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A exigência de respeitabilidade na procura de casa | Por José Figueiredo Santos

Poderia não ser a habitação o tema em causa, porque o procedimento parece ser sempre o mesmo: cair nos lugares-comuns de sempre. Primeiro, estigmatiza-se; depois, ridiculariza-se; por fim, tenta-se convencer a opinião pública de que o problema não está nas rendas incomportáveis, mas na aparência de quem protesta. É uma técnica antiga, eficaz e que, pelos vistos, continua a contar com muitos adeptos.

Vimo-lo nas acampadas do Porto e de Lisboa. Milhares de pessoas reclamaram o direito a uma habitação a preços acessíveis, mas as redes sociais e alguns comentadores televisivos descobriram um tema bem mais importante: os piercings, as roupas, a orientação sexual e os hábitos dos manifestantes. Afinal, para quê discutir essa questão comezinha dos salários, das rendas ou das políticas públicas, quando se pode fazer uma inspeção estética à pobreza?

Aparentemente, quem tem tatuagens não paga impostos; quem se veste de forma diferente não trabalha; quem protesta de madrugada está, por definição, desempregado. E quem não corresponde ao modelo de cidadão respeitável – de fato e gravata, com uma indignação devidamente autorizada – perde automaticamente o direito a reclamar. Eis a nova meritocracia: antes de avaliar os argumentos, tecem-se considerações sobre o penteado.

Talvez se justifique criar uma comissão de avaliação estética dos candidatos à habitação, com provas de vestuário, penteado e bons costumes. A atribuição da casa dependeria da respeitabilidade visual, e a assinatura do contrato ficaria condicionada à apresentação de uma declaração formal de normalidade. Afinal, se a casa é um direito, convém garantir que só chega às mãos de quem não perturbe a vista dos vizinhos. Poderia até instituir-se um concurso público, com júri, entrevista e prova oral: cada candidato teria de demonstrar que sabe trabalhar, pagar impostos, vestir-se com discrição e, sobretudo, não protestar contra as condições que o impedem de pagar uma casa. A aprovação dependeria, naturalmente, da disponibilidade financeira do candidato  –  esse pormenor sem importância que costuma escapar aos regulamentos.

Alguns deputados chegaram mesmo a defender que a PSP devia ter batido mais nos manifestantes — ou seja, que devia ter havido mais porrada, como se diz por cá. Com aquele aspeto, concluíram, certamente não trabalhavam — ou não queriam trabalhar, o que, para efeitos de preconceito, dá no mesmo. É uma demonstração notável de raciocínio: a aparência substitui as provas, o preconceito faz de testemunha e a violência surge como solução para um problema que ninguém se deu ao trabalho de compreender. É uma pedagogia peculiar: em vez de explicar aos cidadãos como se resolvem os problemas, ensina-se-lhes que reclamar pode sair caro. Aparentemente, a força policial pode resolver o incómodo de uma manifestação; já o valor das rendas, esse, não parece impressionar-se com fardas nem bastões.

Também não faltou o habitual desconforto perante a presença de manifestantes brasileiros. Como se falar português com sotaque brasileiro fosse coisa de telenovela e anulasse direitos, cidadania ou dignidade. Afinal, parece que a língua oficial é o português, mas o direito à habitação exige pronúncia, origem e aparência devidamente certificadas. Aos estrangeiros, recomenda-se que regressem à sua terra; aos portugueses que não agradem, talvez se possa exigir que regressem à normalidade. É curioso: o trabalho dos imigrantes é frequentemente bem-vindo, mas a sua presença a reclamar direitos parece já constituir uma extravagância. Para trabalhar, integrar-se e contribuir, são necessários; para protestar, convém que sejam invisíveis.

É a falácia ad hominem em todo o seu esplendor: quando faltam argumentos, atacam-se as pessoas. E, quando os argumentos continuam a faltar, repetem-se os ataques até que o preconceito passe por verdade. A desinformação faz o resto, servida em doses generosas de indignação e partilhada por quem prefere confirmar as suas certezas a questioná-las. A receita é simples: escolhe-se uma fotografia pouco favorável, acrescenta-se uma legenda depreciativa e dispensa-se qualquer análise. Em poucos minutos, temos um diagnóstico social, uma teoria económica e uma sentença moral – tudo sem necessidade de ir aos factos sociais.

