencial ter um enquadramento fiscal estável e um incentivo adequado”, disse ao JE o co-CEO da Galp João Diogo Marques da Silva.

“Caso contrário, ele vai competir com outros ativos fora de Portugal. Este assunto é tanto mais importante quando falamos de refinação, que é um setor ou uma atividade extremamente intensiva em termos de capital sujeita a ciclos bastante longos”, afirmou o gestor.

A questão de fundo para a companhia é que, apesar de a margem de refinação ter disparado para 34 dólares no terceiro trimestre, uma subida de 250%, historicamente a margem da Galp tem rondado os 5 dólares por barril, com os anos menos lucrativos a não serem qualificados como extraordinários.

Com os resultados recorde da Galp nos primeiros nove meses do ano a serem conhecidos esta semana, o Governo voltou à carga com o tema da taxa sobre os lucros extraordinários.

“É um projeto de lei que está na Assembleia da República e mostra que foi a decisão correta do Governo e vamos aguardar. Há empresas que tiveram lucros extraordinários devido à situação [da guerra no Médio Oriente]. Pensamos que, até por uma questão de justiça social, devem ser taxadas e que o ministro das Finanças, com o apoio de todo o Governo, teve essa decisão que nós aplaudimos e que agora esperamos que passe em breve na Assembleia da República”, disse a ministra do Ambiente e da Energia Maria da Graça Carvalho na segunda-feira.

A Galp anunciou que gerou mais de 90% da sua receita fora de Portugal este ano, com a operação nacional a registar até um recuo.

“O nosso resultado em Portugal regrediu 10%. E essa é uma realidade. O resultado comercial foi sobretudo alavancado nas atividades internacionais, em Espanha e em África”, segundo João Diogo Marques da Silva.

O responsável também revelou que a companhia já entregou às “famílias portuguesas mais de 35 milhões de euros em descontos, agregados ao nosso programa de fidelidade. Temos de ser muito conscientes da situação económica que o país atravessa”.

Já o segmento grossista  “beneficiou de mais de 40 milhões de euros de desconto. Portanto, estamos a falar de quase 80 milhões entre os dois” entre segmento de retalho e o grossista.

Lucros da Galp disparam mais de 50% para 1,5 mil milhões

Os lucros da Galp dispararam 54% no terceiro trimestre para 1.494 milhões de euros. Já nos primeiros nove meses subiram 68% para 682 milhões de euros.

O resultado foi impactado pela produção de petróleo e de gás no Brasil, com as exportações a triplicarem para 640 milhões de euros nos primeiros nove meses.

Já o investimento em descarbonização em projetos de hidrogénio verde e biocombustíveis avançados na refinaria de Sines atingiu 960 milhões de euros, a par da compra de centrais eólicas em Espanha.

A produção de petróleo e gás no Brasil atingiu um novo recorde: 131 mil barris diários à boleia da subida da produção no campo Bacalhau, onde o consórcio da Galp conta com a mais recente unidade flutuante de produção.

Margem de refinação da Galp dispara mais de 250% e atinge máximo histórico

A Galp registou um disparo na sua margem de refinação no terceiro trimestre deste ano para quase 34 dólares.

A subida de 255% registou-se face a período homólogo. Já o aumento face ao trimestre anterior foi de 100% relativo aos 17 dólares registados.

O aumento da margem de refinação teve lugar este ano com o disparo no preço do petróleo e combustíveis, devido às guerras no Médio Oriente e entre a Rússia e Ucrânia. Além da subida dos preços, o mercado também está a sofrer com menos petróleo e combustível disponível.

Mais. Devido ao conflito no Médio Oriente e o bloqueio dos estreitos de Ormuz e de Bab Al-Mandeb, os fretes marítimos ficaram mais caros e as viagens ficaram mais longas, obrigando os petroleiros a dar a volta a África.

O valor de quase 34 dólares por barril da margem de refinação é um novo máximo histórico, deixando para trás os 22,3 dólares por barril atingidos no segundo trimestre de 2022, influenciada para invasão russa da Ucrânia que deu origem a uma crise energética.

