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Esquema do PCC trocava drogas por assinaturas para projeto de lei no Paraná

O Ministério Público do Paraná deflagrou, nesta quarta-feira (28), a segunda fase da Operação Umbra, que mira um esquema do PCC (Primeiro Comando da Capital) investigado por distribuir drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas em presídios.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no estado de São Paulo.

A Justiça também autorizou buscas pessoais e domiciliares, inclusive nas unidades prisionais onde estão detidos alguns dos investigados. Segundo o órgão, as buscas visam apreender aparelhos celulares, drogas, armas, dinheiro em espécie e documentos relacionados às atividades ilícitas.

A ação desta manhã é coordenada pelo Núcleo Regional de Londrina do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Tráfico de drogas e controle regional

Segundo as investigações, o grupo atuava nos municípios abrangidos pelo código de área telefônico DDD 43, no Norte do Paraná, sobretudo em atividades ligadas ao tráfico de drogas, comércio de armas de fogo e ao controle disciplinar dos membros da organização.

Os investigadores apontaram que a estrutura do PCC regional era comandada por dois irmãos, que ocupavam posições de liderança mas com funções distintas.

Um deles é indicado por exercer a função denominada de “Geral da Região 43”, responsável pela disciplina dos integrantes, pela intermediação de ordens da cúpula da facção, pela autorização ou pelo veto de punições e transferências internas e pela gestão da estrutura regional.

Já o outro irmão ocupava o cargo de “Final 100% do Estado do Paraná”, responsável pela supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas no estado. Segundo o MP, ele também atuaria na coordenação do comércio de drogas a partir da zona Sul de Londrina.

Leia também: Operação mira 18 alvos por tráfico de drogas e ligação com o PCC no Paraná

Os demais investigados exerceriam funções específicas na estrutura criminosa, incluindo a contabilidade da organização, a coordenação de pontos de venda de drogas, a gestão do chamado “tribunal do crime” e a negociação de armas de fogo de grosso calibre, inclusive fuzis.

Drogas em troca de assinaturas de projeto de lei

Segundo o Ministério Público, um dos principais pontos identificados durante a investigação foi a organização de uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.

As investigações apontaram que a iniciativa era promovida pelo PCC em Londrina e região com o objetivo de pressionar o sistema prisional. De acordo com a promotoria, mensagens apreendidas ao longo das apurações indicavam a meta de obter 290 mil assinaturas em todo o país.

Para incentivar a participação, a ramificação da facção no Paraná distribuía porções de drogas a pessoas que apresentassem assinaturas coletadas.

Segundo os investigadores, os entorpecentes eram fornecidos pelos responsáveis pelos pontos de tráfico, conhecidos como “donos de quebradas”. A prática, conforme o MP, era chamada internamente de “trabalho de revertimento”.

Além disso, a apreensão de planilhas e registros durante a investigação levaram os investigadores a identificarem a quantidade de drogas disponibilizada por cada ponto de venda e sua correspondência com o número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína equivalia a oito assinaturas.

Atuação nos presídios

Ainda de acordo com as investigações, alguns dos suspeitos de envolvimento no esquema já estavam presos em unidades do sistema penitenciário do Paraná e de São Paulo, mas continuavam exercendo funções na organização criminosa.

Mesmo detidos, as apuração indicam que eles –– supostamente –– repassavam orientações, negociavam armamentos e administravam o fluxo de drogas. Para mascarar a ação e dificultar a identificação da polícia, o grupo utilizava linhas telefônicas registradas em nome de terceiros.

Leia também: PF mira esquema de tráfico internacional de cocaína ligado ao PCC

Os suspeitos investigados no âmbito da Operação Umbra poderão responder pelos crimes de favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas.

Alvos já eram investigados por duplo homicídio

Segundo investigação do Gaeco, há indícios de possível participação de dois dos investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná.

O material reunido aponta que o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem que seria integrante de um grupo rival. Na ação, uma criança também foi morta.

O Ministério Público afirmou que um dos investigados apontados nesse contexto teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.

Novo organograma do PCC mostra “sintonias” e dimensão da facção; veja

 

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Veja quais líderes do CV seguem foragidos 1 ano após megaoperação no RJ

Doca, Pedro Bala, Gardenal, Grandão e BMW. Esses são alguns dos grandes nomes do CV (Comando Vermelho) que seguem foragidos após um ano da Megaoperação que deixou mais de 120 pessoas mortas nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona Norte do Rio de Janeiro.