Entretanto, descobrir que entre os manifestantes há médicos, profissionais de informática e estudantes de doutoramento parece surpreender alguns. Como se a legitimidade de exigir uma casa dependesse da apresentação de um currículo, do exercício de uma profissão considerada respeitável ou de um certificado de bom comportamento. Convém esclarecer: ninguém deveria ter de provar que é suficientemente apresentável para poder pagar uma renda que não lhe consuma o salário inteiro. E, mesmo que entre os manifestantes não houvesse médicos, informáticos ou doutorandos, o direito à habitação não diminuiria um milímetro. Os direitos fundamentais não são prémios de mérito profissional nem benefícios reservados a quem impressiona o vizinho à primeira vista.

Há, aliás, uma curiosa conceção de justiça social nesta lógica: quem trabalha e não consegue pagar uma casa deve esforçar-se mais; quem protesta deve trabalhar em vez de protestar; e quem denuncia o problema deveria, pelos vistos, agradecer a oportunidade de continuar sem solução. O mercado é inocente, as rendas são uma fatalidade e a culpa, essa sim, tem sempre morada certa: a pessoa que não consegue pagar. Uma teoria económica extraordinária, que dispensa explicações e resolve a crise encontrando culpados entre as suas próprias vítimas.

Por esta lógica, se alguém não consegue pagar uma renda, a solução é simples: que arranje um segundo emprego; se continuar sem conseguir, que arranje um terceiro; e, se ainda assim falhar, que reveja as suas prioridades. Talvez esteja a gastar demasiado em comida, transportes ou eletricidade. A casa, pelo contrário, parece ter adquirido o estatuto de luxo essencial: todos precisam dela, poucos conseguem pagá-la e muitos consideram perfeitamente natural que assim seja. É uma espécie de direito constitucional com cláusula de exclusão financeira.

O mais curioso é que raramente se exige aos preços das casas a mesma disciplina moral que se exige aos manifestantes. Ninguém pergunta a uma renda se trabalha, se tem bons costumes ou se está devidamente vestida. Ninguém lhe pede que apresente o currículo antes de aumentar mais cem euros. A renda sobe sem ser insultada, sem ser fotografada e sem ter de justificar o seu comportamento. Já o cidadão que denuncia a situação é submetido a um rigoroso exame de personalidade. Aparentemente, a liberdade de mercado inclui a liberdade de aumentar preços, mas a liberdade de protestar exige autorização moral.

E eis que surge um político, a propósito de alegadas ameaças dirigidas à residência da sua família, num episódio cujos factos importa apurar. Qualquer ameaça deve ser levada a sério, independentemente de quem seja o visado. Mas uma alegação individual não transforma milhares de manifestantes numa ameaça coletiva, tal como uma árvore não constitui uma floresta. A prudência, porém, parece ser seletiva: quando convém, generaliza-se; quando incomoda, individualiza-se. O comportamento de uma pessoa não pode servir de prova contra todos, assim como a aparência de milhares não pode servir de argumento contra as suas reivindicações.

No fundo, a campanha é simples: desviar a atenção da crise da habitação para a aparência de quem a denuncia. Porque discutir soluções obriga a assumir responsabilidades; ridicularizar manifestantes exige apenas preconceitos. É muito mais confortável debater piercings do que discutir rendas, muito mais fácil censurar roupas do que questionar políticas públicas e muito mais tranquilizador declarar que os pobres são uma cambada de preguiçosos e não sabem governar a própria vida do que admitir que trabalhar pode já não ser suficiente para garantir uma casa.

Fica, pois, o esclarecimento: a casa não é um prémio de bom comportamento, a dignidade não depende do vestuário e os direitos não se atribuem por concurso de elegância.

