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Metais preciosos: “Perspetiva de longo prazo continua a ser atrativa”, realça Julius Baer

O Julius Baer, um dos principais grupos bancários privados da Suíça, especializado em gestão de património, referiu esta terça-feira 27 de outubro que os riscos de curto prazo nos metais preciosos “parecem inclinados” para o lado negativo, mas a perspetiva de longo prazo “continua a ser atrativa”. Pelo que mantém a sua visão “construtiva” para o ouro e “neutra” para a prata. No mercado cambial o cenário base é de fraqueza do dólar a longo prazo.

“A pressão sobre os metais preciosos persiste, mas não é claro o que está a levar à queda dos preços. Uma possível causa das vendas pode ser a necessidade de os investidores chineses angariarem dinheiro em resposta à repressão do capital offshore”, referiu o Head Next Generation Research do Julius Baer, Carsten Menke.

“Os preços do ouro caíram para perto dos 4.000 dólares/onça, e a prata rompeu a barreira dos 55 dólares/onça. Embora a trajetória da tendência não tenha mudado significativamente desde o pico dos preços no início do ano, não é claro para nós o que está por detrás da recente queda. Normalmente, existe uma forte correlação entre os preços e os stocks de produtos fisicamente lastreados. A compra destes produtos eleva os preços, e a venda reduz-nos. Dito isto, tem havido uma notável desconexão recentemente, particularmente para o ouro”, referiu.

“As reservas de produtos de ouro lastreados fisicamente aumentaram cerca de 70 toneladas desde o verão, enquanto os preços caíram mais de 13%. Também não observámos vendas significativas por parte de investidores especulativos no mercado de futuros. Além disso, os factores habituais, como um dólar norte-americano mais forte ou rendimentos mais elevados dos títulos do Tesouro dos EUA, têm estado ausentes nos últimos dias”, continua.

Carsten Menke salienta que uma “possível fonte de vendas” poderá ser a dos investidores chineses, que são forçados a angariar capital devido à “repressão” do país ao capital offshore. “O pagamento de impostos pode levar à liquidação de parte das suas posições em metais preciosos, criando uma fonte de pressão vendedora que não é imediatamente visível. Esta é uma tese baseada nas últimas notícias disponíveis, no momento da onda de vendas e na pressão mais ampla sobre os ativos chineses. Teriam estas vendas o potencial de levar os metais preciosos a uma queda duradoura? Provavelmente não”, acrescenta. “No entanto, poderiam alastrar para o mundo ocidental, levando os investidores a desfazerem-se também das suas posições”, reforça.

O Head Next Generation Research do Julius Baer, relativamente ao ouro, defende que uma queda abaixo dos 4.000 dólares/onça “provavelmente desencadearia” algumas vendas. “Os riscos de preço no curto prazo parecem estar inclinados para a baixa, mas ainda vemos um cenário de longo prazo bastante promissor. Tanto o ouro como a prata devem ser sustentados pelas preocupações com o endividamento e o peso das taxas de juro nos Estados Unidos. Embora o ouro também beneficie das compras dos bancos centrais, uma forte fonte estrutural de procura, o mesmo não se aplica à prata. Mantemos a nossa visão construtiva para o ouro e neutra para a prata”, diz.

Cenário base do Julius Baer é de um dólar fraco a longo prazo

Já o economista do Julius Baer, David A. Meier, refere que a política francesa “desencadeou uma forte reprecificação” do euro, que “parece estar interrompida” por agora. “A fraqueza do dólar a longo prazo continua a ser o nosso cenário base, mas o caminho para a recuperação do euro pode ser árduo. O franco suíço continua sustentado pelos riscos da zona euro, no meio de possíveis obstáculos decorrentes de uma reprecificação da taxa de juro suíça”, assinala.

“Na segunda quinzena de setembro, o euro sofreu uma pressão significativa devido às preocupações políticas em França. Um alargamento expressivo dos spreads das obrigações do governo francês em relação às obrigações alemãs refletiu a crescente inquietação com os futuros desenvolvimentos políticos e fiscais”, descreve. “Contudo, apesar da contínua ampliação dos spreads em Outubro, o euro tem-se mantido em grande parte lateralizado, sugerindo que os investidores reagiram decisivamente quando os riscos políticos começaram a ganhar destaque”, refere.

