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Afastamentos por vício em jogos cresceram 5 vezes em três anos

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O número de trabalhadores brasileiros afastados temporariamente do trabalho por causa de transtorno associado ao vício de jogo aumentou cinco vezes entre 2023 e 2025. O dado é do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A análise considerou os benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e que tinham o código de doença relacionado à ludopatia, que é o comportamento compulsivo de jogar. Essa compulsão se refere a qualquer tipo de jogo, mas a maioria dos casos está relacionada às apostas online.

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Em 2023, 67 pessoas com a doença foram afastadas do trabalho. Em 2024, o número subiu para 157 e em 2025 alcançou 361. De acordo com os dados, a maioria desses trabalhadores era homem (71%) e na faixa etária entre 30 e 39 anos (44,1%).

Fim das bets

Nos últimos anos, o vício em jogos em plataformas de apostas online, conhecidas como bets, foi responsável por uma verdadeira epidemia de saúde pública e empobrecimento da população.

Em 25 de setembro deste ano, o governo federal proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas online no país.

*Com informações do Ministério do Trabalho em Emprego 
 

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Um vigilante de Goiânia optou pelo bloqueio das contas bancárias de uma empresa para garantir o recebimento de R$ 730 mil em dívidas trabalhistas, recusando uma chácara de R$ 2,68 mi oferecida como garantia

Um vigilante de Goiânia abriu processo contra seu antigo empregador por violação de direitos trabalhistas, alegando não ter sido pago devidamente por suas horas extras e adicionais noturnos. O caso correu no Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região e resultou na ordem de execução de uma dívida de R$ 730.655,87; a forma de pagar este valor, no entanto, virou assunto de outro processo.

A contratante reclamada, uma empresa de vigilância e segurança patrimonial, ofereceu uma chácara avaliada em R$ 2,68 milhões como garantia da dívida. O intuito era impedir o bloqueio das contas empresariais, o que, segundo a defesa, poderia comprometer o pagamento dos salários dos atuais funcionários e das despesas do negócio, podendo levar à falência do empreendimento.

Por determinação da 1ª Vara do Trabalho de Goiânia, a decisão de aceitar ou não o imóvel como garantia coube ao vigilante. Ele escolheu insistir no bloqueio financeiro da empresa pelo sistema do Sisbajud, que localiza e bloqueia recursos bancários.

Quem decide como uma dívida judicial é paga?

Nesta etapa do processo, nasceu outro impasse: a empresa de segurança apresentou um mandado de suspensão do bloqueio de contas, pedindo a anulação da escolha do ex-funcionário e a aceitação do imóvel como garantia. O argumento foi de que essa decisão, por comprometer gravemente a viabilidade econômica do negócio, cabe ao tribunal, e não ao reclamante.

A desembargadora Kathia Albuquerque, relatora do caso, discordou. Ela citou o artigo 835 do Código de Processo Civil que estabelece preferência pela penhora em dinheiro, e acrescentou que o andamento do processo estava de acordo com as normas do TRT-GO. Segundo seu voto, é autorizado o uso do sistema de bloqueio de recursos bancários com ou sem pedido do autor do processo.

A empresa então apresentou um novo argumento contra o bloqueio total, baseando-se no impacto que ele teria na saúde financeira.

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Por que a jornada 12×36 resultou em processo?

O processo do vigilante foi aberto em setembro de 2025. Ou seja, depois da sentença judicial que invalidou o regime de compensação 12×36 entre abril de 2023 e novembro de 2024 com intuito de proteger os trabalhadores de jornadas excessivas.

O trabalhador tinha registros de controle de ponto que comprovavam sua atuação neste formato; eles foram usados para converter as horas trabalhadas além do limite imposto por lei em horas extras e, por consequência, em valor devido.

Hoje, esta configuração de jornada é debatida por juristas. Ela é protegida quando consta em convenções ou acordos coletivos da categoria, mas pode ser contestada judicialmente mesmo quando estiver prevista em acordos individuais. O motivo é um trecho da Constituição Federal que limita as jornadas a oito horas diárias, com limite de duas horas extras por dia. A jornada de trabalho de 12 horas poderia ferir esta regra.

Como uma empresa pode pagar R$ 730 mil em dívidas trabalhistas?

Depois de perder a medida de segurança, a contratante apresentou uma série de documentos para sustentar o argumento de que o bloqueio de contas neste valor impediria seu funcionamento e o pagamento de salários. As provas incluíam folhas de pagamento das filiais em Goiânia e Brasília, comprovantes de despesas operacionais e uma relação de outros acordos trabalhistas em curso.

Para equilibrar os direitos do trabalhador reclamante aos valores devidos e da empresa a se manter em funcionamento (que se torna interesse coletivo por criar empregos e contribuir com a economia), a relatora Kathia Albuquerque decidiu limitar a ordem de bloqueio. Ela aplicou o entendimento da Orientação Jurisprudencial 93 da SDI-II do Tribunal Superior do Trabalho, que admite a penhora de parte da renda ou do faturamento de uma empresa, desde que não comprometa suas atividades.

O resultado é que a empresa terá até 30% do valor da dívida limitado em suas contas a cada mês, até que todo o montante seja pago. A execução desta ordem é provisória, já que o processo trabalhista original ainda aceita recursos.

A decisão de Albuquerque não foi unânime. O desembargador Paulo Pimenta votou contra o limite do bloqueio, afirmando que as provas sobre a saúde financeira da empresa deveriam ter sido entregues junto com o mandado de segurança, não depois de sua rejeição; que a reclamada não apresentou seu faturamento mensal, e que não ficou provado que o bloqueio total das contas é ilegal ou desproporcional. Para ele, “limitar a penhora a um valor fixo mensal equivaleria a parcelar a execução sem fundamento suficiente.”

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Ex-ministra Mendes Godinho vai ser diretora de emprego e assuntos sociais da OCDE


Ana Mendes Godinho, ex-ministra do Trabalho, vai assumir a Direção de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económica (OCDE), adiantou a própria ao ECO. A ex-governante venceu um concurso internacional, no qual participaram mais de 130 candidatos de quase 30 países.

