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Entre o Mistério e a Provocação: Visita ao Museu Banksy em Lisboa

Créditos: MDC Media Group

Lisboa é uma cidade onde a arte urbana ganha vida a cada esquina, mas há um espaço no coração da capital onde o graffiti, a crítica política e o humor britânico encontram-se de forma única: o Museu Banksy. Ao visitarmos esta exposição imersiva, somos convidados a mergulhar no universo de um dos artistas mais enigmáticos e influentes dos nossos dias. No espírito da célebre máxima atribuída ao próprio artista “Os direitos de autor são para falhados”, a exposição apresenta-se de forma aberta e orgulhosamente “100% não autorizada”, tendo sido organizada sem o envolvimento direto do criador. Ainda assim, ao longo de mais de 100 reproduções, instalações de vídeo, murais e projeções, a experiência proporciona um olhar profundo sobre a mente e as causas que movem o lendário artista de rua. 

Uma das primeiras perguntas que surgem durante a visita é inevitável: afinal, sabe-se quem é Banksy? A resposta continua a ser simples… não. O mistério que envolve a sua identidade real é parte integrante do seu mito. Enquanto alguns visitantes gostariam de desvendar a pessoa por detrás da assinatura, muitos preferem que a sua identidade permaneça oculta, preservando a aura de mistério que envolve cada nova intervenção. O que a história documenta é que Banksy começou a deixar a sua marca nas paredes de Bristol, no Reino Unido, por volta de 1993 ou 1994. Entre 1996 e 1997, integrou uma crew de graffiti e viajou até à região de Chiapas, no México, onde pintou em contexto social associado ao movimento zapatista. Esse contacto inicial moldou o seu compromisso artístico com as causas sociais e políticas. Ao longo dos anos, o seu trabalho expandiu-se da Grã-Bretanha para França, Itália, Estados Unidos e Médio Oriente. Além dos murais clandestinos, Banksy realizou intervenções em espaços públicos, criou esculturas e chegou a ser nomeado para um Óscar pelo documentário Exit Through the Gift Shop. Ao percorrer as salas do museu em Lisboa, fica evidente que a arte de Banksy funciona como uma cebola: cheia de camadas de significado que exigem tempo e reflexão para serem descascadas. A figura infantil é recorrente. As crianças surgem como símbolos interligados de esperança, imaginação e da ideia de que o futuro pertence às novas gerações. Exemplo disso é a emblemática obra Rapariga com Balão (2002). A imagem da menina que deixa fugir, ou tenta alcançar, um balão em forma de coração tornou-se um ícone universal sobre a fragilidade e a persistência dos afetos humanos. 

Créditos: MDC Media Group

O estilo de Banksy é frequentemente comparado ao humor ácido dos Monty Python. Na obra Valentine’s Day Mascara (2023), o artista aborda o tema severo da violência doméstica: uma dona de casa dos anos 50, com um olho negro e um dente partido, sorri satisfeita enquanto “esconde” o seu agressor dentro de um frigorífico real abandonado no lixo. 

O sorriso reflete a libertação de uma relação abusiva, desconstruindo a imagem romantizada da vida doméstica. A ironia estende-se ao próprio sistema das belas-artes e ao consumismo. Em Art Buff, Banksy brinca com o termo usado no graffiti para a remoção de pinturas, desenhando uma mulher a contemplar um pedestal cuja estátua foi apagada. Já em Show Me the Monet, o artista recria o famoso lago de lírios de Claude Monet, mas acrescenta-lhe dois carrinhos de compras e um cone de trânsito a flutuar na água, denunciando o impacto do consumo desenfreado no meio ambiente. Banksy é também um opositor das guerras e do autoritarismo. Num dos murais criados na Ucrânia, A Luta de Judo, uma criança pequena projeta ao chão um homem adulto praticante da modalidade, numa alusão direta a Vladimir Putin. A figura infantil volta a surgir como a força capaz de derrubar regimes opressores. Outro ponto alto da sua intervenção política foi a fundação do The Walled Off Hotel, na Palestina, junto ao muro que separa a Cisjordânia de Israel. 