De acordo com as autoridades, a ação do dia 28 de outubro de 2025 tinha como principal objetivo frear o avanço da facção carioca. No entanto, até hoje, os principais líderes da organização não foram localizados.

A CNN Brasil separou quem são os principais nomes do Comando Vermelho que ainda seguem nas ruas e relembra o dia da megaoperação.

Doca ou Urso

Edgar Alves Andrade, também conhecido como “Doca” ou “Urso”, de 55 anos, é o homem apontado como a principal liderança do CV (Comando Vermelho) no Complexo da Penha, na zona Norte, considerad o “QG” da facção.

Fugitivo do sistema carcerário, Doca é investigado por mais de 100 homicídios, entre eles execuções de crianças e desaparecimentos de moradores.

No final de 2023, Doca foi apontado em investigações como o mandante da execução de três médicos e da tentativa de homicídio de uma quarta vítima, na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio. As vítimas participavam de um congresso de medicina e foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras. Um dos mortos foi o irmão da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

Segundo o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) e o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), há mais de 20 mandados de prisão expedidos em nome de Edgard Andrade.

Pedro Bala

Pedro Paulo Guedes, conhecido pelo apelido de Pedro Bala, é apontado como um dos homens de confiança de Doca e responsável pela parte operacional do grupo conhecido como “Tropa do Urso”. Ele é um dos criminosos mais procurados do estado, com diversas passagens e ao menos nove mandados de prisão expedidos.

De acordo com as autoridades, Pedro Bala seria um dos envolvidos na morte de Gabriela Estefany da Silva Pinto, adolescente de 15 anos. As investigações tiveram início em 18 de maio de 2020, quando Gabriela desapareceu no conjunto de favelas do Complexo da Penha.

A vítima teria saído de uma festa na Comunidade Cinco Bocas e teria sido capturada por traficantes da Comunidade Vila Cruzeiro, após ser deixada por um amigo próximo à estação de trem na Penha Circular, não sendo mais vista desde então.

A jovem seria era ex-namorada do traficante de drogas da Vila Cruzeiro Paulo Henrique de Oliveira Gama Silva, o 2P, que teria descoberto que a adolescente estava em um relacionamento com uma pessoa que seria de uma facção rival.

Por conta do ciúme, o criminoso 2P teria armado uma emboscada e entregue a namorada para um grupo de traficantes do Complexo da Penha. Gabriela teria sido submetida ao tribunal do tráfico e morta por 2P e pelos integrantes da quadrilha de Pedro Bala.

Gardenal

Carlos da Costa Neves, popularmente conhecido pelo vulgo “Gardenal”, é apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho.

De acordo com relatórios do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e investigações da Polícia Civil, “Gardenal” atua como gerente-geral do tráfico no Complexo da Penha. Ele seria responsável por coordenar a expansão violenta da facção para áreas da zona Oeste.

Autoridades apontam que “Gardenal” comanda a ações como a aquisição de armamentos pesados, monitoramento por drones e segurança estratégica (“contenção”) das comunidades sob seu domínio.

Em abril de 2026, interceptações telefônicas revelaram que o homem negociava diretamente com chefes de milícias presos, como André Costa Barros (o “André Boto”), para facilitar a entrada do Comando Vermelho em comunidades de Bangu.

“Gardenal” também é investigado por supervisionar atos de violência extrema. Um dos casos é uma sessão de tortura que foi transmitida ao vivo para que ele assistisse.

Grandão ou Síndico

Washington César Braga da Silva, de 35 anos, conhecido no mundo do crime como “Grandão” ou “Síndico da Penha”, é apontado como um dos principais traficantes e gerentes-gerais do CV no Complexo da Penha. Ele seria um dos homens de maior confiança de Doca.

O apelido de “Síndico” é por conta da função de “gestor” da favela. Grandão seria responsável por organizar o dia a dia do crime, incluindo escalas de plantão para traficantes em pontos de venda de drogas e patrulhas, além de gerir pagamentos.

As autoridades afirmam que o homem controla as células armadas que fazem a segurança de Doca e monitoram a entrada de polícia na região.

Relatórios da Polícia Civil indicam que ele usa grupos de WhatsApp para divulgar ordens, normas de conduta para a quadrilha, e até para cobrar pela escolta na casa de Doca. Além disso, atua como intermediário, filtrando quem pode ou não falar diretamente com “Urso”.

