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Flávio Bolsonaro visita o pai em Brasília na véspera de debate com Lula na TV Globo

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) esteve com o pai, Jair Bolsonaro, na manhã desta quinta-feira (22), em Brasília. O senador, que disputa a Presidência da República, chegou pouco antes das 8h ao condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.

O encontro durou aproximadamente uma hora. Flávio deixou o local sem falar com jornalistas e não comentou o motivo da visita.

A reunião ocorreu um dia antes do debate entre o candidato do PL e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. O confronto televisivo está previsto para três dias antes do segundo turno.

Esta é a terceira vez que pai e filho se encontram desde o fim da restrição de 90 dias às visitas a Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Condenação de Jair Bolsonaro e compromissos de Flávio

O ex-presidente foi condenado pelo STF, em 2025, a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde agosto do ano passado, ele está preso e cumpre prisão domiciliar no Distrito Federal.

A agenda oficial de Flávio Bolsonaro indica que ele permanece em Brasília nesta manhã, sem compromissos públicos previstos. Para a noite, o senador tem uma transmissão ao vivo marcada para as 19h.

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Flávio condiciona abertura de sigilos a dados de Marcola, e Lula aceita exigência

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) impôs uma condição para divulgar seus dados pessoais e financeiros: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deverá autorizar o acesso às informações de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-assessor petista. A exigência foi apresentada nesta quarta-feira (21/10), e a campanha de Lula anunciou que aceitará a proposta.

O senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz do presidente, afirmou que Lula não apresenta resistência às exigências do adversário, desde que Flávio cumpra o compromisso de abrir seus próprios registros. A manifestação será protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22/10), às 11h. Camilo desafiou o candidato do PL a apresentar a autorização no mesmo horário.

Durante compromisso em Belo Horizonte, o presidente reagiu às condições impostas pelo adversário e utilizou uma comparação com o jogo de cartas. “Eu pedi para o Flávio abrir o sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentira e trucou 6. Eu vou meter o 9 na cara dele amanhã”, declarou.

Segundo a Polícia Federal (PF), Marcola recebeu recursos da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante tentativas de negociação de contratos com o governo federal que não se concretizaram. Os envolvidos afirmam que os valores corresponderam a empréstimos pessoais.

Na petição encaminhada ao TSE, a defesa de Flávio afirmou que o candidato aceita disponibilizar informações dos últimos 20 anos, inclusive de familiares e empresas vinculadas a seu nome. Também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em troca, o senador exigiu acesso a registros de auxiliares que utilizaram aparelhos à disposição do presidente, empresas relacionadas aos filhos de Lula, dados do Instituto Lula e despesas do cartão corporativo. A lista também inclui entradas de Roberta Luchsinger nos palácios presidenciais e compromissos da primeira-dama, Janja.

Camilo Santana questionou a ausência da Alcazar Holding entre os dados oferecidos por Flávio. Segundo a PF, o parlamentar possuía acesso operacional relevante, na condição de usuário master, a uma conta bancária da empresa, da qual o advogado Willer Tomaz é sócio. A exclusão desse acesso foi solicitada em maio de 2025. Os envolvidos negam o compartilhamento de conta.

Lula apresentou a proposta inicial durante o debate da Band, no domingo (18/10), e a formalizou na Justiça Eleitoral na terça-feira (20/10). O presidente ofereceu acesso aos próprios dados e aos de familiares e empresas, desde que o adversário adotasse medida equivalente. O processo ficou sob relatoria do ministro André Mendonça.

O candidato do PL participou de um evento de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Diante de apoiadores, imitou a voz do presidente, questionou a existência de seu telefone celular e fez acusações contra Lulinha, sem apresentar provas no trecho do discurso relatado.

Flávio e aliados também atacaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. Parlamentares do PL defenderam a possibilidade de impeachment de integrantes da Corte na próxima legislatura. O presidenciável acusou Lula de depender de Moraes para vencer a eleição e prometeu indicar ministros contrários às drogas e ao aborto.

O senador afirmou que ministros do Supremo desejam autorizar o aborto, em referência à ação apresentada pelo PSOL em 2017, que discute a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação. A declaração expressa a interpretação política do candidato sobre um processo ainda sem conclusão.

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