Um suspeito morreu e outro foi detido durante uma operação policial na manhã desta quinta-feira (29) na comunidade da Primavera, em Cavalcanti, na zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Militar, um fuzil e drogas foram apreendidos.
A ação também ocorre na comunidade da Serrinha, onde equipes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) atuam.
De acordo com a PM, policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) realizavam patrulhamento na Primavera quando equipes do serviço de inteligência detiveram um homem e apreenderam o armamento e os entorpecentes. A quantidade de drogas ainda será contabilizada.
Ainda durante o patrulhamento, outro suspeito foi baleado e não resistiu.
A operação tem como objetivo combater um grupo ligado ao TCP (Terceiro Comando Puro) que atua na região, cumprir mandados de prisão e recuperar veículos roubados.
Na Serrinha, a comunidade ficará ocupada por tempo indeterminado, segundo a corporação.
Imagens registradas por moradores mostram um intenso tiroteio no local. Veja abaixo:
A Secretaria Municipal de Educação informou que, no Complexo da Serrinha, quatro unidades escolares foram impactadas. Na comunidade Primavera, em Cavalcanti, as escolas atendem presencialmente.
Bloqueio afetou trânsito e ônibus
Durante a ação, agentes interditaram temporariamente a avenida Edgar Romero, que já teve o fluxo de veículos restabelecido.
O bloqueio policial também afetou o transporte público. Segundo a MOBI-Rio, as linhas de ônibus 42 e 46 circulam com intervalos irregulares no trecho entre Vila Queiroz e Otaviano.
Um relatório da Human Rights Watch aponta falhas no uso de câmeras corporais e na investigação das mortes durante a Megaoperação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona Norte do Rio, em 28 de outubro de 2025. Segundo a organização, nenhum dos 117 mortos que não eram policiais teve a morte registrada pelas câmeras analisadas.
A pesquisa examinou 4,4 mil horas de gravações de 527 policiais, além de laudos de necropsia, documentos oficiais e quase 600 vídeos e fotografias. Os pesquisadores também entrevistaram 41 testemunhas, familiares de vítimas e autoridades.
O relatório identificou 278 ocorrências de obstrução de câmeras envolvendo 132 policiais. Entre os casos, há registros de equipamentos retirados do corpo, lentes cobertas e câmeras deixadas em viaturas. Em 146 ocorrências, a organização encontrou indícios de possível manipulação intencional.
Segundo dados do governo estadual enviados ao STF (Supremo Tribunal Federal), apenas 23% dos cerca de 2,5 mil policiais mobilizados na operação usavam câmeras corporais.
A entidade também apontou falhas na investigação das mortes. De acordo com o levantamento, equipes de perícia não foram enviadas aos locais dos assassinatos, e a Polícia Civil reuniu informações básicas sobre as circunstâncias das mortes de apenas duas das 117 vítimas que não eram policiais.
Mais de 60% dos mortos foram atingidos por quatro ou mais disparos, segundo o relatório. A análise dos laudos de necropsia levantou indícios de uso excessivo da força e de possíveis mortes intencionais. A organização ressalta que eventuais vínculos das vítimas com o tráfico não justificam execuções ou uso ilegal da força.
O documento também relata episódios de agressão a um adolescente de 16 anos, registrados por câmeras corporais, e aponta que a retirada dos corpos sem perícia nos locais prejudicou a coleta de provas.
A imagem a seguir registra um dos episódios que mostram a câmera sendo coberta por um policial durante a operação. Veja abaixo:
Até a elaboração do documento, 19 policiais aguardavam julgamento por acusações como invasão de domicílios, roubo e manipulação de câmeras corporais.
Segundo a Human Rights Watch, nenhum havia sido acusado de uso ilegal da força, e os comandantes responsáveis pelas decisões operacionais não tinham sido responsabilizados.
A CNN Brasil entrou em contato com as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. O espaço segue aberto.
O pastor Márcio Poncio, preso em julho durante uma operação contra crime organizado, voltou a ser alvo da PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (29). Ele é alvo de mandado de busca na nona fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio no Rio de Janeiro.
Além de Poncio, a PF também cumpre mandados de busca contra Bernardo Loyola, sobrinho do bicheiro Adilsinho. Conforme apurado pela CNN Brasil, Loyola é apontado como gerente e sucessor do contraventor.
As buscas incluem salas comerciais ligadas ao pastor, apontadas pela investigação como estruturas operacionais e administrativas do grupo, e um imóvel residencial vinculado a Loyola.
Segundo as apurações, a organização criminosa teria construído uma rede patrimonial composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros.
A investigação ainda levantou a possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para desvinculação formal da titularidade de bens de elevado valor econômico.
Preso em operação contra o crime organizado
Poncio foi preso em julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga várias frentes da ligação entre autoridades e o crime organizado no Rio de Janeiro.
Na mesma operação, também já foram alvos o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), o contraventor Adilsinho e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
De acordo com a PF, os elementos reunidos ao longo das diligências indicaram possíveis conexões entre agentes públicos e integrantes de facções criminosas. Além disso, os investigadores também identificaram indícios de lavagem de dinheiro e possíveis ramificações do esquema nos Poderes Executivo e Legislativo do estado.
Durante as diligências, os policiais apreenderam documentos e registros que associariam autoridades a criminosos, incluindo informações sobre supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro.
A análise do material apreendido, especialmente dos dados extraídos de um celular, contribuiu para identificar novos endereços, empresas e bens investigados na atual fase da operação.
Prisão convertida em domiciliar humanitária
Poucos dias após a prisão, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu prisão domiciliar humanitária aMárcio José Matos Poncio de Souza. A decisão converteu a prisão preventiva em domiciliar, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
A defesa pediu a conversão da prisão com base em laudos médicos que apontam que o pastor enfrenta, desde 2013, um quadro grave de retocolite ulcerativa, doença inflamatória crônica e sem cura.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) também se manifestou favoravelmente ao pedido. Entre os argumentos apresentados, o órgão destacou que as diligências de busca e apreensão já haviam sido realizadas e que as medidas patrimoniais adotadas preservavam a integridade da investigação.
A nona fase da Operação Unha e Carne apura a organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, além do uso de pessoas físicas e jurídicas para dissimular a propriedade de bens e valores.
Segundo a PF, dados extraídos de aparelho celular apreendido de um dos investigados indicaram novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pela organização criminosa na administração, ocultação e movimentação de recursos financeiros.
As apurações apontaram a existência de uma complexa rede patrimonial, com imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado, mas que permaneceriam sob administração de integrantes da organização criminosa.
Além disso, a investigação ainda constatou a utilização recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível e o uso de empresas nacionais e estrangeiras que, segundo a PF, são sediadas em jurisdições de tributação favorecida.