BMW

A denúncia considerada como ponto de partida para a megaoperação no Rio de Janeiro apontou a existência de um grupo de matadores chamado de “Equipe Sombra”.

Os integrantes seriam liderados por Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, conhecido no mundo do crime como “BMW”. Ele é tido como homem de confiança de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”. 

A denúncia diz que o grupo liderado por “BMW” usa armas de fogo de grosso calibre e atua com violência extrema contra os rivais. Ele também aparece no documento como alguém que exerce a função de “treinador de soldados do tráfico”.

Mesmo abaixo de “Doca”, “BMW” também é apontado como uma liderança do CV. De acordo com a denúncia do MP, ele, ao lado de “Gardenal” também seria responsável por orientar a prática de punições e torturas contra moradores da Penha.

A fila de corpos no Rio de Janeiro

A Praça da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, amanheceu no dia 29 de outubro de 2025 com uma fila de corpos estendidos em uma lona. 

Segundo o ativista Raull Santiago, que estava no local, cerca de 50 corpos foram retirados por moradores da região de mata do Complexo da Penha durante a madrugada do dia seguinte à megaoperação.

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    Corpos enfileirados em rua do Rio de Janeiro após operação policial mais letal da história da cidade • REUTERS/Ricardo Moraes

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    A Operação Contenção foi uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (28) • Arquivo pessoal: Bruno Itan

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    Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SESP) e o Governo do Estado, o objetivo principal era combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) • CNN

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    A Operação Contenção se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro • CNN

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    O saldo final incluiu 60 suspeitos de crimes e 4 policiais mortos (dois policiais civis e dois policiais militares do Bope) • CNN

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    Além das fatalidades, 81 pessoas foram presas incluindo Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, que é apontado como o operador financeiro do CV no Complexo da Penha e braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo "Doca" ou "Urso" • CNN

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no início da manhã desta quarta-feira, 29, após a megaoperação mais letal da história do Estado. O ativista Raull Santiago, do Instituto Papo Reto, afirmou que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia. • PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

Além das mortes e do “cenário de guerra”, a megaoperação gerou caos na cidade, com escolas municipais e estaduais fechadas, unidades de saúde suspendendo o funcionamento inicial e linhas de ônibus tendo seus itinerários desviados.

Um ano após a megaoperação

A Operação Contenção completa um ano nesta quarta-feira. Considerada a mais letal da história do país, a ação é alvo de uma investigação do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), que busca esclarecer as circunstâncias das 122 mortes registradas durante os confrontos nos complexos do Alemão e da Penha.

Um levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que 425 munições apreendidas com suspeitos de serem membros do CV durante a megaoperação foram fabricadas em 2025, ou seja, no mesmo ano da megaoperação. O número corresponde a 46,8% dos 909 cartuchos de fabricação nacional entre as 1.073 munições originais analisadas.

O dado exclusivo obtido pela reportagem da CNN Brasil indica a possibilidade de um desvio recente das munições que chegaram às mãos da facção criminosa. Ao todo, 84,7% do material analisado era de origem nacional. A data de fabricação, isoladamente, não permite determinar quando ou como os cartuchos foram desviados, mas dimensiona a presença de munições produzidas no ano da ação policial.

No total, foram apreendidas 120 armas de fogo, segundo a recontagem oficial da Polícia Civil. O arsenal, que conta com materiais desviados das Forças Armadas, incluía 93 fuzis, cerca de 25 a 26 pistolas e um revólver, além de artefatos explosivos, como granadas, carregadores e munições. A recontagem elevou o valor estimado do material apreendido para mais de R$ 12 milhões.

Até o momento, o GAESP (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública ) do MPRJ apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência.

Em paralelo, o órgão conduz um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) para apurar as mortes ocorridas durante a operação. Segundo o coordenador do GAESP, promotor de Justiça Fabio Corrêa, a investigação inclui depoimentos de policiais envolvidos na ação e de familiares das vítimas, além da análise de mais de quatro mil horas de imagens de câmeras operacionais portáteis e de laudos periciais médico-legais.

O objetivo é esclarecer as circunstâncias de cada morte e eventuais responsabilidades individuais, incluindo os casos de agentes de segurança pública mortos durante os confrontos.