Créditos: MDC Media Group

Anunciado ironicamente como o hotel com “a pior vista do mundo”, o espaço acolhe obras como o mural da Guerra de Almofadas, onde um soldado e um civil lutam com almofadas em vez de armas, ridicularizando a violência militar. A visita ao Museu Banksy em Lisboa termina, inevitavelmente, com uma piscadela de olho à famosa expressão Exit Through the Gift Shop (Saída pela Loja de Souvenirs). Mesmo na despedida, o espírito do artista lembra-nos de questionar a mercantilização da própria arte. Sair desta exposição é passar a olhar para as paredes da cidade com outros olhos. Mais do que uma galeria de imagens provocatórias, o museu oferece uma experiência imersiva que nos desafia a pensar sobre o poder do graffiti como voz de resistência e transformação social.

Paulo Perdiz/MS

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Alheira com Grelos e Ovos no Forno

Créditos: MDC Media Group

Ingredientes

  • 2 alheiras
  • 1 molho de grelos cozidos, picados
  • 2 ovos
  • 2 dentes de alho picados
  • Azeite
  • Sal e pimenta-preta q.b.

Modo de preparação

Pique grosseiramente os grelos cozidos. Aqueça um fio de azeite numa frigideira e salteie o alho picado até começar a libertar aroma. Junte os grelos picados e salteie durante cerca de 5 minutos. Tempere com sal e pimenta a gosto.

Não deixe o alho queimar. Deve ficar apenas ligeiramente dourado. Coloque os grelos salteados no fundo de uma assadeira, espalhando-os uniformemente. Coloque as alheiras sobre os grelos e pique cada uma várias vezes com um garfo. Picar as alheiras ajuda a evitar que rebentem durante a cozedura.

Leve ao forno pré-aquecido a 180°C durante aproximadamente 15 minutos. Numa frigideira à parte, estrele os ovos, deixando as gemas macias e cremosas. Retire as alheiras do forno e coloque um ovo estrelado por cima de cada uma.

Deixe repousar durante alguns minutos e sirva de imediato, acompanhado de pão rústico, se desejar. Um fio de azeite virgem extra antes de servir realça ainda mais os sabores.

Bom apetite!

Rosa Bandeira/MS

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EllisDon nomeada empreiteiro geral para a gigafábrica de St. Thomas; conclusão prevê-se agora para 2029

CBC

A PowerCo Canada nomeou a EllisDon Corporation como empreiteira geral (general contractor) para a sua gigafábrica de $7 mil milhões em St. Thomas, assinalando um marco fundamental à medida que o projeto avança para a sua próxima fase de construção.

O projeto passa agora para as fases de infraestrutura central e estrutural que vão suportar a futura produção.

Os trabalhos incluem a estrutura exterior do edifício de produção (building shell), instalações mecânicas, elétricas e de canalização, sistemas de energia e utilidades, e serviços de apoio ao local. Cerca de 60 trabalhadores da EllisDon encontram-se atualmente no terreno, prevendo-se que o número aumente para cerca de 1.300 trabalhadores no pico da obra, a par de pessoal adicional a apoiar atividades paralelas do projeto, refere o comunicado.

Com 1,5 milhões de pés quadrados (cerca de 140.000 metros quadrados), a fábrica terá o tamanho de 210 campos de futebol apenas no edifício fabril. Todo o parque industrial abrange 1.500 acres, o equivalente a uma área de 850 campos de futebol.

“A instalação da PowerCo representa um investimento transformador no futuro industrial do Canadá, e a EllisDon orgulha-se de desempenhar um papel na sua concretização”, disse Max Mantha, presidente da área de construção da EllisDon, em comunicado. “Como empresa com sede no Canadá e detida pelos próprios funcionários, estamos empenhados em construir a infraestrutura que ajudará a apoiar o crescente setor de fabrico de veículos elétricos e baterias do Canadá. Este projeto criará oportunidades para trabalhadores qualificados, empresas locais e comunidades em todo o sudoeste de Ontário, e estamos ansiosos por trabalhar com a PowerCo e os nossos parceiros neste empreendimento emblemático.”

A primeira pedra do projeto foi lançada em 2025, com a Magil Construction Canada a liderar a construção das fundações de três edifícios principais e o Steelcon Group of Companies a fabricar e a montar os componentes de aço estrutural. A PowerCo declarou que está também a alinhar o calendário do projeto e a estratégia de produto “com a evolução da procura de mercado, os avanços tecnológicos e a estratégia a longo prazo do Grupo Volkswagen”. Espera-se agora que as instalações de St. Thomas iniciem operações em 2029. A PowerCo tinha indicado anteriormente que a produção inicial de baterias estava prevista para 2027. “A gigafábrica de St. Thomas continua a ser uma peça fundamental da nossa estratégia para a América do Norte”, afirmou Joel Karlsberg, diretor de compras da PowerCo Canada. “Continuamos a construir agora, enquanto determinamos como e quando a instalação aumentará de escala ao longo do tempo. Trata-se de acertar o ritmo — e não de dar um passo atrás — para proteger o nosso investimento a longo prazo, apoiar os empregos regionais e posicionar o Canadá, Ontário e St. Thomas para beneficiar num mercado dinâmico e em evolução.”