Outro lado
Pastor Márcio Poncio
“Não tivemos acesso à decisão, razão pela qual desconhecemos os fundamentos que ensejaram a medida, a qual, ressalte-se, não atingiu diretamente Marcio Poncio, porquanto ele não figurou como alvo da referida cautelar.”
A CNN Brasil tenta contato com as defesas dos investigados. O espaço segue aberto para manifestações.
A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a nona fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, além do uso de pessoas físicas e jurídicas para dissimular a propriedade de bens e valores. O pastor Márcio Poncio e Bernardo Loyola, sobrinho do bicheiro Adilsinho, são alvos dos mandados de busca.
Ao todo, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Barra da Tijuca, na zona Sudoeste do Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
As buscas são realizadas em salas comerciais do pastor Márcio Poncio, indicadas como estruturas operacionais e administrativas do grupo.
Um imóvel residencial vinculado ao sobrinho do contraventor Adilsinho também é alvo dos mandados. Conforme apurado pela CNN Brasil, Bernardo é apontado como gerente e sucessor do bicheiro e um dos principais operadores identificados na investigação.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.
Esquema de lavagem e rede patrimonial
Deflagrada nesta manhã, a nova fase da operação é resultado da análise de fatos identificados após a deflagração da quinta fase da ação, que teve como alvo o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
As informações levantadas durante a investigação –– sobretudo dos dados extraídos de aparelho celular apreendido de um dos investigados –– indicaram novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pela organização criminosa na administração, ocultação emovimentação de recursos financeiros.
De acordo com a Polícia Federal, as apurações apontaram indícios da existência de uma complexa rede patrimonial composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado, mas que permaneceriam sob administração de integrantes da organização criminosa.
Além disso, os investigadores ainda constataram a utilização recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível e o uso de empresas nacionais e estrangeiras que, segundo a PF, são sediadas em jurisdições de tributação favorecida.
A investigação ainda levantou a possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para desvinculação formal da titularidade de bens de elevado valor econômico.
Segundo os investigadores, os elementos colhidos ao longo das diligências apontaram uma ligação entre políticos e a facção criminosa carioca.
Além de Poncio, também foram alvos o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que foi presidente da Alerj e já está preso, o contraventor Adilsinho e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Poucos dias após a operação, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu prisão domiciliar humanitária ao pastor Márcio José Matos Poncio de Souza.
A decisão converteu a prisão preventiva decretada no fim de junho em prisão domiciliar, acompanhada de um conjunto de medidas cautelares. A defesa do pastor pleitou a prisão domiciliar com base em laudos médicos que atestam que o pastor enfrenta, desde 2013, uma retocolite ulcerativa grave — doença inflamatória, crônica e sem cura.
Ao acatar o pedido,Alexandre de Moraes fundamentou a decisão na “situação de saúde considerada excepcional”, ressaltando que a concessão ocorre “sem afastar a necessidade de preservação da investigação criminal”.
A Polícia Federal deflagrou em 2 de julho a 5ª fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro. A operação apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações policiais para o CV (Comando Vermelho).
A autorização para operação partiu do STF (Supremo Tribunal Federal) e foi determinado o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.
Segundo apurou a CNN Brasil, entre os alvos está o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que foi presidente da Alerj e já está preso, o contraventor Adilsinho, que também é investigado por homicídio e Marco Antônio Cabral, que é filho do ex-governador Sérgio Cabral.
A quinta fase da operação começou depois que os policiais encontraram listas com os contraventores que continham supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade ligada a lavagem de dinheiro. O material chamou atenção por conter repasses diretos a agentes políticos do Rio de Janeiro.
As investigações incluem análise do material apreendido, identificação do fluxo financeiro e identificação de beneficiários, intermediários e operadores do esquema.
O Ministério Público do Paraná deflagrou, nesta quarta-feira (28), a segunda fase da Operação Umbra, que mira um esquema do PCC (Primeiro Comando da Capital) investigado por distribuir drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas em presídios.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no estado de São Paulo.
A Justiça também autorizou buscas pessoais e domiciliares, inclusive nas unidades prisionais onde estão detidos alguns dos investigados. Segundo o órgão, as buscas visam apreender aparelhos celulares, drogas, armas, dinheiro em espécie e documentos relacionados às atividades ilícitas.
A ação desta manhã é coordenada pelo Núcleo Regional de Londrina do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Tráfico de drogas e controle regional
Segundo as investigações, o grupo atuava nos municípios abrangidos pelo código de área telefônico DDD 43, no Norte do Paraná, sobretudo em atividades ligadas ao tráfico de drogas, comércio de armas de fogo e ao controle disciplinar dos membros da organização.
Os investigadores apontaram que a estrutura do PCC regional era comandada por dois irmãos, que ocupavam posições de liderança mas com funções distintas.
Um deles é indicado por exercer a função denominada de “Geral da Região 43”, responsável pela disciplina dos integrantes, pela intermediação de ordens da cúpula da facção, pela autorização ou pelo veto de punições e transferências internas e pela gestão da estrutura regional.
Já o outro irmão ocupava o cargo de “Final 100% do Estado do Paraná”, responsável pela supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas no estado. Segundo o MP, ele também atuaria na coordenação do comércio de drogas a partir da zona Sul de Londrina.
Os demais investigados exerceriam funções específicas na estrutura criminosa, incluindo a contabilidade da organização, a coordenação de pontos de venda de drogas, a gestão do chamado “tribunal do crime” e a negociação de armas de fogo de grosso calibre, inclusive fuzis.
Drogas em troca de assinaturas de projeto de lei
Segundo o Ministério Público, um dos principais pontos identificados durante a investigação foi a organização de uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.
As investigações apontaram que a iniciativa era promovida pelo PCC em Londrina e região com o objetivo de pressionar o sistema prisional. De acordo com a promotoria, mensagens apreendidas ao longo das apurações indicavam a meta de obter 290 mil assinaturas em todo o país.
Para incentivar a participação, a ramificação da facção no Paraná distribuía porções de drogas a pessoas que apresentassem assinaturas coletadas.
Segundo os investigadores, os entorpecentes eram fornecidos pelos responsáveis pelos pontos de tráfico, conhecidos como “donos de quebradas”. A prática, conforme o MP, era chamada internamente de “trabalho de revertimento”.
Além disso, a apreensão de planilhas e registros durante a investigação levaram os investigadores a identificarem a quantidade de drogas disponibilizada por cada ponto de venda e sua correspondência com o número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína equivalia a oito assinaturas.
Atuação nos presídios
Ainda de acordo com as investigações, alguns dos suspeitos de envolvimento no esquema já estavam presos em unidades do sistema penitenciário do Paraná e de São Paulo, mas continuavam exercendo funções na organização criminosa.
Mesmo detidos, as apuração indicam que eles –– supostamente –– repassavam orientações, negociavam armamentos e administravam o fluxo de drogas. Para mascarar a ação e dificultar a identificação da polícia, o grupo utilizava linhas telefônicas registradas em nome de terceiros.
