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CEO da Ageas diz que crise da habitação ultrapassa a capacidade de intervenção do setor segurador


O setor segurador pode contribuir para responder à crise da habitação, mas não terá capacidade para dar todas as respostas às necessidades existentes, mesmo que todas as seguradoras se mobilizem em conjunto. O alerta foi deixado por Luís Menezes, CEO da Ageas Portugal, que defende um maior envolvimento do Estado e dos municípios na procura de soluções para o problema da habitação.

Luis Menezes, CEO do Grupo Ageas Portugal, falou sobre o papel do setor segurador na crise da habitação durante a 7ª edição da Conferência Anual ECOseguros.Hugo Amaral/ECO

“Vamos fazer parte da solução, mas nem todo o setor segurador junto conseguiria” responder às necessidades que se avizinham, afirmou o responsável, durante a 7.ª Conferência Anual do ECOseguros. O CEO destacou que a resposta à crise exige a participação de diferentes intervenientes e que o Estado deverá assumir um papel de coordenação.

Explica que, entre as iniciativas em curso, a Ageas está a financiar um projeto habitacional no Porto, cuja gestão ficará a cargo da Câmara Municipal. Ainda assim, Luís Menezes sublinha que a dimensão do problema ultrapassa a capacidade de intervenção do setor.

A inteligência artificial foi outro dos temas abordados pelo responsável, que considera que a regulação europeia está a dificultar a inovação. “A regulação na Europa é uma barreira à inovação”, defendeu, criticando o que descreveu como um excesso de burocracia com consequências para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial.

Perante a rapidez da evolução tecnológica, o CEO da Ageas considera que as empresas não podem adiar a adaptação. “Não há tempo a perder, quem não apanhar este comboio vai ficar para trás”, alertou.

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APROSE alerta para riscos de compradores de seguros autónomos com IA


A inteligência artificial não deve substituir o aconselhamento personalizado, uma vez que a escolha de uma apólice não se resume apenas ao preço, defende Nuno Martins, presidente da Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE). O responsável alerta também para a necessidade de simplificar a comunicação entre as seguradoras e os sistemas digitais dos mediadores.

Nuno Martins, Presidente da Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE), esteve presente em mais uma edição da Conferência Anual ECOseguros.Hugo Amaral/ECO

“É perigoso irmos pelo caminho de compradores autónomos e digitais”, afirmou Nuno Martins, questionado sobre o risco de os consumidores recorrerem à inteligência artificial para encontrar seguros mais baratos, durante a 7.ª Conferência Anual do ECOseguros. Embora reconheça a importância do preço na decisão de compra, o responsável considera que a escolha deve ter em conta as necessidades específicas de cada cliente e a proteção que pretende garantir.

“Ninguém procura vender pelo preço, mas temos consciência de que é um fator importante”, explicou.

Nuno Martins considera ainda prioritário melhorar a comunicação entre as seguradoras e os sistemas informáticos dos mediadores. Explica que a APROSE tem como objetivo promover essa integração, de forma a reduzir tarefas administrativas e libertar tempo para a atividade comercial.

“Se queremos vender mais, não podemos entupir a mediação com chamadas telefónicas” ou trabalho burocrático, salientou o responsável, defendendo que as empresas devem trabalhar em conjunto para criar processos mais simples. “Isto não é uma coisa impossível de fazer, mas é muito mais caro se estivermos cada um a fazer o seu”, acrescentou, considerando que uma melhor comunicação entre sistemas informáticos pode contribuir para aumentar o negócio.

O presidente da APROSE alertou ainda para os efeitos da concentração no setor segurador, que considera desfavorável à mediação. A redução do número de operadores pode limitar as opções disponíveis e criar dificuldades para os clientes, embora possa ser mais conveniente para algumas seguradoras.

“O setor está bastante forte e vivo”, afirmou, destacando a evolução da profissionalização da mediação. Ainda assim, considera que a concentração não beneficia necessariamente os consumidores e defende que a diversidade de operadores é importante para assegurar uma oferta ajustada a diferentes necessidades.

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Governo desafia seguradoras a aderirem a protocolo para seguros de exportação


O secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Silva Lopes, esteve esta quinta-feira presente na 7ª edição da Conferência Anual do ECOseguros 2027, e desafiou as seguradoras a aderirem ao protocolo com o Banco de Fomento para os seguros de exportação, defendendo um maior contributo do mercado na proteção das famílias e das empresas. O governante falou ainda da criação do Fundo de Catástrofes Naturais e Sísmicas, que deverá ser discutida nos próximos meses.

Destacou ainda o papel do setor segurador numa economia em que, defendeu, o Estado não deve assumir todas as responsabilidades de proteção. “O Estado não deve substituir o mercado nem deve ser o garante de tudo e de todos”, afirmou, salientando a importância das seguradoras na proteção das famílias.

A intervenção ficou também marcada pela defesa da evolução das finanças públicas e da recuperação da confiança na economia portuguesa. João Silva Lopes afirmou que o Governo tem procurado reduzir a dívida pública, melhorar os serviços públicos, simplificar a Administração Pública e aumentar o rendimento das famílias.

“O país está neste momento com níveis de confiança e numa situação incomparavelmente superior ao que estava quando este governo entrou em funções”, afirmou, apontando a dívida pública, a desburocratização, as infraestruturas e as carreiras da Administração Pública como áreas em que foram alcançados progressos.

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