“Os mercados de opções fornecem provas deste ajustamento: as reversões de risco do euro moveram-se acentuadamente a favor da protecção contra quedas, atingindo níveis verificados antes da mudança radical na política orçamental da União Europeia (UE)”, salienta o economista. “Desde então, a procura por hedge adicional diminuiu. Um padrão semelhante é visível nos dados de posicionamento especulativo, sugerindo que os investidores adotaram agora uma postura de cautela”, explica.

Face a este contexto o Julius Baer refere que a sua meta de  1,15 para o par euro/dólar norte-americano a três meses “parece ambiciosa”. A instituição salienta que “continua a esperar uma fraqueza do dólar norte-americano a longo prazo”, mas alerta que uma recuperação do euro “pode agora revelar-se mais difícil”.

As dificuldades do euro foram acompanhadas por uma “força renovada” do franco suíço, sublinha. “No início do ano, o franco passou por um período de menor valorização devido à sua crescente desvantagem em relação às taxas de juro, enquanto a sensibilidade aos preços da energia limitou o seu apelo como porto seguro durante o conflito de Hormuz”, diz.

“No entanto, o franco continua a servir como uma proteção fiável contra riscos específicos da zona euro, como ilustrado pela sua dissociação dos diferenciais de taxas durante os acontecimentos recentes. Olhando para o futuro, o franco poderá desvalorizar modestamente se as expectativas em relação às taxas suíças forem reavaliadas. Esperamos ainda que o Banco Nacional Suíço (SNB) mantenha as taxas até meados do próximo ano, enquanto os mercados ainda antecipam uma normalização mais rápida. Qualquer fraqueza resultante do franco deverá ser menos pronunciada do que a implícita na nossa previsão atual de 0,95 para o par euro/franco suíço a três meses”, conclui.

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Julius Baer mantém recomendação neutra para ações europeias

O Julius Baer manteve esta terça-feira 27 de outubro a sua recomendação neutra para as ações europeias e a sua inclinação para as ações cíclicas, incluindo uma visão positiva sobre os bancos europeus. No rendimento fixo o destaque vai para a pressão sobre as obrigações francesas.

“Os preços elevados do petróleo, o aumento dos rendimentos e o enfraquecimento do sentimento impulsionaram uma rotação de ações cíclicas para ações defensivas. Embora a rotação sugira que os investidores estão a posicionar-se cada vez mais para um ambiente de fim de ciclo, os dados de atividade e lucros permanecem mais consistentes com as condições de meio de ciclo”, referiu o Action Strategy Research da Julius Baer, Nenad Dinic.

Este refere ainda que o “desempenho inferior” das ações europeias em relação às ações americanas alargou-se desde meados de setembro, à medida que os preços do petróleo subiram acima dos 100 dólares/barril e a venda global de obrigações pressionou as yields (juro pago) para cima.

“Os sectores financeiro e industrial europeus caíram 6,8% e 4,4%, respetivamente, em relação aos seus picos de meados de setembro, enquanto os sectores de bens de consumo não cíclicos e de saúde subiram 9,0% e 8,4%. No geral, as ações cíclicas europeias tiveram um desempenho inferior ao das ações defensivas em 13,7% desde o início do quarto trimestre, a maior queda desde março de 2020”, assinalou. “Embora a rotação sugira que os investidores estão a posicionar-se cada vez mais para um cenário de fim de ciclo, os dados de atividade e lucros permanecem mais consistentes com as condições de meio de ciclo”, acrescentou.

Os dados preliminares do PMI de outubro “continuam a apontar” para uma expansão na zona euro (exceto em França), enquanto as revisões dos lucros para as ações europeias se mantêm em “terreno positivo”. Os resultados do terceiro trimestre do Stoxx Europe 600 [índice bolsista europeu] “apontam” para um crescimento sólido de 25% em termos homólogos (12% excluindo petróleo e gás), assinalou.