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Polícia prende grupo que usava deepfake de Gusttavo Lima em golpe de doação

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quarta-feira (28), uma operação contra um grupo suspeito de arrecadar quase R$ 10 milhões com falsas campanhas de doação na internet. Para atrair doadores, os alvos usavam vídeos criados com inteligência artificial que reproduziam imagens de Gusttavo Lima e dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.

A ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais. Até o momento, cinco investigados foram presos.

Segundo a polícia, dois suspeitos foram localizados em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e outro em Joinville (SC).

A operação também resultou na apreensão de veículos de luxo e na identificação de ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o equivalente a R$ 2,14 milhões, conforme a cotação desta quarta-feira.

Uso de deepfakes para atrair doadores

Segundo a Polícia Civil, o grupo criava e divulgava páginas falsas de arrecadação de doações, utilizando imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para gerar comoção e induzir as vítimas a realizar transferências financeiras.

Para ampliar o alcance das campanhas e atrair mais pessoas, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo as chamadas ‘deepfakes’, para criar vídeos falsos com imagens de personalidades públicas, como Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.

Os conteúdos também incluíam representações religiosas, entre elas imagens de Jesus Cristo, de acordo com as investigações.

As publicações circulavam nas redes sociais e direcionavam os usuários a páginas que simulavam campanhas beneficentes legítimas. Os valores arrecadados, porém, eram transferidos para contas bancárias controladas pelo grupo.

Mais de 215 mil transações em 45 dias

As apurações mostraram que, entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada à organização recebeu 215.575 transações, que totalizaram mais de R$ 9.8 milhões.

Segundo a polícia, os pagamentos eram, majoritariamente, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50. O padrão aplicado pelo grupo sugere um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país, ainda que a soma de transações não corresponda necessariamente ao número de pessoas afetadas.

Ainda de acordo com as investigações, o grupo mantinha uma estrutura criminosa organizada com divisão de tarefas. Os investigados trabalhavam no desenvolvimento tecnológico das fraudes, na administração de redes sociais, na formalização de empresas e na movimentação e dispersão dos recursos financeiros.

Fraudes eletrônicas

A análise de contas eletrônicas também revelou mais de 230 GB de arquivos, incluindo vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e materiais destinados à produção de novas campanhas fraudulentas. Segundo a polícia, em uma única conta, os investigadores encontraram mais de 210 GB de conteúdo.

No Distrito Federal, cruzamentos de informações identificaram 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a fraudes eletrônicas. Entre os casos mencionados pela investigação estão golpes de falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.

Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que venham a ser identificados no decorrer da apuração.

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PF mira grupo suspeito de fraude com prejuízo potencial de R$ 10 bilhões

A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quarta-feira (28), uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do Seguro Defeso a pescadores artesanais no Maranhão. Segundo as investigações, o esquema poderia causar um prejuízo de R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.

A ação, que conta com o apoio da CGU (Controladoria-Geral da União), mobiliza cerca de 160 policiais federais e cumpre 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses.

Durante a operação, dois agentes públicos foram afastados cautelarmente por suspeita de envolvimento no esquema.

A Justiça também determinou 17 medidas cautelares diversas da prisão, com o objetivo de interromper a atuação do grupo e preservar a instrução processual.

Além disso, foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 400 milhões em bens e valores dos investigados, para garantir o eventual ressarcimento dos danos aos cofres públicos e impedir a ocultação ou a dissipação de patrimônio supostamente proveniente das atividades criminosas.

Fraude em concessão de seguro

Segundo a PF, o esquema consistia em fraudes envolvendo a concessão indevida do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais durante o período em que a atividade pesqueira é legalmente interrompida.

As investigações apontaram que o grupo praticava as fraudes mediante a inserção de informações falsas em sistemas governamentais, utilização de documentos fraudulentos e possível participação de agentes públicos e particulares.

Provas e análises realizadas até o momento indicaram que a atuação da organização criminosa poderia causar um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistema informatizado da Administração Pública, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Leia também: Operação mira prefeitura do interior de SP por fraude em contratos públicos

Diligências

Durante o cumprimento das buscas, os agentes apreenderam veículos de alto valor, armas, documentos e telefones celulares.

Veja imagens da ação:

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    Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA

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    Ação mira organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais • Divulgação/PF-MA

A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem com a análise do material apreendido e o aprofundamento das diligências, para identificar outros envolvidos, impedir a extensão da atuação criminosa e definir com precisão os prejuízos causados ao erário.