DCN/MS

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Centro Comercial Bayview Village entra numa nova era após profunda remodelação

CBC

O Bayview Village está a entrar numa nova era com a conclusão da sua profunda remodelação interior, projetada por Antonio Tadrissi, mais de 60 anos após a sua abertura inicial como um centro comercial ao ar livre.

A sua transformação será integrada num empreendimento de uso misto liderado pelo QuadReal Property Group. A remodelação inclui azulejos de mármore artesanal dispostos em padrão espinha de peixe (chevron), pormenores em latão e cobre, assentos infinity feitos à medida e tetos em estuque veneziano aplicados à colher de pedreiro, explica um comunicado.

Destaca-se também um novo lustre “Big Bang” que ancora a Praça Central (Centre Court), enquanto a escultura de dois andares “Lady Flamingo” se ergue como uma instalação artística dentro do Bayview Village. Várias figueiras-lira (Ficus) de interior estão integradas em todo o novo design.

Localizado no cruzamento da Bayview Avenue com a Sheppard Avenue, o centro alberga mais de 90 lojas de luxo, restaurantes, boutiques e conceitos de bem-estar.

A conclusão da remodelação interior do Bayview Village marca um marco na reinterpretação do plano diretor global de 22 acres, que introduzirá novas ofertas residenciais, comerciais e de espaço público, acrescenta o comunicado.

Concebido como duas vilas distintas, mas interligadas, o empreendimento desenrolar-se-á por fases, estando atualmente em curso a construção da North Village, a primeira fase da reurbanização.

Uma alameda comercial ao ar livre tornar-se-á a espinha dorsal social do distrito, ligando três novos edifícios residenciais ao centro comercial remodelado e a um parque público de 40.000 pés quadrados (cerca de 3.700 metros quadrados) na sua extremidade.

Uma fase futura ao longo da Sheppard Avenue, a South Village, introduzirá um novo distrito focado nos peões.

Quando concluído, o plano diretor adicionará mais de um milhão de pés quadrados de espaço residencial e mais de 100.000 pés quadrados de nova área comercial.

DCN/MS

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Automobilismo Noah Monteiro vence duas corridas em Jerez e fica a quatro pontos da liderança

JN

O português Noah Monteiro venceu as duas corridas do Campeonato Espanhol de Fórmula 4 disputadas em Jerez de la Frontera, em Espanha, ficando a quatro pontos da liderança da competição.

O filho do antigo piloto de Fórmula 1 Tiago Monteiro conquistou a pole position para ambas as provas, na quinta ronda do campeonato, e assinou ainda a volta mais rápida da segunda corrida.

Na primeira prova, Noah Monteiro liderou todas as voltas e alcançou a sua primeira vitória na época regular, antes de repetir o triunfo numa segunda corrida marcada pelas temperaturas elevadas, com o asfalto a ultrapassar os 50 graus.

Depois de controlar o andamento na corrida inaugural, o português voltou a gerir o desgaste dos pneus na segunda prova, conseguindo a volta mais rápida na fase final.

“Era fundamental arrancar bem e colocar alguma pressão nos principais adversários e foi exatamente isso que consegui fazer. A partir daí, ganhei algum espaço e geri o andamento para não permitir qualquer ataque”, explicou, sobre a primeira vitória do dia. “Trabalhámos muito no último mês e é um orgulho poder conquistar estes resultados, ouvir o hino de Portugal a tocar por duas vezes e agradecer o apoio de todos a partir do lugar mais alto do pódio”, salientou.

JN/MS

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Vasco Vilaça comenta atitude de adversário: “Foi o maior anti-fair play que já vi”

Matthew Hauser bateu Vasco Vilaça, campeão mundial de triatlo, na chegada à meta. (Salvador Sas/EFE)

O campeão do mundo de triatlo de Elites, Vasco Vilaça, lamentou a forma “muito feia” como Matthew Hauser o venceu na superfinal de Pontevedra, com um sprint que não deseja ver repetido na modalidade.

“Digo sem medo nenhum que achei muito feio o modo como o australiano acabou a prova. Deveria haver regras contra isto. Sem dúvida que há regras de fair play e isto foi o maior anti-fair play que já vi”, criticou, em declarações à Lusa.