“A época de resultados do terceiro trimestre entrou na sua semana mais movimentada, com 25 bancos europeus a divulgarem os seus resultados, o que proporciona o teste mais claro no curto prazo para verificar se a queda foi excessiva”, considera o Action Strategy Research da Julius Baer. “Neste contexto, mantemos a nossa posição neutra em relação às ações europeias em geral, mas vemos razões para manter uma inclinação para as ações cíclicas. Se os lucros se mantiverem resilientes, as yields atingirem o pico, os preços do petróleo recuarem e o alargamento dos spreads soberanos se mantiver restrito à França, os bancos e outros sectores cíclicos ligados ao investimento terão margem para recuperar. A nível nacional, as nossas perspetivas permanecem inalteradas desde as alterações de rating em maio. Mantemos a nossa recomendação de Sobreponderação para Espanha e Itália, Neutra para a Alemanha e Subponderação para França e Reino Unido”, acrescentou.

Pressão sobre obrigações francesas

No que diz respeito ao rendimento fixo o analista chefe de rendimento fixo do Julius Baer, Dario Messi, assinalou que outubro trouxe uma “pressão renovada” sobre os títulos do governo francês e “focos de fragilidade” no crédito das empresas. “No entanto, as recentes vendas de ações relacionadas com a inteligência artificial (IA) também serviram como um importante lembrete: apesar dos ventos contrários estruturais, as obrigações de alta qualidade com boa duração podem ainda proporcionar uma estabilidade valiosa para a carteira”, acrescentou.

“Os mercados obrigacionistas continuam em movimento no primeiro mês do último trimestre de 2026, com desenvolvimentos distintos em todos os segmentos”, assinalou. A principal preocupação “continua a ser com as vulnerabilidades” dos títulos do governo francês. “Os spreads em relação às yields das obrigações do governo alemão aumentaram, mas o stress ainda não desencadeou uma resposta política significativa”, referiu. “O ponto crítico não foi aparentemente atingido, deixando os títulos franceses vulneráveis. O crédito empresarial também apresenta focos de fragilidade. Embora estas áreas de fragilidade permaneçam contidas, reforçam a nossa preferência pela qualidade nas carteiras de crédito”, alerta.

É ainda dito que outubro mostrou que as obrigações “ainda podem desempenhar um papel valioso” através das suas características de cobertura. “As obrigações de longa duração têm enfrentado ceticismo porque o seu efeito estabilizador tem sido inconsistente este ano”, explica.

“A correlação entre ações e obrigações mudou decisivamente desde 2022, e os obstáculos estruturais mantêm-se. No entanto, as correlações não contam toda a história. Os raros episódios de receios de abrandamento da IA ​​e as consequentes quedas nas ações sugerem que as obrigações mantêm propriedades úteis de proteção, como as últimas semanas demonstraram mais uma vez”, considera o analista.

Dario Messi salienta que isto faz “sentido” económico. “Uma desaceleração da IA ​​reduziria as necessidades de investimento – enfraquecendo um importante motor de crescimento – ao mesmo tempo que tornaria os consumidores mais cautelosos e contribuiria para a desinflação. Em síntese, assemelhar-se-ia a uma desaceleração típica da procura agregada, o ambiente em que a duração tende a ter o melhor desempenho. Tal desaceleração não é o nosso cenário base de curto prazo. No entanto, a dívida de alta qualidade com maturidade intermédia continua a ser um estabilizador de carteira significativo, com um rendimento inicial atrativo que aumenta o seu apelo”, conclui.

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Bolsa do Brasil encerrou a cair mais de 13% com vitória de Lula

A Bolsa de Brasil (Bovespa) encerrou a sessão de segunda-feira 26 de outubro a cair 13,88% para os 176.608 pontos, na sequência da vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais de domingo 25 de outubro contra Flávio Bolsonaro. Durante a sessão existiram paragens nas negociações devido à dimensão das desvalorizações.

Entre as ações da bolsa brasileira mais penalizadas estiveram a Magazine Luiza que quebrou mais de 58%, a Vamos Locacao desceu mais de 56% e Hapvida desvalorizou mais de 54%. Ou seja estas cotadas perderam mais de metade da sua capitalização num único dia.