“É um desafio enorme no contexto de mudança que estamos a viver no mundo do trabalho e em que a OCDE pode ser um organismo fundamental de apoio aos países“, sublinha Ana Mendes Godinho.

“É também um orgulho, porque reflete o reconhecimento por tudo o que foi feito em Portugal, nomeadamente durante a pandemia”, acrescenta a mesma.

Mendes Godinho foi ministra do Trabalho entre 2019 e 2024, tendo sido um dos principais rostos da estratégia do Governo de António Costa em resposta ao impacto da pandemia de Covid-19 na economia nacional. Foi sob a sua liderança que se desenvolverem medidas que se viriam a tornar emblemáticas, como o lay-off simplificado, que ajudou as empresas a segurarem o emprego apesar dos confinamentos.

Foi também uma das protagonistas da Agenda do Trabalho Digno, a reforma laboral levada a cabo pelo Governo socialista, que, nomeadamente, regulou o trabalho nas plataformas digitais e criminalizou o trabalho não declarado, além de ter posto um travão ao outsourcing para as empresas que avancem com despedimentos coletivos.

Ao ECO, Mendes Godinho realça que este novo cargo “é a possibilidade de dar o meu contributo a nível internacional”. Em janeiro, passará a viver em Paris, França, onde fica a sede da OCDE. “É uma grande mudança, um grande desafio”, afirma.

A direção que passará a liderar tem intervenção na definição e acompanhamento das políticas públicas de emprego, proteção social, qualificações, migrações e saúde. É também responsável por publicações como o “OECD Employment Outlook”, que é um dos principais relatórios internacionais sobre a evolução dos mercados de trabalho e os salários.

Atualmente, Mendes Godinho está a desempenhar as funções de diretora de Estratégia de Turismo da Universidade Nova de Lisboa. Antes, protagonizou a candidatura do PS à Câmara de Sintra nas Autárquicas de 2025.

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Confiança da indústria cai pelo 3º mês seguido com piora em indicadores

A confiança da indústria caiu pelo ​terceiro mês seguido ​em outubro diante de uma piora nos indicadores sobre a situação atual do setor, afirmou a FGV (Fundação Getulio Vargas ) nesta quarta-feira.

O ICI (Índice de Confiança da Indústria) recuou ⁠0,3 ponto, ​para 91,0 pontos, disse a FGV. ​Em setembro, a queda do indicador ⁠havia sido de 2,4 ⁠pontos.

“O resultado ratifica as análises ​dos ‌últimos meses de desaceleração da demanda ⁠e de acúmulo de estoques. Em relação ao futuro, o resultado tem caráter compensatório ‌e ⁠mantém afastado ‌o sentimento de otimismo entre os empresários para os próximos meses”, disse Stéfano ⁠Pacini, economista do ⁠FGV IBRE.

“Os efeitos dos estímulos setoriais parecem estar ‌passando e a resiliência do mercado de trabalho parece não sustentar mais a confiança dos empresários que enfrentam condições monetárias ‌restritivas e ambiente de incerteza ainda elevado”, acrescentou.

O ISA (Índice de Situação Atual) ⁠teve queda de 1,1 ponto, para 92,5 pontos, o menor patamar desde dezembro ​de 2025, disse a FGV.

Já o IE (Índice ​de Expectativas) registrou alta de 0,6 ponto, para 89,8 pontos, acrescentou.

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Criar pontes para acelerar a inovação


A inovação é cada vez mais um exercício coletivo. A velocidade da evolução tecnológica, a complexidade dos desafios e a necessidade de encontrar respostas para problemas novos obrigam as organizações a trabalhar de forma diferente e, sobretudo, em conjunto. É neste contexto que os ecossistemas de inovação ganham importância, aproximando empresas, start-ups, universidades, centros de investigação, parceiros tecnológicos e clientes em torno de desafios comuns.

Aparentemente, a ideia é simples: combinar diferentes conhecimentos, experiências e perspetivas para encontrar respostas que, dificilmente, surgiriam dentro de uma única organização. A “má notícia” é que um ecossistema não se constrói apenas através de parcerias. É preciso criar relações que funcionem, partilhar conhecimento e combinar competências para transformar as ideias em resultados tangíveis.

A evolução da inteligência artificial veio acelerar ainda mais esta dinâmica. Hoje testamos ideias, desenvolvemos protótipos e exploramos soluções a uma velocidade difícil de imaginar há poucos anos, enquanto os ciclos de inovação são cada vez mais curtos e as expectativas dos clientes e dos mercados aumentam. Somos chamados a experimentar mais, aprender mais depressa e a passar rapidamente para aquilo que funciona.

Mas será que estamos a conseguir preparar as pessoas ao mesmo ritmo a que estamos a querer transformar as organizações?

Num contexto em que o conhecimento e as tecnologias evoluem rapidamente, a ligação entre a academia e as organizações deixa de ser apenas desejável e passa a ser necessária. Mais do que preparar os estudantes para as tecnologias de hoje, importa criar condições para que desenvolvam a capacidade de aprender, experimentar e adaptar-se continuamente.

É aqui que a criação de pontes entre universidades e empresas tem particular importância. Estágios, programas de desenvolvimento de talento, projetos conjuntos e iniciativas académicas permitem aproximar a formação da realidade das organizações e proporcionar aos estudantes contacto com tecnologias, desafios e formas de trabalho concretas.

A vantagem é que os ganhos são bilaterais. Os estudantes têm a oportunidade de conhecer problemas reais, trabalhar com diferentes equipas e desenvolver competências. As organizações podem conhecer novos talentos, serem desafiadas por novas perspetivas, acompanhar a evolução do conhecimento académico e contribuir para uma formação mais próxima das necessidades futuras.