Com o título garantido, uma vez que lhe bastava terminar até quinto, Vasco Vilaça e o australiano, campeão em 2025, disputaram mais um sprint para vencer a superfinal que encerrou a época, com Hauser a mudar de trajetória quando vê o luso a avançar, bloqueando a hipótese de ultrapassagem.

“Ele já me ganhou muitos sprints e respeitei-o quando foi melhor do que eu. Quando estava a passá-lo, a forma como ele se atira para cima de mim, bloqueia e puxa-me para o lado… cheguei ao ponto que tive que começar a lutar contra ele, senão nem conseguia entrar na meta. Foi muito feio…”, recordou.

Vasco Vilaça terminou a época com 5.006,25 pontos, superando o australiano por 260,49, num pódio que contou com o jovem português Ricardo Batista, a 934,80 pontos.

Ainda assim, Vilaça não escondeu alguma frustração: “Sinto que me roubou o primeiro lugar, mas, pior, é que foi muito feio e não foi justo. A parte bonita do desporto é sermos realmente justos e respeitarmo-nos uns aos outros, quem é mais forte do que nós e trabalhar para sermos melhores. Joguei justo toda a época. Custou-me muito no momento, estive ali um minuto depois da prova muito chateado com isso, mas não quis estragar o meu momento de celebração do título mundial por uma coisa feia que outra pessoa fez”.

O português de 26 anos não quer alterar o resultado da prova, mas entende que “provavelmente deveria ser feito algum tipo de protesto”, para evitar que situações análogas manchem novamente a verdade desportiva.

Vasco Vilaça garantiu a Portugal o primeiro título mundial de Elites masculino, juntando-se a Vanessa Fernandes, que o tinha conseguido no feminino, em 2007: Ricardo Batista completou o pódio mundial, que coloca o país como uma das nações mais competitivas do triatlo internacional. 

JN/MS

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Liga das Nações: Portugal reage ao furacão Ronaldo com grande vitória na Dinamarca

 

JN

Portugal somou, na quinta-feira (1), a terceira vitória em outros tantos jogos do Grupo A4 da Liga nas Nações, ao vencer na Dinamarca por 2-4, um dia depois de Cristiano Ronaldo abandonar o estágio.

Em Copenhaga, Portugal entrou forte e colocou-se em vantagem logo aos 13 minutos, através de João Cancelo.

Num jogo virado para o ataque, as oportunidades foram surgindo perto das duas balizas e foi Damsgaard a fazer o marcador mexer pela segunda vez, restabelecendo a igualdade, aos 23 minutos.

O 1-1 não durou quase nada e Gonçalo Ramos voltou a colocar Portugal na frente segundos depois, fixando o resultado ao intervalo.

Portugal voltou mais apático do balneário e pagou por isso quase de imediato, com Hojlund a fazer o 2-2, aos 53 minutos.

A toada do encontro prometia mais golos e eles apareceram, lançando as quinas em definitivo para a vitória.

Aos 67 minutos, Vitinha estreou-se a marcar pela seleção A e fez o 2-3, cabendo a João Félix fixar o resultado e confirmar o triunfo luso aos 87 minutos.

O selecionador de Portugal, Jorge Jesus, elogiou a exibição da equipa das quinas “As vitórias são dos jogadores por tudo, pelo que jogam e porque acreditam no que o treinador tem de plano. A equipa está melhor jogo após jogo, está a crescer, e isso é meio caminho andado para que as vitórias apareçam. Esta seleção tem muita qualidade”, destacou Jorge Jesus.

Questionado sobre os últimos dias e sobre a resposta do grupo após o abandono de Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus foi taxativo. “Não há nada para o grupo não estar comigo. Percebo a pergunta, mas o importante é o que temos a fazer. As coisas que aconteceram não separaram o grupo, não nos separou e não nos vai separar”, vincou. 

JN/MS

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Abandono de Ronaldo é “terramoto” económico e pode custar patrocínios

Portugal national team player, Cristiano Ronaldo, on the bench during their UEFA Nations League soccer match with Norway at Ullevaal Stadium, Oslo, Norway, 27 September 2026. PAULO NOVAIS/LUSA

O abandono do estágio da seleção nacional por Cristiano Ronaldo é um “terramoto” económico, que ameaça provocar o cancelamento de patrocínios e “minguar” a marca da Federação Portuguesa de Futebol, alertou o especialista em marcas Carlos Coelho.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da consultora de branding Ivity Brand Corp considerou que a crise aberta com a saída do capitão de equipa representa uma “perda de valor imensa”, que nenhum resultado desportivo conseguirá estancar, criticando a “cegueira de autoridade” com que o principal ativo do futebol nacional foi gerido.