Destaca-se ainda as quedas assinaláveis no setor da banca. Aqui inclui-se a desvalorização superior a 29% do Banco do Brasil, a descida de mais de 24% do Banco BTG, e a quebra superior a 21% do Banco Bradesco. O Itau Unibanco desvalorizou mais de 13%. Já o Santander quebrou mais de 4%.

Entre as quedas assinala-se também a descida superior a 10% da Engie Brasil, a Petrobras caiu mais de 6%, e a Telefonica Brasil e a Tim desvalorizou mais de 5%.

Mas no meio das desvalorizações houve cotadas a subir. Destaca-se a subida superior a 10% da Suzano, a valorização superior a 8% da Embraer, e a Weg On subiu mais de 4%.

“A sessão desta segunda-feira 26 de outubro foi marcada por extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político”, disse a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, citada pela Globo.

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Bolsa de Lisboa abre no vermelho em linha com Europa

A Bolsa de Lisboa abre a sessão desta terça-feira 27 de outubro com uma desvalorização de 0,23% para os 9.154,73 pontos.

As maiores descidas na bolsa portuguesa vão para os CTT que caem 5,45% para os 5,20 euros, seguida pela Teixeira Duarte que desce 1,16% para os 0,42 euros, e a Galp Energia quebra 0,98% para os 20,27 euros.

No vermelho encontra-se ainda a Jerónimo Martins, a EDP, o Banco Comercial Português (BCP), a Ibersol, e a Mota-Engil.

A negociar no verde está a Semapa que valoriza 2,05% para os 19,90 euros, seguida pela Altri que avança 0,58% para os 4,33 euros, e a EDP Renováveis sobe 0,41% para os 12,21 euros.

No verde está ainda a NOS e a Navigator.

Europa abre no vermelho

As principais bolsas europeias abriram no vermelho. O DAX (Alemanha) cai 0,25% para os 25.348,50 pontos, o CAC 40 (França) desce 0,44% para os 7.812,89 pontos, e o FTSE 100 (Reino Unido) quebra 1,01% para os 10.658,12 pontos.

O AEX (Países Baixos) desvaloriza 0,11% para os 1.131,92 pontos, o IBEX 35 (Espanha) quebra 0,20% para os 18.995,64 pontos, e o FTSE MIB (Itália) desce 0,32% para os 49.028,50 pontos.

O petróleo está a negociar em alta com o brent a subir 0,48% para os 111,27 dólares e o crude valoriza 0,52% para os 102,29 dólares.

O euro desce 0,16%, face ao dólar, para os 1,11574 dólares e o euro desvaloriza 0,01%, face à libra, para as 0,83741 libras.

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Grandes empresas avançam na IA mas não significa que administrações estejam preparadas, diz IPCG

O vice-presidente do IPCG afirma, em declarações à Lusa, que as grandes empresas portuguesas estão mais avançadas na adoção de IA, mas isso não significa que as administrações estejam preparadas para avaliar o seu valor e riscos.

A preparação dos conselhos de administração para os desafios da regulação e da inteligência artificial (IA) e o seu impacto vão estar hoje 27 de outubro em debate na conferência do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) sob o tema “Competitividade, Inovação e Regulação na Europa”, no CCB, em Lisboa.

Questionado sobre se as administrações das empresas portuguesas estão preparadas, José Costa Pinto afirma que a preparação é desigual.

“As grandes empresas estão mais avançadas na adoção de inteligência artificial, mas utilizar estas ferramentas não significa, por si só, que a administração esteja preparada para avaliar o seu valor e os seus riscos (…). O passo decisivo é passar da utilização pontual para a integração no negócio. Uma administração deve conseguir identificar onde a IA pode reduzir custos, melhorar o serviço ao cliente ou apoiar uma decisão de investimento, e verificar se esses resultados estão a ser alcançados”, aponta o responsável.

“Não é necessário que todos os administradores sejam especialistas em tecnologia”, porém, “é necessário que saibam questionar uma proposta, avaliar o investimento e perceber em que condições podem confiar nos resultados”, acrescenta.