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Megaoperação no RJ: munição usada pelo CV teria sido desviada no mesmo ano

Um levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que 425 munições apreendidas com suspeitos de serem membros do CV (Comando Vermelho) durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que completa um ano nesta quarta-feira (28), foram fabricadas em 2025, ou seja, no mesmo ano da megaoperação. O número corresponde a 46,8% dos 909 cartuchos de fabricação nacional entre as 1.073 munições originais analisadas.

O dado exclusivo obtido pela reportagem da CNN Brasil indica a possibilidade de um desvio recente das munições que chegaram às mãos da facção criminosa. Ao todo, 84,7% do material analisado era de origem nacional. A data de fabricação, isoladamente, não permite determinar quando ou como os cartuchos foram desviados, mas dimensiona a presença de munições produzidas no ano da ação policial.

No total, foram apreendidas 120 armas de fogo, segundo a recontagem oficial da Polícia Civil. O arsenal, que conta com materiais desviados das Forças Armadas, incluía 93 fuzis, cerca de 25 a 26 pistolas e um revólver, além de artefatos explosivos, como granadas, carregadores e munições. A recontagem elevou o valor estimado do material apreendido para mais de R$ 12 milhões.

A Operação Contenção completa um ano nesta quarta-feira. Considerada a mais letal da história do estado, a ação é alvo de uma investigação do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), que busca esclarecer as circunstâncias das 122 mortes registradas durante os confrontos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio.

MPRJ já denunciou 28 policiais

Até o momento, o GAESP (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública ) do MPRJ apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência.

Em paralelo, o órgão conduz um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) para apurar as mortes ocorridas durante a operação. Segundo o coordenador do GAESP, promotor de Justiça Fabio Corrêa, a investigação inclui depoimentos de policiais envolvidos na ação e de familiares das vítimas, além da análise de mais de quatro mil horas de imagens de câmeras operacionais portáteis e de laudos periciais médico-legais.

O objetivo é esclarecer as circunstâncias de cada morte e eventuais responsabilidades individuais, incluindo os casos de agentes de segurança pública mortos durante os confrontos.

Human Rights Watch aponta obstáculos

Na terça-feira (27), representantes da organização internacional HRW (Human Rights Watch) se reuniram com integrantes do MPRJ para apresentar um relatório com conclusões sobre a operação. O documento será analisado pela equipe responsável pela investigação.

Durante o encontro, o diretor da HRW no Brasil, César Muñoz, reconheceu o esforço do Ministério Público para esclarecer as mortes, mas destacou obstáculos relacionados ao uso das câmeras corporais pelos agentes de segurança.

A investigação do GAESP também identificou falhas recorrentes nos equipamentos, como ausência de câmeras, baterias descarregadas e problemas na distribuição dos dispositivos. Em março de 2026, diante das irregularidades, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, expediu recomendações às secretarias estaduais de Polícia Militar, Polícia Civil e Segurança Pública para aprimorar o uso dos equipamentos. Segundo o MPRJ, algumas medidas já começaram a ser implementadas.

O Ministério Público afirma que a apuração segue as determinações do STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito da ADPF 635, que trata de medidas relacionadas à segurança pública no Rio de Janeiro.

O órgão também relata dificuldades para acessar imediatamente os locais dos confrontos, por questões de segurança, e informa que parte dos agentes envolvidos não portava câmeras operacionais portáteis. A análise do conjunto de provas deverá contribuir para esclarecer as circunstâncias da operação que completa um ano.

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Operação mira esquema de venda de gás ligado ao Comando Vermelho no RJ

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado deflagraram, nesta quarta-feira (28), a Operação Dominus, contra uma organização criminosa ligada ao CV (Comando Vermelho) suspeita de controlar a venda de gás de cozinha em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas.

A investigação identificou um esquema de monopólio da comercialização do produto, com extorsão de comerciantes e cobranças periódicas conhecidas como “metas do gás”. Segundo a apuração, o grupo utilizava o domínio territorial da facção para restringir a livre concorrência e arrecadar recursos para financiar as atividades criminosas.

A operação prevê o cumprimento de nove mandados de prisão e 44 de busca e apreensão, além do bloqueio de mais de R$ 350 milhões em ativos financeiros e do sequestro de bens vinculados aos investigados.

