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A Inteligência Artificial vai ganhar espaço nas compras da Black Friday, mas ainda não tem carta-branca junto dos consumidores. Mais de metade (51,1%) tenciona recorrer a estas ferramentas para encontrar oportunidades, comparar preços ou avaliar promoções, embora apenas 9,6% esteja disposto a comprar diretamente com base numa recomendação da tecnologia.
Os dados são de um inquérito do Portal da Queixa, realizado junto de 652 consumidores, que mostra que a confiança continua a ser determinante na decisão de compra. Segundo o estudo, 68,1% dos inquiridos preferem confirmar a informação noutras fontes ou pesquisar a reputação da marca ou da loja antes de avançar.
A reputação é, aliás, mais importante do que o preço na avaliação das recomendações feitas pela IA: é um fator decisivo para 54,1% dos potenciais utilizadores destas ferramentas, enquanto 45,6% destacam a comparação de preços. Além disso, 65,8% procurariam mais informação ou optariam por uma loja com melhor reputação, mesmo que isso significasse pagar mais.
Os receios em torno das promoções ajudam a explicar esta cautela. Os falsos descontos, criados através do aumento artificial dos preços antes da campanha, são a principal preocupação de 38,8% dos consumidores. Seguem-se as lojas e os sites fraudulentos, referidos por 29,4%.
Entre os consumidores que pretendem utilizar Inteligência Artificial, 49,8% querem comparar preços e 41,4% esperam usar a tecnologia para verificar se as promoções representam uma poupança real.
Apesar da crescente utilização de ferramentas digitais, o preço final continua a ser o principal critério de compra, apontado por 48,6% dos inquiridos. A confiança e a reputação da marca ou da loja surgem em segundo lugar, com 21,3%.
No que diz respeito às categorias de produtos, a tecnologia lidera as intenções de compra, com 39,1%, seguida da moda, com 35,1%. Entre os consumidores que já definiram um orçamento para a Black Friday, a despesa média prevista ronda os 255 euros.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, os resultados mostram que a IA está a mudar a forma como os consumidores pesquisam e comparam oportunidades, mas não substitui a confiança nas marcas.
Numa campanha marcada pela pressão promocional, a transparência, a credibilidade e o histórico de relacionamento com os consumidores continuam, assim, a ter um peso relevante. A tecnologia pode ajudar a encontrar uma boa oferta, mas a decisão final continua a depender da capacidade de distinguir uma verdadeira oportunidade de um desconto que só parece vantajoso.
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