Assim, diz que o principal desafio da IA nas empresas portuguesas está nas competências e na capacidade de mudar a forma de trabalhar.

O acesso às ferramentas tornou-se mais fácil, mas a sua utilização, prossegue o vice-presidente do IPCG, “exige tempo, formação e informação organizada, recursos que escasseiam em muitas PME”.

“Começaria por um problema concreto de uma PME, como o tempo gasto a preparar orçamentos ou a responder a pedidos de clientes. A partir daí, importa testar uma solução, formar quem a vai utilizar e medir se o trabalho ficou efetivamente melhor”, exemplifica.

Neste sentido, diz que “poupar tempo numa tarefa é útil”, mas que “esse ganho só chega ao negócio se permitir responder a mais clientes, reduzir custos ou libertar pessoas para trabalho de maior valor. Comprar licenças sem mudar processos dificilmente produz esse resultado”.

Relativamente ao maior risco, indica que é confiar numa resposta sem a verificar.

“Uma ferramenta pode apresentar informação errada com uma linguagem muito convincente” e “se essa informação entrar num relatório financeiro, numa proposta comercial ou numa decisão sobre um trabalhador, o erro pode ter consequências sérias”, adverte.

Na sua opinião, a administração “deve saber que ferramentas são utilizadas, que informação lhes é entregue e quem valida os resultados”.

“Introduzir dados de clientes ou documentos confidenciais numa ferramenta sem conhecer as condições de utilização é um risco concreto”, sublinha.

“É preciso definir quem pode autorizar cada utilização, quais as decisões que exigem revisão humana e quem pode suspender o sistema quando surgem problemas. A supervisão só existe se houver alguém com competência e autoridade para intervir”, acrescenta.

Questionado sobre como é que Portugal compara com outros países da Europa, José Costa Pinto diz que, na adoção empresarial de IA, o país está abaixo da média europeia.

“A distância é particularmente relevante nas pequenas e médias empresas, embora as grandes também tenham caminho a percorrer”, acrescenta.

O progresso em matéria de governo societário é importante, “mas não permite concluir” se há já preparação para esta transformação.

“Ter regras de governação e saber supervisionar o uso de IA são capacidades que têm de ser trabalhadas em conjunto”, refere, defendendo que o desafio é fazer chegar às PME “formação aplicada, apoio técnico e soluções adequadas à sua dimensão”.

Quanto ao principal conselho para as empresas portuguesas serem mais competitivas, o vice-presidente do IPCG diz que isso passa por trazer a IA para a agenda da administração e começarem por uma necessidade concreta do negócio.

“Escolham uma aplicação com resultados verificáveis, atribuam um responsável e definam um prazo para avaliar o investimento”, aponta, o que inclui custos de formação, integração e verificação dos resultados, além do preço da ferramenta.

“Uma solução aparentemente barata pode sair cara se obrigar a corrigir trabalho ou expuser informação sensível. Depois, alarguem o que demonstrar valor. A competitividade mede-se na capacidade de produzir melhor, servir melhor os clientes e decidir com mais informação” e com esses resultados que a administração deve avaliar a utilização de IA, conclui.

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COP31: Super-ricos poluem mais do que quase metade da humanidade, diz Oxfam

Os 0,1% mais ricos do mundo produzem mais poluição do que os 3,5 mil milhões de pessoas mais pobres do planeta em conjunto, revela hoje 27 de outubro uma análise da Oxfam, divulgada antes da COP31 na Turquia.

Segundo a confederação internacional de organizações contra a pobreza e a desigualdade, os 0,1% mais ricos equivalem a oito milhões de pessoas e cada uma destas contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais vagas de calor extremo do que alguém pertencente aos 50% mais pobres da humanidade.

Coletivamente, este grupo emite mais de três vezes a poluição com gases com efeito de estufa produzida por toda a população da África Subsaariana, estimada em 1,3 mil milhões de pessoas.