Quanto aos que insistem em julgar os manifestantes pelo aspeto, fica uma sugestão: antes de avaliar quem merece uma casa, talvez fosse útil verificar se o preconceito já lhes ocupou a própria.

Leia também: A Pátria, as bandeiras e os tendeiros | Por José Figueiredo Santos

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Das algas aos neurónios: uma descoberta que valeu o Nobel da Medicina em 2026 | Por Isabel Duarte

Há uma alga verde microscópica que nada em direção à luz. Chama-se Chlamydomonas reinhardtii e, durante milhões de anos, fez aquilo que muitas formas de vida fazem: Desenvolveu mecanismos para encontrar condições favoráveis à sua sobrevivência. Nada de particularmente extraordinário. Até que alguns cientistas decidiram perceber como o fazia.

Em outubro de 2026, três investigadores receberam o Prémio Nobel em Fisiologia ou  Medicina por terem transformado um desses mecanismos numa ferramenta capaz de controlar a atividade dos neurónios. Peter Hegemann, Georg Nagel e Karl Deisseroth foram distinguidos pelo desenvolvimento da optogenética, uma tecnologia que permite ligar e desligar células nervosas utilizando luz.

Para perceber a importância desta descoberta, convém recordar um problema antigo das neurociências. O cérebro humano contém cerca de 86 mil milhões de neurónios que comunicam através de sinais elétricos. Quando sentimos medo, reconhecemos um rosto ou decidimos levantar um braço, diferentes conjuntos desses neurónios entram em atividade. Mas observar quais estão ativos não nos diz necessariamente quais são responsáveis pelo que fazemos.

Imagem gerada através de Inteligência Artificial

É a velha diferença entre correlação e causalidade. Se determinados neurónios estão ativos quando sentimos medo, será que produzem esse medo? Ou estarão apenas a responder a alguma coisa que aconteceu? Durante décadas, os investigadores conseguiram observar cada vez melhor o cérebro, mas tinham grandes dificuldades em responder a esta pergunta.

A solução veio de uma alga.

No início dos anos 2000, Hegemann e Nagel estudaram uma proteína chamada canalrodopsina, que funciona como uma pequena porta na membrana das células. Quando recebe luz azul, a porta abre-se e deixa passar partículas eletricamente carregadas. Na alga, este mecanismo contribui para a sua resposta à luz.

Deisseroth e os seus colaboradores tiveram depois uma ideia radicalmente transformadora: E se colocássemos essa proteína nos neurónios?

Utilizando técnicas de engenharia genética, introduziram o gene responsável pela produção da canalrodopsina em células nervosas. E funcionou! Quando iluminados, os neurónios modificados produziam impulsos elétricos, como se tivessem recebido uma ordem do próprio cérebro.

Nascia assim uma espécie de interruptor biológico. Com a vantagem de poder atuar apenas sobre determinados tipos de neurónios, no momento escolhido pelos investigadores, com uma precisão de milissegundos.

Repare-se no que mudou: Antes, podíamos observar que uma região do cérebro estava ativa durante determinado comportamento. Agora, podemos ativar experimentalmente certos neurónios e verificar se esse comportamento acontece. Podemos também inibi-los e observar o que deixa de acontecer. Passámos de observar o funcionamento do cérebro para poder intervir nele e testar diretamente as nossas hipóteses.

A optogenética já revolucionou o estudo da memória, das emoções, do movimento e de doenças como Parkinson, Alzheimer ou depressão, sobretudo através da investigação em animais. A sua aplicação em humanos começa agora a dar os primeiros passos, com ensaios clínicos promissores no tratamento da retinite pigmentosa, uma doença que provoca perda progressiva da visão. Ainda não é uma cura, mas representa uma possibilidade que, há poucos anos, pareceria ficção científica.

A tecnologia é surpreendente, mas um outro aspeto igualmente relevante deste Nobel é, na minha opinião, a história da sua origem. Nenhum daqueles investigadores começou por procurar uma forma de estudar o cérebro, nem uma cura para doenças neurológicas através de algas. Procuravam compreender um curioso fenómeno biológico. Foram guiados pela sua curiosidade científica. E foi precisamente esse curiosidade que abriu a porta a um conhecimento, aparentemente distante das necessidades médicas, que despoletou uma possibilidade inteiramente nova.