Coordenada pela DDSD (Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPRJ, a ação conta com o apoio de outras unidades especializadas da Polícia Civil.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, comerciantes eram obrigados a comprar gás de fornecedores vinculados à organização criminosa ou a realizar pagamentos periódicos ao grupo, sob ameaça de retaliações.

As cobranças, chamadas de “metas do gás”, funcionavam como um mecanismo sistemático de arrecadação de dinheiro. A apuração apontou que o esquema contava com uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre operadores comerciais, responsáveis pela logística de distribuição, arrecadadores e integrantes ligados ao controle territorial exercido pelo Comando Vermelho.

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava a intimidação armada para impedir a atuação de concorrentes e manter a comercialização de gás subordinada aos interesses da organização.

A investigação também identificou indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de alguns dos envolvidos, além do uso de estruturas empresariais que, segundo a apuração, estariam relacionadas à manutenção do esquema.

Investigação identificou vínculos com lideranças do tráfico

As apurações apontaram que o principal investigado mantinha relações de proximidade e confiança com lideranças do Comando Vermelho, além de prestar apoio logístico a integrantes da cúpula da facção.

Segundo a investigação, ele atuava na locação de imóveis para Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças em liberdade do grupo criminoso. A apuração também identificou uma suposta contribuição para a fuga do traficante do Complexo do Alemão durante a operação policial Contenção, realizada em dezembro de 2024.

O investigado também teria vínculos com um homem conhecido como Zeus, apontado como liderança do tráfico na comunidade da Muzema. Conforme a Polícia Civil, ele frequentava o Complexo do Alemão e mantinha interlocução com chefes da facção.

Os elementos reunidos pelos investigadores indicam que o suspeito teria atuado como intermediário entre a estrutura empresarial utilizada no esquema de comercialização de gás e as lideranças responsáveis pelo controle armado dos territórios.

Empresas de fachada e ocultação de patrimônio

A investigação identificou indícios do uso de empresas de fachada e de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para movimentar recursos e ocultar patrimônio supostamente relacionado às atividades criminosas.

Segundo a apuração, empresas formalmente registradas em nome de terceiros, especialmente nos setores de distribuição de gás e construção civil, seriam utilizadas para dificultar a identificação dos responsáveis pelo controle dos negócios e dos bens.

A análise de dados financeiros, cadastrais e telemáticos também apontou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada de pessoas envolvidas no esquema.

Operação ocorre em municípios do RJ

Os mandados são cumpridos em diferentes regiões do estado, com maior concentração em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. As diligências também abrangem os municípios de Itaboraí, Duque de Caxias e Niterói, além da capital fluminense, com ações previstas nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e da Taquara.

Entre os alvos estão residências de investigados e estabelecimentos comerciais, especialmente distribuidoras e revendedoras de gás apontadas como integrantes ou vinculadas à estrutura investigada.

O bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de bens têm como objetivo impedir a movimentação de recursos potencialmente relacionados às atividades criminosas e atingir o patrimônio que sustentaria a organização.

A investigação foi conduzida no âmbito de um inquérito policial instaurado para apurar suspeitas de organização criminosa e extorsão relacionadas à exploração econômica da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP).

Segundo a Polícia Civil, as apurações continuam para identificar outros ativos vinculados aos investigados e esclarecer a participação dos suspeitos no esquema. O balanço das prisões, buscas e apreensões realizadas será divulgado após a consolidação dos resultados da operação.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa do citado Edgard Alves de Andrade. O espaço segue aberto.

Combate ao crime organizado exige mais que operações, dizem especialistas

 

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Polícia investiga rede de escravidão sexual de adolescentes no RJ

Seis pessoas já foram presas nesta quarta-feira (28) durante uma operação da Polícia Civil contra uma rede suspeita de escravizar sexualmente adolescentes no Rio de Janeiro. Batizada de NXIVM, a ação tem como alvo um grupo investigado por produzir vídeos de violência sexual contra menores e usar as imagens para ameaçar e chantagear as vítimas.

Os agentes buscam cumprir mandados de prisão e 18 medidas de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo e Maricá.

A investigação começou em julho, após a prisão de um assessor parlamentar suspeito de estuprar uma adolescente de 16 anos em Icaraí, na zona Sul de Niterói. Na ocasião, policiais da 74ª DP (Alcântara) apreenderam notebooks e celulares na casa do investigado. A análise dos aparelhos e de imagens de câmeras de segurança levou os agentes a identificar outros suspeitos e aprofundar a apuração sobre o esquema.