A Oxfam calculou ainda que os 1% mais ricos são responsáveis por 20% do aquecimento global registado desde 1990, emitindo, em média, 100 vezes mais por pessoa do que alguém dos 50% mais pobres.

As emissões deste grupo poderão causar 1,9 milhões de mortes adicionais relacionadas com o calor num único ano, 78% das quais em países de baixo rendimento ou de rendimento médio-baixo, apesar de estes representarem apenas 8% das emissões globais.

“Quem menos contribuiu para esta crise está a perder as suas casas, colheitas e, cada vez mais, as suas vidas”, lamentou o diretor-executivo da Oxfam International, Amitabh Behar, citado num comunicado.

A Oxfam alega que os super-ricos conseguem proteger-se através de seguros privados, habitações em zonas mais seguras e serviços privados de combate a incêndios, enquanto a maioria da população enfrenta inundações, incêndios e insegurança alimentar.

A aviação privada é apresentada como um dos exemplos mais evidentes da desigualdade: em conjunto, os jatos privados emitem mais gases com efeito de estufa em dois segundos do que uma pessoa dos 50% mais pobres emite durante um ano.

No estudo intitulado “Índice Destruir e Reconstruir”, a Oxfam apela aos Governos que vão reunir-se em novembro em Antalya, Turquia, na 31ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP31) para fazerem pagar os grandes poluidores, através de impostos permanentes sobre a riqueza e os rendimentos elevados, taxas sobre as empresas de combustíveis fósseis e impostos sobre bens de luxo que produzem muitos gases com efeito de estufa, como os jatos privados.

A organização defende igualmente um aumento substancial do financiamento climático para o Sul Global, com prioridade para financiamento público e subsídios em vez de empréstimos, e pede que o financiamento para adaptação seja triplicado até 2035.

A Oxfam estima que, até 2050, cerca de mil milhões de pessoas, cerca de 10% da população mundial, possam ser deslocadas devido à crise climática, sobretudo no Sul Global.

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Continuamos a celebrar a Semana da Poupança: Como criar o hábito de Poupar – passo a passo

Criar o hábito da poupança não precisa de ser complicado. Com alguns passos simples e disciplina, qualquer consumidor pode aprender a gerir melhor o seu dinheiro e começar a poupar de forma eficaz.

Deixamos-lhe algumas sugestões práticas para transformar a poupança num estilo de vida:

1- Identifique os seus rendimentos e despesas:

O primeiro passo a dar será perceber quanto dinheiro entra em casa e quanto sai todos os meses. Anote todos os seus rendimentos e as despesas, mesmo as mais pequenas. Este exercício permite perceber onde o dinheiro está a ser gasto e onde poderá cortar, se necessário.

  1. Defina objetivos claros:

Poupar sem ter um objetivo pode ser desmotivante. Quer seja para criar um fundo de emergência, comprar um carro ou fazer uma viagem, é importante definir uma meta e um prazo. Ter um propósito ajuda a manter o foco e a disciplina.

  1. Crie um orçamento mensal:

Estabeleça um plano onde cada euro tem um destino. Mal recebe o ordenado reserve uma percentagem fixa para a poupança, idealmente entre 10% e 20% do seu rendimento e considere-a uma “despesa obrigatória”: Pague-se a si mesmo em primeiro lugar!

  1. Automatize a poupança:

Pode programar transferências automáticas para a sua conta bancária, ou para uma conta poupança. Incentiva-o a resistir à tentação de gastar o dinheiro antes de o guardar.

  1. Mesmo começar com pouco vale a pena. Importa é iniciar!

Não espere ter muito dinheiro para começar a poupar. O importante é criar o hábito. Mesmo 5 euros por semana fazem a diferença ao longo do tempo.

 

  1. Elimine gastos desnecessários:

Reavalie os seus hábitos de consumo. Pequenos gastos diários, como cafés ou compras por impulso, podem representar valores significativos ao fim do mês. Ao cortá-los, pode redirecionar esse dinheiro para a poupança.

  1. Acompanhe e ajuste regularmente o plano:

Reveja regularmente os seus objetivos de poupança, que dependerão dos seus objetivos e da sua idade, assim como do seu perfil de risco.