Numa Era em que pedimos à ciência que resolva problemas concretos, que produza medicamentos, tratamentos e resultados mensuráveis (ciência aplicada); aqui está mais um dos múltiplos exemplos que demonstram que nós, frequentemente, não conseguimos antecipar quais as descobertas que permitirão resolver os problemas de amanhã.

Uma alga que nada em direção à luz não parecia ter muito para ensinar à medicina. Afinal, ensinou-nos a acender neurónios para melhor os compreender.

E talvez seja esta a lição mais importante deste Nobel: Para descobrir aquilo que ainda não sabemos fazer, precisamos de continuar a investigar aquilo que ainda não sabemos para que serve.

Citações:

Miryam Naddaf and Ewen Callaway.  Medicine Nobel awarded for brain ‘switch’ that controls neurons with light. Nature (News) (2026). https://doi.org/10.1038/d41586-026-03091-2

Leia também: A inteligência artificial pode tornar-se perigosa? O que diz a ciência e o que estamos a fazer | Por Isabel Duarte

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O Brasil não é para principiantes

Lula venceu uma eleição que parecia perdida num Brasil que continua a virar à direita. Ganhou mais quatro anos para mudar o país. A família Bolsonaro ganhou outros quatro para aprender a perder. Entretanto, o Brasil já não é aquele que o elegeu pela primeira vez

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A lei, os protestos e os dois pesos e duas medidas | Por Luís Ganhão

O atual presidente da Câmara Municipal do Porto, que declarou pretender ser «implacável» perante um grupo de jovens que, denunciando a falta de habitação, instalara simbolicamente algumas tendas numa praça pública da cidade, suscita, pela sua posição, uma questão que importa não iludir: a de saber se situações de protesto cívico comparáveis têm merecido, por parte do poder político e das autoridades policiais, um tratamento efetivamente igual.

Com efeito, não será despiciendo recordar que, em diferentes momentos, outras ações reivindicativas recorreram à instalação de tendas junto de instituições públicas, sem que delas tenha resultado, tanto quanto é publicamente conhecido, uma intervenção policial comparável.

Assim aconteceu, designadamente, com o acampamento promovido pela Juventude Social-Democrata junto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em 2020, no âmbito da contestação às insuficiências do alojamento estudantil. Assim aconteceu também com os bombeiros que instalaram tendas junto à Câmara Municipal do Porto, em protesto pelas suas condições profissionais, e com empresários da restauração que, durante a pandemia, recorreram a idêntica forma de protesto junto à Assembleia da República.

Também merece ser recordada a manifestação de profissionais das forças de segurança que, em 2013, derrubaram barreiras de proteção nas imediações da Assembleia da República. Embora tenha existido uma resposta policial, não é conhecida, nos relatos públicos desse episódio, uma intervenção de natureza e intensidade comparáveis às que foram descritas no caso dos jovens que protestavam pela falta de habitação.

Não se pretende, com estas referências, sustentar que todos os episódios foram rigorosamente idênticos, nem discutir, em abstrato, a legalidade da instalação de tendas em espaços públicos. O que se pretende é chamar a atenção para uma questão diferente e politicamente incontornável: terão sido aplicados critérios uniformes na apreciação de situações reivindicativas comparáveis e, sobretudo, na decisão de recorrer à força policial?

A invocação da lei não dispensa esta interrogação. Pelo contrário: num Estado de direito, a lei deve ser aplicada com imparcialidade, e a atuação policial deve obedecer a critérios de necessidade e proporcionalidade, independentemente da identidade dos manifestantes, da sua orientação política ou da natureza das reivindicações que apresentam.

Se, perante determinadas manifestações, prevalece a tolerância e, perante outras, se anuncia uma postura de intransigência que acaba acompanhada de uma intervenção policial particularmente dura, é legítimo exigir que se esclareçam as diferenças de circunstâncias que possam justificar tal disparidade. Não basta invocar genericamente a legalidade: importa explicar concretamente a razão de ser das decisões tomadas e a proporcionalidade dos meios utilizados.