Contudo, esta colaboração não deve terminar com a entrada no mercado de trabalho. A participação de profissionais em iniciativas académicas, a colaboração em projetos de investigação ou o desenvolvimento de programas conjuntos podem criar uma relação mais contínua entre os dois mundos. O desafio está em criar as condições para que diferentes competências e perspetivas se encontrem, se complementem e contribuam para objetivos comuns.

E esta lógica estende-se aos diferentes participantes do ecossistema, incluindo start-ups, parceiros tecnológicos, universidades, empresas e clientes. Esta diversidade contribui com conhecimento, experiência, tecnologia, talento, ou uma perspetiva diferente sobre os desafios que importa endereçar. Quando um ecossistema funciona numa lógica complementar, cria-se um contexto mais favorável à experimentação, à inovação e à produção de valor.

Por isso, é tempo de começarmos a olhar para os ecossistemas de inovação de uma outra forma, dando relevância ao que acontece depois: que ideias chegam ao mercado, que problemas são resolvidos, que processos são transformados e, sobretudo, que talento e competências conseguimos desenvolver.

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Sindicatos da banca cancelam greve e acordam subida salarial

A greve prevista para o dia 30 de novembro foi cancelada, após ter sido acordada uma atualização salarial de 3%. Os trabalhadores declaram continuar a reivindicar as medidas ainda não abrangidas.

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) e os três sindicatos do setor afetos à UGT anunciaram o cancelamento da greve num comunicado conjunto
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Combustível pesa mais a famílias de rendimentos intermédios

Enquanto que entre as famílias mais pobres prevalece o uso de transportes públicos, os agregados com rendimentos intermédios – que usam automóvel próprio — são quem suporta a maior carga de ISP.

© FRIEDEMANN VOGEL/EPA

Estudo revela que a progressiva eletrificação do parque automóvel está a ter impacto na receita fiscal
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Desconvocada greve de sexta-feira na CP após “desenvolvimentos positivos” nas negociações

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By: Lusa

comboios; CPLusa

A greve na CP – Comboios de Portugal marcada para sexta-feira pelos revisores e trabalhadores de bilheteiras foi desconvocada, após “desenvolvimentos positivos” numa reunião entre o sindicato e o Ministério das Infraestruturas e Habitação.

Em comunicado, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) aponta que suspendeu o pré-aviso de greve de 30 de outubro depois de terem sido “registados desenvolvimentos positivos no processo de resolução do conflito laboral que opõe os trabalhadores à CP” numa reunião com representantes da tutela na terça-feira.

O SFRCI aponta que a suspensão da greve é um sinal de responsabilidade e confiança no diálogo, depois da disponibilidade manifestada pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação e pela administração da CP em dar seguimento às reivindicações apresentadas.

Durante a reunião de terça-feira, os intervenientes analisaram o caderno reivindicativo apresentado pelo sindicato, tendo “os representantes ministeriais em conciliação com a administração da CP manifestado disponibilidade para dar seguimento às reivindicações colocadas pelo SFRCI”.

“Esta decisão constitui um sinal de responsabilidade institucional e de abertura ao diálogo, demonstrando que o SFRCI privilegia a negociação e a procura de soluções concretas, sempre que exista vontade efetiva de responder aos problemas dos trabalhadores”, acrescenta o sindicato.

Ainda assim, o sindicato registou que esta abertura deverá “traduzir-se em medidas concretas, compromissos objetivos e resultados efetivos”.

Apesar da suspensão do pré-aviso de greve, o SFRCI sublinha que tal não significa um abandono das reivindicações ou “um cheque em branco à tutela ou à administração da CP”, mas sim “uma oportunidade para que o diálogo” produza os resultados esperados pelos trabalhadores.

Caso tal não aconteça, o SFRCI diz reservar-se ao direito “retomar a luta sindical e de recorrer às formas de ação que considere necessárias, incluindo a convocação de novas ações de luta, nos termos legalmente aplicáveis”.

Entre as matérias abordadas na reunião estão a valorização salarial e profissional dos trabalhadores – através da valorização do trabalho prestado em dias de descanso não compensado –, a publicação dos acordos salariais e regulamentares no Boletim do Trabalho e Emprego, a revisão do acordo de empresa e do regulamento de carreiras, assim como o reforço da segurança ferroviária e a proteção dos trabalhadores contra as agressões.

O sindicato sugeriu ainda a necessidade de integrar no Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) propostas para “a valorização efetiva dos profissionais”.

 

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CGA avança com corte de pensões. Provedora de Justiça recebe 50 queixas

✇ECO
By: ECO

Apesar de toda a polémica envolvendo a correção de quase três mil pensões, a Caixa Geral de Aposentações (CGA) está mesmo a avançar com os cortes. Os pensionistas estão a ser notificados do novo valor da pensão, algo que uma advogada descreve como “ato definitivo”. Nos novos documentos, a CGA informa que as condições de aposentação “foram alteradas”, apresentando os novos valores, embora ainda não refira de que forma se pode devolver o dinheiro. Por outro lado, a Provedora de Justiça recebeu 50 queixas relacionadas com o corte de 2.937 pensões atribuídas entre Maio e Agosto e pediu explicações à CGA.

Susana Costa Pinto, advogada que trabalha com o Sindicato de Professores da Zona Norte (FNE) disse ao Jornal de Negócios que teve conhecimento de cerca de uma dezena de notificações, confirmando uma informação também adiantada pelo Bloco de Esquerda. “O que isto significa é que nenhum dos argumentos apresentados nas audiências prévias pelos pensionistas foram aceites pela CGA”, explica a jurista, que tem defendido que não há um “erro” mas antes uma mudança de entendimento”. Dito isto, com esta notificação, “o valor da pensão já foi alterado de acordo com o novo entendimento, o que significa que a próxima pensão a ser paga já terá o corte anunciado“.

Ainda a propósito destas reduções, a provedora da Justiça, Luísa Neto, pediu explicações à CGA, noticia o Público. Nas últimas semanas o gabinete recebeu 50 queixas relacionadas com o processo, depois de o presidente da CGA ter prestado esclarecimentos no Parlamento e de, nesta segunda-feira, a ministra do Trabalho ter sugerido que as pessoas afetadas podem recorrer aos tribunais.