Historicamente, a margem de refinação da Galp tem rondado os 5 dólares por barril, mas o efeito das guerras no Médio Oriente e no Leste da Europa provocaram um disparo para 34 dólares.

O ano de 2022 foi também o que registou a melhor margem de refinação anual até agora, com um valor anual próximo dos 12 dólares por barril, seguido de 2023.

  •  

Hipoges lança campanha de Black Friday com apoio nas despesas de escritura de mais de 150 imóveis

A Hipoges lançou uma campanha de Black Friday que prevê um desconto de até 500 euros nas despesas com a escritura na compra de mais de 150 imóveis em todo o país, anunciou hoje a empresa.

Em comunicado, o servicer refere que a campanha, disponível até 31 de dezembro, abrange apartamentos e moradias de diferentes tipologias, com maior concentração nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.

A iniciativa destina-se tanto a particulares à procura de habitação própria como a investidores no mercado residencial.

Citada na nota, o diretor de Real Estate da Hipoges em Portugal, Rui Rocha, afirma que a empresa pretende “alargar as opções disponíveis de quem procura casa em Portugal e facilitar essa aquisição numa das fases de maior procura”.

“Este apoio no pagamento do valor da escritura pode representar uma oportunidade para quem procura a sua próxima habitação, incluindo famílias e jovens à procura da primeira casa, mas também para quem pretende concretizar uma nova oportunidade de investimento”, acrescenta o responsável.

Os imóveis abrangidos pela campanha podem ser consultados no ‘site’ da empresa.

Fundada em 2008, a Hipoges é uma plataforma de gestão de ativos no sul da Europa, com cerca de 50 mil milhões de euros em ativos sob gestão e uma equipa de mais de 1.800 pessoas distribuídas por Espanha, Portugal, Grécia e Itália.

  •  

ING e CaixaBank disputam compra da Cetelem na reta final do processo de venda

O banco holandês ING e o espanhol CaixaBank são os principais candidatos à aquisição da Cetelem, empresa de crédito ao consumo do grupo francês BNP Paribas em Espanha e Portugal, numa operação cujo desfecho é esperado até ao final deste ano, segundo avançou a imprensa económica espanhola, citando fontes financeiras.

De acordo com o jornal espanhol Cinco Días, o processo de venda entrou na sua fase final, com o BNP Paribas a procurar alienar a Cetelem por mais de mil milhões de euros. No entanto, as propostas preliminares recebidas serão significativamente inferiores à avaliação inicialmente pretendida pelo grupo francês.

Segundo o Expansión, o CaixaBank surge atualmente como o favorito para adquirir a BNP Paribas Personal Finance em Espanha e Portugal. O grupo liderado por Gonzalo Gortázar, que controla o BPI em Portugal, terá contratado a EY para realizar a due diligence ao negócio, num processo de análise que deverá estar concluído até ao final de novembro e que inclui a revisão das áreas financeira, jurídica, fiscal e tecnológica da empresa.

A mesma publicação refere que o Morgan Stanley está a assessorar o CaixaBank na componente financeira da operação.

O BNP Paribas contratou a Goldman Sachs para conduzir o processo de venda da Cetelem, uma decisão revelada pelo Cinco Días em setembro. A alienação insere-se numa estratégia de reorientação do grupo francês na Península Ibérica, privilegiando áreas consideradas mais rentáveis, como a gestão de ativos e a banca de investimento, em detrimento do negócio de crédito ao consumo.

A eventual compra da Cetelem permitiria ao CaixaBank reforçar a sua posição no mercado ibérico do financiamento ao consumo, um segmento em que já detém uma presença relevante através da CaixaBank Payments & Consumer. Por seu lado, o ING procura expandir a sua atividade em Espanha e ganhar escala num mercado onde tem vindo a crescer na banca de particulares.

A operação abrange os negócios da Cetelem em Espanha e Portugal e poderá representar uma das maiores transações recentes no setor financeiro ibérico na área do crédito ao consumo. Até ao momento, não são conhecidos os valores das propostas vinculativas apresentadas pelos potenciais compradores.