É aqui que a questão da habitação assume particular relevância. Quando jovens denunciam a dificuldade, ou mesmo a impossibilidade, de aceder a uma habitação condigna, não estão apenas a reivindicar uma resposta a um problema individual. Estão a chamar a atenção para uma questão social de inegável dimensão pública, cuja gravidade exige respostas políticas efetivas.

Daí que seja legítimo recear que a insistência na ordem pública e na aplicação da lei, quando acompanhada de uma resposta repressiva cuja proporcionalidade é contestada, acabe por deslocar o debate: em vez de se discutir a falta de habitação denunciada pelos manifestantes, passa a discutir-se, quase exclusivamente, a conduta destes e a necessidade de os conter.

Estaremos, então, perante uma mera aplicação imparcial da lei ou perante uma resposta que, independentemente das intenções dos seus responsáveis, acaba por secundarizar a reivindicação e desviar dela a atenção pública?

Não se afirma que esteja demonstrada uma intenção deliberada de silenciar os protestos, nem que uma eventual «má consciência» dos responsáveis políticos constitua um facto adquirido. O que se afirma é que a diferença de tratamento, quando aparentemente existe, exige explicação; e que a invocação da legalidade não pode servir para encerrar o debate sobre a legitimidade, a proporcionalidade e a coerência da atuação das autoridades.

A questão de fundo permanece, pois, inteiramente legítima: estará o poder a aplicar os mesmos critérios a todos os cidadãos ou estará, consciente ou inconscientemente, a revelar maior intolerância perante aqueles cujas reivindicações mais diretamente expõem as insuficiências das políticas públicas?

É a resposta fundamentada a esta pergunta — e não a mera invocação da lei — que permitirá avaliar a coerência da atuação do poder político e policial.

Leia também: A pedagogia da violência | Por Luís Ganhão

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Além de Lula e do mal

Independentemente das divergências de campanha, uma realidade se impôs: milhões de brasileiros participaram ativamente da definição dos rumos do país. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva veio da vontade de evitar o pior e resultou de uma mobilização jamais vista desde a redemocratização.As ruas, as redes sociais, os debates familiares, as discussões no ambiente de trabalho e os encontros de amigos revelaram uma sociedade vencendo a apatia. O eleitorado compreendeu, afinal: votar está distante de ser um gesto acomodado de escolher governantes, é compartilhar responsabilidades pelo futuro comum.A energia cívica demonstrada pelo #ExércitodoLula, migrando da internet para a rua, despertou um país gigante, disposto a defender-se dos inimigos. Nesse processo, os brasileiros encontraram razões adicionais para celebrar o resultado das urnas, gritando “é tetra!” para saudar o petista quatro vezes eleito.A eleição foi percebida muito além de uma disputa de candidatos; virou um plebiscito, tendo saído vencedor o sim para a democracia.Foi a menor abstenção dos últimos 20 anos, motivada pela busca do alívio por evitar a vitória do candidato associado, por herança, a práticas incompatíveis com a civilização. A eleição foi percebida muito além de uma disputa de candidatos; virou um plebiscito, tendo saído vencedor o sim para a democracia.A trajetória de Lula ajuda a explicar a força simbólica desse momento. Poucos líderes no mundo têm história tão singular, ele sim um personagem mitológico. Operário, líder sindical, fundador de um partido dos trabalhadores, desafiando uma ditadura, ele permanece no Planalto carregando a experiência acumulada.Amanhã, o maior ídolo completa 81 anos de vida: são décadas de vida pública cultivando uma relação direta com amplos setores da população brasileira. Mas a maior lição desta eleição talvez esteja além de Lula e da inédita virada. A mobilização demonstrou algo a ser mais valorizado: a importância da democracia.Tão necessária quanto o ar, a água e os alimentos para a saúde do corpo, a democracia produz nutrientes da liberdade e do direito visando o convívio pleno. Vamos zelar por ela todos os dias!