Segundo a Polícia Civil, os integrantes do grupo se autodenominavam “senhores” e chamavam as vítimas de “escravas”. A rede é investigada pela produção de vídeos de exploração sexual, incluindo registros de estupros coletivos e tortura.

De acordo com os investigadores, as imagens eram usadas para ameaçar as adolescentes com a divulgação do material e forçá-las a permanecer sob o controle dos suspeitos. O esquema também envolveria agressões físicas e psicológicas para submeter as vítimas a novos abusos.

A denúncia que deu origem ao caso foi feita pela própria adolescente, que procurou a delegacia acompanhada dos pais. Com a operação desta quarta-feira, a polícia busca reunir novas provas, esclarecer a participação dos investigados e identificar outras possíveis vítimas.

A ação conta com o apoio de unidades do 4ºDPA (Departamento de Polícia de Área) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar.

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Três eventos relevantes para a Galp

Poucos dias depois do 20º aniversário da sua cotação em bolsa (que este ano não comemorou, não sei porquê), a Galp anunciou que os seus resultados líquidos na base de valorização das reservas ao custo de reposição, atingiram 1,494 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, e que terminou as negociações com os accionistas da Moeve para a fusão das operações de refinação e de distribuição de combustíveis.

Vale a pena reflectir sobre o que estes três eventos nos dizem sobre a empresa.

Há 20 anos a Galp era uma empresa centrada em Portugal, onde operava duas refinarias de petróleo e tinha uma quota de mercado superior a 30% no retalho de combustíveis, e de mais de 60% no gás natural. Operava também em Espanha, com uma quota de mercado nos combustíveis de cerca de 6%, e tentava entrar na distribuição de gás natural. Controlava cerca de 120 postos de abastecimento em vários dos PALOP. Dava os primeiros passos no sector da energia eólica. Produzia em Angola aproximadamente 9.000 baris de petróleo por dia, e tinha acabado de iniciar as actividades de perfuração no Brasil. A participação da pesquisa e produção na formação do seu EBITDA era de 3,7%.

E a primeira cotação da sua acção foi 5,81 euros.

A Galp actual é bem diferente. Encerrou a refinaria de Matosinhos, que se tinha tornado deficitária. Perdeu quota de mercado na distribuição de combustíveis, face à concorrência das marcas brancas e dos hipermercados. Vendeu a participação nas redes de distribuição de gás natural, e concentrou-se na comercialização. Cresceu algo nos segmentos das energias renováveis e distribuição de electricidade. Mas foi na pesquisa e produção que verdadeiramente cresceu: com uma produção de 130.000 barris por dia no Brasil, este segmento representa actualmente 65% do EBITDA.

É a evolução no “upstream” e a valorização da produção no Brasil que leva a empresa a apresentar hoje resultados record, não a distribuição de combustíveis. Em Portugal, a Galp continua importadora de petróleo, e tem de pagar o produto ao preço de mercado. E produz combustíveis, que coloca no mercado a um preço que reflete as cotações internacionais – se não fosse assim, a refinaria de Sines venderia para exportação, não para o mercado nacional. Este ano beneficia do efeito causado pela guerra no Médio Oriente, que provoca uma redução de até 20% nas quantidades de petróleo e combustíveis, e determina o aumento de preços por via da pressão da procura – e é por isso que defendo que não vale a pena perder tempo a imaginar formas de tributar estes “lucros excessivos”, que não o são.

Recentemente tinha iniciado um processo de negociações para a fusão dos segmentos de downstream com a Moeve, visando a criação de uma empresa com dimensão relevante na Europa, deixando de fora o segmento “upstream”, verdadeira “jóia da coroa”. Era um projecto interessante, embora a sua concretização fosse difícil e tivesse levantado críticas e receios de perda de capacidade de decisão nacional sobre a refinação – o que me parece não ter fundamento porque o que pesa nestas matérias é o juízo de rentabilidade, não o nacionalismo económico. O fim do projecto terá resultado de não ser possível conseguir consenso relativamente a temas estratégicos e comerciais. A reacção do mercado foi imediata: o projecto era entendido como interessante, e o seu abandono ditou uma quebra de cerca de 10% na cotação das acções da Galp, mesmo após o anúncio dos resultados.

E a acção Galp está cotada a 20.93 euros no dia em que escrevo este artigo.

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