Reserva financeira de Macau atinge recorde



A reserva financeira de Macau atingiu um novo máximo em agosto, foi hoje 28 de outubro anunciado, antes de transferir três mil milhões de euros para um novo fundo público e de reforçar o Fundo de Pensões.
Um balanço publicado pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) no Boletim Oficial da região semiautónoma chinesa mostra que os ativos da reserva valiam, no final de agosto, 705,6 mil milhões de patacas (78,4 mil milhões de euros).
De acordo com dados do regulador financeiro, desde o final de 2025, a reserva registou uma valorização de 38,9 mil milhões de patacas (4,32 mil milhões de euros).
Só em agosto, a reserva ganhou 3,57 mil milhões de patacas (397 milhões de euros), batendo o anterior recorde, 704,3 mil milhões de patacas (78,3 mil milhões de euros), fixado no final de junho.
Macau é a única jurisdição no mundo sem qualquer dívida pública externa e regista regularmente excedentes orçamentais (que são transferidos para uma reserva financeira), com a exceção do período entre 2020 e 2023, devido à pandemia de covid-19.
A reserva ganhou 50,5 mil milhões de patacas (5,61 mil milhões de euros) durante o ano passado, mais do que em 2024, ano em que os ativos tinham subido 35,7 mil milhões de patacas (3,97 mil milhões de euros).
O melhor ano de sempre para a reserva financeira continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os ativos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas (7,85 mil milhões de euros).
A reserva atingiu um novo recorde antes de uma transferência, anunciada em 12 de outubro, de cerca de 15,9 mil milhões de patacas (1,77 mil milhões de euros) para cobrir o défice do sistema de pensões dos trabalhadores da função pública.
Além disso, na sexta-feira, o Governo anunciou que irá investir 11 mil milhões de patacas (1,22 mil milhões de euros) da reserva financeira num novo fundo público para apoiar a diversificação da economia de Macau.
O valor da reserva extraordinária no final de agosto era de 518,4 mil milhões de patacas (57,6 mil milhões de euros) e a reserva básica, equivalente a 150% do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas (18,2 mil milhões de euros).
Em novembro de 2025, a Assembleia Legislativa (Parlamento de Macau) aprovou, por unanimidade, o orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas (12,6 mil milhões de euros).
Investimentos subcontratados representam a maior fatia, 303,9 mil milhões de patacas (33,8 mil milhões de euros), da reserva financeira de Macau, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 290,2 mil milhões de patacas (32,3 mil milhões de euros) e títulos de crédito no montante de 109,1 mil milhões de patacas (12,1 mil milhões de euros).
Em 2025, os investimentos renderam à reserva financeira mais de 42,9 mil milhões de patacas (4,77 mil milhões de euros), correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 6,9%, informou em março a AMCM.

A extensão do Doclisboa 2025 regressa a Macau entre 05 e 19 de novembro com a apresentação de dez documentários, incluindo obras dos vencedores do festival de curtas local, anunciou hoje o Instituto Português do Oriente (IPOR).
“Ao integrar na programação os filmes apresentados nas competições de 2025 do DocLisboa e do Festival Internacional de Curtas de Macau, o IPOR enriquece a oferta cultural da cidade, cruzando obras marcantes do documentário contemporâneo do Ocidente e do Oriente e reafirmando a identidade cultural de Macau”, lê-se numa mensagem da diretora do IPOR, Patrícia Quaresma, no programa hoje divulgado.
A abertura do festival, em 05 de novembro, vai ser dedicada a três obras distinguidas no Festival Internacional de Curtas de Macau.
“Voo Nupcial”, de Chan Chon Sin, acompanha um “homem de movimentos graciosos” que começou certo dia “a ver as suas órbitas oculares a encherem-se de sombras irregulares que não desapareciam”, lê-se no programa.
Já “O Desenvolvimento de Macau”, de Zhang Linliang, centra-se na experiência pessoal e criação do fotógrafo Chen Xianyao, radicado em Macau. Já em “Na Órbita Sem Ti”, Leong Hou Wang traz ao grande ecrã a vida da “Tia da Banca”, proprietária de uma loja local.
Neste primeiro dia ainda é possível assistir ao documentário “Maneiras”, de António Sanmarful, sobre “a notável história inerente a três edifícios emblemáticos desenhados” em Macau pelo arquiteto José Maneiras (1935-2025).
A programação inclui ainda “Explode São Paulo, Gil”, da realizadora brasileira Maria Clara Escobar, que vai estar em Macau para o festival. Esta produção luso-brasileira conta o percurso de Gil, que sonha ser cantora e se muda para São Paulo, onde trabalha como doméstica.
“Maria Clara propõe fazer um filme sobre ela. Gil torna-se famosa e elas explodem duas cidades e refletem sobre sonhos, trabalho e esquecimento”, refere-se no programa.
“As Estações”, da luso-francesa Maureen Fazendeiro, combina depoimentos de trabalhadores rurais e notas de campo de um casal de arqueólogos, imagens de arquivo amador e desenhos científicos, lendas e poemas e canções para dar forma a “uma viagem pela história real e inventada” do Alentejo “e dos povos que aí viveram”.
“As brigadas revolucionárias na luta contra a ditadura”, de Luiz Gobern Lopes, “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, e “Bulanka”, de Leonor Noivo são as outras obras de cineastas portugueses que constam da programação desta edição da extensão a Macau do Doclisboa 2025.
“Bulanka” acompanha mulheres filipinas que “hoje, enfrentam uma nova forma de colonização, a migração forçada pelo trabalho”, refere-se ainda na apresentação, onde se descreve que milhares de filipinas trabalham como empregadas domésticas e cuidadoras em países estrangeiros, “sustentando economias alheias enquanto deixam as próprias famílias para tras”.
O filme chega agora a Macau, onde vive uma numerosa comunidade migrante originária deste país do Sudeste Asiático.
Ainda parte do festival, está a obra do franco-americano Eugène Green “A Árvore do Conhecimento”, uma fábula sobre Gaspar, um adolescente dos subúrbios de Lisboa que cai nas mãos do Ogre, um homem que fez um pacto com o diabo e usa o rapaz para atrair turistas, transformando-os em animais para depois os abater, numa “crítica nem sempre velada ao modo como a cidade se rendeu ao turismo”, lê-se na apresentação desta obra no portal do Doclisboa.

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