Os suspeitos investigados no âmbito da Operação Umbra poderão responder pelos crimes de favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas.
Alvos já eram investigados por duplo homicídio
Segundo investigação do Gaeco, há indícios de possível participação de dois dos investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná.
O material reunido aponta que o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem que seria integrante de um grupo rival. Na ação, uma criança também foi morta.
O Ministério Público afirmou que um dos investigados apontados nesse contexto teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.
Doca, Pedro Bala, Gardenal, Grandão e BMW. Esses são alguns dos grandes nomes doCV(Comando Vermelho) que seguem foragidos após um ano da Megaoperação que deixou mais de 120 pessoas mortas nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona Norte do Rio de Janeiro.
De acordo com as autoridades, a ação do dia 28 de outubro de 2025 tinha como principal objetivo frear o avanço da facção carioca. No entanto, até hoje, os principais líderes da organização não foram localizados.
Edgar Alves Andrade, também conhecido como “Doca” ou “Urso”, de 55 anos, é o homem apontado como a principal liderança do CV (Comando Vermelho) no Complexo da Penha, na zona Norte, considerad o “QG” da facção.
Fugitivo do sistema carcerário, Doca é investigado por mais de 100 homicídios, entre eles execuções de crianças e desaparecimentos de moradores.
No final de 2023, Doca foi apontado em investigações como o mandante da execução de três médicos e da tentativa de homicídio de uma quarta vítima, na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio. As vítimas participavam de um congresso de medicina e foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras. Um dos mortos foi o irmão da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).
Segundo o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) e o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), há mais de 20 mandados de prisão expedidos em nome de Edgard Andrade.
Pedro Bala
Pedro Paulo Guedes, conhecido pelo apelido de Pedro Bala, é apontado como um dos homens de confiança de Doca e responsável pela parte operacional do grupo conhecido como “Tropa do Urso”. Ele é um dos criminosos mais procurados do estado, com diversas passagens e ao menos nove mandados de prisão expedidos.
De acordo com as autoridades, Pedro Bala seria um dos envolvidos na morte de Gabriela Estefany da Silva Pinto, adolescente de 15 anos. As investigações tiveram início em 18 de maio de 2020, quando Gabriela desapareceu no conjunto de favelas do Complexo da Penha.
A vítima teria saído de uma festa na Comunidade Cinco Bocas e teria sido capturada por traficantes da Comunidade Vila Cruzeiro, após ser deixada por um amigo próximo à estação de trem na Penha Circular, não sendo mais vista desde então.
A jovem seria era ex-namorada do traficante de drogas da Vila Cruzeiro Paulo Henrique de Oliveira Gama Silva, o 2P, que teria descoberto que a adolescente estava em um relacionamento com uma pessoa que seria de uma facção rival.
Por conta do ciúme, o criminoso 2P teria armado uma emboscada e entregue a namorada para um grupo de traficantes do Complexo da Penha. Gabriela teria sido submetida ao tribunal do tráfico e morta por 2P e pelos integrantes da quadrilha de Pedro Bala.
Gardenal
Carlos da Costa Neves, popularmente conhecido pelo vulgo “Gardenal”, é apontado como um dos principais líderes doComando Vermelho.
De acordo com relatórios do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e investigações da Polícia Civil, “Gardenal” atua como gerente-geral do tráfico no Complexo da Penha. Ele seria responsável por coordenar a expansão violenta da facção para áreas da zona Oeste.
Autoridades apontam que “Gardenal” comanda a ações como a aquisição de armamentos pesados, monitoramento por drones e segurança estratégica (“contenção”) das comunidades sob seu domínio.
Em abril de 2026, interceptações telefônicas revelaram que o homem negociava diretamente com chefes de milícias presos, como André Costa Barros (o “André Boto”), para facilitar a entrada do Comando Vermelho em comunidades de Bangu.
“Gardenal” também é investigado por supervisionar atos de violência extrema. Um dos casos é uma sessão de tortura que foi transmitida ao vivo para que ele assistisse.
Grandão ou Síndico
Washington César Braga da Silva, de 35 anos, conhecido no mundo do crime como “Grandão” ou “Síndico da Penha”, é apontado como um dos principais traficantes e gerentes-gerais do CV no Complexo da Penha. Ele seria um dos homens de maior confiança de Doca.
O apelido de “Síndico” é por conta da função de “gestor” da favela. Grandão seria responsável por organizar o dia a dia do crime, incluindo escalas de plantão para traficantes em pontos de venda de drogas e patrulhas, além de gerir pagamentos.
As autoridades afirmam que o homem controla as células armadas que fazem a segurança de Doca e monitoram a entrada de polícia na região.
Relatórios da Polícia Civil indicam que ele usa grupos de WhatsApp para divulgar ordens, normas de conduta para a quadrilha, e até para cobrar pela escolta na casa de Doca. Além disso, atua como intermediário, filtrando quem pode ou não falar diretamente com “Urso”.
BMW
A denúncia considerada como ponto de partida para a megaoperação no Rio de Janeiroapontou a existência de um grupo de matadores chamado de “Equipe Sombra”.
Os integrantes seriam liderados por Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, conhecido no mundo do crime como “BMW”. Ele é tido como homem de confiança de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”.
A denúncia diz que o grupo liderado por “BMW” usa armas de fogo de grosso calibre e atua com violência extrema contra os rivais. Ele também aparece no documento como alguém que exerce a função de “treinador de soldados do tráfico”.
Segundo o ativista Raull Santiago, que estava no local, cerca de 50 corpos foram retirados por moradores da região de mata do Complexo da Penha durante a madrugada do dia seguinte à megaoperação.
1 de 17
Corpos enfileirados em rua do Rio de Janeiro após operação policial mais letal da história da cidade • REUTERS/Ricardo Moraes
2 de 17
A Operação Contenção foi uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (28) • Arquivo pessoal: Bruno Itan
3 de 17
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SESP) e o Governo do Estado, o objetivo principal era combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) • CNN
4 de 17
A Operação Contenção se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro • CNN
5 de 17
O saldo final incluiu 60 suspeitos de crimes e 4 policiais mortos (dois policiais civis e dois policiais militares do Bope) • CNN
6 de 17
Além das fatalidades, 81 pessoas foram presas incluindo Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, que é apontado como o operador financeiro do CV no Complexo da Penha e braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo "Doca" ou "Urso" • CNN
7 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
8 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
9 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
10 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
11 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
12 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
13 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
14 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO
15 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO
16 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO
17 de 17
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO
Além das mortes e do “cenário de guerra”, a megaoperação gerou caos na cidade, com escolas municipais e estaduais fechadas, unidades de saúde suspendendo o funcionamento inicial e linhas de ônibus tendo seus itinerários desviados.