Em declarações feitas esta semana, a ministra do Trabalho disse que “este Governo não corta nenhuma pensão, nem aqui, neste caso, cortou alguma pensão”. “O que aconteceu foi um lapso de parametrização administrativo informático das pensões da CGA. Foi detetado agora porque só agora é que os trabalhadores em causa pediram a reforma ao fim dos 20 anos sobre 2006“, explicou a ministra da tutela, em resposta a uma questão colocada pelo deputado bloquista Fabian Figueiredo, no âmbito de uma audição sobre o Orçamento do Estado para 2027.

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Sindicatos da banca cancelam greve após acordo para aumentos salariais de 3%


Os sindicatos do setor da banca desmarcaram a greve marcada para 30 de novembro, depois de terem chegado a um acordo para a atualização dos salários e pensões em 3% para este ano, com retroatividade a 1 de janeiro, segundo anunciaram esta quarta-feira.

“O processo negocial com a Associação Portuguesa de Bancos (APB) e as Caixas de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) para a atualização salarial para 2026 chegou ao fim, após semanas de negociações exigentes e de posições difíceis de aproximar. Foi alcançado um acordo de atualização de 3% das tabelas salariais, das pensões de reforma e das restantes cláusulas de expressão pecuniária abrangidas pelo acordo“, adiantam num comunicado conjunto.

“A firmeza sindical e a união dos bancários deram resultados, por isso, ficam sem efeito as manifestações e a greve nacional previstas para 30 de novembro de 2026”, acrescentam Mais Sindicato, Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Banca, Seguros e Tecnologias (SBC) e Sindicato dos Trabalhadores do Setor Financeiro de Portugal (SBN).

De fora do acordo estão BCP e Banco Montepio, em relação aos quais a greve se mantém. Ainda assim, há uma forte expectativa de que seja possível chegar um acordo no mesmo sentido nos próximos e a greve seja cancelada.

Os salários de outubro já foram processados na sua grande maioria, pelo que só com o processamento do salário de novembro é que os trabalhadores receberão a atualização de 3% com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2026.

“Este resultado encerra um processo negocial particularmente exigente, no qual a defesa dos interesses dos bancários esteve sempre no centro da nossa atuação”, salientam os sindicatos.

“A conclusão deste processo não altera o nosso compromisso de continuar a lutar pela melhoria das condições salariais e de vida dos bancários, no ativo e reformados. A defesa de pensões dignas continua a ser uma prioridade, tal como a valorização do trabalho e dos salários”, reivindicam.

(Notícia atualizada às 10h40)

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Que profissão ganha mais? Esta plataforma ajuda a comparar salários e perspetivas de carreira


Depois de dois anos a acelerar a requalificação dos trabalhadores portugueses e a fazer a ponte entre estes e as vagas de emprego disponíveis no mercado, a plataforma gratuita New Career Network (NCN) entra agora numa nova fase. Passa a apoiar também a fase de reflexão sobre uma potencial mudança de carreira, disponibilizando dados que permitem comparar salários entre funções e perspetivas profissionais.

“Nos últimos dois anos, passaram pela NCN cerca de 340 mil pessoas, das quais cerca de 47 mil foram orientadas para formações de elevada empregabilidade ou oportunidade de emprego“, começa por realçar Carla Sousa, manager desta plataforma, em conversa com o ECO.

“É um número que nos orgulha bastante“, assinala a responsável. Lançada em outubro de 2024, a NCN tem tido, até aqui, duas grandes funções. Por um lado, disponibiliza um catálogo de cursos com empregabilidade mínima de 70%, ajudando a acelerar a requalificação dos portugueses. E, por outro, reúne as vagas de emprego disponíveis no mercado de trabalho.

A partir de agora, soma uma nova funcionalidade: passa a apoiar quem está “ainda na fase de reflexão”, com dados que permitem perceber se quer mesmo mudar de carreira e quais as hipóteses “são válidas” para si, salienta Carla Sousa. Isto porque a Fundação Belmiro de Azevedo decidiu juntar-se a este projeto, como parceira estratégica, trazendo consigo os dados da Brighter Future sobre salários médios, procura por profissão, número de trabalhadores, qualificações mais frequentes, presença de jovens em cada atividade e diferenças regionais.

“Os dados estão disponíveis em contínuo. Qualquer um de nós pode ir à plataforma e aceder diretamente aos dados. Permite perceber, por exemplo, quais são os setores em que a procura é grande ou reduzida, se está a aumentar ou a cair. Para que as pessoas tomem a decisão com uma perceção de risco”, explica a manager.

Temos também informação sobre salários e há surpresas. Por exemplo, o curso de técnico de redes permite um salário médio de 2.200 euros. Em comparação, um fisioterapeuta, ao qual se exige uma licenciatura, tem um ordenado médio abaixo dos 1.500 euros.

Carla Sousa

Manager da NCN

“Temos também informação sobre salários e há surpresas. Por exemplo, o curso de técnico de redes permite um salário médio de 2.200 euros. Em comparação, um fisioterapeuta, ao qual se exige uma licenciatura, tem um ordenado médio abaixo dos 1.500 euros”, destaca Carla Sousa.

A responsável avança ao ECO também que a intenção é que, até ao final do ano, a NCN tenha uma funcionalidade que permita também o acesso personalizado a essa informação, sendo que, por agora, é possível encontrar estes dados diretamente na plataforma, sem que seja necessária criar um perfil.

80 cursos e oito mil vagas de emprego

Carla Sousa é manager da New Career Network (NCN)

Quando foi lançada no outono de 2024, a NCN contava com 30 cursos de requalificação, em diferentes áreas, do digital à agricultura, passando pela indústria. Hoje, a oferta formativa é bem mais expressiva: “Temos à data de hoje mais de 80 cursos de 20 escolas parceiras“, adianta Carla Sousa.