Se os seus rendimentos aumentarem, acrescente também a percentagem que guarda. Se houver imprevistos, ajuste o orçamento, mas tente manter o hábito de poupar.

Cultivar o hábito de poupar exige paciência, mas os resultados são duradouros. Com o tempo, vai perceber que tem mais controlo sobre o seu dinheiro e mais liberdade para fazer escolhas conscientes e seguras.

 Informe-se connosco!

O Gabinete de Proteção Financeira dá-lhe orientação e aconselhamento. Informe-se connosco e tenha o apoio da DECO MADEIRA através do número de telefone 968 800 489/291 146 520, do endereço electrónico deco.madeira@deco.pt. Siga-nos nas redes sociais Facebook, bluesky, Instagram, Linkedin e Youtube!

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Bolsa de Tóquio abre com Nikkei a subir 2,3%

A bolsa de Tóquio abriu hoje 27 de outubro a ganhar 2,3%, com o principal índice, o Nikkei, a recuperar 1.418,59 pontos para 63.608,24 unidades, depois de fechar na véspera em terreno negativo.

O segundo indicador, o Topix, estava a subir 0,64% para 3.998,58 pontos, mais 25,60 pontos em relação ao fecho de segunda-feira, às 09:13 locais (01:13 em Lisboa).

O índice Nikkei reflete a média não ponderada dos 225 principais valores da bolsa de Tóquio, enquanto o indicador Topix agrupa os valores das 1.600 maiores empresas cotadas.

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Eurodeputados em visita oficial à China para abordar tensões comerciais com a UE

Uma delegação de eurodeputados inicia hoje 27 de outubro uma visita de três dias à China para abordar tensões comerciais com Pequim, após o acordo sobre veículos híbridos e no âmbito dos planos comunitários para reforçar instrumentos de defesa comercial.

O eurodeputado alemão Engin Eroglu, membro da delegação da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu e presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, confirmou a chegada a Pequim na rede social X, onde explicou que manteve reuniões individuais com representantes de empresas alemãs, organizadas pela Câmara de Comércio Alemã na China, logo após a chegada.

Referindo-se a uma reunião anterior com empresários alemães em maio, Eroglu disse que “muita coisa mudou desde então”. “Não só nas relações entre a China e a Europa, mas também no contexto económico e político em que as nossas empresas operam diariamente”, salientou.

O eurodeputado defendeu a necessidade de “ir-se além de falar da China à distância” e de se manterem contactos diretos com quem investe, produz e desenvolve atividades empresariais no país asiático, face ao que descreveu como um momento de “questões incómodas” na União Europeia.

Noutra publicação, afirmou que “a solução para a indústria europeia não está na China, mas sim nas capitais dos 27 Estados-Membros e em Bruxelas”, embora tenha considerado necessário conhecer-se em primeira mão a realidade económica chinesa.

A delegação, liderada pelo presidente da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu, o social-democrata alemão Bernd Lange, visitará Pequim, Hangzhou e Xangai até quinta-feira, na segunda visita deste órgão parlamentar à China desde 2018.

Os representantes da União Europeia pretendem abordar com os interlocutores chineses o excesso de capacidade industrial, as restrições de acesso ao mercado, a dependência europeia de matérias-primas críticas e a crescente entrada de produtos chineses baratos.

A visita surge depois de Bruxelas e Pequim terem chegado a um entendimento para limitar as exportações chinesas de veículos híbridos para a UE, considerado por ambas as partes um avanço, embora com interpretações diferentes quanto ao alcance.

O acordo prevê, segundo fontes comunitárias, um quota inicial de 350.000 veículos por ano, que aumentará progressivamente.

A missão surge também depois de os líderes europeus terem exigido novos instrumentos de defesa comercial face aos desequilíbrios com a China e de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter anunciado para dezembro a apresentação de um instrumento destinado a reduzir as dependências estratégicas.

Lange alertou que o acordo sobre veículos híbridos constitui apenas “o ponto de partida” de relações comerciais nas quais, segundo o Parlamento Europeu, a UE regista um défice com a China de cerca de mil milhões de euros por dia.

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