Um ano após a megaoperação
A Operação Contenção completa um ano nesta quarta-feira. Considerada a mais letal da história do país, a ação é alvo de uma investigação do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), que busca esclarecer as circunstâncias das 122 mortes registradas durante os confrontos nos complexos do Alemão e da Penha.
Um levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que 425 munições apreendidas com suspeitos de serem membros do CV durante a megaoperação foram fabricadas em 2025, ou seja, no mesmo ano da megaoperação. O número corresponde a 46,8% dos 909 cartuchos de fabricação nacional entre as 1.073 munições originais analisadas.
O dado exclusivo obtido pela reportagem da CNN Brasil indica a possibilidade de um desvio recente das munições que chegaram às mãos da facção criminosa. Ao todo, 84,7% do material analisado era de origem nacional. A data de fabricação, isoladamente, não permite determinar quando ou como os cartuchos foram desviados, mas dimensiona a presença de munições produzidas no ano da ação policial.
No total, foram apreendidas 120 armas de fogo, segundo a recontagem oficial da Polícia Civil. O arsenal, que conta com materiais desviados das Forças Armadas, incluía 93 fuzis, cerca de 25 a 26 pistolas e um revólver, além de artefatos explosivos, como granadas, carregadores e munições. A recontagem elevou o valor estimado do material apreendido para mais de R$ 12 milhões.
Até o momento, o GAESP (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública ) do MPRJ apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência.
Em paralelo, o órgão conduz um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) para apurar as mortes ocorridas durante a operação. Segundo o coordenador do GAESP, promotor de Justiça Fabio Corrêa, a investigação inclui depoimentos de policiais envolvidos na ação e de familiares das vítimas, além da análise de mais de quatro mil horas de imagens de câmeras operacionais portáteis e de laudos periciais médico-legais.
O objetivo é esclarecer as circunstâncias de cada morte e eventuais responsabilidades individuais, incluindo os casos de agentes de segurança pública mortos durante os confrontos.
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quarta-feira (28), uma operação contra um grupo suspeito de arrecadar quase R$ 10 milhões com falsas campanhas de doação na internet. Para atrair doadores, os alvos usavam vídeos criados com inteligência artificial que reproduziam imagens de Gusttavo Lima e dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
A ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais. Até o momento, cinco investigados foram presos.
Segundo a polícia, dois suspeitos foram localizados em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e outro em Joinville (SC).
A operação também resultou na apreensão de veículos de luxo e na identificação de ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o equivalente a R$ 2,14 milhões, conforme a cotação desta quarta-feira.
Uso de deepfakes para atrair doadores
Segundo a Polícia Civil, o grupo criava e divulgava páginas falsas de arrecadação de doações, utilizando imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para gerar comoção e induzir as vítimas a realizar transferências financeiras.
Para ampliar o alcance das campanhas e atrair mais pessoas, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo as chamadas ‘deepfakes’, para criar vídeos falsos com imagens de personalidades públicas, como Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
Os conteúdos também incluíam representações religiosas, entre elas imagens de Jesus Cristo, de acordo com as investigações.
As publicações circulavam nas redes sociais e direcionavam os usuários a páginas que simulavam campanhas beneficentes legítimas. Os valores arrecadados, porém, eram transferidos para contas bancárias controladas pelo grupo.
Mais de 215 mil transações em 45 dias
As apurações mostraram que, entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada à organização recebeu 215.575 transações, que totalizaram mais de R$ 9.8 milhões.
Segundo a polícia, os pagamentos eram, majoritariamente, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50. O padrão aplicado pelo grupo sugere um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país, ainda que a soma de transações não corresponda necessariamente ao número de pessoas afetadas.
Ainda de acordo com as investigações, o grupo mantinha uma estrutura criminosa organizada com divisão de tarefas. Os investigados trabalhavam no desenvolvimento tecnológico das fraudes, na administração de redes sociais, na formalização de empresas e na movimentação e dispersão dos recursos financeiros.
Fraudes eletrônicas
A análise de contas eletrônicas também revelou mais de 230 GB de arquivos, incluindo vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e materiais destinados à produção de novas campanhas fraudulentas. Segundo a polícia, em uma única conta, os investigadores encontraram mais de 210 GB de conteúdo.
No Distrito Federal, cruzamentos de informações identificaram 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a fraudes eletrônicas. Entre os casos mencionados pela investigação estão golpes de falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.
Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que venham a ser identificados no decorrer da apuração.
A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quarta-feira (28), uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do Seguro Defeso a pescadores artesanais no Maranhão. Segundo as investigações, o esquema poderia causar um prejuízo de R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.
A ação, que conta com o apoio da CGU (Controladoria-Geral da União), mobiliza cerca de 160 policiais federais e cumpre 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses.
Durante a operação, dois agentes públicos foram afastados cautelarmente por suspeita de envolvimento no esquema.
A Justiça também determinou 17 medidas cautelares diversas da prisão, com o objetivo de interromper a atuação do grupo e preservar a instrução processual.
Além disso, foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 400 milhões em bens e valores dos investigados, para garantir o eventual ressarcimento dos danos aos cofres públicos e impedir a ocultação ou a dissipação de patrimônio supostamente proveniente das atividades criminosas.
Fraude em concessão de seguro
Segundo a PF, o esquema consistia em fraudes envolvendo a concessão indevida do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais durante o período em que a atividade pesqueira é legalmente interrompida.
As investigações apontaram que o grupo praticava as fraudes mediante a inserção de informações falsas em sistemas governamentais, utilização de documentos fraudulentos e possível participação de agentes públicos e particulares.
Provas e análises realizadas até o momento indicaram que a atuação da organização criminosa poderia causar um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistema informatizado da Administração Pública, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Durante o cumprimento das buscas, os agentes apreenderam veículos de alto valor, armas, documentos e telefones celulares.
Veja imagens da ação:
1 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
2 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
3 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
4 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
5 de 5
Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA
A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem com a análise do material apreendido e o aprofundamento das diligências, para identificar outros envolvidos, impedir a extensão da atuação criminosa e definir com precisão os prejuízos causados ao erário.
Um levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que 425 munições apreendidas com suspeitos de serem membros do CV (Comando Vermelho) durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que completa um ano nesta quarta-feira (28), foram fabricadas em 2025, ou seja, no mesmo ano da megaoperação. O número corresponde a 46,8% dos 909 cartuchos de fabricação nacional entre as 1.073 munições originais analisadas.
O dado exclusivo obtido pela reportagem da CNN Brasil indica a possibilidade de um desvio recente das munições que chegaram às mãos da facção criminosa. Ao todo, 84,7% do material analisado era de origem nacional. A data de fabricação, isoladamente, não permite determinar quando ou como os cartuchos foram desviados, mas dimensiona a presença de munições produzidas no ano da ação policial.