Todos os programas, garante a mesma, são em áreas com elevada procura (da indústria à saúde) e com empregabilidade mínima de 70%. A maioria é pago, mas há também opções gratuitas (40% dos cursos).

No momento do lançamento, a NCN tinha sinalizado ao ECO a vontade de aprofundar a relação com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Carla Sousa adianta agora que a entrada da Fundação Belmiro de Azevedo servirá também para retomar esse tema.

Quanto às vagas de emprego, a plataforma registava em torno de duas dezenas de oportunidades, no momento de lançamento. Hoje, adianta a manager, há oito mil vagas registadas em empresas de referência e recrutadoras, como Adecco, Randstad, Sonae, Manpower, CUF e EDP.

Do ponto de vista do perfil, cerca de um terço dos nossos utilizadores tem licenciatura. Esse é o nível predominante. Seguem-se o ensino secundário e, depois, o doutoramento.

Carla Sousa

Manager da NCN

Por outro lado, no que diz respeito ao perfil do utilizador da NCN, Carla Sousa indica que um terço tem licenciatura. “Esse é o nível de escolaridade predominante. Seguem-se o ensino secundário e o doutoramento”, detalha.

Mais, duas em cada três pessoas que chegam a esta plataforma estão empregadas, mas a preparar o seu passo profissional seguinte. “A adesão tem superado as expectativas. Temos feito um conjunto de otimizações à ferramenta”, realça a manager, que revela que a meta é chegar às 400 mil pessoas abrangidas até março de 2027.

A NCN foi criada no âmbito da iniciativa para a requalificação de talento promovida pela European Roundtable for Industry, organização que junta 60 das maiores empresas europeias, incluindo a portuguesa Sonae. Daí que esta retalhista portuguesa tenha sido a responsável pelo investimento que permitiu o desenvolvimento desta plataforma no país.

“A New Career Network traduz o compromisso da Sonae com a educação, a requalificação profissional e a capacitação ao longo da vida. Enquanto maior empregador privado em Portugal, acreditamos que é também nossa responsabilidade contribuir para soluções que ajudem as pessoas a adaptar competências, compreender melhor o mercado de trabalho e tomar decisões de carreira mais informadas”, afirma Daniel Fonseca, diretor de marca da Sonae, citado em comunicado.

Em comparação, a implementação em Espanha foi proporcionada por um conjunto de empresas liderado pela Fundación Telefónica, em colaboração com a SAP, Iberdrola e CEOE.

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Metade dos portugueses desconhece como são pagas as reformas. Muitos acham que Estado guarda os seus descontos


Só 48,5% dos portugueses sabem que as pensões pagas hoje saem dos descontos de quem está a trabalhar. Os restantes dividem-se entre quem julga que cada pessoa recebe o que acumulou ao longo da carreira (27,8%), quem aponta os impostos de todos os contribuintes (17,7%) e quem não sabe responder (6%).

Os reformados, que são um em cada quatro inquiridos, aparecem na cauda do conhecimento sobre o funcionamento do sistema, quando comparados com os restantes perfis. Os dados são de um inquérito sobre poupança para a reforma da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), divulgado na terça-feira, que teve como amostra 801 pessoas com 18 ou mais anos, entre 10 de dezembro de 2025 e 13 de fevereiro.

No sistema Previdencial da Segurança Social, o dinheiro que cada trabalhador desconta não fica numa conta com o seu nome, mas segue para pagar as pensões do mês, no modelo de repartição. Era isso que dizia a resposta certa do inquérito, “pelas contribuições das pessoas que estão atualmente a trabalhar”.

A função de substituição de rendimento do sistema público será menor no futuro, reforçando a importância da poupança complementar para garantir níveis de vida adequados após a reforma.

Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)

Observatório Poupança Reforma 2026

A Conceptualização do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, relatório da NOVA IMS encomendado pela ASF, descreve esse modelo como um mecanismo assente num “contrato social implícito entre gerações, em que a sustentabilidade financeira depende da relação entre contribuintes ativos e beneficiários”.

No regime geral dos trabalhadores por conta de outrem, a Taxa Social Única é de 34,75% da remuneração ilíquida, com 11% a cargo do trabalhador e 23,75% do empregador. As contribuições são retidas na fonte e entregues à Segurança Social, que as usa para pagar as pensões em curso, sem ficarem registadas numa conta individual. A ideia contrária está presente em 27,8% das respostas ao inquérito.

Numa pergunta sobre a longevidade, os inquiridos mostram mais certezas: 69,6% reconhecem que, com o aumento da esperança média de vida, a idade normal de reforma sobe, contra 13% que veem as duas variáveis sem relação e 9% que esperam uma descida.

A idade normal de acesso à pensão de velhice está indexada à esperança de vida desde 2015 e fixa-se em 66 anos e 9 meses em 2026, segundo o Observatório. Entre os que descontam e ainda não se reformaram, 61,4% esperam aceder à pensão sem penalizações entre os 66 e os 70 anos.

A compreensão do funcionamento do sistema de pensões (incluindo o financiamento das pensões públicas e os fatores que influenciam a idade de reforma) revela-se determinante para a qualidade do planeamento a longo prazo.

Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)

Observatório Poupança Reforma 2026

O índice de dependência de idosos deverá chegar a 68,6% em 2050, acima dos 55,2% projetados para a média da União Europeia, indica o Observatório.

As projeções da Comissão Europeia citadas no relatório indicam que a taxa de substituição bruta do salário passa de 69,4% em 2022 para 38,9% em 2070, depois de um máximo de 94% em 2041. Em 2024, a pensão média anual da Segurança Social foi de 7.665 euros, 11,7% abaixo do limiar de risco de pobreza, fixado em 8.679 euros.

O relatório conclui que “a função de substituição de rendimento do sistema público será menor no futuro, reforçando a importância da poupança complementar para garantir níveis de vida adequados após a reforma”. O comportamento dos portugueses ainda não acompanha esta leitura. Em 2023, 80,9% esperavam financiar a reforma sobretudo com os descontos para a Segurança Social e só 11,3% previam recorrer a produtos de pensões individuais, de acordo com o Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa citado pelo Observatório.