“A marca da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) mingua muito, portanto, tem-se um retrocesso muito significativo com este acontecimento inesperado e muito mal gerido do ponto de vista do valor ou da perda de valor que isso significa”, afirmou Carlos Coelho, sublinhando que a desvalorização do produto FPF é inevitável quando se perde um dos ativos de maior notoriedade mundial.

O especialista explicou que o impacto não coloca em causa a continuidade nem o futuro desportivo da equipa das ‘quinas’, mas afeta diretamente a vertente económica e comercial do futebol.

“Não é um terramoto no sentido em que desmorona a seleção, não vai deixar de existir, vai continuar, vai jogar e, se Deus quiser, vai ganhar. Não é isso que está em causa, o que está em causa é uma desvalorização de uma marca. De um momento para o outro perde um dos seus ativos”, salientou, acrescentando que “há centenas de milhões de pessoas no mundo que veem Portugal jogar apenas por causa de Cristiano Ronaldo, não querem saber se ganha ou perde”.

Para o consultor, o afastamento do futebolista do grupo de trabalho atinge o coração financeiro da FPF numa altura em que “o futebol deixou de ser desporto para ser uma indústria bilionária”, cuja sustentabilidade depende da capacidade de ampliar audiências.

“Ponham-se no lugar de um patrocinador que assinou contrato na perspetiva de associar a sua marca a estes ativos. Têm mais do que motivo para dizer que os pressupostos mudaram e exigir reuniões, até ao limite de cancelarem contratos. O interesse dos portugueses pela seleção pode subir, mas o desinteresse do mundo vai aumentar”, advertiu.

Sublinhando o paralelo com uma deslocação do Al Nassr à China – em que a ausência do internacional português fez descer a assistência no estádio de 55 mil para cinco mil espetadores -, Carlos Coelho sustentou que o alcance internacional da equipa das ‘quinas’ sofre um “retrocesso muito significativo”.

“Prova de falta de autoridade”

O especialista criticou a forma como o processo foi conduzido, alinhando com posições como as do ex-treinador Alex Ferguson, para quem a desvalorização do jogador constitui “uma destruição de valor” evitável.

“O maior ativo de sempre do futebol português devia ser tratado com respeito e cuidado. Se tem 41 anos, não pode ser gerido, nem desportivamente, nem comunicacionalmente, como um jovem de 17. O que aconteceu foi uma prova de falta de autoridade”, sustentou, em referência ao selecionador Jorge Jesus.

Carlos Coelho defendeu ainda que eventuais bons resultados desportivos não serão suficientes para travar o impacto no mercado internacional, sendo urgente desenhar uma nova abordagem institucional para o atleta.

“Isto não se resolve com bons resultados, porque o resultado só interessa aos portugueses. A única forma de mitigar o efeito é encontrar um lugar para Cristiano Ronaldo na estrutura da seleção – que não precisa de ser no relvado, mas onde o banco não é de certeza” -, através de uma solução diplomática que dignifique o papel que desempenhou ao longo de 20 anos ao serviço do país, sustentou.

Marca Ronaldo “não perde”

Em sentido inverso, o especialista antevê que a marca pessoal do jogador vai sair blindada, beneficiando do próprio impacto mediático do caso.

“A marca Ronaldo não perde. Teve até um ‘boost’ [impulso], abriu os telejornais do mundo e fez manchetes globais. A grande polémica é de consumo interno. Ronaldo continua a ser um embaixador informal com mais alcance diplomático e económico do que qualquer campanha do país”, rematou.

A tomada de posição junta-se aos avisos do diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), Daniel Sá, que, em declarações à Lusa, descreveu o capitão como “a maior marca que Portugal já teve”, exortando a FPF a encontrar uma estratégia de transição para mitigar a perda de visibilidade global.

Cristiano Ronaldo abandonou na quarta-feira (30) o estágio da seleção nacional na véspera do embate contra a Dinamarca, para a Liga das Nações, encerrando de forma conturbada uma ligação de 23 anos à equipa das ‘quinas’ e arriscando sanções disciplinares.