No total, foram apreendidas 120 armas de fogo, segundo a recontagem oficial da Polícia Civil. O arsenal, que conta com materiais desviados das Forças Armadas, incluía 93 fuzis, cerca de 25 a 26 pistolas e um revólver, além de artefatos explosivos, como granadas, carregadores e munições. A recontagem elevou o valor estimado do material apreendido para mais de R$ 12 milhões.
A Operação Contenção completa um ano nesta quarta-feira. Considerada a mais letal da história do estado, a ação é alvo de uma investigação do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), que busca esclarecer as circunstâncias das 122 mortes registradas durante os confrontos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio.
MPRJ já denunciou 28 policiais
Até o momento, o GAESP (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública ) do MPRJ apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência.
Em paralelo, o órgão conduz um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) para apurar as mortes ocorridas durante a operação. Segundo o coordenador do GAESP, promotor de Justiça Fabio Corrêa, a investigação inclui depoimentos de policiais envolvidos na ação e de familiares das vítimas, além da análise de mais de quatro mil horas de imagens de câmeras operacionais portáteis e de laudos periciais médico-legais.
O objetivo é esclarecer as circunstâncias de cada morte e eventuais responsabilidades individuais, incluindo os casos de agentes de segurança pública mortos durante os confrontos.
Human Rights Watch aponta obstáculos
Na terça-feira (27), representantes da organização internacional HRW (Human Rights Watch) se reuniram com integrantes do MPRJ para apresentar um relatório com conclusões sobre a operação. O documento será analisado pela equipe responsável pela investigação.
Durante o encontro, o diretor da HRW no Brasil, César Muñoz, reconheceu o esforço do Ministério Público para esclarecer as mortes, mas destacou obstáculos relacionados ao uso das câmeras corporais pelos agentes de segurança.
A investigação do GAESP também identificou falhas recorrentes nos equipamentos, como ausência de câmeras, baterias descarregadas e problemas na distribuição dos dispositivos. Em março de 2026, diante das irregularidades, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, expediu recomendações às secretarias estaduais de Polícia Militar, Polícia Civil e Segurança Pública para aprimorar o uso dos equipamentos. Segundo o MPRJ, algumas medidas já começaram a ser implementadas.
O Ministério Público afirma que a apuração segue as determinações do STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito da ADPF 635, que trata de medidas relacionadas à segurança pública no Rio de Janeiro.
O órgão também relata dificuldades para acessar imediatamente os locais dos confrontos, por questões de segurança, e informa que parte dos agentes envolvidos não portava câmeras operacionais portáteis. A análise do conjunto de provas deverá contribuir para esclarecer as circunstâncias da operação que completa um ano.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado deflagraram, nesta quarta-feira (28), a Operação Dominus, contra uma organização criminosa ligada ao CV (Comando Vermelho) suspeita de controlar a venda de gás de cozinha em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas.
A investigação identificou um esquema de monopólio da comercialização do produto, com extorsão de comerciantes e cobranças periódicas conhecidas como “metas do gás”. Segundo a apuração, o grupo utilizava o domínio territorial da facção para restringir a livre concorrência e arrecadar recursos para financiar as atividades criminosas.
A operação prevê o cumprimento de nove mandados de prisão e 44 de busca e apreensão, além do bloqueio de mais de R$ 350 milhões em ativos financeiros e do sequestro de bens vinculados aos investigados.
Coordenada pela DDSD (Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPRJ, a ação conta com o apoio de outras unidades especializadas da Polícia Civil.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, comerciantes eram obrigados a comprar gás de fornecedores vinculados à organização criminosa ou a realizar pagamentos periódicos ao grupo, sob ameaça de retaliações.
As cobranças, chamadas de “metas do gás”, funcionavam como um mecanismo sistemático de arrecadação de dinheiro. A apuração apontou que o esquema contava com uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre operadores comerciais, responsáveis pela logística de distribuição, arrecadadores e integrantes ligados ao controle territorial exercido pelo Comando Vermelho.
Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava a intimidação armada para impedir a atuação de concorrentes e manter a comercialização de gás subordinada aos interesses da organização.
A investigação também identificou indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de alguns dos envolvidos, além do uso de estruturas empresariais que, segundo a apuração, estariam relacionadas à manutenção do esquema.
Investigação identificou vínculos com lideranças do tráfico
As apurações apontaram que o principal investigado mantinha relações de proximidade e confiança com lideranças do Comando Vermelho, além de prestar apoio logístico a integrantes da cúpula da facção.
Segundo a investigação, ele atuava na locação de imóveis para Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças em liberdade do grupo criminoso. A apuração também identificou uma suposta contribuição para a fuga do traficante do Complexo do Alemão durante a operação policial Contenção, realizada em dezembro de 2024.
O investigado também teria vínculos com um homem conhecido como Zeus, apontado como liderança do tráfico na comunidade da Muzema. Conforme a Polícia Civil, ele frequentava o Complexo do Alemão e mantinha interlocução com chefes da facção.
Os elementos reunidos pelos investigadores indicam que o suspeito teria atuado como intermediário entre a estrutura empresarial utilizada no esquema de comercialização de gás e as lideranças responsáveis pelo controle armado dos territórios.
Empresas de fachada e ocultação de patrimônio
A investigação identificou indícios do uso de empresas de fachada e de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para movimentar recursos e ocultar patrimônio supostamente relacionado às atividades criminosas.
Segundo a apuração, empresas formalmente registradas em nome de terceiros, especialmente nos setores de distribuição de gás e construção civil, seriam utilizadas para dificultar a identificação dos responsáveis pelo controle dos negócios e dos bens.
A análise de dados financeiros, cadastrais e telemáticos também apontou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada de pessoas envolvidas no esquema.
Operação ocorre em municípios do RJ
Os mandados são cumpridos em diferentes regiões do estado, com maior concentração em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. As diligências também abrangem os municípios de Itaboraí, Duque de Caxias e Niterói, além da capital fluminense, com ações previstas nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e da Taquara.
Entre os alvos estão residências de investigados e estabelecimentos comerciais, especialmente distribuidoras e revendedoras de gás apontadas como integrantes ou vinculadas à estrutura investigada.
O bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de bens têm como objetivo impedir a movimentação de recursos potencialmente relacionados às atividades criminosas e atingir o patrimônio que sustentaria a organização.
A investigação foi conduzida no âmbito de um inquérito policial instaurado para apurar suspeitas de organização criminosa e extorsão relacionadas à exploração econômica da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP).
Segundo a Polícia Civil, as apurações continuam para identificar outros ativos vinculados aos investigados e esclarecer a participação dos suspeitos no esquema. O balanço das prisões, buscas e apreensões realizadas será divulgado após a consolidação dos resultados da operação.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa do citado Edgard Alves de Andrade. O espaço segue aberto.