No inquérito deste ano, 28% dos inquiridos têm pelo menos um produto de poupança para a reforma e os atuais trabalhadores dão 5 pontos em 10 à confiança no rendimento que terão. Os reformados são, aliás, o grupo com menor conhecimento do sistema de pensões, e 61% dizem que o nível de vida desceu depois de se reformarem.

O Observatório sublinha que “a compreensão do funcionamento do sistema de pensões (incluindo o financiamento das pensões públicas e os fatores que influenciam a idade de reforma) revela-se determinante para a qualidade do planeamento a longo prazo”.

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Portugal é um país de baixos salários e com “capacidade de resposta muito limitada em situações de choques adversos”


Metade dos agregados fiscais em Portugal declarou rendimentos brutos anuais até 15.435 euros em 2024, o equivalente a um salário de cerca de 1.102 euros por mês, considerando 14 meses. A concentração dos rendimentos em valores baixos deixa uma parte significativa da população com uma margem de poupança reduzida ou nula e com pouca capacidade para enfrentar choques como a subida dos preços dos bens essenciais, a perda de emprego ou de habitação.

Este é um dos retratos traçados pelo estudo “Portugal Fiscal”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), publicado esta quarta-feira, que alerta também para os limites da aparente progressividade do IRS.

A análise, assinada por Sérgio Vasques, Susana Peralta e José Pedro Sousa, mostra que os baixos rendimentos continuam a marcar a realidade económica de uma parte substancial das famílias portuguesas. Segundo os autores, em 2024, metade dos agregados fiscais declarou até 15.435 euros brutos por ano, enquanto “cerca de 20% declarou pelo menos o dobro do rendimento mediano”. Já “face a 2023, o rendimento mediano declarado por agregado aumentou 7%”, destaca o relatório.

A distribuição apresentada pelos autores evidencia uma forte concentração de rendimentos em patamares baixos, o que limita a capacidade financeira das famílias para fazer face a despesas inesperadas.

Importa ressalvar que estes valores dizem respeito aos rendimentos brutos declarados por agregado fiscal, e não necessariamente ao salário individual de cada contribuinte. Ainda assim, a distribuição apresentada pelos autores evidencia uma forte concentração de rendimentos em patamares baixos, o que limita a capacidade financeira das famílias para fazer face a despesas inesperadas.

“Mais relevante é a concentração de rendimentos em torno de valores baixos, compatíveis com uma margem de poupança reduzida ou nula”, salientam os autores, acrescentando que uma parte significativa da população dispõe de uma “capacidade de resposta muito limitada em situações de choques adversos”. Entre os exemplos apontados estão a perda de emprego, a subida do preço de bens essenciais e a perda súbita de habitação.

Este retrato ajuda a perceber por que razão o aumento do custo de vida pode ter consequências tão imediatas nos orçamentos familiares. Quando a maior parte do rendimento é absorvida pelas despesas correntes, sobra pouco espaço para constituir uma almofada financeira que permita acomodar uma subida das despesas, uma quebra temporária de rendimentos ou um encargo extraordinário.

A vulnerabilidade não significa que todas as famílias com baixos rendimentos estejam na mesma situação, mas mostra que uma parcela expressiva dos agregados tem uma margem financeira particularmente estreita. Num contexto de pressão sobre as despesas essenciais, a ausência de poupanças pode transformar um choque económico numa dificuldade prolongada.

Em 2024, das cerca de 6,2 milhões de famílias abrangidas pelo imposto, aproximadamente 2,7 milhões, ou 45% do total, não tinham IRS liquidado e, por isso, não pagavam este imposto.

O estudo revela igualmente uma distribuição muito desigual dos rendimentos declarados. Em 2024, um agregado precisava de declarar 49 mil euros anuais (ou 3.500 euros mensais a 14 meses) para integrar os 10% com rendimentos mais elevados. Para chegar ao grupo dos 1% mais ricos, o valor subia para 121 mil euros por ano (ou 8.643 euros por mês), enquanto pertencer aos 0,1% do topo exigia rendimentos declarados próximos de 490 mil euros anuais (ou 35.000 euros por mês).

A progressividade do IRS reflete, em parte, esta desigualdade: os contribuintes com rendimentos mais elevados suportam uma fatia desproporcionada do imposto liquidado. Segundo os dados citados no estudo, 83% dos agregados fiscais representavam menos de 25% da liquidação total de IRS. Em sentido inverso, os agregados com rendimentos brutos anuais superiores a 50 mil euros — apenas 7,6% do total — suportavam 56% do IRS liquidado.

Em 2024, das cerca de 6,2 milhões de famílias abrangidas pelo imposto, aproximadamente 2,7 milhões, ou 45% do total, não tinham IRS liquidado e, por isso, não pagavam este imposto. Os números mostram que uma parcela considerável dos agregados não tem rendimentos tributáveis suficientes para gerar imposto liquidado ou beneficia de mecanismos que afastam essa tributação, como o mínimo de existência que isenta rendimentos até ao valor do salário mínimo nacional, que, em 2026, está nos 920 euros.

Uma progressividade que pode estar sobrestimada

Apesar de o IRS ser um imposto fortemente progressivo, os autores alertam que essa característica pode estar a ser sobrestimada. O problema está, em parte, nos rendimentos de capital, como os juros de depósitos bancários e os dividendos, que estão, por regra, sujeitos a taxas liberatórias e não são incluídos nas declarações de IRS.

Estes rendimentos são normalmente tributados por retenção na fonte, à taxa fixa de 28%, sem necessidade de englobamento. Por não constarem, em regra, das declarações fiscais, ficam parcialmente “invisíveis” nas estatísticas utilizadas para analisar a distribuição dos rendimentos. O resultado é uma imagem incompleta da riqueza existente no topo da distribuição.