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A força do acreditar | Por Andrea Moura

“Só acreditar não basta para que se realize!”

“Ter vontade é importante mas não garante o sucesso!”

“Não significa que vais conseguir o que desejas só por pensar nisso!”

Com certeza que, em algum momento da vossa vida este tipo de frases vieram à vossa mente.

Nós todos sabemos que só por desejar ou pensar em algo que queremos, não vai torna-lo real. Pelo menos não instantaneamente.

No entanto, criar condições e disponibilizar-nos de coração aberto, em verdade e em honestidade connosco fará com que as possibilidades de concretização sejam maiores.

Acreditar que conseguimos é fundamental!

O acreditar em nós, nas nossas capacidades, habilidades, desejos e sonhos, faz com que uma espécie de força motora se ative e se mantenha em movimento se a `alimentamos´. Não quer dizer que tenhamos que ser irrealistas e utópicos ao ponto de perdermos a noção da realidade e das dificuldades e/ou facilidades que nos rodeiam. Não. 

Refiro-me ao sermos conscientes e sóbrios ao nosso ambiente, a nossos recursos, ferramentas internas e conhecimento de nós mesmos. Sabendo com que podemos contar e com o que não, e que hipótese há de que alguns aspetos possam ser melhorados, aprendidos, reforçados e/ou integrados em nós, que nos façam dar passos em frente para ir fazendo o caminho à conquista do desejado. Sempre em consciência e com ‘os pés na terra’.

Entusiasmar-nos com um projeto que queremos levar adiante é importante porque provoca uma certa motivação e isso é fantástico, mas se não acreditamos que é possível, que somos capazes, que temos os recursos e conhecimentos – internos e externos – para o conseguir, com certeza que o caminho será mais duro e lento.

E isto não quer dizer que devemos de desistir logo à primeira dificuldade. Nada disso. Talvez algo que não se concretiza como o esperado, não queira dizer que não somos capazes. Não. Quiçá nos esteja a dizer que devemos de ajustar a estratégia, ou buscar uma outra abordagem. E nisto é preciso ter o `motor ligado´. E esse motor, para mim, é o acreditar e a força que com ele vem.

É claro que somente com acreditar que conseguimos não nos garante um resultado positivo, pois como tudo na vida, precisamos de uma serie de ingredientes – tal receita se tratasse- para conseguir avançar e conquistar.  No entanto, ter conhecimento, ter vontade, ter os recursos e não acreditar que é possível também bloqueia ou sabota o processo.

Não somos infalíveis, somos humanos e é permitido errar, mas ficar atados ao erro não é saudável. Pensar e ponderar os factos e o que foi que correu mal é uma forma mais assertiva, de ver as coisas, porque podemos ver e corrigir, assim como também, podemos manter e reforçar os aspetos que correram bem.

Agarrar-se dos feitos positivos alcançados também alimenta essa força que vem de dentro e que nos permite continuar a acreditar.

Como sempre, acredito que passos dados em consciência, com ponderação, mas com paixão e fé, podem mesmo ‘mover montanhas’, sobretudo aquelas montanhas internas de dúvidas, receios e inseguranças. Todos as temos, fazem parte de sermos humanos e de termos sentimentos e pensamentos, mas cabe a nós perceber a que vamos dar mais atenção: ao medo, ou à força interna de amor e fé em nós mesmos que nos move.

Escolham viver a vida sabiamente, alinhados com o que acreditam e com a força que vos move.

Gratidão!

Leia também: O Lugar cá dentro | Por Andrea Moura

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Brasil: o fator Janones

As redes sociais contam. Sobretudo para baixar a abstenção, que prejudicava Lula. Na primeira volta, a campanha de Lula falou para os seus e esqueceu-se de que os outros não estavam a ouvir. Janones liderava o Exército de Lula e mandava gostar, comentar e partilhar um vídeo antes de o ver e nunca responder aos de Flávio. Ensinou a máquina e a esconder. Os democratas brasileiros aprenderam a jogar no tabuleiro desequilibrado. Que a política se faz ganhando a guerra do algoritmo

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