  •  

BCE reduz requisito de capital do BPI para 2027

O Banco Central Europeu (BCE) reduziu de 2% para 1,9% o requisito total de Pilar 2 aplicável ao BPI, na sequência da avaliação prudencial da instituição, informou o banco português esta terça-feira. O que é um bom sinal para o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa.

A partir de 1 de janeiro de 2027, o BPI terá de cumprir um rácio mínimo de capital Common Equity Tier 1 (CET1) de 10,1%, um rácio de capital Tier 1 de 11,9% e um rácio de fundos próprios totais de 14,4%, segundo um comunicado enviado pelo banco.

O requisito de Pilar 1 para o rácio de alavancagem mantém-se em 3%.

Em junho de 2026, o BPI apresentava um rácio CET1 de 13,9%, acima do mínimo de 10,1% estabelecido para 2027. O rácio Tier 1 situava-se em 15,2%, face ao requisito de 11,9%, enquanto o rácio total de capital atingia 17,2%, acima do mínimo de 14,4%.

O rácio de alavancagem era de 7,2% no final de junho, mais do dobro do requisito mínimo de 3%.

Os novos requisitos resultam do processo de análise e avaliação para fins de supervisão (Supervisory Review and Evaluation Process, SREP), conduzido pelo BCE, que determina as exigências prudenciais aplicáveis aos bancos sob a sua supervisão.

  •  

CEO da Redion integra Comité de Gestão da Generali em 2027


Antoine Parisi, CEO do Redion Group, vai integrar o Comité de Gestão da Generali a partir de 1 de janeiro de 2027. A nomeação surge no âmbito da reorganização da estrutura de gestão anunciada pelo grupo segurador italiano a 20 de outubro.

Antoine Parisi, CEO do Redion Group. “Estou muito grato a Philippe Donnet e Giulio Terzariol pela confiança e agradeço a Jean-Laurent Granier o seu apoio e acompanhamento desde 2018″.

Com esta mudança, a Redion Group, que reúne as atividades de assistência, seguros de viagem e benefícios para colaboradores, passará a reportar diretamente a Giulio Terzariol, Group Deputy CEO da Generali. Parisi trabalhará com Terzariol e com o CEO do grupo, Philippe Donnet, na definição das prioridades estratégicas e no acompanhamento da sua execução.

A nomeação acontece no seguimento da reorganização da Generali para a fase final do plano estratégico “Lifetime Partner 27: Driving Excellence” e na preparação do ciclo estratégico de 2028 a 2030.

“Estou muito grato a Philippe Donnet e Giulio Terzariol pela confiança e agradeço a Jean-Laurent Granier o seu apoio e acompanhamento desde 2018. Integrar o Group Management Committee da Generali é, simultaneamente, um privilégio e uma responsabilidade”, afirma Antoine Parisi, CEO do Redion Group.

A Redion, previamente Europ Assistance, é uma empresa do Grupo Generali que oferece seguros de viagem, assistência médica, proteção aos colaboradores, soluções nas áreas da saúde, mobilidade e seguros pessoais, bem como programas globais B2B2C e de seguros integrados (embedded insurance). Está presente em mais de 190 países e, de acordo com a empresa, conta com um volume de negócios anual de 5,8 mil milhões de euros.

  •  

ING e CaixaBank são os principais candidatos à compra da Cetelem

✇ECO
By: ECO

A venda da Cetelem, subsidiária de crédito ao consumo do grupo BNP Paribas, está a aproximar-se da fase final e há dois bancos internacionais — o neerlandês ING e o espanhol CaixaBank, que detém o BPI — na corrida à aquisição, avança esta terça-feira o jornal Cinco Días.

O fecho do negócio está previsto para o final deste ano, de acordo com a informação obtida pela imprensa económica espanhola através de fontes conhecedoras do assunto. No entanto, as duas propostas iniciais serão significativamente inferiores aos mil milhões de euros esperados pelo vendedor.