A questão é relevante porque a progressividade do imposto é habitualmente avaliada a partir dos rendimentos declarados e da carga fiscal suportada pelos diferentes escalões. Se parte dos rendimentos de capital dos contribuintes mais ricos não aparece nessa fotografia, a diferença entre os rendimentos efetivos dos grupos do topo e dos restantes pode ser maior do que os dados permitem observar. Ao mesmo tempo, a tributação desses rendimentos a taxas fixas impede que sejam necessariamente sujeitos à mesma progressividade aplicada aos rendimentos do trabalho e às pensões.

Isto não significa que os rendimentos de capital escapem à tributação, uma vez que são, em regra, tributados por retenção na fonte. O problema identificado pelos autores do estudo prende-se sobretudo com a sua ausência das declarações e, consequentemente, com a dificuldade de medir a distribuição global dos rendimentos e avaliar com rigor o grau de progressividade do sistema fiscal.

O retrato deixado pelo “Portugal Fiscal” confirma que os rendimentos baixos e a reduzida margem de poupança tornam uma parte significativa das famílias vulnerável a choques económicos e ao aumento do custo de vida.

A comparação internacional incluída no estudo reforça a necessidade de distinguir entre a progressividade formal do IRS e os seus efeitos efetivos. Com base num indicador da OCDE que compara a taxa média de imposto aplicada a um rendimento equivalente a dois terços do salário médio com a taxa aplicada a três vezes o salário médio, Portugal regista um aumento de oito pontos percentuais na carga fiscal de um trabalhador solteiro sem filhos.

O país fica, assim, a meio do ranking da progressividade, longe dos valores mais elevados observados nalgumas economias, como sucede com os Países Baixos, em que “o aumento de rendimento considerado (de 66% para o dobro do rendimento médio) leva a um maior aumento da taxa de imposto, o que significa que o regime fiscal é mais progressivo”.

O retrato deixado pelo “Portugal Fiscal” é, por isso, duplo. Por um lado, confirma que os rendimentos baixos e a reduzida margem de poupança tornam uma parte significativa das famílias vulnerável a choques económicos e ao aumento do custo de vida.

Por outro, mostra que a avaliação da justiça distributiva do IRS não pode ignorar os rendimentos de capital que permanecem fora da declaração fiscal.

Num país onde muitas famílias dispõem de uma almofada pequena para absorver imprevistos, a discussão sobre a tributação do rendimento não se limita às taxas e aos escalões do IRS.

Passa também por compreender quem tem capacidade para poupar, quem consegue resistir a uma perda de rendimento e até que ponto os dados disponíveis permitem medir as desigualdades económicas reais.

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A China acaba de pedir às empresas para irem com calma com a IA

Documento do Governo, com 18 medidas de orientação, antecipa possíveis cenários de desemprego em grande escala. IA já começou a afetar operadores de linhas de montagem, assistentes administrativos e contabilistas. A China pediu cautela às empresas na substituição dos trabalhadores pela inteligência artificial (IA) e propôs medidas para reduzir o impacto da tecnologia no emprego. O governo chinês propõe a introdução gradual da IA em setores que exigem grandes quantidades de mão-de-obra, a notificação prévia dos funcionários afetados e o auxílio na requalificação profissional, de acordo com as orientações do Conselho de Estado (o Executivo chinês) publicadas na sexta-feira. O

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Justiça proíbe deputada de incentivar demissão de opositores

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A Justiça do Trabalho atendeu parcialmente pedido do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) e determinou, em decisão liminar, que a deputada estadual India Armelau se abstenha de promover atos que incentivem empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas. 

A parlamentar em seu segundo mandato pelo Partido Liberal (PL) foi a mais votada para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com mais de 248 mil votos. No primeiro mandato, em 2022, a parlamentar obteve mais de 57 mil votos.

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Em publicação nas redes sociais, a deputada, que conta com cerca de um milhão de seguidores, publicou a mensagem “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o “L”. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”.

Na decisão, o juiz do Trabalho Leonardo Saggese Fonseca destaca que “sendo a ré uma integrante do Parlamento, mas do que qualquer outro cidadão, deve prezar pela liberdade de expressão, desde que respeitosa, deve fomentar a democracia e aceitar as diferentes opções políticas de cidadãos e trabalhadores, sem utilizar de discursos e falas que podem gerar pela sua leitura ou escuta, sentimentos de ódio, perseguição ou discriminação.”

A liminar também determina que a deputada Índia Armelau remova as comunicações e publicações que deram origem à ação civil pública dos locais em que foram divulgadas, especialmente sites, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagens. 

Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 5 mil, a partir do primeiro dia útil seguinte ao término do prazo de 48 horas para cumprimento da determinação.

Defesa

Em nota pública, em suas redes sociais, a deputada estadual Índia Armelau esclarece que jamais teve qualquer preconceito contra quem quer que seja.

“Como empresária, sempre convivi com a diversidade ideológica e defendo que as opções políticas dos trabalhadores sejam integralmente respeitadas. Mas preocupo-me com situações de sabotagem às próprias empresas, quebra da confiança e fidúcia entre empregador e empregado, contrariando missão, valores e objetivos da empresa”, disse.

No texto, a parlamentar esclarece que “o episódio em questão decorre de um equívoco interpretativo: o comentário foi feito a partir de replicagem, oriunda de uma postagem de terceiro de outra rede e não expressa qualquer orientação ou encorajamento sobre contratações ou demissões por parte da deputada por convicção política”.

“Índia Armelau defende relações equilibradas e a pacificação social entre o capital e o trabalho. Ao perceber que foi mal interpretada, deletou imediatamente os stories e postagens neste sentido, para evitar utilização indevida e qualquer tipo de tensionamento social sobre o tema”, explicou a parlamentar.

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Assédio eleitoral: saiba como denunciar crime mesmo após eleições

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Mesmo com o fim das eleições, ainda é possível denunciar casos de assédio eleitoral. Nesta segunda-feira (26), o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Vieira de Mello Filho, afirmou que a Justiça continuará combatendo esse tipo de prática e que todas as denúncias serão julgadas. 