Seis pessoas já foram presas nesta quarta-feira (28) durante uma operação da Polícia Civil contra uma rede suspeita de escravizar sexualmente adolescentes no Rio de Janeiro. Batizada de NXIVM, a ação tem como alvo um grupo investigado por produzir vídeos de violência sexual contra menores e usar as imagens para ameaçar e chantagear as vítimas.
Os agentes buscam cumprir mandados de prisão e 18 medidas de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo e Maricá.
A investigação começou em julho, após a prisão de um assessor parlamentar suspeito de estuprar uma adolescente de 16 anos em Icaraí, na zona Sul de Niterói. Na ocasião, policiais da 74ª DP (Alcântara) apreenderam notebooks e celulares na casa do investigado. A análise dos aparelhos e de imagens de câmeras de segurança levou os agentes a identificar outros suspeitos e aprofundar a apuração sobre o esquema.
Segundo a Polícia Civil, os integrantes do grupo se autodenominavam “senhores” e chamavam as vítimas de “escravas”. A rede é investigada pela produção de vídeos de exploração sexual, incluindo registros de estupros coletivos e tortura.
De acordo com os investigadores, as imagens eram usadas para ameaçar as adolescentes com a divulgação do material e forçá-las a permanecer sob o controle dos suspeitos. O esquema também envolveria agressões físicas e psicológicas para submeter as vítimas a novos abusos.
A denúncia que deu origem ao caso foi feita pela própria adolescente, que procurou a delegacia acompanhada dos pais. Com a operação desta quarta-feira, a polícia busca reunir novas provas, esclarecer a participação dos investigados e identificar outras possíveis vítimas.
A ação conta com o apoio de unidades do 4ºDPA (Departamento de Polícia de Área) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar.
Poucos dias depois do 20º aniversário da sua cotação em bolsa (que este ano não comemorou, não sei porquê), a Galp anunciou que os seus resultados líquidos na base de valorização das reservas ao custo de reposição, atingiram 1,494 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, e que terminou as negociações com os accionistas da Moeve para a fusão das operações de refinação e de distribuição de combustíveis.
Vale a pena reflectir sobre o que estes três eventos nos dizem sobre a empresa.
Há 20 anos a Galp era uma empresa centrada em Portugal, onde operava duas refinarias de petróleo e tinha uma quota de mercado superior a 30% no retalho de combustíveis, e de mais de 60% no gás natural. Operava também em Espanha, com uma quota de mercado nos combustíveis de cerca de 6%, e tentava entrar na distribuição de gás natural. Controlava cerca de 120 postos de abastecimento em vários dos PALOP. Dava os primeiros passos no sector da energia eólica. Produzia em Angola aproximadamente 9.000 baris de petróleo por dia, e tinha acabado de iniciar as actividades de perfuração no Brasil. A participação da pesquisa e produção na formação do seu EBITDA era de 3,7%.
E a primeira cotação da sua acção foi 5,81 euros.
A Galp actual é bem diferente. Encerrou a refinaria de Matosinhos, que se tinha tornado deficitária. Perdeu quota de mercado na distribuição de combustíveis, face à concorrência das marcas brancas e dos hipermercados. Vendeu a participação nas redes de distribuição de gás natural, e concentrou-se na comercialização. Cresceu algo nos segmentos das energias renováveis e distribuição de electricidade. Mas foi na pesquisa e produção que verdadeiramente cresceu: com uma produção de 130.000 barris por dia no Brasil, este segmento representa actualmente 65% do EBITDA.
É a evolução no “upstream” e a valorização da produção no Brasil que leva a empresa a apresentar hoje resultados record, não a distribuição de combustíveis. Em Portugal, a Galp continua importadora de petróleo, e tem de pagar o produto ao preço de mercado. E produz combustíveis, que coloca no mercado a um preço que reflete as cotações internacionais – se não fosse assim, a refinaria de Sines venderia para exportação, não para o mercado nacional. Este ano beneficia do efeito causado pela guerra no Médio Oriente, que provoca uma redução de até 20% nas quantidades de petróleo e combustíveis, e determina o aumento de preços por via da pressão da procura – e é por isso que defendo que não vale a pena perder tempo a imaginar formas de tributar estes “lucros excessivos”, que não o são.
Recentemente tinha iniciado um processo de negociações para a fusão dos segmentos de downstream com a Moeve, visando a criação de uma empresa com dimensão relevante na Europa, deixando de fora o segmento “upstream”, verdadeira “jóia da coroa”. Era um projecto interessante, embora a sua concretização fosse difícil e tivesse levantado críticas e receios de perda de capacidade de decisão nacional sobre a refinação – o que me parece não ter fundamento porque o que pesa nestas matérias é o juízo de rentabilidade, não o nacionalismo económico. O fim do projecto terá resultado de não ser possível conseguir consenso relativamente a temas estratégicos e comerciais. A reacção do mercado foi imediata: o projecto era entendido como interessante, e o seu abandono ditou uma quebra de cerca de 10% na cotação das acções da Galp, mesmo após o anúncio dos resultados.
E a acção Galp está cotada a 20.93 euros no dia em que escrevo este artigo.
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (27), mandados de busca e apreensão em Pernambuco e São Paulo para investigar suspeitas de irregularidades em investimentos do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque (São Roque Prev), no interior paulista.
A Operação Entressafras apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional na gestão de cerca de R$ 100 milhões entre 2022 e 2024.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados nos dois estados. Segundo a PF, as aplicações investigadas incluem R$ 80 milhões em Letras Financeiras e R$ 20 milhões em um Fundo de Investimento Imobiliário.
O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 121 milhões, valor bloqueado em desfavor dos investigados, de acordo com a corporação.
A investigação apura se os investimentos foram realizados sem fundamentação técnica adequada e sem a observância de critérios necessários para avaliar os riscos das operações.
Segundo a PF, os pareceres utilizados seriam genéricos e não considerariam, entre outros fatores, processos administrativos sancionadores, comparações com ativos disponíveis no mercado e a diversificação da carteira.
A corporação também aponta suspeitas de que o processo decisório tenha sido direcionado, com a escolha dos emissores dos títulos supostamente anterior à avaliação dos riscos.
Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, peculato financeiro, crimes contra a Administração Pública e lavagem de dinheiro, entre outros delitos.
O caso ocorre em meio às apurações sobre investimentos do São Roque Prev no Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. O instituto aplicou mais de R$ 93 milhões em títulos do banco.
Em julho deste ano, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de São Roque concluiu, em relatório final, que houve irregularidades nas aplicações e encaminhou o caso ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
No último dia 19 de outubro, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) julgou irregulares as contas de 2024 do instituto e condenou o ex-diretor-presidente Vanderlei Massarioli a ressarcir R$ 93,15 milhões aos cofres do São Roque Prev.