Segundo o Expansión, o CaixaBank é considerado o principal candidato à aquisição da marca BNP Paribas Personal Finance em Espanha e Portugal. O dono do BPI contratou a consultora EY para fazer a due diligence das contas da empresa de financiamento ao consumo, sendo que o processo de vistoria deverá estar concluído até ao final do próximo mês de novembro e envolve uma revisão abrangente da contabilidade da Cetelem, incluindo uma análise dos departamentos jurídico, fiscal e de tecnologia.

O banco Morgan Stanley também está a trabalhar com o banco espanhol na assessoria financeira.

O BNP Paribas iniciou a venda do seu negócio de crédito ao consumo em Espanha e Portugal com o objetivo de reformular a sua estratégia para concentrar-se em negócios considerados mais rentáveis, nomeadamente a gestão de ativos e a banca de investimento no mercado ibérico.

  •  

Fileira da horticultura de Odemira quer criar alojamento para 2.000 imigrantes. Vai custar 16 milhões de euros


A Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano (AHSA) quer criar quatro unidades de alojamento coletivo em Odemira, com capacidade para 2.000 trabalhadores imigrantes sazonais. Num investimento de 16 milhões de euros, suportado pelo Estado e investidores privados, o projeto visa responder ao problema de habitação no setor agrícola. Dentro de duas semanas, a associação deverá entregar ao Governo um estudo de viabilidade económica que sustente a proposta e permita avançar com o enquadramento legal necessário.

A proposta surge num contexto de pressão habitacional em Odemira, onde na última década a população duplicou dos cerca de 20 mil para mais de 40 mil habitantes, e grande parte devido…

Este artigo é exclusivo para assinantes

Assine o ECO Premium e continue a ler esta e todas as notícias exclusivas, sem limites.

Assinar ECO Premium e continuar a ler

Já é assinante? Iniciar sessão

Ver todos os planos
  •  

Portugal lidera em peso da economia digital, mas afasta-se da média europeia na adoção de IA

A economia digital em Portugal já representa 40,4% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) nacional, gerando cerca de 102 mil milhões de euros, mas o país continua a perder terreno face à média da União Europeia na adoção de tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial (IA).

Os dados constam do “Estudo Anual da Economia Digital em Portugal 2026”, publicado pela Associação da Economia Digital em Portugal (ACEPI) e pela GoingNext, em colaboração com a Porto Business School.

Segundo o relatório, o VAB associado ao setor digital registou um forte crescimento de 71% entre 2019 e 2024 — o dobro do ritmo de expansão da economia nacional (35%) —, sustentando atualmente mais de 3,4 milhões de postos de trabalho. O impacto abrange 240,9 mil milhões de euros em produção e 34,6 mil milhões de euros em receitas fiscais.

No entanto, a velocidade de adoção tecnológica no tecido empresarial contrasta com este dinamismo económico.

Apesar de Portugal apresentar infraestruturas de conectividade acima da média comunitária — com a cobertura 5G a atingir 99% dos lares e as ligações fixas de alta velocidade (1 Gbps) a chegarem a 29% —, a utilização de IA por empresas portuguesas fixou-se em apenas 11,5% em 2025, comparada com cerca de 20% no conjunto da União Europeia. A diferença em relação ao bloco europeu aumentou de cinco para oito pontos percentuais num único ano.

A distância é igualmente visível nos serviços avançados de computação em nuvem (cloud), adotados por 34% das empresas nacionais contra 47% no bloco europeu, e na presença na web, onde 63% das empresas nacionais têm website, face a 79% na UE.

O estudo sinaliza um desfasamento entre o investimento e o retorno financeiro direto das tecnologias de IA: embora 73,4% das organizações inquiridas declarem ganhos de produtividade com a IA, apenas 9,4% reportam um aumento efetivo de receitas. Além disso, apenas 25,9% dispõem de uma estratégia formal de IA com orçamento próprio.