Até o dia 26, o Ministério Público do Trabalho (MPT) já havia recebido 1.937 denúncias de assédio eleitoral. 

O que é o assédio eleitoral

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Assédio eleitoral é quando um chefe ou superiores hierárquicos pressionam o trabalhador a votar ou deixar de votar em um determinado candidato.

Essa conduta ocorre, por exemplo, quando o chefe ameaça demitir o funcionário ou fechar a empresa caso um dos candidatos perca a eleição ou pede ao funcionário para gravar vídeo de apoio político.

Coações sutis, como promessas de vantagens para induzir o voto, também são passíveis de punição. 

A prática é considerada crime eleitoral e pode dar pena de reclusão e multa. As vítimas podem ser trabalhadores celetistas, terceirizados, estagiários e servidores. 

Como denunciar

Quem sofrer assédio eleitoral pode fazer denúncia ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e pelos canais próprios do Ministério Público (MPT) e Ministério Público Eleitoral (MPE).

Outra opção é o site No Meu Voto Mando Eu, que faz parte da campanha da Justiça do Trabalho para combater o assédio eleitoral. 

Casos concretos

Um dos casos mais emblemáticos do segundo turno diz respeito ao empresário Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás.

Ele publicou um vídeo nas redes sociais ofertando viagem para a cidade turística de Caldas Novas (GO), com todas as despesas pagas, para 1 mil apoiadores do então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo seria que eles não fossem votar.

A Justiça do Trabalho acabou concedendo uma liminar para barrar a iniciativa, sob pena de multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado na situação.

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Frente Comum convoca greve para dia 20 de novembro

O coordenador da Frente Comum criticou o Orçamento de Estado e exige que o Governo olhe para as propostas que apresentaram e negoceie. A greve engloba todos os trabalhadores da administração pública.

© CARLOS M. ALMEIDA/LUSA

Sebastião Santana afirma acreditar que a greve não terá muito efeito no desejo de marcação de uma reunião por parte do Governo
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E se as equipas não confiarem em quem lidera a mudança?


Durante muito tempo, a confiança foi encarada como uma consequência natural de uma boa cultura: desejável, mas difícil de gerir. Contudo, num contexto em que reestruturações, novos modelos de trabalho e a integração da IA nas rotinas se sucedem a um ritmo crescente, esta visão deixou de ser suficiente.

Sofia Tavares, Senior Consultant EY, People Consulting

Segundo o Edelman Trust Barometer (2026), a confiança dos colaboradores no seu empregador registou a primeira descida desde 2021, num momento em que a maioria viveu pelo menos uma transformação significativa no trabalho no último ano. A mudança, por si só, não explica esta tendência, já que os colaboradores não se opõem necessariamente a ela. O que faz a diferença é a forma como a experienciam: quando a transformação gera mais incerteza do que clareza, a confiança desgasta-se e, com ela, o compromisso das equipas.

O desafio: confiar na empresa não é confiar na liderança

Os colaboradores distinguem cada vez mais a organização de quem a lidera. É possível acreditar no projeto, na marca e na estratégia e, ainda assim, questionar as decisões de quem gere. Esta distância torna-se visível no quotidiano: nas reuniões gerais em que ninguém coloca questões, nos anúncios que surgem sem contexto ou nas mudanças comunicadas depois de concretizadas.

O desafio assume particular relevância ao nível das chefias diretas, responsáveis por traduzir a estratégia na realidade operacional das equipas. De acordo com a Gallup (2026), cerca de 70% da variação no envolvimento das equipas está associada à atuação da respetiva chefia direta. No entanto, são também estas chefias que absorvem a pressão da gestão de topo e as dúvidas das equipas, muitas vezes sem as ferramentas ou o tempo necessários. Para que a confiança deixe de ser tratada como um tema soft e passe a ser gerida como um ativo de negócio, destacam-se duas dimensões com impacto direto.

1. Medir a confiança com o mesmo rigor da performance

A maioria das organizações avalia o clima uma vez por ano e interpreta os resultados como um indicador genérico, o que dificulta perceber onde e porque é que a confiança está a falhar. As organizações mais avançadas tratam-na como uma métrica de gestão, nomeadamente através de:

  • Diagnósticos segmentados por nível de relação, que permitem identificar se a quebra de confiança ocorre face à organização, à gestão de topo ou à chefia direta, garantindo uma atuação ajustada a cada realidade.
  • Acompanhamento dos momentos críticos, avaliando o impacto antes, durante e após reestruturações, novas políticas ou alterações de modelo.
    Integração de indicadores na agenda da gestão, com metas e responsáveis definidos, ao mesmo nível dos resultados de negócio.

2. Construir confiança na prática, e não apenas no discurso

A confiança não se decreta: constrói-se na coerência entre o que se diz e o que se faz. É neste ponto que as chefias diretas assumem um papel decisivo e onde as organizações tendem a investir menos. Tornar a confiança tangível implica:

  • Comunicar o porquê, e não apenas o quê, antecipando o impacto das decisões nas pessoas antes de serem anunciadas.
  • Capacitar as chefias para liderar em contextos de incerteza, com ferramentas para conversas difíceis, feedback e gestão de expectativas.
  • Assegurar coerência entre valores e práticas, nos critérios de avaliação e progressão, bem como na forma como se decide e se reconhece.

Da confiança assumida à confiança gerida

Num contexto de transformação permanente, a confiança deixa de ser um dado adquirido e passa a ser uma condição para executar a estratégia. As organizações que a medem, gerem e protegem nos momentos de mudança não ganham apenas equipas mais comprometidas, ganham também velocidade, porque as pessoas seguem mais facilmente quem lhes dá razões para confiar. A questão já não é se a confiança importa, mas quanto custa ignorá-la.

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13h. Frente Comum convoca greve para dia 20 de novembro

A decisão foi aprovada hoje, num plenário sindical em frente à AR. Ainda, O livre critica o PR por não ter reagido de forma "imediata" à atuação da polícia durante as manifestações pela habitação.

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