A decisão, divulgada pelo g1, está relacionada a investimentos realizados pelo regime próprio de previdência municipal, incluindo aplicações em Letras Financeiras do Banco Master.
O tribunal determinou ainda que o instituto apure a eventual responsabilidade de outras pessoas pelo prejuízo.
O São Roque Prev informou que cumprirá a decisão e confirmou que ainda não recuperou os valores investidos no Banco Master. A autarquia afirmou que o processo de apuração de responsabilidades está em análise jurídica.
O instituto também declarou ter adotado medidas para aprimorar o controle dos investimentos, incluindo análises mais detalhadas de novas aplicações e capacitações para gestores e conselheiros. As perdas relacionadas ao Banco Master foram incluídas nas projeções previdenciárias.
Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo
O Ministério Público de Goiás deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma operação para investigar crimes contra a dignidade sexual supostamente praticados pelo ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia. As buscas ocorreram em endereços ligados ao investigado na capital, incluindo a sede da comunidade espírita.
A Justiça também autorizou o afastamento do sigilo de dados telemáticos e determinou medidas cautelares diversas da prisão. Entre elas, estão o comparecimento mensal em juízo e a proibição de acessar ou frequentar a sede da entidade, além de participar de atividades e eventos promovidos pela comunidade em outros endereços.
Segundo o Ministério Público, o investigado teria se aproveitado da fé das mulheres assistidas pela instituição e de sua posição de autoridade espiritual para submetê-las a condutas que configuram crimes contra a dignidade sexual.
Abuso da liderança e violação sexual
A investigação teve início após uma notícia-crime apresentada por uma integrante do centro religioso. De acordo com Ministério Público, o homem usava da liderança religiosa para submeter fiéis a crimes contra a dignidade sexual, como violação sexual mediante fraude.
Segundo as apurações, há indícios de que o ex-presidente tenha divulgado, sem consentimento, fotografias e vídeos íntimos de uma das vítimas.
De acordo com o órgão, os elementos reunidos na investigação também apontam que outras mulheres podem ter sido vítimas de condutas semelhantes no mesmo contexto institucional.
Exploração da vulnerabilidade social das vítimas
As provas reunidas até o momento indicam que o investigado teria explorado a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da comunidade.
Segundo a investigação, ele teria usado a distribuição de cestas básicas como contrapartida para obter material de conteúdo sexual.
Em julho deste ano, uma assembleia geral extraordinária destituiu o investigado da presidência da comunidade. Desde então, conforme a promotoria, a sede está temporariamente fechada e sob nova administração.
O Ministério Público ainda recebeu informações de que o ex-líder estaria desenvolvendo atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de um novo centro espírita.
A possibilidade de retomada dessas atividades aumentou a preocupação de que ele volte a usar a posição de liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade.
A operação é conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio da 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, do Centro de Apoio Operacional Criminal, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do Navita (Núcleo de Apoio às Vítimas).
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Paraná cumpriu 17 mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (26), no âmbito da Operação Samaritano, contra um esquema de desvio de recursos que deveriam ser destinados a entidades de assistência social e de lavagem de dinheiro. O prejuízo estimado é de R$ 36,9 milhões.
As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Criminal de Londrina, no Norte Central do Paraná. As buscas foram realizadas em Londrina, Ibiporã e Maringá, no Paraná, além da capital paulista e de Itupeva, no interior de São Paulo.
As investigações começaram em 2021 e apuram possíveis irregularidades envolvendo uma distribuidora de títulos de capitalização sediada em Londrina e empresas ligadas a ela. Segundo o Ministério Público, a distribuidora teria retido parte dos valores que, conforme a regulamentação da Superintendência de Seguros Privados (Susep), deveriam ser repassados às entidades beneficiárias.
Entre as possíveis vítimas estão a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), a Irmandade Santa Casa de Londrina e o Hospital do Câncer de Londrina.
Entenda o esquema investigado
Os títulos de capitalização na modalidade filantrópica permitem que os compradores participem de sorteios e cedam a uma entidade beneficente o direito ao resgate dos valores.
Até 2019, os títulos eram comercializados em campanhas em favor da Fenapaes. A distribuidora concentrava a arrecadação e prestava contas à entidade das despesas descontadas diretamente dos valores arrecadados.
De acordo com a investigação, essas despesas teriam sido infladas artificialmente por meio de notas fiscais sem lastro, duplicadas ou referentes a serviços prestados a outras empresas ligadas aos investigados. Parte dos documentos teria sido emitida por empresas de fachada abertas em nome de funcionários e distribuidores, com o objetivo de aumentar ilicitamente os lucros da distribuidora.
A partir de 2020, mudanças na regulamentação determinaram que a sociedade de capitalização passasse a depositar os valores de resgate diretamente na conta da entidade beneficente, sem a intermediação de outras empresas.
Diante da alteração, os investigadores apuram indícios de que o esquema teria sido adaptado para favorecer a distribuidora em prejuízo das entidades. A suspeita é de que isso tenha ocorrido por meio de contratos de promoção de vendas que, em tese, não atenderiam aos requisitos legais, incluindo a fiscalização adequada pela sociedade de capitalização.
Documentos entregues pelo próprio hospital indicam que a prática teria continuado por meio de empresas sucessoras, sob uma nova marca, pelo menos até 2024.
As buscas realizadas nesta segunda-feira têm como objetivo reunir provas sobre o funcionamento dos contratos e esclarecer o destino dos valores transferidos à distribuidora, que, segundo a investigação, deveriam beneficiar exclusivamente as entidades filantrópicas.
O Ministério Público do Paraná ressalta que a venda de títulos de capitalização na modalidade filantrópica é uma atividade lícita, regulamentada pela Susep, e que as entidades beneficentes são consideradas vítimas dos supostos crimes.
As investigações continuam. O processo tramita em segredo de Justiça.
A CNN Brasil entrou em contato com as vítimas e aguarda resposta. O espaço segue aberto.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a terceira fase da Operação Ouro Reverso, que mira desarticular o Núcleo 3 de uma organização criminosa responsável por transformar o faturamento de itens roubados, sobretudo alianças, em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a venda de joias.
As equipes cumprem 31 mandados de busca e apreensão e a Justiça bloqueou bens e ativos no valor de mais de R$ 374 milhões.
A operação, coordenada pela DIG (Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas) e realizada pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), já interditou um comércio de joias e apreendeu um imóvel. De acordo com a corporação, a quadrilha utilizou “laranjas” e diversos destinatários para circular ativos.
As apurações sobre o caso começaram em 2024, após o jogador de futebol Neymar ganhar um colar avaliado em R$ 2 milhões do influenciador “Buzeira”, investigado e condenado por integrar uma organização criminosa em outro caso.
A ação ocorre com o apoio da Receita Estadual e da Receita Municipal e da Caixa Econômica Federal.