A escassez de competências especializadas (apontada por 50,4% das organizações), preocupações com a segurança dos dados (48,2%) e os custos de investimento (43,9%) permanecem como os principais entraves ao avanço tecnológico. Apenas 32% da população portuguesa possui competências digitais avançadas.

Apesar dos obstáculos, 69% das empresas inquiridas pretendem reforçar os seus investimentos em transformação digital até 2027, colocando a IA, analytics e cibersegurança no topo das prioridades estratégicas para os próximos anos.

  •  

Galp rejeita que pressões políticas tenham ditado fim do negócio com espanhóis

A Galp rejeitou que tenham sido pressões políticas a ditar o fim do negócio com os espanhóis da Moeve.

Apesar de o Governo ter imposto duas “linhas vermelhas” para não colocar entraves ao negócio, a companhia petrolífera garante que a operação só caiu por terra por não criar valor de longo prazo para os seus acionistas.

“Houve um diálogo fluido e construtivo e as preocupações do Governo foram sempre consideradas no âmbito das conversações”, disse o co-CEO da Galp João Diogo Marques da Silva ao JE.

Mas “não vamos atribuir a essas conversações qualquer tipo de influência ou responsabilidade no desfecho desta transação”.

“O desfecho da transação tem puramente a ver com os termos comerciais em que esta transação foi negociada e com a não criação de valor, do ponto de vista de longo prazo sustentável, para os nossos acionistas. E é com esses critérios de investimento que nós tomamos todas as nossas decisões de portfólio. E essa foi a razão do desfecho”, afirmou o gestor em declarações ao JE.

Apesar do Governo ter começado a falar a duas vozes sobre este tema – com a ministra do Ambiente a congratular o negócio e o ministro da Economia a mostrar reservas -, acabou por afinar o tiro na comunicação pública para passar uma mensagem de que o executivo não colocaria entraves se fossem garantidas duas “linhas vermelhas”:

“Queremos garantir duas condições. Uma, que continuemos a ter uma refinaria em solo português. Duas, que em situação de crise essa refinaria tem Portugal como principal objetivo de fornecimento. Sai um pouco das regras de mercado, mas é isso que queremos garantir. São as nossas linhas vermelhas: a localização e a situação de crise”, disse a ministra Maria da Graça Carvalho em julho no Parlamento.

Sobre a primeira ferramenta ao dispor do Governo para colocar pressão sobre a Galp e a Moeve, a governante destacou as “diretivas europeias e a legislação nacional” sobre ativos estratégicos e por se tratar de “acionistas de fora da Europa”, referindo-se aos acionistas da Moeve: Mubadala, fundo de Abu Dhabi, e Carlyle, fundo americano. “Podemos ter um poder reforçado neste diálogo”, afirmou a governante na altura.

Terminado o negócio sem sucesso, a Galp já garantiu que está preparada para retomar uma operação semelhante, mas sem prazos no horizonte.

“Não estamos, neste momento, com uma linha temporal já ativa para uma outra opção. Acreditamos na lógica industrial de uma operação com estas características. É sempre na última hora que se negoceiam os aspetos comerciais, as avaliações, a componente mais financeira, e foi neste momento que se chegou à conclusão que não conseguíamos avançar”, começou por dizer a co-CEO Maria João Carioca ao JE.

“Agora seria muito estranho se nós, de repente, deixássemos de ver mérito estratégico, que continuamos a ver e, continuando a ver, se surgir uma operação com contornos semelhantes, vamos estar disponíveis e queremos estar preparados para olhar para ela da melhor forma possível. É só isso que estamos a dizer: não mudamos de ideias, vemos mérito e queremos estar preparados para colher o valor desse mérito, desta vez não conseguimos colher o valor para avançar”, acrescentou a gestora.

Galp pede mais apoios para refinaria de Sines, Governo garante “total disponibilidade”

O executivo de Luís Montenegro considera que a refinaria de Sines tem uma “importância estratégica” para o país e garante que vai continuar a acompanhar a “evolução” da infraestrutura crucial para Portugal.