JN/MS

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Ronaldo: “Sentiu-se traído”: amigo de Ronaldo revela promessa de Jorge Jesus antes da saída da seleção

Portugal’s forward #07 Cristiano Ronaldo waves to fans as he arrives for a training session at Parken stadium in Copenhagen, Denmark, on September 30, 2026, on the eve of their Nations League Group A4 match against Denmark. Portugal captain Cristiano Ronaldo announced that he had left the team’s training camp in Denmark following a press conference by coach Jorge Jesus. (Photo by Liselotte Sabroe / Ritzau Scanpix / AFP) / Denmark OUT

Edu Aguirre, jornalista espanhol e amigo próximo de Cristiano Ronaldo, conta que o selecionador nacional pediu desculpa ao avançado em privado e prometeu repetir o gesto publicamente. Horas depois, Jorge Jesus assumiu perante os jornalistas que é ele quem decide a utilização dos jogadores, e o futebolista sentiu-se traído.

Cristiano Ronaldo terá ficado revoltado com Jorge Jesus depois de uma promessa que, segundo Edu Aguirre, o selecionador lhe fez numa conversa privada. 

De acordo com Aguirre, a conversa aconteceu na noite de terça-feira (29), numa reunião que juntou ainda Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O treinador terá admitido que não tinha gerido bem a situação e assegurado que faria um pedido de desculpa também diante dos jornalistas.

A versão apresentada por Aguirre é que, no dia seguinte, o discurso público do selecionador acabou por ser diferente do que tinha transmitido ao avançado. Essa mudança terá sido entendida por Ronaldo como uma quebra da palavra dada.

A saída do estágio

As declarações de Aguirre surgem depois de Ronaldo ter abandonado o estágio da seleção, em Copenhaga. O avançado não participou no treino e deixou a concentração após uma conversa com Pedro Proença, seguindo depois para Madrid.

A decisão foi anunciada pelo próprio nas redes sociais. “Após a conferência de imprensa do selecionador nacional, e no seguimento de uma conversa com o presidente da FPF, tomei a decisão de deixar o estágio da seleção nacional”, escreveu.

O capitão português não revelou, por enquanto, todos os motivos que estiveram na origem da saída, mas deixou uma promessa: “A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional, à qual sempre me dediquei.”

A FPF confirmou entretanto a saída do jogador da concentração, numa altura em que Portugal se prepara para os próximos compromissos internacionais.

JN/MS

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Mulher condenada à morte sobreviveu a duas doses letais: continuou a respirar e a emitir sons

JN

O governador do estado do Tennessee (EUA), Bill Lee, anunciou uma suspensão temporária das execuções previstas para 2026, depois de Christa Pike, condenada à morte, ter sobrevivido, esta quarta-feira, a duas doses letais durante a sua execução.

O governador solicitou uma investigação “exaustiva” sobre a execução falhada de Pike e suspendeu as restantes execuções que estavam previstas para este ano no estado.

De acordo com o Centro de Informação sobre a Pena de Morte, estava prevista no Tennessee a execução de Gary Wayne Sutton no próximo dia 3 de dezembro.

Christa Pike sobreviveu a duas doses letais de pentobarbital durante a sua execução e encontra-se a receber tratamento médico, sem que advogados tenham conhecimento do seu estado de saúde.

Pike passou quase três décadas no corredor da morte no Tennessee, após ter sido condenada à morte em 1996 por homicídio, e iria tornar-se a primeira mulher executada neste estado em 200 anos.

O Supremo Tribunal levantou uma suspensão da execução decretada horas antes por um tribunal federal de recurso, abrindo novamente caminho para que o estado aplique a pena capital.

Testemunhas puderam ouvir a respiração de Pike durante quase uma hora após ter recebido as injeções, antes de serem obrigadas a abandonar o local, num episódio para o qual, segundo os próprios jornalistas presentes, o protocolo do Tennessee não parece estabelecer o que deve ser feito.

As testemunhas, entre as quais jornalistas de vários meios de comunicação norte-americanos, descreveram um procedimento muito mais prolongado do que o previsto.

Pike permaneceu acordada, falou e cantou com o guia espiritual, após o início da administração do fármaco e, após a primeira dose, continuou a mover-se e a respirar de forma audível.

A jornalista Catherine Sweeney, da emissora WPLN, explicou que o protocolo do Tennessee prevê uma primeira administração de pentobarbital e, se necessário, uma segunda dose.

As testemunhas indicaram que, após esses dois momentos, Pike continuou a respirar e a emitir sons, incluindo roncos fortes, além de realizar movimentos com a cabeça e o pescoço.

JN/MS

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