Fases da operação
A primeira fase aconteceu em maio de 2025, quando os policiais localizaram o Núcleo 1, batizado de Obtenção (O Sangue), responsável diretamente pelos roubos violentos das joias e pela receptação desses materiais.
Na ocasião, Rony Gonçalves, apontado como um dos maiores negociadores de ouro roubado de São Paulo, foi preso. Segundo as investigações, ele integrava um esquema comandado por Suedna Barbosa Carneiro, a “Mainha do Ouro”, suspeita de chefiar o suporte financeiro e operacional para as quadrilhas que realizavam os assaltos.
Já a segunda fase ocorreu em agosto deste ano, e focou em acabar com as lojas e os laboratórios onde eram vendidas e criadas joias por meio materiais roubados, identificado como Núcleo 2 e batizado de A Fachada.
À época, foi localizado uma área no Centro de São Paulo onde eram exercidas essas atividades, chamada “Círculo do Fogo“. A fundição de novas peças e a respectiva venda ocorria nessa fase, inclusive com a aderência de empresas de fachada para a circulação desses itens advindos de ação criminosa. A polícia chegou a apreender R$ 1,6 milhão em joias e R$ 35 milhões em bens e ativos.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, nesta segunda-feira (26), uma operação para investigar um grupo suspeito de aplicar fraudes financeiras usando o nome e a identidade visual de uma instituição bancária para atrair vítimas. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos bairros de Irajá, na Zona Norte, e Campo Grande, na Zona Oeste da capital.
A ação teve como objetivo apreender materiais que ajudem a esclarecer o funcionamento do esquema, identificar outros envolvidos e localizar novas vítimas.
De acordo com as investigações, o grupoutilizava estabelecimentos comerciais com a identidade visual do banco para transmitir credibilidade e atrair clientes, principalmente idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Sob o pretexto de oferecer serviços bancários, os suspeitos convenciam as vítimas a entregar seus celulares e permitir o acesso a informações pessoais e bancárias. Com os dados obtidos, o grupo realizava empréstimos e transferências via PIX sem autorização das vítimas.
Até a publicação da reportagem, a polícia não divulgou o balanço das operações.
Ainda segundo a apuração, os envolvidos atuavam de forma organizada: enquanto alguns atraíam as vítimas, outros utilizavam contas bancárias em nome de terceiros para movimentar os valores obtidos.
As investigações também apontaram que o grupo atuava na Zona Oeste do Rio, indicando que o esquema pode ter sido aplicado em diferentes pontos da capital.
O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, recebeu na passada quarta-feira, nos Paços do Concelho, a cônsul-geral da Guiné-Bissau, a embaixadora Josefina Kosta, numa visita de cortesia que teve como principal objetivo fortalecer as relações bilaterais e o estreitamento dos laços existentes entre o Município e este país africano.
A comitiva diplomática contou ainda com a presença do terceiro secretário da representação consular, Elizé Semedo Monteiro, e de Fernando Carvalho, professor e músico guineense residente no concelho de Loulé há décadas e com um longo percurso de ligação à comunidade radicada no Algarve
Durante o encontro, foram abordados os principais marcos da cooperação entre Loulé e a Guiné-Bissau, com especial destaque para a geminação com a cidade guineense de Bissorã, celebrada em março de 2001, e que foi “reativada” em 2024. Um dos reflexos deste intercâmbio cultural (e afetivo) é a existência de um bairro em Bissorã batizado com o nome de “Loulé”.
De referir que um dos pontos altos da agenda desta cooperação é o apoio contínuo à formação académica de jovens guineenses. Atualmente, destaca-se o percurso de José Sadjo, estudante natural de Bissorã que frequenta a licenciatura em Ciências Biomédicas na Universidade do Algarve. O percurso do jovem, financiado ao abrigo do protocolo assinado com a Autarquia louletana, teve início no ano letivo 2025/2026, somando desde então um excelente aproveitamento académico.
O encontro de trabalho serviu também para analisar os termos do protocolo que define as áreas prioritárias de cooperação mútua, as quais incluem a formação no domínio das ciências científico-pedagógicas e da saúde – como ciências biomédicas, enfermagem, fisioterapia e nutrição -, a assessoria técnica à Câmara Municipal de Bissorã e o desenvolvimento de estudos de apoio àquela região.
Com esta receção, o Município de Loulé e o Consulado-Geral da Guiné-Bissau reafirmam o compromisso comum de revitalizar e dar continuidade aos projetos de solidariedade, cultura, educação e capacitação técnica que unem os dois territórios.
Uma operação integrada mobiliza 250 policiais em Anápolis, nesta quarta-feira (21/10), para intensificar o combate ao crime organizado, localizar foragidos da Justiça e ampliar a segurança pública. A Vis Civitatis reúne equipes especializadas das polícias Militar e Civil, além da Polícia Penal, com apoio aéreo.
A mobilização prevê quatro dias de ações, com reforço do policiamento ostensivo, operações de enfrentamento à criminalidade e cumprimento de medidas contra foragidos. Participam equipes do Batalhão de Choque, do BOPE, do Grupo Tático 3 (GT3) e de outras unidades especializadas. Durante o lançamento, o governador Daniel Vilela afirmou que o Estado deve manter o controle do território e impedir a atuação de facções criminosas. A operação está prevista para terminar no sábado (24/10), com suspensão no domingo (25/10) em razão da legislação eleitoral.
O lançamento ocorre após reduções nos indicadores criminais de Goiás entre 2018 e 2025. Segundo dados apresentados pelo governo estadual, os roubos de carga caíram 97%, os roubos de veículos recuaram 95% e os homicídios dolosos tiveram redução de 62%. Outra frente de atuação é o programa IA Contra o Crime, que utiliza inteligência artificial para integrar bases de dados, monitorar ocorrências em tempo real e identificar placas de veículos. A ferramenta busca ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança.
A Polícia Federal apreendeu cofres com joias, sacolas de dinheiro e outros bens durante a Operação Backbone, deflagrada no Rio de Janeiro. A investigação apura um esquema ligado ao Comando Vermelho (CV), que, segundo a PF, impunha o monopólio do fornecimento de internet em comunidades por meio de ameaças e armas de fogo.
Imagens divulgadas pela corporação mostram sacolas cheias de dinheiro encontradas na casa de um investigado em Tomás Coelho, na Zona Norte do Rio. Em outro endereço, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, os policiais apreenderam dinheiro em espécie, duas pistolas, joias, relógios de alto luxo, um veículo, celulares e documentos.
Entre os alvos da operação estão o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP e pai do rapper Oruam, a esposa dele, Márcia Gama, e o filho, Lucas Santos Nepomuceno. Um investigado apontado como beneficiário de uma das empresas provedoras de internet ligadas ao esquema foi preso preventivamente. Até o momento, a PF não divulgou o valor total dos bens e do dinheiro apreendidos.