“O Governo acompanhou as negociações entre a Galp e a Moeve e continuará a acompanhar a evolução da empresa, que tem uma importância estratégica para a economia e para a segurança energética do país”, disseram hoje os ministérios do Ambiente e da Economia.

“Mantemos a total disponibilidade para criar condições que permitam à Galp continuar a investir, a gerar valor e a reforçar a competitividade da sua atividade em Portugal”, acrescentam a tutela de Maria da Graça Carvalho e de Manuel Castro Almeida.

“É positivo que a empresa reafirme o compromisso com a transformação das suas atividades industriais e comerciais e destaque os projetos de hidrogénio verde e de biocombustíveis avançados em Sines. São investimentos relevantes para a descarbonização da indústria e para a afirmação de Portugal na transição energética”, segundo os dois ministérios que acompanharam a negociação entre a Galp e a Moeve.

Na segunda-feira, a Galp já tinha defendido que este era um bom momento para o Governo apoiar o movimento de descarbonização da refinaria de Sines, para garantir a competitividade da infraestrutura. A companhia tem-se queixado nos últimos anos de apoio insuficiente à refinaria de Sines, especialmente em comparação com o apoio dado ao Governo espanhol à descarbonização nas suas refinarias.

E num momento em que o Governo prepara uma taxa extraordinária sobre o lucro das petrolíferas, a Galp pediu também estabilidade nos impostos.

“Ao longo destas conversas com o Governo, demos ainda mais visibilidade à importância de termos um enquadramento fiscal estável e um enquadramento regulatório bem definido e transparente, que tenha também em conta os incentivos adequados”, disse ao JE o co-CEO da Galp João Diogo Marques da Silva.

“Ou seja, se quisermos alavancar ainda mais o nosso ativo para futuro com investimentos adicionais, sem dúvida que é absolutamente essencial ter um enquadramento fiscal estável e um incentivo adequado. Caso contrário, [a refinaria] vai competir com outros ativos fora de Portugal. Este assunto é tanto mais importante quando falamos de refinação, que é um setor ou uma atividade extremamente intensiva em termos de capital sujeita a ciclos bastante longos”, segundo o gestor.

  •  

NTT Data premeia tecnologia que diagnostica infeções respiratórias em 20 minutos

A startup portuguesa IPLEXMED desenvolveu uma plataforma portátil, baseada em grafeno e inteligência artificial, que permite identificar mais de 30 agentes patogénicos respiratórios e marcadores de resistência antimicrobiana em cerca de 20 minutos, a partir de uma amostra não invasiva de expetoração.

A tecnologia pretende disponibilizar resultados com qualidade laboratorial diretamente no local onde são prestados os cuidados de saúde, reduzindo significativamente o tempo necessário para chegar ao diagnóstico, acelerando assim a decisão clínica.

De acordo com a informação da empresa, a NEXAGUARD® encontra-se clinicamente validada ao nível de maturidade tecnológica TRL 6.

A IPLEXMED foi galardoada esta terça-feira, 27, com os eAwards Portugal 2026, iniciativa promovida pela NTT DATA Foundation que distingue projetos de empreendedorismo tecnológico com capacidade para gerar impacto positivo na sociedade. A startup recebe 10 mil euros e vai representar Portugal na final internacional dos eAwards, que este ano se realiza em Lisboa.

O anúncio foi feito no decorrer dos Entrepreneurship Awards, organizados pela Unicorn Factory Lisboa, parceira oficial dos eAwards Portugal. A concurso estiveram cinco outros projetos. ALICE4U, com uma solução de monitorização remota destinada a pessoas idosas ou dependentes. eDynamics, com uma plataforma que conjuga uma palmilha inteligente e IA para prevenção de fadiga e lesões. FinComply, que automatiza processos de conformidade regulatória para instituições financeiras. SIION, dedicada ao apoio à tomada de decisão no combate a incêndios florestais. Simpl.Care, que está a desenvolver um companheiro digital baseado em inteligência artificial para apoiar cuidadores, famílias e organizações.

 

  •  
❌